ESTUDO DA FORMULAÇÃO DE CONCEITOS EM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL ATRAVÉS DA INTUIÇÃO
José Carlos Xavier Da Silva, Paula Rocha Pessanha, Soraia Rodrigues De Azeredo, Carlos Eduardo Leal, Luiz Felipe Barbosa, Luiz Fernando Dos Santos, Marcelo Bomfim Corrêa, Thomas Fejolo, Welleson Jackson Silva, Luiz Brandão Puginelli, Sandra Mara Lanes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 26/01/2009
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Estudo da Formulação de Conceitos em alunos do Ensino Fundamental através da Intuição
Paula Rocha Pessanha 1 , José Carlos Xavier da Silva2 a2 , Soraia Rodrigues de Azeredo 3 , C Carlos Eduardo Leal 4 , Luiz Brandão Puginelli 5 , Sandra Mara Lanes 6 , Luiz Felipe Barbosa 7 , Luiz Fernando dos Santos 8 , Marcelo Bomfim Corrêa9 a9 , Thomas Fejolo 10 , W Welleson Jackson Silva1 a11
- 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física , paularodrigues@ibest.com.br 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, Xa vier@uerj.br
- 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, azeredosoraia@ig.com.br
- 4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Faculdade de Engenharia, ceduardo\_leal@yahoo.com.br
5 Colégio Estadual João Alfredo , luizbrand@gmail.com
- 6 Colégio Estadual João Alfredo , sandramara.lanes@gmail.com
- 7 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, a, soyohko@gmail.com
- 8 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, lf\_santos001@yahoo.com.br
- 9 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, mbcfisica@hotmail.com
- 10 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instittuto de Física, fejolo18@hotmail.com
- 11 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Instituto de Física, taquitouerj@yahoo.com.br
## Resumo
O conhecimento imimediato, ou percepção chamada intuição é observada explicitamente nos gregos durante a Antiguidade. O mesmo pode se dizer de Oersted (MARTINS, 1986), numa época em que se procurava uma relação entre a eletricidade e o magnetismo, apesar de se ter indícios dessa relação décadas antes. s. Oersted dizia -se dotado da idéia de que o universo era como um ser vivo, que possuía alma ativa geradora de forças naturais, apesar de não possuir boas evidências empíricas para justificar sua ampla visão. Já Newton (BRENNAN, 202003), foi capaz de conceber o cálculo sem um completo conhecimento da cultura matemática da época, e, em um salto mental intuitivo fez e respondeu a si mesmo uma pergunta básica sobre a força responsável pela órbita da Lua. A intuição é velha companheira de de artistas e cientistas. Gênios da música clássica como Bethoven e Mozart obtiveram grandes realizações com o uso da intuição. O estudo deste trabalho tem por objetivo investigar a formulação de novos conceitos e/ou leis a partir do uso da intuição presentetes em alunos do Ensino Fundamental, a partir do momento em que é abordada uma física meramente experimental. O interesse partiu do baixo rendimento apresentado por esses alunos em suas séries posteriores. Baseando-se no experimental como um instrumento importante na construção de um conhecimento seguro, foram eleitas idéias claras e distintas, presentes nos antigos filósofos da natureza, a partir da análise no material produzido por esses estudantes. Os resultados dessa pesquisa levaram a conclusão de que a a atividade realizada com esses alunos consegue promover uma metodologia de observação e dedução, já presente em seus espíritos que os conduziria a formulação de conceitos.
Palavras -c -chave: Intuição; Experimentos; Ensino Fundamental.
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26 a 30 de Janeiro de 2009
## Introdução
A Física antiga, ou Filosofia da Natureza nos remete às suas investigações e compreensão da realidade como alvo principal, com início na Grécia Antiga, no momento em que o predomínio absoluto dos mitos deixou de ocorrer. Começa então a busca pelo princípio primeiro, do o qual derivam todas as coisas, que até hoje a física procura.
Essas idéias inatas, claras e distintas presentes nos antigos filósofos da natureza, foram produzidas a partir do seu entendimento sem se voltar à experimentação ou a conceitos já estabelecidos. Essa forma intrínseca de pensar para formular conceitos físicos pode ser pensada como subsistentes ao ser, representando essências onde foram firmados todo o saber científico.
No Dicionário Brasileiro Globo, Intuição, palavra que vem do latim intuitione , é descrita da seguinte forma: "ato de ver; pressentimento; percepção clara que, para serem apreendidas pelo espírito, não precisam de raciocínio". ". Significado este que também é muito bem descrito pelo Aurélio como sendo "conhecimento imediato, que independe de do raciocínio".
Esse tipo de conhecimento imediato, ou percepção chamada intuição é observada explicitamente nos gregos durante a Antiguidade, ao tentar explicar através de lendas, por exemplo, o efeito do âmbar, que quando friccionado com um pedaço de pele de carneiro adquiria a capacidade de atrair pequenos pedaços de palha de milho e fragmentos de madeira. O âmbar, do grego elektron, um tipo de resina que tem uma cor amarelada, era tido como as lágrimas das filhas do Sol. Por estar relacionado diretamente com o Sol, o âmbar liberaria o calor contido em seu interior, e em razão disso, para preencher o vazio que ficava em seu interior, atraía corpos leves. Estas colocações demonstram que a intuição pode ou não levar o pesquisador a declarar ou explicar o fenômeno com precisão, mas dando uma explicação do observável. Somente por volta de 1600 é que Willian Gilbert procurou verificar se esse tipo de fenômeno acontecia com outros tipos de materiais, o que resultou no livro "De Magnete", constituído de seis livros em latim, compostos por seis capítulos cada livro, tentando teorizar os fenômenos da eletricidade e do magnetismo (Guimarães, 2000).
Com Platão e Aristóteles o mundo seria composto da combinação de quatro elementos e a física seria a ciência do ser natural. Com os Períodos helenístico e romano o conhecimento da natureza passa a ter o objetivo de dar o esclarecimento da ordem cósmica, o qual propõe aos indivíduos uma arte de viver. O Período Medieval e Renascimento põem a dialética como utensílio fundamental ao conhecimento da natureza e o estudo dos movimentos é desenvolvido (KOESTLER, 1959). Pode-s-se dizer que todas as descobertas em Física até então têm um protagonista que não dispunha de dados ou teorias pré-existentes, nos quais essas teorias ou invevenções estariam ligadas diretamente ao poder intuitivo e criativo do autor, já que estas surgiam através de suas observações da natureza.
Concepções são construções da nossa mente baseadas nas visões de mundo que encontramos na cultura em que estamos inseridos. Foi assim que Einstein estabeleceu os princípios da relatividade restrita, baseando-s-se no entendimento da natureza concebido por Newton em seus princípios. Princípios estes que influenciaram por muitos anos a maioria das explicações dos ramos da Física: Mecânica, Termodinâmica, Óptica e também Eletromagnetismo.
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Essas concepções tomadas por Einstein e tantos outros físicos, podem ser consideradas como percepções que foram trabalhadas racionalmente. A subjetividade no processo de aprendizagem é uma idéia amplamente tratada por Piaget (1976), em seus estudos sobre o desenvolvimento do pensamento e raciocínio.
"A mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional é um servo fiel. Nós criamos uma sociedade que venera o servo e que esqueceu o dom." (Alber t Einstein)
Em um Ensino que está fadado ao fracasso, já apontado por diversos estudiosos, não se pode apenas prover mudanças nos currículos, formas de avaliação e abordagens didáticas. Uma mudança, mesmo que significativa nesses aspectos não conseguiria atingir alunos que possuem diferentes visões do mundo. São desconhecidos as dificuldades e conflitos que apresentam esses alunos.
Assim, pode-s-se obter um sucesso na aprendizagem quando se levam em consideração outros valores de suma importância, como o uso da intuição. Levar em conta a subjetividade no processo da aprendizagem pode ser considerado algo necessário. A importância das "idéias" na aprendizagem também é citada por Cobern (1996).
- A teoria da aprendizagem proposta por Ausubel, segundo Pelizzari et al. (2002), parte da consideração da existência de uma estrutura cognitiva interna e pertencente aos indivíduos que é de nítida importância no desenvolvimento dos seus processos mentais. Esta teoria propõe uma aprendizagem que ele chama de significativa, processada em torno de uma "aprendizagem por descoberta ou aprendizagem receptiva", onde os conteúdos são expostos ao estudante de forma não acabada, e o aluno deve "descobri-los" antes que os assimilem.
Ausubel defende que a aprendizagem seguindo o eixo significativo promove um enriquecimento da estrutura cognitiva do estudante, a partir do momento que este aluno não aprende de forma mecânica, o que levá -lo a decorar fórmulas ou leis que esqueceria após uma avaliação, já que o aprendizado se deu sem que interagisse com sua estrutura cognitiva.
- É um fato inegável a contribuição do cientista para a compreensão do Universo. Mas, essa contribuição é feita numa linguagem própria e na maioria das vezes com conceitos e leis nada comuns, o que não deixa de se mostrar como descobertas empolgantes na história da evolução do pensamento humana.
Newton foi capaz de conceber o cálculo sem um completo conhecimento da cultura matemática da época. Sua motivação parece ter surgido de um desafeto da escola, quando este resolveu derrotá-lo academicamente, como o fizera fisicamente. A história de que a idéia da Gravitação Universal foi sugerida por Newton pela queda de uma maçã parece verdadeira. Ao observar o fato, Newton deu um salto mental intuitivo e fez a si mesmo uma pergunta básica: E se a mesma força responsável pela queda de uma maçã se estendesse á órbita da Lua? (Brennan, 2003).
Essa pesquisa citada anteriormente foi o que motivou-nos a desenvolver um estudo com alunos de 6ª e 7ª séries do Ensino Fundamental (sétimo e oitavo anos), para perceber como pensam estes alunos antes de receber o ensino formal de Física, baseando-s-se numa metodologia de observações e deduções sobre as qualidades sensíveis das coisas, como pode ser descrito por Descartes:
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"(...) quando começo a descobri-las, não me parece aprender nada de novo, mas recordar o que já sabia. Quero dizer: apercebo-o-me de coisas que estavam já no meu espírito, ainda que não tivesse pensado nelas. E, o que é mais notável, é que eu encontro em mim uma infinidade de idéias de certas coisas que não podem ser consideradas um puro nada. Ainda que não tenham talvez existência fora do meu pensamento elas não são inventadas por mim. Embora tenha liberdade de as pensar ou não, elas têm uma natureza verdadeira e imutável." Méditations Métaphysiques, "Méditation cinquième", p. 97-7-99.
Segundo Aristóteles, não há nada no intelecto que não tenha passado primeiro pelos sentidos. Esta frase nos leva em um primeiro momento desse trabalho, tomar como base o uso de experimentos cujos resultados não são óbvios e para a construção de um conhecimento seguro, foram construídos alguns dispositivos que nos permitissem evidenciar essas idéias também citadas por Albert Einstein:
"Se o senhor quer estudar em qualquer dos físicos teóricos os métodos que emprega, sugiro-lhe firmar-s-se neste princípio básico: não dê crédito algum ao que ele diz, mas julgue aquilo que produziu. Porque o criador tem esta característica: as produções de sua imaginação se impõem a ele, tão indispensáveis, tão naturais, que nãnão pode considerá -las como imagem de espírito, mas as conhece como realidades evidentes".
A intuição vem nos propor então uns atos puros, diretos e imediatos sobre noções simples.
"Eu penso 99 vezes e não chego à conclusão alguma, mas, quando paro de pens ar, surge a verdade." (Albert Einstein)
## Objetivo
Segundo Descartes (2000), em Regras para a direção do espírito:
"Por intuição entendo não a confiança flutuante que dão aos sentidos, ou o juízo enganador de uma imaginação de más construções, mas o conceito que uma inteligência pura e atenta forma com tanta facilidade e distinção que não resta absolutamente nenhuma dúvida sobre aquilo que compreendemos; (...) Desse modo, cada qual pode ver por intuição intelectual que existe, que pensa, que um triângulo é limitado só por três linhas, um corpo esférico por uma única superfície (...)".
Baseando -s -se nesse conceito de intuição tão bem posto por Descartes, que esse trabalho foi elaborado com o objetivo de observar a forma como alunos do Ensino Fundamental, pertencentes a sexta e sétima séries (agora sétimo e oitavo anos), formulam conceitos e/ou leis, com o uso da intuição pertencente a esses alunos, o que levaria ao desenvolvimento do conhecimento por eles obtido. Pensamento intuitivo esse que culminaria numa conclusão onde se obtêm uma compreensão direta ou imediata de algo.
## Metodologia
No estudo dessa forma intrínseca de pensar para formular conceitos físicos, foi utilizada a prática da experimentação, baseando-s-se numa metodologia de observação e dedução das qualidades sensíveis das coisas. Mas não devemos pensar que a experimentação é o único meio de se fazer ciência. Não foi por meio de trabalhos experimentais que a Teoria da Relatividade foi proposta por Einstein.
Abordar a Física de forma meramente experimental nos permite mostrá-la "desmatematizada", o que se mostra bastante conveniente quando considerado as séries de estudo.
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26 a 30 de Janeiro de 2009
Foram apresentados, aos alunos de Ensino Fundamental, vários experimentos simples (duplo-cone, hemisférios de Magdeburgo e vaporizador) em que se observavam fenômenos físicos, sem a preocupação de explicações teóricas ou modelos matemáticos, onde estes mesmos experimentos aparecem, também, como um papel motivacional ao aprendizado, já que despertam o interesse dos estudantes ao questionarerem sua percepção imediata da realidade.
Os experimentos foram confeccionados com materiais de baixo custo e fáceis de serem encontrados. Após a apresentação do experimento aos alunos, estes puderam fazer a devida repetição e manuseio. Após esse primeiro momento, os alunos produziram redações onde relataram tudo que observaram da experiência, usando apenas a sua intuição e a sua percepção da vida cotidiana para explicá-á-la.
Essas redações foram feitas de forma livre, sem qualquer obrigatoriedade na explicação ão correta do fenômeno. Os experimentos foram apresentados sem que o professor fizesse alguma explicação teórica a priori. A metodologia pode ser separada em quatro etapas, constituindo de preparação dos experimentos; apresentação dos experimentos; coleta dadas redações nas escolas e análise das redações que foram elaboradas pelos alunos.
## Preparação dos experimentos
Nessa primeira etapa do trabalho foram elencados e preparados alguns experimentos (vaporizador, duplo-cone, hemisférios de Magdeburgo), para serem apresentados aos alunos. Os materiais utilizados para a preparação dos mesmos foram: isopor, canudos de refrigerante, copos plásticos descartáveis, cola, cones de madeira, vidros, canaletas, tubo de pvc e arame, todos materiais de baixo custo e de fácil aquisição.
## Apresentação dos experimentos, coleta das redações nas escolas.
Foram apresentados os experimentos, para os alunos de turmas de 6ª e 7ª séries do Ensino Fundamental (agora sétimo e oitavo anos) em dois colégios distintos, sendo um da rede particular de ensino, e o outro da rede pública.
A apresentação dos experimentos foi feita durante a aula de ciências com a Professora da turma em sala de aula, interagindo junto com os alunos durante a apresentação.
- O experimento levado ao aluno, primeiramente foi apresentado a todos, à frente da turma e depois repetido mais uma vez em cada fileira onde os alunos estavam dispostos. Feita as devidas repetições e questionando-o-os sobre uma explicação que pudesse evidenciar o funcionamento do experimento e o fenômeno por detrás do mesmo, o aparato foi liberado para os alunos, de forma que eles mesmos pudessem manusear sozinhos, ou em conjunto, da forma que mais lhe agradassem, que lhes fosse mais conveniente, e tirassem suas próprias conclusões.
- O aluno ao se depararar com o experimento inicia sua observação reproduzindo exaustivamente o que lhe é apresentado. Deve-se deixar claro que todos os experimentos demonstrados foram apresentados sem que o professor desse nenhuma explicação sobre o fenômeno a ser observado, e que durante todo o processo de manipulação e observação, não foram respondidas pelo professor nenhuma das questões feitas pelos alunos. O aluno deveria ser capaz de levantar suas próprias conclusões a cerca do tema tratado, variando suas ações e tomando uma correspondência com a sua vivência diária.
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Após terem feito a própria repetição e manuseio, foi proposto aos alunos que produzissem redações que explicassem o fenômeno observado.
Todas as experiências tiveram o intuito de levar os alunos ao sentido do conhecimento científico. Assim, por mais seguros que estejamos na proposição de um novo problema, é necessário ao introduzi-lo pela primeira vez em uma aula, verificar cuidadosamente se os alunos não apenas se envolvem com entusiasmo na procura de sua soluç ão, mas também, por meio de suas falas, de suas reflexões e conseguem chegar a uma explicação coerente.
As redações foram feitas pelos alunos de forma livre, sem forma padronizada e sem que haja qualquer obrigatoriedade na explicação correta de como e porquê o fenômeno apresentado acontece. A elaboração das redações só teria que obedecer a uma única condição: deveria ser feita individualmente. Para os alunos que tinham extrema dificuldade de expressar com palavras o que era observado, foi permitido o uso de desenhos como representação se seus signos (BAKTHIN, 1997).
## Análise das Redações
Nesse momento, foram analisadas as redações produzidas pelos alunos, recolhidas anteriormente.
Ao tentar resolver as atividades, os alunos se envolvem intelectualmente com a situação física apresentada, constroem suas próprias hipóteses, tomam consciência da possibilidade de testá-las, procurando as relações causais, elaborando os primeiro conceitos, construindo o conhecimento socialmente adquirido.
Durante a análise das mesmas foi possível separar os alunos em quatro grupos: aqueles que apenas descrevem o experimento observado; os que tentam explicar usando teorias próprias; aqueles que conseguem explicar corretamente o fenômeno apresentado; e os alunos que somente estabelecem uma relação de causa/efeito ao experimento.
## Resultados e Conclusão
- O Text Os alunos que apenas descrevem os fenômenos observados compreendem aproximadamente 20,7% da turma. Não chegam a estabelecer nenhum modelo mecânico de funcionamento do experimento, o que pode estar relacionado a um distanciamento do mundo vivido por eles.
- O discurso produzido por esses alunos se mostra tão essencialmente descritivo quanto as relações das grandezas que caracterizavam, e tratavam fenômenos de propriedades globais ou "integrais", como as leis de Kepler do movimento dos planetas ou a lei da queda dos corpos de Galileu. Elas descreviam os movimentos finitos ou médios, sem dar as "razões" desses movimentos e sem expressar, por exemplo, o nascimento ou a extinção, ou a modificação de um movimento.
Os alunos que tentam explicar usando teorias próprias correspondem a aproximadamente 38%. Podem-se evidenciar idéias pertencentes a antigos filósofos. Dentre os pensadores da Antigüidade é nas concepções sobre a estrutura do universo de Aristóteles que se irá encontrar uma teoria mais próxima às elaboradas
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pelos alunos. A cada um dos elementos constituintes do seu universo, Aristóteles atribuía um lugar próprio, o seu lugar natural (KOESTLER, 1959), o que pode ser visto em: "(...) conforme ele desce com força ele sobe porque o gás carbônico não fica debaixo d'água (...)" (relato de um aluno sobre o experimento do vaporizador).
A metodologia aristotélica se encontra presente nas ciências de observação e dedutivas, que se baseiam em qualidades sensíveis das coisas. A indução presente no espírito humano os conduziria a formação de conceitos, fundamentada na sensação: "O duplo cone não é estável, por isso ele volta para pegar estabilidade. Já o tubo é estável, podendo completar a travevessia das 2 extremidades com perfeição" (relato de um aluno sobre o experimento do duplo cone).
Os alunos que conseguem explicar corretamente o fenômeno observado compreendem aproximadamente 21% da turma. Pode-se observar nestes o uso correto de grandezas físicas. Sendo assim, percebemos que a intuição é própria do aluno e os professores podem se utilizar destes resultados para ensinar melhor este conjunto de alunos, proporcionando uma formação dirigida àqueles alunos que poderão vir a ser pesquisadores em Física e/ou inovadores em tecnologia.
Os alunos que encontram somente princípio de causa/efeito compreendem os 20,3% restantes.
Eles se limitam a falar da "causa final", como d'Alembert, em seus próprios termos:
"Mas se é perigoso servir-r-s-se de causas finais a priori para encontrar as leis dos fenômenos, pode ser útil, e é pelo menos curioso, fazer ver como o princípio das causas finais está de acordo com as leis dos fenômenos, desde que se tenha começado por determinar essas leis segundo princípios mecânicos claros e incontestáveis."
## Referências
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BAKTHIN, M., Estética da Criação Verbal, 2ª ed., São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BRENNAN, R. P.; G Gigantes da Física: Uma história da Física Moderna através de oito biografias. Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Edirora Jorge Zahar. 2 2003.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.