Cinema e Ensino de Física
Ricardo Alves Ferreira, Thiago Santos De Andrade, Rodrigo Siqueira Batista, Giselle Rôças De Souza Fonseca, Jose Abdalla Helayël Neto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 26/01/2009
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2009
Texto completo
## CINEMA E ENSINO DE FÍSICA
## A1 1 ,
## Ricardo ALVES FERREIRA1 , Thiago Santos DE ANDRADE
Giselle RÔÇAS 1 , José A. HELAYËL -NETO 3 , Rodrigo SIQUEIRA-A-BATISTA1 A1,2
- 1 - Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis (CEFET Química / RJ).
- 2 - Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO).
- 2 - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).
## Resumo
As teorias e modelos científicos são empregados por diretores de cinema, em muitas ocasiões, como inspiração artística. Neste movimento, a Física é uma área particularmente explorada, o que abre a possibilidade de aplicação dessa vertente - ficção cientifica - da Sétima Arte, para ampliação das possibilidades de ensino-aprendizagem, objetivando estimular os debates em sala de aula e permitindo que as diversas situações se apresentem de forma mais criativa. Desde esta perspectiva, o uso de filmes tem despertado o interesse em torno de fenômenos naturais, tornando-o -o uma "ferramenta" útil e versátil para se alcançar o statatus máximo de compreensão e aprendizado em relação a esta ciência. Com base nestas premissas realizou-se, no presente trabalho, uma investigação sobre películas que podem ser empregadas no ensino -aprendizagem de temas de fís ica .
Palavras -chave: Ciência, Cinema, Ficção Cientifica, Conhecimento, Ensino de Física.
## INTRODUÇÃO
"Por vezes diz -se que o ato de explorar não é tanto o de procurar novas paisagens, mas o de ver com novos olhos."
(Brian Greene - O Universo Elegante)
As atuais dificuldades enfrentadas no ensino das ciências da natureza devem -se, entre outros aspectos, à imagem prévia que os alunos têm destas "disciplinas". No caso da Física, pesa muito a ênfase no formalismo matemático, o qual torna este saber, muitas vezes, uma mera aplicação de fórmulas. Tal circunstância contribui para que os alunos sintam-se menos estimulados a estudar e aprender física, tornando fundamental o desenvolvimento de novas estratégias de ensino-aprendizagem, capazes de aguçar a curiosidade dos aprendizes.
Entre as possibilidades para apresentar o cenário e as situações, promover o debate e o questionamento, está a utilização de materiais alternativos na sala de aula. Tais materiais compõem métodos que facilitam o processo de ensino-aprendizagem do estudante, tornando as aulas menos "áridas" e monótonas (NAPOLITANO, 2006; SIQUEIRA-BATISTA et al ., 2008) . Neste domínio, as instituições educativas podem, e devem atuar como mediadoras, buscando mecanismos para dinamizar a prática pedagógica.
Assumindo tal perspectiva, o cinema constitui-se em uma boa alternativa, atuando como mecanismo de formação cultural e de estímulo cognitivo aos estudantes (FANTIN, 2006; SIQUEIRA-A-BATISTA et al ., 2008). Com efeito, a utilização da sétima arte no ensino de física é uma das questões que se põe no panorama de formação do cononhecimento cientifico. Destaca-s-se, assim, que sua aplicação na formação física permite não somente que o professor desenvolva va novas metodologias em sala de aula, mas, também, que perceba, como sujeito ativo, o papel que a expressão artística tem no desencadeamento de questões. Neste âmbibito, o emprego do cinema pode representar um modo particularmente fecundo para o levantamento de indagações relativas à física em suas relações com o cotidiano (HERNANDES et al., 2002).
Tendo como base estas breves formulações, o escopo do presente manuscrito é discutir a utilização do cinema para a abordagem dos problemas relativos ao ensino de física no âmbito do ensino médio e do nível superior.
## MÉTODOS
Trata -s -se de uma pesquisa teórica, com abordagem qualitatitiva, apoiada na análise crítica de filmes - - documentários e ficção. A apreciação de temas atuais e constantemente presentes na mídia foi o fator determinante para a seleção dos filmes, a saber:
## Ficção
- (1) 2 2010 - - - O ano em que faremos contato - - Peter Hyams;
- (1) Contato - - Robert Zemeckis;
- (2) D Déjà vu - Tony Scott;
- (3) O núcleo - Misissão ao centro da terra - Jon Amiel;
- (4) O dia depois de amanhã - Roland Emmerich;
- (5) S Sunshine - - - Alerta solar - - Danny Boyle ;
## Não -fificção
- (1) O universo elegante - Brian Greene;
- (2) A sinfonia inacabada de Einstein - Jeremy Hylton Davies;
- (3) E Einstein e sua equação de vida e morte - Jeremy Hylton Davies.
Os filmes foram então analisados e catalogados - com base em revisão crítica da literatura (artigos e livros) -, o que permitiu a preparação de sinopses, conontendo chaves para orientação dos docentes (definição de conceitos didático/científicos que poderão ser discutidos).
## RESULTADOS
A análise dos filmes identificados permitiu a vinculação a determinados eixos temáticos - trabalháveis em sala de aula - apresentados no Quadro 1.
Quadro 1. Temas abordáveis na área de Física e respectivos filmes.
A sinopse e as informações técnicas dos filmes sugeridos para o ensino de física - com comentários sobre os aspectos mais importantes a serem tratados em sala de a ula - são apresentados no Quadro 2.
Quadro 2. Informações técnicas e sinopse dos filmes sugeridos para o ensino de física.
## DISCUSSÃO
O cinema é uma manifestação cultural extxtremamente eficaz no que diz respeito ao entretenimento. Tal eficácia também pode ser utilizada como um gerador de debates, no âmbito das ciências da natureza, no caso a física, permitindo a emergência de reflexões em sala de aula, na medida em que se torna possível abordar conceitos físicos de termodinâmica, óptica, eletromagnetismo, relatividade geral e restririta, física quântica, geofísica, astronomia e outras. Neste caso, a discussão das películas pode corroborar - ou refutar - o conhecimento prévio trazido pelos estudantes, quiçá tornando mais significativa a aprendizagem (GOMES et al., 2008).
As vantagens da utilização pedagógica de filmes - - descritas na literatura - incluem sua potencialidade como mecanismo de sensibilização, de ilustração, de simulação, como conteúdo de ensino, de integração e de avaliação, para mencionar os aspectos mais significativos (MORAN, 1995). Apesar de ser uma arte "centenária", o cinema é ainda utilizado de modo muito incipiente nas escolas (NAPOLITANO, 2006), uma vez que os professores desconhecem as possibilidades dessa metodologia de ensino, subutilizando-a como um passatempo. Nesse sentido, Moran (1995) classifica a [indevida]
utilização de filmes como "vídeo-tapa buraco", "vídídeoenrolação", "vídeodeslumbramento", "vídeo-perfeição", ou "somente vídeo", sem a pertinente contextualização e articulação com os conceitos trabalhados pelo binômio discente/docente. Os títulos cinematográficos devem ser trazidos para o espaço escolar para que populares, envolvendo conceitos científicos, possam ser avaliados e debatidos, estabelecendo-s-se maiores possibilidades de diálogo entre as ciências da natureza, as humanidades e o senso comum. É essa possibilidade - - e riqueza de linguagens - - - que precisa ser abordada como mais um recurso lúdico para o ensino das ciências.
Entretanto, observa-se que poucos professores elegem os filmes como uma das etapas do prorocesso ensino-aprendizagem, não estabelecendo a relação entre os mesmos e as idéias científicas em tela. Tal fato deve-se, em grande medida, às dificuldades enfrentadas pelo professor no que concerne à construção de roteiros que permitam a discussão e a construção de resenhas críticas por parte dos estudantes (NAPOLITANO, 2006). O desconhecimento de títulos apropriados também caracteriza outro ponto problemático dessas ações.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente investigação representa uma abordagem preliminar, que terá como próximos passos a criação de roteiros de discussão para cada filme e, ato contínuo, a exibição dos mesmos a estudantes de física - no contexto das temáticas propostas - e a avaliação da atividade. O que se procurou, neste momento, foi não apenas propor um conjunto de títulos cinematográficos vinculáveis a a alguns tópicos física, mas , sim, desenvolver r roteiros de debate que possam ser utilizados em conjunto com os títulos e sinopses, auxiliando assim o professor a pensar nesse "antigo" recurso que chega às salas como uma novidade a ser explorada. Dessa forma, o uso do cinema como método para a deflagração de questões permite , ao professor , mais um elemento para estimular r o interesse dos alunos pela sutil l complexidade da física. Com efeito , representa um recurso visual complementar, que aproxima o cotidiano do aluno aos conceitos "abstratos" propostos n no domínio das aulas de Físísica.
## REFERÊNCIAS
FANTIN, M. Produção cultural para crianças e o cinema na escola. Caxambu: 29 a a Reunião Anual da Anped, 2006.
GOMES, A. P.; DIAS COELHO, U. C.; CAVALHEIRO, P.O.; GONÇALVEZ, C. A. N.; RÔÇAS, G.; SIQUEIRAABATISTA, R. A Educação Médica entre mapas e âncoras: a Aprendizagem Significativa de David Ausubel, em busca da arca perdida. Revista Brasileira de e Educação Médica, v. 32, p.105-111, 2008.
HERNANDES , C. L.; CLEMENT , L.; TERRAZZAN , E. A. Uma atividade experimental investigativa de e roteiro aberto partindo de situações do cotidiano. In: VIANNA, D. M.; PEDUZZI, L. O. C.; BORGES, O. N.; NARDI, R. Atas do VIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. SBF, São Paulo, 2002 (CD-R-Rom).
MORAN, J. M. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, v. 2, p. 2735, 1995.
NAPOLITANO , M. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006.
SIQUEIRA -BATISTA, R . ; GOMES, A . P . ; RÔÇAS G.; LEITE, S. Q. M.; SIQUEIRAABATATISTA, R. O O cinema na formação bioética de professores de ciências. In: Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente, 2008, Niterói. Caderno de Resumos do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente. Niterói: UNIPLI, 2008. , p. 309 -317.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.