O CONCEITO DE MEDIAÇÃO NA FALA DE DIRETORES DE MUSEUS DE CIÊNCIAS DE BELO HORIZONTE: REFLEXÕES PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA PRÁTICA EDUCATIVA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Silvania Sousa Do Nascimento, Maria José P. M. De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 30/01/2009
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2009
Texto completo
## O conceito de mediação na fala de diretores de museus de ciências de Belo Horizonte: reflexões para a construção de uma prática educativa p para o ensino de Física
Silvania Sousa do Nascimento 1 , Maria José P. M. de Almeida 2
- 1 UFMG/DMTE -GepCe/Faculdade de Educação, o, silnascimento@ufmg.br
- 2 UNICAMP/DEPRAC -G -GepCe/Faculdade de Educação, o, mjpma@unicamp.br
## Resumo
Esta comunicação discute algumas implicações para o ensino de física da concepção de mediação de cinco dire tores de museus de ciências da cidade de Belo Horizonte. Tais concepções foram construídas a partir da análise de entrevistas semiestruturadas desenvolvidas como parte de uma investigação sobre museus de ciências de Minas Gerais. Analisamos as entrevistas s numa perspectiva de análise de discurso iniciada por Michel Pêcheux, na qual a mediação é um trabalho, e nos pautamos em dispositivo de análise baseado em diferentes concepções subentendidas, pelos diretores dos museus, e suas relações na constituição e exposição de seus acervos. Encontramos indícios nas falas dos diretores de que o conceito predominante de mediação está relacionado à ligação entre o conhecimento científico e o conhecimento do visitante. Em conseqüência da análise destacamos quatro propósitos para a mediação, nestas propostas museais, centradas na atividade: uma ma ponte entre o acervo e o público; construção compartilhada de conhecimentos; comunicação de conhecimentos e preservação da cultura. Com esses indícios pretendemos aprofundar a análisise da ação museal.
Palavras chaves: mediação, museus de ciências, entrevistas.
## 1.Introdução
A educação científica, a, nas sociedades pós -industriais , convive com diferentes e variadas manifestações públicas da ciência - - mídia eletrônica, impressa e áudio -visual, olimpíadas de conhecimentos, concursos temáticos e monográficos sobre temas científicos, festivais, exposições, feiras, salões, visitas orientadas a laboratórios de pesquisa entre outras. Segundo Lemos (2006) a educação brasileira sofreu mudanças drás ticas nos séculos XIX e XX, destacando-s-se entre elas o abandono de uma educação dentro de uma concepção humanista e a incorporação de uma perspectiva prática voltada para formação profissional. Schilling (2007) destaca que o o ensino de ciências foi fortemente marcado pela posição teórica de Auguste Comte e, e, destaca que o estágio positivo ou científico por ele proposto Comte, estaria pautado na
Procura a reorganização da vida social para retirar a humanidade da anarquia e da crise, em direção a uma nova fase de hegemonia científica, completando a unidade entre o temporal e o espiritual, da mesma forma que o Cristianismo fez na Idade Média. (SCHILLING, 2007, p.5)
As marcas do positivismo deixadas no ensino das ciências nas escolas brasileiras podem ser vistas na Reforma de Ensino de 1890. Nela é definida a distribuição das disciplinas escolares , correspondentes dos atuais 2º ao 8º ano do
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
ensino fundamental , sendo marcante o ensino da Astronomia, da Geometria, do Desenho, nonos primeiros anos e o aprofundamento nanas ciências naturais (Biologia, Zoologia, Botânica, Mecânica, Mineralogia) e nas ciências humanas (História, Sociologia, Moral, Línguas) no final da escolarização o (LEMOS, 2006).
Sob o ponto de vista histórico , merece destaque pela sua influência sobre a educação científica, a teoria sensualista de Condillac (1715 - - 1780). Para este pensador, o conhecimento seria formulado após as experiências com o mundo, e a sensação gerada a partir dessas experiências seria a única fonte dos pensamentos humanos. Hoje, uma reflexão em torno dessa teoria, de acordo com Caixeta (2003), se faz necessária, principalmente quando analisamos o ensino de ciências nas séries iniciais. A pesquisadora discute a influência de Condillac na tradução de Ruy Barbosa da obra de Calkins "O Manual de Ensino Elementar" escrita em 1884, e conclui que o ensino, naquela época, estava pautado, entre outras premissas nos sentidos e na percepção como fontes de conhecimentos (CAIXETA, 2003, p.63). Neste mesmo sentido, os os Manuais das Lições de Coisas, , típicos do final do século XIX, estavam associados a um projeto modernizador da sociedade com base na valorização do conhecimento científico e, muitas vezes, tinham como objetivo formar uma atitude experimental nos alunos por meio da experimentação do mundo e das sensações produzidas pelos objetos (Hébrard, 2000) .
No contexto educativo das lições de coisas convivia um modelo de museu patrimonial sem uma função social de atendimento ao público escolar. Contudo a partir dos anos 1970, o desenvolvimento das ações em Museus e Centros de Ciências está intimamente ligada às reflexões presentes no contexto da educação científica. Essa última tem, nos últimos anos, privilegiado as abordagens da teoria sociocultural, na qual o conceito de mediação o é uma das chaves para ra o entendimento da ação humana . Nesse sentido, problematização s sobre o aprender a partir dos objetos, prática altamente observada nesses espaços, nos leva a pensar nas abordagens sensualista do ensino de ciências. Nascimento e Ventura (2001), Valente et et al. (2005), e Gruzman e Siqueira (2007) em seus estudos sobre os papéis educativos, têm destacado na trajetória da constituição dos museus de ciências as tendências pedagógicas predominantes nas exposições . Em tais estudos, o desenvolvimento de de nossos museus de ciências de caráter interativo, segue do movimento internacional , cujo foco da exposição está na criação de objetos para a apresentação de conceitos ou produtos tecnológicos .
Compreender como os objetos podem estar dispostos em um museu para melhor promover a constituição de um "museu integral" é uma preocupação que tem sido abordada por diferentes ângulos. As ciências são produtoras e conhecimentos e de objetos culturais e no contexto dos museus, podem promover novas formas de interpretação dos objbjetos de ensino de física. Tais objetos, tradicionalmente, foram apresentados aos visitantes através de propostas curriculares, passando por processos de institucionalização curriculares e a constituição de dispositivos didáticos. Os museus de ciência, aparentemente, se colocam em um papel de complementaridade à escola no tratamento de tais objetos que , algumas vezes , são objetos com fins claramente didáticos que " re " -apresentam conceitos e experiências já didatizados.
O conceito de mediação comporta diferentes vertentes teóricas e tem sido aplicado em diferentes contextos (Nascimento, 2008). Esse conceito também organiza as ações nos museus e tem estado na pauta de organização dos mesmos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
(Marandino, 2005). Neste artigo pretendemos discutir como a concepção o de mediação , implícita no discurso de diretores de museus de ciência , pode ser interpretada como uma possível filiação a determinadas posições sobre a educação científica. Dessa forma duas questões norteiam nossa discussão: o que é mediação na interpretação de diretores entrevistados e que implicações tais concepções podem ter na proposta de educação científica dos museus. Assim iniciando fazendo uma rápida revisão do conceito que orientou a construção de nosso dispositivo de análise.
Yves Lenoir (1996), em em uma abordagem filosófica sobre o conceito de mediação, afirma que Aristóteles recorre a essa idéia para estabelecer que a mediação é uma relação estática entre um dado e outro dado. Assim, ela representa uma ponte entre os objetos assegurando uma função de intermediária demonstrativa. Para o autor, no universo romano, a mediação envolve a presença de um facilitador da comunicação entre os disputantes ou entre o mundo das divindades e dos mortais. Aparece, então, uma segunda forma de compreender a mediação: o estabelecimento de um elemento intermediário entre universos de objetos de hierarquias diferentes. Uma das vertentes da abordagem sociocultural propõe uma terceira forma de entender a mediação: um processo de produção de meios de subsistência a partir de objetos socialmente elaborados, onde os artefatos são os agentes que promovem a mediação entre o ser humano e a natureza (LENOIR, 1996: 232).
Assim podemos assumir as três funções da mediação: 1. ligação de uma forma estática entre o sujeito e os objetotos; 2. transformação de significado atribuído pelos sujeitos à objetos de hierarquia diferentes e 3. transformação de significados a partir do trabalho o do sujeito sócio-histórico sobre os objetos das culturas.
## 2. Metodologia da pesquisa
## 2.1 O contexto das entrevistas.
Nosso quadro geral da investigação é uma pesquisa sobre as origens e os propósitos dos museus de Minas Gerais 1 . Nesta pesquisa formam convidados 25 museus da cidade de Belo Horizonte cadastrados pela Superintendência de Museus da Secretaria de Estado da Cultura. Desse total conseguimos agendar entrevistas com nove diretores. A investigação analisou também as diversas fontes documentais disponibilizadas pelos museus e suas expografias. Destacamos , nesta comunicação , a entrevista com 5 diretores de Museus de Ciências e Tecnologia para discussão de sua relação entre o conceito de mediação e a e educação científica. Para a coleta de informações, construímos um protocolo de entrevista semi-estruturado que nos orientou em todos os encontros com os direretores ou coordenadores dos museus . Antes das entrevistas os diretores leram uma síntese do projeto de pesquisa e assinaram o termo consentimento livre e esclarecido. As entrevistas duraram em média 50 minutos e foram integralmente transcritas, para posteririor análise. Para discussão de nossa análise inserimos excertos indicando os interlocutores e o número do turno de fala. As transcrições obedecem o curso da comunicação oral, mas para a apresentação priorizamos a lissibilidade , uma vez que muitas vezes os excertos não possibilitam a compreensão do contexto das falas. Desse modo , as
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
repetições, excitações, jargões, entre outros elementos típicos da conversação foram omitidos e marcados por pontos de suspensão. Igualmente acrescentamos, em itálico, as palavras inaudíveis para comporem o sentido das frases.
A entrevista é um instrumento de coleta de informações bastante utilizado nas pesquisas na área de ciências humanas. Almeida (2007) ao fazer uma revisão sobre as possibilidades e limites de uma entrevista chama atenção que, nesse caso, os recortes das falas não se constituem objetos empíricos, mas efeitos de sentido produzido entre interlocutores sociais em condições de produção discursivas que podem ser problematizadas. Nós pesquisadores, também sujeitos sócio-históricos, ao nos debruçarmos sobre um objeto de pesquisa vamos procurar a compreensão dos sentidos e significados atribuídos pelos outros sujeitos através da fala e/ ou a ausência de fala. Para Orlandi (2007, p.9) "não temos como não interpretar", mas não podemos simplesmente interpretar sem controle algum. E nesse sentido, a Análise de Discurso contribui para essa pesquisa, fornecendo meios analíticos para a interpretação. Buscamos discutir o discurso enquanto estrutura e acontecimento o que poderá nonos fornecer pistas importantes para compreender o processo de uma entrevista. Pêcheux (2002) destaca que "todo fato já é uma interpretação", assim essa abordagem descreve os arranjos textuais discursivos na sua imbricação material e, deixa em suspenso a produção de interpretações. Em nosso caso optamos por apresentar em nossa análise excertos da fala dos diretores entrevistados visando trazer alguns elementos da interpretação no sentido de aplicação de um dispositivo teórico (ORLANDI, 1997:84).
Abaixo inseririmos um pequeno exexcertrto de uma das entrevistas , para ilustrar a forma de apresentação da pesquisa e das pesquisadoras.
- 1 -Pesquisadora: Bom tarde, Diretor. Você me conhece, eu sou a Silvania, estou trabalhando com a Maria José de Almeida, na Unicamp, nessa pesquisa sobre a comunicação pública dos museus de Belo Horizonte. Meu principal objetivo é identificar a questão das origens e os propósitos desses museus e como eles transmitem esses propósitos para população da cidade. Como eu te falei, são quatro questões , só que no curso da nossa conversa se eu precisar de alguma coisa, eu interrompo e faço os desdobramentos, es es tá bem? Então para começar, nós vamos começar pelos filepetas, cartazes e pelos diversos tipos de comunicação com o público, há vários objetitivos, quais são os principais objetivos e como você os vê atualmente? O que você gostaria de acrescentar nos objetivos de origem aos novos objetivos do museu?
- 2 -Diretor: Bom, o principal objetivo do museu é fazer com que a população, especialmente a popul 2ação da região metropolitana de Belo Horizonte [...] 2 (Diretor do Museu de Ciências 4)
Este tipo de introdução, com certamente algumas variações, foi repetido nas demais entrevistas.
## 2.2 O dispositivo de análise
- O dispositivo de análise que construímos considera a interpretação integral das entrevistas sob um olhar dos elementos da concepção de mediação e educação científicas, rapidamente delineadas na introdução desta discussão. Dessa forma não
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
buscamos estabelecer uma relação de causa e efeito, mas compreender, considerando a não transparência da linguagem, relações visíveis de sentido dentro do discurso da entrevista. Destacamos que esse tipo de análise não busca estabelecer uma lei empírica, e sim levantar possíveis interpretações que poderão ser contrastadas nas entrevistas que constituem o corpus dessa pesquisa.
No quadro 1 , resumimos nosso dispositivo de análise, elaborado a partir da revisão bibliográfica sobre o conceito de mediação.
Quadro 1: Dispositivo de análise
AnAnalisamos exaustivamente as transcrições das entrevistas e, interpretamos pelas falas dos sujeitos, essas três concepções como norteadoras das posições assumidas buscando delas analisar como os diretores de museus poderiam estar colocando a posição entre os visitantes, monitores e objetos museais em relação à educação científica. Essas posições foram nomeadas de propósitos e destacadas em frases que registravam nossa interpretação. Abaixo reproduzimos um exemplo de aplicação de nosso dispositivo de análise. Selecionamos , nas cinco entrevistas , destaques dos quatro propósitos que até agora sintetizamos em nossa análise. Eles foram enquadrados em destaques seguidos das falas que justificam nossa interpretação.
Propósitos: a. A atividade é uma ponte entre um acervo de valor atribuído e os públicos.
- b. A atividade promove uma construção de conhecimento c conjunta entre a equipe e o público.
5 Pesquisadora: Hum... Hum...
- 6 Diretora: Eh... o público... o museu era aberto a todo tipo de público e esse tipo de público trazia questões muito diversificadas e nós, avaliando essas questões, fomos abrindo inclusive a nossa mentalidade, a nossa concepção de pesquisa, o nosso diálogo com a sociedade. Tivemos que coletar um tipo de material e desenvolver um tipo de pesquisa que não era nosso hábito como pesquisadores de laboratório e [fazer] uma construção de conhecimento junto com o público, partindo das questões do público, atendendo as expectativas do público então isso mudou muito. Um outro aspecto , com o qual nunca a gente havia contado , era a importância da mediação. Nosso acervo ele é um um acervo de valor atribuído [...] que não somam também valor nenhum e, no entanto, esse valor é usado como objetivo educacional que trazem resultados muito importantes. Tanto é que foi proposto num determinado momento
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
que o museu fosse revitalizado que passasse a ser [...] um museu virtual ao alcance de mais gente. Como a gente nesse período já fazia essa pesquisa de público, a primeira coisa que fizemos foi pesquisar a opinião do público a esse respeito. Nem pensar! Nada substitui o real! Porque então, o mumuseu em si tornou uma ponte entre a [...] universidade e o público e esse projeto que ao início visava trazer pessoas e públicos, estudantes ou não, com limitações para o estudo das ciências uma vez que esse público não tinha acesso às exposições [...] que a gente já tinha no museu, desde o início, e aquelas que vieram se renovando com o tempo, as áreas ampliadas, a escola passou a dispor de um material que podia ser levado até lá, envolvendo a comunidade escolar nesse trabalho, com o mesmo objetivo básico de educação para a ciência [...] e também fazer da escola uma ponte com a comunidade, porque a escola se torna, ela cria a sua liderança educativo social . O museu que vai à escola através da coleção, e a comunidade do entorno da escola que passa a ir à escocola.
- 7. Pesquisadora: Certo. ( Diretor de Museu de Ciência 1)
## Propósitos c: A atividade promove a comunicaçação do conhecimento sobre o objeto para o público
- 52 -Pesquisadora: Está certo. Mas você já tem uma idéia de quais que serão os objetivos do museu?
- 53 -Diretor: Isso é que eu acho que tem de ser estabelecido.
- 54 -Pesquisadora: A partir/
55 -Diretor: A partir do público, a partir dessa pesquisa de público e a partir daquilo que a gente quer mesmo enquanto equipe, para trabalhar com esse museu. Falta a gente sentar pra fazer isso. Entendeu?
56 -Pesquisadora: E então por enquanto, a gente não pode nem estabelecer uma relação do que seria essa reserva técnica e o que seria um percurso expositivo.
57 -Diretor: Eu acho que ainda não. Essa reserva técnica ela precisa ser delimitada, eu tenho vários objetos [...], mas eles ainda não estão direcionados, delimitados, e isso é necessário ser feito , eu acho assim isso é muito importante de ser feito, não é....
- 58 -Pesquisadora: É para pensar qual a vocação que o museu poderá ter/
59 -Diretor: Exatamente, será em cima desse objeto, o objeto vai ser o meu elemento de comunicação, com o meu público, o, entendeu? (Diretor de Museu de Ciência 3)
## Propósitos d: A atividade promove a preservação da cultura
11.Pesquisadora: Certoto. Você pode me dizer quais são os objetivos do museu atual?
12.Diretora: Então, eu diria para você que o objetivo do museu hoje é pesquisar, preservar, vamos dizer preservar porque o preservar pega tudo, né. É preservar os testemunhos materiais, que são os objetos das exposições [...] (Diretor de Museu de Ciência 5)
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## 3. Discussão dos resultados
Analisamos, neste te artigo, cinco entrevistas com diretores de museus de ciências e tecnologia da cidade de Belo Horizonte. A dinâmica entre o expor e ensinar não é particular dessas instituições , que possuem claramente duas facetas: instituição patrimonial e de ensino. Nas entrevistas, inferimos que nas falas dos diretores, há uma relação entre os objetos de exposição e os objetos de ensino de física que pode ser estabelecida através da organização no museu de ciências de um "contexto de leitura dos objetos". Interpretamos esse contexto com os dispositivos de mediação que são oferecidos pela exposição para leitura do objeto. Esse resultado foi igualmente apontado na análise de uma entrevista com um diretor de um museu universitário (Nascimento e Almeida, 2008).
Em sintonia com o movimento de renovação no campo da museologia, cuja matéria específica é a evidência material e simbólica da cultura, um quarto propósito foi ididentificado: a preservação dos objetos da cultura. Possivelmente a fala desse diretor (Museu de Ciência 5) está relacionada a sua formação e sua interpretação de um programa educativo. A abordagem de uma educação para o patrimônio permanente e sistemática é bem marcante nessa fala, como no excerto abaixo, ao destacar a importância de contextualizar os objetos do museu em seu uso no passado e no presente. O diretor destaca igualmente o desafio de promover um novo significado à coleção , transformando o museu de um "museu de coleção para um museu de ciência e técnica".
- 8. Diretor: Nós fizemos um corte muito assim, cada vez mais rígido, na questão do tema do museu, da missão do museu, porque a partir dessa delimitação, a gente vai poder fazer um trabalho mais em profundidade . Até agora temos trabalhado de uma forma horizontal, quer dizer, a gente tem procurado organizar essa coleção, que hoje já tem mais de dois mil metros dentro dessa área, trabalhar com a situação de conservação e documentação, manter toda a do cumentação do museu organizada. Tentar transformar, esse eu acho que é o desafio do museu agora, ele nasce com essa questão, de contar uma história das relações sociais no mundo do trabalho, mas nós temos consciência que somente a exposição dos temas, do jejeito que ela está agora, ela sem uma mediação que encaminhe para esse enfoque, ela vê, não dá, [....] O visitante, ele não percebe logo inicialmente esse objetivo. Eu diria a você que hoje nós estamos com um desafio de transformar esse museu, de um museu de de coleção para um museu de ciência e técnica [...].
- 9. Pesquisadora: Hum, hum... (Diretor de Museu de Ciência 5)
Esse ponto de vista relaciona-s-se à cultura, na medida em que ambas relevam a importância de bens culturais: ciências, tecnologia, artefatos, símímbolos... para a compreensão dos diferentes grupos étnicos e sociais que compõem a sociedade, favorecendo a preservação de diferentes identidades e memórias sociais.
- O propósito predominante nas entrevistas é o de trabalhar o acervo dos museus como elementos estáticos de ligação entre o conhecimento científico e o conhecimento dos visitantes , isto é, uma noção de mediação enquanto ponte. Este aspecto marca a organização da comunicação entre os museus e os públicos e seus programas educativos como no excererto abaixo.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
- 2 -Diretor: [...] Dificilmente uma pessoa que está usando o computador, vai pensar, olha, eu estou usando só no monitor trinta e seis tipos diferentes de minerais, então é nesse sentido que queremos que o museu atue. Para atingir esse objetivo geral nós temos duas vertentes: uma vertente é através das escolas, dos alunos, os professores como multiplicadores e os alunos como elemento que vão participar das ações do museu, dar um toque de que eles poderão, ir, com o tempo, observando o acervo, olhando, por isso nós temos as oficinas, os cursos, aberto ao público, de modo geral, e a outra vertente, são os guias de turismo [...]( Diretor de Museu de Ciência 4)
Neste mesmo grupo de propósitos, os museus aparecem como fonte de ligação também entre os sujeitos e instituições interessadas em temas científicos como no excerto a seguir.
- 17. Diretor: O objetivo principal era , na verdade , nós vimos que melhor éramos, ser um Centro de Referência, porque? Porque nós queríamos estabelecer uma ponte, uma ligação, entre as instituições [...] os pesquisadores [...] e outros interessados no tema . Imagina como nós imaginamos que se nós criássemos uma coisa assim, facilitaria a vida de todos os visitantes, mas nós decidimos isso também, junto com essa idéia, essa ques tão do acervo, de cópias, [ ... ] trabalhamos com as questões das exposições, porque é ao organizarmrmos os documentos foi que nos tornamos um "Centro de Referência" [...] (Diretor de Museu de Ciência 3)
Podemos inferir que nas falas desses diretores, os museus podem se tornar centros de encontro e não somente centros de difusão de conhecimentos. No momento que temos uma idéia predominante de mediação como ligação entre mundos e demonstração de significados estamos mais próximos de ideário sensualista para a educação científica e as práticas educativas mais próximas de "fazer ver" para "fazer conhecer". Essa idéia pode ser um indício inicial para buscar compreender o ensino de física nos espaços dos museus de ciências.
## 4. Considerações finais
Os quatro diretores dos museus entrevistados enfrentam, o momento, o cotidiano de atendimento em complementaridade às instituições escolares. Na cidade de Belo Horizonte, a manutenção de tais museus vai depender de suas capacidades de se tornarem instituições abertas a todos os cidadãos. A necessidade de novas formas museográficas, mais dialogadas, representa um desafio de criação e de ousadia na construção de novos espaços de aprendizagem. Mas esses museus, ainda que em complementaridade aos espaços formais de aprendizagem, promovem hoje uma nova forma de comunicação das ciências. Exatamente pelo fato de o museu de ciências não ser a sala de aula e muito menos o laboratório de ciências, ele carece de novas formas de organização de seus objetos e de pesquisas sobre as práticas educativas que ele propõe.
- O museu de ciências aparece na fala dos diretores como um local de patrimônio, um local de coleções de objetos e de artefatos, mas é também um local de lazer, de reflexão, de construção de conhecimentos. Além da educação para o patrimônio, o museu de ciências sugere uma função social de encontro e síntese dos conhecimentos interagindo com o passado, o presente e o futuro. Nesta síntese o conhecimento físico pode ter uma abordagem complementar às propostas
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
curriculares e promover novas relações do sujeito com o conhecimento. Inclusive, pensando em complementar as dimensões técnico científicas da a formação humana . E assim, colocar o ensino de física na pauta cultural do cidadão possibilitando uma vivência sensualista do conteúdo fora do espaço escolarizado.
Retomando as falas dos diretores, essa pesquisa pode fornecer pistas para a criação de novos contextos de mediação, que promovam uma relação inovadora com o ensino de física, possibilitando a apropriação de novos conhecimentos sobre os objetos da cultura. Esta ênfase se vincula à importância de debater a visão sensualista do ensino de ciências e e a importância da sensibilização em relação à memória, a cultura material e o patrimônio, e a própria concepção do espaço-museu e sua relação com o público. Essa nova prática tomaria como base as duas outras formas de se pensar a mediação, já presente de forma minoritária na fala dos diretores entrevistados.
Nosso objetivo neste artigo foi discutir como a concepção de mediação implícita no discurso de diretores de museus de ciência pode ser interpretada como uma possível filiação a determinadas posições sobre a educação científica. A idéia predominante é de colocar o acervo como uma ponte entre o conhecimento científico e o conhecimento do visitante. As demais concepções de mediação também organizam as atividades museais, no entanto ainda parece predominante uma visão positivista da educação científica. Os propósitos de diálogos entre as diversas fontes de conhecimento e da preservação de uma cultura científica são ainda minoritários nas falas desses diretores. Talvez esta predominância justifique o caráter complementar atribuído aos museus de ciências pelas escolas. Uma implicação importante para o ensino de Física reside nesta complementaridade principalmente resgatando uma visão de "fazer ver" para "fazer saber" que se aproxima do sensualismo. Com os indícios dos discursos dos diretores poderemos analisar mais profundamente a ação museal considerando que esses discursos podem não refletir completamente tais ações. É esse nosso objetivo de continuidade da pesquisa.
## Referências
ALMEIDA, Maria José Pereira M. Entrevistas e representação na memória do ensino de Ciências: uma relação com a concepção de linguagem. In: NARDI, Roberto (org.). A A pesquiuisa em Ensino de Ciências no Brasil: alguns recortes . Bauru: Escrituras, ABRAPEC. p. 2007.
CAIXETA, Maria. Emília. Condillac e o ensino de ciências: que relações podemos encontrar ainda hoje? E Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências. v. 05, no 1, mar p.65-78. 2003.
GRUZMAN, Carla e SIQUEIRA, Vera Helena F. de. O papel educacional do Museu de Ciências: desafios e transformações conceituais. R Revista Eletrônica de Enseñanaza de las Ciencias. . Vol.6, n° 2,p.402-423.2007.
HÉBRARD, Jean. Notas sobre o ensino das ciências na escola primária (França - - - séc. XI e XX). Contemporaneidade e Educação . A Ano v, n. 7, 1º sem/ 2000.
LENOIR, Y. Médiation cognitive et médiation didactique. In: Claude Raisky e Michel Caillot (eds.). Au-d-delà des didatiques, le didactique: débats autour de concepts fédérateurs. . Perspectives en éducation. De Boeck Université: Bruxelas. 1996 .
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
LEMOS, Marina Siqueira. O cientificismo na escola brasileira no final do século XIX e início do século XX. X. Projeto de Pesquisa do Programa de Aperfeiçoamento Doc ente (PAD). Belo Horizonte. Faculdade de Educação/ UFMG, 2006. mimeo.
MARANDINO, Marta. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciências. História, Ciência, Saúde - - Manguinhos, vol 12. (suplemento). P.161 -181. 2005.
NASCIMENTO, Silvania ia Sousa do e ALMEIDA, Maria José P. M de. Objetos de museu, objetos de ensino: interpretações de um diretor de um museu de ciências. Comunicação oral aprovada para apresentação no XI EPEF. . Curitiba.2008.
NASCIMENTO, Silvania Sousa do, e VENTURA, Paulo César Santos. Mutações na construção dos museus de ciências. Pro-p-posições, vol l2, número 1 (34), março. p.126-138. 2001.
NASCIMENTO, Silvania Sousa do. O corpo humano em exposição: promover mediações sócio-culturais em um museu de ciências. In. L. Massarini ( (ed). Worshop Sul -A -Americano & Escola de Mediação em Museus e Centros de Ciências. Museu da Vida -Casa de Oswaldo Cruz -- Fiocruz. Rio de Janeiro. p. 11-19, 2008.
ORLANDI, Eni P. D Discurso Fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional. Campinas: Pontes Editores. 3a edição. 2003
PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontencimento. Trad. Eni P. Orlandi. Campinas: Pontes Editores. 3a. Edição.1983-2-2002.
SCHILLING, Voltaire. Caderno de História, n. 23. In. Memorial do Rio Grande do Sul. 2007. [online] Disponível na Internet via http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/comte.pdf.Arquivo capturado em junho de 2007.
VALENTE, Maria Esther., CAZELLI, Sibele e ALVES, F. Museus, ciência e educação: novos desafios. História, ciências, saúde- - Manguinhos. Vol 12 (suplemento). p.153-2-203. 2005.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.