A Relação Museu-Escola Segundo Pesquisadores da Área de Educação em Ciências
Adriano Marcus Stuchi, Maria José P. M. De Almeida, Nelson R. Ribas Bejarano
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 30/01/2009
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A Relação Museu-Escola Segundo Pesquisadores da Área de
## Educação em Ciências 1
1
2
*Adriano Marcus Stuchi 1
Maria José P. M. de Almeida 2
[stuchi@uesc.br]
[mjpma@unicamp.br]
3
Nelson R. Ribas Bejarano 3
3 [bejarano@ufba.br]
1 Doutorando Universidade Federal da Bahihia 2 gepCE FE - Universidade Estadual de Campinas 3 IQ -Universidade Federal da Bahia
## Resumo:
Neste trabalho comentamos uma revisão bibliográfica nas seguintes revistas nacionais de ensino de ciências disponíveis na Internet: Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Ciência e Educação, Revista Ensaio, Revista Investigações em Ensino de Ciências, Revista Brasileira de Ensino de Física, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Revista Física na Escola, Revista Química Nova (Seção Educação) e e Revista Química Nova na Escola. Procuramos artigos cujo tema das pesquisas estivessem relacionadas com exposições de divulgação científica. Foram pesquisados artigos publicados entre os anos 2000 e 2007 e demos especial atenção para os trabalhos que tiveraram envolvimento com o público escolar. Nosso interesse nessa revisão bibliográfica está focado no estudo de um projeto de exposições itinerantes sediado na Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, Bahia; denominado projeto Caminhão com Ciência, financiado pelo CNPq com apoio parcial da FAPESB. São abordados assuntos como a escolarização de exposições, a possibilidade de integração de exposições com o currículo escolar e suas relações com os mesmos, a importância das exposições na formação cultural dos s estudantes e outras relações entre a educação formal e a não-o-formal e o ensino embasado em CTS. Ressaltamos também em nossa revisão pesquisas que relacionam museus e escolas para a formação dos professores e dos mediadores dos museus e, conseqüentemente, de exposições científicas e na complementaridade desses espaços. Também foi aberto espaço para levantarmos a questão da importância da leitura em processos de divulgação científica para a promoção da alfabetização científica em escolas por meio de atividadedes conjuntas com exposições científicas. Sem querer nos aprofundar num assunto específico, nossa intenção é fazer um levantamento das pesquisas na área de divulgação científica para que nos coloquemos a par das principais preocupações dos pesquisadores, fomentando assim futuras ações concretas de pesquisa em nosso projeto de divulgação científica itinerante.
Palavras Chave: exposições científicas itinerantes, divulgação científica, educação não-f-formal de ciências.
## Introdução:
Neste trabalho fazemos uma revisão bibliográfica sobre pesquisas cujo tema está relacionado a locais onde são realizadas exposições pautadas nas Ciências Exatas, Biológicas e da Terra de uma forma geral e também e à área de Tecnologia. Os locais mais comuns onde ocorrem essas exposições de divulgação científica são os Museus e Centros de Ciência e os projetos de exposições itinerantes.
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26 a 30 de Janeiro de 2009
Nosso interesse nessa revisão bibliográfica está focado no estudo de um projeto de exposições itinerantes sediado na Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, Bahia; denominado projeto Caminhão com Ciência. Sendo assim, pensamos que se faz necessária essa revisão para que possamos nos situar nos assuntos pesquisados nos ambientes de divulgação científica na forma de exposições, bem como nos referenciais teóricos e nas metodologias adotadas para reunir um ferramental que posteriormente poderá ser útil para o nosso trabalho.
## Metodologia:
Esta revisão abrange periódicos nacionais voltados para a área de Ensino de Ciências. Procuramos por artigos nas seguintes publicações disponíveis na Internet: Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Ciência e Educação, Ensaio, Investigações em Ensino de Ciências, Revista Brasileira de Ensino de Física, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Revista Física na Escola, Revista Química Nova (Seção Educação) e Revista Química Nova na Escola. Pesquisamos artigos publicados de 2000 a 2007.
Para localizarmos os trabalhos de interesse dessa revisão procuramos nos títulos as palavras "Museu de Ciência" e "Centro de Ciência". Procuramos também nos títulos dos artigos as palavras "divulgação científica" e "alfabetização científica" por serem palavras geralmente associadas às pesquisas em Museus e Centros de Ciência, na tentativa de diminuir as chances de deixar passar ar trabalhos sobre pesquisas em Museus e Centros de Ciência que não tivessem essas palavras no título.
Num projeto atualmente em desenvolvimento foram escolhidas escolas como local de pesquisa que serão de alguma forma associadas ao projeto de exposições itinerantes do Caminhão com Ciência. A escolha de escolas como foco da pesquisa se deve principalmente ao fato delas originarem a maior parte do publico que visita e requisita o Caminhão com Ciência em comunidades do sul baiano. Sendo o assim, resolvemos selec ionar nos periódicos trabalhos em que as escolas aparecem de alguma forma como referencia para pesquisas realizadas em Museus e Centros de Ciência. Para selecionar os artigos que abordavam escolas em seu conteúdo, usamos a ferramenta "localizar" para artigos no formato html compilados para o Word e arquivos no formato pdf lidos com a ajuda do programa A Adobe Reader. Vale ressaltar que excluímos os artigos em que a palavra escola apareceu, mas nos quais consideramos que ela não era foco importante. Citamos então os artigos que, sob o nosso ponto de vista, contribuem de maneira efetiva para se pensar a relação museuescola.
## Resultados:
Na tabela abaixo apresento o número de artigos selecionados por periódico pesquisado:
TABELA 1: Informações sobre o número de artigos selecionados
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26 a 30 de Janeiro de 2009
Num artigo sobre a história dos museus de Ciências e o papel reservado ao publico nessas instituições, Lopes (LOPES, 2001) localiza o que chamou de "raízes da escolarização dos museus" brasileiros. Citando o caso do Museu Nacional do Rio de Janeiro, essa escolarização, de acordo com Lopes, veio inicialmente da progressiva mudança histórica da missão do museu, que passou de instituição científica, tendo as visitas publicas como atividade secundária, a centros educativos para as populações urbanas. De acordo com a autora, desde as primeiras décadas do século XX, as exposições
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e coleções educativas já estavam presentes no Museu Nacional culminando com a criação de um "Serviço Educativo" no contexto do movimento pela "Escola Nova". Lopes afirma que a escolarização permanece ainda em muitos museus brasileiros como
"(...) processos de redução da ação comunicativa e cultural, que cabem aos museus, limitando-os a meros apêndices de atividades escolares." (LOPES, 2001, p. 23).
Por fim, Lopes, se referindo à construção de conhecimentos dentro dos museus critica a forma tradicional com que os museus de ciência brasileiros vêem os processos de negociação dos saberes, mantendo os espetáculos e os recursos tecnológicos em detrimento de um questionamento de como o publico adquire seu entendimento sobre ciências.
Marandino se aprofunda no tema escolarização de museus com um estudo em que analisa a articulação entre duas perspectivas de atividades escolares no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) no Rio de Janeiro. Atuando como pesquisadora e executora do trabalho, a autora apresenta possibilidades de atividades que unem os objetivos escolares para uma visitação e os do museu, em ampliar a cultura cientifica de estudantes e professores. De acordo o com Marandino:
"A questão da relação entre o currículo formal e o currículo do museu foi discutida no sentido de perceber aproximações e distâncias entre os espaços. Assim, a escola, por um lado não precisa abrir mão de seu currículo e deve articulá -lo, em diferentes níveis, com os conteúdos das exposições. Mas esse não deve ser o objetivo final e único da visita. A dimensão da ampliação da cultura e da educação pelo e para o patrimônio, tão cara aos museus, deve ser contemplada e as oportunidades de interação entre esses espaços devem levar à percepção de que os museus são mais do que complementos da escola, pois possuem uma identidade própria." " (MARANDINO, 2001, p. 97-98).
Marandino aborda também em sua proposta aspectos da formação de conceitos na interação dos estudantes com o museu, assim como elementos da formação de professores para a percepção das especificidades pedagógicas das escolas e dos museus. A pesquisa mostra como resultado um exemplo de um caminho a ser seguido no sentido da 'desescolarizaç ão' de uma exposição, respeitando as escolas e os museus como
"(...) espaços sociais que possuem histórias, linguagens, propostas educativas e pedagógicas próprias. Socialmente são espaços que se interpenetram e se complementam mutuamente e ambos são imprescindíveis para formação do cidadão cientificamente alfabetizado." (MARANDINO, 2001, p. 98).
Num olhar que contempla mais a perspectiva escolar, tanto Stuchi e Ferreira como Elias, Amaral e Araújo, apresentam as exposições científicas como mais um complemenento ao ensino formal na forma de divulgação científica (STUCHI, FERREIRA, 2003) e (ELIAS, AMARAL e ARAÚJO, 2007). Elias et. al. vão mais além quando citam as exposições como meio para o enriquecimento cultural e formação de cidadãos em corroboração com o ensino formal, como solução para a precariedade do ensino de ciências nas escolas.
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Já Stuchi e Ferreira consideram que é importante o vínculo das visitas aos museus com os programas escolares e que isso está diretamente relacionado à consolidação dos conceitos abordados nas exposições (STUCHI, FERREIRA, 2003).
Borges et. al. fizeram uma sondagem sobre ciência e educação com professores que visitaram juntamente com seus alunos o Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCT/PUCRS). Os estudantes foram investigados sobre suas impressões acerca da visita e sobre os experimentos interativos que mais gostaram, de acordo com a faixa etária e escolaridade. Os professores responderam a questões que abordavam suas concepçõeões sobre ciência e também a preparação dos estudantes para a visita, além de formas de integração das visitas às atividades de sala de aula (BORGES et. al., 2004).
Os autores enquadraram como indutivistas e empiristas as concepções dos professores sobre a a natureza da ciência. A pesquisa mostrou também certa falta de preparo dos professores investigados em relacionar as visitas aos trabalhos de sala de aula. Com a seqüência da pesquisa alguns professores de uma escola em particular participaram de reuniões sobre a preparação da visitas e continuidade dos trabalhos em sala de aula. Os resultados mostraram que a concepção empirista da ciência permaneceu depois das atividades formação dos professores, mas que uma concepção interacionista ficou mais clara para os os participantes. Na concepção dos autores, a interatividade dos experimentos do museu permitiu propor questões sobre a natureza do conhecimento cientifico e sobre o ensino de ciências para serem debatidas o que, segundo os autores, possibilitou interligar a teoria e a pratica (BORGES et. al., 2004).
Gouvêa e Leal mostram a necessidade do trabalho com a alfabetização científica integrando o ensino formal e o não-f-formal numa perspectiva em que a alfabetização científica estaria diretamente vinculada a um ensino embasado nas relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), visando a formação do cidadão por meio da escola e do museu (GOUVÊA e LEAL, 2000). As autoras fizeram um levantamento sobre as visões de professores que visitavam o MAST sobre o trabalho com CTS no ensino de ciências, tanto em espaços formais como não -formais. A partir das narrativas dos professores as autoras mostraram a importância de se trabalhar a relação entre narrativa, mito, ciência e tecnologia. De acordo com as autoras:
"Entendemos que a investigação de práticas educativas, por meio das narrativas, nos ensinos formal e não-o-formal, pode apontar as possibilidades de articulação entre mito, ciência, tecnologia e sociedade na medida em que o mito, além de ser considerado o ponto de partida dos pensamentos narrativo e paradigmático, encontra -se presente no cotidiano. Além disso, o discurso científico é considerado por alguns estudiosos como um dos mitos da sociedade contemporânea. Vale lembrar ainda que a tecnologia pode, em algumas circunstâncias, reforçar a ciência como mito e ser referência importante de organização da vida social." " (GOUVÊA e LEAL, 2000, p. 16).
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Por fim as autoras concluem que não há uma sintonia entre o ensino formal e informal naquele museu. As exposições do MAST na época, a, de acordo com as autoras, tinham certa tendência de incorporar mito e ciência na narrativa, permitindo uma aprendizagem mais próxima do cotidiano mas, por outro lado, havia também uma dificuldade na articulação de elementos da tecnologia nas narrativas amparadas nos objetos. A perspectiva de se aprofundar o estudo das narrativas abordando a relação mito, ciência e tecnologia podem contribuir para orientar cursos de formação de professores, bem como as instituições de ensino envolvidas nas atividades de divulgação científica, para a ampliação da alfabetização cientifica de sua clientela. (GOUVÊA e LEAL, 2000).
Ainda no contexto da alfabetização científica, Franco e Cazelli chamam a atenção para o fortalecimento da relação museu-escola para que se favoreça a ampliação e o fortalecimento da alfabetização científica, como uma forma da escola responder as muitas mudanças que ocorrem na sociedade na preparação dos jovens para o exercício da cidadania (FRANCO e CAZELLI, 2001). Os autores defendem a tese de que:
"Em domínios crescentes da vida social, cidadãos serão chamados a intervir em decisões sobre as quais os especialistas não têm a resposta certa. Nesse contexto, passa a ser crescentemente mais relevante cidadãos preparados para, na incerteza, decidir de modo fundamentado." (FRANCO e CAZELLI, 2001, p. 156).
Esse trabalho trata o ensino de ciências como algo a ser promovido ao longo da vida das pessoas.
"Nesse contexto, os museus de ciência, por exemplo, têm um triplo desafio: funcionar como instituições de edu cação não formal, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida; funcionar como instância de sensibilização para os temas científicos; contribuir para o desenvolvimento profissional de professores pois esses, mais do que todos, não podem prescindir de educação continuada em ciências." " (FRANCO e CAZELLI, 2001, p. 157).
Gouvêa e Leal pesquisam a relação entre o ensino formal numa escola e o ensino não -f -formal no MAST por meio da análise das narrativas de estudantes e professores que realizam atividades no museu e em sala de aula. (GOUVÊA e LEAL, 2001). Nas palavras das autoras:
"Pretendemos descrever os tipos de socialização que os professores, na sala de aula, e os técnicos de museu desenvolvem com vistas à alfabetização científica e tecnológica da da criança; discriminar certos conteúdos transmitidos e atividades desenvolvidas pelos professores e pelo museu nas quais estivessem mais presentes a relação CTS; e analisar alguns dos recursos didáticos e paradidáticos que permeiam a prática escolar e a atitividade em um museu de ciência." " (GOUVÊA e LEAL, 2001, p. 69).
As pesquisadoras mostram evidencias de um ensino que se aproxima de uma perspectiva de ensino em CTS quando as visitas ao MAST foram aliadas a aulas na escola, principalmente quando os professorores procuravam estruturar as atividades em sala aula a partir de narrativas construídas por elementos do universo cultural dos estudantes, articulando assim o
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pensamento narrativo com o pensamento paradigmático. Concluem tecendo considerações sobre a importrtância de se tomar o movimento CTS como vetor para o ensino de ciências. (GOUVÊA e LEAL, 2001).
Queiróz et. al. demonstram preocupação com a não escolarização das exposições quando falam sobre o treinamento de monitores do MAST pelo fato de, por um lado, esestudantes terem a liberdade de percorrerem livremente uma exposição e, por outro, os monitores serem sempre solicitados para auxiliarem na compreensão do que exposto. Sendo assim as autoras desenvolvem a idéia do saber da mediação, para que um monitor possa colaborar efetivamente para tornar uma exposição significativa ao publico, em especial ao publico escolar, no sentido de preencher possíveis lacunas entre o que foi idealizado e a interpretação que é dada pelas pessoas a uma exposição. (QUEIRÓZ, et. al., 2002).
## Algumas Considerações:
Sentimos falta da abordagem de outras formas de se promover a alfabetização científica dos estudantes. Nesse sentido, pensando no texto de divulgação científica como possibilidade para a aquisição de informações sobre inovaçõeões científico-t-tecnológicas, (ALMEIDA, RICON, 1993, p.8), referem-se ao sentimento de segurança que pode estar associado ao conhecimento do funcionamento de um artefato novo.
Silva e Almeida levantam a questão da leitura de textos de divulgação científica nas escolas do ponto de vista discursivo. Os autores conceituam a divulgação científica como um espaço público de relacionamento entre a ciência e as pessoas, com um funcionamento próprio enquanto discurso. (SILVA e ALMEIDA, 2005).
Essa pesquisa apresenta uma possibilidade de trabalho com a leitura de forma a conhecer, a partir dela, as posições dos estudantes perante a ciência por meio de seus discursos. Silva e Almeida definem o que é um discurso pedagógico em contrapartida ao de divulgação científica, mos trando como a leitura de textos de divulgação científica pode fazer com que se abandone um discurso autoritário dentro da escola, colocando os estudantes em posição ativa, juntamente com o professor, na aquisição de conhecimento. Citando os autores:
"Abordamos a leitura de um ponto de vista que privilegia uma perspectiva de formação em ciência mais ampla do que aquela centrada exclusiva ou predominantemente na compreensão de determinados produtos do conhecimento científico. São as relações imaginárias, ideoeológicas, discursivas, entre sujeitos (leitores) e ciência que estão em jogo. Relações constitutivas da sociedade em que vivemos e da qual a ciência faz parte. Estas relações estão presentes "fora" da escola. Ignorá-las ou não é uma opção política. Não se trata de acreditar que a escola, sozinha, poderá modificar estas relações, mas de concebê -la como parte de um processo de reprodução e produção de diferentes vertentes destas relações. Torna -s-se ainda mais fundamental pensar no papel da escola, do ponto de vista ideológico, se se deseja contribuir para modificar o jogo hegemônico, mesmo sabendo que a escola, sozinha, não basta." (SILVA e ALMEIDA, 2005, p. 24)
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Nesse sentido Zanetic vai mais longe ao incorporar a música, a poesia, a literatura universal e a arte como importante elementos da participação da Física na formação cultural dos cidadãos. Zanetic argumenta que para que se tenha um dialogo inteligente com o mundo é preciso que se domine a leitura e a escrita, concluindo que a leitura deve ter um papel de destaque na educação para o entendimento do que é ciência e como ela difere de outras disciplinas. Nesse processo Zanetic destaca a importância da história das ciências dentro da história da humanidade, como uma relação a ser encontrada na literatura. Desestacamos também a importância dada pelo autor à formação dos professores para esse trabalho interdisciplinar (ZANETIC, 2002).
## Conclusão:
Na revisão apresentada aqui colhemos informações sobre como diferentes pesquisas abordam a relação museu-escola. Com essas informações é possível termos um panorama do que se tem feito nessa linha de pesquisa e perspectivas para pesquisas futuras.
A principio consideramos fundamental entre os trabalhos pesquisados a questão da não escolarização das exposições. Para isso parece relevante considerar as escolas e os museus como instituições com identidade própria a ser preservada. Deve-se pensar, portanto na mutua complementaridade desses espaços, passando pela formação dos professores nas escolas e dos mediadores nos museus, para que as visitas de escolares a museus possam ser o mais produtivas possível. Nesse sentido muitos dos trabalhos aqui apresentados propõem estratégias interessantes e bem fundamentadas.
No entanto nos pareceu que essas pesquisas se limitaram muito à utilização de experimentos e simulações para buscar a alfabetização científica dos estudantes envolvidos nas pesquisas. Outra presença marcante em grande parte dos trabalhos é o vinculo que se estabelece com o movimento CTS. Nada contra o CTS, mas achamos que isso não basta. É preciso se aprofundar nessa temática.
Isso nos remete a uma reflexão sobre a importância de se amplificar as possibilidades de compreensão do papel da ciência por meio da relação museu-escola, ou melhor dizendo, exposições itinerantes -escola. Diferentes abordagens da ciência também se fazem necessárias em ambientes nãoformais de ensino de ciências.
## Referências:
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