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PROPOSTA DE UM NOVO TRABALHO DE ENSINO DE CIÊNCIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA.

Amanda Mendes Afonso, Lucia Helena Sasseron, Anna Maria Pessoa De Carvalho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
30/01/2009
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Tecnológica E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PROPOSTA PARA UM NOVO TRABALHO DE ENSINO DE CIÊNCIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA.

## Amanda Mendes Afonso 1 , Lucia Helena Sasseron 2 , A Anna Maria Pessoa de Carvalho 3

1 Instituto de Física e Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo , amanda.afonso@usp.br

## Resumo

Em resposta a dificuldade em se ensinar ciências no Ensino Fundamental, esse projeto propõe um novo trabalho, novas atividades, que visam explorar a curiosidade e o caráter investigativo dos alunos, trabalhando problemas sociais, ambientais e naturais. Através de seqüências didáticas, elaboras pelo LaPEF/USP, os alunos se encontram envolvidos em atividades de caráter investigatitivo, que promovem uma reflexão e discussão acerca da resolução de problemas. EsEste trabalho, realizado em uma escola de Ensino Fundamental, mostra a aplicação de uma das seqüências s didáticas s utilizada com propósito de promover o processo de conhecimento científico, e de mundo, dos alunos, além de discutir temas globais e atuais, como meio ambiente e tecnologia. O objetivo da proposta é analisar a relação entre a seqüência didática de ciências e o o processo de Alfabetização Científica, se esse tipo de atividade auxilia de fato no processo de construção de conhecimento científico. E para isso, analisaremos as respostas, reflexões e resultados s de professoras que aplicaram essa seqüência didática , e as s participações e e argumentações dos alunos, durante as etapas das s seqüências, em diferentes atividades, buscando sempre encontrar evidências, dentro dos eixos estruturantes da alfabetização científica, de que o processo de Alfabetização Científica está de fafato ocorrendo.

Palavras -c -chave: Alfabetização Científica, Ensino Fundamental, e ensino de ciências.

## Introdução

Um dos maiores desafios de quem se propõe a trabalhar com ensino de ciências é como tornar acessíveis os conhecimentos científicos. Ou seja, como, de fato, o aluno aprende ciências, e qual a prática do professor que ajuda nesse processo. Obviamente, as pesquisas ajudam muito a desenvolver esse tema, mas também se torna necessária a prática, para se observar se essas pesquisas estão resultando nos objetivos esperados.

Esse trabalho se baseia numa proposta de ensino criada pelo LaPEF - Laboratório de Pesquisa e Ensino de Física da FEUSP: seqüências didáticas a serem aplicadas nas aulas de ciências das séries iniciais do Ensino Fundamental com o objetivo de promover a alfabetização científica entre os alunos.

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26 a 30 de Janeiro de 2009

Em uma pesquisa de doutorado realizada no LaPEF, Sasseron (2008) analisou a aplicação de uma destas seqüências, mais especificamente a proposta intitulada "Navegação e Meio-Ambiente". Esta seqüência já aplicada, inicialmente, em uma escola pública estadual paulista e o objetivo era estudar de que modo as atividades e discussões que compõem a seqüência didática permite que a Alfabetização Científica seja vislumbrada entre os alunos.

Neste trabalho, Sasseron (op.cit.) propõe alguns indicadores da Alfabetização Científica: habilidades próprias do fazer científico que, encontradas nas discussões em sala de aula, podem nos auxiliar na compreensão de como o 1 processo de AC 1 vem sendo desenvolvido entre os estudantes.

- O atual propósito é analisar se esses mesmos indicadores aparecem em outro contexto escolar: pretendemos analisar a implementação da mesma seqüência didática em outra escola pública paulista, localizada em um bairro de periferia, com professores diferentes da primeira aplicação. Para tanto é preciso, inicialmente, comentar sobre o trabalho desenvolvido na escola até o momento da real aplicação das atividades propostas na sala de aula.

## Um trabalho de parceria entre o LaPEF e uma escola pública municipal

Em novembro de 2007, houve início um processo de aproximação entre o LaPEF e a escola pública com a qual desenvolvemos parceria atualmente. As primeiras reuniões ocorreram com a presença de membros do grupo de pesquisa do laboratório e representantes da coordenação da escola que traziam para a pauta do encontro as reivindicações e desejos do corpo docente e centraram-s-se nos anseios e nas necessidades de cada uma das partes envolvidas e foram estes momentos que nos fizeram perceber que ambas as instituições almejávamos objetivos similares.

Por seu lado, a EMEF procurava ampliar as suas idéias e propostas de ensino para possibilitar a formação crítica e cidadã de seus alunos para viver na sociedade atual. Além da melhor formação do aluno, a escola sempre buscou o aprimoramento da docência em ciências. Embora ocorra uma formação contínua em serviço, como já esclarecemos, há o reconhecimento por parte da equipe escolar, ou pelo menos de parte dela, de que a formação dos professores não se limita ao contexto to da escola e nem à abrangência de um modelo de formação, por mais valoroso e eficaz que esse seja. Têm-se a clareza de que a escola, em seu complexo cotidiano, não apresenta todas as condições necessárias aos estudos e aprofundamentos teóricos imprescindívíveis à teorização da prática docente. Portanto a principal intenção da escola ao estabelecer essa parceria é, exatamente, ampliar estas condições, de maneira que a proposta metodológica para o ensino de ciências em construção junto aos professores da escola seja reafirmada, uma vez que seus pressupostos teóricos muito se assemelham aos apresentados pelas pesquisadoras do LaPEF.

Outro objetivo importante é a potencialização do laboratório de ciências da EMEF como um espaço de pesquisas em ensino, não apenas acadêmicas, mas também no âmbito da formação do professor investigador de sua prática que, no continuum de sua docência, aprende a observá-la com intenção de tomar

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consciência sobre ela e criar possibilidades de aprimorá-la.

Do outro lado, as pesquisadoras do LaPEF desejavam implementar em sala de aula as seqüências didáticas de Ciências que vinham planejando com o intuito de perceber se tais propostas, de fato, trazem bons resultados para a aprendizagem dos alunos do Ensino Fundamental. Além disso, ao colocar em teste suas seqüências, as pesquisadoras esperavam poder discutir com as professoras suas reflexões acerca de cada uma das atividades, ou seja, as críticas, apontamentos e sugestões provenientes da implantação delas em sala de aula.

Os professores do Ensino Fundamental I dessa escola possuem uma formação continuada em ensino de ciências, buscando sempre suprir as dificuldades que muitos têm de como ensinar ciências, já que esses professores não têm formação específica nessa área. A maioria tem formação em pedagogia.

Para ajudar nessas deficiências, o grupo do LaPEF propôs encontros formativos, para ajudar na aplicação da seqüência didática, utilizando as atividades e problemas com os professores. Toda essa parceria começou em novembro de 2007, como dito. Os encontros contavam com membros do grupo de pesquisa do LaPEF e representantes de docentes da escola, que traziam dúvidas e relatos sobre a escola e suas aulas.

A EMEF Candido Portinari buscava sempre uma melhor formação no campo científico, mas a foformação docente não se dá apenas no contexto escolar e nem segue padrões de formação docente. Ou seja, a escola não apresenta todas as condições necessárias para os professores aprofundarem seus conhecimentos e estudos teóricos, até porque a rotina de um professor é bastante puxada e cansativa! Isso se tornou bastante claro e se tornou como um incentivador na hora da parceira: melhorar essas condições de aprendizagem também para as professoras .

A escola já possuía um laboratório de ciências, construídos com esforços de professores e da comunidade, e esse espaço foi de extrema importância para aplicação das seqüências didáticas, com atividades práticas.

As aulas da seqüência foram filmadas (com autorizaç ão dos pais dos alunos), para, posteriormente, serem transcritas e analisadas. As reuniões entre os envolvidos também foram filmadas e transcritas, tudo com o propósito de analisar aspectos positivos e negativos desse projeto.

## A proposta de ensino de Ciência envolvida em nosso trabalho

As aulas da seqüência ia foram filmadas (com autorização dos pais dos alunos), para, posteriormente, serem transcritas e analisadas. As reuniões entre os envolvidos também foram filmadas e transcritas, tudo com o propósito de analisar aspectos positivos e negativos desse projeto .

Em diversos trabalhos da área de Ensino de Ciências, encontramos algumas proposições sobre o que seja importante e necessário de se considerar quando se pretende identificar o que seja uma pessoa alfabetizada cientificamente (Fourez, 1994, Hurd, 1998, Laugksch, 2000, Bybee, 1995). Inúmeros são os pontos destacados, mas, em sua pesquisa, Sasseron (2008) percebeu a existência de

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algumas confluências que permitem identificar os Eixos Estruturantes da Alfabetização Científica, importantes na análise do processo de Alfabetização Científica. Esses eixos são assim divididos:

- -Compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais. Para haver associação entre o que se aprende em sala de aula e o cotidiano, é necessária a compreensão de c conceitos-chave, conhecimentos bastante importantes.
- -Compreensão da natureza da ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática. Para analisarmos situações cotidianas e novos conhecimentos e fatos, precisamos considerar o contexto dessas novas situações.
- -Entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente. O crescimento da tecnologia faz com que a vida de todas as pessoas seja influenciaiada pelas ciências e tecnologia, de modo que temas como preservrvação do meio ambiente ou avanço tecnológico são cada vez mais discutidos e estudados.

Esses três eixos estruturantes foram levados em consideração na montagem da seqüência didática. As aulas foram estruturadas de modo a valorizar esses três pontos, trazenendo textos e problemas ambientais a serem discutidos, bem como conceitos científicos presentes no cotidiano dos alunos. Se esses eixos são utilizados na seqüência, espera-se assim que os alunos sejam de fato alfabetizados cientificamente.

A seqüência didática utilizada nesse trabalho foi, "Navegação e Meio Ambiente", que começa com um desafio matemático bastante conhecido: apresentar a solução para o transporte de três pessoas de diferentes pesos de um lado a outro da margem de um rio utilizando uma pequena na embarcação.

Após essa primeira etapa, iniciam-m-se as discussões sobre Ciências em uma aula na

qual é proposta uma atividade de conhecimento científico: o problema do barquinho, proposta por Carvalho et al. (1998). Para encontrarem uma solução, os alunos devem construir um barquinho em folhas de alumínio capaz de transportar grande número de peças metálicas sem afundar. Ao final, eles discutem suas soluções, relacionando a distribuição das peças dentro do barco de papel alumínio e a flutuação.

As atividades seguintes são pesquisas e discussões sobre história da navegação e meios de transportes aquáticos. Nesta etapa, introduz-z-se o conceito de água de lastro, fundamental para garantir a estabilidade das embarcações. Também são trabalhados problemas ambientntais que podem ser causados quando essa água de lastro, contendo espécies de seres vivos, é despejada em outros lugares.

Outra atividade da seqüência é o jogo "Presa e Predador", que proporciona uma discussão sobre a cadeia alimentar e o desequilíbrio que pode ser gerado na mesma. Este jogo consiste de algumas rodadas em que os alunos representam três espécies (no caso, plantas, tapitis e jaguatiricas). Cada espécie se comporta de uma determinada maneira em busca de alimento e de sua própria preservação. Ao término de cada rodada, é contabilizado o número de indivíduos de cada espécie. Após o jogo, é construída a uma tabela com os dados obtidos, e em seguida é proposta a discussão sobre a dinâmica das populações e a estreita relação existente entre os difere ntes seres vivos personagens do jogo.

Ao fim da seqüência, os alunos são apresentados ao mexilhão dourado - molusco originário dos mares asiáticos e introduzido em águas sul-americanas pela água de lastro de grandes embarcações. Nesta etapa é discutido o impacto que uma nova espécie pode

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representar para um habitat que, mesmo não sendo seu naturalmente, oferece condições favoráveis à sua vida.

## A percepção das professoras sobre aplicação da seqüência

As professoras do EMEF Candido Portinari, inicialmente, apresentam algumas dúvidas e inseguranças sobre como aplicar a seqüência. Para fornecer a teoria necessária para tal atuação, as reuniões contavam com membros do LaPEF com experiência na aplicação da seqüência. As mesmas atividades que seriam feitas com os alunos, eram aplicadas primeiramente com as professoras, e depois era feita uma discussão sobre o modo como as discussões em sala de aula seriam melhor conduzidas, para favorecer e aguçar o lado investigativo dos alunos.

Um dos destaques desse trabalho é a preocupação em se iniciar a Alfabetização Científica logo nos primeiros anos escolares. Assim, as crianças, desde cedo, tomarão consciência de fenômenos naturais e seus problemas, buscando argumentar sobre essas situações. O esperado é que esses alunos possam estabelecer hipóteses e reflitam sobre esses assuntos.

No LaPEF existem inúmeras seqüências didáticas. Algumas já elaboradas inteiramente e outras em fase de construção e elaboração, sendo que todas têm em comum a estrutura. Todas acontecem nas aulalas de ciência, , levando-o-se em consideração que, devido ao tempo escolar, o tempo previsto para sua aplicação deva demandar entre 10 e 12 aulas para ser concluída cada seqüência.

Os assuntos tratados na seqüência exploram física, química e biologia, e englobam temas presentes nas diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais , fugindo a regra da maioria do material de ensino de ciência para Ensino Fundamental encontradas normalmente, que sempre focam no ensino de biologia.

Em todas as reuniões existem espaços para as discussões com as professoras, e para que elas façam comentários sobre a aplicação dessas seqüências em suas aulas, como estão sendo desenvolvidas , quais as dificuldades e quais os benefícios trazidos. Nesse espaço, as professoras podem expor dúvidas, suges tões, expor tudo o que achar necessário.

Para ilustrar um pouco desse e nosso trabalho o e os resultados obtidos com ele, apresentaremos, a seguir, pontos relacionados à aplicação das seqüências didáticas de Ciências em sala de aula, e trechos das reuniões entre as duas instituições.

Quanto à atuação docente, em relação à metodologia e conteúdo, em uma das reuniões, percebemos a seguinte fala de uma das pesquisadoras do LaPEF, a respeito de uma aula:

Adriana: Quer dizer, sombra tem que ter uma fonte de luz, tem que ter um anteparo em frente à fonte de luz, porque se eles falam em anteparo, pode ser que eles não tenham falado na fonte de luz, porque ela é normal, tava lá. Tava fixa, exatamente, não tem importância, mas, eles viram a fonte

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de luz, quer dizer, tem que ter a fonte de luz, o anteparo e o lugar onde não tenha luz.

Com essa fala, fica bastante evidente que a pesquisadora Adriana quer evidenciar algumas das habilidades do professor, e que esse deve saber também interpretar as explicações de seus alunos e observrvar quais os pontos que eles estão retratando em seus relatos. Ou seja,o professor deve prpromover argumentações , saber ouvir r seus alunos, saber perguntar r questóes pertinentes e estimuladoras, fazer retomada das discussões anteriores para organização informações, , incentivar a pesquisa tanto própria quanto da criança , devolver as questões das crianças para a classe, promovendo assim uma discussão em grupo a cerca dos conhecimentos estudados, , incentivando e garantindo a participação dos alunos.

Quando falamos de tomada de consciência pelo professor, sobre ele refletir acerca da importância e elementos novos que a sequência traz, assim como as dificuldades dos alunos,encontramos relatos muito interessantes e esclarecedores, como os das professoras abaixo:

Andrea: Ah, eu tenho gostado bastante e uma coisa que eu tenho percebido nos alunos e que até então era uma dificuldade que a minha sala tinha muito era de estabelecer relação. Às vezes eu trabalhava um conteúdo, tentava puxar aquele conteúdo o no outro com outra disciplina e eles ficavam assim, e eu tenho percebido na seqüência que, não sei se a Amanda concorda que ela tá vendo, eles ficam muito assim: Ah, que nem você falou na outra aula, que nem a gente viu em tal texto. Eu tenho gostado muito to disso neles, eles têm buscado referências no que eles já viram, que na minha sala não é comum.

Marcela: Eu percebi que eles sabem o que eles fazem, como funciona e o que eles tem que fazer pro submarino afundar e subir, flutuar e subir. Mas, eles não conseguem pegar o porquê que isso aconteceu, demora um pouco mais, o relatório, eu até vou refazer o relatório com eles, porque eu concluí que o relatório ficou um pouco fácil. Porque eles falavam: Eu assoprei, eu suguei, mas, não ficou claro porque que ele afafundava, o que acontecia, Lá eles até falaram né, Nil? Eles até disseram, mas, na hora de pôr no papel...

Com esses relatos percebemos que, mesmo com tantos benefícios trazidos pela seqüência, existem também muitas dificuldades por parte dos alunos, a dificuldade em escrever aquilo que explicaram em sala de aula. Os alunos mostram dificuldades que serão trabalhadas ao longo da seqüência. E esse retorno é muito importante para se fazer as adaptações necessárias da seqüência para favorecera aprendizagem de c ciências.

Os alunos se mostram sempre bastante envolvidos com o projeto e com a seqüência como um todo. Especialmente nas atividades experimentais, eles mostram bastante cooperação e trabalho em grupo. Os integrantes de um mesmo grupo se ajudam e ajudam colegas de outros grupos também. A interação é bastante grande, como percebemos nessa passagem da discussão em grupo, após uma atividade experimental:

Profa: ...para fazer a tentativa?

Alunos: Sim!

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Aluno: Nós pensamos primeiro, depois, se não fosse ele prpra fazer o barquinho pra mim aí não tinha como fazer, não é?

Profa: Então houve o que entre todos vocês ? Entre os grupos? Que que houve?

Alunos: Nós fomos por o barquinho...

Profa: Não, mas houve o que? O que o Adriano fez com seu grupo Alunos: Ajudou.

PrProfa: Ajudou e o que?! Colaboração.

Aluno: É! Um ajuda o outro.

Além de os alunos mostrarem toda essa interação em grupo e o interesse por trabalho em equipe, as professoras também notaram essa diferença de comportamento, por exemplo, no relato de uma prorofessora:

- O que eu achei mais interessante tanto na atividade do barquinho como no do submarino é que todos estavam envolvidos. Não teve nenhuma criança que falou assim, ah, eu vou... Que ficou de fora. Ficou de fora assim, os grupinhos, mas porque eles aininda estavam naquela hipótese de que cada um tinha que fazer o seu barco, mas aí, a partir do momento que ele percebeu que ele tinha que fazer um outro tipo de embarcação, aí, todo grupo percebeu. Isso que eu acho que é interessante, que a aula propôs pra elele que eles tenham este envolvimento.

Como mostra os relatos, todos os alunos de algum modo participaram e interagiram do processo de resolução de problemas, algo muito importante e que é incentivado com a seqüência didática utilizada. . Também, com as filmagens, conseguimos observar o envolvimento dos alunos quanto à oralidade, onde eles explicam os métodos utilizados para a resolução do problema, como no seguinte trecho, das falas de dois alunos:

Fábio: Nós primeiros fizemos ele sendo um barco normal, né, aqueles barco de papel. Daí deu errado. Depois nós tentamos fazer o barco redondo, ai não deu certo. Quando fizemos o quadrado, fomos colocando uma por uma.

Vinicius: s: A gente fez tipo uma balsa quadrada e foi colocando uma por uma.

Os alunos também possuem envolvimento com a leitura e a escrita. A leitura é quando a professora sugere alguma leitura, da seqüência mesmo, ou algum texto extra, e a escrita se dá quando os alunos fazem seus relatos dos problemas e suas soluções através de desenhos das situações es encontradas. Tudo isso colabora com a aprendizagem conceitual desses alunos e auxilia na hora de elaboração de discurso, quando podemos ver no relato de outro aluno:

Wellington: A gente pegou uma folha de papel alumínio, a gente ia colocando as arruelas e e ia distribuindo os pesos.

Karina: O nosso foi diferente. A gente colocamos dois papéis, ai não afundou. Quando a gente colocou cinco demais, aí não deu, o barco afundou.

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Professora: Olha que interessante isso que vocês estão falando. Cinco papéis, o outro ro fez com dois. Então será que tá só na quantidade de papel? Por que será que não afunda o barco?

Fabio: Porque a gente tá distribuindo o peso.

Essas reuniões, com muitos relatos das professoras, e alunos, mostram como a seqüência apresenta muitos aspectos os positivos de ensino-aprendizagem de ciências , e que realmente auxilia as professoras sobre como ensino ciências de modo que os alunos possam discutir e refletir sobre os temas. Durante as reuniões foram gravados inúmeros depoimentos que reforçam essas idéias, o que serve de incentivo tanto para professoras como para as pesquisadoras, continuar o processo de aplicação da seqüência. Também com essas filmagens, observamos os benefícios trazidos para os alunos, e o aprendizado conceitual decorrente desse processo.

## Encaminhamentos futuros

Até o momento, o que se percebe são os inúmeros aspectos positivos que esse trabalho vem trazendo tanto para a escola quanto para o LaPEF. A angústia e medo das professoras acabam se tornando um incentivo para adotar uma nova postura e comportamento que possibilitem de fato a aprendizagem. Já para as pesquisadoras , essa prática mostra sugestões e adaptações que o material possa precisar.

Mas um dos resultados mais importante e esperado desse projeto é em relação aos alunos. Eles se mostraram, depois das atividades, muito mais interessados nas aulas de ciências, e apresentam uma postura bem mais investigativa, discutem e refletem sobre os temas, se mostrando bastante curiosos e dispostos a aprender.

As reuniões feitas até agora têm servido para encaminhar a análise dos dados, e os ajustes necessários na seqüência, para se adaptar a realidade dos alunos da EMEF Candido Portinari. O O tipo de comportamento esperado, com postura investigativa, tem se mostrado de forma clara, o que também mostra que a alfabetização científica, nessa nova proposta de aula, tem acontecido, o que é o objetivo principal da parceria.

As atividades propostas favorecem a alfabetização científica, pois explora a curiosidade dos alunos e propões situações nas quais eles se sentem motivados a participar e refletir. Muitos alunos inclusive mostram respostas diferentes à seqüência, como a construção de gráficos para visualização de dados da atividade. Todas essas respostas são indícios de que realmente a tão esperada Alfabetizaçação Científica está acontecendo, o que e é bastante gratificante e incentivador para a continuação dessa pesquisa e da análise de dados, bem como a ampliação da aplicação da seqüência para outras escolas, em d diferentes contextos.

Portanto, com este trabalho, pretende-se mostrar que com o mesmo material, com a mesma seqüência, é possível promover a alfabetização científica em diferentes contextos e comunidades educacionais. O papel do professor é importantíssimo para adaptar essa seqüência pronta à à resposta de seus alunos

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perante esse novo material. E estamos conseguindo mostrar que, com uma boa preparação e acompanhamento, os professores conseguem explorar e trabalhar a seqüência de modo satisfatório, de modo que seus alunos realmente tirem proveito to desse material e consigam assim ser alfabetizados cientificamente.

A continuação da análise dos dados dessa pesquisa pretende tornar ainda mais claro esses resultados, de modo que no futuro pretende-s-se expandir a aplicação da proposta para outras escolas que aceitem a parceria. Diferentes contextos, com a mesma seqüência didática, mostram através dos indicadores que a alfabetização científica se dá através de um bom material e apoio aos alunos. Esses es precisam ser estimulados e instigados a pensar sobre CiCiências, o que realmente acontece quando se utilizada um material propício, como esta seqüência didática.

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