ENSINAR FÍSICA PARA OS ALUNOS DO SÉCULO XXI: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA INTERDISCIPLINAR QUE ALIA A HISTÓRIA DA CIÊNCIA, O TEATRO E A FÍSICA
Márcio Nasser Medina, Marco Braga
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 30/01/2009
- Linha de pesquisa
- Arte, Cultura E Educação Científica / Políticas Públicas E Questões Institucionais Para O Ensino De Ciência E De Tecnologia
- Tipo
- Comunicação
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## ENSINAR F FÍSICA PARA OS ALUNOS DO SÉCULO XXI:UMA PROPOSTA METODOLÓGICA INTERDISCIPLINAR QUE ALIA AHISTÓRIA DA CIÊNCIA, A, O TEATRO E A FÍFÍSICA
* Márcio Nasser Medina [professormedina@hotmail.com] 1 Marco Braga [bragatek@cefet-rj.br] 2
1 CEFET - RJ 2 Grupo Teknê - CEFET-RJ
## RESESUMO
Neste artigo pretendemos apresentar uma experiência didática onde as relações entre Física e Arte se apresentam através da História da Ciência. O teatro é utilizado como motivador de uma metodologia de ensino voltada para uma aprendizagem interdisciplinar, que coloca em prática os pressupostos indicados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) e nos Parâmetros Curriculares Nacional do Ensino Médio (PCN+, 2002). Na atividade aqui descrita são desenvolvidas as habilidades e competências necessárias para a vida, a partir da encenação teatral de um texto adaptado da peça Galileu Galilei de Bertolt Brecht. O texto foi adaptado visando-ose explorar o conteúdo de de Física , de Astronomia e áreas afins. Com isso, pretende-e-se alcançar uma maior integração entre as disciplinas científicas e destas com as de ciências humanas e sociais. A peça ocorre no bojo de um trabalho sobre a revolução científica, técnica, artística, econômica e social ocorrida durante os séculos XVI e XVII. O trabalho foi acompanhado de uma pesquisa sobre a aprendizagem e interesses dos alunos em relação à física onde se procurou avaliar as vantagens e desvantagens da metodologia adotada. Procuraremos aqui descrever as etapas do trabalho desde as primeiras discussões travadas em sala até a montagem da peça. Nesse processo os alunos tiveram uma participação efetiva, desde a idealização à execução final do trabalho, incluindo os ensaios, a pesquisa e a produção de cenários e figurinos, marcação de cenas, layout t dos programas da peça, do cartaz, etc. Os resultados alcançados apresentaram-m-se de acordo com as competências gerais, habilidades e letramento, defendidos pela nova educação exigida para os alunos do século XXI.
PALAVRAS -CHAVE: I Interdisciplinaridade, História da da Ciência, Teatro Científico.
## PRPRELÚDIO
Ao longo do ano de 2007, os professores de uma escola particular do Rio de Janeiro perceberam que as turmas da primeira série do Ensino Médio eram constituídas, em sua m maioria, por alunos sem muito interesse nas áreas científicas e e tecnológicasas. Eram alunos com tendência para carreiras da da área das Ciências Humanas e, em sua maioria, com poucas habilidades matemáticas. Mesmo assim, durante as aulas, percebia -se um grande interesse do grupo nos momentos em m que a Física e História se entrelaçavam m durante as aulas. Desta maneira, durante preleção do do capítulo de Gravitação Universal e Cosmologia, o professor de Física a apresentou a a história que ambientava toda aquela transformação ocorrida através das lentes de Galileu Galilei ao apontar sua luneta para o espaço. Após consultar pesquisadores da área de ensino de ciências e matemática que vinham desenvolvendo práticas interdisciplinares no ensino, a equipe de professores da escola decidiu trabalhar os conteúdos de várias disciplinas de uma mane ira diferente, contextualizando a ciência que se queria ensinar de acordo com os interesses dos alunos. Alia ram-m-se professores de Física,
Filosofia, História da Arte, História Geral e Teatro através de um projojeto cuja propoposta era desenvolvlver umuma atividade interdisciplinar. r. Iniciou-se, assim, , o projeto o com m a a realização o de e um ciclo de seminários sobre a revolução científica e e cultural dos séculos XVI e XVII e, para concluir o trabalho, , montarrse-ia uma peça sobre essa época .
Paralelamente ao o projeto , foi acoplada uma pesquisa que pudesse investigar a eficácia de uma metodologia interdisciplinar baseada no teatro. Nesse trabalho procura-se e relatar a experiência e os primeiros dados obtidos nessa pesquisa.
## FÍSICA E O TEATRO
A pedagogia teatral , formulada por Bertolt Brecht ao longo de sua carreira , estruturava -se com foco no espectador, com o intuito de posicioná-lo enquanto sujeito da história, indivíduo que se colocasse diante de acontecimentos que poderiam ser alterados e pensados de outra mamaneira . Como alguém que se sentisse estimulado a questionar e participar do processo histórico. Brecht pretendia criar condições para que o espectador compreendesse a realidade, partindo o do pressuposto de que, tanto quanto o artista, o espectador pode e precisa apurar este potencial que lhe é inerente (DESGRANGES, 2003) .
A prática proposta foi a de introduzir, nas aulas de Física, o texto da peça teatral Galileo o Galilei - de Bertolt Brecht - que, além de apresentar um tema científico, permite aos discentes enxergarem a parte humanística da ciência que, por vezes, fica totalmente esquecida ou mesmo ausente das aulas tradicionais dessa disciplina. a. Esta abordagem tende a permitir r um aprendizado de Ciência mais globalizado, transversal e complexo .
A identidade ininterdisciplinar se dá pela metodologia, pela forma de pensar as ciências e a evolução das ciências. Há uma necessidade de um ensino de física contextualizado em sua história, frisando a sua não -linearidade e as diferentes leituras que dela podemos ter. Vários aspectos da história da ciência e de sua aplicabilidade em sala de aula são apresentados, na forma de exemplos concretos possíveis para um ensino não-o-formal.
## A ATIVIDADE
Algumas obras e textos, que sugerem a associação da Física com as Artes, a Filosofia, a Literatura e com a História (ZANETIC,1989, 1997, 2005, 2006; GUERRA, A., REIS,J.C., BRAGA M.A., 2003), incentivaram a idéia de elaborar projetos os para se ensinar fífísica com a finalidade de desmititificáála e torná -la mais acessível, mais humana e, por que não, mais divertida, considerando os aspectos que estão sendo omitidos.
Esta experiência ocorreu nunum colégio, da rede particular, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, e só foi possível pela liberdade que existe, por parte de seus dirigentes, de utilizar novovas formas de ensinar que auxiliem no aprendizado e contribuam para uma boa formação integral do aluno. A primeira série do Ensino Médio foi escolhida para representar a peça porque, além de seus alunos estarem em uma faixa etária mais apropriada para assimimilar o texto, teteria a oportunidade de um primeiro contato com a Física através desse enfoque . A título de democratizar o trabalho e torná -lo abrangente, permiti a participação voluntária, na peça, de alguns alunos da segunda série do Ensino Médio .
Na necessidade de se ampliarem as possibilidades para se explorar o conteúdo da Física, foi proposta uma pesquisa da história do desenvolvimento científico e das discussões filosóficas que acompanharam esse período, permitindo assim ao aluno interpretar e entender a prática científica. Deste modo, atraímos s para o estudo da ciência até mesmo aqueles alunos que, através da abordagem tradicional, sentiam-se afastados dela (ZANETIC, 2005).
Foi então que , discutindo sobre a liberdade de duvidar, que é essencial para o o desenvolvimento das ciências, pensou-u-se em uma peça de teatro, que retratasse a luta entre as autoridades da época, a Igreja, e Galileu, o mártir dessa luta. A A peça Galileo de Bertolt Brecht t foi reescrita, com linguagem simples, adaptada em três atos e ocupando o o foco central do projeto, em que foi possível trabalhar, através da História da Ciência, alguns conceitos de Física e Astronomia. E, numa primeira a etapa expositiva e enriquecedora , foram realizadas também atividades, seminários e discussões.
O trababalho consistiu primeiramente em uma pesquisa e um seminário, preparados pelos alunos, sobre a Revolução, o, segundo Koyré e Kuhn , , ocorrida nonos séculos XVI e XVII, subdividida a em quatro o revoluções específicas: científica, artística, político-o-religiosa e filosófófica. Um grupo destacado trabalharia a peça Galileo, o, que tinha essa personagem como âncora , pois fazia uma interação entre os temas de forma a integrá-los s trtransversalmente.
A partir daí, durante dois meses , foram feitas reuniões semanais, totalizando seis reuniões com professores de História da Arte, História Geral, Filosofia e Física para melhor orientação dos alunos, indicação de bibliografia e preleções. É importante destacar que esses encontros, extra -classes ou não, eram sempre colocados a todos os grupos, sem privilegiar um grupo ou outro.
Ao longo da última ma semana, os professores responsáveis realizaram um diagnóstico dos s slide-e-shows que seriam apresentados ao final daque la semana, orientando os grupos os quanto aos assuntos abordados e não abordados, suas relevâncias, etc, prpromovendo, pois, , uma pré-avaliação dos grupos.
Os grupos apresentaram suas pesquisas para os professores e para os demais alunos. Os seminários contaram com um data -show w e um computador, para exibição dos slides s de suas apresentações. Cada grupo teve um tempo mínimo de 10 minutos e máximo de de 20 minutos para evoluir em suas apresentações. Ao final de cada seminário, os professores fizeram suas observações para o grupo e
para a turma, a fifim de elucidar algumas idéias que foram brevemente abordadas e que poderiam ter sido aprofundadas.
## O TEATRO CIENTÍFICO EM CENA
O Grupo do Teatro se reunia semanalmente, fora do horário de aulas, da seguinte maneira:Primeiro encontro: Divisão dos integrantes em grgrupo 1 - Elenco e grgrupo 2 - Produção, essa última em Cenografia (grgrupo 2A) e Figurino (grgrupo 2B).
O grgrupo 1 , , para ser formado , foi submetido a um teste de "potencial de interpretação". Nesse teste, os alunos foram divididos em pares, e durante 30 minunutos , , estudaram os primeiros diálogos do texto entre André e Galileu. Sem qualquer recurso de direção ou cenário, ficaria por conta deles a interpretação e a improvisação, naquele teste. Foi permitido "colar", se necessário, ou até mesmo improvisar, desde que não saíssem do tema central. Nesse momento, revelou-se naquele grupo uma pró-ó-atividade e várias idéias s foram surgindo durante aqueles 30 minutos. A partir desse primeiro encontro, o, já se podia perceber quais as personagens eram necessárias colocar na adaptação e a exigência que poderia ser feita ao Galileu, que possui falas imensas e está em cena, o tempo todo.
Encontros seguintes: Os grupos se encontraram c com o professor-coordenador em horários distintos. O grgrupo 2 teve que apresentar uma pesquisa sobre vestuário (cores predominantes, estilo, etc.), arquitetura e decoração da época. Realizou-se uma leitura a imagética dos vídeos do History Channel e PBS - O Impérios dos Médicis - Os Patronos do Renascimento e e a montagem do Galileo de Bertolt Brecht feita pelo lo The American Film Theatre (1975) . Esses vídeos estavam em seus idiomas originais (inglês) e contavam com legendas nos respectivos idiomas (closed caption), integrando também as disciplinas de língua estrangeira a ao processo.
O grupo 1 fez uma leitura paragrafada do texto em conjunto, a fim de conhecer a história que estaria contando, quais as intrigas contidas no texto, quais as descobertas, quais idéias eram sustentadas até então, o que tais descobertas mudariam naquele contexto histórico, etc. Quando não era possível terminar a leitura das cenas, ficava m m como dever de casa a releitura e pesquisa do texto. A importância de ler e reler o texto em teatro é assumir a verdade do que o texto ququer passar e e a interpretação se torna mais natural quando as personagens assumem essa verdade. Esse trabalho de leitura paragrafada permitiu uma explicação mais detalhada dodos sistemas de Aristóteles-P-Ptolomeu e de Copérnico-o-Galileu u e uma a discussão sobre o papel l da observação, da hipótese, da teoria, sobre o que eram epiciclos, do do porquê das paralelas se encontrarem no infinito. Afloraram questionamentos sobre Cosmologia, Sistetemas Solares, Buracos Negros, Relatividade. Discutimos sobre a época das Trevas, sobre a Inquisição, Reforma e Contra-a-Reforma, Absolutismo, Itália dividida, Romeo e Julieta, Hamlet, Shakeaspeare.
O material de divulgação como cartazes e programas foi desenvolvida pelo grupo 2 que também participou na na escolha do repertório. Os alunos levaram Bach, Suppé, Albinoni, Handel l e diversas músicas barrocas, clássicos mais modernos, músicas contemporâneas. Produziu -se um repertório bem distinto de qualquer montagem já feita. Na hora dos aplausos , foi escolhida "De volta ao Planeta dos Macacos" , da banda de rock brasileira Jota Quest, que se destacava pela sua primeira estrofe, resumindo o bem a idéia insurgente na peça.
"Lá fora /T/Todos os corações procuram a sua órbita/ Novas propostas pro mundo/ Novos encaixes pras coisas/ s/ Que ainda não estão no lugar/ Atento às diversidades ..." De Volta ao Planeta dos Macacos, Jota Quest.
No sexto encontro, o, os alunos -atores já possuíam seus textos decorados e o professor de teatro do do colégio organizou as questões de figurinos e cenografia, fez algumas alterações textuais e os ensaios foram iniciados. A peça foi ensaiada durante uma semana até a apresentação, incluindo o sábado e o domingo. Foram realizadas três apresentações para o grgrande público atingindo, pelo menos, 360 espectadores. Foi muito interessante a evolução desses passos porque consistiu em um desafio tanto para o diretor, quanto para os alunos, realizar uma peça em apenas uma semana de ensaios .
Montagem da peça Galilileo de Bertolt Brecht (Fotos: Márcio Nasser Medina)
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## AVAVALIAÇÃO E PESESQUISA
A avaliação teve, nesse caso, um papel mínimo no processo de ensino-o-aprendizagem sendo utilizada apenas para verificar o grau de domínio alcançado pelos alunos em certos conteúdos. Qualific ou-se como um instrumento neutro, que não interferiu u diretamente no processo de ensinoaprendizagem, mas forneceu informações sobre as competências e habilidades adquiridas pelolos alunos. Seguindo as indicações da Lei 9394/96, prevaleleceu durante a a avaliação o qualitativo sobrbre o quantitativo, com uma forma diversificada de mensurar os conhecimentos, priorizando uma visão global das matérias, levando o aluno a utilizar as competências que fororam m adquiridas s durante as etapas s de realização de trabalho . Fororam escolhidas questões abrangentes e capazes de articular os saberes estudados.
De maneira diagnóstica, foi perguntado aos alunos quais as possíveis carreiras que eles pretendiam seguir após o Ensino Médio. Dos 27 alunos participantes, pretendem carreiras Biomédicas - 2 (7,4%), Tecnológicas - 6 (22,2%), Econômicas - 3 (11,1%) e Humanas - 16 (59,3%). Percebeu-se, então, uma participação dos alunos, comumente desinteressados pelas Ciências, das chamadas
Ciências Humamanas, promovendo, , assim , , uma maior aproximação e, talvez, despertando um maior interesse pelo assunto.
A pesquisa utilizada não foi para clalassificar, e sim, para verificar r o aprendizado resultante da peça. O questionário aplicado foi composto de duas partes. Na primeira, os alunos tiveram que desenvolver, por escrito, as seguintes questões:
- i) Escreva um parágrafo que descreva a sua experiência pessoal nesse projeto.
- ii) Escreva um parágrafo que mostre a sua visão sobre o Galileu, depois da peça realizada.
Após todos responderem, o grupo foi entrevisistado em quatro o sessões distintas. O questionário era identificado pelo nome dos alunos e pela a participação deles na peça (ator/produção) valendo-se dadas seguintes perguntas:
- 1) Antes da peça , você conhecia o personagem principal? Se sim, qual l ou quais inforormações detinha a sobre ele?
- 2) Qual a importância de Galileu para a Física?
- 3) Das idéias sobre Física em que você acreditava antes da peça, houve alguma que se modificou? Você já havia pensado antes sobre algumas idéias e discussões trazidas pela peça ?
- 4) Na sua opinião, Galileu teve alguma importância, no cenário mundial, para além da Física?
- 5) Você acredita que, ao longo da história, exista alguma relação entre o trabalho do cientista e o do artista? Cite alguns exemplos.
- 6) Antes da peça , você conseguia perceber que Física, Astronomia, História, Filosofia, Artes e Teatro eram tão conectados? E agora?
- 7) A peça forneceu ensinamentos interessantes a respeito de Galileu. Você seria capaz de falar, , a partir de sua compreensão da peça , sobre o sistema solar r e a r elatividade dos movimentos ?
- 8) Foi mais prazeroso e interessante aprender fazendo a peça e/ou assistindo a ela? Que oututros aprendizados você recebeu?u?
## ANANÁLISE DOS RESESULTADOS
O que os alunos entrevistados sabiam sobre Galileu:
Unanimemente os alunos, também, , apontaram Leonardo Da Vinci como o mais completo cidadão do mundo, pois dominava as artes, a ciêiência, a matemática, a biologia , etc. Todos confirmaram m que não percebiam que as áreas de conhecimento estavam relacionadas, reconhecendo que suauas s visões de de mundo fororam modificadas durante e após a execução da peça. O grupo da série mais adianta da revelou que, ao aprender História Geral, pôde perceber que muitas coisas estavam mais claras quanto às transformações ocorridas naquele período. O O grupo reconheceu, u, ainda, , que, para ele, a idéia do sistema não ser heliocêntrico era muito difícil de se entender , pois só haviam aprendido daquela forma. Destacam-se dois alunos que disseram que a observação diária do céu provocava ne neles a mesma sensação que motivara a Aristóteles em achar que tudo gira ao redor da Terra (reescrito com as minhas palavras). Apenanas 1 aluno reconheceu que na cena onde Galileu e o Papa conversavam havia ocorrido uma discussão sobre relatividade, os demais não perceberam. Na última pergunta, novamente, todos concordaram que aprender assim era mais interessante e divertido pois adorararam a experiência teatr al e a mudança da atmosfera da aula permitindo uma participação mais efetiva e afetiva com os professores , dando liberdade de interagir com o assunto de uma maneira nãooformal, mais aberta ta às dúvidas e aos questionamentos e reconheceram que , além de terem aprendido a atuar, r, o melhor aprendizado foi o de trabalhar em equipe, constatando que o sucesso do trabalho depende, não só de parte do grupo, mas, de toda a equipe.
Foram atendidas as competências gerais propostas no PCN+ (2002) II.5, III.1 e III.2, e ainda, pelas respostas , que o desenvolvimento do trabalho atendeu positivamente às competência s I, II e IV, às habilidades 4, 5, 18, 19 e 21 propostas pelo INEP/ENEM e aos objetivos 2 e 3 de letramento exigidos pelo OCDE/PISA. Instrumentos utilizados pelo governo e pelo Banco Mundial, para avaliar o índice de desenvolvimento da Educação Básica e Científica do país.
## As competências gerais atendidas pelo trabalho de acordo com PCN+ foram:
- II.5 -Relações entre conhecimentos disciplinares, interdisciplinares e inter -áreas: Articular, integrar e sistematizar fenômenos e teorias dentro de uma ciência, entre as várias ciências e áreas de conhecimento .
- III.1 -Ciência e tecnologia na história: Compreender o conhecimento científico e o tecnológicico como resultados de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social.
- III.2 -Ciência e tecnologia na cultura contemporânea: Compreender a ciência e a tecnologia como partes integrantes da cultura humana contemporânea.a.(PCN+)
## As competêncncias atendidas pelo trabalho, segundo a proposta do INEP/ENEM foram:
- I. Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica.
- II. Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhnhecimento para a comprpreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
- IV. Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argrgumentação consistente. (INEP)
## As habilidades atendidas pelo trabalho, segundo a proposta do INEP/ENEM foram:
- 4) Dada uma situação-p-problema, apresentada em uma linguagem de determinada área de conhecimento, relacioná -la com sua formulação em outras linguag ens ou vice-versa.
- 5) A partir da leitura de textos literários consagrados e de informações sobre concepções artísticas, estabelecer relações entre eles e seu contexto histórico, social, político ou cultural, inferindo as escolhas dos temas, gêneros discursrsivos e recursos expressivos dos autores.
- 18) Valorizar a diversidade dos patrimônios etno-o-culturais e artísticos, identificando-a em suas manifestações e representações em diferentes sociedades, épocas e lugares.
- 19) Confrontar interpretações diversas de situações ou fatos de natureza histórico-geográfica, técnico -científica, artístico-cultural ou do cotidiano, comparando diferentes pontos de vista, identificando os pressupostos de cada interpretação e analisando a validade dos argumentos utilizados.
- 21) Dado um conjunto de informações sobre uma realidade histórico-geográfica, contextualizar e ordenar os eventos registrados, compreendendo a importância dos fatores sociais, econômicos, políticos ou culturais.(INEP)
## E quanto ao letramento do PISA, destacar-se-iam m os itens:
- 2) Compreensão dos aspectos característicos da ciência como uma forma de investigação e conhecimento humano.
- 3) Conscientização quanto ao modo como a ciência e a tecnologia modelam nossos ambientes material, intelectual e cultural.(OCDE)
## CONCLUSÃO
Atualmente, a sociedade tem exigido profissiona is com habilidades e competências desenvolvidas para atuarem em diversas áreas profissionais específicas ou não. o. Sendo assim, a escola deve preparar alunos que atendam a a essas expectativas. Devido a isisso, a educação fica responsável em promover a formação de indivíduos conectados e capacitados em aprender e exercitar vários papéis na sociedade, uma vez que a educação, inclusive a científica, deve surgir como meio de superação da alienação, , ser responsável pela formação de um "novo-cidadão", capaz de criar e revitalizar o mundo mais humano, dominando a ciência e a técnica a seu favor para pensar, agir, organizar e criar uma sociedade mais justa e livre (PCN+,2002) .
Para o meio científico, o saber é , na mamaioria das vezes , caracterizado por ser relativamente descontextualizado, despersonificado, isto é, mais associado a um contexto acadêmico e propedêutico. Percebe -se agora que a ciência não pode estar desvinculada de outros contextos. Nessa metodologia , faz -se necessário criar condições que auxiliem e determinem m a relação entre quem ensina e quem aprende de forma que cada uma das partes assuma o seu papel dentro desse contexto. Cabe ao professor apresentar as propostas, as crises, os paradigmas, e fazer com que o aluno constate, analise, discuta, promova debates, critique, concorde, ou seja, assuma a responsabilidade de seu aprendizado.
A aprendizagem interdisciplinar é um processo contínuo, requer uma análise cuidadosa desse aprender em suas etapas, evoluçõeões e avanços. Requer também um redimensionamento dos conceitos que alicerçam a possibilidade da busca e da compreensão de novas idéias e valores. Hoje, acredita -se que o verdadeiro caminho para a construção de uma aprendizagem significativa e sólida está rerelacionada com o "aprender a aprender", expressão muito utilizada na atualidade que
consolida as conquistas que explicitam as condições fundamentais do ensino comprometido com a concepção de aprendizagem humana como processo de construção.
As peça utilizada da contemplou u desde a evolução conceitual e metodológica da física quanto à relação da física com outras áreas do conhecimento e com a sociedade , lologo, uma física inserida no processo histórico (ZANETIC, 2001). Através da peça, em que interagiu a história da da Física e da Astronomia, procurou-se mostrar o caminho da pesquisa e da descoberta , afastandoose e assim o preconceito difundido de geração a geração. A Física não é só feita de equações algébricas, não é só matemática. Ela é pensamento, raciocínio, divagação o e imaginação. Não se pretende defender que toda a Física deva ser abordada exclusivamente desta forma, substituindo os métodos mais tradicionais. A sala de aula e e o palco complementam-se e os alunos estarão, com certeza, mais receptivos às aulas convenc ionais, se a disciplina deixar de ser vista com desconfiança e desalento. Através de questões e entrevistas, gravadas em vídeo, pôde-se constatar que os alunos compreenderam os conceitos trabalhados, assim como, passaram a entender alguns aspectos da produçução científica, pepercebendo-se um maior desenvolvimento, nos alunos, de certas habilidades como falar em público, leitura e interpretação, tolerância, trabalho em equipe, etc.
Constatamos que, como preceitua a LeLei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e os Parâmetros CuCurriculares para o Ensino Médio (PCN+) , foi i possível promover um ensino dinâmico, questionador, investigativo, que desfaça os laços da sala de aula e que projete o aluno a um saber pleno e coerente com o seu tempo. Destacamos que é preciso revisar os modelos atuais de educação, abrir seus horizontes e estimular novas metodologias para unir a aprendizagem, que geralmente estão separados, à prática educativa. Há de se mudar a visão do mundo atual a favor da reunião das ciências e das artrtes, uma vez que a Física é uma área muito atrativa enquanto fonte de temas para projetos teatrais a se desenvolver nas escolas. Atendeu-u-se também às exigências dos órgãos responsáveis em avavaliar nacional (INEP/ENEM) e internacionalmente (OCDE/PISA) a educação no Brasil quanto aos objetivos: habilidades e letramento, requeridos, respectivamente, por eles. Acreditamos que conseguimos alcançar o objetivo de mostrar a importância da criatividade e da ousadia para o ensino da Física, ressaltando seu caráter cultural.
Podemos perceber também que, ao ao produzir esta peça, os estudantes garantiram a possibilidade de aprender os conceitos de Física e de reter a informação melhor do que com os métodos de ensino tradicionais. A audiência também foi beneficiada, pois pôde aprender noções básicas de Física com prazer e descontração.
De fato ainda a existem m muitas barreiras fora da sala de aula e que romper com essa realidade abala certas estruturas e nos desafia como professores. No entanto, se não nos arriscarmos a inovar, continuaremos de frente para uma turma desmotivada, que não vê importância naquilo que é apresentado como aula e que vai permanecer alheia ao processo de construção de um saber sólido. O professor continuará a ser visto como figura anacrônica, incapaz de dedespertar em seus us discípulos a paixão que impulsiona o jovem a ir mais adiante, querer mais informações sobre o tema estuda do, que faz os olhos brilharem quando em cocontato com uma nova descoberta. Enfim, o incentivo à inovação nas práticas educativas como foforma de resgatar o aluno, fazendo-o crer que a sala de aula está além das quatros paredes que a delimitam am m é inevitável l e estimular professores a encarar a aula teórica e e a aula prática como um prococesso dialético e indissociável faz-se urgente e necessário.
## REFERÊNCIAS
BRAGA, M.,GUERRA,A. REIS, J. C. - Breve História da Ciência Moderna , vol . 2, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2004;
DESGRANGES, Flávio. A Pedagogia do Espectador. São Paulo, Hucitec, 2003.
GUERRA, A., REIS,J.C., BRAGA M.A. - - Diálogos interdisciplinares no ensino de física: relações entre física e pintura. ENSINO DE FÍSICA: presente e futuro ÁREA 9 -ARTE, CULTURA E EDUCAÇÃO CIENTÍFICA -- Atas do XV Simpósio Nacional de Ensino de Física, Curitiba, PR, 2003.
GUERRA, A , ET AL . - Galileu e o Nascimento da Ciência Moderna, São Paulo, Atual, 1997.
INEP, Exame Nacional Do Ensino Médio (ENEM) Fundamentação Teórico-o-Metodológica a Brasília, DF, 2005.
INEP, Qualidade Da Educação: Uma Nova Leitura Do Desempenho Dos Estudantes Da 3ª 3ª Série Do Ensino Médio , Brasília, DF, 2004
OCDE, PISA 2006 - Science Competencies for Tomorrow's World, 2007.
PCN+, Ensino Médio -Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, p.139, 2002.
ZANETIC, João. Física Também é Cultura. Tese submetida à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo para obtenção do Título de Doutor em Educação. Orientador: Luís Carlos de Menezes. 1989.
ZANETIC, João. Física e arte: uma ponte entre duas culturas. Pro-Posições, v. 17, n. 1 (49), jan./abr., p. 39-57, 2006.
ZANETIC, João. Física e cultura. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 57, n. 3, p. 21-4, 2005.
ZANETIC, João. Física e literatura: uma possível integração no ensino. In: Ensino da Ciência, Leitura e Literatura. Cadernos Cedes, 41, págs. 46/61,1997. 7.
## Comunicado aos árbitros:
Devido ao curto espaço de tempo para alteração do texto o me senti incapaz de modificá-lo para atender sua sugestão em m trazer a discussão do PISA e dos processos de avaliação para o início do texto. De qualquer forma, considerei uma ótima sugestão para minha dissertrtação. Muito Obrigado.
Professor Márcio Nasser Medina
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.