INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO: A FÍSICA DO ESPORTE
Rosana Bulos Santiago, Jose Carlos Martins, Max Vinnicius Dias, Osmar Preussler, Rogério F. Dos Anjos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 30/01/2009
- Linha de pesquisa
- Interdisciplinaridade E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO: A FÍSICA DO ESPORTE
## INTERDISCIPLINARY OF TEACHING: THE P PHYSICS OF SPORT
Rosana B. Santiago, J J. C. Martins, M . V . Dias , O. Preussler, R. F. Anjos
Instituto de Física - - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Rua São Francisco Xavier 524, Maracanã 20559 -900, Rio de Janeiro, Brasil rosanab@uerj.br
## Resumo
Preocupados com a formação inicial e continuada dos nossos alunos propomos desenvolver novas metodologias de ensino de física e aplicá-las em atividades escolares em parceira com os professores de outras áreas de saber. Somado ao fato de conhecermos o baixo desempenho escolar que os alunos do ensino médio tem tido nos últimos anos , esses es aspectos, entre outros, nos levou a escolher a Interdisciplinaridade a física do esporte como tema norteador da nossa pesquisa em ensino de física . Escolhemos para trabalhar com a Interdisciplinaridade a Física dos Esportes por entendermos que no Brasil e no mundo, e principalmente nas últimas décadas, os esportes passaram a estar presente no cotidiano das pessoas, seja por motivos de saúde, lazer ou profissional. Em especial, vamos aproveitar o acontecimento dos Jogos Olímpicos em Pequim na China no presente ano para motivar os alunos a estudar e compreender um pouco sob a ótica científica do que ocorre nos movimentos dos atletas, nos equipamentos e materiais usados nas competições.
Queremos desenvolver novas metodologias , sob bases construtivistas, , de ensino de física sobre temas que abordem aspectos físicos do esporte ou da prárática do exercício físico . Ademais , a temática proposta dá dá origem a diálogos entre professores de outras disciplinas de um mesmo estabelecimento de ensino proporcionando a produção de um trabalho coletivo, dando origem a projetotos integrados entre os diversos profissionais .
Entendendo que o ensino deve ser centrado no aluno, a presente pesquisa tem por objetivo desvelar o conhecimento prévio dos alunos do curso de fífísica a respeito dasas relações entre a a Física e Esporte; assim como, conhecer suas opiniões sobre a a proposta de desenvolver práráticas educacionais através dessa interdisciplinaridade como instrumento de melhoria no ensino -aprendizado de ciências .
Palavras -c -chave: Interdisciplinaridade, contextualização, ensino-aprendizagem .
Keywords: interdisciplinary, contextualization, physics teaching
## Introdução
O trabalho de pesquisa que estamos desenvolvendo é uma resposta à provocação dos baixos resultados obtidos pelos alunos brasileiros do ensino básico nas avaliações do
Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 2007 e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2007 .
- O Pisa é um programa internacional e de livre adesão por parte dos países, acontece de três em três anos e tem por objeto comparar o ensino básico nos diversos países. No ano 2007, o foco foi na área das ciências e 57 países participaram. O teste foi aplicado para alunos de 15 anos de qualquer série do ensino básico de escolas públicas e privadas. O Brasil ficou no nada honroso 52 o lugar, revelando que os alunos que fizeram a prova tem conhecimento científico muito limitado e só conseguem elaborar explicações científicas óbvias ou seguidas de informações já evidenciadas. Para o ex-x-presidente da SBPC, o físico da UFES, Prof Enio Candotti o problema está na metodologia de ensino de ciências no nosso país que privilegia o conhecimento teórico em detrimento do ensino experimental. Opinião compartilhada pelo especialista em ensino da Unesco no Brasil, Célio da Cunha,
- "O Brasil precisa investir simultaneamente na melhoria da carreira do magistério, aumentando os salários, e na formação dos professores, oferecendo cursos universitários voltados para a atuação prática em sala de aula". (Jornal da Ciência, 04 de dezembro de 2007).
Observa -se situação mais grave quando evidenciamos a carência nacional de professores de ciências, que hoje são da ordem de 55 mil só em física e química. Tal fato é refletido no ensino básico, uma vez que sete em cada dez professores das disciplinas de ciências nas escolas não têm formação específica para lecionar, visto que, fizeram faculdade em outra área. No Brasil, a grande maioria dos colégios não possui laboratórios de ciências, ou em boa parte daqueles que possuem, tem baixa utilização como conseqüência da falta de preparo dos professores em lidar com experimentos.
- O Enem é um exame nacional criado em 1998 por iniciativa do governo federal e tem por objetivo avaliar o desempenho de e todos os alunos que completam o ensino médio na rede pública e privada. A avaliação é constituída por uma redação e por questões objetivas sobre os diversos temas oferecidos ao longo da formação inicial, estas questõtões privilegiam o ponto de vista da interdisciplinaridade e da contextualização. No ano de 2007, o resultado do Enem não diferiu muito dos anos anteriores, mostrando o baixo desempenho da maioria dos alunos em relação ao aprendizado esperado daqueles conteúdos presentes durante o ensino básico. Esse aspecto fica bastante evidente quando se analisam as provas dos alunos provenientes das escolas públicas de todo o País. Neste ano o que mais chamou a atenção e o aumento do distanciamento entre os resultados apresentados na rede pública e privada. Em levantamento de anos anteriores ficou constatado que os colégios que aparecem nas primeiras colocações da lista dos públicos são aqueles que pertencem ou de alguma forma estão ligados às universidades, como por exemplo, os Colégios de Aplicação e os Cefets. Isso pode ser explicado como resultado de parcerias entre os docentes universitários e essas escolas, onde a presença de programas e projetos permite capacitar os professores da rede básica, assim como, utilizizar os laboratórios de ensino das faculdades adaptando seus experimentos para níveis mais elementares. O real aprendizado do ensino de ciências há necessidade de aulas práticas, de laboratórios, de um ensino contextualizado no dia-a-d-dia dos estudantes, de forma que eles consigam observar as aplicações do conhecimento adquirido no mundo em que vivem para então tirarem suas próprias conclusões.
Diante desse quadro e de inúmeras outras evidencias, o ensino básico no Brasil vai mal, especialmente o de ciências. O ensino precisa passar por uma grande reforma onde formas inovadoras de aprendizado urgem, o ensino visto no colégio e na faculdade não pode mais ser entendido como um conjunto de conhecimento que serve para a vida inteira. Os jovens que hoje freqüentam as escolas vivem em um mundo onde as informações circulam rápida e livremente, onde as situações sociais são complexas em que se misturam questões ambientais, científicas, tecnológicas, históricas, e culturais, o
desafio das atuais gerações é relac ionar informações e fatos entre si e serem capazes de pensar e agir criticamente sobre elas. Esses futuros cidadãos precisarão adquirir novos conhecimentos à vida toda. Precisarão ser gestores dos seus próprios saberes porque o novo mundo na era da globalização precisa de pessoas que possam transitar entre áreas profissionais distintas e com autonomia para fazer as devidas correlações.
- O físísico inglês Snow (1995) , aponta em seu livro , desde os idos anos 50 da dificuldade de se avançar com soluções desejáveis em determinadas situações enfrentadas por uma a sociedade , se deve a falta de diálogo entre profissionais de áreas do saber distintas. Consequência de um excesso de especialização na escolarizaç ão adotada; segundo o autor, os humanistas não conhecem cononceitos bábásicos da ciência e os cientistas nãnão tomam conhecimento das dimens ões psicológicas, sociais e éticas dos problemas científicos .
Nesse sentido, o novo ensino-aprendizado precisa usar o referencial da Interdisciplinaridade (PIERSON, A.;; NEVES, M (2(2001)) e da Contextualização como eixo norteador do currículo, como já aponta os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio PCNEM (Brasil, 2002a, p 34).
Embora, boa parte dos professores e diretores dos colégios entenda que esses dois conceitos sejam fundamentais para que os alunos adquiram as habilidades necessárias muitos ainda não sabem como ensinar sob essa nova visão, o que implica num permanente diálogo entre diferentes áreas do saber (HARTMANN, A. M. (2007); LEMKE, J.(2005).
Escolhemos para trabalhar com a Interdisciplinaridade a Física dos Esportes (TALAVERA,A (2006); CARR, G. and RASCH, P. J. (2001)) por entendermos que no Brasil e no mundo, e principalmente nas últimas décadas, os esportes passaram a estar presente no cotidiano das pessoas, seja por motivos de saúde, lazer ou profissional. Em especial, vamos aproveitar o acontecimento dos Jogos Olímpicos em Pequim na China no presente ano para motivar os alunos a estudar e compreender um pouco sob a ótica científica do que ocorre nos movimentos dos atletas, nos equipamentos e materiais usados nas competições.
Nosso objetivo é desenvolver novas metodologias , sob bases construtivistas, de ensino de física sobre temas que abordem aspectos fífísicos do esporte ou da prárática do exercício físico . Ademais , a temática proposta dá origem a diálogos entre professores de outras disciplinas de um mesmo estabelecimento de ensino proporcionando a produç ão de um trabalho coletivo, dando origem a projetotos integrados entre os diversos profissionais . Desessa forma , pretendemos em nossas atividades criar r parceira com outros professores, p. e., Educação Física (CORREA, L. (2007)) para contextualizar os conceitos presentes num determinado esporte.
Por entendermos que o ensino deve ser centrado no aluno, a prpresente pesquisa teve por objetivo desvelar o conhecimento prévio dos alunos a respeito das relações entre a Física e o Esporte; assim como, conhecer suas opiniões sobre a proposta de desenvolver práticas educacionais através dessa interdisciplinaridade como instrumento de melhoria no ensino -aprendizado o de ciências .
Assim, nesse trabalho analisamos os questionários escritos, e e aplicados por um dos autores aos alunos do sexto período dos cursos de licenciatura e bacharelado em física da Universidade do Estatado do Rio de Janeiro. A presente pesquisa tem por objetivo desvelar as préré-concepç ões desses alunos a respeito da interdisciplinaridade FE; como também, suas opiniões sobre o ensino-aprendizado através dessa proposta.
## A Interdisciplinaridade Física e Esporte
O fascínio que os esportes desperta nas pessoas é incontestável, haja vista as inúmeras horas que a grade televisiva dispõem para apresentar jogos de futebol, voleibol, tênis, corridas de carro, etc. Sem falar na apresentação de programas de debates entre convidados especializados em treinamento tático de futebol, entre outros. Há jornais e revistas impressas que se dedicam exclusivamente em apresentar matérias sobre os últimos acontecimentos nos diversos esportes. Embora, muita divulgação seja proromovida sobre o mundo dos esportes: os times de futebol, os artilheiros, o número de medalhas obtidas nos jogos pan-americanos e olímpicos, o carro tal que deu a volta mais rápida, etc... Entretanto, pouco se fala e se conhece ao nível de ensino dos efeitos e propriedades físicas e químicas envolvidas nesse universo tão vasto.
E que jovem não gostaria de estudar o universo do futebol ou vôlei associado ao da ciência? Falar dos times, das regras, dos jogadores, dos chutes e das jogadas históricas que ocorreram ao longo dos tempos. E por que não falar dos conceitos físicos envolvidos nessas jogadas? Da evolução dos materiais desenvolvidos para produzir as bolas e as chuteiras, da aerodinâmica envolvida num belo gol, ou num belo saque, e nos movimentos surpreendentes dos corpos dos jogadores, em outras palavras, a biomecânica associada a cada a esporte.
Num jogo de futebol, assim como o de vôlei, os jogadores exercem forças na bola que se detectam pelos efeitos sofridos e trajetórias descritas pela mesma , modificanando o seu estado de repouso e variando sua velocidade . Diz -se, então, que uma força é toda a ação capaz de modificar o estado de movimento de um corpo ou de lhe causar deformação. As forças traduzem a interação entre os corpos e podem ser exercidas por contato ou à distância. Quando o jogador lança a bola, fazendo com que ela mude de direção, aplica-a-lhe uma força de contato, ocorre então uma interação entre o pé ou a mão com a bola. As forças atuam sempre aos pares, à ação do jogador sobre a bola corresponde uma reação igual e oposta que a bola exerce nele.
Qualquer corpo oferece uma resistência à alteração do seu estado de repouso ou de movimento que se designa por inércia. Esta será tanto maior quanto maior for a massa do corpo e no caso do movimento de e rotação a distribuição dessa massa c com relação ao eixo que o corpo irá rá gira entorno. Assim, se chutarmos uma bola de futebol e uma pedra do mesmo tamanho e com igual força a bola irá atingir uma velocidade maior do que a pedra. Embora as forças exercidas s sejam iguais, os seus efeitos são diferentes, porque a massa da pedra é maior do que a bola. A pedra resiste mais à alteração do estado de repouso, logo a sua inércia é maior do que a da bola.
Uma bola em movimento no ar está sujeita a forças aerodinâmicas causadas pela pressão e viscosidade do meio, como a força de arrasto e a força de sustentação. A força de sustentação surge quando a bola gira em torno do seu centro, ao girar a superfície da bola sofre o atrito do ar, na parte superior da bola o ar é mais rápido e na inferior, mais lento; assim surge uma diferença de pressão entre a parte de cima e a de baixo, desviando -a da sua trajetória normal e produzindo o efeito Magnus.
Nas competições de natação e atletismo qualquer centésimo ou até mesmo milésimo de segundo deve ser considerado , por isso , nos últimos anos tem -s -se dado bastante atenção ao desenvolvimento de equipamentos e vestimentas para melhorar o rendimento dos atletas. Na natação , o maiô que imita a pele do tubarão trouxe bons resultados diminuindo o atrito entre o corpo e a água, caso contrário ocorre nas corridas onde os calçados devem ser produzidos de forma a aumentar o atrito entre o pé e o chão.
Enfim, esses são alguns poucos exemplos conceituais do assunto que estamos interessados em estudar mais profundamente para desenvolver metodologias de ensino de física compartilhada com professores de educação física (ou mesmo de outras disciplinas) , onde em aulas práticas possamos reproduzir os movimentos e efeitos que estaremos interessados em abordar r tornando o conhecimento da ciência e da matemática, , mais lúdico e contextualizado na vivêvência do aluno.
## Abordagem teórica
O trabalho apresentado aqui está fundamentado no referencial da Interdisciplinaridade e contextualização, como também na na pedagogia de projetos. Nos últimos anos um dos autores vevem trabalhando no desenvolvimento e elaboração cultural de projetos (BARBOSA, M. C. (2007); Santiago, R., (2007), QUEIROZ, G. (2007)) na formação de professores de Física e de Ciências. Os projetos são executados os com os alunos do nosso instituto (IF\_UFRJ) e professores do ensino básico de escolas parceiras da rede pública e privada e tem como objetivo principal a formação inicial e continuada de professores. A Interdisciplinaridade Física dos Esportes foi incluída pela primeira vez no ano de 2007 no projeto "Tecendo Laços Na Terra e Além" o" onde o objetivo era estudar o que acontece com os habitantes do planeta, nas atividades com maior potencial de promover entrelaçamentos entre pessoas, povos e naçõeões.
Os caminhos da inovação na escola passam nos dias de hoje pela contextualização como rerecurso didático para problematizar a realidade vivida pelos estudantes, levando-o-os a construir novas representações do mundo para com elas elaborar um novo saber a respeito da realidade, de modo a compreendê-la melhor, podendo agir sobre ela quando necessário. A competência para tal não é disciplinar (MEC, 2006), nem se reduz à alfabetização científica prática dos cidadãos, envolvendo fatores sociais, econômicos e emocionais.
Portuschka (1993,p 81) esclarece que a Interdisciplinaridade do ponto de vista metodológico, procura esclarecer e compreender as relações entre os conhecimentos sistematizados por meio de negociação de idéias e aceitação de outras visões, respeitando conteúdo e a especificidade de cada disciplina (Angela M. Hartmann, 2007).
Muitas das contribuições das pesquisas em Educação em Ciências fazem parte da nossa proposta, entre elas: a importância de se levar em conta o conhecimento prévio dos alunos, a a utilização adequada da história da ciência, a relação entre os conteúdos e o cotidiano dos alunos, a presença de atividades práticas, o incentivo a pesquisa, a abordagem contextualizada dos conteúdos, uma visão da natureza da ciência atualizada em relação às discussões travadas a partir das inovações da Ciência no início do século XX, além de questões filosóficas mais amplas, éticas e estéticas importantes para a formação do cidadão. São muitas as razões que nos levam a optar em trabalharmos norteados pela interdisciplinaridade.
A nossa pergunta inicial então tomou a seguinte forma: Que relações os alunos dos cursos de graduação em licenciatura e bacharelado em Física podem perceber nos esportes como elemento motivador na aprendizagem dos conteúdos de física?
## Abordagem metodológica
Para respondermos a pergunta de partida analisamos os questionários escritos que foram aplicados para alunos que estavam cursando uma disciplina do sexto período e obrigatória aos cursos de licenciatura e bacharelado em físísica da UERJ. Cinco alunos faziam o curso de licenciatura, cinco de bacharelado e três os dois cursos simultaneamente, perfazendo um total de 13 alunos. O questionário composto por nove perguntas foi aplicado pela professora (uma das autoras desse trabalho) no horário da aula que ocorria no turno da manhã. Fizemos um estudo qualitativo das respostas dos alunos, analisando-as e estabelecendo algumas categorias para buscar correlações entre elas e assim apresentar um perfil do pensamento daqueles alunos.
## Resultados Obtidos
As respostas dos alunos foram dividas em três grupos. No primeiro grupo avaliamos a aquisição de conhecimentos extra curriculares dos alunos através das interações sociais travadas no ambiente acadêmico. Assim, perguntamos a eles se já haviam participado ou estavam participando do Programa de Iniciação Científica (IC) e em qual assunto.
- -- quatro alunos nunca fizeram IC sendo três destes alunos cursavam somente a licenciatura; dois faziam IC em Cosmologia, dois em Partículas, dois em Físísica Médica, dois em Geofísica e um em Semicondutores.
- O segundo grupo de perguntas procurou saber a respeito do interesse dos alunos pelos esportes, seja na sua prática ou através da observação televisiva ou pessoalmente.
- -- quase todos alunos já praticaram algum tipo de atividade física, a musculação foi a mais citada, seguida pela natação, futebol, lutas, vôlei e basquete.
- -- a maioria tem o hábito de assistir a jogos de futebol pela televisão e poucos citam que assistem: jogos de vôlei, provas de natação, automobilismo e ginástica artística. Apenas dois alunos não assistem nem nunca praticaram esporte.
- O último bloco de pergunta investigou o conhecimento dos alunos sobre aspectos de conteúdos didáticos presentes na interdisciplinaridade proposta - - Físísica dos Esportes e possibilidades de aplicação nos diferentes caminhos que a graduação em física oferece .
## Quanto à percepção e conhecimento:
Perguntamos que conceitos de física eles perceberam nos seminários oferecidos pelo grupo de ensino de física para a licenciatura sobre Futebol, cujo palestrante era o ex-xjogador da seleção brasileira Junior, e em outro sobre Ginástica Rítmica com a ex-x-técnica da seleção brasileira Dayse Barros.
- -- todos os seis alunos que assistiram aos seminários responderam que conseguiram perceber nos dois esportes que alguns temas da física estudada na nossa graduação estavam presentes, exemplificando: "...como o atrito pode influenciar a execução adequada de um movimento, como ajustar os movimentos de modo a otimizar o equilíbíbrio do atleta", "...o tamanho e o peso da bola varia de acordo com qual esporte está praticando, pois ela influi conforme ela é lançada, conforme ela rola, etc", "força, energia, etc".
Como a interdisciplinaridade FE pode ser utilizada:
Como elemento motivador no ensino -aprendizagem de assuntos de física para a ensino básico.
-- apenas um aluno responde que não, sem justificar; os outros doze acreditam que seria interessante e viável dando exemplos como isso poderia acontecer: "muitas pessoas são atraídas e envolvidas no esporte e quando introduzimos os conceitos de física, o aprendizado fica mais fácil", "É uma forma de trazer para a realidade tudo que se aprende na sala de aula", "desde que relacionado corretamente e de maneira criativa", "mostrando aos alunos os conceitos da física que há durante as atividades esportivas", "utilizando o esporte para exemplificar conceitos físicos".
Como linha de pesquisa em física para melhorar o rendimento dos atletas.
-- dois alunos respondem que não os outros onze afirmam que sim, justificando e sugerindo: "...o esporte brasileiro está em desigualdade com o americano ou europeu, por exemplo, pois estes contam com o apoio de cientistas durante o treinamento", "um bom entendimento físico pode proporcionar a criação de b bons instrumentos a serem utilizados no esporte", "otimizando a utilização de energia dos atletas...", "...podemos achar um treinamento que maximize a sua performance", "criando modelos que aumente a performa dos atletas".
E quanto suas opiniões em desenvovolver um programa de IC na Interdisciplinaridade Física dos Esportes (FE).
- -- todos os alunos acham possível desenvolver uma IC na FE, e quase todos justificam que os conteúdos através de exemplos da mecânica newtoniana serão prioritários, somente um a aluno c cita hidrodinâmica.
## Análise dos resultados
Observamos que a maioria dos alunos já passou por uma IC, os assuntos tratados nessas iniciações são nas mais variadas linhas de pesquisa. Inferimos que se deva a isso a declaração que seja possível desenvolvever um projeto em IC na interdisciplinaridade FE, embora muitos deles não percebam exatamente onde essa nova linha de pesquisa se situaria, pois consideram que os conteúdos relevantes de física sejam restritos aqueles estudados na mecânica newtoniana. Boa parte dos alunos já teve ou tem convívio com os esportes, seja através da prática ou da observação dos mesmos através da televisão, acreditamos que essa vivência facilitou a percepção dos alunos sobre a interdisciplinaridade proposta, ao declararem que observaram em vários momentos dos seminários (futebol e ginástica rítmica) conceitos de física inerentes ao esporte tratado através dos movimentos e efeitos produzido. No que se refere às opiniões desses alunos a respeito das possíveis aplicações da FE no desesenvolvimento de novas metodologias para melhorar o ensino-aprendizagem em física, destacamos que eles já manifestam a necessidade de contextualizar o aprendizado, quando mencionam "...trazer para a realidade tudo que se aprende..." ou mesmo quando sugerem usar as práticas esportivas como "laboratórios" " desse tema. Porém, ao correlacionarmos essa pergunta com a resposta do primeiro grupo, nenhum aluno percebe que pode ser desenvolvida IC na área de Ensino de Física. Com relação à possibilidade de se fazer er pesquisa em outras áreas da física para auxiliar os treinamentos e melhorar o rendimento dos atletas em competições, os alunos acham que é viável, usaram colocações de cunho social sobre de que forma e como isso poderia acontecer.
Em decorrência dessa investigação o tema a Física dos Esportes que antes era apenas um desejo do pesquisador, r, criou fôfôlego e t tomou contornos reais e hoje conta com vávários alunos pesquisando e aprendendo assuntos dentro da temática proposta. Quase todos alunos contam com auxílio financeiro para pesquisa atravévés de bolsas de Iniciação Científica ou de Iniciação a Docência, outros participam do grupo com o objetivo de desenvolver suas monografias de final de e curso de licenciatura em FíFísica . Uma das monografia é sobre os saltos da ginástica artística , onde grandezas como centro de massa, torque, momento de inercial, velocidade angular entre outras estãtão presentes nesse movimento e são estudadas a luz da mec ânica newtoniana. Outro estudo está tá utilizando os resultados olímímpicos de Pequim nas provas de natação e atletismo masculino e feminino para desenenvolver de forma contextualizada a noção de velocidade instatantânea e velocidade mémédia . Na busca por uma literatura especializada (Okuno , 2003) ) percebemos a carêrência da mesma no que diz rerespeito ao tratamento de modelos físicos aplicados a essas questõtões , embora muita ênfase seja dada para aspectos anatômicos do corpo huhumano. Normalmente esses es livros são dirigidos os aos alunos do curso de educação física e em nossas investigações não encontramos no Brasil nenhum currícículo de graduação em bacharelado ou licenciatura em físísica que trate desse assunto.
## Considerações Finais
O processo de tornar o ensino básico interdisciplinar é longo e requer diálogos entre professores de diferentes disciplinas, o ouvir e falar, o propor e refletir, deve estar sempre presente no ambiente desses profissionais, para então as negociações das futuras ações do que ensinar e de que forma tomarem corpo através de projetos pedagógicos com a participação permanente dodos professores envolvidos. Preocupados com a formação inicial dos alunos do nosso curso de Física, que serão futuros professores, seja de escolas de ensino básico, seja de cursos superiores (SANTIAGO, R. (2003)), nossa investigação inicial tentou conhecer r o interesse de um grupo de alunos de licenciatura e bacharelado em física da UERJ sobre os esportes para então inferir sobre seus conhecimentos prévios das relações existentes entre os conteúdos de Física e os dos Esportes. Quis saber também, de suas opiniões sobre a proposta de desenvolver práticas educacionais através dessa interdisciplinaridade como instrumento de viabilidade para melhorar o ensino-aprendizado de física. Observamos que os alunos analisados, em sua maioria, têm interesse por atividades esportivas, reconhecem que o esporte faz parte de nossa cultura, principalmente no que diz respeito ao futebol. Assim, acreditamos que um ensino contextualizado com base na interdisciplinaridade FE pode promover grande motivação aos jovens estudantes de fífísica já que esta está intrinsecamente relacionada às interações sociais que os indivíduos estão inseridos. Evidenciamos que os alunos são capazes de reinterpretar e descrever sob pré-supostos científicos , as situações relatadas nas palestras por eles assisistidas sobre futebol e ginástica rítmica, quando eles justificam determinados acontecimentos atribuindo as causas as aos fenômenos ou as interações físísicas as presentes em cada caso particular. r.
Para que nossa educação básica , em especial o ensino de ciêiências , se qualifique e e consiga se aproximar daquelas dos países desenvolvidos muitas aç ões devem ser implantadas, entretanto, acreditamos que desenvolver o hábito desde a formação inicial de professores em trabalhar com metodologias interdisciplinares é fundamental , para que isso aconteça. Esses futuros profissionais adquirirão novos conhecimentos à vida toda, e desenvolverãrão inter -relações dos diferentes saberes para proporcionar um ensino inovador onde a contextualização e a interdisciplinaridade estejam presentes.
## Referências
BARBOSA- A-
LIMA, M. C.; QUEIROZ, G. R. P. C.; SANTIAGO, R. B.; Ciência e Arte: Física na Escola, p. 27-30, suplemento da Revista
Vermeer, Huygens e Leeuwenhoek. k. Brasileira de Ensino de Física v. 8, 2007
CARR, G. and RASCH, P. J., Biomecânica a do Esporte , Ed. Manole Ltda (2001).
CASTRO, G; QUEIROZ, G. R. P. C. A formação inicial de professores de física a partir da prática de projetos. Atas do VI ENPEC, Florianópolis, 2007
CORREA, L. S . ; “No Futebol, a Física bate um bolão”, manuscrito (2007).
ENEM http://www.enem.inep.gov.br
FERNANDES,P.M.N.R.;
http://sites.unisanta.br/teiadosaber/apostila/fisica/A\_Fisica\_no\_esporte\_Fisica1109.pdf
HARTMANN,A.M.; dissertação de mestrado, “Desafios e possibilidades da interdisciplinaridade no ensino médio” UnB (2007).
LEMKE, J. L. L. , “Reaserch for the future of science education: news ways of learning, new ways of living”, VII International Congress on Research in Science Teaching, Granada, Spain (2005).
PCNEM (Brasil, 2002a, p 34). http://www. portal.mec.gov.br
PIERSON, A; NEVES, M. Interdisciplinaridade na formação de professores de ciências: conhecendo obstáculos. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 1, n. 2, pp. 19-30 (2001).
PISA
http://www.inep.gov.br/internacional/pisa
OKUNO, E., FRATIN, L.; Desvendando a Física do Corpo humano: Biomecanica; ed Manole, 2003.
TALAVERA, A . , Coleção Nova Geração: Física, Ed Nova Geração.
SANTIAGO, R.B.; QUEIROZ,G.R.P.C.; BARBOSA-LIMA,M.C; MACHADO,M.A. Universidade e a escola: tecendo laços na Terra e além... Atas do VI ENPEC ,
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SANTIAGO, R.B.; QUEIROZ,G.R.P.C.; A construção das escolhas profissionais no curso de física, A Atas do IV ENPEC, Bauru, 2003.
SNOW,C.P.; As duas culturas e uma s segunda leitura , Edusp , (1995) .
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