UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DE REPOSITÓRIOS EDUCACIONAIS E AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NA WEB MODERNA
Adriel Fernandes Sartori, Ewout Ter Haar, Eugenio Maria De França Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 30/01/2009
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino Teórico E Experimental De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DE REPOSITÓRIOS EDUCACIONAIS ENQUANTO AMBIENTES VIRTUAIS D DE APRENDIZAGEM NA WEB M MODERNA: O PORTAL DO PROFESSOR
Adriel Fernandes Sartori 1 1 , Ewout ter Haar 2 , Eugenio Maria de França Ramos 3
- 1 Programa de Pós-Graduação em Ensino de C iências (Modalidade Física) IF e FEUSP, CECEMCA UNESP , adrielrc@usp.br
- 2 Instituto de Física, Universidade de São Paulo, C. P. 66318, CEP 05315-5-970 São Paulo, SP, Brasil, ewout@usp.br
- 3 Instituto de Biociências, departamento de Educação - UNESP, Rio Claro e CECEMCA UNESP eugenior@rc.unesp.br
## Resumo
Neste trabalho fizemos uma análise, de maneira exploratória, de um portal virtual disponívível na Rede Mundial de Computadores (Internet). O "Portal do Professor", desenvolvido pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, se propõe a oferecer ajuda à prática educativa de docentes da Educação Básica. Apresentamos informações sobre alguns materiais de ensino de Física identificados neste portal, disponibilizados por meio das ferramentas: Espaço da aula, Jornal do Professor, Recursos Educacionais, Cursos e Materiais, Interação e Comunicação e Links. Repositórios de conteúdos, como o analisado, são uma tendência atual de migração dos tradicionais portais educacionais de simples estruturas de armazenamento para ambientes interativos, com possibilidades de contribuição de conteúdo por parte dos usuários - característica da Web moderna. Tais portais colaborativos s são sistemas integrados que agregam várias ferramentas de interação e colaboração para fins didáticos, como por exemplo as conhecidas plataformas para o desenvolvimento podem chegar a se confundir em alguns momentos com os AVA (Ambientes Virtuais de Aprendizagem de cursos de Educação a Distância, como TelEduc e Moodle). Discutimos brevemente os desenvolvimentos recentes da web moderna que permitem cada vez mais o uso de interação entre usuários, e entre estes e e máquinas, oferecendo informações de interações sociais entre os participantes (elementos sociais). É feita uma análise teórica, na qual são levantadas algumas características que julgamos importantes para o aproveitamento das possibilidades da web moderna, tais como Espaço, Estrutura, Interatividade e Intencionalidade. Apontamos algumas limitações nas características do portal analisado no que se refere ao uso de ferramentas interativas e colaborativas.
Palavras -c -chave: EaD, AVA, repositórios, educação, portais
## Introdução
No presente trabalho, pretendemos discutir alguns desenvolvimentos recentes na Web e suas implicações educacionais, sobretudo pelos materiais oferecidos aos professores para o ensino de Física. Apontamos como estes desenvolvimentos poderão o afetar os convencionais repositórios de material didático e sua eventual aproximação com Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Faremos também uma análise exploratória de um projeto recém lançado pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC, o "Portal do Professor", com o objetivo de discutir até que ponto este projeto se vale das possibilidades que a Web moderna proporciona e até que ponto essas possibilidades são auxiliares no Ensino de Física.
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http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/
26 a 30 de Janeiro de 2009
## Tecnologia da Web Moderna
A Web 1 parece se constituir no sistema de informação distribuída mais bem sucedido na história. Um simples sistema de documentos conectados proporcionou e democratizou acesso à informação e ao conhecimento em escala global. A tecnologia e os padrões da Web sempre foram simples e abertos, o que proporcionou uma baixa barreira de entrada para novos participantes. Dessa forma, tanto desenvolvedores de software como usuários comuns têm a possibilidade de publicar seus documentos. A Web é um sistema distribuído e não é necessário pedir permissão a a uma instância centralizada para participar. A combinação destes fatores levou, em poucos anos, a uma grande ampliação na quantidade de informações disponíveis livremente para qualquer pessoa com acesso à Web.
Desde os seus primórdios, a arquitetura da Web 2b consiste em três pilares que a sustentam. São eles: (a) o protocolo HTTP 2 , que rege a transferência de documentos entre os participantes da Web (navegadores e servidores), (b) a 3 linguagem de marcação HTML p 3 , que também torna a Web um sistema de hipertexto por meio do terceiro pilar, (c) o URL 4 , um esquema de identificação global de recursos.
- A possibilidade de nomear recursos independentemente da sua forma imediata, por meio de URLs, e a formação de uma rede de conexões entre documentos, tornaram a informaçação contida nestes documentos imediatamente muito mais útil, comparado com a informação confinada em documentos isolados e estáticos, tais como os tradicionais livros ou revistas. Atualmente, o maior exemplo 5 disto são as máquinas de busca modernas 5 , como Google, que usam a estrutura de rede -em particular o número de conexões para um documento - para construir os seus índices da Web e tornar o dilúvio de informações manejável.
Mas a Web está constantemente evoluindo, ficando cada vez mais dinâmica e tem comportado, além de documentos estáticos, ferramentas de colaboração e comunicação. Nos primeiros dez anos publicar na Web era o domínio, sobretudo de indivíduos com certa inclinação técnica ou de grandes organizações. Nos últimos anos, no entanto uma grande quantidade de usuários da Web vieram a tornar-se participantes ativos e produtores de recursos, ao invés de meros consumidores passivos da informação. Tecnologias como Wikis 6 , Blogs 7 , sites de compartilhamento de mídia e redes sociais mudaram consideravelmente a relação entre a Web e seus usuários.
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Em relação à Web tradicional percebemos duas principais características pelas quais a Web está evoluindo. Primeiro temos o uso crescente de informação disponibilizada para a leitura por meio de programas, em vez de somente para consumo final de usuários, o que possibilita o re-uso da informação em outros contextos e para fins diferentes do que o originalmente pensado. Um exemplo disso é a indicação das atualizações de sites por meio de feeds RSS 8 8 ou Atom 9 . Uma consequência é que fluxos de informação podem ser desmembrados, desviados e recombinados para outras finalidades, ao invés de consumidos somente no site de origem.
A segunda característica da Web moderna é o uso crescente de elementos sociais para construir conteúdos colaborativamente e filtrar a abundância de informações resultante. A construção colaborativa de recursos digitais (Benkler, 10 2004), como na Wikipédia 10 , é possível por causa de tecnologias como Wikis e ferramentas de comunicação em rede. As barreiras de entrada para contribuir na Web são cada vez mais baixas, consequentemente há menos filtros editoriais que garantam a qualidade dos conteúdos que inevitavelmente são de qualidade e relevância altamente variável. Para contornar este problema, surgiram sistemas de recomendação nos quais é possível navegar e buscar conteúdos indicado por redes de contatos. Assim , como máquinas de busca usam a rede de documentos para procurar de uma maneira eficaz, softwares de rede social na Web moderna podem ser usados como filtros e classificadores de conteúdo eficazes e personalizáveis. É por esta razão que sistemas que permitem contribuições dos usuários precisam de algum mecanismo para formar redes de contatos e por isso também a Web moderna pode ser chamada de Web Social (Mason, 2008). Essa ferramenta é bem útil em sistemas de contatos pessoais (como redes sociais) e deve ser aproveitada em repositórios que se dispõem a armazenar conteúdo educativo.
## A Web e a Educação
As tecnologias da Web permitem - desde o seu surgrgimento - que usuários disseminem e compartilhem os mais diversos tipos de materiais, de natureza didática ou não. Porém, como dito anteriormente, só nos últimos anos a participação do público em geral tem se tornado efetivamente colaborativa com a disponibilização de conteúdos, comentários etc. Para aceitar receber e armazenar essa diversidade de conteúdos, fez-s-se necessária a criação de servidores Web que funcionem como repositórios de conteúdos. Esses repositórios podem ter importante papel no desenvolvimento educacional da Web. Temos assim os chamados "repositórios de objetos de aprendizagem", que são a maneira institucional de disseminar material didático de forma estruturada (repositórios e portais de material didático se enquadram nesta categoria de tetecnologia).
Vemos recentemente uma tendência de portais, que tradicionalmente serviam para disseminar informação, transformarem-s-se em ambientes colaborativos -com as suas ferramentas de interação, que se assemelham as aplicadas em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, com significativa interação entre os usuários. Entretanto os níveis de colaboração permitidos entre os usuários e os portais
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diferem de acordo com a forma como os portais permitem usar r essa colaboração. Graus diferenciados d de colaboração podem limitar as possibilidades de instrução.
## Analisando um portal
Pretendemos aqui fazer uma análise de um sistema, explorando como foi feita a utilização das tecnologias da web moderna atualmente disponíveis. Com isso queremos avaliar até que ponto a tecnologia e desenvolvimentos da Web moderna como mídia social foram incorporados, e como essas possibilidades podem auxiliar no ensino de Física. Ou seja, as possibilidades colaborativas e interativas que a Web moderna proporciona foram de fato utilizadas nesta situação?
O Portal do Professor é uma iniciativa do Ministério da Educação brasileiro lançado em meados de 2008. Aparentemente o site aponta para uma convergência entre as funcionalidades de repositório (que tem por foco principal, armazenar) e as de um ambiente virtual de aprendizagem (que tem como foco principal a educação formal). Como um repositório, o portal permite inclusão de conteúdo e de recursos didáticos que ficam armazenados em seu banco de dados, podendo ser acessados por quaisquer usuários. Porém, mais do que um repositório de recursos, o portal também fornece ferramentas de interação e colaboração - - como chats e fóruns - bem como possibilita a criação de perfis próprios dos usuários. Dessa forma, propicia o surgimento de um espaço educacional com alguns elementos característicos de um AVA. Essa possibilidade de criar perfis poderia facilitar a localização de determinado conteúdo (termodinâmica, ou eletricidade por exemplo), buscando esses assuntos por interesses comuns entre os usuários.
No entanto, no portal o usuário começa a escolher o conteúdo que lhe interessa a partir de links disponíveis na página inicial: Espaço da Aula; Jornal do Professor; Recursos Educacionais; Cursos e Materiais; Interação e Comunicação; e Links, como reproduzido na figura 01. . Esta estrutura que se encontram os links nos remete ao tipo de navegação usado na Web tradicional, acessando menus e submenus como se fossem índices de um livro.
Figura 01: Reprodução da tela inicial do Portal do Professor, acessado em 07/10/2008.
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Na Tabela 01 abaixo, relacionamos os espaços que o portal disponibiliza com exemplos de temas do ensino de Física que podem ser acessados:
Tabela 01: T Temas de Física encontrados
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Abaixo, damos explicações mais detalhadas de alguns dos espaços elencados na tabela. Nesse caso, nos atentamos para os que contêm conteúdo de Física.
Dentro do Espaço da Aula, o usuário navega por um menu de seleção (no qual ele escolhe o nível de ensino, modalidade, componente curricular e tema desejado) e tem acesso a planos de aula já postados por outros professores. O usuário que for cadastrado como professor no portal poderá criar uma aula e deixar disponível para os outros usuários. A aula criada traz indicações do que o aluno deverá aprender na aula, conhecimentos prévios necessários, tempo necessário para realização das atividades, sugestão de avaliação e um espaço de edição livre no qual o usuário deve colocar a aula, propriamente dita. A aula contida neste espaço pode conter texto, imagens, sons e vídeos disponíveis no próprio portal. O plano de aula tem dessa forma, a possibilidade de trazer consigo aplicativos de computação que facilitem a visualização dos alunos. Ao acessar este espaço nos atentamos para uma aula de Física, a respeito das Leis de Newton. A aula em questão foi planejada para ter duração de 50 minutos, e o planejamento traz em sua estrutura itens, como o conhecimento prévio que o aluno deve ter, o que ele pode aprender, as estratégias e recursos que poderão ser utilizados na aula e uma proposta de avaliação. Para essa aula foi prevista a divisão da aula em dois tempos. Os primeiros 20 minutos seriam teóricos em sala de aula, e nos últimos 30 minutos o professor trabalharia com objetos de aprendizagem virtuais. A sugestão é para que essa segunda parte seja desenvolvida no laboratório de informática da escola. Os objbjetos de aprendizagem usados foram desenvolvidos em linguagem de programação Flash 11 , com o objetivo de ilustrar os conceitos teóricos abordados na
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aula. Apesar de seguir os padrões estabelecidos pelo site, a aula em si deve, aparentemente, ser usada pelo professor apenas como um auxiliar didático, já que não traz todos os componentes necessários ao ensino, como sugestões de exercício por exemplo.
Recursos Educacionais é um espaço que contém recursos multimídia disponíveis sob a licença de domínio público, como imagem, som, vídeo, experimento e aplicativos de animação e simulação que podem ser usados em aulas. Esses recursos aceitam a colocação de comentários e de notas por parte dos visitantes do site, de forma anônima. A busca dentro desse espaço é feita da mesma forma que no Espaço da Aula. Pode ser pelo preenchimento de um formulário, ou busca direta por palavras. Por exemplo, ao se digitar "Calor" e pedir busca por palavra, aparecem os recursos que tenham a palavra "calor" no título. Um desses recursos, particularmente, trata-s-se de uma animação em forma de vídeo, que ilustra a variação de temperatura durante o aquecimento de um cubo de gelo. Neste item, no entanto, não cabe a crítica feita ao item anterior, pois a animação está disponível em um espaço que se propõe a oferecer recursos educacionais, não aulas.
O link Cursos e Materiais traz duas seções: a seção de cursos traz links para os diversos cursos oferecidos pelo sistema público de educação, como o PróLetramento, o Próinfantil, o site Mídia na Educação do MEC, enfim. A seção Materiais traz para o professor vários artigos sobre assuntos interessantes, de apoio curricular, legislações na íntegra, alguns vídeos, entre outros. Dentro do espaço "Materiais" especificamente, pudemos encontrar um link para vários artigos relacionados à Física, entre eles um que estuda a aerodinâmica da bola de futebol, no quaseegol de Pelé na copa de 70. O artigo em questão foi publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, e pode ser uma boa fonte de pesquisa para o professor que pretende inserir este conteúdo em suas aulas, uma vez que sendo artigo, aborda o tema de maneira um pouco mais aprofundada.
## A convergência:
Percebemos que, apesar de não ser completamente um Ambiente Virtual de Aprendizagem, pois apenas apresenta o conteúdo, o portal em questão se aproxima em alguns quesitos do que seria um AVA, esses quesitos serão analisados sob a luz de TESTA (apud PEREIRA 2007: 48), que nos apresenta alguns fatores que devem ser considerados em um ambiente de aprendizagem qualquer, não necessariamente virtual. Segundo o autor, o ambiente de aprendizagem é caracterizado por seis fatores. São eles: tempo, local, espaço, tecnologia, interação e controle. Essas características são descritas no Quadro 01 a seguir.
Quadro 01: C Características de um Ambiente de Aprendizagem
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Este quadro representa como já dito, os fatores que devem ser considerados para um ambiente de aprendizagem qualquer, não necessariamente virtual. Em nosso entendimento, um ambiente virtual de aprendizagem deve contar, além dessas características, com uma boa navegação pelo ambiente que se hospeda. Neste sentido, devemos considerar a compreensão do que seria um bom portal colaborativo. Para isso nos valemos da análise de DORFMANN (apud NUNES, 2006) que sugere características desejáveis a uma boa navegação virtual:
- · Conveniência: trata -se da facilidade para se obter o que se deseja;
- · Confiabilidade: diz respeito à confiança do usuário em relação ao portal;
- · Acessibilidade: é a facilidade com que o usuário acessa o portal;
- · Atualização: periodicidade com que os conteúdos são atualizados;
- · Variedade de serviços: se o portal oferece exatamente o que o usuário necessita;
- · Personalização: se o portal utiliza a linguagem do usuário;
- · Interatividade: possibilidade e que o portal oferece de interação entre usuários;
- · Navegação: facilidade do usuário acessar as diversas páginas do portal;
- · Conteúdo: profundidade do assunto desenvolvido pelo portal;
- · Design: impressão gráfica causada ao usuário.
Relacionando estas considerações elencadas por Testa e Dorfmann, consideramos que a convergência dos Portais com os AVAs deveria propiciar os seguintes fatores:
## 1. Espaço (E)
Espaço para acontecimento da aprendizagem. Isso pode ser conseguido virtualmente em um portal de boa navegabilidade e design intuitivo 12 .
## 2. Estrutura (S)
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26 a 30 de Janeiro de 2009
Estrutura sólida e confiável, para que não se corra o risco de perder quaisquer informações depositadas pelos usuários. Para isso seria necessário o uso da tecnologia e desenvolvimento de sistemas de informação.
## 3. Interatividade (I)
Boas possibilidades de interação, por meio da qual o usuário terá a chance de colocar seu próprio conteúdo, e trocar experiência com outros usuários. A liberdade de participação, intervenção e criação - não só por parte de quem elaborou e e estruturou o conteúdo a ser apresentado, mas por quem está interagindo com ele também - - pode ser caracterizado como um elemento fundamental neste enfoque.
Acrescentamos ainda outro fator que julgamos cabível a um portal educacional colaborativo, que é:
## 4. Intencionalidade (N)
Educação intencional, de forma que ao atingir um determinado público procura acrescentar novos conhecimentos a seus conteúdos.
Identificamos no Portal do Professor claramente os fatores espaço, estrutura e intencionalidade. Também há o fator interatividade, todavia é neste importante fator que percebemos algumas limitações no aproveitamento das possibilidades oferecidas pela Web moderna
- O fator interatividade é uma das mais importantes características de que precisa se valer um portal na Web moderna. Até mesmo, como destacado por Silva, é algo a ser considerado independentemente da Web
"Um produto, uma comunicação, um equipamento, uma obra de arte são de fato interativos quando estão imbuídos de uma concepção que contemple complexidade, multiplicidade, não-linearidade, potencialidade, permutabilidade (combinatória), imprevisibilidade etc., permitindo ao usuárioointerlocutor -fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação." (Silva apud Santaella, 2004: 154)
No caso do Portal l do Professor, há falta de conexões entre conteúdos, e assim, dificuldade de usar e combinar os recursos em forma de aulas estruturadas. Não há como o professor que estiver acessando uma aula de atrito a partir daí acessar uma aula sobre calor. Se deseja fafazer este trajeto, deve voltar ao menu de seleção e escolher o novo tema desejado. A nosso ver essa estrutura dificulta possibilidades de trabalhos interdisciplinares (e até intradisciplinares mesmo)
Identificamos ainda, outros dois tipos de problema com a maneira que o portal se aproxima da Web moderna e como incorpora as novas tecnologias.
- O primeiro tipo decorre da falta de reconhecimento que a informação no portal não é necessariamente o seu destino final. Na Web moderna existem (e portais modernos podem oferecer) ferramentas para que o usuário controle bem os fluxos de informação. Portais modernos podem ceder controle ao usuário. Veja alguns problemas encontrados neste sentido:
- 1. A aderência a padrões de tecnologia Web internacionais é importante para que o site funcione em todos os tipos de navegadores e em todas as plataformas. Sem a aderência surge outro problema: a a relativa invisibilidade do conteúdo para os indexadores de máquinas de busca (somente 1000
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páginas nos índices do Google 14 13 por exemplo). De e fato, uma nota no site do MEC 14 revela que somente 8% dos visitantes do site chegam via máquinas de busca. Mas hoje , busca é a principal maneira que o conteúdo na Web é descoberto e um site de disseminação de conteúdo deveria fazer tudo para que o seu conteúdo ficar r indexado corretamente.
- 2. Não é possível assinar as atualizações do site via RSS ou configurar notificações de qualquer tipo caso o usuário se interesse por uma determinada área. A falta de tecnologia de sindicação1 o15 5 impede o uso do conteúdo em outros sites e obriga o usuário sempre voltar, manualmente, ao site para verificar novidades.
- 3. Em vários lugares, em vez de apontar para um recurso de outro site (o mecanismo fundamental da Web hoje), o site subverte a interface normal e abre o site remoto em uma espécie de janela interna, obrigando o usuário a interagir com o site remoto dentro do contexto do portal. Esta interface é surpreendente para o usuário e dificulta a navegação pela Web.
- O segundo tipo de problema é como o portal incorpora elementos sociais e como recebe contribuições dos usuários. Como todo site que conta com a produção colaborativa de conteúdo espera-s-se que em breve uma grande quantidade de recursos esteja disponível, inevitavelmente de qualidade e interesse variados. Como mencionado o anteriormente, neste tipo de sistema é imprescindível incorporar mecanismos de filtragem e julgamento público.
- A associação pelos usuários de classificações e comentários às recursos disponibilizados é uma maneira de organizar e avaliar o material disponibilizado. Feito corretamente, levando em conta a identidade e reputação dos comentaristas este recurso pode funcionar como filtro colaborativo, colocando em evidência material de boa qualidade e apontando erros e enganos. Neste portal porém, mesmo usuários anônimos podem comentar e classificar, o que abre margem para spam e fraude.
- O portal permite a criação de perfis de usuários, mas não fornece a possibilidade de fazer conexões entre eles, tornando difícil a formação de grupos colaborativos e o uso de redes sociais para fins de filtros colaborativos. Não parece ser possível acompanhar as escolhas, os tags 16 ou as recomendações de outros usuários, a navegação e busca do material disponibilizado no site se tornaria muito mais útil se houvesse a possibilidade de ver as recomendações de uma rede de contatos.
## Considerações Finais:
As novas tecnologias da Web apontam possibilidades interessantes para a construção de ambientes educacionais abertos, com grande alcance social pela
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oportunidade de se criar portais colaborativos de aprendizagem acessíveis a aprendizes a uma distância qualquer, bastando para isso que o local receba o sinal da Internet seja via rádio, cabo ou mesmo linha telefônica. Além da estrutura física para a distribuição de acesso ter crescido bastatante nos últimos anos, as possibilidades de software evoluíram no sentido de tornar a Web cada vez ainda mais interativa.
A análise de um portal educacional lançado recentemente mostrou que as possibilidades que estas novas tecnologias proporcionam são ainda parcialmente aproveitadas. Este portal tem uma boa proposta, mas consideramos que ainda algumas melhorias poderiam colocá-á-lo em sintonia com a Web moderna. O ponto decisivamente forte deste portal é, sem dúvida, que se trata de um portal do governo com a acesso livre e de grande visibilidade.
- A forma como os conteúdos de Física são apresentados no portal nos remete a um padrão de aulas expositivas, apesar da possibilidade de interação apresentada pelos meios tecnológicos o modelo de aula apresentada parece não fugir muito da mera exposição.
- É possível que a tecnologia da Web moderna mude cada vez mais as estruturas e funcionamento dos repositórios de material didático, e que os próprios usuários façam a seleção dos portais da mesma forma que fazem a seleção do conteúdo na Web moderna.
## Referências:
BENKLER, Yochai . The Wealth of Networks, New Haven: Yale University Press, 2006 .
MASON, Robin e Rennie, Frank . E -Learning and Social Networking Handbook: Resources for Higher Education, New York: Routledge, 2008.
BASTOS, L. E. M. Avaliação do e-learning corporativo no Brasil. 2003. Dissertação (Mestrado Profissional em administração) - - - Curso de Pós -Graduação Profissional em Administração, Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia. Disponível em
< http://www.adm.ufba.br/pub/publicacao/5/MPA/2003/409/luis\_eduardo2.pdf> Acesso em 24 set 2008.
MOORE, Michael e KEARSKLEY, Greg (tradução Roberto Galman). Educação a distância: uma visão integradora. São Paulo: Thomson Learning, 2008
NUNES, Sergio da Costa. Análise pedagógica de portais educacionais conforme a teoria da aprendizagem significativa. Disponível em < http://www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2006/artigosrenote/a13\_21149.pdf f > Acesso em 05 out 2008.
PEREIRA, Alice T. C. Ambientes virtuais de aprendizagem - - - em diferentes contextos. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda, 2007
SANTAELLA, A, Lúcia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.