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FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA E A PRÁTICA DOCENTE

Michel Corci Batista1, Polônia Altoé Fusinato2, Ricardo Brugnolle Blini3, Ricardo Franscisco Pereira4

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
30/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA E A PRÁTICA DOCENTE

## Michel Corci Batista 1 , * Polônia Altoé Fusinato 2 , Ricardo Brugnolle Blini 4 3 , Ricardo Franscisco Pereira4 a4

- 1 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, profcorci@hotmail.com
- 3 Universidade Estadual de Maringá/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, ricardobblini@hotmail.com
- 2 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, poly@dfi.uem.br
- 4 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática,ricardoastronomo@gmail.com

## Resumo

Investir na melhoria da educação significa, dentre outros parâmetros, inserir o conhecimento como a mola propulsora de nossa sociedade, posicionar a escola como a entidade de maior destaque nacional, valorizar o professor, aprimorar as condições gerais de ensino, aprender a aprender e oferecer novas perspectivas para que os alunos possam se dedicar à árdua tarefa de aprender para a vida. A nova LDB 9394/1996, passa a exigir maior atenção para a formação continuada de professores, na medida em que novas competências lhes são atribuídas, frente às demandas populacionais, técnicas, sociais e culturais, típicas de nossa época. Entendemos pois, que a formação continuada deve atrelarrse e manter uma estreita articulação com a prática profissional dos professores, tendo a escola como referência.O presente trabalho mostra resultados de projeto desenvolvido por docentes e discentes de diferentes níveis de ensino, visando socializar conhecimentos que possibilitassem o aprimoramento da prática docente no ensino de Física no Ensino Médio.Em encontros periódicos, procedeu-se a debates, reflexões, planejamentos, avaliações e reestruturações quando necessário, formando-se um grupo disposto a trabalhar e contribuir para a melhoria do Ensino de Física, contextualizado a proposta das Diretrizes Curriculares de Física do Estado do Paraná. Buscou-s-se traçar r estratégias, que proporcionasse a apropriação de concepções de ensino e aprendizagem, aplicáveis ao cotidiano da sala de aula e que pudesse contribuir para um desempmpenho docente mais dinâmico. Os depoimentos de professores sobre os resultados das atividades aplicadas em sala de aula, indica que do trabalho realizado até o momento, o maior desafio, foi a tomada de consciência dos participantes do grupo, da necessidade de se aprofundar as reflexões sobre as próprias práticas pedagógicas e de se incorporar de forma permanente as mesmas ao fazer docente num processo de atualização curricular e de reelaboração da prática pedagógica ..

Palavras - chave: Educação. Formação continuada. Ensino de Física .

## Introdução

Durante as últimas décadas do século XX, vivenciamos grandes mudanças interligadas, principalmente, com a evolução trazida pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia em todas as áreas do conhecimento humano. ViVivemos um tempo de expectativas, de perplexidade e de crise de concepções e paradigmas, não porque participamos do início de um novo milênio, mas porque estamos num momento novo e rico em possibilidades.

Independente dos acordos entre as nações, a ciência ultrapassou as fronteiras surpreendendo a sociedade com novas terminologias, avanços científicos e tecnológicos nunca antes imaginados. Os meios de comunicação utilizados pela mídia divulgam quotidianamente os resultados da grande revolução científica.

A educação sempre foi objeto de discussão em povos que deram um passo além do como o e do quê fazer para manter as gerações jovens na trilha dos usos e costumes e, mais do que isso, dos valores que consideravam importantes para sua sustentação (BICUDO,2003,p.7). A conscientização sobre o papel que desempenha a educação no desenvolvimento de um povo, bem como à percepção cada vez maior de que, na articulação e consolidação de uma comunidade, a educação ocupa um papel relevante. Nesse contexto a formação do cididadão é fundamental para o cultivo da racionalidade e para a busca do sentido e gênese de nossas práticas e idéias, permitindo a cada um desenvolver seu modo próprio de pensar e agir. Sua prática inclui a atividade docente e requer a atuação de pessoas bem formadas, sobretudo em nosso atual modelo de organização social. Para Bicudo(2003) "...educação e formação manifesta-s-se no caráter integral do homem, tanto na sua conduta e comportamento exterior, como em sua atitude exterior". Investir na melhoria da educação significa, dentre outros parâmetros, inserir o conhecimento como a mola propulsora de nossa sociedade, posicionar a escola como a entidade de maior destaque nacional, valorizar o professor, aprimorar as condições gerais de ensino, aprender a aprender r e oferecer novas facilidades para que os alunos possam se dedicar à árdua tarefa de aprender para a vida, conquistando a igualdade de oportunidades e o acesso competitivo ao mercado de trabalho do Século XXI.

A formação de professores de uma forma geral, pode assimilar os modos e os É meios da instrução e tudo que assimila, nela brota e preserva-se. É, portanto, um conceito histórico, por preservar a tradição, tão importante para as ciências do espírito. É, também, um conceito que engloba, a mudança, pois carrega consigo a força imperante que avança do devir para o ser (BICUDO, 2003, p.29). É consenso entre educadores que o tipo de formação a que os professores são submetidos hoje, não contribui de forma satisfatória para que os alunos se desenvolvam como pessoas, tenham sucesso nas aprendizagens escolares e, principalmente, participem como cidadãos de pleno direito num mundo cada vez mais exigente sob todos os aspectos. Observa-se, portanto, um crescente interesse em estudar a questão da formação dos professores do Ensino Fundamental e Médio do Brasil, promovendo-se discussões sobre as concepções de educação, a função da escola, a relação entre conhecimento escolar e a vida cultural e, portanto, o trabalho profissional do professor (GIANOTTO, 2008, p.29). Sob o ponto de vista de Arroyo (2000), a melhoria da qualidade de ensino passa, necessariamente, pela revisão dos padrões de formação dos professores, contudo não se deve esquecer que este é apenas um dos aspectos de um problema multifacetado.

Há necessidade tatambém de se repensar conteúdos básicos das diversas disciplinas, seu encaminhamento metodológico e formas de avaliação. Assim, poder-r-s-se-á levar os profissionais da educação a constantes reflexões sobre o papel da escola, bem como seu papel dentro dela, preocupação com o aluno que se quer formar, redescobrir a cada dia a realidade, considerando que a produção e as relações sociais exigem do aluno a capacidade de observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade, visando a sua modificação. A escola pública e democrática

tem a obrigação de assegurar o acesso e a permanência do aluno na escola. Para isso é indispensável viabilizar propostas pedagógicas que garantam a todos o desenvolvimento da capacidade de aprender conteúdos significativos essenciais à vida em sociedade.

A partir do momento que um professor tenha a preocupação de influenciar seu aluno em pensar e não somente consumir uma quantidade de fatos e idéias de um determinado campo, e ter nos erros a possibilidade de uma reconstrução, percebese que a pesquisa ( não no seu aspecto profissional), como um instrumento físico e simbólico, pode viabilizar uma conduta onde o estudante perceba que a sua verdadeira formação se encontrará na medida em que o mesmo busque uma formação profissional continuada.

## Reflexões Sobre a Prática Docente de Física

A primeira etapa de uma qualificação científica é a iniciação à observação, onde o professor estará apto a interrogar a realidade e construir hipóteses explicativas das situações enfrentadas. Estas observações poderão fornecer elementos para que o professor saiba problematizar e possa fazer as intervenções necessárias no real de modo fundamentado. Na visão de Bicudo (2003), a realidade escolar faz sentido para os sujeitos (professor e aluno) no própririo cotidiano que vivenciam. O sentido se dá na vivência das atividades realizadas nesse mundo escolar em que trabalha-se, ensina-s-se, instrui-se, comunicam -s-se conhecimentos, produzem-se conhecimentos, aprende-s-se, avalia-s-se, deseja-s-se, repudia-se. Em que a realidade dos objetos culturais permeia os conteúdos programáticos. Em que os valores e aqueles conteúdos são veiculados pela linguajem. Em que as pessoas presentificam-se na materialidade encarnada de seus corpos, expondo-se, interferindo, comunicando sua ua compreensão do mundo, do outro e de si. A atitude fenomenológica, caracteriza-s-se pela atentividade à experiência vivida, pelo esforço consciente de compreensão e interpretação dessa experiência, visando a lucidez sobre seu sentido e significado para si e para o outro; em níveis subjetivo, intersubjetivo e objetivo. É nesse movimento que se dá a investigação do professor, que sempre ocorre com os alunos.

O ensino de Ciências, e em particular o de Física, tem apresentado em nossos dias, constantes desafios no que diz respeito a torná-lo mais eficaz. Nesse sentido Campos e Cachapuz (1997), falam sobre as concepções de ciência por parte de estudantes do ensino Médio, da seguinte forma:

A ciência é apresentada aos estudantes, geralmente, por meio da mídia, da tradição popular (crenças) e da escola. Assim, as concepções sobre ciência e seu papel na sociedade, que os alunos constroem podem estar vinculadas às informações recebidas por esses meios. Considerando a escola, a concepção de ciência veiculada através do professor e de materiais instrucionais, está baseada em um enfoque empirista do método científico, em que a experimentação, a observação e a análise de dados fornecem resultados seguros (Campos e Cachapuz, 1997).

Da mesma forma, a concepção de ciência fragmentada em disciplinas ou em conteúdo específicos, revela uma visão de ciência descontextualizada e separada da sociedade e da vida cotidiana.

Os professores devem repensar o processo de ensino e de aprendizagem para possibilitar a construção de uma concepção de ciência mais significativa. Para isso, é necessário considerar que esse ensino, deve ser apresentado de forma menos fragmentada e mais sistêmica, pautando uma aprendizagem científica por valores éticos e humanitários, permitindo assim, ir além da s imples aprendizagem de fatos, leis e teorias científicas.

É preciso levar em conta que uma aprendizagem significativa não se relaciona somente aos aspectos cognitivos dos sujeitos envolvidos no processo, mas também a aspectos afetivos, pessoais e sociais. A compreensão da Ciência como tal, exige a união de esforços na luta a favor de ideais que visem à formação do cidadão brasileiro para a vida, como objetivo máximo sempre presente, em qualquer que seja o campo de conhecimento.

Nossa experiência docente sugere que uma das formas de inovar o ensinoaprendizagem é resgatar no campo educacional a emoção, a criatividade, a imaginação, sem esquecer a racionalidade, mas fazendo com que ambas coloquemse igualmente, numa relação dialética.

Ao discutirem a ruptura das visões simplistas sobre o ensino de Ciências GilPérez & Carvalho (1998, p. 14-18), observam a dificuldade dos professores em responder à pergunta "o que nós, professores de Ciências, deveríamos conhecer ? em sentido mais amplo de 'saber' e 'saber fazer' ? para podermos desempenhar nossa tarefa e abordar de forma satisfatória os problemas que esta nos propõe". Os autores apontam que essa dificuldade tem origem na pouca familiaridade dos professores com as contribuições da pesquisa e da inovação didática e com a expressão de uma imagem espontânea do ensino, concebido como algo essencialmente simples, para o qual basta um bom conhecimento da matéria a ser ensinada.

Os autores alertam também para o fato de que a transformação dessas concepções e práticas docentes espontâneas não vai acontecer como uma rejeição voluntariosa. Os professores necessitam de um conhecimento claro e preciso de suas deficiências, como da elaboração de um modelo alternativo igualmente coerente e de maior eficácia geral. A técnica, a criatividade e o comprometimento com a educação enquanto prática social, são alvos perseguidos. Se "saber fazer" no ensino é necessário, mais imprescindível se faz saber "porque", "para que" e a "quem" ensinar. Isto requer aprendizado lento e contínuo, , a médio e a longo prazo com vistas a um aprofundamento crescente do significado da prática e dos modos alternativos de fazê -la.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB no. 9.394, de 1996, passa a exigir maior atenção para esta árárea específica, notadamente no que se refere à formação continuada ou em serviço, na medida em que novas competências são atribuídas ao professor frente às demandas populacionais, técnicas, sociais e culturais, típicas de nossa época. Entendemos pois, que a formação continuada deve atrelar-r-s-se e manter uma estreita articulação com a prática profissional dos professores, tendo a escola como referência. Para tanto, os programas de formação deveriam estruturar-r-se em torno dos problemas e considerar projetos de e ação; tais condições favoreceriam sua credibilidade (Perrenoud, 1993). Desta forma, tendo em vista, de um lado, as novas competências esperadas da prática docente e, de outro lado, as dificuldades relatadas em situações diversas (eventos, conversas informais, salas de aula), norteamos este

trabalho para a busca de entendimentos das diversas concepções de educação e de ensino presentes no universo de professores. O presente trabalho teve por objetivos socializar conhecimentos que possibilitassem o aprimoramento da prática docente no ensino de Física no Ensino Médio e propor procedimentos de ensino de fácil aplicação, que atendessem às diferentes individualidades dos alunos e professores envolvidos no processo.

Projeto: FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES S DE FÍSICA -Ações reflexivas aplicadas em sala de aula

## Histórico:

No início do ano letivo de 2006, fomos procurados por professores da equipe de Ensino do Núcleo Regional de Educação de Maringá, com o objetivo de desenvolver ações junto a docentes de Físísica da UEM e do Ensino Médio.

Como professora de Prática de Ensino de Física por muitos anos e conhecendo as dificuldades vivenciadas em sala de aula pelos docentes do Ensino Médio, principalmente no que se refere à rejeição do estudante pelo aprendizado da Física, propusemos um projeto que abordasse os conteúdos curriculares das respectivas séries do Ensino Médio, seguindo a proposta sugerida pela Diretriz Curricular de Física do Estado do Paraná. Contextualizou -se cada tópico curricular proposto de acordo com o número de aulas previstas no calendário anual, propondo a metodologia e recursos, tendo presente a necessidade de promover maior interação entre professor e aluno, no sentido de despertar-r-lhes o gosto e o interesse pelo estudo da Física.

Inicialmente contamos com a participação de 23 professores da escola pública do Ensino Médio, professores do Ensino Superior e mestrandos de Ensino de Ciências e Educação Matemática. Nos primeiros encontros, houve muita traca de experiências, análise de situações do dia a dia de sala de aula, do ensino de Física em nossa Região, das possibilidades e dificuldades presentes na escola pública, dos recursos disponíveis e das necessidades mais urgentes.

Diagnosticada a real situação do Ensino de Física em nossa Região, buscouse traçar estratégias, que proporcionasse a apropriação de concepções de ensino e aprendizagem, aplicáveis ao cotidiano da sala de aula e que pudesse contribuir para um desempenho docente mais dinâmico. Dos debates, avaliações e reflexões, surgiu um grupo de professores dos diferentes níveis de ensino, dispostos a trabalhar as Diretrizes Curriculares propostas pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná para a disciplina Física, de forma participativa.

Programou-s-se as estratégias a serem aplicadas pelos participantes em sala de aula e através de encontros periódicos do grupo, foi possível debater, planejar, avaliar resultados e reestruturar as ações planejadas quando necessário. Algumas ações desenvolvidas pelo grupo, podem ser assim exemplificadas como segue:

- · discriminação dos conteúdos da Primeira Série do Ensino Médio de Física, orientando -s -se pela Diretriz Curricular de Física do Estado do Paraná;
- · elaboração do plano de ação do professor por bimestre, estabelecendo metodologias de aplicação;
- · pesquisa, planejamento e elaboração de material didático para aplicação em sala de aula, de acordo com o plano de trabalho docente;
- · aulas ministradas no Museu Dinâmico Interdisciplinar sobre experimentos de Física, daquele acervo;
- · apresentação, discussão e debate dos resultados planejados para a Primeira Série.

Como o enfoque dos encontros centravam-se nos conteúdos e metodologias abordados na Primeira Série, foram mencionadas durante esses debates, as dificuldades que os professores estavam encontrando ao ministrarem o conteúdo da Segunda Série do Ensino Médio. Decidiu-se então proceder da mesma forma que na primeira série, elaborando o planejamento para a aplicação em sala de aula em 2008, conforme segue:

- · descriminação dos conteúdos da Segunda Série do Ensino Médio de Física, seguindo as orientações da Diretriz Curricular de Física do Estado do Paraná;
- · elaboração do plano de trabalho docente por bimestre, estabelecendo metodologias de aplicação tendo em vista as já aplicadas e debatidas na Primeira Série do Ensino Médio;
- · participação de alunos do Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino da Matemática com apresentação de novas propostas metodológicas desenvolvidas por meio de cursos e oficinas;
- · interação com o Núcleo Regional de Ensino de Loanda, através da participação da coordenadora da disciplina de Física do mesmo, daquela região;
- · elaboração de plano de ação das atividades a serem aplicadas em sala de aula.

## Objetivos Gerais:

Promover a interação entre a Universidade e o Núcleo Regional de Educucação de Maringá por meio de atividades de formação continuada para professores de Física em exercício.

## Objetivos Específicos:

- · promover atividades de educação continuada com enfoque na primeira série do Ensino Médio;
- · oferecer aos professores de Física, a o oportunidade de trabalhar em grupo de forma a avaliar, refletir, planejar e reformular estratégias e metodologias sobre conceitos de Física, aplicáveis em sala de aula;
- · oferecer ao professores de Física do Ensino Médio, a oportunidade de planejar, refletir, discutir e avaliar estratégias e metodologias elaboradas pelo grupo, para a sala de aula;
- · oportunizar aos bolsistas do Museu Dinâmico Interdisciplinar -MUDI /UEM, participantes de projetos de Física, uma inter-relação com professores de Física atuantes n na rede pública;
- · produzir e divulgar materiais instrucionais (experimentos, textos, vídeos, etc. ...) aplicados ao ensino de Física.

## Metodologia

Após o levantamento diagnóstico da realidade escolar de cada participante, estabeleceu -se um planejamento das atividades propostas para o ano letivo, como segue:

- · realização de encontros periódicos para avaliações das ações docentes planejadas e aplicadas em sala de aula, na respectiva série;
- · discussão e reorganização de propostas e metodologias aplicáveis em sala de aula;
- · discussões de metodologias, experimentos, tecnologias e recursos midiáticos para o ensino de Física;
- · elaboração e teste do material instrucional direcionado à aplicação em sala de aula pelos professores participantes;
- · cursos, palestras e oficininas sobre temas curriculares programados para as séries do Ensino Médio, com a participação de professores do ensino Superior e Médio, mestrandos e bolsistas do Museu Dinâmico Interdisciplinar - MUDI;
- · avaliação do material instrucional e reestruturação, quando necessário.

## Avaliação:

Procedeu -s -se a um sistema contínuo de avaliação durante no decorrer do curso, na participação dos planejamentos, debates, palestras, oficinas, análise e avaliação do material instrucional e ainda durante a apresentação dos resultados obtidos na aplicação em sala de aula, do planejamento realizado pelo grupo.

## ]Resultados

Este grupo reunia-se periodicamente na UEM, em dias programados para "hora atividade de Física" (correspondente a 4 horas/semana para cada padrão de 20 horas aula). Um professor com carga horária de 40 horas por semana, tem disponibilidade de 8 horas atividade por semana. Os debates foram acontecendo ao longo do período letivo, durante os anos de 2006 e 2007. Inicialmente houve muitas dificuldades na interação entre os participantes do grupo, tendo-se presente o fato de que era composto de professores de escolas de diferentes níveis, filosofias, propostas pedagógicas e potencial. A medida que os encontros foram acontecendo, as barreiras foram sendo vencidas, estabelecendo-se a confiança entre o grupo, vencendo -se as limitações da prática profissional de cada participante. A partir daí as idéias e propostas foram se articulando surgindo o planejamento de ações de uma forma contextualizada, visando atender a primeira, segunda e terceira séries do Ensino Médio.

Nos encontros, os professores descreviam os resultados obtidos na aplicação em sala de aula do planejamento e seus depoimentos mostraram que conseguiram ultrapassar a abordagem de conteúdo ministrados em anos anteriores. A metodologia utilizada em sala de aula, despertou interesse dos alunos que participaram ativamente do processo, mostrando disposição para o aprendizado da Física e na construção de seu próprio conhecimento. Outro fato importante foi o depoimento de alguns professores reconhecendo suas deficiências como docentes de Física e propondo aprofundar seu estudo e qualificação para poder ministrar as aulas com maior conhecimento e segurança.

A convivência entre os participantes do grupo, despertou uma interação bastante forte, motivando a confiança mútua, troca de experiências e a coragem de expor suas deficiências e buscar maior conhecimento. Apresentamos alguns depoimentos de professores do grupo sobre sua experiência na aplicação da proposta, como forma de mostrar resultados.

## Professor A:

"Antes da implantação do projeto, o que se via entre a classe dos professores de Física, era uma situação de trabalho em caráter individualista, não havendo trocas de informações e experiências vivenciadas em em sala de aula. Poucas vezes encontrávamos colegas nos encontros promovidos pela Secretaria da Educação, sendo assim muito difícil realizar permutas de experiências.

Com a orientação dos professores da universidade e a troca de experiências com todos os colegas que participam do grupo, sinto que os investimentos, estão gerando um crescimento na elaboração e aplicação de minhas atividades educacionais. Cito por exemplo, o que está acontecendo em minhas turmas do primeiro ano do Ensino Médio. Embora leciono FíFísica há um bom tempo, nunca havia dado uma "roupagem nova" às explicações do conteúdo de Mecânica. Este ano efetuei um fato inédito de ter alcançado no segundo bimestre as Leis de Newton com tempo de poder realizar uma retomada do conteúdo logo no início do terceiro bimestre. Hoje, com o compartilhamento das dificuldades com nossos pares e com as orientações recebidas de nossa coordenadora, tenho a certeza de que estou realizando grandes transformações em meu trabalho educativo".

## Professor B:

## Professor C:

"E "Em primeiro lugar gostaria de agradecer por fazer parte de um grupo de estudos, onde falamos e somos ouvidos, onde temos pessoas que se preocupam na formação dos alunos da rede estadual de ensino e também com a capacitação dos professores. Com alegria posso afirmar quque aqui consegui aprender muito. Assumi o padrão de Física, há pouco tempo e estava muito preocupada pois minha formação é Matemática, e Física..., não tinha muita noção conceitual, só sabia resolver as equações.

Hoje, trabalho com Física na educação de jovens e Adultos - esta é a última disciplina que os alunos escolhem, pois eles tem medo da física..., pois alguns tem mais de 50 anos e não vão para a escola há mais de 30 anos.Tento passar o conteúdo de uma forma agradável, mesmo não realizando todos os experimentos.No início do curso, em 2006, eu me sentia desorientada, pois estava em um grupo de professores formados em Física, ficava muito nervosa e muito preocupada. Por várias vezes pensei em desistir do curso, pelas dificuldades de locomoção, horário de de ônibus, dias chuvosos. Porém, a curiosidade tomou conta do meu nervosismo, não desisti e procuro não faltar. Quando ouço o depoimento de meus colegas, fico imaginando como seria meu trabalho no ensino regular pois assumi as aulas no EJA por falta de opçãoão, mesmo assim gosto muito do que faço. Se no próximo ano tiver oportunidade de trabalhar com alunos do ensino regular, tenho certeza que meu depoimento será diferente, pois agora já sei qual o conteúdo que deve ser trabalhado, como trabalhar, como fazer para que os alunos passem a se interessar por Física. Pretendo fazer parte deste grupo no próximo ano, pois ainda tenho muito que aprender".

"Eu acredito que participar deste grupo de estudo me trouxe muitos benefícios, tais como: sugestão de bibliografia, elaboração de uma proposta de trabalho em grupo (fazer isso sozinha seria terrível), troca de experiências e principalmente me ajudou a ver que eu sabia muito pouco de Física e que precisava estudar. Apesar de não ter conseguido realizar muitotos experimentos, (praticamente realizei os experimentos com os carrinhos e a bolinha de borracha) consegui avançar em conteúdos que nunca tinha trabalhado. Eu senti necessidade de estudar conteúdos para poder preparar minhas aulas e com isso não pude prepararar os experimentos então procurei dar exemplos mais concretos encontrados em livros e também usar materiais que já se encontravam na sala de aula.Quanto aos alunos, acredito que fiz mais por eles que em outros anos e eles participaram mais das aulas do que em outros anos."

## CONCLUSÃO:

Do trabalho realizado até o momento, entendemos que o maior desafio, foi a tomada de consciência por todos os participantes do grupo, da necessidade de se aprofundar a qualidade das reflexões sobre as próprias práticas pedagógicas e da necessidade de se incorporar, de forma permanente, estas reflexões ao fazer docente. Buscando, então, melhorar estas práticas, através do trabalho conjunto e do apoio de pares em grupos coletivos, e conquistando seus espaços próprios enquanto profissionais educadores. A educação deve ser um fator de inclusão do indivíduo à sociedade, acompanhando-o ao longo da vida e dando-lhe condições de atualizar e aprofundar os conhecimentos que possui, adaptando-se ao mundo e as transformações que ocorrem à sua volta. Sabe-se que, uma educação comprometida com a transformação da sociedade, com o aluno enquanto cidadão,

deve estar atenta ao seu tempo e seu espaço e entre outros desafios, precisa incorporar ao processo de ensino-aprendizagem, o mundo que está fora dos muros escolares.

Em síntese, pode-s-se afirmar que temos conseguido manter, através de ações de caráter críticooreflexivo, e ainda que em graus diferenciados com cada participante, um processo permanente de atualização curricular e de reelaboração da prática pedagógica. a. Para o próximo período, temos algumas metas a serem atingidas, o que remete para o redirecionamento o desdobramento e/ou a ampliação de nossas ações.

## REFERÊNCIAS

ARROYO, M. Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens. Petrópolis,Editora Vozes, 2000.

BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. (org) Formação de Professores? Da incerteza à compreensão. Bauru, SP: UDUSC, 2003.

CAMPOS,C.; CACHAPUZ, A.(1997). Imagens de Ciência em Manuais de Química Portuguesas. . Química Nova na Escola, 6, 1997. p.23-29.

CARVALHO, A. M. P.; GIL-PEREZ. Formação de professores de ciências . 3.ed. São Paulo: Cortez, 1998. (Coleção questões da nossa época, v.26).

GIANOTTO,Dulcinéia E. Pagani. (2008). F Formação Inicial de Professores de Biologia: análise de uma proposta de prática colaborativa com o uso do computador . Tese de Doutorados. Bauru/ S.P. Br. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática,UNESP.

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