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SISTEMA DE TUTORIA EM FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS SOBRE O TEMA ``A TERRA E O UNIVERSO" NO ESPÍRITO SANTO: DIFICULDADES DETECTADAS

Juliana C. R. Abboud, Sandro R. De Souza, Sérgio M. Bisch

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
30/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SISTEMA DE TUTORIA EM FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS SOBRE O TEMA "A T TERRA E O UNIVERSO" NO ESPÍRITO TO SANTO: DIFICULDADES DETECTADAS

Juliana C. R. Abboud 1 , Sandro R. de Souza 2 , Sérgio M. Bisch 3

1 Universidade de São Paulo/Universidade Federal do Espírito Santo, julianadosreis@gmail.com

- 2 Universidade Federal do Espírito Santo, Sandro.fisica@gmail.com

3 Universidade Federal do Espírito Santo, sergiobisch@gmail.com

## Resumo

Cursos de formação continuada em Ciências para professores do Ensino Fundamental, que incluem o tema "Terra e Universo", foram ministrados pelo Centro de Formação Continuada em Educação Matemática e Científica da Universidade Federal do Espírito Santo (CeFoCo/UFES), em 2006, 2007 e 2008, usando uma metodologia baseada na divisão dos participantes em professores-s-formadores, professores-tutores e professorescursistas. Os professores-formadores, membros do CeFoCo/UFES, de maneira presencial ou semipresencial, ministraram os cursos diretamente aos professores-tutores, representantes de redes municipais de ensino de diversos municípios do estado do Espírito Santo. Os professores-s-tutores, por sua vez, utilizando o material repassado pelos professores-f-formadores e o aprendizado que tiveram no curso com estes, prepararam e ministraram aulas aos professores-s-cursistas em seus respectivos municípios. Notamos que, ao se usar essa metodologia, frequentemente ocorreram modificações significativas na abordagem do conteúdo em cada etapa, professor-r-formador/professor-r-tutor e professor-rtutor/p/professor-r-cursista. O conteúdo trabalhado pelo professor-r-tutor com seus professorescursistas foi, muitas vezes, alterado, suprimido e/ou aumentado com relação ao abordado pelos professores-formadores, provocando, frequentemente, uma grande mudança com relalação aos objetivos iniciais, formulados pelos professores-s-formadores. Detectamos algumas dessas modificações em avaliações realizadas por meio de questionários, relatórios, entrevistas semi-i-estruturadas e contato com os professores. Discutimos, ao final, suas possíveis causas, como a falta de compreensão do tópico abordado, falta de recursos, tentativa de adaptação à "realidade local", ausência de cobrança por parte da instituição promotora do curso, e fazemos algumas sugestões visando o aperfeiçoamento dessa metodologia, como a elaboração de um sistema de avaliação e acompanhamento mais amplo e com maior interação entre formadores e tutores.

Palavras -c -chave: Formação Continuada, Tutores, Ensino de Astronomia

Introdução

## O CeFoCo /UFES

O Centro de Formação Continuada em Educação Matemática e Científica da Universidade Federal do Espírito Santo (CeFoCo/UFES, www.cefoco.ufes.br) é um

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http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/

26 a 30 de Janeiro de 2009

dos cinco Centros na área de Educação em Ciências e Matemática da Rede Nacional de Formaçação Continuada de Professores, criada pela Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC).

Destinados a professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino das áreas de Matemática e Ciências, os cursos do CeFoCo foram estruturados por meio da combinação das modalidades de ensino a distância e presencial, numa prática semipresencial.

- O CeFoCo é coordenado por professores da UFES que atuam nas áreas de Matemática e Ciências da Natureza e atende professores da educação básica das redes públicas de ensino do estado do Espírito Santo, formando tutores que atuam como Orientadores Acadêmicos no processo de formação continuada. Esses professores-tutores, após participarem de cursos de formação ministrados pelo CeFoCo, repassam esse conhecimento aos professores da rede pública de seu município e, eventualmente, de municípios vizinhos. Isto é feito por meio da constituição de grupos locais de professores aos quais este professor-r-t-tutor deve ministrar aulas sobre os conteúdos e atividades trabalhadas no curso que realizou pelo CeFoCo.
- O professor-formador é um especialista que forma o professor-r-tutor, trabalhando conteúdos e novas metodologias. O professor-t-tutor repassa o curso a uma turma de professores -cursistas que estão atuando em sala de aula. O professor-r-tutor é, via de regra, formado na área relativa ao curso em questão (Ciências), assim como os professores -c-cursistas. O professor-cursista é figura central nesse processo, pois é quem trava contato direto com os estudantetes.

## Os Cursos de Formação o Continuada em Ciências do CeFoCo/UFES

Em 2006 foi realizado um curso para professores de Escolas Agrícolas de municípios do sul do Estado do Espírito Santo de 120h com os módulos: Biologia, Física, Química, Astronomia e Matemática. Ministramos um curso, com carga horária de 32h, sendo 14h presenciais e 18h de atividades não presenciais, para um grupo de 12 professores-tutores e 50 professores-cursistas. Neste curso aplicamos um questionário antes do curso para sondarmos o conhecimento prévio do docente, e outro após o curso para avaliarmos o conteúdo e as atividades ministradas.

Em 2007/1, o curso de formação continuada em Ciências foi proposto para os professores da Rede Pública de Ensino em atividade na área de Educação Fundamental, segundo, terceiro e quarto ciclos, de todos os municípios do Espírito Santo, sendo que, do total de 78 municípios do estado, 21 aderiram (27% do total). A carga horária do curso foi de 120h, sendo 60h de aulas presenciais e semipresenciais e 60h de atividades não presenciais. Os módulos aplicados foram: Módulo II- A Terra e o Universo; Módulo II- Água, Dinâmica Populacional, Difusão de Gases e Reações Químicas; Módulo III- Manguezal, Orquidário, Lagoas Costeiras e Educação Inclusiva; Módulo IV- Resíduos e Meio Ambiente. Aplicamos o módulo "A Terra e o Universo" que ocupou 6h presenciais, 12h semipresenciais (videoconferências) e 15h não presenciais. A metodologia adotada dividia os participantes nas categorias de professores -t-tutores (24 professores) e profefessores cursistas (181 professores). A maioria dos professores -tutores (16), por sua vez, coordenava turmas de, no máximo, 20 professores -cursistas em seus respectivos municípios. Aplicamos questionários sobre os conteúdos e atividades ministrados para professores -tutores e professores-cursistas.

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Já em 2007/2, realizamos um curso de acompanhamento e aprofundamento para os professores que fizeram o curso 2007/1, entretanto apenas 10 municípios aderiram a este curso. Usamos a mesma metodologia do curso anterior incluindo os mesmos módulos com a seguinte distribuição de carga horária (total:120h): 15 encontros presenciais, com 4 horas de duração cada um, totalizando 60 horas, 5 encontros semipresenciais (videoconferências), também com 4 horas de duração cada uma, totalizando 20 horas, e mais 40 horas de atividades não-presenciais. O módulo "A Terra e o Universo" ocupou 12h presenciais, 4h semipresenciais (videoconferência) e 10h de atividades não presenciais. Foram 10 professores tutores e 84 professores-cursistatas. Aplicamos questionários sobre os conteúdos e atividades ministrados para professores -t-tutores.

Em 2008/1 realizamos o mesmo curso de 2007/1 adaptado para professores em atividade nas séries iniciais do Ensino Fundamental da rede pública do ensino do Espírito Santo, com carga horária de 120h. O módulo "A Terra e o Universo" ocupou 12h presenciais, 8h semipresenciais (videoconferências) e 4h atividades não presenciais. Foram 22 municípios que aderiram ao curso, neste caso 22 professores-tutores, sendo 459 p professores-cursistas.

Em todos os cursos as dúvidas eram esclarecidas por e-e-mail, telefone e algumas vezes por visitas da turma até o local do curso ou visita do professorformador ao município do tutor.

## Módulo "A Terra e o Universo"

Nossa estratégia, nos cursos de formação continuada em Ciências, oferecidos pelo (CeFoCo/UFES), tem sido iniciar a abordagem do eixo temático "Terra e Universo" por atividades práticas de observação do céu o olho nu, sendo uma das principais o reconhecimento de constelações. Com isso tem sido possível promover o interesse dos professores pelo tema, rompendo a barreira inicial de alguns sobre o assunto, e uma iniciação à Astronomia na qual a possibilidade de desenvolvimento de atividades interdisciplinares mostra-s-se mais evidente.

Conforme relatado nas pesquisas de Bisch (1998), Nardi (2004) e Leite (2002), existem conteúdos básicos em relação aos quais o docente enfrenta dificuldades de compreensão e carência de atividades práticas propostas pelos livros didáticos, como a ques tão da forma da Terra, inclinação de seu eixo de rotação, rotação da Lua, etc. (LEITE, 2006, 2002; BISCH, 1998). Quando o professor não possui formação e domínio suficiente sobre esses temas ele acaba usando o livro didático deste nível de ensino como a principal fonte de seu próprio conhecimento (BISCH, 1998). O que parece acontecer é que nem sempre o livro didático adotado pelo professor aborda esses assuntos ou apresenta atividades práticas a eles relacionadas. Muitas vezes este professor não tem formação ão específica. Tendo isto em vista, os nossos cursos além de terem atividades práticas, oficinas e experimentos, tentam minimizar esta deficiência com a inserção de mais conteúdo.

Dessa forma, buscando aproximar o eixo temático "Terra e Universo" da realidade dos professores, e, por conseguinte, dos estudantes, tornando mais fácil sua abordagem em sala de aula, desenvolvemos alguns produtos voltados para os cursos de formação continuada em Ciências para professores do Ensino Fundamental ministrados pelo CeFoCo/UFES. Dentre esses produtos, dois merecem destaque: a apostila "A Terra e o Universo: Observação do Céu" (REIS et al., 2006), que trata de uma introdução ao tema com várias atividades práticas, e a hipermídia

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"A Terra e o Universo" (REIS et al., 2005), que aborda conteúdos básicos por meio de módulos interativos.

## Acompanhamento e Avaliação do Curso

## Questionários

Usamos questionários para professores-tutores onde perguntamos sobre as atividades e metodologias específicas trabalhadas no módulo "A Terra e e o Universo", quais tinham sido aplicadas e quais as dificuldades encontradas. Em alguns cursos aplicamos este tipo de avaliação para professores-cursistas também. Aplicamos também questionários sobre conhecimentos prévios.

## Entrevistas

No último curso ministrado, em 2008/1, realizamos uma entrevista semiestruturada com um grupo de 4 professoras-tutoras, filmada antes e após o curso ser ministrado.

## Contato com cursistas

Ao longo dos diversos cursos tivemos oportunidades de contato com os cursistas. Conversamos sobre o curso que estes estavam tendo, sobre suas expectativas e impressões. Em algumas destas ocasiões o professor-r-t-tutor trazia sua turma de professores -cursistas até nosso local de curso; em outros casos, íamos até seus municípios.

## Relatórios

Os professores-tutores, ao fim de cada aula dada aos professores-cursistas, fizeram um relatório descritivo e de avaliação do ensino e aprendizagem juntamente com os cursistas. Neste relatório eles descreveram como foi o curso, quais atividades foram dadas, ququais foram as dificuldades encontradas, quais materiais foram utilizados, e também descreveram depoimentos dos professores -cursistas.

## Dificuldades detectadas

Em diversos momentos, durante os cursos, verificamos que os professores cursistas recebiam instruções, metodologias e mesmo conteúdos dos professores tutores bem diferentes dos ministrados pelos formadores.

Verificamos, por meio de nosso sistema de avaliação, de entrevistas com tutores, contato com cursistas e leitura de relatórios, casos extremos de alterações que eram bem mais que uma simples adaptação, modificando bastante aspectos fundamentais das aulas apresentadas pelos formadores, a ponto de comprometerem os objetivos do trabalho inicialmente proposto por estes. Detectamos que muitas dessas alterações eram conseqüência de contatos entre os professores-tutores e entre professores-tutores e material externo, como livros didáticos, paradidáticos, etc.

Em alguns casos o conteúdo era entendido de forma diferente. O tutor passava de outra forma ou substituía a atividade. Às vezes a atividade era sobre um conteúdo fora do contexto proposto.

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Houve casos em que o cursista não tinha executado uma determinada atividade proposta pelos formadores simplesmente porque não foi repassada a ele pelo tutor.

Nas entrevistas também notamos o fato de alguns professores-tutores deliberadamente suprimirem partes do curso.

Foi na análise dos relatórios que obtivemos um melhor espectro dessas alterações. Recebemos relatórios tanto de tutores quanto de cursistas. De um modo geral, os relatórios dos tutores são bem satisfatórios, do ponto de vista deles, aparecendo poucos casos de problemas encontrados, ou seja, há uma omissão das dificuldades. Ao associarmos o relatório com as entrevistas e contato com os cursistas notamos esestes casos díspares onde o tutor, por exemplo, usou uma bússola ao invés do gnômon, indicado pelos formadores, para falar sobre pontos cardeais. O uso da bússola não faz parte das atividades propostas pelo CeFoCo, pois, além de não mostrar os pontos cardeais geográficos, caso seja usada exclusivamente, ela impede a oportunidade da abordagem do gnômon. O gnômon mostra os pontos cardeais geográficos diretamente, além de associá-los ao Sol, o que é o desejável. O que deixou a desejar, nesse caso, não foi o fato de incluir no conteúdo a utilização da bússola, e sim o de utilizá-á-la em substituição ao gnômon.

Fenômeno parecido acontece nos relatórios dos professores -cursistas onde há destaque para os aspectos positivos. Muitas vezes só há aspectos positivos. Mas começam a aparecer relatos de atividades e metodologias muito díspares das que haviam sido propostas pelos formadores. Em muitos casos, a temática é completamente outra, como no caso da explicação de "forças centrífugas" com atividades de cálculos de volume. Em nenhum momento do curso foi realizado nenhuma atividade que ao menos m mencionássemos estes tópicos.

## Conclusões

Analisar as causas dessas alterações inseridas pelos professores -tutores é uma tarefa complexa, pois há multiplicidade de fatores. Dentre algumas podemos destacar: falta de compreensão do tópico abordado, falta de recursos, tentativa de adaptação à "realidade local", e ausência de cobrança por parte da instituição promotora do curso.

- A supressão de conteúdo pode ter sido por falta de tempo, falta de condições (materiais, meteorológicas, estruturais) ou insegurança.

Inicialmente poderia se pensar em termos de adaptação do conteúdo, o que é desejável, principalmente porque o professor-r-tutor conhece melhor a realidade do professor-r-cursista do que o professor-f-formador. Além disso, há uma maior proximidade entre professor-tutor e cursista.

Segundo Selles (2002):

"Professores que falam para outros professores" parecem ter um poder de persuasão consideravelmente maior do que simplesmente ser convidados à discussão por professores universitários. Parece que os professores sentem -se mais ameaçados pelos representantes acadêmicos e também tendem a considerar que o discurso dos professores multiplicadores está mais perto daquilo que consideram pertencer ao seu "mundo escolar real".

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Como professores -f-formadores, é possível que não tenhamos esclarecido o suficiente os objetivos ou o cumprimento das atividades. Dessa forma a interpretação do tutor em relação às tarefas pode ter modificado os objetivos finais.

Em diversas ocasiões, a falta de recursos da instituição à qual o professortutor pertence faz com que os conteúdos tenham que ser minimizados ou bastante modificados. Um exemplo seria a não utilização do computador para algumas atividades e, dessa forma, a impossibilidade de realizar uma determinada tarefa. A falta de acesso à internet também torna os cursos precários, pois muitas dúvidas poderiam ser sanadas por e-mail.

No que diz respeito às tentativas diversas para adaptar as atividades dos cursos à realidade local, embora sejam uma iniciativa importante e, ao mesmo tempo, delicada, muitas vezes as atividades eram substituídas sem critérios claros. Para exemplificar, foi realizada uma atividade de campo de visita à Mata Atlântica, por que foi escolhidido este ecossistema? Substituiu que atividade?

- O exemplo da bússola, citado acima, mostra que o objetivo principal da atividade não foi compreendido. Na proposta de atividade com o gnômon, não queríamos apenas realizar o trabalho final da oficina, que era encontrar os Pontos Cardeais. Os objetivos mais importantes desta oficina eram montar o Gnômon, entender seu funcionamento, entender a relação entre os pontos cardeais e o Sol e por fim, voltar à prática da observação da natureza.

Uma das atividades propostas foi desenvolver histórias a partir das constelações. Por exemplo, o Cruzeiro do Sul poderia ser uma pipa, "mas como a pipa foi parar no céu?" Neste caso, usam-s-se as estrelas mais brilhantes da constelação. Ocorreu que no momento de realização da atividade com o tutor a atividade foi bem executada, entretanto quando este repassou a atividade ao cursista recebemos imagens com a representação de estrelas que nem existem no céu.

Notamos também que embora tivéssemos sugerido várias atividades e desenvolvido um material impresso com conteúdo disponibilizado para todos os professores ainda houve muita utilização de atividades contidas em livros didáticos antigos e falta de um maior embasamento conceitual.

Uma outra atividade desenvolvida por nosso grupo é a que envolve o uso de semelhança de triângulos como forma de medir distâncias sem o uso de réguas ou fitas métricas. O objetivo é que os professores tenham um modo de ensinar uma das formas que os astrônomos medem distâncias no espaço. Esta atividade tem ainda a vantagem de ser, por si só, interdisciplinar, pois a geometria aparece como um importante instrumento. Como os professores trabalham com estudantes das séries iniciais, usou-s-se semelhança de triângulos, pois assim não seria necessário o calculo de senos e tangentes. Resumidamente, a atividade consiste em criar um triângulo numa folha que seja semelhante (na linguagem matemática) a um triângulo no espaço. Usamos, por exemplo, a distância de uma pessoa até um certo alvo a alguns metros de distância. Após o cálculo da distância, comparamos o valor encontrado com o valor medido com uma fita métrica para confirmarmos que o método funciona.

Verificamos, pelos relatórios, que muitos professores-tutores não realizaram esta atividade. Outros, talvez por inseguranç a e com receio em abordar questões matemáticas, chamavam um professor de matemática para falar sobre triângulos.

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Neste caso, não acontecia uma relação com a astronomia e o assunto era abordado de forma estanque. Alguns trabalharam com senos, cosenos e tangentes, talvez por terem mais familiaridade. Entretanto, por contato com os cursistas verificamos que muitos concluíram que não poderiam trabalhar com as séries iniciais esta atividade pelo fato de usarem senos, cosenos e tangentes. E a proposta do curso era ra bastante diferente desta.

Fizemos uma reformulação nesta atividade, enfatizando sua importância, e a aplicamos com sucesso em um curso recentemente oferecido em Maceió, Alagoas. Os professores -t-tutores compreenderam e realizaram perfeitamente a atividade.

Tendo detectado essas alterações, as quais, com freqüência, foram negativas, implicando num desvirtuamento e descaracterização dos objetivos pedagógicos inicialmente propostos, a primeira conclusão importante é de que há uma forte necessidade de se aprimorar a metodologia de trabalho em formação continuada envolvendo tutores, de modo a prevenir a ocorrência desse tipo de alteração.

Certamente é necessário um sistema de avaliação e acompanhamento mais amplo, focado nos trabalhos dos cursistas. Este sistema de avaliação deve ter uma descrição mais minuciosa das atividades com o objetivo de verificar quais são as reais dificuldades, caso algum cursista não faça determinada atividade de acordo com o que foi proposto. Se, por exemplo, um único professor-tutor tiver decidido não realizar a atividade, será necessário acompanhar este professor mais de perto. Se vários professores-tutores não tiverem realizado a atividade, então valerá a pena revermos a proposta inicial.

- A equipe de professores -formadores deve repassar às instituições responsáveis pelos professores-tutores uma descrição das atividades incluindo, de preferência, detalhes como descrição de materiais, custo, etc.

Os professores -f-formadores devem enfatizar a importância de seguir a metodologia e o conteúdo das atividades, pois estas foram elaboradas dentro de um planejamento baseado na experiência dos formadores e em pesquisas sobre o ensino de Astronomia e Ciências, esclarecendo sua importância e objetivos. Não que estas atividades não sejam passíveis de críticas/sugestões; pelo contrário, a interação com o grupo de professores tutores/cursistas tornará o curso melhor. Acreditamos que somente quando o curso for aplicado na íntegra, ou seja, somente quando o professor-t-tutor repassar as atividades da mesma foforma que aprendeu ao professor-r-cursista, é que teremos uma melhor avaliação das ações sugeridas.

Outra medida importante é criar um mecanismo mais ágil de comunicação para facilitar a interatividade com o cursista, avaliando se o uso de computadores e da internet de fato pode suprir esta necessidade. Caso haja pouco acesso, contato e/ou familiaridade dos professores com este tipo de recurso, torna-se necessário desenvolver mais material impresso e atividades presenciais.

Como parte integrante do curso, deve ser incluído em sua programação um período estendido, de vários meses, após as aulas para acompanhamento e interação dos formadores com os tutores e cursistas. O ideal é o estabelecimento de um canal permanente de contato e interação entre os professores, , tutores e cursistas, e a instituição formadora.

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## Referências

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências

Naturais, Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BISCH, Sérgio. Astronomia no Ensino Fundamental: Natureza e Conteúdo do Conhecimento de Estudantes e Professores. 1998. Tese de doutorado - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

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LANGHI, R. ; NARDI, R. . Dificuldades em relação ao ensino da astronomia encontradas na interpretação dos discursos de professores dos anos iniciais do ensino fundamental. In: VI ENPEC -Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2007, Florianópolis. Anais do VI ENPEC. Florianópolis, 2007.

LEITE, Cristina. Os Professores de Ciências e suas Formas de Pensar a Astronomia. 2002. Dissertação de mestrado do - Instituto de Física e Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

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NARDI, R.; LANGHI, R. . Um estudo exploratório para a inserção da Astronomia na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. In: IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2004, Jabotic atubas. IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2004. p. 58-58.

SELLES, Sandra Escovedo. Formação Continuada e Desenvolvimento profissional de professores de Ciências: Anotações de um projeto. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciência, Belo Horizonte, volume 02, número 2, dez. 2002. Disponível em: < http://www.fae.ufmg.br/ensaio/v2\_2/sandra.PDF>F>. Acesso em: 23 jul. 2007

MEHLECKE, Q.; PEREIRA, A.; TAROUCO, L. Estratégias de interação entre tutor e estudantes em Educação a Distância, RENOTE: revista novas tecnologias na educação. Porto Alegre: UFRGS, Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, V. 3, Nº 1 ,mai. 2005. Disponível

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26 a 30 de Janeiro de 2009

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