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PARCERIA UNIVERSIDADE-ESCOLA E EMANCIPAÇÃO DOCENTE

Gloria Queiroz, Maria Auxiliadora Machado, Barbara Bittencourt, Luana Célia Ramalho Silva, Lais Rodrigues, Giselle Faur De Castro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PARCERIA UNIVERSIDADE -ESCOLA E EMANCIPAÇÃO DOCENTE 1

Queiroz, Gloria a [gloria@uerj.br] Machado, Maria Auxiliadora a [dora.dm@gmail.com] Castro, Giselle Faur de b2 [gisellefaur@gmail.com ] Bittencourt, Bárbara a [b.a.bittencourt@hotmail.com ] Silva, Luana Célia Ramalho a a
[luana\_celia@hotmail.com] Rodrigues, Laís a [lais\_rds@yahoo.com.br]

a Universidade do Estado do Rio de Janeiro b Universidade Federal Fluminense

## RESUMO

Pesquisas sobre pedagogia de projetos vêm mostrando a necessidade de repensar a formação dos educadores e buscar estratégias para mudanças na educação. Por isso, o grupo de pesquisa em Ensino de Física de nossa universidade vem desenvolvendo projetos, através da parceria universidade-escola, que redimensionem a profissão docente no sentido de possibibilitar a atuação desse profissional como membro efetivo da comunidade de pesquisadores em educação. A partir do Projeto Interdisciplinar "Registros da Ciência e da Tecnologia na Formação da Diversidade Cultural Brasileira", que tem como objetivo principal incentivar e fortalecer o ensino de matemática e ciências em uma escola municipal, parceira do grupo desde 2006, situações-p-problema vivenciadas no cotidiano do trabalho de professores de diferentes disciplinas s são discutidas em m encontros na escola e na universidade, em seminários e oficinas pedagógicas s simultaneamente para professores e licenciandos de Física. Neste trabalho vamos analisar os dados de campo desses encontros a fim de perceber dimensões relevantes na parceira escola-universidade na formação d de um professor inovador . A metodologia utilizada neste trabalho foi a análise de conteúdo de registros dos diferentes discursos dos s professores durante a primeira parte das atividades do projeto - formulários respondidos pelos professores, e-m-mails trocados entre os professores da Universidade e a coordenadora da Escola e falas dos professores registradas em campo . Uma conseqüência imediata deste trabalho é constatar que, apesar das conclusões preliminares, a parceria Escola-Universidade se mostra fundamentatal para permitir que os professores se vejam como co-a-autores, dando um re-significado a sua prática e à à p produção dos seus saberes, emancipando-o-os s diante de situações profissionais.

PALAVRAS -CHAVE: Formação inicial e continuada; interdisciplinaridade; pedagogia de projetos .

## INTRODUÇÃO

Este trabalho descreve e analisa a parte inicial de um projeto vinculado ao programa: Apoio à Melhoria do Ensino de Ciências e de Matemática em Escolas Públicas Sediadas no Estado do Rio de Janeiro - - 2008. Com o título: Parceririas entre Escolas e Universidade para o Planejamento e Desenvolvimento do Projeto Interdisciplinar Registros da Ciência e da Tecnologia na Formação da Diversidade Cultural Brasileira, eseste projeto visa à solidificação de trabalhos em colaboração entre a universidade e a escola básica e à criação de novas parcerias, envolvendo trocas entre as pesquisadoras do projeto, os alunos da universidade e os professores voluntários dele participantes.

Visando a essa colaboração universidade-escola, a cada ano, nosso o grupo de pesquisa tem participado da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, planejando e desenvolvendo projetos. Neste ano de 2008, o tema proposto pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia é "Diversidade e Evolução". Para trazer a contribuição da Física na discussão do projeto "R"Registros da Ciência e da Tecnologia na Diversidade Cultural Brasileira", ", nos concentramos, entre outros temas, no significado da vinda em 1808 da Corte Portuguesa para o Brasil, liderada por D. João VI.

O bicentenário tem sido motivo para uma revisão do período, com o reconhecimento do seu valor na ampliação da diversidade cultural brasileira, na qual a Física e a Astronomia, com a criação do Observatório Nacional poucos anos após a chegada da corte, foram áreas de conhecimento que muito avançaram. A criação da Imprensa Régia e da Gazeta do Rio facilitou a difusão de informação, deixando registros em nossa cultura. Quanto à ciência, nos apoiamos para o desenvolvimento do projeto tanto nos cientistas europeus do século XIX quanto na Astronomia guarani , ainda atual entre esse povo (Fonseca, 2008), fazendo menções a seus predecessores, com a intenção de relacionar as navegações ao Novo Mundo e à diversidade da natureza nele encontrada ao desenvolvimento da ciência. Nosso objetivo maior é é traçar um cenário no qual atuamos para pensar a Ciência na cultura humana e divulgá-la de maneira que mesmo os não profissionais a vejam como integrada em suas vidas. Além disso, buscamos consolidar uma cultura de projetos de pesquisa, ensino e extensão na formação inicial de professores de Física e continuada de professores de todas as disciplinas na escola.

Uma das atividades em andamento, tema deste trabalho, é um curso de extensão - - "Elaboração de planejamentos de projetos pedagógicos interdisciplinares" - oferecido a professores de uma escola pública municipal. Com duração de quatro meses, os encontros são quinzenais, sendo a carga horária total de 36 horas. O planejamento foi estruturado da seguinte maneira: 9 encontros na escola; 6 horas em um evevento da universidade e 12 horas em atividades com os alunos -a escolha do professor.

A programação se baseia em algumas açações planejadas conjuntamente com a escola: : 1º encontro - Seminário "Física da música"; 2º encontro - Projeto? Como fazer? -O que são Oficinas Pedagógicas? 3º encontro - Os projetos em andamento dos professores da Escola; 4º encontro - - Oficina pedagógica: Marcando o tempo; 5º encontro - - Preparação para evento da universidade; 6º encontro - Avaliação da apresentação dos trabalhos na universidade; 7º encontro - - Análise dos resultados coletados pelos professores durante as ações; 8º encontro - Redação e apresentação de trabalho final; 9º encontro - Planejamento para atividades de pesquisa-ação em 2009. Neste trabalho vamos utilizar os dados dos quatro primeiros encontros - - atividades realizadas até o momento.

## Pensando o Curso "Elaboração de Planejamentos de Projetos Pedagógicos Interdisciplinares"

A relação didática se estabelece na escola quando há um projeto de ensino com intenção de aprendizagem (MEC, 2006).

O projeto interdisciplinar "Registros da Ciência e da Tecnologia na Formação da Diversidade Cultural Brasileira" tem como objetivos simultâneos formar professores inovadores e reflexivos no curso de Licenciatura em Física e apoiar a escola municipal do Rio de Janeiro, parceira do grupo de pesquisa desde 2006, em

projetos pedagógicos elaborados a partir de situações -problema vivenciadas no cotidiano do trabalho de professores de diferentes disciplinas. Dessa forma, fechamos um triângulo onde o saber docente produzido e ensinado pela universidade leva em conta saberes produzidos pelos professores em sala de aula (Tardif, 2002). ). A A força das ações pedagógicas contextualizadas e interdisciplinares produzidas no projeto estabelece e e sustenta relações entre os diferentes conteúdos e entre esses e a vida dos estudantes da escola básica. Acreditamos que, através do estabelecimento de um diálogo de mão dupla (Cardozo, 2003) entre a escola básica e a universidade, proporcionamos novos caminhos de desenvolvimento profissional para nossos licenciandos e para os professores j já em serviço.

A partir dos objetivos explicitados, durante os primeiros encontros realizados na universidade e na escola, amadurecemos a idéia de envolver os professores da escola por meio de um "curso" de extensão universitária, tendo em mente introduzilos efetivamente em atividades de pesquisa, proporcionando desse modo um caminho de desenvolvimento profissional a partir da prática em projetos pedagógicos interdisciplinares que já estavam tendo em parceria conosco h há dois anos.

Na fase de planejamento do curso, no qual 15 professores da escola se inscreveram, linhas gerais da perspectiva a ser adotada a foram definidas. De acordo com Tardif (2002), concordamos que os professores da escola básica não deveriam ser tratados como objetos de pesquisa, e sim como sujeitos do conhecimento:

Isso significa, noutras palavras, que a produção dos saberes sobre o ensino não pode ser mais o privilégio exclusivo dos pesquisadores, os quais devem reconhecer que os professores também possuem saberes... diferentes dos conhecimentos universitários e obedecem a outros condicionantes práticos e outras lógicas de ação.

A perspectiva a ser adotada visava à produção de "u"uma pesquisa não sobre o ensino e sobre os professores, mas para o ensino e com os professores " (Tardif, 2002). Sabemos que isso exigiria que os professores, cujos saberes se baseiam em sua experiência direta com os alunos, em suas próprias competências e habilidades individuais, reformulalassem seus discursos, suas perspectivas e até mesmo seus interesses, ganhando com isso a possibilidade de tornar seus saberes acessíveis e úteis a outros professores, partilhando assim com eles sua prática inovadora e sua vivência profissional diferenciada.

Acreditamos que, para possibilitar o reconhecimento dos professores como sujeitos do conhecimento sobre modos de atuar no magistério, precisamos dar a eles tempo, espaço e suporte institucional para que possam nomear seus projetos, objetivar suas ações e e planejar formas de avaliar o trabalho proposto na escola com metodologias próprias de pesquisa educacional. O atual curso/projeto seria uma forma de deslanchar esse processo. Portanto, na elaboração de seus projetos de ensino -aprendizagem deveria estar incluída uma pesquisa.

## REFERENCIAL TEÓRICO

A formação baseada na utilização de projetos na escola é considerada, atualmente, de extrema importância pelas pesquisas na área educacional. Segundo Costa (2003, p.1321):

... a construção de projectos educativos de escola leva-nos a equacionar uma concepção dos estabelecimimentos de educação e ensino em que a coerência organizacional e o sentido estratégico constituam referências básicas a uma escola mais autônoma, participada e localmente inintegrada.

Nosso projeto, desenvolvido de forma colaborativa, busca o envolvimento não só de professores de Física, mas também das outras áreas de conhecimento, uma vez que tem por característica o caráter interdisciplinar. O desafio da interdisciplinaridade, cada vez mais um desafio à à prática docente, é enfatizado nas orientações curriculares oficiais para o ensino médio. Como podemos querer uma escola dinâmica que trabalhe com o objetivo de alcançar uma educação para formar cidadãos para o mundo complexo em que vivemos, , se não formrmamos professores capazes de participar de um trabalho contextualizado? Apostamos que um caminho para isso seja estimular mais o trabalho com temas que envolvam diferentes disciplinas , levando seus professores a dialogar e a construir conhecimento pedagógicico novo interdisciplinar, capaz de preparar para a transformação social .

Nessa direção, notamos hoje uma preocupação, por parte dos profissionais da educação, em encontrar formas de como trabalhar com projetos para solucionar essa demanda na a educação (Gandin & Gandin, 1999). A utilização dos projetos na escola é um assunto que ganha cada vez mais espaço e surge como um instrumento de transformação da formação de professores, inicial e continuada, na medida em que os levam a valorizar a interdisciplinaridade, a contextualização, o ensino -aprendizagem por meio de situações-problema e a reflexão na ação, contribuindo para que a escola cumpra seu papel social com compromisso com a formação do cidadão. Como traz Alarcão (2005), um projeto é produto de um processo o de pensamento sobre a missão da escola e sua organização para cumprir essa missão, implicando sua construção em negociação de valores e percepções , além de um diálogo que clarifique o pensamento e prepare decisões.

Para criar um espaço na educação que permita a compreensão dos processos de ensino e aprendizagem em ações pedagógicas inovadoras é necessário analisar as condições de trabalho que permitam e evidenciem o surgimento dos elementos para uma teoria da prática educativa (Tardif, 2002) . A análise desses novos elementos, construídos na relação entre ação e pesquisa através da atividade de um ator racional, pode evidenciar r a complexidade constitutiva da prática educativa como categoria fundamental da atividade humana , revelando o a relação teoria-prática de forma indissociável. Assim, a atividade a partir de projetos pode ser entendida também como facilitadora da criação de teorias que formalizem e sistematizem os modelos de ação elaborados e veiculados pelos professores, uma vez que a prática "não é somenente um espaço de aplicação de saberes provenientes de uma teoria, mas também um espaço de produção desses saberes específicos oriundos dessa mesma prática". .

Surgem alguns pontos importantes para uma reflexão sobre a implementação de projetos. Em primeiro lugar, a pedagogia de projetos valoriza a participação do educador e do educando no processo ensino-aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada projeto de trabalho. Portanto a escola e as práticas educativas fazem parte de um sistema de concepções e valores culturais que levam determinadas propostas a terem êxito quando se conectam com algumas das necessidades sociais e educativas.

(Hernandes, 1998, 66). Ainda segundo Hernandes (1998), os projetos não podem ser considerados modelos prontos e acabados, ou como metodologia didática, ou ainda separados de sua dimensão política. Trabalhar com projetos significa dar novo sentido ao processo do aprender e do ensinar, em uma ação concreta partindo das necessidades dos alunos de resolver problemas da sua realidade, voltada para uma prática social que pode ser adaptada ao contexto escolar através de exposições, maquetes, música, danças, trabalhos artísticos, artesanatos, passeios entre outros.

## METODOLOGIA

No curso aqui analisado, contamos com 15 professores voluntários. Todo material registrado nos encontros, além de ser uma importante fonte de análise e avaliação dos resultados preliminares da inserção das atividades desse projeto na escola, traz dados necessários para a identificação de dificuldades, sucessos e caminhos a serem traçados para a melhoria das próximas parcerias. A metodologia de pesquisa utilizada nesse trabalho foi a análise de conteúdo (Moraes, 1999) que tem por objetivo descrever e interpretar os dados e as informações do material utilizado, chamando atenção para o fato de que a análise é uma interpretação pessoal que se refere aos discursos dos professores (Bauer e Gaskell, 2000).

Para traçar um perfil dos professores voluntários, utilizamos questionários com perguntas sobre a formação e participação em projetos interdisciplinares. O desenvolvimento do projeto gerou dados de campo, nossa fonte para análise. Esses dados foram divididos em dois grandes grupos: o primeiro grupo reúne os e-e-mails trocados entre as pesquisadoras e a coordenadora pedagógica da escola municipal; o segundo grupo traz os dados coletados por escrito pelas pesquisadoras durante os encontros realizados na escola. Após separar os dados, procuramos identificar aspectos considerados relevantes pelas atuais pesquisas na área de educação relacionados à utilização de uma pedagogia por projetos.

## ANÁLISE DOS DADOS

## Questionários: perfil dos professores

Analisamos no total o questionário dos quinze professores participantes do projeto. Vale ressaltar a distribuição de idade entre os professores, sendo o de menor e maior idade respectivamente, uma professora de 31 anos e um professor de 68 anos. Há também um número maior de professoras do que de professores, sendo que todos trabalham na rede pública, e apenas dois (um professor e uma professora) possuem um segundo emprego na rede privada. No quesito da formação e especialização dos próprios professores, estes se subdividem assim: 4 4 professores não tem especialização; 9 professores têm o curso de especializ ação; 1 já concluiu o mestrado; apenas um professor, de História, está fazendo doutorado .

Apresentamos a seguir a análise dos dois outros grupos de dados: os e-mails e os encontros. Já foram realizados quatro encontros, dias 09/07, 13/08, 27/08 e 10/09. Foram trocados três e -mails no dia 16/07, dois no dia 18/07 e quatro no dia 11/08 8 e dois e -mails no dia 15/08.

## Primeiro Grupo de dados: descrição do conteúdo dos e-mails

No dia 16/07, os dois primeiros e-mails trocados entre a professora da universidade e a a coordenadora da escola se referem aos detalhes técnicos sobre a implementação do projeto, em particular sobre a escolha dos professores que

receberão as bolsas oferecidas pelo programa da instituição estadual financiadora do projeto e o conseqüente comprometimento dos professores escolhidos nos termos exigidos pela agência de fomento. Neles são fornecidas informações sobre a realização do curso, como inscrição, certificado e datas das reuniões. Por fim, a professora da universidade propõe estratégias para as atividades realizadas na escola se tornarem pesquisa, ressaltando a importância do registro das respostas 3 dos alunos nas atividades que já estão sendo e serão realizadas pelos professores.3 3

Em 18/07 a coordenadora da escola relata, em um primeiro e-mail, o nível de interesse inicial dos professores da escola pelo projeto. Aponta algumas das desculpas fornecidas pelos professores para não haver um envolvimento maior. No segundo e-mail, ela se refere à organização do projeto e volta a falar sobre a timidez ez dos professores em relação ao projeto, justificada em sua opinião pelo caráter de novidade que carrega. Isso fica bem claro no seguinte trecho da sua fala: "... o novo às vezes causa inseguranças e muitos professores têm muitas idéias... só que alguém deve ficar dando empurrão...". O e-mail é finalizado com a exposição da coordenadora pedagógica sobre a opinião dos professores com relação a atividades já direcionadas para o projeto. Segundo a coordenadora, "... tanto a professora quanto o professor ficaram admirados em ver que os alunos participaram numa boa, coisa que não acontece no dia-a-dia de aula 'normal'" .

Às vésperas do segundo encontro do curso - - 13/08 - - , a escola recebe a visita de um representante da Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Em um e-mail entre ressentido e corajoso a coordenadora relata alguns dos empecilhos burocráticos que surgem no trabalho universidade-escola . No primeiro e-mail depois do segundo encontro, a coordenadora da escola escreve para a professora da universidade que dirigiu as atividades propostas neste dia, mostrando que parte da resistência em participar da parceria vem de uma certa "crença" de que os docentes universitários possam ser figuras prepotentes, distantes e alheios às realidades dos professores em serviviço. Ressalta a existência de uma série de códigos e linguagens que podem propiciar a integração do grupo, como o respeito "ao cafezinho deles", , além da necessidade da valorização do trabalho dos professores, capaz de gerar aumento da auto -estima dos professores. Neste ponto ela fala:

para trabalhar de forma disciplinar ou interdisciplinar ou multidisciplinar no meio desse rico e heterogêneo universo. o.... , ser solidário, ser tolerante, ser corajoso, ser racional e às vezes irracional e principalmente ser HuHumano para perceber o outro em suas angustias, desejos, vontades, manias, necessidades..... se e conseguirmos perceber e atuar de forma coerente nesse universo, fica mais fácil para desenvolver algum trabalho de qualidade, pois acima de tudo estamos lidando com pessoas, que já estão dedicando um bom tempo de sua vida à Educação Pública .

A professora universitária responde ressaltando ter percebido a existência de uma unidade de grupo e concorda sobre a importância do clima de "camaradagem" no trabalho como um todo, valorizando, inclusive, as possíveis diferenças existentes entre os professores. Os e-mails posteriores se resumiram a marcações e descrições de tarefas a serem realizadas nas próximas etapas.

## Segundo grupo: dados de campo

1º Encontro - - "Física da a Música"

Nesse primeiro encontro, pensado com o objetivo de apresentar um tema interdisciplinar, foi feito o anúncio oficial da parceria universidade-escola na condição de projeto aprovado pela agência estadual oficial de fomento. Numa breve exposição foram resumidas as metas iniciais e foi ressaltada a necessidade do envolvimento dos professores no desenvolvimento de todas as etapas do projeto. Foi mostrada também uma linha do tempo, na qual os momentos do projeto estavam indicados, com culminância na poss ível participação dos professores em encontro da área de ensino de ciências e de uma publicação final para relatar o projeto.

Em seguida, foi entregue um formulário para ser preenchido fora daquele momento, sobre o ensino de ciências e matemática na escola. Após a entrega do formulário, deu-se início a uma palestra sobre Física na música, chamando a atenção para as diversas possibilidades que o tema central a ser trabalhado no projeto - - "Registros da Ciência e da Tecnologia na Formação da Diversidade Cultural Brasileira" - - oferece aos professores de todas as disciplinas.

Análise: A análise dodos formulários mostra a fragilidade e a pouca intimidade do grupo de professores com atividades reflexivas sobre as suas próprias atividades, pois nenhum deles refletiu sobre a própria prática na escola, mas sim respondeu de forma geral apontando dificuldades recorrentes sem propostas de solução.

## 2º Encontro - - "Projeto? Como fazer? - - - O que são Oficinas Pedagógicas?"

- O Encontro, como indicado pelo título, previa a discussão em torno da elaboração de projetos. O fio condutor do trabalho foi o esquema de elaboração de projetos retirado de uma tese de doutorado (Bernardo, 2008). A professora da universidade inicia sua fala ressaltando o que qualquer projeto, do mais simples ao mais sofisticado, passa por algumas fases de produção: nome do projeto, justificativa, objetivos (gerais e específicos), metas, metodologia, recursos necessários, cronograma de atividades.

Houve três únicas questões levantadas pelos professores. A primeira, de uma professora de português, que questionou sobre a avaliação de resultados em projetos de pesquisa e sobre participação dos alunos no projeto. A segunda questão surgiu durante uma fala sobre as vantagens e motivos de se construir projetos de pesquisisa. Nesse ponto, o professor de história relatou que algumas atividades já vêm sendo executadas por docentes na escola. Em seguida, o mesmo professor fez uma observação que permitiu a discussão da necessidade de se refletir sobre essas atividades que já são realizadas pelos docentes e que não são registradas e analisadas num referencial de pesquisa. Essa questão, além de diferenciar a produção de projetos da produção de relatórios, deixou claro que os professores, nesse projeto, deverão desenvolver idéias dentro de um formalismo de pesquisa.

A discussão foi finalizada com a definição de oficinas pedagógicas como uma das metodologias mais interessantes para contextualização dos conteúdos a serem abordados e por oferecer uma excelente oportunidade de fortalecimento dos laços alunos -alunos e alunos -professor. Nesse momento, foi discutida pelo grupo a possibilidade de que os próprios alunos venham a desenvolver projetos. Um último questionamento surgiu de uma professora de matemática sobre a localização, no texto, do referencial teórico a ser utilizado. No fim do encontro foi solicitado aos

participantes o encaminhamento de um projeto, pelo menos título e objetivo geral para que fossem discutidos no próximo encontro.

Análise: Notamos um clima de camaradagem entre re os professores, criando um ambiente propício para o tipo de trabalho iniciado nessa parceria. Com certo receio, o grupo esteve aberto a um trabalho que os valorizava enquanto docentes e que os ajudava a esquematizar as ações desenvolvidas no cotidiano es colar.

Uma segunda, não tão surpreendente, constatação é de que existitiam diversos projetos muito interessantes em andamento na Escola. No entanto, existitia dificuldade, detectada na fala dos professores que descreveram suas atividades, em pensar numa justificativa para o seu projeto e principalmente na fundamentação em algum tipo de referencial teórico. Naquele momento esperávamos que essa dificuldade, que pode ser causada também pela falta de hábito com a pesquisa em sala de aula, fosse redimensionada com o tempo e o exercício da pesquisa. Essa falta de hábito se torna explícita na pergunta sobre a localização do referencial teórico feita pela professora de matemática.

Sobre a questão das atividades que já são feitas na escola, consideramos pertinente ressaltar que a ação do professor é concreta sim, porém é dispersa, pois não é registrada e acaba se perdendo para a socialização entre outros colegas da escola ou fora dela. A elaboração dessa ação nos moldes de um projeto canaliza a ação, fornecendo uma nova dimensão e tornando-a concreta, permitindo inclusive que outros trabalhos possam ser realizados a partir de seus resultados. Pudemos perceber que o grupo tinha enorme potencial de idéias e de intenções em prol do fortalecimento da escola como um todo e da sua condição de docente em particular.

## 3º Encontro - - "O "Os projetos em andamento dos professores da Escola"

O terceiro encontro, previsto inicialmente para que os professores apresentassem os projetos em andamento em um formato de investigação reflexiva sobre suas ações pedagógicas, tornou-se um diálogo entre as pesquisadoras da universidade e os participantes sobre os elementos indispensáveis a uma proposta de pesquisa: referenciais teóricos, o que pesquisar, metodologias. De início pediu-se que os professores da escola apresentassem alguns referenciais teóricos que conheciam. Os autores citados foram: Vigotsky, Wallon, Paulo Freire, Piaget, Pavlov, Skinner, Freinet e Milton Santos. Dentre estes, Piaget recebeu uma forte crítica de todos os professores, uma a vez que , após citarem os autores preferidos , indicaram aqueles dos quais não gostavam. A professora da universidade ressaltou alguns aspectos positivos das teorias epistemológicas de Piaget, que foram aceitas pelos professores sem serem questionadas. No didiálogo travado nesse momento ficou clara a ligação estabelecida pela secretaria municipal de educação entre os estágios piagetianos e os ciclos de ensino, rejeitados pelos docentes.

Em seguida, foi pedido que os professores fizessem uma espécie de resumo sobre as idéias principais de todos os teóricos citados por eles, cujas principais características assinaladas foram: Skinner foi criticado pelo constante uso de repetições como caminho para a aprendizagem e de estudos dirigidos para preenchimento de lacunas etc. Ao mesmo tempo, alguns professores se mostraram simpáticos, evidenciando o uso deste método em sua disciplina. A professora de matemática chamou atenção para a questão da repetição na matemática como metodologia importante na sala de aula. Outro professor de matemática expôs o fato de que os alunos não entendem alguns termos matemáticos, como "operação" - palavra utilizada de maneira particular pela linguagem matemática - - associando-a

somente à vivência cotidiana, não se apropriando da linguagem específica necessária para a compreensão do conceito. Esse professor falou também da importância de turmas menores para se observar melhor esses problemas, trazendo ainda para o debate o uso que costuma fazer a analogias para o ensino de matemática. Vale ressaltar que, ao mesmo tempo em que apresentava idéias interessantes do ponto de vista pedagógico, procurava confirmar se elas tinham o aval da academia na área de educação.

Freinet, que foi colocado como dono da teoria de aula passeio, recebendo críticas por criar um sistema inviável dentro da escola pública. Já Milton Santos s foi defendido pela professora de geografia que ressaltou a renovação do ensino na sua área, revelando um alto grau de conhecimento do trabalho do emérito pesquisador.

Paulo Freire gerou uma movimentação favorável no grupo pelo fato de levar em consideração a bagagem que o aluno traz e a importância dessa bagagem em sua própria aprendizagem. Alguns professores declararam que levam em conta suas experiências pessoais para a aplicação de suas técnicas pedagógicas.

Em seguida a discussão girou em torno da aprendizagem significativa e da teoria de Ausubel, l, tendo esse autor sido trazido pela professora da universidade ao falar sobre concepções alternativas no ensino de ciências e da necessidade de refletir sobre elas. Alguns exemplos dessas concepções alternativas no ensino de astronomia foram compartilhadas entre os professores: Astronomia x Astrologia, as pontas de uma estrela, a idéia de que a Lua só aparece à noite. O conceito de Força também foi explorado como concepção alternativa, servindo ainda para abordar superficialmente o conceito de modelos mentais, dando-se como exemplo o modelo do átomo em analogia ao Modelo do Sistema Planetário.

Neste ponto, a professora da universidade abriu a discussão sobre o tema central escolhido pela escola para o projeto durante a semana que antecedeu a este encontro: o tempo. A professora de Português falou sobre os seus projetos sobre o tema e apresentou alguns trabalhos feitos por seus alunos, como poesias e desenhos. A professora condutora propôs então que eles respondessem sobre o que pesquisar, sobre possíveis projetos a serem desenvolvidos. As seguintes idéias apareceram: necessidade de que o aluno produza o seu futuro (Prof. Matem.); como desenvolver e pesquisar qual é a noção de tempo dos alunos visando formar um aluno crítico e consciente, capaz de expressar-r-s-se com clareza, aproveitando bem o seu tempo em busca de uma melhor qualidade de vida (Profa. Port.); como aumentar a auto -estima dos alunos por meio de trabalhos interdisciplinares e como 4 mudar a visão de escola dos alunos (Profa Matem do PEJA4 A4 );

A professora de matemática falou ainda do teatro e explicou a peça escrita pela professora de português e encenada pelos alunos, que também fizeram mudanças no roteiro prévio da peça, em especial a inclusão do personagem Tempo. Falou também dos jogos que estão sendo trabalhados.

A professora da universidade perguntou se os professores tinham idéia de alguma metodologia de pesquisa para a redação e execução dos projetos. Na seqüência, o professor de história falou do livro "O que rola na escola" (Goulart, 2006) dizendo que ele virou o projeto pedagógico da outra escola em que trabalha. O professor de matemática falou da sua preocupação em observar os sinais que os alunos externam e como ele os observa e os utiliza como "termômetro" de suas

aulas. Reiterou que já domina alguns códigos que indicam dispersão quando o assunto não foi amplamente entendido e códigos para quando o assunto foi interessantete. Ele perguntou à professora: "... isso ainda é atual?". .

Um outro professor de história falou do seu blog para o segundo grau, enquanto que o professor de matemática, já mais à vontade na discussão, falou que enquanto a tecnologia avançou, o ensino estacionou. Em seguida, foram feitas algumas reflexões sobre o papel do professor pesquisador. O encontro foi finalizado com a exposição de projetos interdisciplinares, como, por exemplo, o trabalho sobre as constelações Guarani.

Análise: Consideramos pertinente ressaltar a maior interação dos professores da escola com as professoras universitárias nesse encontro. Os professores relataram mais sobre suas práticas, falando inclusive de projetos que vêm realizando em sala de aula, indicando em muitos momentos estarem em sintonia com autores e reflexões acadêmicas na área educacional. Vale ressaltar a importância dada à especificidade da linguagem matemática por um dos professores. Os termos utilizados em sala de maneira particular pela linguagem matemática nem sesempre são reconhecidos pelos alunos como palavras próprias de seu vocabulário, gerando contradições no entendimento da matéria a ser aprendida e a possibilidade de não apropriação da linguagem específica necessária para a compreensão do conceito.

Na discussão sobre Paulo Freire, notamos a valorização da bagagem trazida para sala de aula pelos alunos, sua importância para própria aprendizagem e a necessidade de reflexão sobre as concepções alternativas, apontada por uma das professoras. Essa característica é notável, já que a questão dessas concepções ainda é tema de relevância na pesquisa da área. Esse debate permitiu também a discussão da aprendizagem significativa e do uso de analogias em sala de aula.

Um ponto de extrema importância para a pesquisa em ensino de ciências e apontado por um dos professores é a necessidade de perceber a linguagem não verbal externada pelos alunos durante o processo de ensino-aprendizagem. Essa idéia está diretamente relacionada com a avaliação e a reflexão sobre a própria prática. Um dos professores de matemática relatou que observa esses "sinais" e os utiliza como "termômetro" em suas aulas, uma vez que pela experiência já domina alguns códigos. O mais interessante é que o professor que utiliza essa prática, ainda tão ausente no trabalho docente em geral, não se dá conta do quanto sua atitude é atual e necessária, caracterizando a falta de intimidade com a pesquisa até sobre sua área. Vale ressaltar também a utilização das tecnologias de informática e comunicação como instrumento de medição entre professor-r-aluno, como o "blog" do professor de História, apesar de seu desconhecimento sobre a possibilidade de pesquisar as interações com seus alunos e outros docentes nessa ação .

4º Encontro - - - "Oficina Pedagógica: Marcando o tempo"- participação de O.

O professor O. em nome da universidade revisa o tema do projeto - - Tempo , escolhido pela escola, e fala sobre a evolução do professor ao longo do tempo e a postura da academia em relação à pesquisa feita por professores. Propõe que os professores pensem em uma definição do tempo o e , dando continuidade a esta discussão , fala sobre a noção primitiva de tempo das crianças e a associação com claro e escuro e a necessidade de marcar encontros. Motiva os professores com a situação-problema sobre o estabelecimento de um horário comum para pessoas de países diferentes utilizarem a internet, e a professora de matemática afirma que os militares utilizam um horário padrão. Solicita que os professores pensem em uma

solução para a necessidade de marcar o tempo pelos povos antigos. Durante a discussão que se estabelece, um grupo de professores sugere a observação das sensações biológicas como fome, e a observação de astros e fenômenos naturais como Sol, Lua e as estações do ano.

- O professor O. fala sobre o primeiro sistema de padronização dos relógios de sol, os gnômons e que essa padronização surgiu das observações das sombras.Um dos professores sugere a necessidade de se obter um referencial. O. fala sobre a história dos relógios de sol e pergunta: se fosse marcada sempre na mesma hora a sombra estaria sempre do mesmo tamanho? Alguns professores respondem acertadamente que não, que dependeria das estações do ano.
- O. fala sobre a diferença na localização dos pontos cardeais e a diferença de onde o Sol nasce a cada dia. Os professores constroem um sistema solar humano, composto da Terra e do Sol. Na "encenação", os professores se posicionaram de modo que o Sol foi quem girou em torno da Terra. . Nesse momento os professores começam a se interessar pelo conteúdo apresentado, fazendo perguntas e externando dúvidas. No pátio da escola, realiza-a-se a atividade de construção do relógio de sol, com a participação de todos os professores.

Análise: Nesse encontro, os professores demonstraram gostar muito da atividade prática. O professor de matemática voltou a falar de seus projetos. Podemos perceber que ele está interessando em expor suas idéias e sua postura sobre vários aspectos do que faz em sala de aula e sobre pesquisa. Fala também da sua postura no que didiz respeito à avaliação. Na atividade de grupo em que os professores se reuniram para discutir sobre o tema central do encontro, notamos que os grupos se organizaram por área ou identificação pessoal. Isso indica uma fragmentação disciplinar, mas que aos poucos vai se rompendo com o desenvolvimento do projeto na escola. Ao serem levados a resolverem as situações propostas no encontro, a participação foi grande, havendo aprendizagem dos conceitos científicos envolvidos por professores das diferentes áreas.

## CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Neste trabalho, procuramos selecionar evidências para argumentar sobre possibilidades e limites na utilização de projetos através de parcerias universidadeescola. Para iniciarmos a análise, buscamos na literatura aspectos importatantes para a formação de professores reflexivos e inovadores. No caso específico desse projeto, a situação se torna peculiar devido ao fato de que , apesar do tempo de magistério, a maioria dos professores não se deu conta de sua condição de práticos reflexixivos produtores do saber, se "conformando" muitas vezes com a concepção da docência ligada a um "fazer vocacionado", alheios à legitimidade de suas profissões segundo o movimento renovador na formação de professores. Tal reflexão é fruto da identificação de uma preocupação presente no discurso de alguns professores "de que eles fazem o que podem e o que é possível nas condições da escola", quase como uma desculpa pelo seu "fazer limitado", dando a impressão (pelo menos a princípio) de que não se vêem enquanto produtores de saberes, apenas de ações.

Notamos, a partir dos resultados parciais desse projeto - interesse dos professores pelas atividades propostas, trabalhos realizados em sala de aula a partir do tema do projeto, falas dos professores nos encontros e da coordenadora pedagógica incentivando a continuidade e aprofundamento da parceria - - e também dos projetos anteriores , que essa prática como estratégia de inovação pedagógica é

adequada e facilitadora para a atuação do professor no processo de construção do seu próprio conhecimento profissional, levando-o-os à emancipação diante de diferentes situações profissionais, além de ser importante para os alunos, tornando viável o cumprimento do papel social da escola com compromisso com a formação do cidadão.

A relação entre universidade e escola também trouxe, como pudemos notar, contribuições com base no saber da experiência de professores em serviço empenhados em projetos inovadores, compartilhados com a universidade. Os formadores na universidade poderão, a partir dessa análise, dar prosseguimento à pedagogia de projetos incluindo os elementos destacados. Esperamos que o hábito de realizar projetos de ampliação cultural nas escolas continue a servir, como vem sido evidenciado nessa escola, de incentivo para a vida profissional dos professores.

A presença de alunos da licenciatura na escola durante a realização do projeto tem possibilitado trocas indispensáveis a uma formação inicial e continuada para a inovação que conhece e respeita as contingências do trabalho dos professores na escola e submete à validação as pesquisas realizadas. Em um próximo trabalho a continuidade desse projeto será descrita e analisada. Ê

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