Aspectos do imaginário de estudantes de licenciatura em física sobre a possibilidade de utilizarem determinados recursos no ensino médio
Ricardo Henrique Almeida Dias, Maria José P. M. De Almeida, Leandro Londero Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 27/01/2009
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2009
Texto completo
## ASPECTOS DO IMAGINÁRIO IO DE ESTUDANTES DE LICENCIATURA EM FÍSICA SOBRE A POSSIBILIDADE DE UTILIZAREM DETERMINADOS RECURSOS NO ENSINO MÉDIO
Ricardo Henrique Almeida Dias a Maria José P. M. de Almeida b Leandro Londero da Silva c
## RESUMO
Temos por objetivo neste trabalho investigar aspectos do imaginário de licenciandos em física sobre a possibilidade de utilizarem determinados recursos no ensino médio. No primeiro dia de aula aplicamos um questionário em que solicitamos que se imaginassem organizando uma aula de física para o ensino médio e comentassem como poderiam ser utilizados os seguintes s recursos: livro didático; exercícios semelhantes a outros resolvidos, anteriormente, em classe pelo professor; problemas; textos de divulgação científica; textos literários; textos de história da ciência; material para aulas experimentais; vídeos; voz numa ma aula expositiva; giz para escrever a aula na lousa e computador. Para analisar suas respostas ao questionário, utilizamos a análise de discurso com base na obra de Eni Orlandi. Podemos notar como determinados recursos chamam mais a atenção desses licenciaiandos do que outros. Alguns recursos como livros didáticos, textos de divulgação científica, material para aulas experimentais, computador e exercícios apresentaram respostas parecidas, o que nos traz indícios de como esses recursos podem ter característicacas consensuais, de acordo com representações desses estudantes.
Palavras - chave: Imaginário de licenciandos; ensino médio; recursos didáticos
## INTRODUÇÃO
A formação inicial de professores tem sido preocupação constante dos pesquisadores da Educação em Ciênciaias. Trabalhos como Araújo e Vianna (2007), Jesus et al. (2007), Sorpreso e Almeida (2007) e Vieira et al. (2007) apresentados no último SNEF são um testemunho dessa afirmação.
A última mudança curricular das licenciaturas, ocorrida numa das três universidades estaduais paulistas, possibilitou três diferentes maneiras para se cursar licenciatura em Física nessa universidade. Duas delas são para o período noturno: numa os ingressantes entram na licenciatura Química e Física e na outra entram diretamente no curso de licenciatura em Física (curso 40).
Neste trabalho analisamos informações obtidas no 1º semestre de 2007 numa disciplina dessa licenciatura: Conhecimento em Física Escolar I. I. No primeiro
26 a 30 de Janeiro de 2009
dia de aula dessa disciplina, a docente responsável, um dos autotores deste trabalho, após se apresentar e solicitar que cada aluno também se apresentasse, aplicou um questionário com o objetivo de obter algumas informações sobre os estudantes. Neste estudo nos concentramos na análise de parte das respostas que eles fornrneceram às questões do questionário. Vamos analisar o que disseram quando lhes foi solicitado que se imaginassem organizando uma aula de física para o ensino médio e comentassem como poderiam ser utilizados os seguintes recursos: livro didático; exercícios semelhantes a outros resolvidos, anteriormente, em classe pelo professor; problemas; textos de divulgação científica; textos literários; textos de história da ciência; material para aulas experimentais; vídeos; voz numa aula expositiva; giz para escrever a aula na lousa e computador. Também lhes foi solicitado que se expressassem também sobre qual seria a importância e os problemas na utilização desses recursos. O conhecimento de aspectos do imaginário desses estudantes sobre a possibilidade de utilizarem determinados recursos no ensino médio nos forneceria subsídios para melhor trabalharmos as possibilidades de uso desses recursos, visando uma formação inicial mais adequada dos estudantes.
## QUESTÕES DE ESTUDO
Com o objetivo de estabelecer aspectos do imaginário de estudantes de licenciatura em física sobre a possibilidade de utilizarem esses recursos no ensino médio, nos propusemos as seguintes questões de estudo: 1) verificar como licenciandos em física tomam posições com relação ao uso de determinados recursos no ensino médio; 2) investigar possíveis condições de produção que poderiam ocorrer quando esses licenciandos se vêem trabalhando com esses recursos.
## APOIO TEÓRICO E METODOLÓGICO
Para nos auxiliar na compreensão de como os licenciandos se posicionam quanto aos recursos didáticos, julgamos ser relevante investigarmos aspectos do imaginário desses estudantes sobre alguns desses recursos. Sobre o imaginário nos baseamos em noções da análise de discurso originada na década de 60 do século passado, com estutudos de Michel Pêcheux, e nos pautamos em textos desenvolvidos por Eni Orlandi. Para essa autora, não há relação termo-a-termo entre as coisas e a linguagem, sendo ordens diferentes - a do mundo e a da linguagem - e incompatíveis em suas naturezas próprias. Não é só a noção de linguagem que é diferente, mas também as noções de social e de histórico. Segundo Orlandi:
Quanto ao social, não são os traços sociológicos empíricos - classe social, idade, sexo, profissão - mas as formações imaginárias que se consti tuem a partir das relações sociais que funcionam no discurso: a imagem que se faz de um pai, de um operário, de um presidente, etc. Há em toda língua mecanismos de projeção que permitem passar da situação sociologicamente descritível para a posição dos sujeitos discursivamente significativa (1994, p. 56).
Com isso, levamos em consideração nas respostas dos licenciandos ao questionário aspectos dos seus imaginários quanto aos recursos citados anteriormente. Por exemplo, que imagens de livro didático esses estudantes levam em conta para se posicionarem favoravelmente ou negativamente a seu respeito quando se imaginam lecionando para o ensino médio?
Para investigarmos como os licenciandos utilizariam os recursos, julgamos necessário verificar em quais condições eles utilizariam e possíveis condições de produção desses usos.
Podemos considerar as condições de produção em sentido estrito e temos as circunstâncias da enunciação: é o contexto imediato. E se as considerarmos em sentido amplo, as condições de produção incluem o contexto sócio -histórico, ideológico (ORLANDI, 2005, p. 30).
Assim, levamos em consideração nas respostas dos licenciandos tanto as condições imediatas que ocorreram no momento da elaboração do questionário quanto as condições mais amplas, como, , por exemplo, os seus históricos de envolvimento com textos literários ou problemas.
## RESULTADOS E DISCUSSÃO DO TRABALHO
Visando as questões de estudo propostas e com base no referencial teórico utilizado, inicialmente dividimos as respostas a cada recurso entre manifestações positivas (utilizariam), negativas (não utilizariam) e maneiras de utilização (como utilizariam). Após essa primeira triagem, entre as manifestações positivas e negativas resumimos as respostas em alguns qualificadores que sintetizam tais respostas. A seguir analisamos todos os recursos separadamente, considerando as respostas dos 26 estudantes que responderam ao questionário.
## a) Livro didático
Entre as manifestações positivas quanto ao livro didático, destacamos que sete delas se referiram ao acompanhamento do conteúdo pelo aluno, cinco como base do conhecimento, quatro como referência de exercícios, quatro como consulta de conceitos e definições, três como organizador da aula. Outras qualidades mencionadas se referiram ao aumento do dinamismo das aulas, ao funcionamento como um instrumento para cumprir o currículo, e ainda requisito para abordagem de novos conteúdos e base de estudo.
Entre as manifestações negativas, destacamos que duas delas se referiram à inibição do estudo de outros conteúdos e duas ao aprisionamento que ele acarreta. Também foram apontados como problemas da sua utilização a monotonia, a desmotivação e a desnecessidade do seu uso.
Selecionamos a seguir uma resposta em que podemos encontrar como seria utilizado o livro didático:
O professor não deve "copiar" o livro quando fizer sua explicação na aula.
Nessa resposta podemos notar como esse licenciando se preocupou com o fato do professor copiar o livro durante a explicação, possivelmente por já ter vivenciado anteriormente tal situação, sendo uma condição de produção que podemos levar em conta nesse posicionamento. Com isso, supomos como ele talvez gostasse que a explicação do professor não fosse composta apenas por informações do livro didático, talvez estivesse se prpreocupando com o tempo gasto na cópia. Condições que certamente devem ser discutidas nas disciplinas da licenciatura.
26 a 30 de Janeiro de 2009
## b) Exercícios semelhantes a outros resolvidos, anteriormente, em classe pelo professor
Entre as respostas positivas para esse recurso, a que foi mais mencionada foi a fixação das definições e conceitos, com seis menções. Aumentar a capacidade em resolver exercícios foi mencionada três vezes. Outras manifestações favoráveis foram conceder base aos alunos, preparar para situações semelhantes, revisar a matéria, passar confiança e aprofundar em determinada linha de raciocínio.
Entre as respostas negativas, nesse recurso foram mencionadas a restrição dos alunos nesse tipo de exercício, visão unilateral dos assuntos que seu uso acarreta, proibição que o aluno busque caminhos próprios, inibição do raciocínio e da criatividade.
Selecionamos a seguir duas respostas com possíveis maneiras que esses licenciandos trabalhariam com exercícios semelhantes a outros resolvidos, anteriormente, em classe pelo professor:
em sala seriam passados os exercícios maiores e mais abrangentes assim sobra tempo para teoria. Tendo complemento em tarefas para casa (facultativo).
deveriam existir para serem feitos em casa.
Podemos notar nessas respostas prováveis condições que esses licenciandos utilizariam esse recurso, com exercícios abrangentes para trabalhar conjuntamente com a teoria e que eles devam ser realizados em casa pelos alunos.
## c) Problemas
Das respostas positivas quanto à utilização de problemas, quatro delas mencionaram a estimulação do raciocínio, duas como discussão de conceitos e definições, duas como familiarização do aluno a pensar em problemas, duas como consolidação do conteúdo e duas como critério de avaliação. Também foram mencionados o aumento do estabelecimento de novas relações, proximidade da atividade do físico, busca pelo conhecimento para resolvê-lo, gosto dos alunos por desafios, instrumento de prática e relação com outras disciplinas.
Para esse recurso só encontramos um posicionamento desfavorável à sua utilização ligado à necessidade de abstração desse instrumento que poderia ser exercitada por outros recursos.
Selecionamos a seguir um exemplo de como esse licenciando trabalharia com problemas em sala de aula:
- (...) poderiam ser encarados como desafios, talvez a serem resolvidos em grupo e poderiam ser lançados no início do período letivo, para serem entregues ao final, valendo nota (senão ninguém faz), porém pouco, com apoio do professor e a cada problema vencido, outro poderá ser fornecidodo.
26 a 30 de Janeiro de 2009
Podemos notar nessa resposta como o estudante se vê trabalhando com problemas. Imagem possivelmente constituída no seu histórico enquanto aluno. Os problemas são vistos por ele como um 'desafio' e para serem talvez resolvidos em grupo. A maneira como ele trabalharia esse recurso com os alunos nos traz possíveis situações de cobrança e avaliação, já que se não 'valer nota' os alunos não se envolveriam com esse recurso.
## d) Textos de divulgação científica
Entre as respostas positivas quanto ao texto de divulgação científica, seis delas citaram a estimulação do interesse pela ciência, cinco estudantes disseram que mostram aplicações, três que expandem e diversificam conhecimentos e dois os apontaram como atualização do conhecimento. Também foram mencionadas qualidades como a facilitação da interação com a matéria, informação sobre a área acadêmica, referência a que possibilitam o aprofundamento em certas matérias, mostram a realidade, mostram a ciência no cotidiano, incentivam a interação entre alunos, abrem uma discussão sobre ciência e mostram a importância do conhecimento que eles estão adquirindo.
Das respostas negativas ao texto de divulgação científica, quatro citaram como problema a linguagem complicada e intelectualmente inacessíveis. Um alertou para ererros e distorções sobre a ciência desse recurso e um disse que ele seria inviável.
Um possível modo de utilização desse recurso pode ser encontrado a seguir:
(...) devem ser comentados com o professor.
Podemos notar como esse licenciando se vê trabalhando com textos de divulgação científica com seus alunos. Há indícios que ele não gostaria que os textos fossem trabalhados pelos estudantes sozinhos, sendo necessário que o professor os comentem junto com eles.
## e) Textos literários
Entre os aspectos positivos levantados quanto ao texto literário, há menções de que o conhecimento da língua é fundamental para ciência, desenvolvem a linguagem, estimulam a reflexão, ajudam a consolidar conceitos, apresentam linguagem acessível, humanizam, promovem o desenvolvimento do aluno, oferecem uma maior precisão sobre o assunto, incentivam o relacionamento entre os alunos, discutem sobre a ciência, mostram a importância do conhecimento que os alunos estão adquirindo, auxiliam na localização no tempo científico atual, oportunizam ao aluno ver outras coisas, e não só contas e números, e que são estimulantes.
Das respostas negativas sobre a possível utilização do texto literário, três delas apontaram que ele não teria importância para a física. Também foram mencionados como obstáculos o fato de dispersarem os alunos, só devem ser tratados na aula de literatura e um estudante disse que seria inviável utilizá-á-los.
26 a 30 de Janeiro de 2009
A seguir podemos encontrar em qual condição um dos licenciando utilizaria textos literários:
(...) pode ser proveitosa sa em alguma aula mais leve, após ter-r-se aplicado teoria (apenas algumas situações).
Aparentemente esse licenciando estaria realizando uma divisão entre aulas 'leves' e 'pesadas', sendo que esse recurso só poderia ser utilizado em aulas ditas 'leves'. Também há indícios de que ele aplicaria textos literários após a teoria. Podemos supor que ele não se vê trabalhando esse recurso junto com a prática, nem como algo efetivamente relevante para o conteúdo trabalhado, mas apenas como complemento da teoria.
## f) Texextos de história da ciência
Dentre as respostas positivas quanto aos textos de história da ciência, quatro mencionaram o fato que eles mostram a evolução dos conhecimentos, quatro que mostram curiosidades e dois que mostram a relevância do estudo. Há também ém menções de que eles ilustram um assunto, mostram aplicações, criam uma linha de raciocínio, estimulam a controvérsia, aproximam a física do aluno, desmistificam a atividade dos cientistas, incentivam a inter-r-relação entre os alunos, abrem a discussão sobre a ciência e auxiliam na localização no tempo científico dos alunos.
As respostas negativas quanto aos textos de histórias foram que ele seria desinteressante, insuportável para os alunos e que não interessaria parte dos alunos.
A grande diversidade nas respostas desses alunos para a possível utilização do texto de história da ciência evidencia o quanto seria necessário o trabalho com esses textos e com suas possibilidades para o ensino médio durante a licenciatura. Por outro lado, posições que associam o o texto de história da ciência a curiosidades dão indícios de que possivelmente quem fez essa associação já havia passado por situações de mau uso desses textos.
## g) Material para aulas experimentais
Nesse recurso foram mencionados diversos posicionamentos popositivos. Em cinco respostas encontramos o benefício de consolidar conhecimentos teóricos. Em três a dinamização das aulas. Em duas como ponto de partida para novos tópicos, ilustram o assunto e são fundamentais. Também foram mencionadas a familiarização dos alunos nas profissões científicas e no método científico, são estimulantes, chamam a atenção, aprofundam o desenvolvimento do aluno, mostram a utilização do que é ensinado, dão confiança ao que foi explicado, dão outro ponto de vista e complementam as aulas.
Como respostas negativas encontramos apenas duas e ligadas às condições desfavoráveis na escola. Uma resposta afirmou que os materiais para aulas experimentais não trariam contribuições em salas lotadas e que não existem em escolas públicas.
A seguir r podemos encontrar uma maneira de utilização desse recurso:
(...) deve ocorrer durante a aplicação do conteúdo, para ver as coisas na prática.
Podemos notar nessa resposta em quais condições esse licenciando utilizaria materiais para aulas experimentais. . Ele poderia ser utilizado durante a aplicação do conteúdo com a finalidade de mostrar aos alunos como os conteúdos acontecem na prática.
A grande variedade de respostas ao questionamento sobre o possível uso desse recurso, que aparentemente tem sido muito pouco utilizado em aulas de física no ensino médio, evidencia que mesmo possivelmente sem terem passado pelo seu uso, os licenciandos chegam à universidade com imagens do seu possível uso. E algumas respostas evidenciam, inclusive, posicionamentos sobre a a construção da ciência, como o do aluno que associa material experimental ao método científico.
## h) Vídeos
Dentre as respostas positivas nesse recurso, três delas mencionaram que este auxilia na compreensão da física, duas que complementa conceitos já explicicados e duas que auxilia na fixação da matéria. Também foram mencionadas qualidades como a abordagem de assuntos novos, ajudam na visualização, auxiliam em tópicos abstratos, substituem experimentos, solidificam conhecimentos, dão outras perspectivas, refo rçam o aprendizado, fogem da monotonia da lousa e mostram a prática.
Das respostas negativas foram mencionados o fato de tornar os alunos passivos em relação ao conhecimento de física, dispensáveis e que não deveriam ser utilizados.
## i) Sua voz numa aula expxpositiva
Dentre as respostas positivas, duas delas mencionaram o fato de que a voz numa aula expositiva seria um importante instrumento, já que a aprendizagem vem de escutar a explicação. Também foram referenciadas qualidades como a manutenção da atenção dodos alunos, reforço de pontos importantes da disciplina, exposição dos conceitos e mostrar o entusiasmo do professor pela aula.
Para esse recurso há apenas uma resposta desfavorável, que seria o fato de tornar os alunos passivos em relação ao conhecimento de física.
Selecionamos a seguir algumas respostas referentes a como esses estudantes utilizariam esse recurso:
sempre alternando a tonalidade para não deixar que o aluno "fuja" da aula.
deve ser dinâmica, para prender a atenção.
deve ser usada em um tom baixo, para que não deixe existir outras vozes na sala.
26 a 30 de Janeiro de 2009
Apesar da maneira como deve ser a voz ser distinta nessa três respostas, podemos notar em todas que ela tem por objetivo prender a atenção dos alunos, fazendo com que estes não "fujam" da aula. A última resposta nos traz evidências de uma situação monológica em que só existiria a voz do professor, sendo que caberia aos alunos apenas escutar.
Respostas como as aqui mostradas evidenciam que, nas condições de produção em que se inicia a licenciatura, o licenciando já traz em seu imaginário posições sobre o papel do professor, posições essas que cabe trabalhar na formação inicial do professor.
## j) Giz para escrever a aula na lousa
Dentre as menções positivas a esse recurso citamos o estabelecimento da montagem da aula, mantêm o ritmo da abordagem de conteúdos, auxiliam na busca de maneiras alternativas para o entendimento do conceito, utilização de imagens para fixação de conteúdos, registram o conteúdo, síntese, facilitam o aprendizado e a resolução de exercícios.
Dentre as respostas negativas, três apontaram para a existência de alternativas melhores, como o pincel atômico. Há também menções sobre tornar a aula cansativa se for utilizado o tempo todo, tornar os alunos passivos em relação ao conhecimento de física e reações alérgicas dos professores na utilização do giz.
A seguir selecionamos uma resposta em que há maneiras da utilização desse recurso:
(...) desenhos para explicar o que as palavras não podem exemplificar, e expor itens importantes.
Podemos notar nessa resposta em quais condições esse licenciando utilizaria giz para escrever a aula na lousa, pois existiriam situações que as palavras não conseguem exprimir, sendo que os desenhos na lousa poderiam suprir essa lacuna. Possivelmente esse posicionamento pode estar ligado a história desse estudante, quando um desenho foi capaz de exemplificar determinado assunto melhor que as palavras.
Por outro lado, a grande citação de situações em que os licenciandos utilizariam o giz, mais uma vez evidencia posições de grande parte deles com relação ao papel do professor, aparentemente um expositor de conteúdos.
## k) Computador
Entre as manifestações positivas quanto ao computador, destacamos que cinco delas mencionaram que ele ilustra experimentos, temas abstratos e fenômenos. Duas citaram o computador como ferramenta complementar. Há também menções a abordagem de novos conhecimentos, consulta de bibliografias, maximiza desenvolvimento da aula, chama a atenção, faz parte da vida de quase todos, ferramenta de pesquisas na internet, desperta a curiosidade, fuga da sala de aula, essencial e abordam a prática após o teórico.
26 a 30 de Janeiro de 2009
Entre as respostas negativas, encontramos menções há que esse recurso não é fundamental, podem tornar os alunos passivos em relação ao conhecimento de física, mal-estar ao utilizar o recurso, enjoa os alunos se for utilizado sempre e que ele não deveria ser usado.
A seguir selecionamos algumas respostas sobre como seria utilizado esse recurso:
- (...) quando houver uma animação ou software que exemplilifiquem o conteúdo abordado na aula.
- (...) bem usado, o aluno pode ver as últimas notícias da área e demonstrar interesse.
Na primeira resposta podemos notar como esse licenciando utilizaria animações para a exemplificação do conteúdo. Na segunda respos ta o licenciando apontou para notícias ligadas a área e, com isso, despertar o interesse dos alunos. Nas duas respostas podemos notar como o computador pode ser um veículo de trabalho com recursos distintos, tanto animações quanto textos.
## ALGUMAS CONSIDERAÇAÇÕES
Podemos notar como determinados recursos chamam mais a atenção desses licenciandos do que outros. Alguns recursos como livros didáticos, textos de divulgação científica, material para aulas experimentais, computador e exercícios apresentaram qualificadadores com mais de cinco respostas, o que nos traz indícios de como esses recursos podem ter características consensuais de acordo com representações desses estudantes. Podemos verificar também o quanto os exercícios aparecem como qualificadores em outros rerecursos, o que aparentemente nos evidencia o quanto esse recurso está presente no imaginário desses estudantes.
Para se manifestarem sobre quais maneiras seriam utilizados esses recursos, esses licenciandos precisam de algum modo se imaginar como professoreres, sendo que esse processo é constituído pelas condições em que esses recursos seriam utilizados segundo suas representações e o imaginário sobre eles. Com isso surgem respostas como que o professor poderia explicar com informações não apenas do livro didático, que exercícios deveriam ser realizados em casa pelos alunos, que eles não realizariam problemas quando não 'valem nota', que textos de divulgação científica deveriam ser comentados pelo professor, que textos literários só poderiam ser utilizados em aulas 'leves', que materiais para aulas experimentais serviriam para mostrar o conteúdo na prática, que a voz deveria prender a atenção dos alunos, que o desenho na lousa poderia exemplificar melhor o assunto se comparado às palavras e que o computador poderia ser útil, já que traz animações e notícias da área.
Como o questionário que nos serviu para a constituição de dados para essa pesquisa foi elaborado no primeiro semestre de um curso de licenciatura em física, podemos notar como esses estudantes já chegam à universidade com posicionamentos com relação aos recursos didáticos. O que reforça a necessidade de trabalho com os limites e possibilidades desses recursos nos cursos de licenciatura.
## REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Renato Santos e VIANNA, Deise Miranda. Perfil dos licenciandos em física da UFRJ, segundo o uso de computadores. Atas do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física. São Luis, MA, 2007.
JESUS, José Carlos Oliveira de; SILVA, Moisés da Cruz e BURNHAM, Teresinha Fróes. Formação inicial docente versus área de atuação: um perfil de professores de física no interior da Bahia. A Atas do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física . São Luis, MA, 2007.
SORPRESO, Thirza Pavan e ALMEIDA, Maria José P. M. de. A construção de um episódio de ensino com abordagem Ciênc ia, Tecnologia, Sociedade e Ambiente e o imaginário de licenciandos em física. Atas do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física. São Luis, MA, 2007.
ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de discurso: princípio e procedimentos . Campinas: Pontes, 2005.
\_\_\_\_\_\_\_\_ \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Discurso, imaginário social e conhecimento. Em Aberto, Brasília, n. 61, 1994.
VIEIRA, Rui Manoel de Bastos; SANTOS, Emerso Izidoro dos e FERREIRA, Norberto Cardoso. Física no ensino fundamental: formação inicial de professores. Atas do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física. São Luis, MA, 2007.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.