ATIVIDADES DE FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR: O OLHAR NUM CENTRO DE CIÊNCIAS
José Roberto Tagliati, Luciene De Fátima Da Silva, Juliana Ferreira Taveira, Ricardo Renk De Oliveira, Marcillene Ladeira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 27/01/2009
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATIVIDADES DE FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR: O OLHAR NUM CENTRO DE CIÊNCIAS
José Roberto Tagliati 1 , Luciene de Fátima da Silva2 a2 , Juliana Ferreira Taveira 3 , Ricardo Renk de Oliveira 4 , Marcillene Ladeira 5
1 UFJF/Departamento de Física, 2 Centro de Ciências, tagliati@fisica.ufjf.br 2 UFJF/Centro de Ciências, lucienedefatima@terra.com.br 3 UFJF/Centro de Ciências, miniju@click21.com.br 4 UFJF/Centro de Ciências, fotoeletrico@yahoo.com.br 5 UFJF/Centro de Ciências, marcilad@hotmail.com
## Resumo
Neste trabalhlho descreveremos os primeiros resultados de uma ação de formação continuada de professores de ciências do ensino fundamental e professores de física, biologia e química do ensino médio, tendo como âncora a teoria vygotskyana, utilizando kits de atividades experimentais, e sua correlação com brinquedos científicos interativovos, propositalmente dispostos num Centro de Ciências com formas e cores que permitam medir pedagogicamente os efeitos de aprendizagem em ações integradas de ensino. Cada vez mais p precisamos coconscientizar não só a comunidade acadêmica, mas também a sociedade de em geral, l, da importância dos conhecimento s s científicos em nossas vidas. s. É fundamental qualquer pessoa reunir minimamente condições de opinar sobre questões do cotidiano que nos influenciaiam diretamente e em d diversas situações, para assim nossas ações serem sempre direcionadas para um comportamento de autênticos cidadãos críticos. Para contribuir com essa importante e necessária pretensão faz-z-se necessário a existência de espaços de educação alternativos. s. Estes espaços não formais de ensino podem se tornar grandes aliados na busca por um m autêntico e frutífero apoio na questão de consolidar uma verdadeira cultura de divulgação científica nas escolas e na sociedade . Nesse sentido, com o intuito inicial de poder auxiliar a escola básica, principalmente no que diz respeito à formação continuada de professores de ciências e áreas afins, foi inaugurado em agosto de 2006 o Centro de Ciências da UnUniversidade F Federal de Juiz de Fora. Várias atividades estão sendo desenvolvidas no Centro de Ciências da UFJF, como visitas de escolas, atividades de observação astronômica, exibições de um planetário inflável, experimentos de laboratório, exposições interativas de curta e longa duração, e cursos para professo res da rede básica , entre outras iniciativas de divulgação e popularização da ciência .
Palavras -chave: Formação Continuada , Experimentação , C Centro de Ciências .
## Introdução
Nos cursos de ciências nas escolas, a física, por exemplo, infelizmente parece deter uma posição de destaque quanto à dificuldade de aprendizagem(BARROS, 2004); geralmente os conteúdos das aulas acabam se tornando um amontoado de informações e fórmulas que parecem não ter nenhuma relação perceptível entre si e com o mundo fora dos muros da escola. Os currículos atuais com conteúdos convencionais e, especialmente a epistemologia educacional
utilizada, contribuem para manter a maioria dos estudantes despreparados para a compreensão do mundo real que os r rodeia (BARROS, 1997).
Este quadro nos leva a investigar cada vez mais formas diferentes de ensinar a química, a biologia, a matemática e a física. Dessa maneira podemos fazer com que nossos estudantes sejam despertados à curiosidade, motivação e investigação para as questões científicas; o que seria desejável é que os conteúdos apresentados na escola pudessem parecer mais significativos, e que possibilitassem aos estudantes perceberem um elo significativo entre o "mundo escolar" e o "mundo real".
Precisamos desenvolver r cada vez mais ações de educação que possam auxiliar r os professores s dos "conteúdos científicos" a coordenarem melhor as atitudes de seus alunos, de modo a conduzi-los e, por conseguinte a sociedade como um todo, para um quadro desejável de alfabetização científica.
No ensino de física, em particular, a utilização muitas vezes exagerada a e até exclusiva de fórmulas pode e levar os estudantes a julgarem que os conteúdos científicos não possuem qualquer correspondência com o mundo real. É importante tentar motivá -los para as questõtões da ciência, independente de seu futuro acadêmico, profissional ou social. Se desejamos para o estudante poder r agir como consumidor e cidadão o crítico , com consciência e compreensão do impacto da ciência e da tecnologia na sua vida, devemos cada vez mais buscar desenvolver estratégias de ensino que possibilitem a evolução efetiva da a alfabetização científica para o letramento científico .
Os processos da alfabetização e do letramento, embora intimamente relacionados e mesmo indissociáveis, guardam especificidades, pois se referem a elementos distintos. A alfabetização diz respeito às habilidades e conhecimentos que constituem a leitura e a escrita, no plano individual, ao passo que o termo letramento refere -s -se às práticas efetivas de leitura e escrita no plano social. Assim, uma pessoa letrada não é somente aquela que é capaz de decodificar a linguagem escrita, mas aquela que efetivamente faz uso desta tecnologia na vida social de uma maneira mais a ampla (Zimmermann, 2007).
Poderíamos pensar em diferenciar a alfabetização científica, como sendo referente à aprendizagem dos conteúdos e da linguagem científica, e do letramento científico, como sendo referente ao uso da ciência e do conhecimento científico no cotidiano, no interior de um contexto sócio-histórico e específico (idem, 2007).
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM, 1999) o ensino de física no nível médio deve desenvolver nos indivíduos a compreensão dos avanços tecnológicos do cotidiano e apresenta como uma das com petências a ser desenvolvida a capacidade de investigação. Os PCNEM (1999) também apresentam um cenário do ensino da física no qual se prioriza a teoria e a abstração deixando conceitos físicos, leis e fórmulas como sendo "vazios de significados". Ainda de e acordo com os PCNEM as dificuldades e problemas que afetam o sistema de ensino em geral e particularmente o ensino de física, não são recentes e têm sido diagnosticados há muitos anos, levando diferentes grupos de estudiosos e pesquisadores a refletirem sobre suas causas e conseqüências.
Muitos professores comprometidos com uma educação de qualidade, voltada para o desenvolvimento cultural e social dos alunos, tem procurado desenvolver metodologias de ensino dentro da realidade em que vivemos
viabilizando discussões sobre vários problemas de interesse dos jovens objetivando o desenvolvimento de capacidades mais abrangentes, não ficando preso a programas escolares permitindo ao educando refletir, descobrir e criar seu conhecimento baseado de em situações vividas por ele em casa, na rua, no trabalho ou na escola. E assim, , através de uma formação ética e moral e desenvolvimento do pensamento crítico , reafirmar como cidadão emancipado e comprometido com a justiça social para a partir daí í conquistar seu lugar no mundo globalizado em que vivemos.
## O C Centro de Ciências da UFJF
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ocupa posição de liderança na área educacional, numa região do estado de Minas Gerais que engloba a Zona da Mata, as Vertentes, o Sudeste e ainda o Oeste do estado do Rio de Janeiro. A UFJF oferece treze cursos de Licenciatura, um curso de Educação Básica no seu Colégio de Aplicação e Educação Profissionalizante no Colégio Técnico Universitário, além de expressivas atividades de formação continuada de professores da rede básica .
Nesse sentido, e após grande esforço de profissionais interessados numa verdadeira rede de ações com o objetivo de efetivamente poder r auxiliar a escola básica, principalmente no que diz respeito à formação continuada de professores de ciências e áreas afins, foi inaugurado em agosto de 2006 o Centro de Ciências da UFJF.
- O Centro de Ciências da UFJF apresenta uma concepção de ensino multidisciplinar e concentra atividades de educação científica e tecnológica, de formação inicial e continuada de professores, de pesquisa em educação não formal e de interação com escolas e espaços não formais de educação .
Várias atividades estão sendo desenvolvidas no Centro de Ciências da UFJF, e já é possível perceber a mudança de postura, interesse e motivação pelas aplicações científicas e tecnológicas, fazendo com que estudantes e principalmente professores passem a discutir ciência como algo mais próximo de seu dia a dia.
- O prprocesso o contínuo de visitas de escolas, as atatividades de observação astronômica, os experimentos de laboratório, além de palestras e exposições interativas, formam um conjunto de ações que envolvem os estudantes num clima científico agradável e d desafiante.
Para professores dos ensinos fundamental e médio é oferecido o curso de formação continuada sobre astronomia com conteúdo adequado para ser desenvolvido nos níveis fundamental e médio; o primeiro curso foi realizado de agosto a dezembro de 2007, e em 2008 as aulas da segunda turma tiveram suas atividades iniciadas em março, com previsão de término em outubro.
Através da submissão de projetos a atendendo a editais de agências de fomento, o Centro de Ciências já contou a partir do início de 2008 com m um tetelescópio de alta resolução, e de um planetário inflável.
Os profefessores das disciplinas Prática Escolar em Ciências Biológicas e Prática Escolar em Química, da Faculdade de Educação da UFJF, utilizam em suas aulas kits de experimentos disponíveis no Centro de Ciências, para posteriormente
em seus estágios supervisionados aplicarem a metodologia desenvolvida no curso, bem como incorporarem essa metodologia de ensino em suas futuras ações docentes .
Foi oferecido no Centro de Ciências, ao longo do ano de 2007, um curso de especialização em ensino de física, ministrado por r professores do departamento de física da UFJF. Além de desenvolver um espírito de discussão permanente entre professores experientes com recém-graduados em Física, o curso permitiu visualizar a promissora inclusão de professores do ensino superior num ambiente de interação efetiva entre cientistas e educadores dos níveis básico e superior de ensino. A histórica e desconfortável dedicação dos cursos de graduação em Física aos bacharelados, relegando as licenciaturas a um segundo plano, precisa ser enfrentada com ações que mostrem a importância da educação na consolidação de uma sociedade que considere a ciência como algo incorporado naturalmente no dia a dia das pessoas.
Para atendimento às necessidades mais imediatas de professores que necessitem de metodologias que possam motivar seus alunos a se interessarem melhor pelos estudos dos conteúdos científicos, e também para que esses estudantes possam perceber a importância da ciência em espaços fora dos "muros da escola", o Centro de Ciências oferece duas açõeões específicas que descrevemos a seguir.
## Formação Continuada de Professores no Centro de Ciências
Uma das atividades de maior importância que está sendo desenvolvida a no Centro de Ciências da UFJF é o Curso de Formação Continuada para os professores s de Física do ensino médio e de ciências do ensino fundamental l da Rede Pública a de Ensino do município de Juiz de Fora e região. São utilizados Kits adquiridos do Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo -campus São Carlos (CDCC - USP) , e que permitem desenvolver experimentos na própria sala de aula. Trata-s-se do Projeto "Ciência Experimental na Escola: Implantação de Experimentoteca Pública em Juiz de Fora", realizado o pela primeira vez de agosto a novembro de 2007. A primeira turma a contou com 13 professores; a segunda turma, cujo curso aconteceu entre abril a junho de 2008, era com posta por 10 professores . De setembro a novembro de 2008 um total de 11 professores, divididos em duas turmas de 7 e 4 professores, participaram do curso em dois dias na semana, devido a questões de disponibilidade de horário, devido as suas atividades docentes .
Participando regularmente do curso o professor pode levar emprestado por uma semana um kit experimental para aplicar em suas aulas.
Neste curso preretende-se desenvolver estratégias visando capacitar o professor a a estimular a mente do estudante, onde este deve ser colocado como peça central da educação e o professor como mediador de conhecimento. Cabe assim ao o professor se posicionar cocomo agente, atuante e solidário, mas adotando uma postura consciente e reflexiva. Participando assim das atividades experimentais desenvolvidas no Centro de Ciências, com a mediação de pesquisadores auxiliados por estudantes de graduação, o professor tem a oportunidade de e discutir o conteúdo
desenvolvido de uma forma mais profunda, e assim ter mais possibilidade de perceber as dificuldades de aprendizagem de seus alunos. .
Uma questão que já se percebeu importante é o desenvolvimento de um acompanhamento pedagógico de aplicação na sala de aula, tentando medir r assim de que maneira e quais os parâmetros envolvidos no ensino de ciências d devem ser analisados com a aplicação dessa metodologia .
Outro aspecto interessante é o fato de e que e além dos kits de física, também se trabalhar com experimentos de química e biologia, já que professores destas duas últimas disciplinas também fazem parte das turmas. A intenção de desenvolver um trabalho cuidadoso do ponto de vista interdisciplinar tenta desmistificar a física, que quase sempre se constitui num obstáculo para professores de outras áreas .
## Ciência e Arte: Um Elo Possível
A visita a um centro de ciências deve estar atrelada à curiosidade, mas também deve agradar o visitante de uma forma descompromissada. Pode-s-se capacitar o professor r levando-o -o a estar motivado e preparado para promover a aprendizagem dos conteúdos científicos para seus alunos. Por outro lado talvez fosse interessante, a fim de complementar a busca de como os estudantes podem se sentir inclinados a se interessarem pepela ciência, , investigar como formas e cores podem seduzir os estudantes pelo aspecto visual inicialmente.
Assim, está de desenvolvendo no Centro de Ciências da UFJF um início de disposição de formas e cores de "brinquedos científicos", com a intenção de tornar ciência e arte parceiras numa cooperação que possa oferecer subsídios a uma aprendizagem que possa atingir todos os estudantes de forma mais amena no que diz respeito à apresentação de conteúdos científicos.
Ao manusear o kit experimental na sala de aula, provavelmente o aluno se mostre mais motivado e interessado na experimentação se associar o que está fazendo a situações que lhe tenham parecido agradáveis ou interessantes.
Assim, com o objetivo de coletar os primeiros dados referentes a essa questão, solicitamos que alguns estudantes em visita ao centro de ciência respondessem a algumas perguntas, entre as quais as duas a seguir tratavam dessa questão específica: (1) "D"De que brinquedo no salão você gostou mais? Por quê? "( "(2)Você gostou das cores dos b brinquedos? Por quê?"
Algumas respostas a estas perguntas como: "nunca tinha visto nada igual" ou "muito legal"..ou..."muito interessante"... (1),ou ainda: "são excêntricas"...."são alegres"..."são interessantes"."...(2) nos fazem refletir e acreditar em futuras investigações que possam gerar subsídios para a elaboração de propostas metodológicas de ensino, que possam conter ações pedagógicas envolvendo arte e ciência.
## Buscando Um Referencial Teórico
As atividades de mediação praticadas no Centro de Ciênciaias da UFJF, e, e, portanto também no curso da experimentoteca utilizam em sua a metodologia a teoria
do psicólogo russo Vygotsky (1987). Segundo a a linha vygotskyana a aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores, etc., a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e as pessoas em geral. É um processo que se diferencia das posturas inatistas e dos processos de maturação do organismo e das posturas empíricas que enfatizam a supremacia do meio no desenvolvimento.
- O termo mediação é largamente utilizado nos trabalhos de Vygotsky. Preocupado em confrontar a ideologia da naturalização, Vygotsky usa esse termo para defender que o homem é um ser sócio-histórico, isto é, que tudo que somos e pensamos é res ultado e, está sujeito a especificidade das nossas relações e do contexto cultural. A mediação seria um processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação, ou seja, a relação deixa de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. A mediação se caracteriza como a relação de homem com o mundo e com outros homens, é de fundamental importância, justamente porque é através deste processo que as funções psicológicas superiores, especificamente humanas, se desenvolvem. Para Vygotsky(1987) há dois elementos básicos responsáveis por essa mediação: o "instrumento", que tem a função de regular as ações sobre os objetos, e o "signo", que regula as ações sobre o psiquismo das pessoas.
## Segundo Vygotsky(1987):
as aprendizagens também se dão em forma de de processos que incluem aquele que aprende, aquele que ensina, e mais a relação entre essas pessoas. O processo desencadeado num determinado meio cultural (aprendizagem) vai despertar os processos de desenvolvimento internos no indivíduo . (Vygotsky, 1987 )
Assim, o desenvolvimento não ocorre na falta de situações que propiciem um aprendizado.
- (...) todas as funções psíquicas superiores compartilham a peculiaridade de serem processos mediados, isto é, incluem em sua estrutura, como elemento central e indispensável, o emprego do signo como principal meio de direção e controle do próprio processo. (VYGOTSKY, 1987, p. 125 e 126)
Essa conclusão levou Vygotsky a pensar o conceito de zona de desenvolvimento proximal. A criança em cada momento de seu desenvolvimento tem um nível de desenvolvimento real e um nível de desenvolvimento potencial. O primeiro representa a capacidade que a criança tem de realizar tarefas de forma independente. O nível de desenvolvimento potencial seria sua capacidade de desempenhar tarefas com ajuda de adultos ou de amigos mais capazes. A distância entre esses dois níveis é a zona de desenvolvimento proximal. Interferindo nessa zona, um educador estará contribuindo para movimentar os processos de desenvolvimento das funções mentais complexas da criança. É nessa zona que a interferência é mais transformadora.
- A linguagem humana, sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento, tem, para Vygotsky, duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizado, ou seja, além da comunicação entre indivíduos, a linguagem simplifica e generaliza a experiência. As palavras, portanto, como signos mediadores na relação do homem com o mundo são, em si,
generalizações: cada palavra refere-se a uma classe de de objetos, consistindo num signo, numa forma de representação desta categoria de objetos, desse conceito.
Para o desenvolvimento cognitivo, uma indicação da teoria de Vygotsky refere -se à maneira como se desenvolvem os conceitos espontâneos ou científicos na criança. Ele define conceitos "cotidianos" ou "espontâneos" como sendo aqueles desenvolvidos no decorrer da atividade prática da criança, de suas interações sociais imediatas, que se distingue dos chamados "conceitos científicos", que são aqueles adquiriridos por meio de ensino, onde as crianças são submetidas a processos deliberados de instrução escolar.
Em sua teoria, Vygotsky afirma que
... esses conceitos se desenvolvem em sentidos opostos, dos níveis de maior complexidade para os de menor complexidade de e vice-versa. Embora os conceitos científicos e espontâneos se desenvolvam em direções opostas, os dois processos estão intimamente relacionados. (Vygotsky, 1987)
É preciso que um conceito espontâneo alcancnce determinado nível , provavelmente a partir da interferência de um mediador, para que a criança possa absorver um conceito científico correlato. O conhecimento da ciência e seus métodos levam ao desenvolvimento da consciência e ao domínio dos conceitos.
Ao operar com conceitos espontâneos, a criança não está consciente deles, pois sua atenção está sempre centrada no objeto ao qual o conceito se refefere nunca no ato do pensamento. (Vygotsky, 1987)
Baseada na teoria de Vygotsky, na qual o desenvolvimento pleno do ser humano depende do aprendizado que realiza em determinado grupo cultural, a partir da interação com os outros indivíduos, acreditamos que seja possível obter melhores resultados para o ensino de Física .
## O Possível Impacto na Sala de Aula
Considerando que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio apontam a necessidade de compreender o conhecimento científico e o tecnológico como resultados de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social, é fundamental discutir com os estudantes q que a ciência, e a a física em particular, sendo uma criação do homem, foi construída ao longo da história da humanidade, contribuindo para seu avanço e sendo impulsionada por ela através de um processo de construção contínuo e não acabado.
O ensino de física , por exemplo, , principalmente quando envolvendo situações experimentais, quando o estudante efetivamente põe a "mão na massa", pode muito contribuir para a formação de uma cultura científica efetiva que leve a interpretação dos fatos, fenômenos e processos naturais, situando e dimensionando
- a interação do ser humano com a natureza como parte da natureza em transformação.
Uma parte significativa dessa forma de proceder traduz-s-se em habilidades relacionadas à investigação. Como ponto de partida, trata-se de investigar questões e problemas a serem resolvidos, estimular a observação, classificação e organização dos fatos e fenômenos à nossa volta segundo os aspectos físicos e funcionais r relevantes.
Portanto, o desenvolvimento pleno do ser humano depende do aprendizado que ele realiza num determinado grupo cultural a partir da sua interação com outros indivíduos. E tal fato aparece espontaneamente, numa simples enquete feita com os professores do curso em questão.
Pensando em envolver os professores do curso da experimentoteca neste espírito de aprendizagem colaborativa, estes foram e entrevistados a respeito de sua expectativa sobre o impacto da aplicação dessa estratégia de ensino na sala de aula.
Sobre a possível mudança de sua postura na sala de aula, os professores fazem declarações tais como:
" Tenho agora a oportunidade de trazer para o cotidiano questões que por falta de recurso ficavam só na teoria"
- "...está facilitando e me ajudando com novas idéias de aulas práticas"
"Ao permitir a compreensão pela experimentação, isto acaba por ampliar nossa forma de interpretar fenômenos físicos o que melhora a nossa capacidade de educar"
Em relação às reações dos alunos e sua evolução nas aulas de Física e de ciências, estes professores observaram o que se segue:
"Os alunos......participam e conseguem fundamentar melhor os conceitos teóricos. A aprendizagem se torna mais interessante"
"Eles ficam alucinados e super interessados em fazer experimentos e sem dizer a curiosidade sobre o que vão fazer"
Que os alunos se mostrem bastante motivados pelas aulas experimentais já é de se esperar, devido à curiosidade natural do jovem pelo que é novo , diferente e d desafiador. Declarações como as descritas acima a mostram o grande potencial que metodologias de ensino de ciências bem amparadas podem
proporcionar, e assim contribuir para um mais efetivo processo ensinoaprendizagem .
Manifestações de professores e estudantes quanto à realização de atividades experimentais nos levam a refletir que tais ações devem ser planejadas visando objetivos bem determinados. O que desperta inicialmente um grande interesse na sala de aula pode cair numa espécie de frustração se as reações, sugestões e comportamento como um todo dos estudantes não for avaliada com critérios e parâmetros bem delineados.
Isso nos leva a buscar ações integradas entre a prática na sala de aula, a investigação e valorização de aspectos pedagógicos de apoio ao estudante, e que devem ser enfatizadas nas atividades de e formação continuada do professor, e o apoio possível em espaços não-formais, como num centro de ciências, por exemplo. Dessa forma, mais que a discussão do conteúdo, o professor deve ser levado a tomar consciência da importância de seu aluno ser despertado, motivado e enfim ser inserido efetivamente no processo de aprendizagem. A mediação assim pode tornarse ferramenta poderosa, uma vez que permite uma aproximação maior entre educador e educando. Essa aproximação pode levar a serem detectadas questões relativas a concepções prévias, a interesses próprios e a outros fatores, que se não percebidos a tempo, talvez possibilitem o aparecimento de obstáculos para uma aprendizagem significativa .
A iniciativa de ligação entre arte e ciências dá sinais de possíveis estratégias de ensino bem sucedidas. Buscar o interesse do estudante, inicialmente oferecendo a ele formas e cores, faz da arte uma porta de entrada para que ele a seguir tenha sua atenção voltada para a ciência a ser explorada a partir de um modelo pedagógico, como por exemplo um caleidoscópio com luzes e cores variadas, ou a imagem real de um p porquinho rosa obtida de um espelho côncavo.
## Considerações Finais
Para revertermos o atual quadro pouco favorável a uma efetiva aprendizagem em ciências acreditamos não ser r necessário elaborar novas listas de conteúdo, mas dar ao enensino novas dimensões, promovendo o um conhecimento contextualizado e integrado à vida de cada jovem. Para isso é imprescindível considerar o mundo vivencial dos alunos, sua realidade próxima ou distante, os objetos e fenômenos com que eles efetivamente lidam ou os problemas e indagações que movem sua curiosidade. Os estudantes devem ser levados a pensarem seriamente nos objetivos e importância de estarem freqüentando a escola. Julgamos ser fundamental que estes sejam induzidos a refletirem sobre o conteúdo escolar e sua relação com o dia a dia. Talvez consigamos melhores resultados na educação, principalmente científica , buscando junto ao educando uma tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais de fatos, temas e palavras, , para cuculminar numa etapa de problematização , na qual o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica a da ciência . Nossa dificuldade em promover um ensino mais eficaz dos conteúdos científicos talvez se deva a muitas metodologias isoladas , que tendem a se desgastar por serem aplicadas sem envolvimento com ações integradas ou de parceria. Um bem planejado acompanhamento pedagógico o em atividades experimentais , de modo a
possibilitar um elo significativo entre prática e teoria, incrementada a ainda com uma visão lúdica através de formas e cores dos "brinquedos científicos", acreditamos ser um conjunto de ações integradas que possam seduzir o estudante na constante tentativa de diminuição de distância entre o ensino, por parte do professor, e a aprendizagem, a ser incorporada pelo estudante. Daí a importância do professor participar de ações de formação continuada que efetivamente contemplem essas possibilidades. Nessas ações, além do aperfeiçoamento dos conteúdos científicos , devem acontecer também discussões e atividades que possam fazer com que os professores tenham mais subsídios de modo a poder conduzir r o aluno para uma melhoreres performances, principalmente no estudo das disciplinas científicas. . Apostamos em espaços como museus e centros de ciências para fazer com que alunos e professores percebam a ciência como parceira efetiva em seu dia a dia, através do despertar das diversas atividades que podem realizar de forma parceira estes espaços não-formais de educação e a escola. Esperamos que em pesquisas posteriores a respeito de espaços não-formais de educação, possamos desenvolver investigações mais abrangentes uma vez que os resultados obtidos aré aqui , apontam para promissoras possibilidades de a aprendizagem científica.
## Referências
BARROS, S.S., Educação Formal versus Informal (15-18 de julho, 1997): Desafios da Alfabetização Científica, Mesa Redonda, 11 o COLE, Unicamp.
BARROS, J. A. de, SILVA, G.S.F., TAGLIATI, J.R. e REMOLD, J.(2004) , Engajamento interativo no curso de Física I da UFJF. R Revista Bras ileira de Ensino de Física, Vol. 26, n. 1, p. 63-69.
BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: MEC (1999) . Parâmetros Curriculares Nacionais: : Temas Transversais .
VYGOTSKY, L. S.(1987). Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes.
ZIMMERMANN, E.(2007), MAMEDE, M. Novas direções para o letramento científico: Pensando o Museu de Ciência e Tecnologia da Universidade de Brasília . 9 a Reunião da Rede -POP.
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