REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS FÍSICAS NAS SÉRIES INICIAIS: UM ESTUDO COM ALUNOS DE PEDAGOGIA
Caroline Dorada Pereira Portela, Ivanilda Higa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 27/01/2009
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2009
Texto completo
## REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO ÍINICIAL DE PROFESSORES PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS Ç FÍSICAS NAS SÉRIES INICIAIS: UM ESTUDO C COM ALUNOS DE PEDAGOGIA
Caroline Dorada Pereira Portela 1 , Ivanilda Higa 2
- 1 Universidade Federal do Paraná/ mestranda em Educação, PPGE/ cdp\_p\_fisica@yahoo.com.br
## Resumo
Algumas pesquisas têm destacado as dificuldades enfrentadas por professores quanto ao ensino de Ciências nas séries iniciais is do ensino fundamental. Considerando a importância da formação inicial para o enfrentamento dessa problemática, estamos desenvolvendo uma pesquisa acerca da formação docente p para o ensino de conteúdos de ciências físicas (dentro da disciplina Ciências) nessas séries. ApAprese ntamos neste trabalho parte de uma ma pesquisa realizada em um curso de Pedagogia, com habilitação para a docência nas séries iniciais do Ensino Fundamental . A p pesquisa foi desenvolvida em duas etapas, utilizando-se um questionário aberto e entrevistas semi-i-estruturadas com alunos do último ano do do curso em questão. Um dos focos da entrevista era a reflexão sobre um episódio de ensino, no qual são relatadas as dificuldades de uma professora das séries iniciais perante dúvidas e questionamentos de um aluno em uma ma aula de Ciências, sobre conteúdos básicos de Astronomia, mais especificamente as estações do ano. Apresentamos nesse trabalho as considerações feitas pelos sujeitos a respeito desse episódio de ensino na entrevista , que permitiram identificarmos s algumas lacunas nos conhecimentos produzidos pelas futuras professoras das séries iniciais , no que se refere ao ensino de conteúdos de Astronomia. Convidadas na entrevista a proporem atividades para o ensino desses conteúdos, percebeu-s-se uma ênfase na utilização de de materiais concretos, sem muita percepção de que apenas s a diversificação dos materiais não permititiriam uma abordagem satisfatória dos conteúdos específicos abordados no episósódio de ensino. Ao lado desses resultados, as entrevistadas ressaltaram a pouca ênfase ou ausência de estudos dos conteúdos escolares em sua formação, o que leleva -nos a refletir sobre como a formação inicial pode ou deve contemplar a abordagem dos conteúdos escolares de ciências físicas, sem negar a importância do estudo dos fundamentos da educação, visando aprofundar e problematizar os conteúdos escolares muitas vezes apropriados erroneamente pelos f futuros professores .
Palavras -c -chave: formação de professores, s séries iniciais; ensino de ciências físicas; estações do ano.
## Introdução
O ensino de Ciências Naturais nas séries iniciais do ensino fundamental é um espaço de extrema importância no aprendizado dos alunos por propiciar o " contato com as diferentes explicações sobre o mundo, os fenômenos da natureza e as transformações produzidas pelo lo homem." (Brasil, 1997). De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais para as séries iniciais do ensino fundamental (Brasil, 1997), várias áreas do conhecimento, dentre elas Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química, dedevem ser abordadas nas aulas de Ciências Naturais por meio de atividades que possibilitem aos alunos explorar diferentes materiais, despertando a curiosidade e o interesse na sistematização dos conteúdos apresentados. Tais conteúdos devem ser
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
selecionados, , organizados e problematizados pelo professor "d"de modo a promover um avanço no desenvolvimento intelectual do aluno, na sua construção como ser social." (Brasil, 1997).
- O ensino de Ciências Naturais também deve promover o desenvolvimento no aluno de atitudes científicas, habilidades e competências, que só podem ser conseguidas através de uma orientação adequada por parte dos professores. Dessa forma, consideramos importante estudar a formação dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, que serão/são os responsáveis pela iniciação das crianças ao estudo formal escolar de Ciências Naturais.
- A formação de professores para atuar nas séries iniciais do Ensino Fundamental, a partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -LDBEN (Brasil, 1996) é demarcada por novas exigências, conforme o Artigo 62.
A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena em universidades e institutos superiores de educação adadmitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (Brasil, 1996)
Nas disposições transitórias da LDBEN, conforme artigo 87, a formação em nível superior de todos os professores que atuam na educação básica é reforçada como uma meta a ser atingida dentro de um determinado prazo.
Parágrafo 4º - Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. (Brasil, 1996)
- A Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação -ANFOPE, posiciona-s-se, no documento final do XI Encontro Nacional, quanto à definição do locus de formação de professores para a educação básica, destacando que
- (...) o curso de graduação em Pedagogia, nos anos 90, emergiu como o principal locus da formação docente dos profissionais da educação para atuar na educação básica, na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Dentro desse escopo, reitera-a-s-se que a formação dos profissionais da educação, no Curso de Pedagogia, constitui reconhecidamente um dos principais requisitos para o desenvolvimento da educação básica no país. (ANFOPE, 2002, p.24)
Dado que diveversas pesquisas têm evidenciado problemas no ensinoaprendizagem de ciências nas séries iniciais, e por ser o curso de Pedagogia o lócus privilegiado da formação de docentes para atuação nessas séries, estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre a formação inicial desses professores no que diz respeito aos processos de formação inicial para o ensino de Ciências, em particular, a relação estabelecida c om os conteúdos conceituais de c iências f físicas e como essa relação pode influenciar r suas práticas docentes. Nesse trabalho, apresentamos uma parte da pesquisa , realizada com alunos formandos do curso de Pedagogia de uma Universidade Pública .
## A A formação inicial de professores para o ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental
Em uma revisão bibliográfica buscando artigos em periódicos da área de Ensino de Ciências , tais como Caderno Brasileiro de Ensino de Física, a, Investigações em Ensino de Ciências, dentre outros, Portela e Higa (2007) ) encontraram poucos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
trabalhos sobre formação inicial de professores para os anos iniciais do ensino fundamental, sendo apenas um deles (Vidal, André e Moura, 1998) relacionado à formação do professor em curso de Pedagogia . Os demais trabalhos encontrados referentes à formação inicial de professores (Vianna, Pinto e Limima, 1994; Marandino, 1999; Heineck, 1999), citados na revisão de Portela e Higa (2007), são relacionados ao curso normal de ensino médio (antigo magistério).
Investigando alguns conceitos científicos de Física presentes nos conteúdos dos livros didáticos de 1ª a 4ª séries, através de questionários submetidos a alunos do último ano de curso de Pedagogia , Vidal, André e Moura (1998) destacam o pouco domínio conceitual por parte dos futuros professores. Da mesma forma, outros trabalhos de e pesquisa em ensino de ciências físicas têm mostrado que mesmo professores em exercício têm diversas concepções errôneas acerca dos conteúdos de ensino.
Também a concepção de Ciência desses futuros professores têm sido pesquisada. Vianna, Pinto e Lima (1994) , entendendo que são esses professores que primeiro vãvão elaborar formalmente com os alunos a idéia de Ciência, desenvolveram um trabalho durante um ano letivo na disciplina de Física em um curso de formação inicial de professores para séries iniciais. O objetivo dos autores era apresentar uma Ciência enquanto um produto não acabado, como conseqüência de um desenvolvimento científico e tecnológico. Através de atividades de leitura e discussão de textos, os autores consideraram que as futuras professoras das séries iniciais do ensino fundamental "apresentaram uma postura questionadora sobre Ciência, mutável, como sendo uma criação do homem, que a verdade expressa pelos cientistas é relativa." (Vianna, Pinto e Lima, 1994, p.85).
Essa preocupação com a concepção de Ciência das futuras professoras do ensino fundamental também está presente no trabalho de Marandino (1999). A autora apresenta algumas propostas implementadas na disciplina de Didática das Ciências (no magistério de 2º grau, atual curso normal de ensino médio) utilizando atividades como filmes, excursões, experiências, leitura de textos, seminários, palestras, participação em cursos, elaboração e realização de pesquisas de campo. Para a autora, os encaminhamentos propostos auxiliaram as futuras professoras das séries iniciais do ensino fundamental possibilitando mudanças conceituais nas próprias alunas, contribuindo para que essas também possam ensinar Ciências levando em consideração as concepções prévias de seus alunos no processo de ensino -aprendizagem.
Embora essas pesquisas tenham apontado que os futuros professores das séries iniciais possuem concepções errôneas sobre conteúdos de ensino e sobre a própria ciência, em geral os cursos de Pedagogia não têtêm sido pensados para problematizar essas concepções . Se pensarmos em conteúdos de Ciências, o conhecimento que esse futuro professor tem do conteúdo o escolar e sua concepção sobre ciência, pode em muitos casos se restringir aos seus conhecimentos cotidianos e aos conhecimentos por ele adquiridos durante a sua formação no Ensino Médio.
Por outro lado, outras pesquisadoras (Zuliani, 2001; Zimermman e Evangelista , 2007 e 2008) têm desenvolvido atividades em cursos de Pedagogia, problematizando, discutindo e refletindo juntamente com os futuros professores das séries iniciais do ensino fundamental, conteúdos e metodologias aplicados ao ensino de ciências, em especial, ciências físicas.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Em sua pesquisa , Zuliani (2001) utilizou um episódio de ensino em aulas da disciplina de Didática com alunos do do último ano de um curso de Pedagogia com o objetivo de levantar as concepções do grupo relativas aos conceitos abordados no episódio de ensino. A A partir de questionamentos e utilizando as próprias perguntas do personagem, relatadas no episódio de ensino o utilizado , a pesquisadora buscou promover um descontentamento dos futuros professores em relação às suas próprias concepções , instigando-os a buscar conceitos e explicações cientificamente aceitos para resolver situações que possivelmente encontrarão em suas atuações docentes.
Zimmermann e Evangelista (2007 e 2008) relatam experiências desenvolvidas em uma disciplina denominada Ensino de Ciências e Tecnologia. Nas duas ocasiões a disciplina foi dividida em três partes: epistemologia da Ciência , Ensino de Ciências e planejamento de um módulo de Ensino de Ciências . Para as autoras, o que mais contribuiu para mudanças nas concepções iniciais dos pedagogos em formação sobre Ciência e ensino de Ciências, bem como mudanças de atitudes e em relação ao ensino de conteúdos de ciências físicas nas séries iniciais do Ensino Fundamental, foi o planejamento do módulo de ensino .
Dadas todas essas dificuldades evidenciadas pelas pesquisas acima citadas , entendemos que um importante foco para as pesquisas da área é compreender os processos de construção de sababeres por esses professores . Que relação eles mantêm com os conteúdos conceituais de Ciências? Como problematizar e trabalhar nos cursos de formação inicial o ensino dos conteúdos de ciências físicas? Como problematizar as lacunas conceituais desses professores, e como isso pode ser inserido num curso de formação inicial? Em busca de respostas a questões dessa natureza, estamos desenvolvendo uma pesquisa mais ampla junto a esse público, e aqui apresentamos uma parte já desenvolvida e com alguns resultados importantes.
## Metodologia de Pesquisa
A pesquisa foi desenvolvida em etapas. A primeira etapa constituiu-s-se na aplicação de um questionário aberto em todas as turmas do último ano do curso de Pedagogia de uma Universidade Pública. A segunda foi baseada na rerealização de entrevistas semi -estruturadas com alguns sujeitos selecionados , por meio de critérios determinados, a partir de suas respostas ao questionário.
O questionário foi elaborado para proporcionar um primeiro contato com os alunos formandos da graduação em Pedagogia, para t traçar o perfil desses alunos e, a partir de alguns critérios, selecionar alguns deles para continuidade da pesquisa por meio de entrevistas. A primeira parte do questionário foi destinada à identificação dos alunos e também para coconhecer um pouco mais sobre a sua formação anterior ao curso de graduação. A segunda parte levantou os motivos e escolhas que influenciaram na escolha pelo curso de Pedagogia. Por fim, a terceira parte adentrou no universo escolar, mais especificamente nas séries iniciais do ensino fundamental, buscando identificar os alunos que pretendem atuar nessas séries ou mesmo que já atuam, destacando a identificação dos sujeitos com as disciplinas presentes no currículo dessas séries.
A partir dos questionários, alguns sujeitos foram selecionados para a realização de entrevistas. Foram selecionados aqueles sujeitos cujas respostas citavam a disciplina Ciências como a de mais interesse para trabalhar nos anos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
iniciais do ensino fundamental, ou como aquela disciplina quque os sujeitos teriam dificuldades para ensinar. Aqui serão apresentados os resultados obtidos com essas entrevistas.
As entrevistas foram realizadas em duas partes. A primeira, voltada para conhecer um pouco mais sobre as experiências docentes dos entrevistados; suas experiências acadêmicas na graduação; suas considerações acerca da importância do ensino de Ciências nas séries iniciais, sobre os conteúdos e a forma como devem ser trabalhados; além de permitir uma maior aproximação com os entrevistados.
A segunda parte foi pensada para discutir a formação dos pedagogos para o ensino de Ciências nos anos iniciais do ensino fundamental, em conteúdos escolares de astronomia. Para isso, ao final da primeira parte da entrevista, os 1 sujeitos receberam um texto 1 contendo um episódio de ensino, exemplificando algumas dúvidas e questionamentos de um aluno em uma aula de Ciências, sobre conteúdos básicos de Astronomia, mais especificamente, as Estações do Ano. Foi solicitado a cada entrevistado que elaborasse por escrito, a partir da leitura do texto indicado, como seria possível trabalhar com o conteúdo abordado pelo texto. Abordaremos nesse trabalho as considerações feitas pelos entrevistados a partir desse episódio de ensino.
A utilização de episódios ou casos de ensnsino ainda é pouco freqüente nas pesquisas em Educação se compararmos a outras áreas do conhecimento, tais como, Medicina e Direito (Hiebert, Gallimore, Stigler, 2002 apud Nono e Mizukami, 2002). Os episódios de ensino podem ser utilizados como exemplos re ais de uma situação de sala de aula; como uma oportunidade de auxiliar professores na tomada de decisões a partir de determinada situação e ainda como um estímulo à reflexão sobre a prática docente. É possível propor a leitura, análise e discussão de episódódios já existentes ou a elaboração de casos relacionados a experiências de ensino (Nono e Mizukami, 2002).
Aqui optamos por utilizar o episódio de ensino como um instrumento de pesquisa, por meio da leitura e posterior sistematização escrita por parte dos entrevistados, na tentativa de oportunizar aos alunos formandos do curso de Pedagogia uma possibilidade de refletir sobre a prática de sala de aula e a partir disso propor alternativas didático-metodológicas para a aula de Ciências descrita no episódio.
O episódio de ensino utilizado nas entrevistas narra uma aula de Ciências na qual são abordados os movimentos da Terra e as estações do ano. A professora "personagem" no episódio de ensino inicia a aula com explicações de que "o verão é o tempo do calor, o ininverno é o tempo do frio, a primavera é o tempo das flores e o outono é o tempo em que as folhas ficam amarelas e caem." (Caniato, 1983). Posteriormente, as diferenças entre as estações do ano são explicadas. A existência dessas estações é explicada por essa professora como devida à distância da Terra em relação ao Sol. Motivado por uma curiosidade, normal nas crianças, um dos alunos inicia alguns questionamentos à professora: Se as estações do ano existem devido à distância da Terra em relação ao Sol, como o podem existir diferentes estações do ano na Terra, em uma mesma época no ano? Os questionamentos da criança são sempre relacionados à conhecimentos que ela possui acerca das
1 Texto adaptado de: CANIATO, Rodolpho. Ato de fé ou conquista do conhecimento? Um episódio na vida de Joãozinho da Maré. Publicado no Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira, ano 6, número 2, 1983.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
estações do ano, adquiridos através da televisão, de suas observações cotidianas, etc. São descritos os diálogos estabelecidos entre eles e as dificuldades da professora em explicar ao aluno as considerações por ele feitas.
## Alguns Resultados
Detalharemos a seguir, a partir da transcrição e leitura de 8 entrevistas realizadas nos meses d de maio e junho de 2008, algumas considerações feitas pelas entrevistadas a respeito do episódio de ensino e das relações estabelecidas por elas com o conteúdo presente neste episódio.
- O grupo entrevistado é bastante heterogêneo e formado por alunas que possuem diferentes experiências profissionais na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. A maioria (5 alunas) está atuando em escolas como professora regente ou auxiliar de turma. As demais não estão atuando no momento, mas possuem alguma experiência docente a partir do estágio supervisionado realizado no 3º ano de curso. Todos estão em fase final do curso, tendo já cursado as disciplinas voltadas à formação docente como as Metodologias do Ensino2 o2 , específicas de várias áreas do conhecimento.
Questionadas sobre o que mais lhes chamou a atenção no texto lido, praticamente todas as entrevistadas destacam a atitude autoritária da professora perante as dúvidas do seu aluno, criticando a postura de detentor do saber por parte da professora, o seu despreparo para ra lidar com a situação instataurada em sala de aula e a desconsideração do conhecimento prévio do aluno:
- "O que mais me chamou atenção foi a dificuldade que a professora teve em levar em consideração o que o Joãozinho estava falando (...) ele começa a relacionar com outras coisas e ela não consegue fazer a relação que ele está fazendo." (Lucia)a) 3
- "A forma como a professora conduziu a aula. Que é uma coisa que a gente acaba fazendo, eu falo a gente porque eu também, já aconteceu comigo, às vezes de ter dúvida e a gente naquela postura de professor, naquela imagem fechada, de não errar, de ser o detentor do saber e coisa e tal, que a gente vem tentando justificar, acaba: 'ah, é isso e ponto' ou 'se eu to falando que é, é porque é.' Eu acho que isso ainda está basastante presente." (Renata)
- "(...) eu percebi isso, uma falta de planejamento do próprio trabalho, uma negação do conhecimento que o aluno carrega , e assim, uma idéia muito tradicional ainda de conceber o ensino, que o professor tem que ser o detentor de todo saber." (Julia)
"(...) a falta de vontade da professora, o desânimo, de que ela é superior em sala, de que ela é a voz, ela é a lei ." (Milena)
Por outro lado, em número menor, algumas citam a falta de conhecimento do conteúdo trabalhado em sala de aula p por parte da professora:
- "(...) ela não dominava o assunto, pelo jeito nem tinha conhecimento do que ela estava falando e tentava inventar hipótese, inventar alternativa, inventar... respostas para o que a criança afirmava." (Valéria)
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
"(...) a professora no caso, ela tava seguindo aqueles moldes, aqueles padrões da minha época. Que você aprende aquilo e você não questiona. (...) Mesmo ela não estando segura do que ela estava falando." (Veridiane)
Assim, notou-s-se que os aspectos da relação e prática pedagógica da professora do episódio descrito no texto atraíram bastante a atenção das entrevistadas e que a falta de conhecimento específico foi bem menos citada.
ApApenas uma entrevistada comenta que as dúvidas e questionamento do personagem Joãozinho também suscitaram dúvidas em seu próprio conhecimento.
"(...) a gente pegou até algumas dúvidas do Joãozinho. (...) uma dúvida no seu próprio conhecimento." (LuLucia)a)
A valorização do conhecimento prévio do aluno em relação ao conteúdo escolar que será trabalhado é apontada por metade das entrevistadas como forma de iniciar as atividades de ensino propostas. Entretanto, não fica claro em suas falas, o que deve ser problematizado com o levantamento desse conhecimento que o aluno já possui e traz para a sala de aula.
- "(...) num primeiro encontro eu pensei em chegar na sala e fazer aquele básico, o que cada um sabe a respeito de estações do anono." (Aline)
- "(...) levantar as questões, o que eles sabem sobre as estações, porque geralmente eles têm noção.o." (Lucia)
- "(...) explororar o que eles sabem sobre estações do ano, relacionando com seu cotidiano e questionando (...) que época do ano que eles sentem mais frio ou calor, se é diferente para eles ou não." (Julia)
Ao solicitar que as entrevistadas comentassem a respeito da proposta didática por elas proposta para a explicação dos conteúdos abordados no episódio de ensino, constatamos uma forte presença de utilização de materiais concretos , como a construção de maquetes, , com a intenção de permitir aos alunos o contato e a exploração de diferentes materiais .
- "(...) explicaria a partir de objetos ou usando pessoas mesmo, um é o Sol, o outro a Terra. Porque ele vê ali que a Terra uma hora está perto, mas como que um lugar é quente e outro é frio? Ele não teve a noção de que a Terra é redonda e que tem países em volta de todo o globo e não só de um lado." (Renata)
- "(...) aquela idéia mais tradicional de trabalho com sistema solar, fazer aquele sistema com bolas de isopor, r, mas que é a melhor idéia, eu acho. Porque aquilo você consegue entender o movimento de cada coisa, (...) que momento que o Sol ilumina e o Sol não ilumina, o porquê que existe inverno, porque (...) a Terra está rodando em volta do Sol mas ela está mais afastada na órbita dele.e." (Mirela)
- "(...) vamos supor, refletisse uma luz assim numa laranja, pusesse uma sombra que pegasse uma parte assim, para eles verem que lado está sombra, então, por isso se não tem o Sol o tempo todo então vai estar mais frio." (Veridiane)
As tentativas da maioria das entrevistadas para explicar r o conteúdo didático abordado no texto não levam em consideração o erro conceitual apresentado pela professora "personagem" do episódio de ensino lido. Embora modificando a metodologia de ensino com a utilização de materiais concretos, algumas delas continuam apresentando o conteúdo de uma forma semelhante ao relatado no texto, ou seja, os conceitos permanecem estruturados na concepção de que as diferenças entre as estações do ano são explicadas devido à distância da Terra em relação ao Sol. A maioria das entrevistadas parece não ter percebido o erro conceitual existente na explicação da professora e algumas parecem confundir a formação dos dias e noites com as estações do ano.
Apenas uma aluna apresentou de forma satisfatória explicações acerca do conteúdo o estações do ano:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
" (...) dividir a turma em pequenos grupos e... entregar para eles um texto ou uma tabela... que traga informações a respeito de algum planeta específico e também do Sol, cada um desses grupos faz uma pequena maquete com uma bola de isopor , algum material colorido, etc. A partir disso eu pensei numa estrutura, num aro, que você pudesse colocar os planetas com um fio de nylon, e que a partir daquela maquete você começar a mostrar para eles, falar dos movimentos, falar da rota elíptica, falar do eixo que não é tão retinho, e aí, a partir disso você começa a falar é rotação, da sucessão dos dias e noites, isso aqui é translação e em virtude dessa inclinação as estações do ano são diferentes em diferentes lugares, etc, etc, etc." (VaValéria)a)
Essa foi a única entrevistada que claramente leva em consideração a inclinação do eixo terrestre e a distribuição desigual da luz solar nos hemisférios para explicar as estações do ano.
## Considerações Finais
Entendemos que o desenvolvimento profissional docente é um processo continuado e ressaltamos a importância de voltar nosso olhar aos processos de formação docente, procurando já na fase de formação inicial desenvolver uma formação na perspectiva que permita a esses futuros professores domínio dos conteúdos, diversidade de estratégias de ensino, motivação e habilidade para transpor os conceitos de forma envolvente e dinâmica aos alunos.
Esperava-s-se que a leitura do episódio de ensino utilizado pudesse colocar em conflito os conceitos relativos ao conteúdo nele abordado (Estações do Ano) devido às inconsistências teóricas apresentadas pela professora "personagem". O fato de a maioria das entrevistadas não problematizar a explicação equivocada da professora para a existência das estações do ano aponta que algumas concepções sobre Astronomia apresentadas pelas futuras professoras podem ter sido adquiridas na educação básicica e podem persistir mesmo após
(...) um curso de graduação falho ou isento de conteúdos em ensino de Astronomia. (...) Muitos professores só vão rever o tema quando iniciarem sua carreira no magistério, tendo de confiar plenamente na reduzida e muitas vezes duvidosa quantidade de tópicos astronômicos contidos nos livros didáticos. (Langhi e Nardi, 2005)
As falas das entrevistadas permitem identificararmos algumas lacunas nos conhecimentos produzidos pelas futuras professoras no que se refere ao ensino de conteúdos de Astronomia, como muitos trabalhos têm evidenciado, não só em relação a esses conteúdos, mas a conteúdos de ensino de Ciências da Natureza a em geral, e à própria concepção de Ciência.
Além do acima exposto, nesse trabalho evidenciou-s-se que as atenções da maioria das entrevistadas em relação ao episódio de ensino voltaram-s-se mais a aspectos da didática, da postura autoritária da professora "personagem" e à sua posição de superioridade em relação ao aluno. Elas não perceberam, ou não citaram, que talvez a insegurança conceitual da professora, instaurada a partir das perguntas do aluno, tenha levado a professora a ter aquelas atitudes (criticadas pelas entrevistadas) em sala de aula. Algumas citaram a falta de conhecimento conceitual da professora, mas de uma forma genérica, sem adentrar especificamente em qual seria essa dificuldade. Ao lado desse resultado, ao serem questionadas a proporem alguma atividade para o ensino do conteúdo específico ao qual o episódio de ensino se refere, a maioria das alunas citou a utilização de materiais concretos, talvez buscando fazer algo diferenciado da professora "personagem". Entretanto, apesar dos materiais coconcretos, as suas explicações
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
continuam com erros conceituais, os quais elas parecem não ter percepção. Apenas uma das entrevistadas mostrou em suas falas ter compreendido qual exatamente era a dificuldade conceitual da professora, tentando na sua proposta de atividade de ensino contemplar a explicação das Estações do Ano.
Esses resultados são importantes, quando analisados perante o posicionamento dessas futuras professoras em relação ao seu curso de formação inicial. Em outra parte da entrevista, algumas entrevistadas destacaram, em tom de crítica ao curso, que não são trabalhados os conteúdos escolares relativos às séries iniciais, sendo pressuposto que os alunos que cursam Pedagogia possuem o domínio dos conteúdos escolares das diferentes disciplinas.
" (...) eu achei que as metodologias era o segui nte: que eu ia ter na metodologia de Matemática conteúdos de Matemática, ia ter na metodologia de Ciências conteúdos de Ciências. A gente precisa. A gente sai da faculdade e não tem nada de conteúdo. Você aprende um pouco da legislação que norteia a disciplina e só." (AlAline)e)
Em geral, os cursos de formação inicial caracterizam-s-se por tratar de forma superficial (ou mesmo não tratar) os conteúdos que serão objetos de ensino dos futuros professores, sendo que as próprias entrevistadas evidenciaram a necessidade da inclusão desses conteúdos na disciplina Metodologia do Ensino de Ciências. A fala da entrevistada acima, junto a outras falas que surgiram nas entrevistas, parecem indicar que no curso como um todo (não esespecificamente nas disciplinas de Metodologia do Ensino), há uma ênfase em fundamentos teóricos da educação.
Nossa investigação tem nos levado a refletir sobre como a formação inicial pode ou deve contemplar a abordagem dos conteúdos escolares, sem negar a importância dos fundamentos da educação, visando aprofundar e problematizar os conteúdos escolares muitas vezes apropriados erroneamente pelos sujeitos, pois
Nenhum professor consegue criar, planejar, realizar, gerir e avaliar situações didáticas eficazes es para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos se ele não compreender, com razoável profundidade e com a necessária adequação à situação escolar, os conteúdos das áreas do conhecimento que serão objeto de sua atuação didática. (Brasil, 2001)
Por r outro lado, sabemos que a aprendizagem de conteúdos de ensino não vai levar a uma apropriação de formas de ensino, que devem ser planejadas e desenvolvidas à luz dos fundamentos da educação. As reflexões que essa investigação nos tem trazido nos levam a questionamentos acerca de como se podem superar essas dificuldades na formação inicial docente, em especial na formação dos docentes das séries iniciais. Embora nesse trabalho o episódio de ensino tenha sido utilizado com fins de levantar dados empíricos para a pesquisa, temos refletido acerca da utilização desses episódios como um importante instrumento na formação inicial de professores, por proporcionar o contato com uma situação de ensino e permitir a reflexão sobre os conteúdos escolares e a atuação docente, mesmo que de forma não direta.
## Referências
ANFOPE - - Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Documento final do XI Encontro Nacional . B Brasília, 2002.
BRASIL. Leis e Decretos. Lei de diretrizes e bases da educação nacional: lei n.9.394/1996. . Brasília, 1996.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
BRASIL. P Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. D Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Parecer CNE/CP nº 9/2001, pub no DOU de 18/01/2002. Brasília: MEC, 2001.
CANIATO, Rodolpho. Ato de fé ou conquista do conhecimento? Um episódio na vida de Joãozinho da Maré. Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira, ano 6, número 2, 1983.
HEINECK, Renato. O ensino de Física na escola e a formação de professores: reflexões e alternativas. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.16, n.2, p. 226241, ago. 1999.
LANGHI, Rodolfo; NARDI, Roberto. Dificuldades interpretadas nos discursos de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental em relação ao Ensino da Astronomia. Revista Latino -Americana de Educação em Astronomia - - RELEA, n. 2, p. 75-92, 2005.
MARANDINO, Martha. O papel da didática das Ciências no curso de magistério. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.16, n.1, p.54-71, abr. 1999.
NONO, Maévi A.; MIZUKAMI, Maria da G. N. Casos de ensino e processos de aprendizagem profissional docente. R Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos , v.83, n.203/204/205, p. 72-84, jan./dez. 2002.
PORTELA, Caroline D. P. ; HIGA, Ivanilda. Os estudos sobre ensino de Física nas séries iniciais do ensino fundamental. In: Atas VI ENPEC -- Encontro Nacional de Pesquisa em m Educação em Ciências. Belo Horizonte : ABRAPEC, 2007.
VIANNA, Deise M.; PINTO, Kátia N.; LIMA, Sérgio F. de. Pode o ensino de Física modificar a concepção de ciência do futuro professor de 1º segmento do 1º grau? Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.11, n.2, p.79-87, ago.1994.
VIDAL, Eloísa M.; ANDRÉ, Andréa Moura, MOURA, Francisco M. T. Os conceitos Físicos na formação de professores de 1ª a 4ª séries no curso de pedagogia da Universidade Estadual do Ceará. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.15, n.2, p.179-191, ago. 1998.
ZIMMERMANN, Érika; EVANGELISTA, Paula Cristina Queiroz Evangelista . Pedagogos e o ensino de física nas séries iniciais do ensino fundamental. C Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 24, n. 2 , p. 261-280, ago. 2007.
ZIMMERMANN, Érika; EVANGELISTA, Paula Cristina Queiroz Evangelista . Produção de histórias científicas infantis na formação de pedagogos para o ensino de física. In: X XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. Curitiba, 2008. Disponível em: http://www.sbf1.sbfisic a.org.br/eventos/epef/xi/sys/resumos/T01572.pdf
ZULIANI, Silvia. R. Q. A. O caso de Joãozinho da Maré e o processo de aprendizagem de futuras professoras do Ensino Fundamental: estudos de caso e aprendizagem profissional docente. In: Atas III ENPEC - - Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências. Belo Horizonte: ABRAPEC, 2001.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.