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UM PANORAMA DA EVASÃO E DOS CONCLUINTES DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA NA USP: 1997-2007

Carla Alves De Souza, Sonia Salem, Maria Regina Kawamura

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UM P PANORAMA DA EVASÃO E DOS CONCLUINTES DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA NA USP:1997 -2007

Carla Alves de Souza a [carla.souza@usp.br] Sonia Salem b [sosalem@if.usp.br] Maria Regina D. Kawamura c [mrkawamura@if.usp.br]

abc Instituto de Física - Universidade de São Paulo

## RESESUMO

A partir de 1993, foi implementada no Instituto de Física da USP uma reforma curricular, pela qual os cursos de Licenciatura e Bacharelado passaram a constituir-se como carreiras independentes, com ingressos diferenciados no Vestibular. Desde então, ao longo dos últimos dez anos, vem sendo realizado um processo de acompanhamento e avaliação da Licenciatura, através de diferentes procedimentos. Dentre os problemas identificados temos, como em muitos outros cursos, um alto índice de evavasão, caracterizado pelo conjunto dos ingressantes que não concluem o curso. Nessa perspectiva, e como parte de um projeto mais amplo, esse trabalho apresenta e analisa dados quantitativos sobre os concluintes e os não concluintes na Licenciatura do IFUSP, , entre 1997-2007. Assim, foi possível constatar que concluiram o curso, nesse período, um total de 555 alunos, observandoose, entretanto, uma significativa evasão. São apresentados resultados por período (diurno/noturno) e o intervalo de tempo médio para a conclusão do curso. Em uma análise inicial, foram identificadas as causas da evasão a partir dos indicadores fornecidos pelo sistema de acompanhamento de matrícula da Universidade. Os resultados obtidos apontam não somente para a necessidade de um aprofunundamento das investigações e reflexões sobre essas causas, mas a possibilidade da existência de dois conjuntos de razões de naturezas distintas, sendo um estrutural e outro conjuntural. Ao mesmo tempo, reforçam o potencial de um acompanhamento permanente do do processo de formação, mediante diferentes indicadores, que levem em conta, também, estudos sobre evasão em outros cursos universitários. Pretende -se, assim, contribuir para o aprimoramento e demanda da formação inicial de professores de Física.

## ININTRODUÇÃO

O Instituto de Física da Universidade de São Paulo vem oferecendo, desde 1993, um Curso de Licenciatura em Física, com carreira independente do Curso de Bacharelado desde o ingresso no vestibular FUVEST. Assim, os cursos de licenciatura e bacharelado em m Física possuem tanto projetos pedagógicos como identidades próprias, buscando atender às especificidades dos dois perfis formativos desejados, ou seja, professor/educador e bacharel. Essa diferenciação resulta, também, em estruturas curriculares específicas, desde as disciplinas iniciais. A proposta de dois cursos, como opções paralelas e separadas desde o início, foi pioneira no país para a área de Física, sendo ambos os cursos oferecidos tanto no período diurno como no noturno. Atualmente, para a Licenciaiatura, são disponibilizadas, a cada ano, 50 vagas para o período diurno e 60 vagas para o período noturno, que se constituem em uma carreira própria, nas opções do vestibular de ingresso, juntamente com as vagas para o curso de Licenciatura em Matemática, oferecido pelo IME (Instituto de Matemática e Estatística). Para o curso de Bacharelado, o ingresso nas 160 vagas disponíveis, é feito através de outra carreira, possibilitando aos ingressantes a opção por outros cursos de bacharelado.

O objetivo inicial da implantação da Licenciatura, nesses moldes, foi o de procurar resgatar a participação da Universidade na formação de professores, numa tentativa de reverter o quadro

anterior, em que o número de alunos licenciados em Física representava uma fração basta nte inexpressiva do total de vagas oferecidas pelo IF e, ainda, buscar melhor atender às urgentes demandas por professores do o ensino médio.

Ao longo dos últimos dez anos, vem sendo realizado um processo contínuo de acompanhamento e avaliação do curso, através da caracterização do perfil dos ingressantes, do desempenho em disciplinas, analisadas em blocos, do acompanhamento individual de alunos de algumas turmas, além de avaliações formais e informais de diversas naturezas. Dentre os problemas identificados temos, como em muitos outros cursos, um alto índice de evasão, caracterizado pelo conjunto dos ingressantes que não concluem o curso.

Esse trabalho tem por objetivo apresentar alguns dados quantitativos sobre o número de concluintes e a evasão nos Cursos de Licenciatura, nos últimos onze anos, de forma a iniciar uma discussão sobre o próprio curso. Assim, apresentamos um panorama preliminar sobre os concluintes da licenciatura no IFUSP, desde a implantação da reforma curricular, visando obter e analisar a evasão e os motivos de abandono, elementos importantes para iniciar uma análise mais ampla sobre o perfil e a identidade da licenciatura.

A Universidade de São Paulo está implementando o P Programa de Formação de Professores da USP, em que as Licenciaturas de de todas as áreas passam a atuar de forma integrada e articulada. Esse processo requer um contínuo acompanhamento e levantamento de dados, visando identificar as características dos vários cursos e desenvolvendo instrumentos que possam vir a sinalizar possíveis adequações e atualizações das atuais propostas curriculares à formação desejada. É nesse contexto que estamos desenvolvendo essa proposta.

Ao mesmo tempo, esse trabalho está sendo desenvolvido no âmbito do Programa "Ensinar com Pesquisa", de iniciativiva da Pró-R-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo, que integra um conjunto de ações destinadas ao apoio, à permanência e à formação estudantil na Universidade de São Paulo, como parte de uma política de valorização do ensino de graduação, a partitir de 2007.

## ESTRATÉGIA DA PESQUIS A

Estudos sobre evasão em cursos superiores têm sido realizados em diferentes contextos e através de variadas metodologias, o que envolve, também, indicadores com significados diversos. Esse aspecto deve ser considerado atetentamente quando se buscar comparações entre resultados de trabalhos na área. Particularmente, na USP, foi desenvolvido um amplo estudo sobre evasão, realizado pela Pró-R-Reitoria de Graduação em 2004, que descreve e analisa os resultados do Projeto "A "Acompanhamento da Trajetória Escolar dos Alunos da Universidade de São Paulo, Ingressantes de 1995 a 1998", que fornece um conjunto de dados e resultados importantes sobre a evasão e a permanência prolongada na USP nesse período.

A estratégia de pesquisa, no caso do presente trabalho, consistiu em utilizar dados apenas quantitativos, a partir do acompanhamento, ano a ano, do número de alunos desligados do curso, seja por terem concluído, seja por abandono, ou outros motivos.

A delimitação do período a ser analisado é motivada pelo interesse em acompanhar a instauração da licenciatura como opção independente. Somente a partir de 1997 é possível já ter concluintes do curso, sendo esse o ano de conclusão da primeira turma ingressante em 1993, no período noturno. As grgrades curriculares dos cursos diurno e noturno são equivalentes, diferindo apenas no número de horas de aulas semanais, o que acarreta uma duração diferente para a integralização dos créditos, estando previstos, para o diurno, um total de 4 anos (8 semestres) e para o noturno, 5 anos (10 semestres).

Em um primeiro momento, foi realizado um levantamento de informações sobre encerramentos de históricos por parte de alunos da licenciatura no período 1997-2007, extraídas de listas geradas pelo sistema de dados da Graduação da USP (Sistema Júpiter).

Os dados obtidos foram sistematizados em planilhas contendo as seguintes informações para cada aluno: ano de ingresso; semestre de ingresso; tipo de ingresso; turno; créditos acumulados; ano de conclusão; semestre de c conclusão, data de encerramento; tipo de encerramento .

As planilhas com os encerramentos apresentam um importante indicativo de como se dá a trajetória dos alunos que ingressam no curso, via vestibular ou outras. Pode-se observar, além do tempo decorrido enentre ingresso e conclusão, a incidência de cada um dos tipos de encerramento. Embora o conjunto desses dados permita análises muito diversificadas, apresentamos, a seguir os resultados obtidos a partir de dois pontos de vista diferentes. Primeiramente, acomompanhamos o número de concluintes ao longo do período analisado. Em seguida, analisamos os índices de encerramento, procurando identificar suas principais razões.

## Evolução do número de concluintes

O período em análise envolve um conjunto de onze anos. Indndependente do ano de ingresso, procuramos estimar, inicialmente, quantos alunos poderiam ter concluído o curso, nesse intervalo, incluindo tanto o diurno como o noturno. Essa estimativa seria simples se o número de ingressantes tivesse permanecido constantnte, em 100 vagas por ano, como nos primeiros anos. Nesse caso, teríamos contabilizado a possibilidade de 1100 conclusões. No entanto, a partir de 2000, o número de vagas do curso noturno passou de 50 para 60, fazendo com que para os anos entre 2004 e 2007 (quatro anos), pudessem ser esperadas mais conclusões. Nessa nova perspectiva, foi possível contabilizar a possibilidade de que 1140 alunos poderiam ter concluído o curso, desde que não houvesse nenhuma desistência, no período que pretendemos analisar.

Nossos resultados indicam, no entanto, para esse período, 555 conclusões, o que significa uma taxa de 48,7 % de integralização do curso pelos alunos. Esse número, como já foi observado, tem um significado local e específico, uma vez que a conclusão/evasão está sendo estimada para um regime de fluxo contínuo. Assim, ainda que correto, contribui com pouca informação para os objetivos desejados.

No intuito de obter um quadro mais detalhado, analisamos o número de concluintes tanto por semestre de conclusão (prprimeiro/segundo de cada ano), como por período (diurno/noturno), ao longo desses onze anos. Além disso, analisamos o tempo de duração do curso, ou seja, o número de semestres em que o curso foi integralizado para cada concluinte.

O Gráfico 1 mostra o número de concluintes por ano, distribuídos em 1º e 2º semestre.

Gráfico 1. Número de concluintes por semestre, ano a ano

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Nota -se que o número de concluintes de 2º semestre excede em muito o de concluintes de 1º semestre. Esse é o resultado de fato a ser esperado, uma vez que os cursos - - seja diurno ou noturno

- têm duração ideal em número inteiro de anos e são organizados semestralmente, com ingresso por vestibular apenas no 1o. semestre.

Agrupando os concluintes por ano (reunindo os números de 1o 1o e 2o 2o sememestres) tem-m-se um panorama mais claro do número de concluintes nesses onze anos. O Gráfico 2 apresenta essa evolução:

Gráfico 2. Número de concluintes por ano

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Percebe -se que, nesse período, houve um expressivo crescimento do número anual de concluintes, passando, de pouco mais de uma dezena, no primeiro ano desse período, para mais de seis dezenas, ao final do período. No entanto, essa evolução não é homogênea. Ao crescimento gradual dos primeiros anos, até 2001, segue -se uma queda, em 2002; novo aumento em 2003 com suave queda em 2004; considerável elevação em 2005, seguida por outra diminuição em 2006 e, finalmente, uma discreta elevação em 2007.

Em média, nos onze anos, formaram -se 51 alunos por ano. De um modo geral, essas oscilações não apresentam, esespecialmente a partir de 2003, alguma tendência quer de crescimento, quer de redução, podendo possivelmente ser indicativas de certa estabilização. O crescimento observado nos primeiros anos pode ser atribuído ao fato de corresponderem aos primeiros anos de de conclusão das turmas iniciantes no curso após a reforma curricular.

Os dois últimos anos apresentam valores muito próximos da média de concluintes dos últimos sete anos - 62,7 - o que talvez reforce a hipótese de tendência à estabilidade. Considerando apenas o período de 2001 a 2007, esse valor médio de concluintes, representa cerca de 45% do total de encerramentos.

Para uma análise em relação ao número de conclusões por turno - diurno ou noturno - os dados foram sistematizados na forma apresentada no Gráfico 3:

Gráfico 3. Número de concluintes por turno, ao longo dos anos

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Comparando o número de formandos dos períodos diurno e noturno (Gráfico 3), percebemos uma oscilação dos valores, no decorrer dos anos, em ambos os turnos. (Em 1997, há somente conc luintes do noturno, o que, na verdade, corresponde à soma dos dois períodos, sem discriminação, tal como fornecido pelo sistema de matrícula que inaugurava, naquele ano, sua

implantação). Nos anos de 1998, 1999, 2001, 2003 e 2006, o número de formandos do diurno é maior que o do noturno. E, nos demais anos - 2000, 2002, 2004, 2005 e 2007 - ocorre o inverso, maior número de concluintes do período noturno.

Tais dados mostram que ao longo de todo o período considerado, não se pode dizer que há maior incidência ia de concluintes em um dos dois turnos. Além disso, é comum os alunos mudarem de turno (diurno para noturno e vice-versa) ao longo de seus percursos na instituição, o que demandaria uma análise mais detalhada quanto ao turno em que estavam efetivamente cursrsando no final do curso e naquele de ingresso. Por outro lado, a oscilação dos dados obtidos não estimula nem justifica esse aprofundamento.

## Tempo médio para conclusão do curso

Para uma análise do tempo médio gasto para a conclusão do curso foi preciso considerar somente os ingressantes pelo vestibular. Os gráficos 4, 5 e 6 resultam desses dados; incluindo os 1 casos de discrepâncias 1 .

Gráfico 4. Número médio de semestres para a conclusão do curso, por turno

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Praticamente em todos os anos, ao longo desse período, percebe -se que os alunos vão além do tempo ideal para concluírem seus cursos. Os períodos diurno e noturno têm tempo ideal para conclusão diferentes - 8 semestres, para o primeiro e 10 semestres para o segundo. O Gráfico 5 apresenta o valor absolututo de semestres além (ou aquém, como ocorre em 1997 e 1998) destes tempos ideais e o Gráfico 6 mostra os dados em valores percentuais:

Gráfico 5. Número de semestres além do tempo ideal (8 diurno; 10 noturno) para a conclusão do curso, por turno

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Gráfico 6. Porcentagem do excedente em semestres com relação ao tempo ideal para a conclusão do curso, por turno

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Os dados dos Gráficos 5 e 6 mostram que não há um padrão de crescimento ou decrescimento dos valores de um turno ou outro ao longo destes onze anos.

Percebe -se, por exemplo, que de 1998 a 2002, o excedente de semestres para a conclusão de curso dos alunos do diurno sofre um aumento a cada ano. Em 2003 e 2004 esses valores decrescem; voltando a subir em 2005. Em 2006 ocorre nova diminuição e, finalmlmente, em 2007, esse valor tem grande elevação. Com relação ao noturno , vemos que em 1997 e 1998 os formandos concluíram seu curso em um tempo médio inferior ao ideal. Em 1999 esse valor aumenta consideravelmente. Decresce em 2000; volta a subir em 2001, diminui em 2002, voltando a crescer em 2003. Em 2004, 2005 e 2006 esses valores apresentam uma certa queda gradativa até subir suavemente em 2007.

No entanto, apesar das flutuações observadas, e das considerações sobre as possibilidades de transição entre turnos, os dados explicitam um tempo de duração da formação muito acima da previsão contida na grade curricular. Algumas razões para isso podem ser apontadas, a partir da experiência e do convívio com os alunos, ao longo desses anos. Há razões de ordem pe ssoal. A quase totalidade dos alunos do período noturno trabalha, assim como um número expressivo de alunos do diurno. Isso faz com que tenham pouco tempo para dedicar ao curso, optando, muitas vezes, por cursar menos disciplinas por semestre do que o previsto na grade. De certa forma, essa tem sido uma postura até mesmo estimulada pela coordenação do curso, reconhecendo suas dificuldades. Um outro aspecto importante é de ordem estrutural. A maior parte das disciplinas é oferecida apenas em um dos semestres e, portanto, uma vez ao ano. Isso faz com que, diante de uma reprovação em dada disciplina, o aluno tenha seu curso estendido de mais um ano, pois terá que esperar pelo novo oferecimento dessa disciplina no ano seguinte.

## Caracterização dos diversos tipos de encerramento

A perspectiva complementar aos resultados acerca dos concluintes, já apresentados, nos leva a procurar analisar o universo de alunos que encerraram seus cursos, sem a conclusão, ao longo desse mesmo período. Essa não é uma análise simples, a partir da forma como as planilhas foram desenhadas, e faz se necessário um conjunto de considerações.

Em primeiro lugar, o número total de alunos que encerraram o curso foi de 925 , de um total de 1482 de casos analisados, incluindo -se as 554 conclusões. Isso significa que o número de alunos que passaram pelo curso não é só aquele decorrente dos ingressos pelo vestibular. De fato, para uma análise mais rigorosa é preciso contabilizar as transferências, tanto de alunos de outras unidades e cursos para a licenciatura, como no sentido inverso. Além disso, alguns alunos ingressam no curso através da categoria de alunos graduados. Todos esses aspectos devem merecer uma atenção especial no futuro. Mas, ainda assim, para efeitos de análise, uma primeira

aproximação à chamada evasão pode ser obtida passando a considerar o universo de desligamentos ao longo de todo o período, procurando caracterizá-lo.

Outro problema é que, por ora, somente é possível a utilização dos tipos de desligamento tal como registradas pelo sistema de matrículas, que incluem denominações muito específicas, respondendo às normas e restrições do regimento da graduação. Um exemplo dessas informações, na forma como comparecem, é apresentado na Tabela 2 abaixo.

Tabela 2. Número de estudantes por Tipo de Encerramento

Esses mesmos resultados podem ser visualizados nos Gráfico 7(a) e 7(b), onde são apresentados os casos de encerramento por tipo, em número absoluto (Gráfico 7a) e distribuição percentual (Gráfico 7b) distribuição percentual. l.

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Gráficos 7(a) e 7(b). Alunos por tipo de encerramento, segundo classificação da tabela 2

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Apesar da predominância do número de concluintes, é preciso analisar que todos os demais tipos de encerramento somados superam esse valor e equivalem quase que totalmente ao que poderíamos chamar de abandono do curso. Assim, para desenhar um panorama mais direto com relação à "evasão" do curso, foi feito um reagrupamento dos tipipos de encerramento (excluídos os concluintes) em quatro grandes grupos, denominados e classificados como:

Abandono = Abandono, 3 semestres sem matrícula + Cancelamento, menos de 20% de créditos aprovados +Cancelamento, trancado por mais de 10 semestres + Cancelamento, trancado por mais de 4 semestres + Cancelamento, ultrapassou o prazo máximo + Desistência a pedido + Cancelamento, zero créditos

Transferência = Transferência externa + Transferência USP;

Desistência inicial = I Ingresso sem freqüência.

Outros = Outros + Encerramento novo ingresso + Falecimento + Liminar cassada + Unificação de

programa.

O primeiro grupo (Abandono) expressa, de fato, o número de alunos que desistiu do curso durante o percurso, em algum semestre, independente do número de créditos já cursados. No segundo grupo (Transferência), estão os alunos que optaram pela transferência para outros cursos, ou seja, não abandonaram a universidade propriamente, mas se recolocaram em outras perspectivas. No terceiro (Desistência Inicial), foram rereunidos os encerramentos que correspondem aos alunos que de fato não chegaram a começar o curso, o que, em outros trabalhos, tem sido denominado de evasão branca. Ou seja, são alunos que não chegaram a obter qualquer crédito em alguma disciplina, ou nem mesmo obtiveram freqüência nos dois primeiros semestres do curso, como é exigido. Finalmente, no quarto grupo (Outros) estão reunidos todos os outros motivos de encerramento, diversificados, sobre os quais não é possível ainda estabelecer uma análise mais rigorosa.

Com essas especificações e considerações, é possível reformular a Tabela 2, de forma mais simplificada, tal como apresentado na Tabela 3.

Tabela 3. Número de encerramentos classificados em quatro tipos principais (sem concluintes)

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Gráfico 8. Evasão classificada em quatro grupos principais; em números absolutos e percentuais

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Os dados da Tabela 3 estão representados no Gráfico 8 - onde tem-m-se os valores absolutos (Gráfico 8 a) e percentuais (Gráfico 8b) do número de alunos por tipo de encerramento.

Nos Gráfico 9(a) e 9(b), a distribuição do conjunto de encerramentos é novamente apresentada em valor absoluto e percentual segundo essa classificação, incluindo-se, nesse caso, também os concluintes.

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Gráfico 9. Total de encerramentos, incluindo os concluintes

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Esses últimos resultados deverão merecer, com certeza, uma análise mais detalhada. No entantnto, na perspectiva em que foram aqui sistematizados, verifica-a-se que a evasão decorrente de não acompanhamento do curso, que denominamos de abandono, corresponde à 66% de todas as desistências ou razões de encerramento. Essas, talvez, devam ser consideradas como as evasões cujos motivos precisam ser investigados em função do momento ou semestre em que ocorreram e, talvez, possam ser atribuídas de fato às dificuldades com o curso. Em termos absolutos, considerando -se apenas os concluintes e os encerramentos por abandono, esses últimos representariam 52% do total, frente aos 48% de concluintes.

Por outro lado, foi possível constatar que uma parte expressiva dos desligamentos não pode ser considerada simplesmente como evasão, pois corresponde a alunos que não ininiciaram o curso (28%) ou que, de alguma forma, optaram por outros percursos formativos (16%). As razões para esses desligamentos não parecem depender das dificuldades ao longo das disciplinas, mas de opções individuais relacionadas a suas estórias pessoaisis. Dessa forma, são independentes da proposta e estrutura curricular. Esses mesmos aspectos foram identificados em diferentes cursos da universidade.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS

Os dados analisados apontam para a expressiva contribuição da implementação do Curso de Licenciatura, como carreira própria desde o ingresso, na formação de um significativo contingente de professores de Física. Esse resultado suplanta, em muito, aqueles que vinham sendo obtidos antes da reforma curricular, no início da década de 90, quando o número de licenciandos que concluíam o curso, por ano, era inferior a uma dezena.

Ao mesmo tempo, demonstra que a evasão ainda continua expressiva, requerendo uma atenção mais detalhada, buscando identificar as possíveis adequações da estrutura curricular e do projeto pedagógico do Curso de Licenciatura às demandas de seus alunos, no sentido de contribuir para superá-la.

No entanto, a evasão observada na licenciatura é inferior aos resultados que vêm sendo 2 obtidos no Curso de Bacharelado do IFUSP 2 2 nesse mesmo período. No caso de estudo realizado pela Pró-ó-Reitoria de Graduação da USP em 2004, os valores médios da evasão apresentados para a universidade de um modo geral caem de 32% para 22%, quando se compara ingressantes em 1995 e 1998, o que dificulta uma comparação por dois motivos: em primeiro lugar pela própria definição atribuída e correspondente cálculo de evasão, e em segundo lugar pelo período analisado. Tais resultados requerem, portanto, que se recoloque o problema da evasão na nossa licenciatura em uma perspectiva mais ampla. Da mesma forma, foram também identificados problemas relacionados a desistências e transferências, que extrapolam o âmbito interno do curso, apontando para motivações e características igualmente mais geraisis.

Assim, a questão da não conclusão do curso por um número grande de alunos passa a assumir duas dimensões diferentes, uma mais local e outra mais geral, cada uma das quais deverá exigir uma forma de abordagem e aprofundamento próprios no futuro.

Esses resultados reforçam o potencial e a necessidade de um contínuo acompanhamento do curso, mediante os mais diversos indicadores, com o objetivo de garantir seu aprimoramento e a realização dos objetivos para os quais foi planejado, contribuindo de forma efefetiva para responder à crescente demanda por professores para a educação básica.

Como outro desdobramento do trabalho, entendemos que seja igualmente importante reunir e sistematizar r diferentes investigações, metodologias de pesquisa , definições e interpretações atribuídas as à evasão de cursos superiores, de modo a possibilitar estudos comparados, agregar resultados e reflexões sobre essa problemática, comum a inúmeras instituições e, particularmente, a cursos de formação inicial de professores.

## REFERÊNCIAS

AOKI, Suely; KAWAMURA, Maria Regina D.. Acompanhamento da progressão dos alunos em um curso de licenciatura. Trabalho apresentado no XIV Simpósio Nacional de Ensino de Física, Natal, 2001.

BARROSO, Marta F.; FALCÃO, Eliane B.M. Evasão universitária: o caso do Instituto de Física da UFRJ. IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física. Jaboticatubas, 2004 (Atas).

CORRÊA, Ana Carolina Costa; NORONHA, Adriana Backx. Avaliação da evasão e permanência prolongada em um curso de graduação em administração de e uma universidade pública. . VII SEMEAD, Faculdade de Economia e Administração-U-USP. São Paulo, 2003.

FUSINATO, Polonia Altoé; ZERMIANI, Aldolino. FREGONEIS, Jucelia G. P. Panorama do Curso de Física da Universidade Estadual de Maringá. VI Encontro Nacional de de Pesquisa em Ensino de Física, Florianópolis, Outubro de 1998 (Atas).

PRÓ -R -REITORIA DE GRADUAÇÃO - - Universidade de São Paulo. A Acompanhamento da trajetória escolar dos alunos da Universidade de São Paulo ; ingressantes de 1995 a 1998. Relatório Final. São Pauaulo. 2004.

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