PROJETOS DE ENSINO E INVESTIGAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Aline Rossetto Da Luz, Ivanilda Higa, Odisséa Boaventura De Oliveira.
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 27/01/2009
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROJETOS DE ENSINO E INVESTIGAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
## Aline Rossetto da Luz 1 Ivanilda Higa 2 Odisséa Boaventura de Oliveira 3
1 UFPR/ Iniciação Científica/Fundação Araucária/aline\_rossetto@yahoo.com.br 2U 2UFPR/DTPEN/PPGE/ivanilda@ufpr.br 3 U
3 UFPR/DTPEN/PPGE/o/odissea@terra.com.br
## Resumo
Este trabalho investiga a formação docente a partir da experiência de atuação de licenciandos em projetos de ensino e investigação, durante a graduação em Licenciatura em Física. Tal investigação pode mostrar importantes diferenças na formação do aluno que participa desses projetos. Nosso interesse nessa pesquisa é estudar esse espaço formativo e desvelar suas contribuições à formação inicial dos docentes, em especial formação dos docentes em Física. Foram realizadas entrevistas envolvendo os exxparticipantes de dois projetos na área de ensino de ciências físicas e biológicas, com o objetivo específico de analisar as percepções desse licenciando sobre sua participação nos projetos e a relação com sua formação docente. Neste trabalho apresentamos um estudo exploratório a partir da análise de uma das entrevistas, realizada com um sujeito que participou de um projeto de ensino de cunho investigativo durante três anos, durante seu curso de Licenciatura em Física, numa universidade pública. A análise da entrevista aponta diversas atividades que possuem relevância na formação docente, tais como atividades de pesquisa, o trabalho coletivo como estratégia e metodologia de desenvolvimento dos projetos, e a reflexão e análise das propostas de ensino desenvolvidas nas escolas. Como contribuição na formação docente percebe-se que a participação nos projetos contribuiu de forma decisiva para a estabilização da opção pela carreira de docente, que complementa de forma abrangente a formação inicial, permitindo superar limitações existentes em atividades tais como o estágio curricular obrigatório. Diante dos resultados entendemos que é possível se incorporar, de alguma forma, essas experiências nos currículos das licenciaturas, buscando novas compreensões para os tempos e espaços curriculares da formação docente, onde as experiências da vivência de projetos investigativos em ensino possam contribuir, conforme também orienta a Resolução CNE/CP 1/2002, para a articulação das dimensões teóricas e práticas na formação docente.
Palavras -c -chave: f formação inicial de professores, projetos, professores de ciências da natureza.
## Introdução
Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa que tem como objetivo geral investigar as contribuições do envolvimento de licenciandos em projetos de cunho investigativo, ainda durante o curso de graduação, na direção de aprofundar estudos para a melhoria da formação inicial dos docentes de ciências da natureza, em especial Física e Ciências Biológicas. Busca-s-se discutir elementos para a
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incorporação de atividades dessa natureza como elemento curricular na formação dos professores dessas áreas.
Os sujeitos da pesquisa são graduandos das licenciaturas dos cursos mencionados acima, participantes e ex-participantes de dois projetos de cunho extensionista, desenvolvidos numa universidade pública federal. Um desses projetos é vinculado às ações de Extensão da universidade e o outro é vinculado a um programa institucional denominado Licenciar (da Pró-Reitoria de Graduação). Ambos são desenvolvidos por um mesmo grupo, envolvendo professores em formação inicial e continuada, das áreas de ensino de ciências físicas e biológicas. As coordenadoras orientam os bolsistas, incentivando os participantes a realizarem atividades de estudos, criações, reflexões e análises de propostas de ensino. Aqui será realizado um estudo exploratório, através de uma das entrevistas, realizada com um dos sujeitos da pesquisa.
Relatam -se brevemente algumas atividades realizadas por esse sujeito nos projetos, de forma a melhor contextualizar a situação em estudo. Durante os anos de execução destes Projetos os participantes lêem artigos de pesquisa na área de ensino de ciências, discutem, elaboram propostas de ensino para alunos do ensino fundamental e médio, analisam os resultados obtidos, sistematizam seus "achados" e os apresentam em eventos internos e externos à universidade.
Estes espaços de formação permitem perceber diferenças na formação do aluno que participa desses projetos. Este estudo poderá contribuir para um redimensionamento das disciplinas na formação dos professores da área, tal como a Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado.
## Os projetos de ensino e investigação na formação de professores
Sabe -se que grande parte das universidades possui programas e espaços para que graduandos desenvolvam atividades relacionadas aos seus cursos durante o período de formação, mas estudo realizado na literatura sobre o assunto, nos aponta que pouco se estuda sobre o papel formador destes espaços e as suas implicações na formação daqueles que participaram de projetos durante os cursos de graduação.
Podemos destacar os trabalhos de Amorin, Freitas e Kinoshita (2004) e Oliveira e Higa (2007) que desenvolveram trabalhos sobre participação de professores em projetos. Os primeiros autores trabalham com professores em formação inicial, porém destacam em seu trabalho os resultados obtidos com professores já atuantes decorrentes na participação do Programa de Ensino do "Projeto Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo". O projeto visa à melhoria de ensino com a intenção de divulgar e incorporar aos conhecimentos escolares os conhecimentos científicos recém produzidos, e os resultados analisados focalizam a prática reflexiva e a pesquisa como papel formador do professor. Oliveira e Higa (2007) fazem considerações a respeito da participação de licenciandos em projetos, onde são apresentadas análises de relatórios escritos por licenciandos ao final da participação nos projetos. Os resultados apontaram diferenças na formação dos alunos em relação a seu posicionamento quanto à busca de alternativas didáticas, ao interesse na continuidade dos estudos, a busca pelo repensar de sua própria atividade docente e o sentido da coletividade como o desesenvolvimento de atividades interdisciplinares, trabalho em equipe entre outros.
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Os projetos de Extensão e Licenciar aqui estudados desenvolvem práticas de pesquisas e reflexão como instrumento formador de docentes. Nessa linha apontamos os trabalhos de Galiazzi e Moraes (2002), Teixeira (2003), Vianna e Carvalho (2001) que apresentam a relevância e aspectos formadores que a pesquisa traz na formação de professores.
Ainda referente ao aspecto de reflexão como papel formador de docente, encontramos de forma a mais abundante trabalhos que tratam da importância de se refletir sobre a prática dando como justificativa para esta reflexão o fato de ela proporcionar oportunidades para que os licenciandos se posicionem criticamente frente as suas futuras práticas pedagógicas desenvolvendo o pensamento de que ser professor é assumir uma postura investigativa. Dentre estes trabalhos estão os desenvolvidos por Baptista (2003) , Queiroz, Guimarães e Fonte Boa (2001), Diniz e Campos (2004), Pinto e Vianna (2006). Em muitos c asos a reflexão está ao lado da formação continuada de professores. Também há casos da reflexão compartilhada com o educar pela pesquisa na formação inicial de professores.
Decorrente a revisão bibliográfica verifica-a-se uma ênfase nos cursos e programas de formação continuada. Percebemos que a formação inicial tem menor destaque, e menos ainda as pesquisas específicas sobre as contribuições dos espaços formadores não disciplinares que a maioria das universidades oferece para os graduandos.
## Procedimentos metodológicos
Foi elaborada e realizada uma entrevista semi -estruturada com os sujeitos anteriormente citados, com o objetivo de levantar suas percepções sobre a participação nos projetos e a relação com sua formação profissional. O roteiro para as entrevistatas abordou perguntas referentes a três eixos: a) Sobre a formação docente, b) Sobre a participação nos projetos e c) Relação entre atuação nos projetos e prática profissional.
As orientadoras iniciaram os projetos no ano de 1998, e desde essa época até 2006, já participaram do projeto aproximadamente 18 licenciandos, entre bolsistas e voluntários. Para a escolha daqueles que seriam entrevistados, foi utilizado como critério o fato deste continuar atuando como docente ou desenvolvendo alguma atividade ligada ao ensino e/ou pesquisa. Nessas condições, foram 12 os selecionados para a entrevista, sendo que desses já foram entrevistados 6 i indivíduos.
Aqui selecionamos uma das entrevistas para realizar uma análise acurada, pois há vários aspectos semelhantes apontados pelos sujeitos entrevistados, porém cada um deles nos traz particularidades de extrema relevância. Nesse sentido, acreditamos que a análise dessa entrevista em particular, em forma de estudo exploratório, evidencie elementos importantes para o tema em em pesquisa: a formação inicial de professores de ciências da natureza.
## O caso de Cláudia: contribuições apontadas na entrevista
Selecionamos a entrevista com a licencianda Cláudia 1 , que cursou no seu Ensino Médio a educação geral e magistério, tendo ingressado na graduação de
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Física em 1997 e concluído em 2001, numa universidade pública. Na graduação, participou de um projeto relacionado à astronomia pelo período de aproximadamente um ano e do Licenciar por três anos. Começou a lecionar no ensino Médio durante a graduação. Tendo terminado seu curso de Licenciatura em Física, no período de 2003 a 2005 atuou como professora do Ensino Médio, em escolas da rede pública estadual e em 2006 foi chamada para integrar a equipe pedagógica na secretaria de educação do do estado. Recentemente ingressou no Mestrado em Educação, também em universidade pública.
Na seqüência apresentamos as falas mais significativas de Cláudia sobre sua participação nos projetos de cunho investigativo, relacionados à Educação/Ensino de Física. Investigaremos relatos das suas percepções quanto às mudanças em suas próprias concepções e contribuições que a participação nos projetos lhe trouxe, em termos profissionais e pessoais, suas compreensões sobre o papel do professor e do aluno, uso e construção de materiais didáticos e metodologias de ensino, elementos que indiquem autonomia no trabalho docente, entre outros que ao longo do desenvolvimento da análise venham a ser percebidos. Os vícios de linguagem presentes nas falas da entrevistada serão suprimidos a fim de facilitar a leitura.
Quando questionada sobre suas atividades durante a graduação, Cláudia coloca que:
- C 2 2 : ....Uma das coisas que me trouxe bastante para a Educação e que me levou pra sala de aula foi o Projeto Licenciar. Porque eu entntrei pra... lecionar depois, acho que no segundo ano que eu tava no projeto Licenciar. Eu não tava... muito preocupada com essas questões, e foi o Projeto que me encaminhou... pra esse lado. E que daí eu assumi, me assumi como professora. Porque quando a gegente faz a faculdade de física, a gente não faz unicamente pensando em ser professora... Tem outras questões... envolvidas. E foi a partir daí que surgiram algumas publicações, a primeira participação no Snef, é... e....acho que é isso!
Na fala acima percebemos a orientação e estabilização na carreira de educadora que o projeto trouxe para a licencianda, que no início de seu curso de graduação não tinha interesse específico na área educacional. Seu ingresso nesta carreira se deu a partir do envolvimento que ela teve no projeto. Cláudia participou durante três anos dos projetos aqui estudados, na fala acima ela menciona que no segundo ano de participação ela iniciou na docência em escolas , o que corresponde a aproximadamente metade do seu curso de graduação.
As falas na seqüência evidenciam porque sua participação em projetos de ensino não ocorreu no início, mas sim na metade do seu curso. Aqui é importante esclarecer que, dentre todos os entrevistados, Cláudia foi a que teve o maior período de participação (três anos).
- A: Você lembra porque você escolheu...o Projeto Licenciar em específico, porque que você foi para o Licenciar?
- C: Pois é! Na verdade foi um convite...
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- N: Não conhecia o Projeto?
- C: Não, não. "Ah! Mas na Reitoria?" Eu me lembro que eu perguntava va assim... porque... eu ainda não tava ...
- N: Você ainda não tava desse lado?
- C: É, eu ainda não tava envolvida aqui com as disciplinas de prática, e porque era no começo do curso . E depois do projeto Licenciar que eu fiz as disciplinas de prática... Eu tatava lá ainda, eu era bolsista de lá. Então a partir do convite da Silvana é que eu vim a conhecer o Projeto.
Para situar o leitor na fala acima, esclarecemos que a grade curricular da Licenciatura em Física na universidade em questão contempla nos dois primeiros anos disciplinas de formação geral (comuns aos cursos de licenciatura e bacharelado) e nos dois últimos anos são ofertadas as disciplinas ligadas à área pedagógica. Os locais em que ocorrem as aulas são em campus diferentes: as de formação geral são ofertadas no campus onde fica o Setor de Ciências Exatas, e as disciplinas de formação educacional no campus onde fica o Setor de Educação. Assim, quando N diz: "Você ainda não tava desse lado", ela refere-s-se a: "você ainda não estava cursando disciplinas na Educação". E quando C responde "eu tava lá ainda, eu era bolsista de lá", ela quer dizer que ainda estava cursando disciplinas no Setor de Ciências Exatas, ou seja, as disciplinas de conteúdos de física, matemática, entre outras da formação geral do cu rso.
Na transcrição acima, percebe-s-se que Cláudia teve conhecimento do Licenciar por intermédio de Silvana, que já era bolsista no mesmo. Fica evidente que devido à separação de campus e, principalmente de disciplinas, que não há o contato desde o começo da graduação com qualquer tipo de atividade relacionada à educação, os estudantes só têm envolvimentos com o setor de Educação a partir da metade da Licenciatura em Física, isto é, quando se iniciam as disciplinas ditas pedagógicas . Isso fica claro quando Cláudia menciona o não envolvimento com disciplinas da educação e por estar no começo do curso, e não há como justificar desinteresse ou relapso da entrevistada em se integrar com programas da universidade; pois quando coloca que "era bolsista de lá", refere-s-se que era bolsista do Setor de Exatas. Cláudia participou por aproximadamente um ano de um projeto relacionado à Astronomia, onde não havia o enfoque educacional e de pesquisa educacional, conforme mencionado pela entrevistada no decorrer da entrevista. Na fala abaixo podemos perceber novamente implicações negativas quanto à separação de disciplinas de formação geral e educacional.
A: E o que contribui na tua formação a participação no projeto? E como que contribuiu?
C: ... As primeiras leituras, os primeiros contatos que eu tive com a Educação, foi aqui. A primeira é... com estratégias, métodos, técnicas de ensino foi aqui. Seja experimentação, leitura, concepções alternativas, o primeiro contato foi aqui do Projeto. E depois, é claro, veio as disciplinas...mas isso contribui bastante para a minha formação, e para o meu trabalho enquanto professora.
Não há dúvidas que o primeiro contato e orientação de práticas pedagógicas se deram a partir da integração com projeto, e há um firmamento nas contribuições do projeto quando Cláudia menciona "mas isso contribui bastante para a minha formação, e para o meu trabalho enquanto professora". Isso nos remete que as contribuições referentes aos saberes adquiridos através das disciplinas não são tão
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enfatizados quanto to aos saberes que o projeto proporcionou à licencianda. Parte da transcrição abaixo reforça as contribuições de conhecimentos e a participação no projeto levando em conta a carga horária de 12 horas semanais exigidas dos participantes. Devido a questões curriculares, sabe-s-se que a carga horária semanal das disciplinas são inferiores. É compreensível que devido a questões de tempo as disciplinas ofereçam menos subsídios pedagógicos que os projetos; estes possibilitam ao licenciando ter contato com a teoria, elaborar atividades e propostas de ensino inovadoras, desenvolvê-las em sala de aula analisando-as, ou seja, um ciclo de reflexão, elaboração, desenvolvimento, análises, reflexões e re-elaborações. Estas atividades exemplificadas, no geral são disponibiliz adas nos currículos dos cursos de licenciaturas, porém ocorrem fragmentadas em disciplinas específicas. Podemos citar a elaboração de atividades que são realizadas na disciplina de Metodologia de Ensino, e a aplicação das atividades na disciplina de Prática de Ensino. Podemos inferir que a fragmentação das disciplinas pode gerar uma fragmentação na construção do conhecimento propiciado pela grade curricular.
A: E se alguém pedisse pra você destacar algumas coisas nesse tipo de projeto, que pudesse incentivar outras pessoas à participar, o que você destacaria?
C: ... esse envolvimento,... esse primeiro contato ... até o conhecer de quem faz então... quem faz essa discussão em torno ... do Ensino de Ciências, da Física. Porque eu me lembro bem que... eu e a Sililvana: "Ah! Aquele ali é o Alberto Gaspar! Nossa, nós estamos perto do Alberto Gaspar!" A gente começava a materializar as pessoas que a gente acabava estudando... e eu acho que esse primeiro contato mesmo, com a escola que o Licenciar... Eu acho que possibilita muito mais uma aproximação e o conhecimento da escola, do que... a disciplina, a Prática de Ensino,... por conta da carga horária, passa um ano aqui, na minha época eram 12 horas por semana...Eu acho que é o contato primeiro com a escola... e com as leituras, e uma visão diferente, ... do ensinar Física, do Ensino de Física.
A fala acima nos indica que além do forte contato com a prática escolar, e o estreito envolvimento entre projeto, escola e licenciando; a participação em projetos insere o aluno em atividades de pesquisa, não só em atividades de leitura para o conhecimento de linhas e práticas pedagógicas, mas ocorre um envolvimento completo com a pesquisa; o que percebemos pelo contato que Cláudia teve com um autor de trabalhos que estudou para produzir sua atividade. Como também na fala abaixo, ela cita que a sua inserção e toda a produção de conhecimento ligado à pesquisa foram decorrentes à participação no projeto.
A: Porque antes do projeto você não tinha participado de nada, evento...
- C: Não, não. A primeira, desde a primeira publicação, ou resumo, ou apresentação de painel, ela começou com a participação no Licenciar.
Outras contribuições podem ser percebidas na fala abaixo quando a entrevistada foi questionada dos motivos do seu tempo de permrmanência no projeto, já que foi uma das participantes que teve o maior período de participação.
- N: E o que fez com que você permanecesse esses três anos aqui?
- C: Eu acho que primeiro foi a aptidão .... Foi ...acho que ... a relação que tinha... relação enentre o grupo..., entre a professora...
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O que percebemos no discurso acima é a relevância da interação entre os integrantes do grupo de alunos e orientadoras. Aspectos de coletividade enfatizados pelos ex-participantes dos projetos aqui estudados, foram analisados detalhadamente por Oliveira e Higa (2007), tendo se verificado uma grande valorização das discussões e atividades em geral desenvolvidas em grupo. Da mesma forma, em mais de uma das entrevistas que realizamos, encontramos destaque para o encaminhamento das orientações, conduta e postura das coordenadoras do projeto.
As relações entre licenciandos e orientadoras possibilitam a aproximação dos graduandos com o ambiente e profissionais que desenvolvem pesquisa, o que sem dúvida reforça a inserção e posicionamento dos estudantes frente às atividades de pesquisa. Este posicionamento contribui para a "quebra" de mitos sobre a pesquisa, conforme afirma Teixeira (2003) que muitos indivíduos têm a idéia de que a pesquisa só é feita por mestres e doutores. O direcionamento do projeto e as relações estabelecidas entre licenciandos e orientadoras aproximam e colocam os estudantes em posição de professores e pesquisadores, inserindo-o-os no contexto em que a pesquisa faz parte da prática do professor, além do seu papel formador e produtor de conhecimento.
Estes fatores de aproximação da pesquisa resultam na inserção dos graduandos em cursos de pós-graduação latu u e strictu sensu ou na participação voluntária em eventos e projetos de ensino. Após três anos de sua colação de grau e atuando na docência em escolas , Cláudia é convidada para ocupar cargo de liderança na secretaria de educação do estado, e ingressou recentemente num mestrado em Educação. Ocuparem cargos de líderes e ingresso em cursos de pós graduação são comuns entre os entrevistados .
Além de influências na opção, permanência e continuidade na carreira docente, a participação no projeto ainda gera interferências na prática docente atual da entrevistada, conforme a citação abaixo:
- N: Você retornava as coisa s que tinha feito no Projeto?
- C: É, em vários momentos enquanto eu dei aula eu retomei algumas questões. Experimentação eu sempre digo que não é a minha área de atuação... mas eu sempre me lembrava do que a gente... Planejava aqui. É leitura... sempre foi... uma tendência minha, eu gostei bastante de trabalhar, eu sempre procurei trabalhar com isso no ensino médio. E hoje... eu tenho certeza de que muitas das coisas que eu fiz lá me influenciam inclusive na fala que eu tenho ... que eu faço com os professoreres de Física... do Estado.
Para finalizar apresentamos fala de Cláudia a seguir, que reforça vários aspectos que já abordamos anteriormente e os esclarecem .
- A: E se você não tivesse participado, você acho que teria alguma coisa diferente?
- C: Isso é... bastante complicado de se responder porque talvez eu não tivesse... tão ligada a Educação como eu tô... Então eu acho assim, que eu 3 me desvinculei de lá pra vir pra cá 3 3 , para esse Projeto. E que talvez se eu não tivesse tido contato com esse Projeto tão de pererto talvez ... não
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estaria... tão diretamente ligada a Educação. Embora eu tivesse feito Magistério, isso foi um dos fatores que me ajudou na escolha do Projeto Licenciar na época, e tudo mais também... Mas com certeza, que se eu enquanto professora passando pelo Projeto Licenciar e não passando,... eu me senti muito mais a vontade quando comecei a dar aula, por conta do Projeto Licenciar, se eu nunca tivesse tido contato com o ensino médio antes,. Com certeza. Até porque o período de estágio é muito curto é, não sei.
Como apresentamos anteriormente, a entrevistada teve conhecimento do projeto através de uma colega bolsista, e aqui Cláudia contextualiza que também foi influenciada pelo seu curso de Magistério, já que optou em se desvincular de de um projeto relacionado à Astronomia ligado ao setor de Exatas para poder participar do Licenciar. r. Além disso, coloca este como determinante na sua opção pela docência, sua forte ligação com a área de Educação e a segurança ao iniciar sua carreira docente. Novamente há críticas quanto ao período de estágio, e a relevância para a aproximação dos licenciandos com a escola, propiciada pela participação no projeto.
## Reflexões sobre as contribuições na formação docente
Procuramos ressaltar as contribuições destacadas por Cláudia acerca de sua participação nos projetos ainda durante a graduação, buscando discutir limites e possibilidades propiciadas por tal experiência, que trazem importantes reflexões para a formação dos professores, em particular de física.
Cláudia já possuía uma formação em Magistério no seu Ensino Médio, mas mesmo assim, sua entrada no curso de física não foi motivada especificamente por seu interesse em licenciatura ou educação. Por um "acaso" de ter uma colega (Silvana) que já estava envolvida com projetos relacionados ao ensino, Cláudia foi cativada a se integrar nos projetos específicos da licenciatura.
Percebe -s -se que a já tão criticada separação entre "disciplinas de licenciatura" e "disciplinas do núcleo comum", era uma característica do curso na época em que Cláudia estudou. Tanto pela separação de campus e, principalmente de disciplinas, não há contato com qualquer tipo de atividade relacionada à educação desde o começo da graduação, e nas falas de Cláudia se percebe as implicações negativas quanto a esta separação. Podemos inferir que a fragmentação das disciplinas pode gerar uma fragmentação na construção do conhecimento propiciado pela grade curricular. Suas falas refletem que ao se formar num curso com este perfil, acabou resultando em uma separação na sua formação, o "antes" e o "depois" da Educação, o "antes" e o "depois" de seu envolvimento em projetos e disciplinas de cunho pedagógico, o "lá" e "cá", conforme as palavras dela.
Outro ponto importante propiciado pela experiência de ter participado dos projetos mencionados é, além do forte contato com a prática escolar, o estreito envolvimento entre projeto, escola e licenciando. A A participação em projetos inseriu Cláudia em atividades de pesquisa em ensino, não só em atividades de leitura para o conhecimento de linhas e práticas pedagógicas, mas ocorre um envolvimento completo com a pesquisa educacional. Estas questões são ressaltadas diante das relações entre licenciando e orientadoras, que possibilitaram a aproximação dos graduandos com o ambiente e profissionais que desenvolvem pesquisas, aproximando e colocando os licenciandos em posição de professores e pesquisadores, numa dimensão em que a pesquisa deve fazer parte da prática docente, além do seu papel formador e produtor de conhecimento.
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Também foram ressaltadas por Cláudia as contribuições em relação à sua atividade educacional mais recente, onde ela exerce atividades junto aos professores da rede pública atual, discutindo currículos de física, trabalhando com a formação continuada desses professores. Outro ponto importante são as críticas quanto ao curto período de estágio curricular obrigatório, e a relevância para a aproximação do licenciando com a escola, propiciada pela participação no projeto. Finalmente, um ponto muito importante percebido nesse estudo é apontado pelas palavras da própria Cláudia, e que aqui transcrevemos:
C: Eu não tava nem... muito preocupada com essas questões, e foi o Projeto que me encaminhou... pra esse lado. E que daí eu assumi, me assumi como professora. Porque ququando a gente faz a faculdade de física, a gente não faz unicamente pensando em ser professora... Tem outras questões... envolvidas.
A estabilização da opção pela carreira de educadora, propiciada pela participação de Cláudia no projeto é por ela colocada como determinante na sua posição assumida de Professora . Esse é um dos elementos importantes na formação inicial dos professores, quando eles deixam de se sentir alunos e passam a se assumir como professores, autores de suas práticas.
Entendemos que esse esestudo exploratório traz importantes questões para se refletir acerca das possibilidades propiciadas por essa experiência dos licenciandos de participarem, durante a formação inicial, de projetos de cunho investigativo sobre o ensino de física. Ainda que se e considerem as particularidades da situação estudada, ou seja, o sujeito particular, o curso analisado, o período em que se deram essas experiências na vida de Cláudia, sua história de vida e de formação (que não se resume à experiência aqui analisada), entendemos que é possível se incorporar, de alguma forma, essas experiências nos currículos das licenciaturas, buscando novas compreensões para os tempos e espaços curriculares da formação docente, onde as experiências da vivência de projetos investigativos em ensino possam contribuir, conforme também orienta a Resolução CNE/CP 1/2002, para a articulação das dimensões teóricas e práticas na formação docente.
## Referências
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