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EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA NO BRASIL: ALGUNS RECORTES

Rodolfo Langhi, Roberto Nardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação: Física, Química, Biologia, Oceanografia, Engenharias, Arquitetura, Arte E Áreas A Fins E Áreas A Fins / Educação Científica E Formação Profissional
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA NO BRASIL: ALGUNS RECORTES

## Rodolfo Langhi 1 , Roberto Nardi 2

1 Doutorando em Educação para a Ciência. Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Faculdade de Ciências. UNESP, Bauru (SP). Apoio parcial: CAPES; e-mail: rlanghi@fc.unesp.br

2 Professor Adjunto, Livre Docente. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Departamento de Educação. Programa de Pós -Graduação em Educação para a Ciência. Faculdade de Ciências. UNESP, Bauru (SP). Apoio CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; e-mail: nardi@fc.unesp.br

## Resumo

Apresenta-s-se, neste trabalho, um levantamento de recortes representativos de momentos marcantes para a Astronomia a e o seu ensino no Brasil, abrangenendo períodos importantes, tais como o das etnias indígenas, o colonial l e o atual. A partir destes, pretendese visualizar um panorama geral das atividades realizadas nesta área, visando proporcionar subsídios para a compreensão do estado atual do ensino brarasileiro sobre este tema, uma vez que os fatos históricos da Astronomia se entrelaçam com os do seu ensino em diversos momentos pontuais. Alguns destes ilustram como a Astronomia pode estar contaminada com supostas verdades históricas da ciência, que são enensinadas em sala de aula e que permeiam algumas publicações de ensino, tais como livros didáticos, os quais contêm afirmações categóricas com um tom de verdade inquestionável, mas que não passam de mitos criados em torno de personagens científicos, cuja disiscussão deveria permear as aulas de ciências, de Física e de cursos de formação de professores. Assim, o objetivo principal deste texto é identificar as primeiras atividades brasileiras com relação à Astronomia e seu ensino, as quais influenciaram atividades modernas de universidades, s, eventos, literatura e instituições profissionais e amadoras destinadas a este fim. A partir desta visão geral, esclarece -se a presença gradualmente decrescente da Astronomia nos programas de ensino e na formação de docentes, ao longo da história nacional, até a sua completa dissolução como disciplina curricular, aparecendo, atualmente, sob a forma de temas diluídos em outros conteúdos de interesse dos programas e das estruturas curriculares. Por outro lado, nota-s-se, nos últimos s anos, uma ma sensível retomada nonos esforços s a favor da pesquisa brasileira sobre a a educação em Astronomia, como mostra esta breve análise panorâmica d da área.

Palavras -chave: educação em Astronomia; programas de ensino; formação de professores.

## Memórias da A Astronomia e seu ensino

Embora a preocupação com a pesquisa sobre o ensino da Astronomia em território nacional tenha se intensificado nos últimos anos, a literatura da área indica que o o seu ensino não é tão recente, remontando a algum tempo antes da chegada dos colonizadores ao país. Como afirma Neves e Arguello (1986), a A Astronomia teve uma importância capital para cada época, sendo várias as suas motivações: desde fatores econômicos (navegação e agricultura), religiosos e supersticiosos (astrologia), até a observação aliada à curiosidade, sendo que tais fatores foram propulsores para o desenvolvimento de teorias e modelos sobre o universo. De fato, os índios, que aqui habitavam, já carregavam consigo conteúdos astronômicos que eram ensinados de geração em gegeração. Assim, a Astronomia e o seu ensino já existiam no país antes da presença do 'homem branco'. Por exemplo, o grupo indígena Apinajé realiza um ritual para comemorar a passagem do Sol de um hemisfério para outro (NEVES e ARGUELLO, 1986). Retrocedendo a ainda mais no tempo, pesquisas na

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26 a 30 de Janeiro de 2009

área da arqueoastronomia brasileira analisam m a viabilidade de que inscrições encontradas nas rochas em sítios arqueológicos tragam informações sobre o conhecimento astronômico das pessoas que viviam entre 7.000 e 4.000 anos os atrás, tal como o estudo de Queiroz et al (2003) na região nordeste do Brasil . Outros trabalhos têm mostrado que gravuras rupestres registram a passagem de cometas e meteoros, datando de 4.400 anos atrás (BARRETO, 2001). Nesta mesma região do país, populações pré-históricas, culturalmente capazes de registros gráficos, nas tradições da expressão Nordeste, Agreste e Itaquatiara, remontam há mais de 30.000 anos. Dando sua própria interpretação para os fenômenos astronômicos, provavelmente transmitiram tais eventos através da tradição oral, mitificando-os e registrando-os por meio de anotações rupestres. Por exemplo, Barreto (2001) explica que muitos registros gráficos de cobras, lagartos, aranhas, pássaros, luas voadoras , estrelas cabeludas, s, estrelas s simples e astros explosivos, s, em várias partes do mundo, podem ser representações mitológicas de temas astronômicos, tais como estrelas, planetas, Lua, Sol eclipses, chuvas de meteoros, bólidos, cometas e supernovas. Um painel encontrado na localidade de Matão e SeSerra Negra em Palmeiras, na chapada Diamantina, Bahia, mostra uma linha curva ligada a uma estrela cabeluda, o que definiria a passagem de um cometa. Segundo Barreto (2001), a linha curva pode representar a trajetória descendente do astro pelo céu. Outro exexemplo é a Toca do Cosmos, também no sertão da Bahia, um sítio arqueológico datado de aproximadamente 1230 a.C., onde se identifica uma figura de um cometa de longa cauda, várias pinturas de Luas e estrelas s e uma grade, possivelmente associada à contagem do do tempo, talvez um calendário. Outras pinturas rupestres, que representam possíveis objetos e fenômenos astronômicos, têm sido encontradas nos municípios de T Triunfo e Buíque, ambos no Estado de Pernambuco, na Lapa do Janelão, no interior de Minas Gerais e n na região de Iraquara, no estado da Bahia.

Segundo Afonso (2003), o curioso é que o sistema astronômico dos Tupinambá do Maranhão (já extintos) é muito semelhante ao utilizado, atualmente, pelos Guarani da região Sul do Brasil , embora haja entre eles, três s grandes lacunas que os separam significativamente: a) suas diferentes línguas (Tupi e Guarani), b) o o espaço entre eles (mais de 2500 km em linha reta) e c) o tempo em que viveram (quase 400 anos de diferença). Além de constelações, tribos diferentes de índios idealizaram um observatório astronômico a olho nu, geralmente usando um poste vertical (gnômon) e rochas no solo alinhadas com os pontos cardeais e as direções dos solstícios (AFONSO, 2003), o que lhes proporcionava a possibilidade de contar o tempo, prever as estações do ano, identificar diferentes durações do dia e da noite e divulgar seus conhecimentos astronômicos para futuras gerações. A Assim, ao se revisar, mesmo que oralmente, os conhecimentos astronômicos, nestes povos, de geração em geração, o e ensino da A Astronomia parece já ter sido presente no País.

Já no período colonial, s segundo Moraes (1984) ) embora tenha havido e expedições ao Brasil que ampliaram o conhecimento sobre o céu do hemisfério sul, não se nota em nenhuma delas a preocupação de um estudo sistemático desta ciência no hemisfério austral. Porém, de acordo com o mesmo autor r em 1639, com os trabalhos do alemão Jorge Marcgrave no Brasil, inaugura-se o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul, numa das torres do palácio Friburgo de Nassau, situado na ilha de Antonio Vaz, Recife. Também, desde a fundação da Companhia de Jesus, muitos dos seus membros deram suas contribuições para a A Astronomia e o seu ensino - e para a ciência de um modo geral. Moraes (1984) ainda afirma que "no século XVIII os jesuítas estavam à frente de mais de vinte universidades e dirigiam mais de trinta observatórios astronômicos". No Brasil, foram os primeiros mestres, sobretudo a partir da "escola de ler e escrever" que fundaram na Bahia em 1549 e mais tarde com o desenvolvimento rápido do seu ensino, criando os "colégios", onde a Astronomia , embora não fizesse parte do currículo , era ensinada no país por alguns professores versados nessa área. Entre eles, destaca-se Valentim Estancel, que foi referência nos Principia Mathematica de Isaac Newton, que escreveu: "em 5 de março de 1668, A. D., às 7 horas da tarde, o R. P. Valentinus Estancius, trabalhando no Brasil, viu um cometa no horizonte, próximo ao local do ocaso do Sol no inverno" (NEWTON, 1687 apud MORAES, 1984), pois Newton foi um dos primeiros a afirmar que os cometas, como os

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planetas, giram ao redor do Sol. Halley também esteve no Brasil em diversos pontos litorâneos, para a verificação de suas teorias a respeito do magnetismo terrestre e , em 1699, determinou a declinação magnética do Rio de Janeiro.

Segundo Bretones (1999), os jesuítas foram os pioneiros a ensinar os conhecimentos astronômicos no Brasil, mas em 1759, foram expulsos pelo marquês de Pombal, substituindo o ensino deles pelas aulas régias, criadas pela coroa portuguesa, consistindo em disciplinas autônomas s em que o aluno se matriculava em quantas aulas desejasse. A partir de 1808, quando a Família Real mudou-se para o Brasil, súbitas transformações ocorre ram m na capital, dentre as quais, a coconstrução em 1809 de um observatório para uso da Companhia dos Guardas-s-Marinha (MORAES, 1984). Entre os cursos superiores formados por Dom João VI, os que se relacionam com Astronomia eram os da Academia da Marinha (1808) e da Academia Real Militar (1810), ambos no Rio de Janeiro. O primeiro livro texto de Astronomia publicado no Brasil aparece em 1814, para o uso dos alunos da Academia Real Militar r escrito por Manoel Ferreira de Araújo Guimarães, autor de muitos outros trabalhos (MORAES, 1984).

Em 15 de outubro de 1827, cria-se o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro por um decreto de D. Pedro I, visando o estudo da Astronomia ligada à preocupação com a demarcação do território nacional e às navegações s embora um dos usos principais do Observatório fosse o ensino da Astronomia , sobretudo para os alunos da Escola Militar (antiga Academia Real Militar), segundo Moraes (1984). Sendo transferido para o Morro do Valongo em 1924, já renomeado de Observatório Nacional, passaria para a submissão da Universidade e Federal do Rio de Janeiro. Moraes (1984) afirma que os professores da Escola Politécnica e sua antecessora, deixaram contribuições importantes no campo do ensino da Astronomia, com destaque para Otto de Alencar seguido de Amoroso Costa, que combateram no início do século XX a influência predominante do positivismo, do francês Augusto Comte (1798-1847). O positivismo teria impedido o progresso da astrofísica no Observatório Nacional durante anos, pois segundo o positivismo, seria impossível descobrir a composição química das estrelas, uma vez que para esta doutrina filosófica, as ciências astronômicas tratam de números e de objetos inacessíveis e imutáveis aos homens (BRETONES, 1999).

De acordo com m Moraes (1984), o interesse por problemas educacionais em Astronomia destacou -se com Henrique Morize, um dos diretores do Observatório embora sua atividade principal tenha se desenvolvido no campo da pesquisa em Astronomia. Foi em seu tempo, a partir de 1 de janeiro de 1914, que se adotou no Brasil o sistema das horaras legais e dos fusos horários, tomando -se como hora fundamental a do meridiano de Greenwich, até hoje usado internacionalmente. Também durante a direção de Morize, ocorreu o eclipse total do Sol de 29 de maio de 1919, quando este chefiou uma comissão brasileira que se dirigiu a Sobral, onde esteve também uma comissão inglesa liderada pelo astrônomo Arthur Eddington, com a finalidade de estudar a deflexão da luz num campo gravitacional, prevista pela teoria da relatividade geral de Einstein. Este eclipse resultou num evento de fundamental importância que mudou a história da Física, conforme amplamente divulgado nos materiais didáticos de ciências. Isto se deu devido à afirmação dotada de extrema certeza de Eddington de que a teoria da relatividade estava finalmente comprovada, mesmo sabendo que os resultados que detinha só apresentavam 30% de precisão. Além disso, segundo Neves (2002) , ele dispensou a maioria das chapas fotográficas do eclipse que apresentaram resultados diferentes do esperado. Na verdade, dentre outros argumentos que colocam em dúvida a validade desta confirmação por Eddington estão o uso de telescópios impróprios, a distorção causada pela interferência da atmosfera da Terra nas imagens, a grande margem de erro nas medições e o fato da existência de chapas fotográficas nas quais o desvio sofrido pela luz, ao passar perto do Sol estava mais próximo do valor de Newton e não d do de Einstein (VIEIRA, 2003).

Este caso ilustra como a história da Astronomia a também está contaminada com supostas verdades históricas da ciência que são ensinadas em salas de aulas e que

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permeiam algumas publicações de ensino, tais como livros didáticos. Afirmações categóricas como estas fornecem um tom de verdade inquestionável, mas não passam de mitos criados em torno de personagens científicos. De fato , estas representações simbólicas atestam a ciência como uma construção social, com dimensões históricas e culturais, que a influenciam na medida em que deve ser ensinada (ALMEIDA, 2004). Por isso, acreditata-se que os professores de ciências s e Física, bem como docentes de cursos de formação de professores, devessem construir sua própria autonomia no sentido de fomentar debates s em sala de aula, sobre temas históricos e polêmicos, tais como os acima considerados, para que os contextos históricos a eles impostos como verdades intrínsecas não sejam simplesmente aceitas de um modo passivo.

Conforme Bretones (1999) , os cursos secundários tiveram a tradição, ao longo da história da educação no Brasil, de serem preparatórios para o ensino superior. Desta forma, a duração do curso secundário era de sete anos s e de acordo com o regulamento de 1881, no quarto ano estudava-se Cosmografia, utilizando mais tarde um livro publicado por R. Villa -Lobos em 1897. Segundo Moraes (1984), durante a fafase da República, com a criação da Escola Politécnica de São Paulo em 1893, começaram a funcionar os primeiros cursos regulares de Astronomia. A Escola chegou a ter um pequeno observatório localizado na Praça Buenos Aires, destinado a a atividades de ensino com os s alunos. José Nunes Belfort de Matos instalou em sua residência, à Avenida Paulista, alguns instrumentos astronômicos, chamandooo de Observatório da Avenida em 1902. Mais tarde, junto a este observatório em 1910, iniciou-se a construção do Observatório Oficial do Estado. Em 1932, iniciaram-se as obras no bairro da Água Funda do atual Instituto Astronômico e Geofísico (IAG), agora vinculado à USP e inaugurado só em 1941.

O primeiro curso de graduação em Astronomia do Brasil foi criado em 1958, na antiga Universidade do Brasil, mas com o tempo, conforme Bretones (1999) e Sobreira (2006), os cursos de A Astronomia foram perdendo força e, com o decreto de 1942, do Estado Novo, o ensino foi modificado e os conteúdos de A Astronomia e Cosmografia deixaram de ser disciplinas s específicas. Na década de 60, diversas instituições de ensino superior que ofereciam cursos de graduação em Física, Engenharia e Matemática, ofereciam também a Astronomia apenas como uma disciplina optativa, situação que permanece até hoje em algumas instituições deste nível, embora em número comparativamente reduzido (BRETONES, 1999). Nas reformas educacionais que se seguiram, os conteúdos de Astronomia passaram a fazer parte de disciplinas como Ciências e Geografia (Ensino Fundamental) e Física (Ensino Médio). Atualmente, pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996, a Astronomia está presente essencialmente na disciplina de Ciências, conforme indicam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1999), deixando assim de ser definitivamente uma disciplina específica nos cursos de formação de professores s e em pouquíssimos casos, superficialmente trabalhada em seus conteúdos básicos em tais cursos (BRETONES, 1999).

Embora tenham ocorrido reformas educacionais recentes, Delizoicov et al (2002) mostram que a formação de professores de Ciências, "na maioria dos cursos, ainda está mais próxima dos anos 1970 do que de hoje". Um professor de Ciências no Ensino Fundamental, por exemplo, ver-r-se-á confrontado com o momento de trabalhar com conteúdos de Aststronomia. No entanto, o docente dos anos iniciais do Ensino Fundamental geralmente é graduado em Pedagogia e o de 5 a a . a 8 a . geralmente em Ciências Biológicas , sendo que conceitos fundamentais de Astronomia não costumam contemplar estes cursos de formação, levando muitos professores a simplesmente desconsiderar conteúdos deste tema em seu trabalho docente (LIMA e MAUÉS, 2006), ou gerando -lhes dificuldades no processo de ensino sobre este tema (LANGHI e NARDI, 2004; LANGHI, 2005). Analisando as prováveis razões do desaparecimento da Astronomia como disciplina curricular, Tignanelli (1998) propõe a falta de metodologias de ensino que enfatizem a experiência direta e a formação dos docentes, na qual os conteúdos astronômicos são quase

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inexistentes. Assim este autor conclui que, atualmente, os temas de Astronomia aparecem diluídos em outros conteúdos de interesse dos programas e das estruturas curriculares.

## A atual educação em A Astronomia no Brasil

Atualmente, no Brasil, parece haver uma modesta retomada de atenção ao ensino e popularização da Astronomia, conforme indicam estudos da área (LANGHI, 2005). Há Há algumas instituições oficiais que se empenham na educação em Astronomia, visando a formação profissional nesta área, além da capacitação do público, com projetos de extensão e divulgação, bem como a formação continuada de professores. Baseando-o-se em Varerella e Atulim (2008), considera-se brevemente, a seguir, alguns exemplos de instituições nacionais que oferecem cursos de formação profissional em Astronomia (graduação, mestrado e doutorado).

- O Observatório do Valongo, um Instituto do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), oferece os cursos de graduação e pós-graduação em Astronomia. Realiza pesquisa em Astronomia e Astrofísica, desenvolvendo também projetos de extensão (OV, 2008). Até recentemente, apenas o Observatório do Valongo ofereceu um curso de graduação em Astronomia; os demais centros da área desenvolveram cursos de pós-graduação em Astronomia, além de cursos optativos durante a graduação de Física, ou uma habilitação em Astronomia, cursada após o bacharelado em Física (VIEGAS, 1998). Por exemplo, na Universidade Federal de Itajubá, o curso de Bacharel em Física oferece a ênfase em Astrofísica (UNIFEI, 2008). O Departamento de Astronomia a do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da USP oferece uma Habilitação em Astronomia para os graduados em Física e é responsável pelo programa de pós-g-graduação em Astronomia (mestrado e doutorado). São também ofeferecidos anualmente cursos de extensão universitária dirigidos a professores e a universitários e profissionais da área de ciências exatas (IAG, 2008). Em 2009, na mesma instituição, inicia-se o curso de Bacharelado em Astronomia, resultante do incentivo dadado através do Ano Internacional da Astronomia, conforme declarado pela ONU (IYA2009, 2008). O novo curso é oferecido pelo Departamento de A Astronomia do IAG, visando ampliar a formação de pesquisadores, numa "época de ouro para a A Astronomia" (DAMINELI, 200808).
- O Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, mantém um programa de pósgraduação em Astronomia (mestrado e doutorado), para alunos graduados em cursos de graduação em Física, Matemática, Astronomia ou áreas afins (ON, 2008). Semelhantemente, a Universidade FeFederal de Minas Gerais oferece pópós-graduação nas linhas de pesquisa em Astrofísica (UFMG, 2008). A Universidade Federal do Espírito Santo, ao trabalhar na linha de pesquisa em Física das Interações Fundamentais na pósgraduação , estuda o tratamento mamatemático de problemas atuais relacionados a alguns campos da Astronomia (UFES, 2008). A Divisão de Astrofísica, da Coordenação Geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), oferece pós-g-graduação em algumas áreas da Astrofísica (INPE, 2008) ) e promove cursos de extensão para professores. s. Outro exemplo de atividades educacionais sobre o tema é é o AEB Escola, adjacente ao INPE , um programa desenvolvido pela Agencia Espacial Brasileira há dez anos, cujo objetivo é estimular os estudantes para as atividades espaciais por meio de oficinas e formação continuada de professores.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte há, na p pós-graduação, um Grupo de Pesquisa em Astrofísica e Cosmologia com linhas de pesquisa em Astronomia a (UFRN, 2008). Na Universidade Federal de Santa Catarina também há um Grupo de Astrofísica, associado ao curso de pós-g-graduação em Física, orientando estudantes de Mestrado e Doutorado em astrofísica estelar r extra -galáctica e instrumentação astronômica. Na graduação, o Departamento de Física oferece duas disciplinas optativas de Astrofísica abertas a estudantes dos cursos de ciências exatas (Física, Matemática, Química engenharias), ministradas por professores atuantes no Grupo (UFSC, 2008). Na

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto de Física e o Departamento de Astronomia oferece algumas disciplinas voltadas para a Astronomia (UFRGS, 2008). A Universidade Cruzeiro do Sul oferece o Mestrado Acadêmico em Astrofísica, na área de concentração de Astrofísica Teórica, com uma proposta diferenciada para um curso de pósgraduação em Astronomia (UNICSUL, 2008). E no âmbito da pós-s-graduação lalato sesensu, há o curso de especialização em Astronomia, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP, 2008).

Cursos de extensão cultural em Astronomia , que abrangem a formação continuada de professores e cursos de curta duração de férias para docentes e interessados, podem ser encontrados nas seguintes instituições (VARELLA e ATULIM, 2008): Uranometria NoNova (SP), Observatório Céu Austral (SP), Planetário e Escola Municipal de Astrofísica (SP), Fundação Planetário do Rio de Janeiro (SP), Observatório Astronômico do CDCC/USP de São Carlos (SP), Centro de Estudos do Universo (SP), Planetário Municipal de Itatiba (SP), Planetário da Universidade Federal de Santa Maria (RS), Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina (SC), Observatório Frei Rosário da Universidade Federal de Minas Gerais (MG), Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas (AL) ) espaço Ciência (PE), Planetário da Universidade Estadual de Londrina (PR), Clube de A Astronomia de São Paulo (SP), Grupo de Estudos de Astronomia de Florianópolis (SC) , Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Guaratinguetá , e o Observatório Nacional, na modalidade de ensino à distância (RJ).

Eventos nacionais específicos em Astronomia a e seu ensino são os encontros nacionais de Astronomia (ENAST), nos quais astrônomos profissionais e amadores colaboradores reúnem seus trabalhos com um dos objetivos de congregar pessoas e instituições em torno da divulgação da A Astronomia e despertar o interesse do grande público para essa ciência (ENAST, 2001); e os encontros brasileiros para o ensino de Astronomia (EBEA), os quais se focalizam m em trabalhos de pesquisa exclusivamente na área educacional. Outros eventos nacionais na área de educação em ciências também incluem espaços para exposição de estudos relacionados com o ensino da A Astronomia, tais como os simpósios nacionais s de ensino de Física (SNEF), os encontros de pesquisa em ensino de Física (EPEF) e os encontros nacionais de pesquisa em educação em ciências (ENPEC) , evidenciando a retomada de uma preocupação crescente com o ensino da Astronomia mediante o aumento de t trabalhos sobre este tema nos últimos anos.

Quanto à literatutura nacional, identifica-se uma certa carência de revistas científicas especializadas em ensino de Astronomia. Exceto pelo fato da publicação ocasional de artigos, que abordam aspectos de educação em A Astronomia, nas revistas científicas da área do ensino de de ciências s e de Física, a única publicação que vêm suprindo esta lacuna é a Revista Eletrônica Latinoo-A -Americana de Educação em Astronomia (RELEA), cujo principal objetivo é "suprir r a ausência de publicação específica na área de pesquisa em Educação em Astronomia" (BRETONES e et al, 2003).

De modo isolado, planetários e observatórios também trabalham no intuito da divulgação e popularização da Astronomia e o seu ensino, por promoverem cursos e paleststras para professores locais e à comunidade em geral (FARIA, 2003). No Brasil, há cerca de 93 observatórios astronômicos que podem ser classificados em três grandes grupos, conforme o fim a que se destinam: a) à pesquisa científica (observatórios profissionais); b) ao ensino e divulgação (observatórios públicos, didátáticos ou os ligados a universidades); c) à prática amadora ou hobbística (observatórios particulares). A maioria dos observatórios públicos e de universidades oferecem cursos de curta duração em Astronomia e abrem as suas dependências para visitações, além m de desenvolvererem trabalhos na área da Astronomia observacional visando a relação amador-r-profissional . Os planetários são amplamente utilizados em diversos países e constituem-se em espaços de ensino, divulgação e cultura científica, proporcionando apresentações e aulas práticas sobre o universo para escolas, alunos, professores e população (CURRAN, 1990; BARRIO, 2007; FRAKNOI, 1990). De fato, o enorme potencial pedagógico de um equipamento como o

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planetário é amplamente reconhecido na área (NOGUEIRA, LOTTIS e LOSS, 2008) , embora muitos professores nunca tenham visitado um (SZOSTAK, 1990). No Brasil, devido à quantidade reduzida destas instituições de divulgação e ensino (há 33 planetários fixos no país, mas 28 em funcionamento), a prática de atividades (tais como atuar como parceiros na formação continuada em ensino de Astronomia para os professores de ensino fundamental e médio, promoção de cursos e eventos, distribuição de materiais didáticos, atendimento local e regional, dirigindo-se pessoalmente até as escolas), parece estar distante de nossa realidade, apesar de alguns planetários do território nacional promoverem trabalhos pontuais com cursos culturais e de extensão para o público em geral. A importância destes espaços é contemplada nos PCN, que incentitivam a visita apoiada em um aprendizado prático do conteúdo em Astronomia. Os PCN salientam a necessidade de "atividades práticas s e e visitas preparadas a observatórios, planetários, associações de astrônomos amadores, museus de Astronomia e de Astronáutica" " (BRASIL, 1999). Mas, Delizoicov et al (2002) alerta que esses espaços não devem ser encarados só como oportunidades de atividades educativas complementares ou de lazer, mas devem fazer parte do processo de ensino/aprendizagem de forma planejada, sistemática e articulada.

Há ainda os clubes de Astronomia e associações de Astronomia amadora que se empenham seriamente em criar e desenvolver o interesse pela pesquisa , ensino e extensão da Astronomia e ciências afins, sobretudo quando são vinculados ou instalados em instituições de ensino superior de formação de professores . Os clubes e associações têm prestado uma valiosa contribuição para a divulgação e o ensino da A Astronomia, suprimindo carências específicas nesta área, mesmo que realizado muitas vezes de modo pontual e isolado (no Brasil, há cerca de 200 clubes e associações de astrônomos amadores). A Astronomia talvez seja a única ciência em que amadores colaboradores s (não simplesmente hobbystas) s) contribuem significativamente com dados e informações para a cocomunidade científica profissional, uma vez que astrônomos profissionais ocupam-m-se intensamente com trabalhos bem específicos e segmentados da Astronomia , em frente de telas de computadores em poucos observatórios de consórcios internacionais , enquanto os amadores aficionados observam ativamente com seus próprios telescópios, muitas vezes nos fundos de suas residências, s, espalhados por todo o globo terrestre, perscrutando o céu noturno. Muitos foram os campos das contribuições de astrônomos amadores, tais como mo descobertas de novos cometas , estrelas novas e supernovas , estudo e descoberta de asteróides, monitoramento de estrelas variáveis, registro de manchas solares, ou o estudo de atmosferas planetárias, apenas para citar alguns exemplos (DYSON, 1992; PHILLIP ÁS, pppg 2008; ROMERO, 2007; TREVISAN, 2004; SÁNCHEZ -LAVEGA, 2007). Em território nacional, a Rede de A Astronomia Observacional (REA), fundada por um grupo de astrônomos amadores com experiência e interesse dirigido à Astronomia observacional em diversas áreas (REA, 2002), reporta dados de astrônomos amadores colaboradores para organizações profissionais. Uma das instituições que a REA mantém contato é a Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), fundada em 1974 e que mantém uma Comissão de Ensino (CESAB), tendo como uma das finalidades a de estimular mais pesquisas e o ensino da Astronomia no Brasil.

Alguns dos resultados destas pesquisas têm direcionado a elaboração de cursos denominados "formação continuada" em Astronomia para professores do ensino fundamental e médio, oferecidos pelas instituições já mencionadas, porém, a grande maioria parece trazer essencialmente uma ênfase apenas em conteúdos específicos, deixando muitas vezes de tratar questões metodológicas de ensino e aprendizagem, a transposição didática , elaboração de atividades externas à sala de aula, adequação de avaliações s e a utilização de recursos e técnicas de trabalho docente sobre o tema. Reconhece-se que os conteúdos de Astronomia são importantes e necessários para serem trabalhados em programas de de formação continuada de professores, como atestam autores da área de formação docente (SHULMAN, 1987; GARCIA, 1992; PERRENOUD, 2002; GAUTHIER et al, 2002; GARCIA, 1999; TARDIF, 2004), mas o conteúdo, por si só, não basta para que o professor se sinta apto para mudar a sua prática pedagógica. Assim, acredita-se que futuras

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elaborações de programas de formação continuada para professores, que contemplem a área de Astronomia, norteiem-m-se em resultados de pesquisas na área de Educação em Astronomia, do Ensino de Ciências e da Formação de Professores, o que poderá proporcionar, além de processos formativos docentes adequados às suas reais necessidades, fontes seguras de informações a partir da espécie de estabelecimentos considerados neste trabalho, para que os professores possam aprender, não apenas a Astronomia, mas também, a ensinar a A Astronomia .

## Considerações finais

Diante dos breves recortes acima apresentados , esperara -se ter fornecido um panorama geral sobre como a presença de conteúdos de Astronomia se mostrou gradualmente decrescente nas instituições de ensino e de formação de docentes, ao longo da história, desde as etnias indígenas até os dias atuais. Admite -se, no entanto, , um atual e sensível aumento de empenhos isolados das instituições acima mencionadas, numa tentativa de conquistar um espaço cada vez maior para o ensino e a divulgação da Astronomia. Embora talvez a Astronomia não volte a ser uma disciplina específica (como no passado) , acredita -se que tais esforços continuarão contribuindo significativamente para o seu ensino efetivo, alcançando o clímax no ano de 2009, com um marco histórico para o Brasil: a Reunião da IAU (International Astronomical Union), o órgão máximo da A Astronomia mundial, a ser realizada no Rio de Janeiro. Além disso, a resolução 62/200 da 62ª Assembléia Geral da ONU, que declara 2009 como o o Ano Internacional da Astronomia (IYA2009), gerou apoio financeiro a partir de órgãos públicos para projetos de divulgação científica na área de Astronomia e ciências afins, visando estimular a popularização da ciência e tecnologia e de promover a melhoria da educação científica no País * . Fazzse necessário lembrar ainda a importância do papel exercido pelas associações, observatórios e planetários em promover mudanças e pressionar setores governrnamentais da educação no sentido de incitar mobilizações que resultem em reformas nacionais para o desenvolvimento da pesquisa , ensino e popularização da Astronomia. Este tipo de ação em favor da educação em Astronomia, justifica-se pelo fato desta ciência desenvolver o importante papel em promover no público o interesse, a apreciação e a aproximação pela ciência em geral , pois normalmente surgem questões de interesse comum que despertam a curiosidade das pessoas, tais como buracos negros, cosmologia e exploração do sistema solar, levando-a-as a uma educação em A Astronomia, seja ela formal ou não-o-formal.

A Astronomia aparece, , ainda que timidamente, n não apenas e em alguns currículos do ensino regular em universidades e escolas, mas também em meios de divulgação, como jornais, artigos de revistas, programas televisivos, museus de ciências e instituições como planetários e observatórios, além do do trabalho , na comunidade, de astrônomos amadores colaboradores (PASACHOFF e PERCY, 1990). Porém, como apontam estes recortes, este é ainda um campo fértil de trabalho, pois, diferente da maioria dos conteúdos de disciplinas escolares, a Astronomia possui um grau altamente motivador e "popularizável", uma vez que o seu laboratório é natural e o céu está à disposição de todos (MOORE, 1990), favorecendo à cultura científica, conforme mostrou esta breve análise panorâmica da educação em Astronomia no Brasil.

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