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LUDOESTÁTICA: UMA PROPOSTA DE UM MATERIAL DIDÁTICO ALTERNATIVO (JOGOS) PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE ELETROSTÁTICA

Ricardo Francisco Pereira, Polônia Altoé Fusinato, Marcos César Danhoni Neves, Michel Corsi Batista, Ricardo Brugnolle Blini

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

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## LUDOESTÁTICA: UMA PROPOSTA DE UM MATERIAL DIDÁTICO ALTERNATIVO (JOGOS) PARA O ENSINO -APRENDIZAGEM DE ELETROSTÁTICA

Ricardo Francisco Pereira1*, Polônia Altoé Fusinato2, Marcos César Danhoni Neves 3 , Michel Corsi Batista 4 , Ricardo Brugnolle Blini 5

- 1 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, ricardoastronomo@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, poly@dfi.uem.br
- 4 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, profcorci@hotmail.com
- 3 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, profcorci@hotmail.com
- 5 Universidade Estadual de Maringá/ Aluno de Pós -Graduação em, Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, ricardobblini@hotmail.com

## Resumo

No atual processo de ensino-aprendizagem de Física, no Ensino Médio, os educadores, muitas vezes, não mais conseguem despertar o interesse dos seus alunos. Os métodos tradicionais de ensino estão cada vez menos atraentes para os estudantes. Muitas vezes, os educadores não potencializam espaços para que seus alunos questionem e participem das aulas. A sala de aula acaba se transformando num imenso espaço de "anti-criação". Os alunos reivindicam e, acima de tudo, necessitam de novas metodologias e novas técnicas que despertem o interesse pela Física como condições para um melhor desempenho. Os jogos de tabuleiro são muito difundidos culturalmente e podem ser jogados a qualquer hora, lugar e acomodando várias pessoas ao mesmo tempo. Quando desenvolvidos visando à aprendizagem de conteúdos, ele se torna uma importante e poderosa ferramenta de aprendizagem. Os jogos apresentam grande potencial para despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos, principalmente porque abordam esses conteúdos dentro de um ambiente lúdico, propício a uma melhor aprendizagem, muito diferente das salas de aula nas escolas, que geralmente são expositivas . Em relação à essa questão lúdica, se o professor procurar algum jogo que envolva a Física, pouco ou nada encontrará . Baseado o nessa necessidade é que desenvolvemos um material didático alternativo, um jogo de tabuleiro que trabalha o processo de ensinoaprendizagem de conteúdos de Eletrostática, em cima dos principais pontos que causam maiores dificuldades no ensino -aprendizagem dos alunos e buscando o resgate da ludicidade nesse processo. Em si, o jogo possui componentes que se liga de alguma forma à educação lúdica e, portanto, informal, que facilita o envolvimento do estudante tornando -o sujeito ativo do processo envolvendo diretamente interesses intrínsecos.

Palavras -chave: Jogos de tabuleiro, lúdico, eletrostática.

## Introdução

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26 a 30 de Janeiro de 2009

Uma revisão de artigos publicados em revistas de ensino1 o1 na última década demonstra uma clara preocupação dos pesquisadores com respeito ao binômio ensino/aprendizagem de Física. Esse fato torna-se evidente observando a quantidade de artigos publicados que englobam essa temática. Entre artigos e livros publicados, destacamos: Lima (1995), Carvalho e Vannucchi (1996), Costa & Moreira (1996, 1997a, 1997b, 1997c), Villani & Ferreira (1997), Heineck (1999), Zimmermann (2000), Fávero & Sousa (2001), Carvalho (2002), Klajn (2002), Kawamura e Hosoume (2003), Sousa & Fávero (2003), Neves & Pereira (2006).

Muitos fatores que interferem no processo ensino-aprendizagem são relatados e analisados sob diversas vertentes em toda a literatura analisada. Entender melhor essas interferências nos fornece uma visão mais apropriada e real sobre a situação. Assim, podemos investigar em um nível mais profundo e fazer propostas que objetivam ajudar a melhorar a atual situação do ensino-aprendizagem não somente da Física, mas da Ciência de maneira geral.

Educadores, muitas vezes, desorientados nesse processo, não conseguem mais atrair a atenção ou despertar o interesse de seus alunos, pois se o educando mudou, o educador e a escola aparentemente não se adaptaram às mudanças. O problema não é somente a temporalidade. Os métodos "atuais" de ensino continuam resgatando velhas e desgastadas fórmulas pedagógicas que estão cada vez menos atraentes para os jovens, que buscam por uma participação ativa. Querem questionar, atuar, não conseguindo ficar horas a fio sentados ouvindo uma aula meramente expositiva.

Werneck (1996), a respeito do desinteresse dos alunos, diz:

Creio que ensinamos demais e os alunos aprendem de menos e cada vez menos! Aprendem menos porque os assuntos estão cada dia mais desinteressantes, mais desligados da realidade dos fatos e os objetivos mais distantes da realidade da vida dos adolescentes. (p. 13 )

Os estabelecimentos de ensino, em sua maioria, administram uma enorme quantidade de problemas comportamentais, fazendo com que o ambiente escolar, seja pouco propício para o aprendizado. Aparentemente essa falta de interesse dos estudantes tem muito a ver com o ensino a eles oferecido. Essa é, talvez, a grande preocupação de hoje: como "conquistar" o interesse dos alunos dentro da sala de aula. Na Física, há ainda alguns agravantes: i) o ensino tornou-s-se uma espécie de algoritmo mecânico-matematizado, ii) muitos dodos conceitos físicos, quando bem construídos, envolvem determinados graus de subjetividade, iii) a grande maioria dos professores de Física do Ensino Médio, não são graduados em Física. Esse último agravante é muito importante, pois a maioria desses professores, não foram preparados para ministrar aulas de Física. Portanto, a base de conteúdos em Física é geralmente fraca, levando o ensino em sala de aula para a matematização dos problemas e deixando de lado os conceitos físicos essenciais.

Não se trata de e dar "receitas", porque as situações são muito diversificadas. É importante que cada docente encontre a prática ou a metodologia que o auxilie a

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não somente "sentirrse docente", mas ser docente, comunicar-r-s-se, ensinar, ajudar aos alunos para que aprendam mel É elhor e construam seus conhecimentos em pqp Ciência. É importante diversificar as formas de elaborar aulas, de realizar atividades e de avaliar.

Hodiernamente, os alunos reivindicam e, acima de tudo, necessitam de novas metodologias e novas técnicas que despertem o interesse pela disciplina como condições para um melhor desempenho na Física (KLAJN, 2002). Baseado nessa necessidade é que propomos um material didático alternativo, um jogo de tabuleiro suporte para o processo de ensino-aprendizagem de conteúdos de Eletrostática. A partir de discussões informais com colegas professores e análise de artigos e livros, foram incorporadas ao jogo, situações onde os alunos apresentam dificuldades em sala de aula, envolvendo manipulação e comparação de equações e figuras e de conceitos físicos pertinentes à temática.

## Dificuldades no Ensino de Física

O mote da educação é: "os alunos precisam aprimorar sua capacidade de aprender". Nesse sentido, as atividades comuns de ensino deveriam consistir em: elaborar perguntas e fomentá-las nos alunos; o uso freqüente de bibliotecas, internet; visitas a museus, exposições, leituras de livros suportes, realizar pesquisas e experiências nos diversos meios que atualmente a tecnologia oferece.

Os programas das disciplinas, hoje, não permrmitem, na maioria dos casos, que os professores e alunos possam trabalhar temas mais modernos e adaptados ao dia -a-dia dos alunos, apesar dos PCNs e de livros didáticos públicos, no caso do Paraná. Werneck (1996) critica duramente os programas das disciplinas, cobrando uma reformulação:

Nossos programas precisam de uma poda e de um corte bem fundos, restabelecendo uma linha de maior objetividade, de clareza de objetivos e de seleção criteriosa de conteúdos verdadeiramente adequados às capacidades psicogenéticas do adolescente. (p.14-4-15)

O problema na Física é complicado, pois a Física ensinada no Ensino Médio tem mais de 150 anos de idade (Física Clássica). A partir deste ponto, a Física teve um salto fenomenal nas suas teorias e aplicações. Vale lembrar que toda a tecnologia atual, principalmente as que envolvem a eletrônica e a Física Médica, advém de estudos e aplicações de conceitos e fenômenos ligados à Física Moderna e a Mecânica Quântica. Toda essa tecnologia que envolve nosso mundo acaba ficando de fora da sala de aula. Fora da escola, os alunos vivem no século XXI, imerso em um mundo tecnológico, quando vão para a escola para estudar Física, eles voltam ao século XVIII e XIX, em um mundo arcaico para os padrões atuais. Esse "salto no tempo" acaba fafazendo com que os alunos diluam seus interesses pelos conteúdos da disciplina, já que pouca coisa que eles estudam em sala de aula tem relação com o seu mundo fora da escola.

Também existe uma barreira psicológica dos alunos em relação com a disciplina. Muitos deles já entram na sala de aula vendo a Física como uma "vilã" que vai dificultar a vida dele na escola. Esse tipo de atitude induz os alunos a subvalorizarem seus conhecimentos e habilidades, as vezes, até reprimindo uma curiosidade intrínseca do aluno.

Assim, toda proposta pedagógica de ensinar e divulgar a Física não deve perder de vista o sujeito na construção do conhecimento. É, no encontro

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intersubjetivo, entre professores, alunos, textos, objetos lúdicos e experimentais, que o conhecimento pode se alicerçar, de fato, e não como fruto de uma memória vazia, efêmera, sem traços de criação.

- O método tradicional de ensino baseado na exposição do professor e na repetida resolução de exercícios, somente consegue desenvolver nos alunos, o uso de uma "receita de bolo", ou seja, o algoritmo que ele utiliza para resolver os exercícios propostos pelo professor. Segundo Peduzzi (1997):
- [...] as situações ou tarefas com que o indivíduo se depara já são deles conhecidas, não exigindo nenhum conhecimento ou habilidade nova, podendo, por isso mesmo, ser superadas por meios ou caminhos habituais. (p.230)

Esse processo é agravado quando o ensino da Física torna-se "matematizado", pois, nesse caso, os alunos aprendem somente os caminhos matemáticos para se chegar à à resposta correta e não como utilizar a matemática a partir do conceito físico abordado. O ensino e a aprendizagem torna-s-se "mecânico", tornando a sala de aula um espaço de "anti-criação", onde não há espaços para a criatividade e a curiosidade inerente dos alunos.

Existem diversas metodologias de ensino que os professores podem utilizar para tentar "alcançar" e despertar o interesse dos alunos, por exemplo, ensino por transmissão (EPT), ensino por descoberta (EPD), ensino por mudança conceitual (EMC), ensino por pesquisa (EPP) e o construtivismo. No presente trabalho, os jogos educativos se enquadram na metodologia do construtivismo.

Basicamente, pode-se dizer que, no construtivismo, é a idéia que sustenta o indivíduo, tanto nos aspectos cognitivos quanto sociais do comportamento. O conhecimento, desde a criação de uma escola epistemicológica cética, não é uma cópia da realidade, mas, sim, uma construção do ser humano. Conforme Coll et al. (2002):

- [...] a concepção construtivista não é, em sentido estrito, uma teoria, mas um referencial explicativo que, partindo da consideração social e socializadora da educação escolar, integra contribuições diversas cujo denominador comum é constituído em torno dos princípios construtivistas [...]. (p.10)

Trabalhar com o construtivismo em sala de aula, não é tarefa fácil para o professor. Em muitos casos, o mesmo não tem preparo adequado para trabalhar com esse referencial. Esse "despreparo" muitas vezes é influenciado pela maneira que o professor tenta aplicar o construtivismo em sala de aula. Ele não é um processo de procedimentos rígidos e imutáveis que o professor aplica e consegue resultados satisfatórios. Saber trabalhar com o construtivismo é, antes de tudo, compreendê-lo e as suas bases epistemológicas. Sem essa compreensão, o professor não conseguirá criar um ambiente propício para o ambiente adverso da sala de aula.

## Jogos na Educação

Existem muito tipos de jogos, dentre os mais conhecidos, estão os que se encaixam na categoria de tabuleiros, tais como: Dama, Trilha, Gamão, Xadrez, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, Scotland Yard e War. Cada jogo possui sua característica e benefícios próprios.

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Os jogos de tabuleiro são muito difundidos culturalmente e podem ser jogados a qualquer hora, lugar e acomodando várias pessoas ao mesmo tempo, enquanto quase todas as formas de entretenimento eletrônico são individualizadas e podem depender de condições que muitas vezes não podemos controlar (tempo e lugar). Mesmo jogos de computador "multiplayer" forçam uma situação de cada um em seu lugar, ou no seu micro. Há pouco ou nenhum contato real entre as pessoas.

Os jogos de tabuleiros proporcionam momentos de incerteza, tensão, tristeza, alegria, desafio e capacidade de enfrentar problemas, dentre outros. Apesar disso, o ambiente é geralmente amistoso e cordial, muito diferente daquele de uma disputa de videogame.

Segundo Neves & Pereira (2006):

[...] uma das características mais importantes dos jogos é a sua separação da vida cotidiana, constituindo -se em um espaço fe chado com regras próprias definidas, mas mutáveis, onde os participantes atuam de forma descompromissada em uma espécie de "bolha lúdica", que, durante o jogo, não tem conseqüências no mundo exterior; porém, essa experiência enriquecedora é absorvida pelos participantes e podem refletir no mundo exterior de maneira muito positiva. (p.98)

Jogar é "fazer de conta" que se está à margem da realidade para melhor elaborá -la. Por meio do jogo, se revela a autonomia, a originalidade, a possibilidade de ser livre, de inventar e de poder expressar o próprio desejo convivendo com as diferenças. Outro aspecto importante é aprender a fazer escolhas e aceitar as conseqüências dessas escolhas. Aceitar e aprender a lidar com a vitória ou a derrota, sabendo que se pode tentar vencer, mas correndo o risco de perder. Exercita -se, assim, para o enfrentamento dos acontecimentos acidentais do cotidiano.

Nas palavras de Kishimoto (1998):

O jogo, ao correr em situações sem pressão, em atmosfera de familiaridade, segurança emocional e ausência de tensão ou perigo, proporciona condições para aprendizagem das normas sociais em situações de menor risco. A conduta lúdica oferece oportunidades para experimentar comportamentos que, em situações normais, jamais seriam tentados pelo medo do erro ou punição. (p. 40)

- O jogo é também uma forma de sociabilização que prepara a criança para ocupar um lugar na sociedade adulta. O conhecimento das modalidades lúdicas garante a aquisição de valores para a compreensão do contexto. (p. 140)

A importância dos jogos na educação ocorre quando a diversão se torna aprendizagem e experiências cotidianas, conforme Lopes (2001):

É muito mais eficiente aprender por meio de jogos e, isso é válido para todas as idades, desde o maternal até a fase adulta. O jogo em si, possui componentes do cotidiano e o envolvimento desperta o interesse do aprendiz, que se torna sujeito ativo do processo, e a confecção dos próprios jogos é ainda muito mais emocionante do que apenas jogar. (p. 23).

Para Pereira (2007):

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No que diz respeito à Física, os jogos apresentam grande potencial para despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos, principalmente porque os jogos abordam esses conteúdos dentro de um ambiente lúdico, propício a uma melhor aprendizagem, muito diferente te das salas de aula nas escolas, que geralmente são expositivas, tornando o ambiente um espaço de "anti criação", impedindo uma maior participação dos alunos nas aulas. (PEREIRA, 2007, p.176)

Os jogos educacionais voltados para a Física podem ser bastante simples como os de exercícios e práticas, mas podem ser ambientes de aprendizagem ricos e complexos. Seus principais objetivos são: despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos e criar um ambiente propício para a aprendizagem.

Normalmente utilizaase o lúdico porque o prazer lhe é decorrente e, por essa razão, é bem recebido pelas crianças, pelos jovens e, muitas vezes, pelo próprio adulto. Envolvendo a Física nesse ambiente lúdico de um jogo de tabuleiro, podemos propiciar uma sensação de se estar em oposição a uma situação formal de aprendizado. A situação de prazer, tensão e alegria colaboram com o processo educacional porque coloca o aluno em uma situação de potencial receptividade, uma vez que imerso numa situação que geralmente gosta, onde há pouc a dispersão e onde pode-se potencializar sua concentração para aproveitar ao máximo estes momentos.

Um jogo educativo no ensino é mais uma ferramenta potencialmente pedagógica para apoiar práticas docentes em busca de alternativas para despertar o interesse para a aprendizagem, a autoconfiança, a organização, a concentração, a atenção, o raciocínio lógico-o-dedutivo e o senso cooperativo nos alunos (NEVES & PEREIRA, 2006).

É muito importante salientar que os jogos devem ser convenientemente planejados pelos professores, pois os jogos educativos, como uma prática pedagógica auxiliar, é melhor aproveitada fora da sala de aula; por exemplo: monitorias e trabalhos para casa. Se os alunos se reunirem em um horário fora da escola para jogarem, eles automaticamente, estarão se divertindo e participando do processo de ensino-aprendizagem do conteúdo trabalhado no jogo. Qualquer conteúdo pode ser abordado em jogos. Mas o elemento "criatividade" é essencial na sua elaboração. Essa é uma característica fascinante nos jogos. Quando uma estrutura é bem construída e aperfeiçoada, ela pode ser aproveitada ou parcialmente aproveitada para a abordagem de outros conteúdos ou para o desenvolvimento de outros jogos.

## Resultados: O jogo "Ludoestática"

O jogo "Ludoestática" foi dedesenvolvido durante a pesquisa de Mestrado de Pereira (2008) visando trabalhar algumas das principais dificuldades de aprendizagem dos alunos no conteúdo de Eletrostática, tais como:

- · Reconhecimento de grandezas escalares e vetoriais;
- · Identificação de equações matemáticas;
- · Interpretação das equações matemáticas;
- · Interpretação de conceitos físicos;
- · Análise de figuras e imagens;

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- · Concepções prévias;
- · História da Eletrostática.

Essas dificuldades foram levantadas através de conversas informais com professores de de Física e por experiências próprias. Elas estão trabalhadas na forma de perguntas, em diferentes níveis, algumas trabalhando especificamente um dos tópicos listados e outras trabalhando com até mais de um dos tópicos. Todo o conteúdo foi trabalhado com basase em conteúdos de livros didáticos. Se um jogador acertar a resposta da pergunta, avança casas, se errar a resposta, nada acontece.

As figuras e imagens são trabalhadas de forma que os jogadores possam identificar qual a situação física envolvida, inclusive figuras que envolvem conceitos físicos errôneos. Elas foram escaneadas de livros didáticos, Gaspar (2001) e Bonjorno et al. (2001). As equações são trabalhadas de forma que os jogadores saibam identificar qual equação será utilizada dependendo da situação exigida e, muitas vezes, saber diferenciar através das equações, grandezas escalares e vetoriais. Dentre todas as equações envolvidas no jogo, muitas delas são equações propositalmente erradas e os jogadores têm que saber excluí-í-las das opções de escolha.

Ganha o jogo o jogador que primeiro chegar à última casa do tabuleiro: a casa de cor amarela.

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Figura 1: exemplos de cartas perguntas e cartas surpresas (tamanho reduzido).

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Figura 2: Tabuleiro do jogo Ludoestática (tamanho reduzido o tamanho real é de 4 folhas A4e em escala

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## Conclusões

A pesquisa de Pereira (2008) foi comandada pelo eixo central na aprendizagem sobre o desenvolvimento de jogos de Física e como resultado ele obteve uma receptividade muito positiva, tanto por parte dos professores que utilizaram os jogos desenvolvidos por ele, quanto dos alunos que participaram dessa atividade. Fato este comprovado por diversas falas desses professores envolvidos com a utilização dos jogos:

- · ... foi muito bom, pois um aluno que diariam ente não faz nada nas aulas estava participando com muita felicidade; (p.85)
- · ... os alunos considerados "maus alunos" participaram com muito gosto. Também gostaram da revisão; (p.90)
- · Eu como professora do período noturno, sei como é difícil ensinar para esta clientela, alunos cansados de trabalhar o dia todo, são raras às vezes, que consigo prender um aluno na aula a todo instante, ou ele conversa, ou ele houve mp3, ou ele fala no celular, ou está dormindo ou não entra em sala de aula, e com esta aula interarativa e descontraída consegui alcançar meus objetivos. Foi muito válida esta experiência, e posso garantir que vou sempre utilizá -la em minhas aulas. (p.91)
- · Pela primeira vez em cinco anos de sala de aula consegui fazer com que um grupo de alunos com dificuldade na disciplina de física se interessassem pela atividade de recuperação; (p.107)
- · Posso então concluir que o resultado foi positivo, classificaria este jogo como um recurso didático dotado de um potencial pedagógico fantástico, pois se utilizado adequauadamente com um grupo de

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alunos é capaz de desertar o raciocínio, agilidade, e claro um interesse pela física (ainda que pequeno) ... (p.107)

- · ... a maior vantagem que eu professor de física encontrei neste jogo foi a possibilidade de promover um resgate no aluno que tem dificuldade ou até mesmo defasagem de conteúdo. (p.108)
- · Foi muito proveitoso utilizar o jogo em sala de aula. Ele despertou o interesse de muitos alunos, que antes ficavam apenas dormindo ou ouvindo musica em sala de aula; (p.114)
- · As questões es ligadas ao cotidiano dos alunos ajudaram ainda mais essa interação com a física. (p.114)

As possibilidades para o desenvolvimento e utilização de jogos educativos são imensas e devem ser exploradas por mais pesquisadores. Como uma prática pedagógica alternativa, os jogos são "ferramentas" a disposição tanto dos alunos quanto aos professores. Com tempo suficiente, um professor pode trabalhar muito bem em sala de aula com os seus alunos, enquanto estes, poderiam muito bem jogar com os amigos em contra-turno como forma de fazer uma revisão e estudar para uma prova.

## Bibliografia

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26 a 30 de Janeiro de 2009

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