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DESBRAVANDO O SISTEMA SOLAR: UM JOGO EDUCATIVO PARA O ENSINO E DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA

Ricardo Francisco Pereira, Polônia Altoé Fusinato, Marcos Cesar Danhoni Neves

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

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## DESBRAVANDO O SISTEMA SOLAR: UM JOGO EDUCATIVO PARA O ENSINO E DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA

## Ricardo Francisco Pereira 1* , Polônia Altoé Fusinato 2 , Marcos Cesar Danhoni Neves3 s3

- 1 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, ricardoastronomo@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, poly@dfi.uem.br
- 3 Universidade Estadual de Maringá/ Departamento de Física/ Programa de Mestrado em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática, macedane@yahoo.com

## Resumo

Quando alguém observa o céu e tenta compreendê-lo, vão surgindo muitas curiosidades. Nossa curiosidade vai aumentando à à medida que observamos com cuidado o céu que nos parece envolver. Nele podemos distinguir muitos objetos completamente diferentes. Cada objeto traz uma pergunta, cada pergunta uma surpresa, e cada surpresa a certeza de que ainda sabemos muito pouco. Esse fafascínio causado pela Astronomia deve ser mais bem aproveitado no ensino, pois, por ser uma disciplina inteiramente transdisciplinar no contexto que preside o ensino de cada disciplina e do seu conjunto , desenvolve várias habilidades que refletem em diversas as outras disciplinas . Os Os jogos apresentam grande potencial para despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos, principalmente porque abordam esses conteúdos dentro de um ambiente lúdico, propício a uma melhor aprendizagem, muito diferente das salas de auaula nas escolas, que geralmente são expositivas, tornando o ambiente um espaço de "anti-criação", impedindo uma maior participação dos alunos nas aulas. Com o intuito de aproveitar esse "fator motivador" aliado a um ambiente lúdico o muito favorável à aprendizagem, o presente trabalho buscou analisar a questão do do ensino-aprendizagem de Astronomia através da utilização de jogos , para desenvolver um jogo educativo de tabuleiro que trabalhe especificamente abordando questões sobre a Astronomia do Sistema Solar (características básicas dos planetas e do Sol). Durante o desenvolvimento, em diversos testes informais com alunos, professores, graduandos e pós-graduandos, a impressão que passa é que esse e jogo em si , possui componentes que se liga ao ensino informal, que facilita o envolvimento do estudante tornando-o -o sujeito ativo do processo de ensino-aprendizagem.

Palavras chaves:Lúdico, jogos educativos, Astronomia.

## Introdução

Olhando para o céu em uma noite escura, podemos ver um grande número de estrelas. Incrívevel? Nem tanto. Um pouco mais de 5000 objetos entre as mais de 200 bilhões de estrelas que habitam somente a nossa galáxia, a Via Láctea.

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26 a 30 de Janeiro de 2009

Nossa curiosidade vai aumentando à medida que observamos com cuidado o céu que nos parece envolver. Nele, podemos distinguir muitos objetos completamente diferentes. Alguns são brilhantes, por quê? Outros são difusos, por quê? Alguns cintilam, por quê? Nem todas as estrelas têm a mesma cor, por quê? Algumas regiões parecem indicar falta de estrelas, mostrando-se muito escuras, e destacando entre regiões brilhantes, por quê? Em algumas épocas, um cometa aparece no céu, com sua estranha cauda, de onde vem? Porque são tão diferentes das estrelas? Subitamente, um risco luminoso no céu chama nossa atenção, mas o que foi isso?

Se uma simples observação a olho nu nos mostra uma variedade tão grande de objetos a serem estudados, imagine o que é revelado quando usamos os potentes telescópios de hoje. Em todo o Universo, seja qual for a distância considerada, encontramos objetos celes tes com propriedades diferentes. A física que ocorre nesses corpos, e que é a responsável pelas propriedades que observamos, é a mais ampla possível. A Astronomia incorporou em si, todas as áreas da Física. È esta enorme riqueza da Astronomia que nos incentiva a estudar os vários objetos celestes com equipamentos e técnicas cada vez mais sofisticadas e completamente diferentes. Cada objeto trás uma pergunta, cada pergunta uma surpresa e cada surpresa, a certeza de que ainda sabemos muito pouco.

## O Fascínio e exercido pela Astronomia

A Astronomia é, provavelmente, a mais antiga e a mais bela ciência desenvolvida pela civilização humana. Segundo Filho e Saraiva (2004):

"O estudo da Astronomia tem fascinado as pessoas desde os tempos mais remotos. A razão para isso se torna evidente para qualquer um que contemple o céu em uma noite limpa e escura. Depois que o Sol - nossa fonte de vida - se põe, as belezas do céu noturno surgem em todo o seu esplendor".

Além da beleza, outros sentimentos podem surgir quando se e estuda Astronomia. De acordo com Neves e Argüello (2001): "Observar os céus, tem produzido e continua produzindo no homem, sensações de imensidão, solidão, beleza, mistério e induzem profundos sentimentos, religiosos ou românticos". De maneira similar, Moreno (in:

http://gedal.astrodatabase.net/artigos\_e\_textos\_ensinoedivulgacaodaastronomia.htm l) escreve:

" Certamente, não há aquele que, ante a primeira observação por um telescópio, mostre-se indiferente. As reações são as mais diversas possíveis. O entusiasmo dos jovens, a estupefação dos adultos ou o incredulismo dos mais velhos, não importa, o primeiro contato com o Cosmos é sempre algo especial e marcante " .

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A Astronomia, apesar de ser considerada a mais antiga das ciências, é a "grande desconhecida" de nossos alunos nas escolas e da população em geral (LANGHI, 2004; PEDROCHI e NEVES, 2005). Falta uma boa divulgação (e ensino) dessa ciência tanto nas escolas de Ensino Fundamental e Médio e nas Universidades quanto na imprensa de um modo geral. A esse respeito, escreve Moreno (2006):

"O único elo com o conhecimento mencionado será aquele exposto, brevemente, nas salas de aula ou de forma ainda mais efêmera pela imprensa. E, o que é ainda pior, não raramente as informações passadas dessas formas acabam se mostrando confusas, distantes e, o que é ainda mais lastimável, expostas de forma incorreta" [MORENO, 2006, em

http://gedal.astrodatabase.net/artigos\_e\_textos\_ensinoedivulgacaodaastron omia.html]l]

Menezes, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores dos Parâmetros Curriculares Nacionais, assim aludiu ao aprendizado da Astronomia:

"É interessante olhar para o céu e identificar partícipes do nosso pequeno condomínio, o Sistema Solar. Ah, aquilo não é uma estrela, é Vênus, um planeta. Reconhecer a Via Láctea, nossa metrópole. O barato é dominar isso, não para repetir na prova, mas para debater e filosofar sobre. Não é verdade que a criança não se interessa por filosofar. Ela só não quer ser incomodada". (MENEZES, 2003)

Reeves, astrofísico canadense e autor de livros de divulgação científica, afirma:

"Pode -se desejar reconhecer as estrelas e as constelações. Mas, de início, podemos perguntar por quê. Por que nos dar a esse trabalho? Por que investir esforços nesse sentido? Reconhecer as estrelas talvez seja tão útil (ou inútil...) quanto saber dar os nomes das flores selvagens nos bosques. Hoje, a navegação é feita com satélites apropriados. Só mesmo quem gosta de velejar é que às vezes levanta os olhos aos céus para se guiar; e uma ou duas constelações são suficientes papara se encontrar a Estrela Polar [no Hemisfério Norte]. A verdadeira motivação é outra. Ela diz respeito ao prazer, ao prazer de transformar um mundo desconhecido e indiferente em um mundo maravilhoso e familiar. Trata -se de "domesticar" o céu para habitá -lo e, nele, sentir-s-se em casa". (REEVES apud PELLEQUER, 1991).

A idéia de Reeves vai de encontro à opinião da grande maioria dos astrônomos amadores. Eles aproveitam essa motivação e o interesse quase intrínseco dos seres humanos pelo Universo, para fazer r uma maior divulgação da Astronomia perante o grande público através de palestras e de observações públicas do céu noturno e diurno. Todo material ligado à Astronomia e que visa à divulgação, segue esse caminho já concretado ao longo do tempo.

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## O Ensino de Astronomia

O ensino de astronomia nas escolas de Ensino Fundamental e Médio tem sido objeto de diversas pesquisas na área de educação em Ciências, dentre alguns, destacamos: Perelman (1961), Cianato (1987), Leite (2002), Mees (2004), Neves & Pedrochi (2005), Langhi & Nardi (2005), Oliveira (2007). ). De um modo geral, as pesquisas demonstram que, o ensino dessa ciência sofre cronicamente de diversos problemas e que necessitam ser estudados visando à melhoria da qualidade dos docentes que a ministram.

Atualmente, pela Lei de diretrizes e Bases (LDB) de 1996, a Astronomia está presente essencialmente na disciplina de Ciências, conforme indicam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de 1997, deixando assim, de ser uma disciplina específica nos cursos de formação de professores. A conseqüência direta desse fato é que a cada novo ciclo de docentes que lecionam tanto em escolas públicas quanto em escolas particulares, não estão aptos a ministrar conceitos e propor uma prática observacional didática de astronomia para seus alunos (BRASIL, 1997).

Os PCNs do Ensino Médio leva a crer que a Astronomia merece um tratamento mais aprofundado do que hodiernamente ocorre nas instituições de ensino, inserindo mais conteúdos desse tema nas mais variadas disciplinas. Ainda, a Astronomia é de fato, uma disciplina inteiramente transdisciplinar no contexto que preside o ensino de cada disciplina e do seu conjunto. Seu ensino deve ser tratado de tal maneira que contemple temas transversais, privilegiando assim, a interdisciplinaridade inerente à mesma, pois, por se tratar de um assunto que desperta a curiosidade dos estudantes, esta ciência poderá ser utilizada como um fator que também despertará o interesse do estudante para a construção de conhecimentos em outras disciplinas. Salientam-se a necessidade de atividades práticas e visitas preparadas a observatórios, planetários, associações de astrônomos amadores e museus de Astronomia e de Astronáutica. (BRASIL, 1997) Esses espaços não devem ser encarados só como oportunidades de atividades educativas complementares ou de lazes, mas devem fazer parte do processo de ensino -aprendizagem de forma planejada, sistemática e articulada.

Os temas de Astronomia que deveriam estar presentes nas escolas englobam os fenômenos relacionados ao cotidiano observável e alguns outros que dão conta do tipo de Universo que habitamos e das leis que o regem: Céu e planeta, luz e estrela, nascer e pôr do Sol, órbitas, planeta e satélites, dia e noite, fases da Lua, eclipses, estações do ano e manchas solares, dentre outras.

Muitos professores de Ciências ou de Física, ver-se-á confrontado com o momento de trabalhar conteúdos de Astronomia. No entanto, em muitos casos, não tem formação acadêmica específica com conteúdos de Astronomia. O que está em pauta não é é uma suposta falta de capacidade, porém, estes professores, podem, muitas vezes, não se sentirem preparados para ministrar conteúdos dessa área, assim, eles se tornam reféns da bibliografia que encontrarem, como conseqüência, se o material bibliográfico não for de qualidade e confiável, o docente pode propagar conceitos errôneos de astronomia a seus alunos, gerando concepções que se tornarão arraigadas no âmago do conhecimento dos alunos, sendo difícil depois, conseguir substituir esses conceitos.

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Esses problemas podem ser atacados de diversas maneiras, uma delas que é considerada, uma abordagem mais direta, seria realizar diversos trabalhos com professores, universitários, estudantes e com o público em geral. Possibilita-se então, a inclusão da Astronomia, como uma disciplina especialmente apropriada para motivar alunos e professores, aprofundando o conhecimento em diversas áreas do saber: Física, Química, Matemática, Biologia, Computação, Geografia, História e Antropologia. Por isso, a astronomia é considerada uma ciência que pertence à comunicação social (Albanese, et al., 1997; Danhoni Neves e Argüello, 2001; Danhoni Neves, 1998).

A A Astronomia pode ser considerada um "motor" poderoso o suficiente para despertar a curiosidade pela ciência, para não somente desenvolver conceitos básicos, mas favorecer o desenvolvimento de outras características transversais à Astronomia, tais como: melhoria na capacidade de cálculos matemáticos, comparação e classificação de objetos ou eventos, comunicação, experimentação, expxploração, imaginação, medição, observação, organização, raciocínio lógico, aplicação, avaliação, dedução, descrição, interpretação, predição, manipulação de instrumentos e reconhecimento de pré-conceitos, ou concepções alternativas.

Aproveitando esse "potencial" e a recomendação dos PCNs para que os professores trabalhem Astronomia com seus alunos utilizando atividades diferenciadas, surgiu a idéia do desenvolvimento de um jogo de tabuleiro que trabalhasse conteúdos de Astronomia de uma maneira lúdica.

A maior dificuldade dessa pesquisa reside no fato de que encontramos pouco material sobre jogos educativos voltados para o Ensino Médio e , principalmente , jogos educativos voltados para o ensino de Astronomia. Em nossa busca na literatura por livros, teses, dissertações e artigos que disponibilizem detalhes de jogos e até mesmo os próprios jogos de Física, nada encontramos. Passado essa fase da pesquisa, direcionamos a nossa pesquisa para um ponto de partida diferente do inicialmente proposto. Sem um jogo educatativo de tabuleiro para servir como base de estudo para o desenvolvimento de outro jogo, nos direcionamos aos estudos da utilização de jogos no processo educativo visando entender a sua dinâmica e efeitos nesse domínio.

## Jogos na Educação

Os jogos de tabuleiro são muito difundidos culturalmente e podem ser jogados a qualquer hora, lugar e acomodando várias pessoas ao mesmo tempo, enquanto quase todas as formas de entretenimento eletrônico são individualizadas e podem depender de condições que muitas vezes não podemos controlar (tempo e lugar). Mesmo jogos de computador "multiplayer" forçam uma situação de cada um em seu lugar, ou no seu micro. Há pouco ou nenhum contato real entre as pessoas.

Os jogos de tabuleiros proporcionam momentos de incerteza, tensão , tristeza, alegria, desafio e capacidade de enfrentar problemas, dentre outros. Apesar disso, o ambiente é geralmente amistoso e cordial, muito diferente daquele de uma disputa de videogame.

Segundo Neves & Pereira (2006):

[...] uma das características mais importantes dos jogos é a sua separação da vida cotidiana, constituindo -se em um espaço fechado com regras

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próprias definidas, mas mutáveis, onde os participantes atuam de forma descompromissada em uma espécie de "bolha lúdica", que, durante o jogo, não tem conseqüências no mundo exterior; porém, essa experiência enriquecedora é absorvida pelos participantes e podem refletir no mundo exterior de maneira muito positiva (p.98) .

Jogar é "fazer de conta" que se está à margem da realidade para melhor elaborá -la. Por meio do jogo, se revela a autonomia, a originalidade, a possibilidade de ser livre, de inventar e de poder expressar o próprio desejo convivendo com as diferenças. Outro aspecto importante é aprender a fazer escolhas e aceitar as conseqüências dessas escolhas. Aceitar e aprender a lidar com a vitória ou a derrota, sabendo que se pode tentar vencer, mas correndo o risco de perder. Exercita -se, assim, para o enfrentamento dos acontecimentos acidentais do cotidiano.

Nas palavras de Kishimoto (1998):

O jogo, ao correr em situações sem pressão, em atmosfera de familiaridade, segurança emocional e ausência de tensão ou perigo, proporciona condições para aprendizagem das normas sociais em situações de menor risco. A conduta lúdica oferece oportunidadades para experimentar comportamentos que, em situações normais, jamais seriam tentados pelo medo do erro ou punição (p. 40) .

- O jogo é também uma forma de sociabilização que prepara a criança para ocupar um lugar na sociedade adulta. O conhecimento das modalidades lúdicas garante a aquisição de valores para a compreensão do contexto (p. 140). ).

A importância dos jogos na educação ocorre quando a diversão se torna aprendizagem e experiências cotidianas, conforme Lopes (2001):

É muito mais eficiente aprender por meio de jogos e, isso é válido para todas as idades, desde o maternal até a fase adulta. O jogo em si, possui componentes do cotidiano e o envolvimento desperta o interesse do aprendiz, que se torna sujeito ativo do processo, e a confecção dos próprios jogos é ainda muito mais emocionante do que apenas jogar (p. 23).

No que diz respeito à Física, os jogos apresentam grande potencial para despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos, principalmente porque os jogos abordam esses conteúdos dentro de de um ambiente lúdico, propício a uma melhor aprendizagem, muito diferente das salas de aula nas escolas, que geralmente são expositivas, tornando o ambiente um espaço de "anti-criação", impedindo uma maior participação dos alunos nas aulas.

Normalmente utilizaase o lúdico porque o prazer lhe é decorrente e, por essa razão, é bem recebido pelas crianças, pelos jovens e, muitas vezes, pelo próprio adulto. Envolvendo a Astronomia nesse ambiente lúdico de um jogo de tabuleiro, podemos propiciar uma sensação de se estar em oposição a uma situação formal de aprendizado. A situação de prazer, tensão e alegria colaboram com o processo educacional porque coloca o aluno em uma situação de potencial receptividade, uma vez que imerso numa situação que geralmente gosta, onde há pouca dispersão e onde pode-se potencializar sua concentração para aproveitar ao máximo estes momentos.

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Um jogo educativo no ensino é mais uma ferramenta potencialmente pedagógica para apoiar práticas docentes em busca de alternativas para despertar o interesse para a aprendizagem, a autoconfiança, a organização, a concentração, a atenção, o raciocínio lógico-o-dedutivo e o senso cooperativo nos alunos (NEVES & PEREIRA, 2006).

Qualquer conteúdo pode ser abordado em jogos. Mas o elemento "criatividade" é essencial na sua elaboração. Essa é uma característica fascinante nos jogos. Quando uma estrutura é bem construída e aperfeiçoada, ela pode ser aproveitada ou parcialmente aproveitada para a abordagem de outros conteúdos ou para o desenvolvimento de outros jogos.

## Desbravando o Sistema Solar:

Como já dito antes, não foi encontrado nenhum jogo educativo de tabuleiro voltado para alunos do Ensino Médio. Após os estudos sobre os efeitos desses jogos no processo de ensino-aprendizagem, o passo seguinte foi aprender a desenvolver um jogo que não apresente para os jogadores uma coleção de enigmas sem nenhuma ligação, tornando o jogo desinteressante. Segundo Pereira (2008 , p.45): "Por sua necessidade intrínseca de unir diversão a aprendizado, os jogos constituem um desafio bastante complexo no que diz respeito à aceitação final do usuário " .

Para dominar esse processo de equilíbrio de um jogo educativo, o desenvolvimento do jogo apoiou-se em vários testes informais que foram r realizados visando seus desenvolvimentos sob diversos aspectos: jogabilidade, regras, objetivos, conteúdo e motivação, até o resultado final apresentado na presente dissertação. Nesses testes informais participaram alunos e professores de Ensino Médio da rede pública, graduandos em Física e MaMatemática e pós-graduandos em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática da Universidade Estadual de Maringá, testes que foram vitais para o desenvolvimento deste jogo, corroborando Pereira (2008):

A importância dos testes com esses diferentes grupos reside no fato de podermos testar o jogo ao limite. Cada grupo tem a sua peculiaridade e opinião sobre a prática desenvolvida. Analisando todas elas, podemos incorporar ou desenvolver características que sejam incluídas nos jogos para torná-lo mais forte , isto é, tanto no sentido pedagógico quanto no sentido motivacional para o aluno (p.46).

O jogo "Desbravando o Sistema Solar" foi desenvolvido para ser r um material didático alternativo, visando à divulgação da Astronomia do Sistema Solar, aproveitando todo o potencial dessa Ciência para fazer uma "viagem" pelos principais objetos existentes: o Sol, e os nove planetas (incluindo Plutão, que recentemente foi rebaixado à categoria de planeta-anão) e literalmente desbravando suas principais características em relação à nossa pequena morada, o planeta Terra.

## Cartas do jogo:

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Os exemplos das cartas do jogo aqui publicadas estão em um visual mais simplificado para a publicação. As cartas reais têm um fundo colorido.

Figura 1: exemplo de cartas informações, cartas sorte/azar e cartas objetivos (tamanho reduzido).

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## Tabuleiro

Figura 2: Tabuleiro do jogo "Desbravando o Sistema Solar" (tamanho reduzido)

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## Conclusões:

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Em conformidade com os PCNs, a proposta de atividades práticas de Astronomia para alunos oferecendo a oportunidade para atividades que envolvam trabalhos ao ar livre e que não exigem materiais ou laboratórios custosos, tais como construir instrumentos simples, semelhantes aos primitivos relógios de Sol, gnomos, observações do Sol, Lua, planetas, estrelas e meteoros, ou, a construção de jogos educativos que englobam esse conteúdo, podem trazer a tona, um interesse pela Astronomia a muito tempo perdido .

A possibilidade de desenvolvimento de jogos, abordando conteúdos e habilidades variadas, são grandes, por esse motivo, a utilização de jogos educacionais no ensino e divulgação da Astronomia é um campo potencialmente rico, onde depende muito da criatividade de quem está desenvolvendo os jogos. Esse potencial não se restringe somente à Astronomia, mas os conteúdos utilizados nos jogos pode ser qualquer um. Neves &amp; Pereira (2006) publicaram um jogo educativo que engloba conceitos de Física Pereira (2008), em sua dissertação de mestrado apresentou 2 jogos educativos voltados para a Física .

- O jogo "Desbravando o Sistema Solar" ainda não foi analisado em um teste real, com coleta e análise de dados para verificar a sua eficiência no processo de ensino -aprendizagem, entretanto, os vários testes informais, com jogadores de diferentes níveis revelaram muitos pontos positivos e promissores a respeito da prática pedagógica com jogos, dentre alguns:
- · para um jogo causar uma primeira impressão marcante nos participantes, é necessário que ele tenha um visual bonito, que chame a atenção;
- · a análise do professor r é deveras importante e essencial sobre a melhor maneira de se utilizar jogos educativos no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos;
- · os jogos demonstraram grande potencial para atrair a atenção dos alunos. Demonstrando interesse, os alunos interagem com a atividade e, por conseqüência, com o conteúdo implícito nela. Ao se interessar mais pelo conteúdo, eles podem sentir-r-se motivados também durante as aulas convencionais, o que pode aumentar seu desempenho na disciplina;

As experiências adquiridas durante os testes informais s ão enriquecedoras e estimulantes, pois, sempre surgem diversas sugestões, tanto para melhorar o jogo em questão, quanto para o desenvolvimento de outros jogos . Esse fato é que nos motiva continuar esse trabalho. Os próximos passos envolvem um estudo mais aprofundado sobre o efeito desse jogo no processo de ensino-aprendizagem de Astronomia e a evolução do jogo já produzido .

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