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IMPLEMENTAÇÃO DE EXPERIMENTOS ABERTOS E A MELHORIA NA RELAÇÃO DE ENSINO APREDIZAGEM

Marcelo Brandão, Murillo Pinhero, Maria Inês Ribas Rodrigues

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## IMPLEMENTAÇÃO DE EXPERIMENTOS ABERTOS E A MELHORIA Ã Ç NA RELAÇÃO DE ENSINO APREDIZAGEM

Marcelo Brandão Monteiro dos Santos 1 , Murillo Pinheiro de Oliveira 2 , Dra. Maria Inês Ribas Rodrigues3 s3

- 1 Universidade Católica de Brasília / Curso de Física, marcelo.bran@gmail.com
- 2 Universidade Católica de Brasília / Curso de Física, murillojedy@gmail.com
- 3 Universidade Católica de Brasília / Curso de Física, mines@ucb.br

## Resumo

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996 (LDB/96), o Art. 35, temos as finalidades do ensino médio a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para contitinuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; A compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. A estrutura do ensino médio brasileiro vem se mostrando cada vez mais inadequada para atender às expectativas daqueles que nele buscam uma preparação para os desafios que esperam encontrar em um tempo posterior à escola. Logo leva até a sala de aula uma proposta de ensino que pudesse atender a estas indagações, buscando um método de ensino no qual os alunos não tivessem que somente memorizar as respostas das perguntas que lhes seriam feitas ao final das aulas, sem ter uma interação com o objeto de conhecimento é um objetivo a ser alcançado, foi realizada uma busca por estratégias para que estetes conteúdos ministrados não passassem de um mero acúmulo de conhecimentos, mas que pudessem instigar nos alunos o senso investigativo e que estes alunos, ao se depararem com um problema fora da escola possam usar conhecimentos e técnicas nela adquiridos para resolvê-los. A estratégia de ensino que escolhida foi a utilização de experimentos abertos. Tendo como objetivos primários a otimização do tempo em sala de aula bem como o aprofundamento dos conteúdos ministrados.

Palavras -c -chave: Experimento Aberto, Estágio Supervisionado, Estratégia de ensino, Ensino médio.

## Introdução

Nas ultimas décadas o ensino de ciências voltado à formação básica (ensino fundamental e médio) tem sido alvo de um constante processo de reformulação, visando a melhoria da sua qualidade. Se por um lado, em alguns países, existe uma tentativa de aumentar a quantidade de cientistas, no Brasil, seguindo as perspectivas colocadas pela legislação vigente e traduzida nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN e PCN+), existe a proposição da formação de um cidadão, através do desenvolvimento de competências e habilidades apropriadas. Logo vale destacar o seguinte trecho da LDB(dez/96), o Art. 35:

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26 a 30 de Janeiro de 2009

- O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
- I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
- II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
- III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
- IV - A comprpreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

O PCN+(BRASIL, 2002) como um documento oficial expressa o que está nesta lei, dando o seguinte objetivo para o ens ino de Física:

- [...] construir uma visão da Física voltada para a formação de um cidadão contemporâneo, atuante e solidário, com instrumentos para compreender, intervir e participar na realidade. Nesse sentido, mesmo os jovens que, após a conclusão do ensino médio, não venham a ter mais qualquer contato escolar com o conhecimento em Física, em outras instâncias profissionais ou universitárias, ainda terão adquirido a formação necessária para compreender e participar do mundo em que vivem.(BRASIL, 2002, p. 59)

Entretanto, com os quase doze anos de existência, a LDB (dez/96) e os demais documentos que vieram na seqüência (PCN e PCN+), pouco se tem alcançado no que se refere à melhoria da qualidade do ensino e da preocupação com o desenvolvimento de competênc ias e habilidades coerentes com a formação do cidadão crítico e reflexivo.

Segundo Ricardo et al (2005):

A estrutura do ensino médio brasileiro vem se mostrando cada vez mais inadequada para atender às expectativas daqueles que nele buscam uma preparação ão para os desafios que esperam encontrar em um tempo posterior à escola. Esta não pode mais servir de mero cenário a contemplar passivamente as transformações que ocorrem no mundo, limitando-se a formatar seus alunos para se adaptarem ao ambiente atual. E hoje, não é mais que uma escola repetidora de práticas que visam a simples memorização e o mero acúmulo de informações .

Logo, não é oferecida ao aluno a oportunidade de se tornar um cidadão com capacidade de compreender, intervir e participar no mundo em que vive. Com a atual maneira como o conhecimento é "transmitido" tem -s -se, ao final do ensino médio, alunos que foram treinados a memorizar e acumular respostas. Um ensino dissociado do cotidiano do aluno.

A partir do estudo e discussão dos fatos acima destacados, os graduandos do Curso de Física da Universidade Católica de Brasília procuraram uma alternativa de mudança. Sendo assim, durante a participação ativa na disciplina de Prática de

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Ensino em Física II, os graduandos foram orientados à elaboração de uma proposta de ensino que pudesse atender a estas indagações. A perspectiva fora a de tornar os resultados lidos e amplamente discutidos, durante a disciplina, uma realidade em sala de aula. Através da orientação da professora-orientadora do curso, buscaram um método de ensino que resultasse na aprendizagem significativa através da elaboração de uma proposta de aulas.

Longe de pretender "reinventar a roda", ou seja, não pretender realizar uma nova transposição didática dos conteúdos que seriam ministrados. Contudo, foi realizada uma busca por estratégias para que estes conteúdos ministrados não passassem de um mero acúmulo de conhecimentos, mas que pudessem instigar nos alunos o senso investigativo. Desta forma, esta inovação propiciaria aos alunos o desenvolvimento de competências e habilidades adequadas para a solução de um problema externo ao contexto escolar, integrando os conhecimentos e técnicas ao seu cotidiano. A estratégia de ensino escolhida fora a utilização de experimentos abertos.

## Desenvolv imento

Considerou -s -se que o uso de experimentos abertos em Ciências tem como objetivo dar ao aluno a oportunidade de vislumbrar como a Ciência é produzida, como está na lei: "compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática"(LDB/96). Desta forma, pretendia-se estimular no aluno o senso investigativo, critico e reflexivo, tal como consta na LDB/96 -- "desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico"(LDB/96). Nesta perspectiva, devemos ressaltar que ao se lecionar Ciências no ensino médio o foco não deveria ser o de formar um cientista, mas sim um cidadão capaz de analisar criticamente diversos fatos do seu cotidiano. Possibilitando este cidadão a ter uma boa base de argumentação e conhecimento acerca de tecnologias que influenciem diretamente a sua vida.

Estes pontos são fatores essenciais para a formação de um individuo alfabetizado científica e tecnologicamente o que se relaciona com o seguinte ponto da legislação: "preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo"(LDB/96). Nestes pontos o experimento aberto se encaixa bem na medida em que coloca o aluno em contato com a Ciência e o faz buscar argumentos para defender suas idéias (concepções alternativas). Assim como, aceitar as opiniões contrárias mediante análise cuidadosa acerca do que está sendo observado.

Este trabalho mostrará o resumo do processo de elaboração dos planos de ensino, aplicação das aulas e verificação da internalização ão dos conhecimentos por parte dos alunos, tendo como base a utilização de experimentos abertos para a construção do conhecimento.

No ano de 2007 foi realizado, dentro do programa da disciplina de Prática de Ensino em Física II o estágio supervisionado do Curso de Física da UCB no Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte - - CEMTN, no qual os graduandos lecionaram para sete turmas, entre o primeiro e terceiro ano do ensino médio. Neste texto será abordada a aplicação dos experimentos abertos nas turmas do teterceiro ano, sendo que nas outras séries do ensino médio foram usadas a mesma proposta, pela professora-t-tutora, num trabalho de colaboração. Seis graduandos em física

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lecionaram para três turmas do terceiro ano, sempre em duplas, e tendo como base o mesmo plano de ensino, tiveram para cada turma o tempo de oito horas aulas (quarenta e cinco minutos cada hora aula) para trabalhar os conceitos relacionados ao magnetismo e eletromagnetismo. Estas oito aulas foram dividas em quatro encontros semanais, em forma de aulas duplas de uma hora e meia cada.

Na construção do plano de ensino, tendo os conteúdos que deveriam ser aplicados durante estas oito aulas, buscaram-s-se estratégias para encaixá-los em experimentos abertos. Primeiro fora realizado um levantamento de artigos relacionados 'as concepções alternativas, já que, com o tempo disponível não era adequado para que fossem seguidas todas as etapas do modo de utilização de experimentos abertos (CARVALHO et al.1999).

Sendo assim, a busca por concepções alternativavas dos alunos fora realizada dentro da sala de aula onde tomará lugar a implementação de experimentos abertos. A partir deste levantamento de concepções, os graduandos iniciaram a elaboração coletiva do plano de ensino seguindo a transposição didática atualmente encontra em livros texto. Todavia, como as abordagens dos conteúdos mostraram-se incompletas para a finalidade do experimento aberto, concluíram que seria necessário um aprofundamento maior por parte do conhecimento histórico dos conteúdos.

Desta forma, questões tais como: Como evoluiu a teoria acerca dos conteúdos ministrados? Quais eram os objetivos para realizar os estudos de tais fenômenos na época em que foram realizados? Quais as tecnologias disponíveis para esta investigação e quais eram as dúvidas dos cientistas que formularam esta teoria? Com base nestes conhecimentos o professor passa a ter uma melhor compreensão acerca de como desenvolver as concepções alternativas dos alunos para níveis mais elaborados.

Fora constatado que, na maioria dos casos, as concepções alternativas dos alunos são tal como o conhecimento que se acreditava como verdadeiro antes da construção teórica que aceitamos hoje. Sendo assim, tendo um conhecimento histórico do assunto há como entender as dúvidas dos alunos durante as aulas, já que podem ser semelhantes às dos cientistas à época da formulação da teoria.

## A elaboração colaborativa dos planos de aulas

Os planos de aula foram elaborados pelos alunos de forma colaborativa sendo que tanto conseguiram incluir os experirimentos abertos, quanto puderam optar por materiais de baixo custo. Este aspecto torna-se relevante, pois a proposta é a de elaborar um plano possível de ser implementado nas condições normais de uma escola pública.

Durante a construção dos planos de aula os graduandos decidiram que a abordagem dos conteúdos seria por meio do enfoque do currículo Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). Desta forma, procurando num primeiro momento mostrar porque, em certos momentos históricos, foram investigadas explicações es para estes fenômenos e que esta busca pode estar intimamente ligada à utilização tecnológica que a sociedade dá a este conhecimento cientifico. Num segundo ponto, mostrar como resultados obtidos por pesquisas que não têm possível utilização

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tecnológica imediata podem vir a dar frutos num futuro próximo e sendo assim necessárias.

## A implementação das aulas no contexto da escola

Partindo destes pré-supostos os graduandos iniciaram as a aulas que teriam como tema magnetismo. A princípio iniciou-se a partir de uma base histórica sobre a descoberta da pedra, que pode atrair materiais ferrosos, e o conhecimento ocidental posterior, chegando a utilização da bússola.

- O primeiro experimento aberto fora a construção de uma bússola, sendo que os alunos foram divididos em grupos de em média cinco pessoas. Forneceu-s-se a cada grupo um pequeno pedaço de imã, uma agulha, uma tampinha de garrafa de plástico e um prato de plástico, no qual foi colocada água; os alunos esfregaram a agulha no imã e colocaram sobre a tampinha que estava sobre a água, a tampinha girou livremente com a agulha se alinhando numa certa direção ou não.

Até este momento não havia sido informado aos alunos que eles deveriam esfregar a agulha no imã, e ainda somente um sentido. Solicitou-se aos alunos que explicassem o porquê das agulhas sempre apontarem numa mesma direção. Enquanto os alunos formulavam suas teorias, os graduandos passaram pelos grupos observando a discussão realizada entre os componentes dos grupos e de forma a orientá -los. A partrtir de novas questões, os alunos eram estimulados à investigação.

Após o experimento os alunos redigiram um relatório sobre o que tinham observado e no qual davam uma explicação para o fenômeno.

Finalizando, fora aberta uma discussão com a participação de e todos os grupos, introduzida a teoria aceita para a explicação do fenômeno e mostrado, com um pouco de limalha de ferro, a formação das linhas de campo magnético. Outros temas foram incorporados à discussão: Como o escudo magnético terrestre; o deslocamento permanente dos pólos magnéticos; as auroras boreal e austral.

Tendo em vista que a teoria para a explicação do campo magnético terrestre através de uma bola de magma girando e torno do núcleo da terra, atualmente enfrentar problemas, o debatate acerca desta teoria se mostrou mais proveitoso do que se esperava. Desta forma, mostrou-se aos alunos que na ciência os modelos são testados constantemente e que, quando passam a não satisfazer as indagações a ele impostas, temos a procura por novos modelos.

Próximo ao fim da aula fora colocado um fio de cobre, no qual passava uma corrente elétrica próximo à agulha. Observou-se então, que havia uma perturbação na bússola, pois esta mudara a sua direção e não apontava mais para os pontos definidos como o norte e sul magnéticos. Esta questão foi deixada para ser respondida na aula posterior, quando entraríamos no assunto de eletromagnetismo.

Nesta próxima aula os estagiários levaram alguns experimentos já montados: uma bobina, um motor elétrico ligado a uma lâmpada e um pequeno radio, que poderiam funcionar com a energia produzida pelo pequeno motor elétrico quando acionado por uma roldana.

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Após uma pequena introdução sobre os estudos que culminaram na observação do efeito da corrente elétrica sobre o campo magnético, apresentamos aos alunos o efeito que a bobina, quando percorrida por corrente elétrica, tem sobre a bússola: colocando esta no interior da bobina ela aponta em um sentido e fora da bobina aponta em outro sentido. Alguns alunos relacionaram com o fio visto na aula anterior, quando passamos ao motor elétrico. Todavia, descobriu-s-se que havia em algumas das turmas alunos de uma escola técnica, desta forma, não era um conteúdo totalmente novo para estes. Apesar de conhecerem o funcionamento de alguns aparelhos, não conseguiam fundamentar suas explicações acerca de como se dava a produção de energia elétrica. Não tinham, portanto, uma base teórica e, como na aula anterior, fora solicitado que os alunos produzissem explicações e formulassem argumentos para defender suas idéias sobre os fenômenos observados.

Foram colocadas perguntas que deixavam as afirmações dos alunos em cheque, quebrando suas concepções alternativas e chegando a teoria sobre eletromagnetismo aceita e às explicações sobre o funcionamento de motores elétricos. Realizou -se ainda uma pequena abordagem sobre a segunda revolução industrial, que ocorreu devido a fabricação e utilização de motores elétricos. Assim, fora relacionado que em suas casas encontram-se vários equipamentos que utilizam motores elétricos.

Os graduandos fundamentaram a teoria matematicamente e passaram exercícios. Nesta aula a turma não foi divida em grupos como na anterior, pelo fato de não termos kits dos experimentos em número suficientes. Desta forma, os experimentos foram somente demonstrados aos alunos, mas mesmo assim, a participação da turma foi muito boa, superando as expectativas inicias.

Na aula seguinte pode-se avaliar a internalização do conhecimento por parte dos alunos. Sendo assim, foram propostos exercícios para que os alunos resolvessem: alguns abertos, alguns discursivos e outros retirados de exames vestibulares. Foram usadas questões de vestibular para demonstrar aos alunos que mesmo em uma aula participativa em que eles não ficaram o tempo todo apenas escutando e fazendo cálculos matemáticos, é possível aprender o conhecimento ensinado. Quanto às questões discursivas e os relatórios produzidos pelos alunos fora detectado que uma parte dos alunos tem dificuldade em expressar de maneira escrita o o que está pensando.

## Análise da viabilidade da proposta

Conversando com os alunos sobre os argumentos colocados nos relatórios e as repostas das questões, foi constatado que eles conseguem argumentar e passar as idéias de forma oral, mas na hora de escrerever eles se expressam de maneira confusa, o que não era esperado de alunos que estão para terminar o ensino médio. Uma deficiência que ficou muito clara foi que ao trabalhar com experimentos abertos, os alunos freqüentemente sentem uma grande dificuldade, quando não for explicitada a direção a ser seguida, esperando pelo alcance de um resultado rápido e esperado. É também muito clara a dificuldade dos alunos em expressar suas idéias de forma escrita, ou seja, o ensino tradicional de ciência de forma fechada tem uma influencia muito forte nos alunos.

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Quanto aos exercícios abertos os alunos demoraram um pouco para entender que eles deveriam colocar dados e dar algumas condições inicias para que pudessem dar suas resposta. Os alunos queriam somente colocar os dados em uma fórmula, então freqüentemente reclamaram pela falta de dados, foi percebido que eles não prestavam muito atenção ao comando da questão. Sendo assim, na maioria das vezes só pegavam os dados do texto e iam direto para a pergunta, quando aparec iam dados a mais ou faltavam dados, caso do exercício aberto, eles pediam ajuda, pois não encontravam a fórmula com a qual resolver o exercício. Nota -se que ao longo dos anos estes alunos foram treinados para resolver algumas funções, mas não foram estimulados a pensar no significado do que faziam.

As aulas descritas e as percepções colocadas são um conjunto comum do que as três duplas de graduandos que lecionaram encontraram. Sendo assim, foram realizados encontros entre os graduandos depois de cada aula, logo foi descrito acima o que aconteceu de forma genérica acentuando alguns problemas encontrados pelas duplas mas de cunho sistemático. No entanto, durante as aulas e, para nossa surpresa, percebemos que todas as três duplas conseguiram cumprir os planos de aula, talvez pelo formato das aulas conseguiram prender a atenção dos alunos e fazer com que estes participassem delas.

Obtiveram -se algumas percepções acerca do que os graduandos falaram durante os encontros após as aulas. Num primeiro ponto alguns graduandos com experiência de sala de aula em pré-vestibulares não achavam que o experimento aberto fosse funcionar. Não acreditavam que pudessem prender a atenção dos alunos e fazê -los trabalhar em grupo, dando a liberdade de procurarem um caminho para explicar os fatos sem um roteiro pré-estabelecido, assim como é feito na universidade. Segundo ponto: os graduandos perceberam que quando deram liberdade aos alunos de se expressarem, de argumentarem sobre o que estavam pensando, a resposta da turma fora m uito boa.

Desta forma, os alunos participaram sem o freqüente medo de dar respostas erradas, talvez eles tenham entendido que naquele momento não haviam respostas erradas, mas sim um embate de idéias a fim de formular uma base de argumentação capaz de convencer a maioria a adotá-la. Outro ponto: as duplas de estagiárias fizeram uso de uma estratégia que se mostrou muito boa, em suas próprias discussões sobre o andamento das implementações das aulas: o plano de ensino fora produzido por todos e posto em prátitica de forma revezada pela dupla de graduandos. Sendo que um deles com experiência em sala de aula e outro não, tendo os dois uma visão do todo a ser ministrados, mas opiniões finais diferenciadas. Quando se ministrava cada uma das aulas, sendo que por vezes um assistia e ou outro ministrava o conteúdo proposto, como tinha a plena noção da aula a ser ministrada. Já o que assistia podia opinar com mais propriedade sobre o que eventualmente pôde ter faltado na respectiva aula, tornado assim mais profunda as discussões sobre o que se poderia mudar ou se adicionar às aluas.

## Conclusão

Após todos os encontros os graduandos foram questionados sobre a viabilidade de se utilizar experimentos abertos deste modo, cortando algumas etapas, pensado na forma como o experimento aberto é originalmente idealizado segundo Carvalho et al. (1999). Um ensino por investigação, segundo os graduandos, a que a raiz da proposta foi mantida, as etapas de debate e

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argumentação para a construção do conhecimento e a quebra com as concepções alternativas que são os pontos fundamentais desta abordagem foram mantidos e tiveram uma boa resposta em um período de tempo menor do que na utilização da formatação inicial do experimento aberto.

Quanto à viabilidade de utilização durante mais aulas, o experimento aberto toma mais tempo para ser realizado do que um experimento fechado, o que poderia mostrar -se inviável pelo tempo disponível para as matérias de ciências. Contudo, como solução a este entrave, pensa-se em utilizá-á-lo quando o assunto lecionado permitir um maior fluxo de idéias e um debate mais amplo, tendo em mente que neste caso o principal motivo para uso do experimento aberto seria o debate e o confronto de idéias, trabalhando para uma argumentação consistente por parte dos alunos, estimulando o pensamento reflexivo e o senso critico. O experimento é realizado tentando dar aos alunos o menor número possível de explicações para o fenômeno, para que estes não fiquem presos a tentar encontrar argumentos que apontem para as direções dadas anteriormente.

Procurou -s -se na implementação do experimento aberto, uma abordagem que atenda aos seguintes requisitos: além de passar o conhecimento físico, buscar uma forma de criar um cidadão critico e reflexivo dentro do tempo disponível para a disciplina de de física. Acredita-s-se que iniciar com uma pequena introdução histórica, realizar o experimento aberto e em seguida abrir o debate para haver o confronto de idéias estimulando a criação de argumentos para defendê-las e a quebra com as concepções alternativas dos alunos foi um método que trouxe bons resultados e está dentro do tempo disponível.

Vale ressalta que o tempo destinado aos estágios em educação se mostra muito curto, dado que os estágios em educação têm em média três meses, para que com uma estratégia deferente de ensino possa ter uma efetiva mudança de concepções internalizadas pelos alunos no decorrer de seus cerca de doze anos de estudo anterior, a ponto de se mudar toda uma concepção já formada. Os alunos geralmente sentem logo as diferenças de umuma aluna planejada de forma a lhes explorar seu raciocínio.

O uso do conhecimento histórico ajuda também a desfazer a imagem do cientista como um elo isolado da sociedade, que fica dentro de um laboratório fazendo algo que ninguém alem dele e outros gênios entendem. A introdução histórica em conjunto com o experimento aberto mostra ao aluno que a construção da ciência tem relação direta com a sociedade da época e com as idéias e explicações de pessoas que se envolveram no processo de construção destes conhecimentos. Vai contra a visão de uma ciência absoluta, verdadeira e incontestável e que não tem nenhuma relação com sociedade na qual foi criada.

Analisando o experimento aberto frente ao experimento fechado tem-se nas duas abordagens prós e contras, no experimento fechado há um direcionamento do aluno para uma conclusão, porém este toma menos tempo tanto na sua execução quanto no tempo de pesquisa gasto pelo professor para colocá-lo em prática, mas cumpre o papel de dar ao aluno convivência com a prática, no entanto o debate e a argumentação são colocados em segundo plano, avalia-se somente o poder de observação e interpretação dos dados por parte do aluno. Neste ponto o experimento aberto consegue ir além, o aluno terá que observar e interpretar os dados obtidos e as observações feitas e terá também que explicar porque ele encontrou aqueles fatos, o porquê daqueles dados e se eles suportam a concepção

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que ele tem sobre o fenômeno e, se suportarem, produzir argumentos para que defendam aquela concepção.

Com a análise da estratégia abordada pode-s-se inferir que os seguintes fatores foram predominantes no bom desenvolvimento de uma aula ministrada com experimento aberto: os conteúdos a serem ministrados previamente aos alunos e o tempo destinado à arrumação o bem como realização do experimento. Na análise dos resultados dos relatórios produzidos pelos alunos pôde-se observar que as conclusões dos alunos estão diretamente ligadas ao que lhes é dito antes de se iniciar o experimento. Acredita-se que é extremamente válida a análise de uma forma de abordagem em que se busque uma otimização no preparo do experimento pelos próprios alunos, sem o prévio direcionamento de suas opiniões com conceitos sobre a matéria a ser abordada, por isso o professor deve tomar cuidado ao fazer a introdução histórica a fim de não dar a entender o que ele espera que seja feito e em que conclusões os alunos devem chegar.

Vimos que essa busca de otimização dos mecanismos utilizados no experimento aberto é extremamente importante em função do tempo muito limitado destinado a disciplina de Física no Ensino Médio, o não direcionamento da opinião dos alunos visa privilegiar suas concepções alternativas para um posterior debate ao final de cada experimento. Entendemos que a busca de uma aula de de Física, e mudança de suas concepções para um real entendimento das teorias cientificas aceitas perpassa por uma análise profunda dos fatores levantados acima, tempo, direcionamento, utilidade do conhecimento visto, e confronto de concepções alternativas dos alunos.

## Referências

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