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A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E LIVROS-TEXTO DE FÍSICA NA EJA

Cássio De Siqueira Lima, Rebeca Vilas Boas Cardoso De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E LIVROS -TEXTO DE FÍSICA NA EJA

Cássio de Siqueira Lima a [cdeslima@ig.com.br] Rebeca Vilas Boas Cardoso de Oliveira b [rebecavilasboas@gmail.com]m]

a CEFET- T- SP e EE Levi Carneiro b CEFET- T- SP e SENAI - SP

## RESUMO

Este trabalho visa contribibuir para a discussão sobre como o ensino de física pode possibilitar o desenvolvimento de competências e habilidades capazes de promover o aprendizado por meio da resolução de problemas, um dos eixos conceituais da Educação de Jovens e Adultos (EJA), de tatal forma a permitir o aprender a aprender. Pretende também este trabalho, trazer subsídios ao professor de física da EJA para lidar com diferentes livros didáticos de física, propostos para o ensino médio regular, destacando a importância do professor que ganha status de mediador do conhecimento, à medida que o define e organiza na busca de contemplar a educação como um meio de formar uma sociedade mais justa. Vislumbrar as perspectivas deste eixo conceitual por meio de pesquisa qualitativa é uma tentativa de contribuir para o ensino da Física e também para aspectos da formação de professores, pois, para esta discussão, é importante que se tenha claro a pertinência dos temas a serem desenvolvidos em sala de aula, assim como mo sua forma de desenvolvimento. Histórica e tradicionalmente, o ensino de Física se apóia na proposição de exercícios organizados por diferentes publicações do mercado editorial, l, tradição esta também encontrada nas aulas de Física da EJA. Analisando três livros didáticos de Física para o ensisino médio regular, este trabalho buscou compreender de que forma a resolução de problemas poderia ser contemplada, identificando a importância do trabalho do professor, que, ao definir um objetivo para seu ensino, pode transformar um enunciado em problema a ser resolvido, favorecendo a compreensão do conhecimento físico, que contextualizado, oferece maiores chances de transcendência ao público da EJA .

Palavras -chave: Educação de jovens e adultos, ensino de física , resolução de problemas

## A resolução de problemas e livros-texto de física na E EJA

Apontando para questões como contextualização e problematização no ensino, o eixo conceitual resolução de problemas, explicitado nos documentos oficiais e desenvolvido por alguns autores, amplia a compreensão do papel que deve cumprir a escola para que o jovem e o adulto exercitem plenamente sua cidadania.

A necessidade de sempre aprender é fundamental para a participação e manutenção do convívio social. O eixo conceitual resolução de problemas não é o único, mas é uma das vertentes do ensino e do aprendizado (ZYLBERSTAJN, 1998), que se baseia na proposição de situações que exigem do aluno uma tomada de atitude, um esforço para buscar suas próprias respostas e seu próprio conhecimento para situações variáveis e diferentes por meio da articulação entre conceitos, estratégias e procedimentos. Este eixo pode ser uma das alternativas concretas para suprir a necessidade de aprender continuamente, ou aprender a aprender, por meio da transcendência do aprendizado escolar para o modo de vida.

A A resolução de problemas no processo de ensino-aprendizagem pode promover várias competências, isto porque lidar com situações-problema é comum no cotidiano das pessoas, quando há a necessidade de lançar hipóteses, de analisá-las e de se decididir sobre as alternativas para se chegar ao objetivo previsto. Diante disso, lidando com situações-problema vivenciadas na escola, é possível promover competências coerentes

com as demandas cotidianas, como selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e refletir para tomada de decisões. Nessa concepção, a escola pode ser usada como ponto de partida para apropriação do conhecimento científico que traz em seus enunciados de teoria e problemas a valorização do modo de vida das pessoas: ao mesmo tempo em em que propõe solução de problemas no ensino de Física favorece a compreensão do conhecimento científico e uma visão crítica sobre a realidade v vivida .

Assim, para entender como o eixo conceitual resolução de problemas pode contribuir para o ensino da Física na EJA, numa perspectiva de possibilitar autonomia do aluno em seu aprendizado em virtude do aspecto procedimental potencializado por este eixo conceitual, de fazer e testar hipóteses, de tomar decisões sobre situações-problema presentes na formação escolar, de transpor estes procedimentos para situações-problema reais presenciadas no seu modo de vida, foi feita análise de três livros didáticos de física de autores e editoras diferentes, todos eles presentes no mercado editorial há mais de dez anos. Entre tantas publicações, foram escolhidos livros que já haviam sido incorporados à prática particular do professor da EJA, um dos autores deste trabalho, além de serem livros divulgados entre os professores de uma maneira geral:

- i. Física (SILVA, 2003), também conhecido entre os professores como livro do "Paraná"; neste trabalho denominado livro A;
- ii. Física para o Ensino Médio (GONÇALVES FILHO e TOSCANO, 2005), da, mais conhecido por Física e Realidade; neste trabalho denominado livro B;
- iii. Leituras de Física 2 2 (GREF, 1996), mais conhecido como apostilas do GREF; neste trabalho denominado livro C.
- Vale destacar que o professor de física tem a sua disposição muito pouco material específico para EJA. Segundo Gebara,

as propostas curriculares e os livros didáticos têm sido utilizados por professores como base para os conteúdos que desenvolvem e por isso podem também nos dar uma idéia do que é privilegiado quanto às ciências da natureza em sala de aula. (GEBARA, 2005, p. 30)

Os livros -texto do ensino médio regular são um dos principais instrumentos de apoio pedagógico ao professor, refletindo sua seleção de conteúdo, muitas vezes, definindo também a metodologia para seu desenvolvimento.

- Os livros A, B e C são conhecidos pelos professores por se tratarem de obras divulgadas e utilizadas na educação básica de nível médio. Se se aproximam na apresentação do conteúdo, se diferem, principalmente, na proposta de desenvolvimento das atividades oferecidas.
- O livro A, faz parte de uma coleção denominada Série Novo Ensino Médio e em sua apresentação faz referências aos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio -PCNEM M (BRASIL, 1999). Este livro apresenta e define como um dos seus objetivos, propiciar a formação crítica do aluno para o exercício da cidadania por meio do estabelecimento de relações dos fenômenos físicos com aspectos do cotidiano e seus aplicativos tecnológicos . Por outro lado, o livro A deixa claro também uma preocupação com o exame vestibular, citada na parte de orientação ao professor .

Esta publicação o foi organiz ada em módulos, os quais são sistematizados como meio de estabelecer continuidade dos assuntos estudados. As atividades propostas resumem-s-se à solução de exercícios e problemas, onde as resoluções por meio de operações matemáticas (cálculo) são bem superiores às reflexões teóricas. Também sempre são apresentados exemplos resolvidos como auxílio para os alunos na resolução dos exercícios propostos.

Já no livro para o professor, além do conteúdo idêntico ao do livro para o aluno, é apresentada, junto com a reresolução dos problemas propostos, uma proposição de quais competências e habilidades podem ser desenvolvidas pelos educandos em cada módulo. Parece haver também uma preocupação com a formação continuada do professor, como a inserção dos PCNEM e dicas de outros elementos importantes para formação numa cultura científica vinculada à sociedade, como peças teatrais, filmes, centros e museus de ciências, publicações etc.

- O livro B, faz parte de uma coleção denominada Série Parâmetros. Na apresentação do material é explicitado pelos autores que os conteúdos de Física serão apresentados através da realidade cotidiana como um meio de propiciar ao aluno ampliação e a reformulação de conhecimentos estudados por esta disciplina. O livro B tem a preocupação em contextualizar os textos dos conteúdos apresentados e os enunciados dos exercícios e problemas, prevalecendo o aspecto qualitativo dos fenômenos em relação ao quantitativo .

Este livro é estruturado em capítulos e apresenta uma proposta ta inovadora, segundo os autores , por apresentá-los de forma independente, permitindo que o professor tenha autonomia para organizar a seqüência de assuntos da maneira que julgar mais adequada a sua realidade e (GONÇALVES FILHO e TOSCANO, 2005, capa). As atividades propostas são divididas em resolução de exercícios, problemas e experimentos. Para auxiliar a resolução dos exercícios e problemas, há exemplos resolvidos e dicas, como aspectos conceituais referentes às questões em discussão. Há experimentos propostos com materiais de fácil aquisição pelo aluno e pelo professor, facilitando a realização de experimentos em sala de aula ou em laboratório como meio de propiciar o aprendizado de Física.

Na parte de orientação pedagógica ao professor constam sugestões de seqüência do conteúdo, comentários sobre cada capítulo, proposta de projeto sobre temas atuais e as resoluções completas dos exercícios.

- O livro C é uma publicação do Grupo de Reelaboração do Ensino de Física (GREF), projeto proposto, elaborado e coordenado por professores Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), e elaborado, desenvolvido e aplicado por professores da rede estadual de ensino de São Paulo.

Este material didático apresenta os conceitos dos fenômenos físicos envolvidos por meio da investigação do cotidiano. Mais que contextualizar, no aspecto de trazer informações sobre aplicações práticas do assunto em questão, o tema é também problematizado, possibilitando o diálogo e a reflexão entre os envolvidos. Apresenta como uma de suas metas viabilizar a cultura científica independente deste conhecimento ser um meio para o mundo do trabalho, mas também que possibilite uma possível carreira universitária.

- O livro C é estruturado por meio da classificação dos temas a serem estudados numa perspectiva de estabelecer um roteiro de curso. Em física térmica, por exemplo, são quatro temas propostos que organizam os assuntos em estudo: tema medida e controle de temperatura - forno, termômetro, radiação, água; tema fontes e troca de calor - sol, madeira, convecção, isopor, água; tema transformações térmicas - motor, água, gases, panela de pressão; tema máquinas térmicas - - - geladeira, motor, turbina a vapor.

As atividades propostas são resoluções de exercícios e problemas, experimentos de fácil realização em virtude dos materiais utilizados serem comuns à vivência dos alunos e entrevista com especialistas, como técnicos em refrigeração, mecânica etc. As atividades propostas apresentam maior ênfase no aspecto qualitativo; após o desenvolvimento dos conceitos, onde são apresentados os significados das grandezas

envolvidas por meio da contextualização, faz-s-se, quando necessário, a quantificação do fenômeno em estudo.

- O livro C traz inúmeras ilustrações que além de facilitarem a compreensão do assunto, muitas vezes, são apresentadas de forma lúdica como algumas charges onde há um diálogo sobre os fenômenos por parte dos personagens.

As orientações ao professor seguem em um livro à parte (GREF, 1996), o livro do professor, onde há uma preocupação/o/defesa a em estruturar o curso por meio da participação dos alunos. Em outras palavras, é feito um levantamento com os alunos sobre elementos do cotidiano relacionados às características dos fenômenos em questão, como, por exemplo, em troca de calor, onde materiais isolantes , como o isopor, r, podem fazer parte do levantamento. Esta metodologia valoriza o modo de vida dos alunos, pois os conceitos envolvidos nos fenômenos físicos são apresentados por meio de objetos ou fenômenos indicados pelos próprios alunos.

## A análise dos livros -t -texto sob a perspepectiva da resolução de problemas

Vislumbrar o eixo conceitual resolução de problemas nos livros A, B e C é uma forma de compreender melhor suas possibilidades como um dos meios de auxílio para o aprendizado do aluno e preparação da aula do professor, isto porque seu aspecto procedimental privilegia o desenvolvimento de competências e habilidades, favorece a compreensão dos fenômenos em estudos e a tentativa ou resolução de futuras situações problemas.

Entre tantos conteúdos de física propostos e desenvolvidos no ensino médio e presentes nas três publicações, a física térmica foi escolhida porque está presente e poder ser identificada no modo de vida dos alunos, como a própria cozinha, que pode ser um laboratório para o estudo dos conceitos desta parte da fís ica. Muitas vezes, os conceitos são, de alguma forma, familiares aos alunos, sendo o que lhes falta é conhecer o significado físico das grandezas envolvidas, reconhecê-ê-las para estruturar os conceitos de forma a compreender e explicar os fenômenos.

Em outras palavras, , a discussão de questões q que envolvem a física térmica pode favorecer ao aluno relacionar r os fenômenos físicos com o o seu conhecimento prévio, compreendendo melhor os conceitos científicos envolvidos. Por outro lado, o eixo conceitual resolução de problemas comparece constantemente, por meio do modo de vida dos educandos, com, por exemplo, a percepção da importância do calor especifico dos materiais para preparar e manter por maior tempo os alimentos "quentes". MaMais que isto, estes conceitos, quando compreendidos, tornam-se meios para resolução de problemas que ainda estão por vir, pois podem permitir levantar hipóteses sobre sua realidade envolvida , assim como t testá -las e tomar decisões.

Para compreender como os livros A, B e C tratam particularmente o tema física térmica, identificou-se seu desenvolvimento na forma de problemas propostos qualitativos e quantitativos, problemas resolvidos qualitativos e quantitativos, pequenas experiências, pesquisa e tabelas.

Os problemas propostos são aqueles que podem permitir que o aluno compreenda o conteúdo por meio de exercícios ou problematização do assunto em estudo. Os problemas propostos são diversificados, abrangendo também resoluções diversas, como reflexões dissertativas, determinação de quantidade e ou valor (quantificação), múltipla escolha (alternativa), análise de gráficos e análise de tabela. Os problemas propostos contribuem para compreensão do conhecimento trabalhado ao mesmo tempo em que permitem o desenvolvimento de diferentes linguagens quando a

resolução exige, por exemplo, uma redação, a aplicação de uma fórmula, a análise ou construção de um gráfico ou tabela.

Os problemas propostos qualitativos são aqueles que demandam reflexões teóricas sem a necessidade de cálculos numéricos ou realizaç ão de atividades experimentais. . Os proroblemas propostos quantitativos são aqueles que, para sua resolução, os alunos devem recorrem ao ao cálculo matemático, ou comparando dados numéricos, ou utilizanando fórmulas, sendo que seu u resultado pode não ser necessariamente numérico (POZO, 1998).

Em geral, os livros apresentam também problemas resolvidos, que, em sua maioria, são o quantitativos, servindo como exemplo de resolução para os alunos.

As pequenas experiências são identificadas nas atividades propostas que auxiliam a aprendizagem do conteúdo ao proporem a resolução de problemas por meio da manipulação de materiais em tarefas práticas, não sendo necessariamente no laboratório escolar. Este tipo de atividade pode promover a aprendizagem de habilidades, estratégias e conceitos. Neste contexto, o aluno pode criar hipóteses, traçar estratégia(s) para realização do trabalho e refletir sobre os resultados encontrados (POZO, 1998).

Pesquisa é a atividade proposta pelo professor que demanda o estudo de um tema fora do espapaço da sala de aula por meio de informações e pesquisas bibliográficas, construção de equipamentos tecnológicos, análise de componentes tecnológicos ou mesmo entrevista com profissionais.

As tabelas são conjuntos de informações específicas sobre os conteúdos apresentados. Estas tabelas podem ser encontradas tanto no texto introdutório como em alguns enunciados dos problemas propostos, servindo de fonte de informações para a compreensão do conceito e/ou resolução de problemas .

## A física térmica nos três livros textos

Uma síntese quantitativa da análise feita sobre a proposta de desenvolvimento da física térmica presente nos três livros é apresentada na tabela abaixo:

Tabela 1 - Síntese d da a análise da f física térmica presente nos l livros A, B e C

O livro A apresenta maior número de problemas propostos quantitativos valorizando o aprendizado por meio do cálculo numérico. Muitas vezes, é priorizada a fixação do tratamento dado aos problemas resolvidos por se tratarem de problemas similares. Porém, também são propostos problemas de caráter investigativo, os quais exigem a mobilização de novas estratégias para resolução, como articular as informações apresentadas para obtenção de novos dados para constrtruir a resposta. Por outro lado, as

respostas da maior parte dos problemas propostos qualitativos apresentados neste livro são explicitadas no próprio texto, não havendo necessidade do aluno abstrair e refletir para chegar à resolução.

No o livro B , apesar dos problemas propostos em sua maioria serem qualitativos, as respostas para um grande número de questões são apresentadas no texto sobre o assunto estudado, e acaba por priorizar a fixação dos conceitos ao invés da construção da resposta por meio da investigação. Esta ênfase também pode ser observada nos problemas propostos quantitativos q que se assemelham aos problemas resolvidos.

O livro C apresenta também uma quantidade significativa de problemas propostos qualitativos. Entretanto, a maior parte das ques tões exige que o aluno articule informações do livro para construir a resposta e, sendo assim, apresenta um caráter r mais investigativo. Já os problemas propostos quantitativos são permeados por questões de fixação por meio dos problemas resolvidos e de questões que exigem a abstração e reflexão para construção das respostas.

Pequenas experiências n não são propostas pelo livro A e aquelas propostas pelos livros B e C, em sua maior parte , representam meios para confirmação dos conceitos estudados. Entretanto, também há propostas de caráter investigativo, quando os alunos devem construir suas respostas por meio de um levantamento e análise de hipótese(s) elaborada(s) .

As pesquisas , presentes apenas no livro C , são atividades diversificadas , extraclasse, que favorecem o aluno o ser protagonista do seu aprendizado por meio da investigação para, por exemplo, a elaboração de entrevistas com profissionais da área técnica, análise de componentes tecnológicos e construção de aparelhos tecnológicos, como o coletor solar.

As tabelas presentes nos livros A, B e C apresentam informações sobre os assuntos estudados, como dados sobre as propriedades físicas de algumas substâncias e, muitas vezes, são utilizadas como meio de consulta para a elaboração de resposta a alguns problelemas propostos.

Os livros A e B foram editados em volume único, reunindo o conteúdo de física a ser trabalho em todo o ensino médio. Conseqüentemente, apresentam um menor número de páginas, o que implica numa apresentação muito resumida de alguns assuntos presentes na física térmica. O livro C, por se tratar de um material específico de física térmica e também por ser uma proposta de ensino que tenta sempre envolver o modo de vida do aluno e o seu fazer em sala de aula, acaba por abranger mais informações sobre os assuntos apresentados.

## Análise do conteúdo processos de troca de calor nos livros selecionados

A troca de calor por estar presente em todos os fenômenos naturais favorece uma linguagem relacionada ao modo de vida dos alunos. Muitos contextos podem favorecer a abordagem deste item, como a seleção de e materiais térmicos (isolantes ou condutores) , análise da variação climática, funcionamento de refrigeradores, termoelétricas etc.

Perceber como estes conceitos físicos são apresentados em cada livro por r meio de situações-problema é um meio de analisar o eixo conceitual resolução de problemas e suas possibilidades de aprendizado voltado para autonomia do aluno, como levantar dados, comparar os dados, levantar hipóteses, testar as hipóteses, compreender o fenômeno e tomar decisões, sejam elas sobre os problemas propostos em sala de aula e/ou problemas do cotidiano.

A tabela 2 apresenta os itens analisados referentes ao assunto processos de troca de calor e suas respectivas quantidades presente nos livros A, B e C do aluno.

Tabela 2 - Síntese da análise de processos de troca de calor presente nos livros A, B e C

## Conjunto to de competências e habilidades

A A análise dos enunciados diversos dos três livros possibilitou a a organização o de três conjuntos de competências e habilidades que podem ser pretendidas quando são oferecidos ao seu leitor problemas resolvidos, problemas propostos, pequenas experiências, pesquisas e tabelas sobre o item de conteúdo processos de troca de calor. As competências e habilidades em questão são aquelas apresentadas nos PCNEM, para a área de ciências da natureza.

Um primeiro conjunto de competências e habilidades (C1) apresenta como problema ao aluno a necessidade de e interpretar as grandezas presentes no enunciado e, a partir desta compreensão, calcular a quantidade de calor envolvida no processo. Como não existe contexto referente ao cotidiano, estes enunciados podem trazer a discussão do processo de troca de calor envolvido na condução térmica, na convecção e na irradiação.

Os enunciados relacionados ao segundo conjunto de competências e habilidades (C2) desafiam o aluno a interpretar. No entanto, por meio da leitura, é possível a identificação das respostas no texto , ou ainda no próprio enunciado, seja por meio de descrição de modelos, dos processos de troca de calor, com exemplos do cotidiano o ou com recortes que complementam os estudos.

Para os enunciados representados pelo terceiro conjunto de competências e habilidades (C3) não há resposta pronta no texto. Para o aluno resolver, além da leitura do texto, será necessário abstrair, refletir e estabelecer relações sobre os conceitos, tabela de coeficientes de condutividade térmica, exemplos apresentados e o modo de vida, como meios para compreender, dis tinguir e construir a resposta. Nos problemas sobre o tema troca de calor relacionados a este conjunto de competências e habilidades, existe a preocupação em problematizar o modo de vida, seja por meio de sujeitos ou objejetos, possibilitando fazer uma leitura de mundo por meio dos conhecimentos físicos e até intervir em situações reais.

A tabela abaixo organiza os conjuntos de competências e habilidades compreendidas na análise dos livros A, B e C:

Tabela 3 - CoConjuntos de competências e habilidades identificados na análise de processos de troca de calor presente nos livros A, B e C

O conjunto, C3 além de apresentar algumas competências e habilidades transversais aos conjuntos C1 e C2, desperta o aluno a investigar, criar, testar hipóteses e tomar decisões sobre as situações apresentadas, potencializando futuras investigações e intervenções em problelemas relacionados ao seu modo de vida por meio do aspecto procedimental permeado por este eixo conceitual. Numa perspectiva de formar um cidadão capaz de ter autonomia em seu aprendizado, os enunciados do conjunto C3 atendem a esta expectativa em virtude da da problematização e da contextualização da ciência e, portanto, do conhecimento físico, como uma ferramenta para compreensão dos fenômenos naturais , e de sua aplicação no desenvolvimento e produção de dispositivos tecnológicos, por exemplo. Em outras palavras, os problemas identificados convidam os alunos a mobilizarem recursos para construírem uma resposta (MACEDO, 2002). Nos enunciados relacionados ao conjunto C1, devido à falta de contextualização, a compreensão das grandezas envolvidas e do conceito de medir pode vir a ter um fim em si mesmo ao invés de se constituírem um meio que possibilite ao aluno transcendência para aplicações cotidianas. Nos enunciados relacionados ao conjunto C2, não há desafio feito ao aluno, pois as respostas são apresentadas por meio de recortes nos livros no referente tópico processos de troca de calor.

Por meio da análise da tabela 3 podemos observar que os livros A e B se aproximam em relação ao conjunto C2 e o livro C apresenta um número pequeno de problemas relacionados a eseste conjunto. Já em relação ao conjunto C3, o livro A apresenta 3 problemas, enquanto os livros B e C apresentam, respectivamente, 9 e 10. Os livros B e C não apresentam problemas relacionados ao conjunto C1. Podemos observar que os livros B e C se aproximam mais de uma proposta que permeia o eixo conceitual resolução de problemas, pois conferem um maior número de enunciados referentes ao conjunto C3, portanto, ampliam as possibilidades de contemplar de forma articulada algumas competências e habilidades prereconizadas nos PCNEM.

## Consideraçõe s Finais

O eixo conceitual resolução de problemas , por possibilitar a formulação de hipóteses e de sua análise, permite, por intermédio da ação do professor e de seu aluno, um processo de ensino e de aprendizagem que valoriza a autonomia de de ambos também

enquanto reconhecimento de seres que aprendem. Por isso é importante que o professor busque desenvolver este eixo para que sua proposta de resolução de problemas seja um desafio para o aluno, algo que o perturbe e o desafie a encontrar uma resposta. Para isso, é importante tanto contextualizar quanto problematizar a realidade do aluno, favorecendo que ele se perceba como protagonista da atividade proposta, ao invés de simplesmente cumpridor de uma atividade escolar.

A EJA e seseu público são carentes de material didático específico, ficando ao encargo do professor eleger materiais didáticos do ensino regular r como alternativa, como ocorre com os livros -t -texto. Tendo como referência o eixo conceitual resolução de problemas, o professor cumpre papel importante ao realizar esta escolha quando percebe a qualidade dos enunciados e por isso lida com eles como problemas e não somente como exercícios de fixação. Por exemplo, um enunciado aberto pode ser dirigido ao aluno de forma que este o reconheça para respondê-lo, ou um enunciado que não é considerado aberto pode ser proposto de forma solidária quando permite que o professor não tire a autonomia do aluno na construção da resposta. A resposta que satisfaz o professor também deve ser a resposta que satisfaz o aluno, pois ele a compreende e não apenas acata, cabendo ao professor apenas garantir que seu pensamento se aproxime do conhecimento científico.

Os livros -texto do ensino médio regular são um dos principais instrumentos de apoio pedagógico ao professor, refletindo diretamente sua seleção de conteúdo (tópicos de ensino) e, muitas vezes, ajudando-o a definir também a metodologia para o desenvolvimento dos itens de conteúdo a serem trabalhados, como a proposição de exercícios, atividades de leitura e/ou pesquisa, experimentos simples e investigação/uso/manipulação de aplicativos tecnológicos. A análise dos livros A, B e C visou trazer aos professores de física da EJA alguma contribuição no que diz respeito à resolução de problemas enquanto uma competência promovida também pelo ensino de física, e, para esta discussão, é importante que se tenha claro a pertinência dos temas a serem desenvolvidos em sala de aula, assim como sua forma de desenvolvim ento (OLIVEIRA, 2006) .

Pode -se perceber, des ta forma, que caso houvesse livros-texto especialmente voltados para a EJA, mesmo assim, é muito importante a maneira como o professor lida com este material para possibilitar a promoção do eixo conceitual de resolução de problemas, entre outras questões já já discutidas. AnAnálise dos livros A, B e C foi realizada numa perspectiva de compreender a importância deste eixo como provedor do desenvolvimento de competências e habilidades que favoreçam o aluno a ter autonomia no aprendizado diante de uma sociedade em constante transformação no campo do conhecimento. O aspecto procedimental pertinente a este eixo, associado a a investigar, criar e testar hipóteses e tomar decisões , pode privilegiar o fazer do aluno. Por outro lado, se se privilegia o fazer do aluno, esestas competências e habilidades quando desenvolvidas podem ser transferidas para seu universo vivencial, possibilitando o seu aprendizado cotidiano, ajudando-o a conquistar autonomia para aprender e se posicionar no mundo.

A análise realizada nos livros A, B e C C possibilitou perceber a importância do professor ao escolher os problemas a serem propostos, pois a sua eleição implicará nas competências e habilidades que se deseja promover e desenvolver nos alunos. As competências e habilidades observadas nos enunciados dos problemas presentes nos livros A, B e C, foram representadas por conjuntos, os quais objetivaram identificar quais enunciados , contemplados pelos textos dos próprios livros, para suas resoluções atendem mais à perspectiva de promover a autonomia do aluno no aprendizado por meio do eixo conceitual resolução de problemas.

Na busca de compreender uma possibilidade de promover o aprender a aprender nos alunos da EJA por meio da análise feita dos três livros , foi possível identificar conjuntos de competências e habilidades que poderiam/podem ser desenvolvidos com os diferentes enunciados e proposições dos livros A, B e C . Entretanto, este aprender de forma continuada não se restringe ao fazer do aluno, pois resgatando Vieira Pinto (2003), se o professor também se forma enquanto interage e com a sociedade, até porque pertence a ela, ao interagir com seus alunos, compromete-s-se consigo mesmo (FREIRE, 2005) e, por isso, também aprende. Muitas vezes, mais aprende que ensina, aproximando-se do educadorreducando, ao o permitir que seu aluno se perceba educando - - - educador.

## Referências

BRASIL. MEC. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: MEC -SEMTEC, 1999.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. 28.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

GEBARA, Nádia. Ensino de Ciências na Educação do Trabalhador: Olhar dos Educadores Sobre Um Programa de Suplência I Profissionalizante. Dissertação de mestrado. São Paulo: IFUSP, 2005.

GONÇALVES FILHO, Aurélio; TOSCANO, Carlos. Física para o ensino médio. São Paulo: Scipione, 2005.

GREF -- Grupo de Reelaboração do Ensino de Física, Leituras de Física 2. São Paulo: IFUSP, 1996. Disponível em: http://www.if.usp.br/profis/gref\_leituras.html. Acesso em maio/2008.

GREF -Grupo de Reelaboração do Ensino de Física, F Física 2 . 5ed. São Paulo: Edusp, 2005.

MACEDO, Lino de. A situação-problema como avaliação e como aprendizagem. In: BRASIL. MEC. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM): Fundamentos Teórico -Metodológico. 2ed. Brasília: MEC-INEP, 2002.

OLIVEIRA, Rebeca Vilas Boas Cardoso de, O professor de física e sua prática: perspectivas de uma reelaboração crítica. Tese de doutoramento. São Paulo, FEUSP, 2006.

PINTO, Álvaro Vieira. Sete Lições Sobre Educação. 13 ed. São Paulo: Cortez, 2003.

POZO, Juan Ignácio. A Solução de Problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. r. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

SILVA, Djalma Nunes da. Física. 6 ed. São Paulo: Ática, 2003.

ZYLBERSTAJN, Arden. Resolução de Problemas: uma perspectiva Kuhniana . Florianópolis: UFSC, 1998. Disponível em: http://www.fsc.ufsc.br/~arden/problkuhn.doc . Acesso em maio/2008.

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