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A DINÂMICA DAS INTERAÇÕES EM SALA DE AULA E A CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS PELOS ALUNOS

Rosana Ramos Socha, Fátima Aparecida Dias Gomes Marin

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
27/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A DINÂMICA DAS INTERAÇÕES EM SALA DE AULA E A CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS PELOS ALUNOS

Rosana Ramos Socha 1 (ro\_dracena@hotmail.com) Fátima Aparecida Dias Gomes Marin 2 (fatimadiasgomes@gmail.com)m)

1

Mestranda (UNESP/Faculdade de Ciências e Tecnologia/Departamento de Educação) 2 Orientadora (UNESP/Faculdade de Ciências e Tecnologia/Departamento de Educação)o)

## RESUMO:

Há pouco espaço em sala de aula para a manifestação das idéias dos alunos, uma vez que o padrão de aula geralmente encontrado, é o da exposição pelo professor. Ocorrem variações, mas as possibilidades de ligação entre o que é exposto e as idéias preliminares dos alunos são ainda reduzidas. Quando os alunos manifestam o que pensam, o seu processo de compreensão pode ser acessado pelo professor que encontntrará elementos para avaliar a própria aula e tomar decisões sobre a retomada de conceitos ou a possibilidade de avançar nos conteúdos. Nessa pesquisa será analisada a dinâmica das interações em sala de aula, com ênfase nas interações dialógicas, entre professor e aluno e entre alunos. Serão observadas as ocorrências de interação e a construção de sentidos pelos alunos em aulas de Física e Geografia. A pesquisa será fundamentada nos conceitos de polissemia e de gêneros do discurso de Mikhail Bakhtin e seus seguidores (Mortimer, Scoot e Machado), na teoria sobre a formação de conceitos e o papel da linguagem de Vygotsky e nos estudos de Wertsch. Trata -se de uma pesquisa qualitativa. A pesquisa de campo será realizada em uma escola da rede pública com duas tururmas do ensino médio. A coleta de dados terá como técnica a observação de aulas de Física e Geografia. Os objetivos dessa pesquisa são investigar e elucidar a dinâmica das interações nas aulas e a ocorrência de elementos comuns e/ou especificidades no padrão de ensino das duas discipiplinas. Pretende -se contribuir para que os professores percebam as interações que vivenciam e busquem, a partir dos resultados obtidos com esta pesquisa, a melhoria da qualidade do ensino .

Palavras Chave: interação verbal; ensino-aprendizagem; ensino de Física; ensino de Geografia .

## 1. I INTRODUÇÃO

Uma das grandes dificuldades encontradas por professores é adequar o ensino aos interesses e necessidades dos alunos. Tanto na seleção de conteúdos, quanto na sua forma de encaminhamento, o ensino parece se distanciar das preocupações dos estudantes, deixando a maior parte dos conteúdos somente acessível a uma pequena parcela dos alunos. Fazer com que os alunos atribuam sentidos ao que lhes é ensinado em sala de aula continua sendo um problema, para professores e pesquisadores em educação. Até mesmo para os alunos que conseguem um relativo sucesso escolar, podese observar que a aprendizagem de conceitos, de modo a se tornarem instrumentos para a compreensão da realidade, continua distante.

Há pouco espaço em sala de aula para a manifestação das idéias dos alunos, uma vez que o padrão de aula geralmente encontrado é o de exposição pelo professor. As concepções dos alunos são, em geral, desconhecidas pelos professores e a falta de interação verbal é um dos fatores determinantes. Há certamente variações, mas as possibilidades de ligação entre o que é exposto e as idéias preliminares dos alunos são reduzidas. O professor explica e o aluno entende como pode (Robilotta, 1997).

Conforme demonstrado por várias pesquisas (Robilotta, 1997; Aguiar Jr., 2005), a aprendizagem depende fortemente da capacidade dos alunos atribuírem sentidos aos conhecimentos, tomando consciência dos conflitos entre os vários sentidos, a partir da mediação pelo professor. Desta maneira os alunos reconstroem seus pensamentos, incorporam outros elementos e/ou substituem muitos deles (concepções prévias).

- A percepção pelo professor dos sentidos que circulam em sala de aula, por sua vez, depende das oportunidades oferecidas para que os alunos se manifestem e da atenção do professor às mesmas. A interação verbal, entre alunos e entre professor e alunos, tem sido tomada como indicadora dessas elaborações envolvidas na construção do conhecimento (Mortimer e Scott, 202002).
- É fundamental que o professor dialogue com os alunos, permitindo as contraapalavras, dando espaço a interação verbal (Mortimer e Machado, 1997). Os alunos têm muito a dizer, movidos pela vivência cotidiana. A fala do aluno é elemento essencial para a qualidade da aula uma vez que contribui para que o professor tenha mais elementos para dar seqüência a suas aulas, fazer escolhas e tomar decisões.
- É importante que o trabalho do professor contemple o diagnóstico dos conhecimentos prévios dos seus alunos os sobre determinados temas e atividades que possibilitem avaliar a aprendizagem em relação aos conhecimentos discutidos em sala de aula, tendo como propósito identificar elementos que evidenciem os caminhos do pensamento do aluno a respeito dos conceitos ou ou fenômenos.
- O termo sentido, adotado para a compreensão de conteúdos pelos alunos e que está contido no título dessa pesquisa, foi escolhido devido à diferença entre sentidos e significados, segundo Freitas (2006):

"Bakhtin analisou a estrutura da enunciação na língua corrente pela inter-rrelação entre significação, sentido e valor apreciativo. Vygotsky, da mesma forma, buscou apreender a estrutura do pensamento a partir do sentido e da intenção afetivo-volitiva presentes na interação verbal. Ambos disting uem sentido e significado da palavra compreendendo sentido em seu aspecto concreto, dinâmico, contextual." (FREITAS, 2006, p.160)

Para a fundamentação teórica da pesquisa, a utilização das teorias de Bakhtin e Vygotsky são o importantes pelo fato de que os asaspectos centrais da teoria Vygotskyana é conceber a linguagem enquanto mediadora da ação humana, o que é compatível com a teoria de Bakhtin, que trata da enunciação.

"D "De acordo com Wertsch [...] as contribuições teóricas de Bakhtin, sobre as enunciações e os gêneros da fala, podem ser usadas para ampliar o quadro teórico delineado por Vygotsky, no sentido de permitir a análise de gêneros específicos de discurso." " (WERTSCH1 H1 , 1991, apud MORTIMER; MACHADO, 1997, p. 145)

## 1.1 . A d dinâmica das interações em sala de aula

A interação verbal em sala de aula como mediadora da aprendizagem tem sido, atualmente, objeto de alguns estudos importantes em educação e apontada por muitos pesquisadores como elemento fundamental para a compreensão do funcionamento da sala de aula (Candela, 1998; Aguiar e Mortimer, 2005; Mortimer, 1997; Carvalho, 1998; Zanon, 2007). Partindo-o-se dessas considerações, tomaremos a interação verbal como elemento indicador da qualidade da aula.

Quando os alunos encontram espaço para manifestar o quque pensam sobre os assuntos tratados em aula, pelo menos dois elementos importantes para o alcance dos objetivos do ensino são atingidos: suas idéias prévias podem ser acessadas pelo professor e através das argumentações expostas em sala, suas influências sobre os demais (incluindo o professor) colocam sob prova as próprias idéias de quem enuncia e permite que as idéias dos outros sejam igualmente testadas e compartilhadas.

A quantidade e a qualidade dos enunciados dos alunos fornecem ao professor elementos para avaliar a própria aula e tomar decisões sobre a necessidade da retomada de conceitos ou a possibilidade de avançar nos conteúdos.

Para Bakhtin, o processo de compreensão só ocorre quando o aprendizado é constante, ou seja, há uma seqüência de assimilações que levam ao "fim" de determinado tema. Quando aprendemos um assunto novo, para compreendê -lo, fazemos uma série de correspondências com assuntos que já conhecemos e julgamos similares.

" Compreender a enunciação de outrem significa orientar-r-se em rerelação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente. A cada palavra da

enunciação que estamos em processo de compreender, fazemos corresponder uma série de palavras nossas, formando uma réplica. Quanto mais numerosas e substanciais forem, mais profunda e real é a nossa compreensão". (BAKHTIN, 1997, p.131-132).

A maioria das aulas revela um padrão descrito por Mortimer e Machado como de ensino por transmissão. Segundo os autores, inspirados no trabalho de Wertsch (1991), podemos representar esse tipo de aula pelo esquema abaixo:

"Transferir significados ‡ Unívoco ‡ de autoridade ‡ códigos do receptor e do transmissor coincidem ‡ Demanda fidelidade e não apropriação livre das palavras ‡ uma única voz ‡ padrão I-R-F avaliativo" (Mortimer e Machado, 1997, p.146)

"N "Num discurso de autoridade, as enunciações e seus significados são pressupostas como fixas, não sendo passíveis de serem modificadas ao entrarem em contato com novas vozes. (...) o discurso persuasivo procura as "contraapalavras", ela é "metade nossa e metade do outro", ele é aberto. Segundo Bakhtin, o discurso aberto é capaz de "revelar até novas maneiras de significar". (BAKHTIN2 N2 , 1981, apud MORTIMER; MACHADO, 1997, p.147)

Nos raros momentos em que a aula gaganha novo dinamismo, há um desvio desse padrão. Nesses momentos as seqüências das falas perdem a uniformidade e o professor deixa momentaneamente sua posição de única autoridade, permitindo que os alunos opinem sobre o assunto. As falas do professor e dos alunos são intercaladas, os sentidos construídos pelos alunos são mais livres, as perguntas feitas são menos fechadas e admitem outras respostas.

Os professores mostram uma certa apreensão quando as discussões são abertas. Aparentemente elas lhe causam in cômodo, talvez, por tomarem o tempo que deveria ser destinado a ensinar a matéria e explicar os assuntos. Tanto para o professor, quanto para os alunos, está presente a representação de que as conversas, mesmo quando ligadas ao tema, não fazem parte da aulala.

"[...] o aprendizado das crianças começa muito antes delas freqüentarem a escola. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia. Por exemplo, as crianças começam a estudar aritmética na escolola, mas muito antes elas tiveram alguma experiência com quantidades - - elas tiveram que lidar com operações de divisão, adição, subtração e determinação de tamanho. Conseqüentemente, as crianças têm a sua própria aritmética pré-é-escolar, que somente psicólogogos míopes podem ignorar" r" (VYGOTSKY, 1989, p. 94-95).

Os estudantes trazem consigo uma bagagem ampla de conhecimentos, mas as aulas acabam limitando -os a absorção de conteúdos transmitidos pelos professores que,

geralmente, são decorados pelos alunos para a as provas e logo após esquecidos. Isso faz com que os mesmos fiquem presos à memorização de conteúdos o que dificulta a aprendizagem significativa.

Geralmente, os alunos ditos "rebeldes" se marginalizam nas aulas, pois não vêem um propósito claro em apre nder determinado conteúdo e não encontram desafios nestas aulas. A esse respeito, Snyders argumenta que:

- " [...] o objetivo da aula é levar o aluno, partindo de sua experiência e sensibilidade, a interpretar de maneira única e individual a cultura que nónós lhe propomos. Ele não vai criar o novo sentido de um grande criador, não vai realizar uma grande obra, mas também não vai se limitar a uma repetição mecânica. O aluno tem uma personalidade única e o que interessa é como esta personalidade única vai reterer, amar, vibrar e, então, transformar esta cultura que a Escola lhe propõe." 3

Para conhecer a personalidade dos alunos, suas idiossincrasias, se torna necessário interagir com eles, observar e considerar o que trazem consigo para sala de aula, o que dizem em entre eles, suas dúvidas e inquietações que nem sempre são compartilhadas com o professor. Ao oferecer espaço para as manifestações dos alunos, os seus saberes e vivências do dia -adia, a aula se torna dinâmica e interativa.

## 1.2. O Origem da pesquisa

- O interesse pela pesquisa, em interação verbal, surgiu quando observei que as duas turmas, mesmo tendo aulas de Física com o mesmo professor, tinham comportamentos diferentes perante as aulas.

Com uma das turmas o professor tinha facilidade para trabalhar, eram alunos quietos, sem grandes questionamentos, que faziam tudo o que era requisitado pelo professor, enquanto a outra turma era formada por alunos considerados "difíceis", que não mostravam interesse pelos temas apresentados nas aulas pelo professor. Isso me levou a uma análise preliminar, na qual percebi que quando ocorriam interações discursivas entre professor e alunos, o comportamento e a aprendizagem dos alunos se modificavam.

Para concretizar essas conclusões iniciais, fiz uma entrevista com os alunos das duas classes, cujo principal interesse era saber qual o professor/disciplina que eles mais gostavam. Três professores receberam o maior número de votos, e fui até eles, para observar suas aulas e conhecer suas metodologias de ensino. Com essas obobservações pude confirmar que a falta de interação estava desmotivando os alunos ao aprendizado de Física, uma vez que as aulas dos professores, escolhidos pelos alunos, eram dinâmicas e os alunos tinham espaço para manifestar suas idéias e discutí-í-las com os professores. Com essa pesquisa pude perceber as diferenças de comportamento e

aprendizagem dos alunos quando ocorriam interações verbais e em suas ausências, e a partir daí discutir como as interações interferem no processo de aprendizagem e interesse dos alunos pelos conteúdos, constatando que a maior participação dos alunos nas aulas contribui na aquisição de sentidos pelos mesmos.

Diante do exposto, a pesquisa mostra-a-se relevante ao passo que propiciará discussões, reflexões e sugestões acerca das didiferentes interações em sala de aula, com maior enfoque nas interações discursivas, entre professor e alunos e entre alunos, de duas disciplinas de áreas distintas: Física (exatas) e Geografia (humanas), na tentativa de encontrar respostas para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem dos alunos.

## 2. O OBJETIVOS

## 2.1. Geral

Investigar e elucidar a dinâmica das interações nas aulas de Física e Geografia, de duas turmas de ensino médio de uma escola da rede pública, com ênfase nas interações dialógicas entre professor e aluno e entre alunos. Serão observadas as ocorrências de interação e a construção de sentidos pelos alunos.

## 2.2. E Específicos

- · Investigar a dinâmica das interações, em especial as interações verbais, entre professor e alunos e entre alunos, nas aulas de Física e Geografia;
- · Analisar o grau de envolvimento dos alunos das duas turmas nas aulas de Física e Geografia;
- · Avaliar as ocorrências de elementos comuns e/ou especificidades no padrão de ensino nas aulas das duas disciplinas;
- · Verificar o o processo de aprendizagem dos alunos, através das interações dialógicas ocorridas em sala de aula;
- · Reunir elementos para que os professores percebam a dinâmica das interações que vivenciam e busquem, a partir dos resultados obtidos com esta pesquisa, a melhlhoria da qualidade do ensino.
- · Encontrar métodos para expor os resultados da pesquisa aos professores das diversas áreas do conhecimento, para que estes reflitam suas práticas e busquem maior participação dos alunos em sala de aula.

## 3. M MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa será realizada nas aulas de Geografia e Física com duas turmas do Ensino Médio de uma escola da rede pública, do interior de São Paulo.

- O trabalho que será feito, nas salas de aula de Física e Geografia, permite caracterizar um conjunto de enenunciações que são utilizadas por cada professor de maneira particular, analisando suas ocorrências e a resposta dada pelos alunos diante das situações, na qual será possível encontrar diferenças ou semelhanças nas práticas adotadas por ambos.
- A pesquisa seserá fundamentada nos conceitos de polissemia e de gêneros do discurso de Mikhail Bakhtin e seus seguidores (Mortimer, Scoot e Machado), na teoria sobre a formação de conceitos e o papel da linguagem de Vygotsky e nos estudos de Wertsch.
- A metodologia adotada nessa pesquisa será a qualitativa, uma vez que o problema é investigado em seu próprio ambiente de origem. Esse tipo de pesquisa possui algumas característica básicas, segundo Lüdke e André (1986, p. 11-13), que são explicitadas abaixo:
- 1. "A pesquisa qualilitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento". Durante a pesquisa, farei observações nas aulas de Física e Geografia, para coleta de dados.
- 2. "Os dados coletados são predominantemente descritivos". Nesta pesquisa os dados serão apresentados de forma descritiva, demonstrando as interações entre professor e aluno, e entre alunos, além das demais dinâmicas ocorridas em sala.
- 3. "A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto". A maior preocupação do trabalho será compreender as situações em que ocorrem as interações, de todos os tipos, além de outras formas de expressão, que possam levar a conclusões necessárias para o desenvolvimento do trabalho.
- 4. "O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador". Será dada atenção a dinâmica das interações em sala de aula, especialmente as manifestações verbais dos professores e alunos.
- 5. "A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos". Durante a pesquisa e análise de resultados, refletiremos sobre a dinâmica em sala de aula, especialmente as interações discursivas, em busca de de indicadores para nortear a prática pedagógica adotada pelos professores em suas aulas.

A pesquisa de campo será realizada da em uma escola da rede pública, , do interior do estado de São Paulo, com duas turmas do ensino médio. A A coleta de dados terá como técnica observações de aulas de Física e Geografia, com anotações em m diários e gravações em áudio que serão negociadas com os professores e com a direção da escola, para que possamos coletar informações fiéis aos acontecimentos verbais. O registro por escrito, , sozinho, não permite o acompanhamento e as alternâncias do discurso entre professor e alunos e entre alunos. Portanto, com as gravações poderemos selecionar episódios para análise, sendo que os episódios em sala de aula são construídos, através das interaçações. Não será descartada a utilização de gravação em vídeo, desde que combinado antecipadamente com a direção da escola, , professor e alunos, para preservar com a maior fidelidade possível os detalhes visuais da situação, além das interações verbais.

Durante a pesquisa os interesses estão em analisar, em relação às interações discursivas, as mudanças de entoação, de ênfase, de tópico ou tema, de gênero e pausas; além de analisar as dinâmicas como gestos dos professores e posicionamento diante da sala. No entanto, será dada maior ênfase às interações verbais.

A princípio, dar-se-á atenção ao gênero de discurso adotado pelos professores, seguindo a teoria de Bakhtin que cita dois tipos: primário e secundário. O gênero primário é mais simples e se forma a partir de interações discursivas do cotidiano, como uma conversa informal entre amigos. Enquanto, o gênero secundário faz menção às interações com conceitos mais completos, no qual é necessário um mínimo de conhecimento sobre o tema discutido, como conceitos científicos ou históricos.

Para essas análises, buscaremos compreender, através da atividade proposta e realizada pelo professor, sua interação com os alunos e como é a atenção dada pelos alunos à proposta de trabalho do professor.

Será analisado o tipo de conteúdo do discurso do professor, segundo Mortimer, et al, (2006), como: discurso de conteúdo (questões conceituais, tecnológicas e ambientais); discurso procedimental (procedimentos para realização de experiências); discurso de gestão e manejo da classe e (como o professor organiza a sala, pede silêncio); discurso de conteúdo escrito (quando o professor apenas escreve na lousa sem se manifestar verbalmente).

Utilizaremos também os padrões, de Mortimer e Machado (1997), para analisar as seqüências de enunciaiação, sendo analisadas os tipos:

- · IIR -A (Iniciação pelo professor, Resposta do aluno, Avaliação do professor), no qual o maior interesse do professor é o de avaliar o aluno, simplesmente.
- · IIR -F (Iniciação pelo professor, Resposta do aluno, Feedback do profefessor), no qual o professor abre espaço a continuação do diálogo com o aluno.

Poderão ocorrer também discussões, entre professor e alunos, que podem tornar-rse discursos complexos que não podem ser enquadrados aos padrões acima descritos. A esse tipo de discurso chamaremos de trocas verbais ( (Mortimer, et al, 2007, p. 66).

É importante observar que os tipos de enunciação do professor e alunos podem gerar dois tipos de discussões: discussões maiores, quando as seqüências didáticas demandam mais tempo, ou seja, , demandam explicações maiores/enunciados completos. Neste caso ocorrerão seqüências do tipo I-I-R-F, por exemplo quando o professor pede para o aluno explicar a resposta que deu: o que você quis dizer com essa resposta? Ou respostas simples, quando as perguntntas feitas pelo professor exigem respostas curtas, gerando seqüências do tipo I-I-R-A. Por exemplo, se o professor de Física pergunta: Quais as forças que agem sobre esse bloco? ou quando o professor de Geografia questiona: Quais são as matérias-primas de um determinado produto?

Definimos também, para o trabalho, algumas categorias importantes sobre a abordagem do conteúdo pelo professor:

- 1. Avaliação: o enunciado é usado para fechar uma seqüência de falas (cadeia fechada);
- 2. Feedback: quando o enunciado dá á origem a uma cadeia de interações;
- 3. Sem interação: quando apenas o professor fala, sem interagir verbalmente com os alunos;
- 4. Troca verbal: quando a discussão é muito aberta, sendo difícil enquadrar-r-se nas categorias anteriores, além de ser mais complexa.
- É importante distinguir o tipo de abordagem do professor, pois podem ocorrer interações de autoridade, na qual o professor discute o assunto e o conclui não dando espaço as manifestações dos alunos. Vista dessa maneira chamaremos de interativa, as interações verbais com participação dos alunos e professor, e não interativa, as interações que envolvem apenas a fala de uma pessoa, caracterizando tanto a ação isolada do professor quanto a do estudante.

## 4. F FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

Serão feitas análises qualitativas das interações verbais entre professor e alunos e entre alunos, havendo pouco interesse pela freqüência e por outras informações quantitativas, sendo que o maior interesse é a participação dos alunos e o processo de aprendizado.

Considerando -se a complexidade das interações em sala de aula, o uso de gravações em áudio torna -se necessário, dada a impossibilidade de registrar em tempo os acontecimentos verbais.

Desta forma, será possível analisar as interações verbais entre professor e alunos e entre alunos sem que nenhuma fala seja excluída por falta de atenção durante as anotações, o que nos levará a uma melhor análise dos episódios. Estabeleceremos que o acesso às fitas gravadas será restrito a mim, à orientadora da pesquisa, aos professorores das salas pesquisadas, e aos alunos, caso haja interesse na verificação do conteúdo.

- Os dados coletados, nas aulas de Física e Geografia, serão reunidos, selecionados e analisados relacionando -os entre si, a fim de encontrar relevâncias conforme o suporte teórico e pontos comuns e/ou especificidades nas duas disciplinas pesquisadas. O estudo teórico será feito durante todos os momentos da pesquisa, como suporte a análise dos dados coletados.

Os resultados obtidos nos permitirão compreender se as interações em sala de aula, especialmente as interações verbais, proporcionam maior envolvimento dos alunos e construção de sentidos por estes. Isso possibilitará a reunião de elementos que contribuam para que os professores reflitam sobre os resultados do ensino que praticam e, dada a relevância do uso das interações para a aquisição de sentidos pelos alunos, se manifestem positivamente em busca da melhoria na qualidade das aulas, em diferentes áreas do conhecimento.

## 5. R REFERÊNCIAS

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- 8. FREITAS, L.C.de. Crítica da Organização do Trabalho Pedagógico e da Didática. Campinas, SP: Papirus. 1995.
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- 13. MORTIMER, E.F., MASSICAME, T., TIBERGHIEN, A., e BUTY, C. Uma metodolgia para caracterizar os genêros de de discurso como tipos de estratégias enunciativas nas aulas de Ciências. In NARDI, R. A pesquisa em ensino de ciencias no Brasil: alguns recortes. São Paulo: Escrituras, 2007.
- 14. ROBILOTTA, M.R. e BABICHAK, C.C. Definições e conceitos em física. Cadernos Cedes, 41. Campinas: Cedes. 1997. p.35-45.
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