UM OLHAR INVESTIGATIVO SOBRE AS QUESTÕES DO ENEM QUE ABORDAM A FÍSICA
Karla Cynthia Quintanilha Da Costa Peixoto, Renata Lacerda Caldas Martins, Marília Paixão Linhares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 27/01/2009
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UM OLHAR I INVESTIGATIVO SOBRE AS Q QUESTÕES DO ENEM QUE A ABORDAM A FÍFÍSICA
Karla Cynthia Quintanilha da Costa Peixotoa a [kacy@uenf.br][kacycosta@hotmail.com] Renata Lacerda Caldas Martins b [rcaldas@uenf.br] Marília Paixão Linharesc sc [paixaoli@uenf.br]
abc Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
## RESESUMO
Instrumentos de avaliação utilizados para averiguar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional apontam que a educação brasileira apresenta-se precária e frágil. As médias de desempenho dos alunos de escolas públicas no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, especialmente em Campos dos Goytacazes, município localizado na região norte fluminense do estado do Rio de Janeiro, têm revelado que muitas das habilidades e competências básicas requeridas aos concluintes e aos egressos do Ensino Médio , anunciadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) , não estão sendo bem desenvolvidas. Neste âmbito, este trabalho visa identificar questões do ENEM, nas edições dos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, que envolvem a disciplina de Física a fim de sintetizar os conteúdos abordados, selecionar e analisar questões de temas relevantes para apresentar sugestões de como inseri-i-las no cotidiano escolar como questões abertas. Acredita-se que utilização dedesta estratégia de ensino baseada em questões abertas possibilite o desenvolvimento de uma postura crítica e investigativa, que desperta o educando para o desenvolvimento de habilidades e capacidadedes como o raciocínio, a a flexibilidade,a argumentação, a ação e a autonomia; o que condiz com o que está previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Pretende -se, portanto, contribuir para que a avaliação transforme -se em um instrumento de melhoria do ensino, ou seja, em uma ferramenta pedagógica, em um elemento que melhore a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino; na intenção de favorecer com que a avaliação o não continue atuando somente em sua função reguladora da aprendiza gem.
Palavras chaves: avaliação, ensino de Física, desempenho, ENEM.
## ININTRODUÇÃO
As reformas no âmbito educacional acarretaram inúmeras transformações, principalmente quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional focaliza a formação geral do indivíduo, seja para a vida profissional, seja para a continuação da vida acadêmica (BRASIL, 2004). Nesse contexto, surge a necessidade de se educar e formar jovens não sobre direitos formais abstratos, mas na perspectiva de práticas cotidianas, com objetivos para uma cidadania crítica.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) propõem um currículo baseado no domínio de competências básicas e não o acúmulo de informações; ou seja, preconiza um ensino voltado para a formação do indivíduo, visto que o Ensino Médio foi incluído como etapa da educação básica (BRASIL, 1999).
Paralelamente a essas mudanças, instrumentos de avaliação foram desenvolvidos e aperfeiçoados, visto que cabe à União promover a avaliação dos diversos níveis de ensino, alalém de prover bens e serviços à educação (BRASIL, 2004). O Ministério da Educação, por meio do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira desenvolveu processos de avaliação no âmbito federal, na perspectiva de oferecer diretrizes para as políticas de educação; visando a favorecer o desenvolvimento de uma cultura de avaliação dos meios educacionais (BRASIL, INEP, 2007).
Atualmente, os exames nacionais de avaliação existentes são: o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), a Prova Brasil e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), além do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).
Dentre esses instrumentos de avaliação destaca -se o ENEM, instituído pelo INEP para investigar a última etapa da educação básica. O exame apresenta o objetivo de oferecer uma referência para que cada cidadão possa se auto-avaliar ao término de sua escolaridade básica. Tal diagnóstico permitirá ao jovem concluinte ou ao adulto egresso uma reflexão sobre suas escolhas futuras, quer para ingressar no mercado de trabalho, quer para dar continuidade aos estudos.
- O modelo de avaliação do ENEM estrutura-se nas articulações entre competências e habilidades e entre o conceito de educação básica e cidadania. As interações do indivíduo com a vida constituem a base para a formação do conhecimento, segundo os idealizadores do exame; por isso, os mesmos defendem que os conceitos, as idéias, as leis, as teorias, os fatos, as pessoas, a história, o espaço geográfico, a ética e os valores são produzidos os nessas interações (BRASIL, ENEM, 2000).
Nessa perspectiva, o ENEM busca verificar a capacidade do participante de utilizar o conhecimento produzido durante seu percurso de escolarização em situações-problemas interdisciplinares. Ressalta -se, portanto, a importância da educação focar a formação geral do indivíduo, a fim de que se torne um sujeito crítico, autônomo, independente e atuante na vida social; preparado para crescer intelectual, reflexiva e tecnicamente, ingressar no mercado de trabalho e exercer a plena cidadania.
- O ENEM, bem como os outros instrumentos de avaliação abordados aqui, é utilizado para: verificar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional, fornecer um referencial à sociedade através de parâmetros de análise e comparaçã o além de indicar suas principais deficiências. Eles revelam que a educação brasileira apresenta -se precária e frágil.
Recentemente, o governo federal instituiu o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), um indicador que considera direta e conjnjuntamente dois fatores que interferem na qualidade da educação: o rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e as médias de desempenho. As taxas de rendimento são aferidas pelo Censo Escolar da Educação Básica e as médias pelo SAEB e pela Prova Brasil, avaliações realizadas pelo INEP para diagnosticar a qualidade dos sistemas educacionais. Elevados índices de repetência e evasão escolar são considerados agravantes do fracasso escolar.
Os índices divulgados pelo IDEB, referentes aos exames realizados em 2005, apontaram que Campos dos Goytacazes, município do Rio de Janeiro, obteve o pior desempenho do estado no ensino de 1ª a 4ª série na rede municipal, 2,9. Para o Ensino Médio, o índice obtido pelas escolas das redes pública e privada do do estado não foi muito diferente, 3,3 numa escala de 0 a 10. Em 2007, os índices subiram para 4,3 e 3,2, respectivamente; uma média que ainda está distante da desejada (BRASIL, INEP, 2007).
As médias de desempenho dos alunos de escolas públicas no ENEM têm m revelado que muitas das habilidades e competências básicas requeridas aos concluintes e aos egressos do Ensino Médio não estão sendo bem desenvolvidas. O resultado do ENEM é qualificado de acordo com as seguintes faixas de desempenho: insuficiente a regular, que corresponde às notas entre 0 a 40, inclusive; regular a bom, referente ao desempenho entre 40 a 70, inclusive; e de bom a excelente, entre 70 a 100.
Portanto, vale ressaltar que as médias alcançadas em Campos dos Goytacazes nos anos de 2005, 2006 e 2007 (4(44,66; 42,24; 50,06 ) mostram que o desempenho dos alunos, classificado como regular, está muito aquém do desejado, que para alcançar a faixa de bom a excelente deveria ser, no mínimo, uma média de 70%. Esses resultados indicam que a qualidade de ensnsino oferecido no município de Campos dos Goytacazes é incompatível com os indicadores atuais da avaliação do Ensino Médio, indicando a necessidade de mudanças e de realização de pesquisas na área de educação na região.
Entende -se que a avaliação, conforme e defendida por Sacristán e Gómez (1998), não deve consistir somente no ato de comprovar o rendimento ou qualidade do aluno, mas um instrumento a mais para direcionar a reflexão e o planejamento sobre a prática. Neste sentido, a avaliação é um recurso para melhorar os processos pedagógicos e favorecer a tomada de consciência sobre a prática.
Segundo Hadji (2001): "a avaliação, em um contexto de ensino, tem como o objetivo legítimo de contribuir para o êxito do ensino, isto é, para a construção de saberes e competências pelos alunos". Ou seja, a avaliação deve estar a serviço da aprendizagem.
Defende -se, portanto, um tipo de avaliação que preconize a utilização das informações proporcionadas pela mesma para a construção de uma prática pedagógica que contemple as várias dimensões da formação humana. Isto implica, necessariamente, em dar à avaliação um outro papel institucional, substituindo a função controladora pela dimensão formadora. Necessita-se, sobretudo, de uma avaliação contínua, formativa, na perspec tiva do desenvolvimento integral do aluno.
Neste âmbito, defende -se que as abordagens apresentadas pelo ENEM, que condiz com as diretrizes para o Ensino Médio, constituam um instrumento a mais que passe a ser utilizado no cotidiano escolar, atuando como uma avaliação formativa. As questões do ENEM podem ser incluídas no cotidiano escolar durante o processo de construção do conhecimento como situaçõesproblemas abertas que despertem os educandos para uma aprendizagem por investigação, que constituam temas de estudos, tendo em vista que as mesmas apresentam elementos essenciais previstos pelo currículo: a contextualização e a interdisciplinaridade.
Além disso, o exame possibilita a realização de análises da influência de variáveis como localização da escola (zozona rural ou urbana), dependência administrativa (particular, estadual, federal ou municipal), modalidade de ensino (regular, educação de jovens e adultos ou profissionalizante) no desempenho dos estudantes no ENEM, conforme estudo apresentado por PEIXOTO e MARTINS (2008).
Os dados disponibilizados na base do INEP foram utilizados para traçar um perfil dos resultados das escolas do município de Campos dos Goytacazes-RJ no ENEM 2007, revelando que não foi observada influência da localização na participação e na nota dos estudantes no exame. No que se refere à dependência administrativa, as escolas particulares apresentaram maiores médias de participação e maiores médias totais. Quanto à modalidade de ensino, de forma geral, as escolas de
ensino médio regula r e as profissionalizantes apresentaram melhores desempenhos nas notas das provas e na participação dos alunos no ENEM do que as escolas que oferecem a educação de jovens e adultos (EJA). A análise dos dados coletados delineou um quadro que reflete a "saúdede" do sistema de ensino público da região (PEIXOTO e MARTINS, 2008).
Focado na meta da avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, este trabalho pretende discutir como são as abordagens das questões do ENEM que tratam de Física, de maneira a apresentar uma síntese dos conteúdos relacionados a esta disciplina nas últimas edições do exame, confrontando com as exigências dos mesmos no cotidiano escolar; na intenção de converter a avaliação em uma ferramenta pedagógica, em um element o que melhore a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino.
## METODOLOGIA
- O trabalho consiste em identificar questões do ENEM, nas edições dos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, que envolvem a disciplina de Física a fim de sintetizar os conteúdos abordados, selecionar e analisar questões de temas relevantes e apresentar sugestões de como inseri-i-las no cotidiano escolar como questões abertas.
Buscou -se analisar as questões imbuído em questionamentos como: Que competências e habilidades estão sendo requeridas pelo exame? Que competências e habilidades estão sendo desenvolvidas no educando no decorrer da sua escolaridade básica? Por que as médias de desempenho alcançadas são tão baixas?
- O ENEM está se fazendo cada vez mais presente na vida de jovens concuintes s e/ou egressos, então, é imprescindível que o mesmo passe a ser mais um integrante do processo ensinoaprendizagem no cotidiano escolar. Embora a busca pela participação no exame venha sendo cada vez maior, uma pesquisa aponta que alguns professores, orientntadores educacionais e diretores de algumas escola investigadas no município de Campos dos Goytacazes demonstraram desconhecer as diretrizes e médias de desempenho dos alunos em tal exame; ou seja, o ENEM ainda não foi inserido no contexto escolar (PEIXOTO, 2008).
Neste artigo, comentou-u-se três questões do ENEM que contemplaram a Física, apresentando-as a partir da estratégia de ensino de questões abertas, com o objetivo de oferecer subsídios para sugerir que o corpo docente possa incluir esta prática avaliaiativa no fazer diário da sala de aula através de uma prática crítica, inventiva e construtiva (OLIVEIRA, 2006).
Além disso, serão anunciadas que competência(s) e habilidade(s) está (estão) sendo mensuradas nas questões, relacionando-o-a(s) com as diretrizes s exigidas pelos PCNEM.
Acredita -se que a adoção da estratégia de ensino de questões abertas proporcione o desenvolvimento de uma postura crítica e investigativa, que desperta o educando para o desenvolvimento de habilidades e capacidades como raciocínio, flexibilidade, argumentação, ação e autonomia (CARVALHO, 2004) que colabora com a construção do perfil do cidadão que se pretende formar.
## RESESULTADOS
Observa -se que o ENEM apresenta grandes temas que, em geral, agem como fio condutor das 63 questões interdisciplinares contidas no exame. Notou-se que a edição de 2008 do exame enfocou a Questão Ambiental, um assunto bastante discutido no âmbito social.
Examinarammse os temas envolvendo a Física abordados nas últimas quatro edições do ENEM, conforme está disposto na tabela a seguir.
Tabela 1: Síntese dos conteúdos relacionados à Física presente no ENEM em 2005, 2006, 2007 e 2008.
Confirmouuse que o exame não aborda todos os conceitos de Física - apresenta aproximadamente 10 questões por ano - assim como não deve fazê-ê-lo nas outras disciplinas, tendo em vista a impossibilidade de abranger todos os conteúdos em apenas uma avaliaçã o. Mas, verificouuse que as questões do ENEM abordam aplicações de conteúdos de Física que foram, ou que deveriam ter sido, trabalhados durante o Ensino Médio que estão relacionados a temas da atualidade; de maneira que o educando verifique se desenvolveu habilidades básicas para aplicar tais conhecimentos no seu dia -a-a-dia.
As questões sobre Meio Ambiente apresentam para discussão subtemas como a poluição e o aquecimento global, o enfoque atribuído à Energia envolve a transformação, o consumo, as fontes altlternativas e o impacto ambiental. Percebe -se que a ênfase nestas questões são os assuntos em pauta nas discussões em toda a parte do mundo sobre a preservação do planeta Terra. Os conteúdos
disciplinares estão "submetidos a esta lógica temática". A perguntnta que surge desta análise é qual o papel do Ensino de Física neste contexto?
A energia - - seu aproveitamento, consumo e impacto - tem sido tema bastante abordado nas provas do ENEM , assim como destacou a matéria Conheça temas que costumam cair no ENEM e aqueles que podem ser cobrados em agosto , divulgada pelo O Globo Online; em que o coordenador geral do exame, Dorivan Ferreira Gomes, relata que são escolhidos para e ENEM os assuntos mais importantes do momento (O GLOBO ONLINE, EDUCAÇÃO, , 2008).
- O ensino de Física tradicionalmente vem sendo organizado pela lógica dos conteúdos curriculares, na maioria das vezes descontextualizados do cotidiano dos alunos e dos temas de interesse social. Como, então, repensar este currículo de acordo com o enfoque temático? Como subverter esta ordem tão interiorizada nos professores e alunos e também, em geral, em toda a sociedade?
É certo que este não é o único exame de avaliação do Ensino Médio. O SAEB e o PISA também avaliam conhecimentos destes estudantes e têm outra lógigica de organização. Por outro lado os vestibulares têm uma influência muito forte na organização curricular e nos materiais didáticos disponíveis. Percebe-se que este é um momento de transformações educacionais que acompanham as mudanças sociais e políticas.
A partir das orientações legais, planos de ação oficiais vêm sendo traçados, embora ainda não se perceba, na prática, mudanças significativas. A Secretaria de Educação Básica (SEB) enfatiza o ensino da ciência, implementando um Plano de Educação para a a Ciência que visa incorporar efetivamente a prática e a reflexão científicas na vida escolar e social de adolescentes, jovens e adultos. Um dos objetivos é incentivar projetos curriculares voltados para a educação científica e mudanças curriculares que incorporem abordagens práticas e problematizadoras das ciências (MEC, SEB, 2007).
Das diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Médio pode-se destacar a contextualização como processo de enraizamento dos conceitos científicos na realidade vivenciada pelolos alunos, para produzir aprendizagens significativas. Isto significa partir dos fenômenos cotidianos em direção aos saberes escolares. Essa abordagem surge em oposição à transmissão dos conteúdos a partir das disciplinas científicas. Desta forma, um dos prprincípios que deve ordenar o Ensino de Ciências no Ensino Médio é o confronto entre os saberes cotidianos e o conhecimento científico, visando à compreensão dos limites também dos saberes escolares.
Neste sentido a adoção de questões abertas fundamentadas em fatos cotidianos de interesse dos alunos é uma poderosa estratégia de ensino que possibilita a articulação entre prática e reflexão científicas na sala de aula.
Como exemplo, apresentam-se as três questões dispostas a seguir, contidas no ENEM-2008, que abordam assuntos relacionados ao tema Energia, enfatizando tipos de energias alternativas (F(Figura 1).
Figura 1: Questões 25, 27 e 32 do ENEM 2008 que abordam o tema Energias Alternativas.
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A questão 25 relata a forma de geração de eletricidade a a partir da energia geotérmica e compara seu processo de funcionamento ao da usina nuclear, que também converte energia térmica (contida no vapor) em cinética (com o movimento das pás) e, posteriormente, em energia elétrica. A questão 27 trata do potencial brasileiro para se produzir energia a partir da biomassa, não apenas através do Pró -álcool, assim como pela extração de óleos vegetais, provenientes de florestas energéticas cultivadas em terras impróprias para a agricultura. A última questão abordada aqui, a 32, enfoca outra fonte limpa de energia: a energia eólica. Nesta, ressalta -se que ainda é restrita a utilização desta fonte de energia devido ao elevado custo de instalação; visto que a matriz energética do país é proveniente, basicamente, de hidrelétricas, que requerem menores investimentos. O alto potencial do Brasil para diversas fontes alternativas de energia foram discutidas nestas questões apresentadas no ENEM.
Nesta perspectiviva, sugere-se que os docentes passam a inserir o tema Energia no contexto escolar e motivar os educandos para o desenvolvimento de projetos pedagógicos interdisciplinares. O tema é atual e envolve questões econômicas, políticas, sociais e ambientais, abrangendo as disciplinas de Geografia, História e as Ciências.
Dessa maneira , competências e habilidades anunciadas pelos PCNEM essenciais à vida de um cidadão crítico, que precisa se integrar dos acontecimentos ao ler um jornal, por exemplo, terão seu desenvolvimento aguçado durante o processo ensino-aprendizagem.
A partir de abordagens como estas apresentadas no ENEM inseridas no contexto do tema Calor, Ambiente e Usos de Energia proposto pelos PCN+ (KAWAMURA e HOSOUME, 2003), pode-se aprofundar as diferentes formas de "produção" e utilização de energia, pesquisando fontes convencionais de energia como a hidroeletricidade e a termoeletricidadede, suas vantagens, desvantagens e impactos ambientais causados, além das fontes alternativas atualmente em desenvolvimento: a energia eólica, a energia solar, a biomassa, a geotérmica, a energia dos oceanos (das marés associada às correntes marítimas e a energia das ondas) e a existência de possibilidades de utilização devido ao grande potencial do Brasil.
As questões do exame descritas anteriormente requerem o desenvolvimento da habilidade exemplificada a seguir, que consta na matriz de competências e habilidades específica do ENEM.
- -Identificar e caracterizar a conservação e as transformações de energia em diferentes processos de sua geração e uso social, e comparar diferentes recursos e opções energéticas (Matriz de Competências e Habilidades do ENEM).
Inserindo tais abordagens como questões abertas, de acordo com o presente tema estruturador: Calor, Ambiente e Usos de Energia, pode-se buscar que os alunos desenvolvam competências e habilidades para analisar problemas relacionados às fontes de energia e aos recursos não renováveis utilizados em grande escala, aprofundando o conhecimento das fontes alternativas que estão imersas em um enfoque de desenvolvimento sustentável; de forma a:
- -Desenvolver a capacidade de investigação física (PCNEM - Física).
A habilidade descrita acima é uma das exigidas pelos PCNEM para estarem desenvolvidas pelos educandos ao término do Ensino Médio, última etapa da escolaridade básica.
Percebe -se que mesmo tendo susuas diretrizes próprias pautadas nas diretrizes gerais, parece que o ENEM ainda não direciona a prática pedagógica da escola. E, tendo em vista que o ele é um instrumento de avaliação que é utilizado em benefício da sociedade, principalmente para o participipante; seja como auto-o-avaliação do seu desempenho, como alternativa ao ingresso ao ensino superior ou como indicativo da qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro, o exame pode se tornar um aliado do processo ensino-aprendizagem e começar a buscar mudanças para a educação nacional.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma pesquisa realizada por Peixoto (2008) avaliou as diretrizes do ENEM, o desempenho alcançado pelos alunos do município de Campos dos s Goytacazes-R-RJ, as concepções de professores, diretores e alunos de escolas públicas que se destacaram no ENEM e revela que de 39 escolas públicas do município, apenas sete alcançaram desempenho acima da nacional, onde dessas escolas, quatro oferecem o Ensino Médio Profissionalizante e adotam provas sele tivas para o ingresso e as outras trêrês de Ensino Médio Regular. EnEntrevistas semi-i-estruturadas realizadas com atores do processo ensino-o-aprendizagem destas escolas que se destacaram apontaram para o desconhecimento das diretrizes do exame e das médias alcançnçadas pelos educandos. Tal estudo indica que as práticas pedagógicas cotidianas ainda estão longe de atender as diretrizes propostas.
Se a busca pela participação no ENEM é crescente a cada ano, já é hora de refletir sobre o impacto que o exame tem causado no cotidiano escolar e utilizá-á-lo como um recurso no processo ensino -aprendizagem e não apenas como indicador de médias de desempenho; afinal, o exame está pautado nas diretrizes adotadas para o Ensino Médio.
Os baixos índices de desempenho das escolas não só do município de Campos dos Goytacazes-RJ no ENEM, mas em todo o país, aponta para a necessidade do corpo docente rever suas práticas pedagógicas, conhecendo orientações educacionais atuais e em particular, dominar as diretrizes do ENEM, para interiorizá-las no cotidiano escolar. Assim como apresentado neste trabalho, questões do ENEM relacionadas aos conteúdos de Física podem se fazer presentes no processo ensino-aprendizagem com a estratégia de ensino de questões abertas.
É importante destacar mais uma vez, que a ênfase na escola tem sido a aprendizagem de conceitos, entretanto, cada vez mais, torna -se necessário também o domínio de um conteúdo chamado procedimental, ou seja, da ordem do saber fazer (PRIMI, 2001). Tal ênfase está refletida nas carac terísticas do exame: situações-problema contextualizadas, interdisciplinaridade e a necessidade de interpretar informações fornecidas nos enunciados das questões para resolução do problema proposto. Características estas que distinguem o ENEM das provas habitualmente adotadas por vestibulares e consistem em uma oportunidade de contribuir para que a avaliação retome sua finalidade de melhorar o ensino e a aprendizagem e não apenas de refletir problemas.
Neste sentido, acredita -se que ainda há uma contradição o entre o que está previsto nos documentos que regem o Ensino Médio e a prática educacional. As últimas atualizações na legislação educacional datam de 1996, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio entraram em vigor em 1998, juntamente com o ano da instituição do ENEM e depois de uma década parece que tais diretrizes ainda não foram incorporadas à prática pedagógica.
É evidente que o desenvolvimento de instrumentos de medida da qualidade do ensino oferecido confirma a necessidade de se ampliar e aprofundar o debate sobre a qualidade e a eficiência da produção e da distribuição do conhecimento pelo sistema educacional, convertendo a
avaliação em uma questão estratégica, que inclusive mostra-a-se mais como uma observação formativa e informativa do do que como avaliação.
Sabe -se que existem inúmeros desafios a serem transpostos no que se refere às políticas de avaliação no processo educacional. E este é o momento de repensar a educação e a escola de hoje e qual o papel devem assumir para contribuírem com uma melhor qualidade do sistema educacional brasileiro.
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