As contribuiçoes de uma seqüência didática de física moderna no Ensino Médio de escolas públicas para evoluçao conceitual dos alunos
Joao Freitas Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 01/02/2007
- Linha de pesquisa
- Ensino De Física E Estratégias Para Portadores De Necessidades Especiais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Resumo:
Com este trabalho o pretendo apresentar um pouco do meu trabalho de mestrado ainda em andamento, onde busco observar a evolução conceitual de uma classe de alunos, através das transformações dos conceitos falados em uma linguagem científicica, e verificar se existe alguma relação entre essa evolução e as atividades desenvolvidas numa proposta inovadora de transposição didática de uma física mais contemporânea para alunos do Ensino Médio da rede pública do estado de São Paulo.
Aqui apresento a proposta do projeto de transposição didática, aplicado por um grupo de professores da rede pública de São Paulo, de uma forma geral e mais especificamente a seqüência de ensino que envolve o tema dualidade onda - partícula seguindo uma seqüência a mais histórica e utilizando num primeiro momento conceitos da física clássica que são considerados importantes para depois entrar na física mais contemporânea.
Num primeiro momento apresento a seqüência do curso todo de uma forma geral e depois mamais especificamente falo da seqüência que pretendo trabalhar que é a parte de espectroscopia da luz e modelo atômico de Bohr. Nesta parte descrevo mais detalhadamente a seqüência de aulas e as atividades que serão trabalhadas e que pretendo analisar através de gravações de áudio e vídeo.
Apresento aqui também o trabalho desenvolvido pelo grupo do LaPEF (Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física) na faculdade de Educação da USP referente a transposição didática das teorias modernas e contemporâneas para sala de aula do Ensino Médio sob coordenação do professor Dr. Maurício Pietrocola.
Falo também sobre de estratégias de ensino utilizadas pelo projeto como uso de atividades de demonstração investigativa, vídeos softwares e Internet entre oututros.
Para finalizar comento sobre a metodologia de pesquisa referente a gravação de áudio e vídeo de uma sala de aula.
Palavras -chaves: seqüência didática; evolução conceitual; transposição didática; atividades investigativas; espectroscopia; momodelo atômico de Bohr.
Introdução: Esse trabalho visa apresentar a pesquisa que estou desenvolvendo para meu mestrado e a seqüência didática que pretendo analisar bem como as atividades desenvolvidas nela e como pretendo coletar os dados para análise. Os Os assuntos a serem tratados também são apresentados: espectroscopia e modelo atômico de Bohr, dentro de uma seqüência a maior que discute a questão da dualidade onda-partícula.
## As contribuições de uma seqüência didática de física moderna no Ensino Médio de
## escolas públicas para evolução conceitual dos alunos
João Freitas da Silva
Orientadora: Profª Drª Anna Maria Pessoa de Carvalho
Problema: " Como uma seqüência de atividades experimentais e/ou práticas, de Física Moderna contribui para a evolução conceitual dos alunos?". Com esse problema busco observar a evolução conceitual de uma classe de alunos, através das transformações dos conceitos falados em uma linguagem científica, e verificar se existe alguma relação entre essa evolução e as atividades de senvolvidas e que seguem uma seqüência histórica. Pretendo observar e analisar as interações que ocorrem entre professor e alunos e entre alunos de um determinado grupo.
A Seqüência didática escolhida: A seqüência didática que escolhi trata do estudo da espectroscopia e modelo atômico de Bhor e faz parte de um projeto de transposição das teorias modernas e contemporâneas de física para alunos do Ensino Médio das escolas públicas de São Paulo. Neste projeto existem praticamente três frentes que trabalham respectivamente com os assuntos Dualidade Onda -Partícula, Física de partículas e Relatividade. Por ser a primeira frente desenvolvida e a que se encontrava em estágio de aplicação mais avançada e inclusive com um número maior de professores aplicando o projeteto, optei por trabalhar com a frente de Dualidade Onda-Partícula.
Essa seqüência que pretendo analisar segue uma seqüência mais histórica e trabalha inicialmente com assuntos da chamada física clássica que o grupo considerou importante para discututir a questão da dualidade onda-partícula. O curso é aplicado com os alunos do Ensino Médio é subdividido em blocos elencados a seguir:
- I - Os modelos no cotidiano da Física,
- II - Ondas e partículas,
- III - - Introdução às propriedades magnéticas e elétricas da matéria ,
- IV - - Breve discussão sobre campos: elétrico, magnético e gravitacional,
- V - O campo eletromagnético e a indução eletrostática,
VI - - Ondas mecânicas e a luz como onda eletromagnética,
- VII - - Luz: cor e visão,
- VIII - Espectroscopia,
- IX - - O modelo atômico de Bohrhr,
- X - O efeito fotoelétrico,
- XI - - Dualidade Onda -Partícula.
A seguir apresento um pouco da da idéia geral do curso e de cada bloco papara em seguida dar mais ênfase aos blocos que escolhi para minha pesquisa.
Como já citado antnteriormente, essa proposta percorre um caminho mais histórico e trata de assuntos da física clássica antes de iniciar propriamente a parte mais contemporânea.
- · No Bloco I é discutida a importância e como são construídos os modelos na ciência e suas evoluçõeões através dos tempos de acordo com as necessidades de novas explicações, de acordo com o surgimento de novos fatos que exijam novos modelos ou reformulações naqueles já existentes.
- · No Bloco II é apresentada aos alunos de uma forma geral a idéia do que vem m a ser onda e do que vem a ser partícula já que o objetivo do curso é discutida a questão da dualidade onda e partícula.
- · No Bloco III são discutidas propriedades elétricas e magnéticas da matéria, os tipos de eletrização, a idéia de domínios magnéticos e mamateriais que interagem com fenômenos elétricos ou magnéticos.
- · No Bloco IV são discutidos os campos: : elétrico, magnéticos e gravitacional apresentando suas principais características, como a ação à distância, a diminuição da intensidade com a distância, a rerepresentação geométrica, o caráter vetorial e o fato de estarem associados à carga elétrica, domínios magnéticos e massa. Observa -se aqui a importância de destacar a transferência de energia através do campo, sem destacar tanto a parte de forças, além da prpreocupação de mostrar que o campo gravitacional é associado a massa, o elétrico a carga e o magnético aos domínios e coexistem juntos, ou seja, existe uma preocupação para que não fique a idéia que o campo seja gerado por algo e sim existe simultaneamente com ele.
- · No Bloco V é discutido a experiência de Oersted (corrente elétrica provocando variação de campo magnético) e a experiência de Faraday (variação de campo magnético provocando o surgimento de corrente elétrica). Aqui além de das aplicações que surgiriram com essas descobertas é tratado a idéia da interação eletricidade e magnetismo através das variações dos campos elétricos e magnéticos.
- · No Bloco VI é trabalhada a idéia de onda eletromagnética e os fenômenos a ela associados de um modo geral, levando-o-se em consideração a possibilidade de o aluno não ter estudado ondas de forma adequada antes, os fenômenos são discutidos também a partir de ondas mecânicas. Aqui a luz surge como o principal exemplo de onda eletromagnética a ser estudado no momento e é apresentado aos alunos o modelo ondulatório para luz e suas conseqüências.
- · No Bloco VII trabalha -se a luz discutindoose a questão das cores e da visão , coloração por reflexão e por transmissão, a importância do nosso olho, a mistura de cores por pigmentação e por luzes e a idéia de cargas e campos para entender a luz como onda eletromagnética.
- · No Bloco VIII é trabalhado a construção de um espectroscópio simples com redes de difração de CD (como forma de decompor a luz), o estudo da espectroscopia de uma forma básica e os espectros de lâmpadas e do sol. Aqui começam a ser discutidos os espectros de emissão e de absorção da luz.
- · No Bloco IX temos a utilização de modelos que justifiquem e expliquem a existência dos espectros de emissão e de absorção da luz. Trabalhlha-se o modelo atômico de Bohr e seus postulados para explicar as linhas espectrais.
- · No Bloco X é discutido o efeito fotoelétrico e o abalo no modelo ondulatório da luz apresentando um fenômeno onde ela se comporta estritamente como partícula. Aqui é lançado a questão de como em alguns casos a luz tem comportamento que só pode ser explicado se ela for considerada como onda e em outro apenas se for explicada como partícula.
- · No Bloco XI é discutido efetivamente a questão da dualidade onda-partícula para luz, através do interferômetro de Mach -Zehnder e levando -se em consideração
algumas interpretações possíveis para o fenômeno da dualidade: a interpretação ondulatória, a interpretação corpuscular, a interpretação dualista realista e a interpretação da complementntaridade de Bhor.
È importante destacar aqui que a proposta do projeto está de acordo com os PCNs.
Destaco a seguir mais detalhadamente os dois Blocos que fazem parte da seqüência que pretendo analisar: Espectrtroscopia e modelo atômico de Bohrhr.
No Bloco VIII é trabalhado a construção de um espectroscópio com canos de pvc ou cartolina e pedaços de CD. Com o espectroscópio em mãos os alunos recebem um roteiro de observação utilizando o mesmo. Os alunos fazem a observação de várias lâmâmpadas levadas pelo professor e também em casa e na rua além do próprio sol. Trabalha-se a explicação de como funciona um espectroscópio, seja ele constituído por uma rede de difração (como no caso do CD) ou o espectroscópio com prismas, destacando a vantagem de se utilizar um ou outro. Com as observações o professor trabalha com os alunos o espectro contínuo o onde as imagens obtidas se superpõem parcialmente, dando origem a uma única faixa colorida e a passagem de uma cor para outra não se faz bruscamente, é feita de uma forma gradual, formando as sete tonalidades conhecidas como as cores do arco-o-íris (ocorrendo devido ao fato da luz que incide no espectroscópio apresentar todas as cores do espectro eletromagnético) e o espectro de raias (ou bandas) quando nãnão temos todas as cores na formação da imagem e as que aparecem estão separadas por regiões escuras (devido ao fato de a luz que chega ao espectroscópio ser constituída apenas por um número discreto de luzes monocromáticas); e como ocorre a "separação das cores" através do espectroscópio. Neste bloco também são trabalhadas algumas características de algumas lâmpadas.
No Bloco IX temos uma continuação direta da parte de espectroscopia a e depois da atividade de observação das diferentes lâmpadas com o o espectroscópio e a observação que existem diferentes espectros característicos para cada lâmpada ou para cada elemento, é realizado uma atividade para investigar os espectros de emissão e absorção no site http://astro.if.ufrgs.br/rad/espec/espec.htm m da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com esta atividade os alunos podem trabalhar mais o conceito de espectros de emissão e absorção e respondendo as questões propostas pelo professor tentar r notar e descrever as semelhanças entre esses espectros para o mesmo elemento químico, como, por exemplo, o Hidrogênio e o Hélio. Nesta atividade o aluno descobre que pode conhecer do que é feito uma estrela, mesmo que ela esteja a milhões de anos-luz de distância, através da espectroscopia.
Em seguida é realizada a atividade "Brincando de astrônomo" onde os alunos tentam identificar os elementos presentes numa estrela hipotética, através de uma folha que recebem com espectros de diferentes elementos químicos e transparências numeradas que correspondem a espectros simplificados de estrelas hipotéticas. Com uma comparação cuidadosa, entre os materiais recebidos os alunos podem identificar os elementos presentes na estrela.
Em seguida, com ajuda de um texto de sistematização, é retomada a discussão sobre espectros de emissão e absorção, a origem das linhas espectrais utilizando a idéia de átomo e luz z e apresentando o modelo atômico de Bohr e seus postulados para explicar os espectros atômicos.
Conforme citado no item "Problema" pretendo analisar a evolução conceitual dos alunos durante essas duas seqüências didáticas através das interações entre membros de um mesmo grupo, entre membros de grupos diferentes e com o professor buscando a evolução
através dos conceitos falados em linguagem científica e tentar verificar se existe alguma relação entre essa evolução e as atividades desenvolvidas dentro desta proposta do projeto.
## Sobre o grupo de pesquisa do LaPEF(Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física);
O Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física situa -se na Faculdade de Educação da Usp e conta com pesquisadores universitários, alunos de doutorado, mestrado, iniciação científica e professores da rede pública.
Atualmente participo do projeto "Atualização dos currículos de física no Ensino Médio de escolas estaduais: a transposição das teorias modernas e contemporâneas para a sala de aula" coordenado pelo professor Dr. Maurício Pietrocola.
Esse projeto conta com a participipação de professores que já tinham trabalhado em um projeto de ensino de termodinâmica a para alunos da rede pública estadual, , e tem como objetivo propor a atualização dos currículos de Física através do ensino de conteúdos da Teoria Quântica, desenvolver representações científicas do mundo microscópico possíveis de serem trabalhadas com alunos do Ensino Médio e avaliar a efetividade de estratégias utilizadas para o ensino desses conceitos.
O grupo produz, aplica e avalia atividades de ensino médio sobre temas da física moderna e contemporânea que possam ser trabalhados em condições da realidade atual dos colégios públicos.
"M"Muito se tem discutido sobre a necessidade de se mudar a prática docente tradicional, mas poucos materiais trazem propostas claras, objetivas e práticas para os professores...A formação de grupos de pesquisa envolvendo universidade e escola pública auxilia na superação de um obstáculo institucional que tem dificultado a efetiva transposição de resultados de pesquisas educacacionais para sala de aula." " (Mauríco Pietrocola 2003). O que destaca a importância e o objetivo do grupo de pesquisa do LaPEF. Já em relação a transposição das teorias modernas e contemporâneas para sala de aula do Ensino Médio pode-se dizer que a física a deve ser facilitadora e contribuir para compreensão e tomada de atitudes no mundo atual. A física trabalhada no Ensino Médio tem se limitado as teorias do século XVI, XVII e XVIII, o que mostra claramente a necessidade de atualização dos currículos.
A A forma atual de conceber o currículo, admitindo implicitamente a necessidade do aluno percorrer a trajetória histórica de construção do conhecimento, tem impedido que o ensino avance para além das fronteiras das teorias clássicas (produzidas ataté o século XIX), pois o número de aulas é insuficiente para a abordagem de todo os assuntos da forma como vem sendo feito. Isso acaba gerando um descompasso enorme entre as atividades científicas atuais e o conhecimento que chega aos alunos através da escola.
Nos Parâmetros curriculares nacionais encontramos a seguinte afirmação: "Para o Ensino Médio meramente propedêutico atual, disciplinas científicas, como a Física, têm omitido os desenvolvimentos realizados durante o século XX e tratam de maneieira enciclopédica e excessivamente dedutiva os conteúdos tradicionais." PCN (2000) do Ensino Médio parte III, página 8. Visando reduzir esse descompasso entre o saber sábio (produzido pelos cientistas e pesquisadores) e o saber escolar e baseado em trabalhos que também apontem para a necessidade de atualização dos currículos de Física temos uma justificativa sólida para proposta do grupo de pesquisa do LaPEF.
## As frentes e pesquisas do grupo:
O trabalho de pesquisa do grupo conta basicamente com três frentes:
- 1ª) Dualidade Onda Partícula - onde foram desenvolvidas praticamente duas versões: uma que trabalha primeiramente alguns assuntos da dita Física clássica para depois entrar nos conceitos mais contemporâneos e outra que aborda desde o início a pararte contemporânea;
- 2ª) Física de Partículas;
## 3ª) Relatividade.
A primeira frente (dualidade onda-a-partícula) foi desenvolvida desde o início do projeto, aplicada com várias turmas do Ensino Médio, já passou por diversas revisões e encontra -se em fase final de aperfeiçoamento; a segunda (física de partículas) já foi aplicada em turmas de duas escolas e esse ano vai ser aplicada praticamente por todos os professores envolvidos no projeto; a terceira frente está em fase de desenvolvimento por alguns integrantes do grupo e ainda não foi aplicada em nenhuma turma.
Tanto a primeira frente quanto a segunda já renderam materiais de pesquisa para apresentações em encontros de ciências e para dissertações de mestrado e foram ministradas como cursos para professores da rede pública do Estado de São Paulo e a parte de dualidade onda partícula também foi apresentada como mini curso no SNEF de 2005 no Rio de Janeiro.
Tópicos abordados em dualidade onda partícula: fenômenos elétricos e magnéticos, , campos (elétrico, magnético e gravitacional), interação eletricidade e magnetismo, fenômenos ondulatórios, ondas eletromagnéticas, espectroscopia da luz, modelo atômico de Bohr, quantização de energia, processos de emissão - - absorção da energia, efeito fototoelétrico, interferômetro de Mach-h-Zehnder, dualidade onda - partícula.
O projeto e pesquisa do grupo do LaPEF partiu de experiências realizadas no projeto de termodinâmica como uso de:
- ? Textos Históricos;
- ? Experiências de demonstração - - investigativas;
- ? Laboratório aberto;
- ? Questões e problemas abertos;
- ? Referências bibliográficas alternativas para sala de aula (texto de apoio);
- ? Vídeos;
- ? Softwares e internet.
A idéia no momento é trabalhar com uma seqüência de ensino referente a frente de Dualidade Onda -- Partícula.
## Um pouco sobre atividades investigativas:
No desenvolvimento de atividades práticas e experimentais o aluno também é parte atuante e importante no processo ensino - aprendizagem, devendo emitir opiniões, buscar soluções e ter condições inclusive, de questionar possíveis soluções apresentadas. Investigações mais recentes mostram que "o "os estudantes desenvolvem melhor sua compreensão conceitual e aprendem mais acerca da natureza das ciências quando participam em investigações científicas, em que haja suficiente oportunidade e apoio para reflexão" " (Hudson 1992).
Com essas atividades espera-se que os alunos tenham condições de construir seu conhecimento, conforme Carvalho (1995), pois a utilização de demonstrações investigativas e laboratório aberto, envolvem reflexões, relatos, discussões, ponderações e explicações, a partir de uma situação problema, que são características de uma investigação científica, pois "...deve-e-se voltar à trilha perdida que permitiu iu o progresso
da Física: primeiramente observar o fenômeno da natureza, depois procurar estabelecer as condições de laboratório para reproduzi-lo e a seguir verificar as relações de causa e efeito por meio da representação gráfica e somente então estabelececer sua expressão matemática" " (Arruda 1955).
Outro aspecto importante que cabe ressaltar aqui é o fato de não retratar o conhecimento científico através de uma visão positivista, fechada, onde tudo dá certo sempre e quando uma descoberta é feita a as conclusões obtidas não podem ser questionadas, isso esconderia que o conhecimento científico se dá por meio de uma construção, possui um aspecto dinâmico e aberto. Espero que as dificuldades encontradas na realização das atividades práticas contribuam m para demonstrar essa afirmação.
Experiências de demonstração investigativa:são demonstrações por que são feitas pelo professor e observadas pelos alunos, mas apresentam aspectos investigativos, pois não são usadas para ilustrar, mas sim para fazer o aluno refletir sobre o assunto, sobre o qual ele está vendo e buscar a explicação no modelo teórico.
Laboratório aberto: : é um laboratório onde o aluno participa ativamente em todas as etapas, desde a elaboração de hipóteses, até a elaboração o da conclusão, com a orientação do professor. O laboratório aberto é importante, pois coloca o aluno em contato com o trabalho científico. Ao final do trabalho, é produzido um relatório experimental, que é o conjunto de todas as etapas desenvolvidas em classe, com gráficos e equacionamentos de retas.
Sobre a seqüência a ser trabalhada: defini uma seqüência a ser trabalhada que envolve o curso de dualidade. A seqüência a ser trabalhada engloba uma parte sobre espectroscopia da luz e modelo atômico de Bohr, que vem logo depois de uma seqüência de aulas sobre o caráter ondulatório da luz. Essa é uma seqüência que segue um caminho mais histórico
As aulas a serem analisadas estão sendo gravadas em uma turma de 3º ano do Ensino Médio na EsEscola Estadual Joãoão Evangelista Costa situada na Avenida Cupecê nº 2672 em São Paulo - SP e são lecionadas pelo professor Josias Rogério Paiva que participa do projeto de transposição didática desde o início da proposta.
Ajudando na parte técnica de filmagem está o aluno de graduação do Instituto de Física da USP e aluno de iniciação científica Júlio César Gallio da Silva sob orientação da Professora Anna Maria Pessoa de Carvalho.
## Um pouco sobre a memetodologia:
Basicamente pretendo trabalhar r da seguinte forma:
- · análise e escolha de uma seqüência de atividades a ser estudada;
- · gravação das aulas (seqüência de aulas) com áudio e vídeo;
- · transcrição e análise das aulas;
Para tanto são necessários alguns cuidados básicos no planejamento e execução das gravações. A questão da disponibilidade de horários e compatibilidade dos mesmos, entre o pesquisador e o professor e a sala de aula que vai ser utilizada na tomada e análise de dados.
A questão de o pesquisador permanecer r o mais isento de participações e intervenções na aula também deve ser levada em conta. Muitas vezes a simples presença de filmadoras e equipamentos de áudio e vídeo podem inibir ou até mesmo alterar o comportamento regular dos alunos. Para evitar que isso ocorra, , ou u pelo menos minimizar a situação, , gravamos aulas as teste para que os alunos pudessem se acostumar com a presença dos pesquisadores.
As aulas teste tiveram como objetivo também, m, verificar possíveis falhas do equipamento ou no masueio dos mesmos por paparte dos pesquisadores e com certeza serviu para direcionar as próximas s gravações em termos de posicionamento de câcâmaras e dos microfones e até mesmo em termos de postura e posicionamento dos pesquisadores. Essas aulas serviram também para ajudar a contextualizar a pesquisa mostrando a parte imediatamente anterior àquelas que estarei analisando.
Nas nossas gravações estamos utilizando três câmaras onde duas delas ficam fixas em determinados grupos de alunos e uma terceira grava a participação do professor e sua interação com a sala de aula. As duas câmaras fixas nos dois grupos tem por objetivo principal analisar as interações que ocorrem entre integrantes do mesmo grupo e num segundo momento a interação com o restante da sala. Já a câmara que vai filmar o professor e a sala como um todo tem como objetivo principal captar as interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos.
A A idéia de utilizar câmaras em dois grupos distintos serve também para evitar eventuais problemas, como no no caso em que um dos equipamentos apresente algum tipo de falha ou o próprio pesquisador tenha algum tipo de dificuldade técnica prejudicando a qualidade dos filmes; além disso , , o fato de ter dois grupos filmados pode resultar em uma quantidade mais ampla de dados a serem analisados, embora isso possa levar a uma dificuldade maior na transcrição e até mesmo no foco da pesquisa.
Embora as imagens sejam muito importantes o áudio é o principal foco no momento para futuras transcrições e neste aspecto estamos utilizando microfones fixos nos dois grupos a serem analisados com receptores de forma que o som já saia digitalizado junto com o vídeo na própria câmara, já a fala do professor , , conseguimos captar muito bem utilizando apenanas o áudio da própria filmadora que está captando a interação entre o professor e sala.
A utilização dos microfones fixos nos grupos com receptores é uma vantagem assim o áudio é obtido em sincronia com a imagem da filmadora o que facilita a transcrição e a própria análise dos dados e a qualidade do som é superior, eliminando boa parte dos ruídos e captando de forma mais clara e definida a fala do grupo em questão, o, porém devemos ficar atentos; se o receptor ou o microfone apresentarem alguma falha o áudio da filmadora não estará funcionando e só teremos a imagem comprometendo a análise dos dados.
Após as filmagens o objetivo é digitalizar todos os filmes de forma a tornar mais fácil a análise dos dados e garantir que esses dados não venham a ser danificados. No nosso caso estamos utilizando três tipos diferentes de filmadora, portanto a digitalização contribuirá até para a uniformidade na hora da análise dos dados.
É É importante destacar aqui a importância de ficarmos atentos à utilização dos equipamentos pa ra não sermos surpreendidos de última hora, detalhes que podem parecer
sem muita importância podem atrapalhar totalmente a gravação; a seguir destaco algumas observações importantes que devem ser feitas sempre antes das filmagens:
- * verificar se existe alglguma bateria a ser recarregada ou se existe a necessidade de comprar novas baterias ,
- * verificar se existem fontes suficientes e se elas não apresentam nenhum tipo de problema,
- * o número de cabos e os tipos de cabos devem ser adequados aos equipamentos e a utilização de cabos reservas é uma medida para evitar imprevistos,
- * levar para filmagens sempre extensões extras, pois o local pode não contar com número de tomadas suficientes para todo o equipamento,
- * Mesmo durante a filmagem, ficar atento se os equipipamentos estão funcionando adequadamente, inclusive os receptores de áudio,
- * testar os equipamentos com algumas horas de antecedência para no caso de algum problema tentar solucioná -los com tempo adequado e de forma mais tranqüila,
- * No caso do áudio ser o mais importante, como neste trabalho, pode levar gravadores extras para evitar problemas e garantir o som mesmo que com qualidade inferior.
Uma outra dica importante par o pesquisador é levar sempre contigo um caderno de anotações para não perder nada de importante durante as aulas.
- O pesquisador também deve atentar para o local onde serão feitas as filmagens, no meu caso, algumas seqüências são o na própria sala de aula, outras no laboratório da escola e provavelmente algumas na sala de mimicros, , e o conhecimento prévio das condições das tomadas e da disponibilidade física do ambiente é de grande importância e para tanto a contribuição e apoio do professor será fundamental ao acesso dessas informações. . Qual a melhor posição para as câmeras, onde os grupos a serem filmados estarão, a melhor posição para câmara que vai filmar o professor, já que no caso do meu trabalho como somos dois filmando, uma das câmaras deverá ficar fixa, qual o tempo efetivo de aula, as atividades extras classe que podem interferir nessas aulas, são questionamentos que devem ser feitos com antecedência pelo pesquisador.
- O pesquisador deve ter em mente também que a sala de aula e a própria escola possuem um comportamento dinâmico e, embora necessários todos os cuidados citados, ele ainda pode encontrar situações inesperadas e terá de lidar com elas de forma racional buscando soluções que não comprometam seu trabalho de pesquisa.
## Considerações finais:
Assim que estiver com as aulas gravadas pretetendo fazer a análise das mesmas e iniciar o trabalho de transcrição. Pretendo analisar também algumas atividades escritas que os alunos estarão entregando ao professor, sejam elas realizadas em grupos ou individualmente. Outra decisão importante que devo tomar, e acredito que só será possível depois de assistir as gravações algumas vezes, é se a transcrição deve ser feita dividida em cenas, por aula, ou por momentos determinados de cada aula.
Conforme dito no problema, buscarei analisar a evolução o conceitual dos alunos dos conceitos falados em uma linguagem científica dentro de um processo de construção e não apenas de transmissão de conhecimentos científicos. Pretendo observar a fala individual, a fala coletiva, a fala do aluno dentro do grupo e para sala, se e quando ela ocorrer, e o processo de construção dessas falas, como e se ocorrem evoluções significativas num processo de construção da linguagem científica a e se as atividades propostas contribuem
para isso, ou seja, se as atividades de demonstrações, investigações propostas pelo projeto tem papel relevante nesse processo.
Destaco aqui que a metodologia utilizada é baseada num referencial teórico de abordagens qualitativas, através de estudo de caso durante uma seqüência didática de aululas de física e, por isso, a utilização de gravações de áududio e vídeo são tão importantes, pois podemos "ver o que não observamos em sala de aula" (Erickson 1982) .
Ainda a em relação à metodologia, após as primeiras análises tentarei realizar classificações e discutir as mesmas com pessoas ligadas a essa área e realizar a triangulação de dados.
Por fim devo destacar também a preocupação ética que torna necessária a autorização para filmagens e gravações, bem como a utilização das mesmas em pepesquisa. Solicitei autorização geral por parte da direção da escola e individualmente por parte dos alunos.
Provavelmente algumas coisa mudarão no decorrer da pesquisa, a, mas s em linhas gerais o que apresento aqui é o que venho trabalhando em meu projojeto.
## Bibliografia:
Carvalho, A.M.P.; Pérez, D.G. Formação de Professores de Ciências 2ª edição, Cortez Editora 1995.
Pietrocola, M.P. Projeto para melhoria do Ensino Público- o- Atualização dos Currículos de Física no Ensino Médio de Escolas Estaduais: A Transposição Didática das Teorias Modernas e Contemporâneas para Sala de Aula - 2003 - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e FAPESP.
PCN (2000) do Ensino Médio parte III, página 8.
Capecchi, M.C.V.de M. Aspectos da Cultura Científica em Atividades de Experimentação nas Aulas de Física - Tese de Doutorado - Universidade de São Paulo Faculdade de Educação - 2004.
Erickson, F. Audiovisual Records as a Primary Data Source - Sociological Methods & Research - Vol. II Nº 2. November 1982 páginas 212 a 233 1982 Sage Publications Inc.
Mortimer, E. F.; Scott Phil Atividades Discursivas nas Salas de Aula de Ciências: Uma Ferramenta Sociocultural para Analisar e Planejar o Ensino - Investigações em Ensino de Ciências 2003 - www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol7/n3/v7\_n3\_a7.htm
Carvalho, A.M.P. Uma Metodologia de Pesquisa para Estudar os Processos de Ensino e Aprendizagem em Salas de Aula - capítulo do livro Pesquisa em Ensino de Ciência s no Brasil e suas Metodologias - In: Flávia Maria Teixeira dos Santos; Ileana Maria Greca.(Org.) - Unijui - - RS - Editora Unijui da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2006, p 13 a 48.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.