OLIMPIADA BRASILEIRA DE FISICA: ANALISE PRELIMINAR DOS RESULTADOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Rosana B. Santiago, André Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 01/02/2007
- Linha de pesquisa
- Arte, Cultura E Educaçao Científica
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA: ANÁLISE PRELIMINAR DOS RESULTADOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
*Rosana B. Santiago e André Silva
Instituto de Física -UERJ Rua São Francisco Xavier 524, Maracanã 20559 -900 Rio de Janeiro, Brasil
## Resumo
Colégios públicos e privados do interior e da capital do estado do Rio de Janeiro participaram da Olimpíada Brasileira de Física (OBF) no ano de 2005. Buscamos elementos nas etapas e nos resultados da OBF-2005 do Estado do Rio de Janeiro, que nos auxilie a compreender, ao menos um pouco, o complexo panorama de Ensino de Física no Estado do RJ.
Palavra -chaves: colégios públicos e privados, Olimpíada Brasileira de Física, ENEM.
## Introdução
Desde a década de 1990 houve um aumento expressivo de jovens cursando o EM no Brasil, principalmente na rede de escolas públicas. Ao longo desses anos, políticas de incentivo a melhoria da qualidade de ensino foram implementadas, procurando levar quais práticas educativas e quais condições escolares contribuem para a promoção do aumento do desempenho médio dos alunos. Todos os esforços nesse sentido devem ser considerados, pois se trata de tarefa difícil de ser desvelada e efetivada, frente a dimensões continentais do nosso país somada a heterogeneidade das origens socioeconômicas e raciais dos estudantes. No que tange ao ensino de física, ações e programas tem sido desenvolvidos; um deles é a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) [1] que é um projeto criado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF).
A OBF tenta usar as competições intelectuais como veículos capazes de despertar e estimular o interesse pela Física; melhorar seu ensino, aproximar a universidade do EM e incentivar os estudantes a seguirem carreiras científico-o-tecnológicas e prepará-los para as Olimpíadas Internacionais de de Física (OIF) como forma de comparar, neste nível, nosso ensino com o de outros países.
No presente trabalho buscamos elementos nas etapas e nos resultados da OBF -2005 do Estado do Rio de Janeiro, que nos auxilie a compreender, ao menos um pouco, o complexo panorama de Ensino de Física no Estado do RJ. Cabe mencionar que esse trabalho não tem como objetivo questionar ou fazer críticas aos moldes de avaliação desse programa e sim fazer uso de seus resultados diretos e indiretos numa perspectiva de promover maior conhecimento de particularidades dos setores envolvidos no ensinoaprendizagem de física.
## Abordagem Teórica
Embora a OBF tenha por finalidade incentivar a melhoria do ensino de física e aumentar o empenho dos alunos nessa disciplina, alguns aspectos associados a avaliação do desempenho dos alunos e colégios nessa olimpíada devem ser analisados através de seus resultados parciais e final. Sendo assim, tomamos o referencial teórico do professor e pesquisador da PUC do RJ, Dr. Creso Franco, autor r de vários estudos [2] sobre o desempenho de alunos como o Saeb (exame do MEC que avalia a educação básica) e o Pisa (exame internacional que compara países), através do seu depoimento a Folha de São Paulo no dia 12/03/06 [3]:
"O que já se sabia pelo Saeb é que muito freqüentemente escolas públicas de cidades do interior são melhores que as públicas de capitais. No interior, o diretor e os professores muitas vezes são membros da comunidade à qual a escola serve e conhecem os pais e os alunos. Tudo isso favororece o ensino e a aprendizagem."
Creso Franco
## A pergunta de partida
Nossa pergunta inicial tem a seguinte forma: Que elementos podem ser encontrados nas fases da OBF -RJ de 2005 que nos auxilie a compreender, ao menos um pouco, o complexo panorama de Ensino de Física no Estado do RJ?
Apesar de reconhecermos a dificuldade do problema que queremos enfrentar, analisaremos os resultados parciais e finais desse programa procurando estabelecer elementos que nos propicie entender alguns aspectos relativos ao ensino-aprendizagem dos colégios e alunos que participaram da OBF no RJ.
## Abordagem Metodológica
Para respondermos à pergunta de partida analisamos os resultados encontrados nas três fases da OBF -RJ de 2005. Fizemos análise quanto ao número de alunos inscritos nas três fases comparados com os valores nacionais; quanto ao tipo de colégio (particular ou público) desses alunos; e quanto a localidade (capital ou interior) desses colégios. Alguns dados apresentados da OBF só foram possíveis de obtê-los por que um dos autores desse trabalho foi a coordenadora estadual do RJ no ano de 2005.
## Resultados da OBF -RJ
A OBF é realizada em três fases: a primeira fase é realizada na própria escola do estudante, nessa fase, pode participar todo estudante inscrito no EM. A segegunda e terceira fase são realizadas em locais determinados pelo coordenador estadual e participam os estudantes que atingirem um número mínimo de acertos na fase anterior. As provas e as notas de corte são elaboradas e definidas por uma comissão da SBF. As questões da primeira fase são objetivas e de múltipla escolha e são corrigidas pelo professor responsável pelo colégio participante. Na segunda e terceira fases as questões são discursivas e as provas são corrigidas pela comissão estadual e nacional, respectivamente. Os alunos das 1as e 2as séries, na terceira fase, também fazem prova experimental em laboratório. A divulgação da OBF é feita através de cartazes enviados diretamente para as escolas e também pelo seu site [1], onde também é possível encontrar as provas e os gabaritos de todos os anos.
No ano de 2005, colégios públicos e privados dos 27 estados do Brasil inscreveram quarenta e cinco mil seiscentos e vinte e seis (45.626) alunos para participar da OBF. O estado de SP foi o que teve maior número de alunos participantes (8.384), seguido pelos estados do Paraná, Minas Gerais, Amazonas, Góis, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio de Janeiro, entre outros.
A OBF no Rio de Janeiro contribuiu com um total de 1.366 (um mil trezentos e sessenta e seis) alunos das três séries do EM através de colégios de dezessete (17) cidades desse estado. As cidades do interior do estado que se inscreveram para participar foram: Angra dos Reis, Barra Mansa, Belford Roxo, Campos do Goytacazes, Duque de Caxias, Itaperuna, Macaé, Marica, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Resende, São Gonçalo, Seropédica, Teresópolis e Vassouras; e a capital do Rio de Janeiro.
A tabela 1 apresenta o número de alunos participantes nas três fases es da OBF no RJ e no Brasil. Ainda nessa tabela, pode-se observar, a participação destes alunos por série do EM.
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Tabela 1 - - Quantidade de alunos que participou da OBF-2005
## 1ª fase da OBF -RJ
A quantidade de colégios públicos e privados do RJ que participou da 1ª fase da OBF -RJ 2005 é apresentada na tabela 2, onde, estão descriminados os da Capital e os do Interior do Estado. Embora cada cidade do interior tenha suas particularidades no que tange ao ensino de física, nas tabelas que seguem, consideramos que os dados da capital devam ser confrontados com os do interior como um todo, em virtude, dessa ter números de colégios e alunos da ordem de grandeza de todas as cidades do interior juntas.
Tabela 2 - - Quantidade de colégios públicos e privados do RJ que participaram da 1ª fase da OBF.
Em termos percentuais, podemos observar que dentre os colégios participantes pertencentes a capital do RJ, 18% são públicos e 82% são privados. Enquanto que no interior do estado, 45% públicos e 55% são privados.
O gráfico 1 apresenta os resultados percentuais considerando-se todos colégios do Estado do RJ. Podemos observar que 34% dos colégios que se inscreveram para participar da OBF -RJ são públicos enquanto que 66% são privados.
Gráfico 1 -Porcentagens dos colégios do RJ na 1ª fase da OBF.
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## 2ª fase da OBF -RJ
Foram selecionados setecentos e quarenta e quatro (744) alunos para participar da 2ª fase da OBF de 11 cidades do interior e da capital. A tabela 3 apresenta a quantidade de colégios públicos e privados que participou dessa fase.
Tabela 3 - - Quantidade de colégios públicos e privados do RJ que participou da 2ª fase da OBF.
Na 2ª fase da OBF -RJ, 22% dos colégios selecionados na capital são públicos e 78% são privados. Enquanto que no interior do estado, 38% são públicos e 62% são privados. O gráfico 2 apresenta os resultados percentuais considerando-se todos colégios do Estado do RJ. Podemos observar que 31% dos colégios que se inscreveram para participar da OBF-RJ são públicos enquanto que 69% são privados.
Gráfico 2 - - Porcentagens dos colégios públicos e privados na 2ª fase da OBF 2005.
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## 3ª fase da OBF -RJ
Na 3ª fase o RJ contribuiu apenas com 64 alunos, entorno de 5% do número inicial de alunos inscritos. A distribuição por série desses alunos pode ser vista na tabela 1. Apenas as cidades do interior, Duque de Caxias, Niterói, Resende e São Gonçalo e a capital do RJ estavam presentes.
A tabela 4 mostra os números de colégios da capital e do interior tanto públicos, quanto privados que participaram da 3ª fase da OBF 2005 do Estado do RJ.
Tabela 4 - - Quantidade de colégios públicos e privados que participaram da 3ª fase da OBFRJ.
Em termos de percentuais, podemos observar que dentre os colégios participantes pertencentes a capital do RJ, 29% são públicos e 71% são privados. Enquanto que no interior do estado nenhum colégio público foi classificado para essa fase, de modo que 100% dos participantes são privados.
Considerando os colégios da capital com o interior do Estado do RJ, dentre os colégios participantes da 3ª fase da OBF 2005, 18% são públicos e 82% são privados, veja o gráfico 3.
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Gráfico 3 - - Porcentagens dos colégios públicos e privados na 3ª fase da OBF-RJ.
Os gráficos 4 e 5, a seguir, comparam o número de colégios públicos e privados da capital com os do interior nas três fases da OBF -RJ:
Gráfico 4 - - Compara o número de colégios públicos da capital com os do interior nas três fases da OBF -RJ
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Gráfico 5 - - Compara o número de colégios privados da capital com os do interior nas três fases da OBF -RJ.
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## Classificação final da OBF-RJ 2005
A tabela 5 apresenta os resultados finais da OBF-RJ e o total de medalhas distribuídas no Brasil.
Tabela 5 - número de medalhas distribuídas na OBF -2005
Certificados de Menção Honrosa a também foram designados aos alunos que conseguiram obter um bom desempenho na olimpíada, mas não o suficiente para ganhar uma medalha.
## Análise dos Resultados
Apesar do RJ ser o terceiro estado mais populoso do Brasil, com mais de quatorze milhões de habitantes, somente 87 colégios se inscreveram na OBF, contribuindo com apenas 3% do total de alunos partrticipantes, veja tabelas 1 e 2. A participação em número de alunos cariocas ficou bem atrás de outros estados com população bem aquém. Ainda na tabela 2 podemos observar que mais colégios do interior do que da capital se interessaram em fazer a OBF, contribuindo também com maior número de colégios públicos provenientes do interior estado do que da capital. De modo geral, no estado como um todo, mais colégios privados se interessaram em participar da OBF (1ª. Fase) do que os públicos, veja gráfico 1.
Entorno de 50% dos alunos conseguiram passar para a 2ª.fase. Pouco foi alterada a proporção entre colégios públicos e privados participantes no estado em relação a primeira fase (gráfico 1 e 2). Apenas 4,7% dos estudantes do RJ que fizeram a 1ª. fase chegaram a 3ª fase, o que equivale em termos nacionais a 8,1% de alunos participantes na última fase. Esse pode ser considerado um resultado razoável do desempenho dos alunos se levarmos em conta que o RJ ficou em 11º. lugar em número de alunos inscritos em relação aos dos outros estados.
Como pode ser visto no gráfico 3, na 3ª etapa o percentual entre colégios públicos participantes em todo estado é bem menor do que os privados.
O número de colégios públicos do interior nas 1 as e 2 as fases foram bem maiores do que os da capital, porém na 3ª fase nenhum colégio publico do interior permaneceu, veja gráfico 4. Uma explicação para essa evolução se dá se observarmos que os colégios públicos da capital inscritos na olimpíada, apesar de serem poucos, foram, os Pedro II e Cefet, que são colégios com uma infra-estrutura maior e cujos professores são em sua maioria professores doutores com contrato 40 horas.
A quantidade de colégios privados do interior e da capital decresce em número proporcional a medida que as fafases acontecem, o gráfico 5 mostra essa evolução. Sendo que o número de alunos que participaram da 3ª. fase foi muito maior dos colégios privados da capital do que os do interior, tabelas 3 e 4.
Através da tabela 5 podemos acompanhar os resultados finais da OBF. Em todo o estado do RJ a 1ª série conquistou duas medalhas de bronze, cujos alunos estudavam num colégio público (CEFET) da capital e o outro num particular da cidade de São Gonçalo (cidade muito próxima da capital). Entre todas as 2ª séries do EM, de todos os colégios do estado, apenas um aluno de um colégio particular (Instituto Abel), de Niterói, conseguiu
obter uma medalha de bronze. A 3ª série obteve duas (2) medalhas de ouro conquistadas por alunos provenientes do mesmo colégio particular da capital (Ponto de Ensino), sete (7) medalhas de prata foram obtidas por alunos de colégios particulares da capital (São Bento e Ponto de Ensino) e seis (6) medalhas de bronze foram conquistadas por alunos do mesmo colégio particular da capital (Ponto de Ensino). No RJ tiveram menções honrosas para as 2ª e 3ª séries. O colégio Ponto de Ensino obteve excelente resultado, porém cabe dizer que o número de alunos inscritos proveniente dessa instituição foi bem maior do que de qualquer outro colégio.
- O site da SBF não divulga a classificação final dos estados à nível de Brasil, entretanto, observa-se que o Estado de São Paulo foi o que recebeu mais medalhas, em segundo lugar empataram Minas Gerais e Ceará. O Rio de Janeiro adquiriu entorno de 6% das medalhas distribuídas nessa olimpíada.
## Considerações Finais
Após análise das etapas da OBF no Rio de Janeiro constamos que existe mais interesse dos colégios públicos e privados do interior em participar de projetos como esses do que os da capital. Os colégios públicos do interior mostraram-se mais interessados em incluir seus alunos do que os públicos da capital. Os poucos colégios públicos da capital que se inscreveram são colégios com trajetórias diferentes da grande maioria dos colégios públicos, esses es possuem boa infra-estrutura (laboratórios, computadores etc), professores doutores, e em alguns desses colégios há presença de projetos universitários sendo desenvolvidos conjuntamente. Infelizmente, nesse quadro de dados não foi possível verificar as considerações do nosso referencial teórico, pois não houve um número suficiente de escolas públicas "tradicionais" da capital participando da OBF-RJ para confrontarmos seus desempenhos com as do interior.
Outra questão que não conseguimos responder é por que os colégios públicos "tradicionais" da capital não se interessaram em participar da OBF? Nossa hipótese se dá em função dos professores que neles trabalham serem mais atarefados e provavelmente lecionem em mais de um estabelecimento, somado as distancias nas cidades grandes serem maiores.
De todo modo, assim como foi constatado no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) [4] fica claro o abismo que separa as escolas públicas "tradicionais" das privadas quando na última fase da OBF nenhuma delas participou.
A introdução da prova experimental na OBF para os alunos da 1ª. e 2ª. séries foi um grande avanço para qualificar o projeto, pois segundo as orientações dos PCN++ deve-se ter o compromisso de desenvolver competências e habilidades no EM como: observar, investigar, estimar ordem de grandeza, entre outras. Nesse ano o experimento foi sobre empuxo. De todo modo, os resultados da terceira fase apontam que poucos estudantes estão acostumados a trabalhar no laboratório e obter dados de seus experimentos.
Frente aos números iniciais de colégios e alunos do RJ participando da olimpíada, podemos dizer que o desempenho desse estado foi razoável, entretanto sabe-se que o RJ tem potencial muito maior de participação, e novas ações de divulgação devevem ser introduzidas no processo da OBF , como por exemplo: Palestras sobre temas atuais de pesquisa em colégios do EM. Para finalizar, inspirados nas análise dos resultados do Enem 2005 disponibilizados no site do Inep [4], acreditamos que seria interessante estender a análise feita nesse trabalho, para os outros estados que participaram da OBF-2005, na tentativa de gerarmos um m mapa nacional l .
## Bibliografia
- (1) http://www.sbf1.sbfisica.org.br/olimpíadas/
- (2) FRANCO, C; BONAMINO, A. . Iniciativas Recentes de avaliação da Qualidade da Educação no Brasil. In: Creso Franco. (Org.). Avaliação, Ciclos e Promoção na Educação. São Paulo, 2001, v. , p. 15-28.
- (3) http://www.folha.com.br/
- (4) http://www.inep.gov.br/basica/enem/desempenho/desempenho.phb
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.