Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Tecnologia da informaçao e formaçao de professores: O uso de vídeos e imagens

Duardo De Lima Corrêa, Eduardo Watanabe, Fabrício Fernandes Vaz, Paulo Henrique Acedo, Priscila Batalha De Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
01/02/2007
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2007

Texto completo

## TETECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES:

## OUSO DE VÍDEOS NÃO DIDÁTICOS

Eduardo de Lima Corrêa a (edu1905@gmail.com)m)

Eduardo Watanabe a (etw\_ifusp@yahoo.com.br)r)

Fabrício Fernandes Vaza za (f(fabriciovaz@terra.com.br)r)

Paulo Henrique Acedoa oa (pauloacedophph@gmail.com.br)

Priscila Batalha de Lima a (prity1@ig.com.br)r)

Cristiano Rodrigues de Mattos a (mattos@if.usp.br)

## RESUMO

Apesar do aumento vertiginoso na produção científica na área ensino de ciências na área de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) percebe-se uma crescente preocupação, no uso desses recursos, na formação de professores. O uso de filmes e imagens, como instrumento para explicitar idéiaias científicas, é um recurso que pouco tem sido considerado em função da crença generalizada de que não há espaço para este tipo de tecnologia na escola pública. Além de propor elementos para superação desta dificuldade, pretendemos contribuir para a formação continuada de professores de Física do ensino médio.

## INTRODUÇÃO

A utilização de vídeos didáticos é uma importante ferramenta que deve ser explorada pelo professor de física, especialmente porque hoje os equipamentos de vídeo assim como os computadores e DVD's estão muito mais acessíveis do que no passado. É nesse contexto que acreditamos que um computador pessoal pode ser usado o como instrumento para passar trechos selecionados de filmes que possam servir como elemento motivador nas aulas de física.

No o entanto, é preciso potencializar o poder motivador das atividades com vídeos utilizando-o-se de filmes produzidos pela indústria cinematográfica, que têm enorme aceitação por parte dos alunos.

A necessidade de atividades que atraiam a atenção do aluno é compartilhada por diversos professores que têm de lidar com o desânimo dos alunos frente às aulas de física. A falta de relação com o contexto do aluno e a dificuldade em visualizar as situações onde se aplicam os conceitos físicos são algumas das causas do dedesinteresse dos alunos pela física. Assim, o uso de vídeos não-didáticos pode ser uma boa ferramenta para ajudar a solucionar esta questão, além de ser uma ótima alternativa às tradicionais aulas com giz e lousa.

Nesta perspectiva apresentamos exemplos de utilização de cenas de filmes não-o-didáticos, neste caso, filmes voltados para o entretenimento, para o ensino de conceitos de física. Com isso pretendemos conquistar a atenção do aluno com algo que lhe seja interessante, e até mesmo familiar, e ao mesmo tempo apresentar uma física mais contextualizada com a realidade do aluno. Além disso, esperamos que ao longo das atividades seja despertado o senso crítico do estudante, de modo que ele possa identificar os conceitos físicos dos problemas com os quais ele se se depara no seu dia a dia.

Para explorar o uso desse recurso selecionamos algumas cenas de filmes bastante populares como "Procurando Nemo", "Desenho do Mickey", "X-X-man" e "Robôs", com o intuito de elaborar atividades que possibilitem a compreensão, por pa rte dos alunos, dos conceitos físicos envolvidos em cada cena.

Este trabalho vem sendo desenvolvido no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP), junto ao Espaço de Apoio, Pesquisa e Cooperação de Professores de Física (PROFIS) e apoiado pela Diretoria de Ensino do IFUSP e pelo Fundo de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo.

## OBJETIVOS

O principal objetivo do trabalho é produzir, divulgar e disponibilizar material didático inovador e de qualidade para o ensino de física. Esperamos, com este trabalho, apresentar mais um recurso para os professores do ensino médio que lidam com alunos desinteressados e que buscam uma alternativa ao ensino tradicional de física. Para isso, além de um material para o aluno, produzimos roteiros detalhados para o professor que queira aplicar a atividade, os os s quais contém uma proposta de trabalho dos conceitos a serem destacados no trecho do filme utilizado. Também são apresentadas todas as justificativas para a utilização dos recursos didáticos contidos no roteiro do aluno e dicas de como desenvolver a atividade em sala de aula. Estes materiais estarão disponíveis em DVD e também em uma página na internet.

Dentro da perspectiva apresentada para o projeto, também temos como objetivo a formação continuada de professores. Para isso serão oferecidos, futuramente, cursos e oficinas onde serão apresentados aos professores o material completo produzido pelo grupo e suas potencialidades de uso, assim como serão realizadas discussões mais amplas sobre o uso de novas tecnologias de comunicação e informação, com o objetivo de que o professor desenvolva autonomia na produção deste tipo de material didático. o.

Um outro aspecto deste projeto diz respeito aos objetivos do PROFIS. Organizar grupos de professores em formação (estudantes das licenciaturas) para o desenvolvimento de materiais de ensino permite e que tenhamos parâmetro das dificuldades de desenvolvimento e aplicação deste tipo de material nos diversos níveis de ensino. Desta forma se desenvolvlve, desde a graduação, habilidades de autonomia na construção deste tipo de material, assim como de autonomia na reflexão sobre como este tipo de material e o conteúdo de que trata, se encaixam nas propostas curriculares de física. Fica claro com este tipo de projeto que "professores em formação" são na verdade a primeira etapa da eterna formação continuada de professores.

## A seleção das cenas

O processo de seleção de cenas foi baseado no seguinte critério: cenas que explicitavam, de alguma forma (exagerada ou não), fenômenos físicos e ao mesmo tempo tenham algum atrativo, seja de humor ou de tensão. Neste trabalho apresentamos o processo de estruturação e desenvolvimento das atividades, nas quais foram m utilizadas cenas dos filmes Procurando Nemo , Desenho do Mickey , XX-M -Man n e Robôs .

As atividades desenvolvidas com animações apresentam ótimos resultados no sentido de despertar a curiosidade e o interesse dos alunos. Estes resultados, preliminares, fororam obtidos com a aplicação em sala de aula, das atividades desenvolvidas.

Nestas atividades forma selecionadas cenas cuja duração ficou compreendida entre um (01) e cinco (05) min. Temos, cada vez mais claro, que cenas com duração maior do que cinco minutos podem distrair o aluno e tirá -lo do objetivo principal da a atividade: identificar os conceitos de física veiculados. Por outro lado cenas com duração menor do que um minuto podem m tornar-r-se pouco atrativas para ele. Nesse sentido é importante utilizar cenas de filmes que sejam bem conhecidos pelos estudantes, pois geram uma expectativa nos alunos pela atividade que tornam o clima da aula mais favorável à observação dos fenômenos desejados.

## A elaboração de um roteiro

Para o desenvolvimento das nossas atividades foi de suma importância a construção de um roteiro de de questões para o aluno. A intenção em se construir um roteiro é de que o aluno seja orientado durante a atividade a observar os aspectos relevantes da cena, além de guiá-lo por raciocínios e construções que resultem no desenvolvimento do conceito físico abordado pela atividade atingindo, assim, seu objetivo.

Os roteiros que elaboramos contêm, além de questões teóricas, atividades experimentais que possibilitam que o aluno compreenda de forma mais concreta os conceitos que temos interesse em destacar na cenana.

Para que uma atividade dê resultado, não basta passar a cena do filme e, em seguida, explicar o fenômeno do ponto de vista da física. É necessário que sejam desenvolvidas atividades que permitam ao aluno identificar , , e posteriormente generalizar, r, , os cononceitos destacados na cena. Neste sentido, elaboramos os roteiros com uma seqüência na qual são apresentadas inicialmente questões sobre a cena, depois questões sobre o conceito físico presente na cena, questões contextualizadas e, finalmente, questões do cotidiano. Desta maneira, o aluno começa a observar o filme em diversos níveis de leitura, seja o lúdico, seja o conceitual, seja o axiomático, o que permite identificar, aos poucos, a física na cena proposta.

## Os elementos do roteiro

Os roteiros de atividades que produzimos apresentam algumas questões que orientam o aluno a observar os aspectos mais relevantes da cena e os ajudam a refletir sobre eles. Os roteiros foram iniciados por uma questão sobre o principal fenômeno presente na cena. Essa questão permimite chamar a atenção do aluno para o conceito físico que está por trás da cena, atitude que não está acostumado a ter. Com isto pretendemos despertar um olhar crítico do aluno sobre a cena proposta, de modo que utilize os conceitos que está aprendendo em sala de aula para compreender e interagir com o mundo a sua volta.

Em seguida são expostas algumas questões sobre detalhes na cena, que chamam atenção para os pontos importantes, com relação ao conceito estudado. Há, também, questões sobre o conceito, mas s que não estão diretamente ligadas à cena. Pretendemos, desta maneira, com a ajuda do professor, auxiliar o aluno para que vá descobrindo e construindo o conceito tendo bem ilustrada em sua mente a situação, por causa da cena, com a orientação das questões. É importante ressaltar que o o papel do professor é essencial em todas as etapas da atividade e , , é da interação do professor com os alunos que se dará grande parte do aprendizado. Além da interação com o professor o aluno também poderá aprender com os outros alunos. Por isso, no material produzido para os professores, estimulamos o trabalho em grupo para que os alunos possam discutir suas idéias e apresentar seus argumentos entre eles.

Ao final do roteiro apresentamos a mesma questão apresentada no início da atividade para que o aluno responda utilizando o que aprendeu durante a atividade. A questão versa sobre o principal fenômeno selecionado como foco da atividade. . Em seguida pedimos para que o aluno compare sua resposta inicial , a qual respondeu apepenas com seus conhecimentos prévios, com a resposta dada ao fim do roteiro. Este é um ótimo instrumento de avaliação, que permite que professor e estudantes façam uma análise comparativa e discutam quais modificações houve na compreensão do fenômeno físico o tratado.

## Questões contextualizadas e questões do cotidiano

Inserimos em nossos roteiros questões que utilizam os mesmos conceitos presentes na cena apresentada, mas em outras situações diferentes. Estas questões nós chamamos de questões contextualizadas. Com este tipo de questão pretendemos que o aluno construa as "pontes" entre o conceito, a cena, e os diferentes contextos onde a física pode ser aplicada.

- É importante que o aprendizado do aluno seja significativo para ele, por isso, procuramos acrescentar ao nosso roteiro questões que abordem temas do cotidiano, com a intenção de que ele perceba que o conceito físico que ele aprendeu é útil e se aplica em muitas situações que ele vivencia, mas que nem se dava conta de que estavam relacionados com a física.

## Atividades complementares

- O roteiro de questões é complementado pelas atividades experimentais. Os experimentos são importantes, pois permitem que os alunos vejam na prática os conceitos discutidos. Em geral, as atividades experimentais são as que os alunos mais lembram das aulas de física.

Em alguns casos a experiência tem um caráter demonstrativo em outros um caráter investigativo. A investigação é especialmente importante, porque permite que o aluno reflita sobre o problema e sugira respostas antes de comprovar experimentalmente.

## Exemplo de um roteiro :Roteiro sobre o filme "Procurando Nemo" o"

ORIENTAÇÕES GERAIS

## Público alvo

- O público ideal para esta atividade é o de alunos do 1º ano do ensino médio, embora esta atividade também possa ser aplicada em qua lquer outro momento do curso em que o professor queira falar de vetores.

## Pré -r -requisitos

Não é necessário que o aluno tenha desenvolvido qualquer conteúdo de física para que ele realize satisfatoriamente esta atividade.

## Assuntos abordados

Soma de vetorores (força resultante) e suas propriedades (módulo, direção e sentido).

## Tempo de duração

O tempo estimado para aplicar a atividade completa é de aproximadamente 100min.

- 1) Cerca de 50min para a parte desenvolvimento das questões sobre a cena .
- 2) Cerca de 20min para as partes questões contextualizadas s e questões do cotidiano .
- 3) Cerca de 30min para a parte atividades experimentais .

## Em que momento do curso pode ser aplicada

Vetores são normalmente trabalhados na parte de cinemática vetorial, assim, sugerimos quque esta atividade seja aplicada como introdução a este assunto, ou quando for iniciada a parte de dinâmica, juntamente com as leis de Newton. No entanto, acreditamos que também poderia ser aplicada em qualquer momento do curso.

Esta atividade também pode ser aplicada para testar os conceitos que os alunos aprenderam sobre vetores ao longo do curso, embora nosso objetivo seja a utilização do material para a construção do conceito de vetores.

## II. Desenvolvimento das questões sobre a cena

## 1) Apresentação da cena

A intenção ao passar a cena primeiramente e fazer a pergunta central logo depois é trabalhar o problema sem que o aluno esteja induzido a focar algo em especial no trecho. Uma outra idéia é a de perceber o grau de reflexão do aluno sobre o fenômeno principal apresentado na cena.

## 2) Questão central para discussão sobre o filme

Esta questão foi elaborada com o objetivo de fazer o aluno refletir sobre a cena a partir dos seus conhecimentos prévios. Portanto, todas as respostas devem ser consideradas.

## 1) O que ocorre na cena para que num determinado instante o guindaste estivesse puxando os peixes e num outro instante isso já não fosse possível?

Possíveis respostas: Os peixes se uniram; os peixes fizeram força para baixo; os peixes nadaram na mesma direção.

## 3) Apresentação das questões em azul (5 e,6,9 e 10) e reapresentação da cena

Quanto a este item, pretendemos que os alunos assistam a cena novamente voltando a atenção papara certos aspectos ou detalhes que serão trabalhados na atividade. Para isso as questões em azul l (5, 6, 9 e 10) devem ser apresentadas aos alunos logo antes de eles assistirem à cena novamente.

## 4) Desenvolvimento da parte teórica:

s Este item é o responsável por ajudar o aluno a construir uma resposta cientificamente correta para a questão central da cena. Para isto há várias questões que trabalham aspectos teóricos (conceitos) que serão necessários para que os alunos elaborem essa resposta.

Obs: O professor pode alterar o roteiriro de modo que ele fique adequado à sua turma.

- 2) Um peixe pequeno pode puxar uma pedra com uma força de 2 unidades enquanto que um peixe grande pode puxar essa pedra com uma força de 8 unidades. Qual seria a força que eles fariam na pedra se os dois peixes estivessem puxando-a ao mesmo tempo? Para onde a pedra iria? (experimento 1)

É possível que o aluno responda que a força dos dois juntos é de 10 ou de 6 unidades. No entanto, uma resposta completa seria aquela em que o aluno levasse em conta as inúmeras direções possíveis das forças em questão.

- 3) Para onde se moveria a pedra ilustrada abaixo se 2 peixes que aplicam a mesma força nela nadassem em sentidos opostos? (experimento 1)

<!-- image -->

A pedra não sai do lugar.

- 4) E agora, para onde se moveria a pedra? (experimento 1)

A pedra se move tanto para cima quanto para trás, o que resulta num m ovimento na direção intermediária entre as direções do deslocamento dos peixinhos.

<!-- image -->

Nas questões 2, 3 e 4 trabalhamos soma de vetores.

- 5) Como estavam posicionados os peixes na rede quando o guindaste estava conseguindo puxá-los? Desenhe a situação representando a força que cada peixe estava exercendo do sobre a rede com uma seta de mesmo tamanho.

Os peixinhos estavam nadando, cada um em uma direção diferente.

<!-- image -->

- 6) Como estavam m posicionados os peixes na rede quando o guindaste não estava mais conseguindo puxá-los? Desenhe a situação representando a força que cada peixe estava exercendo sobre a rede com uma seta de mesmo tamanho.

Os peixinhos estavam todos nadando na mesma direçeção, ou seja, para baixo.

<!-- image -->

Nas questões 5 e 6 a intenção é que o aluno represente a força que os peixes estão exercendo sobre a rede através de vetores, reparando na direção e sentido deles.

- 7) Quando os peixinhos estavam nadando em várias direções diferentes, a rede se movia do mar para o barco (para cima). Quando os peixinhos se alinharam, a rede passou a se mover na mesma direção, só que ao contrário, ou seja, do barco para o mar (para baixo). Você nota alguma diferença entre direção e sentido?

Neste caso, a direção pode ser representada por uma linha reta que vai do fundo do mar até o barco indicando o caminho entre o barco e o mar. Nesta linha reta há apenas dois sentidos possíveis: Ou a rede vai do mar para o barco ou vai do barco para o mar.

## 8) Para somar forças é importante saber a direção delas? E o sentido?

Sim, quando somamos forças, a direção em que elas estão sendo aplicadas faz toda a diferença. Na Na primeira situação, em que os peixinhos não conseguiam mover a rede, as forças que cada peixe estava exercendo sobre a rede, estavam sendo somadas, no entanto, seu resultado não fazia com que a rede se movesse. Já a situação seguinte, os mesmos peixes, aplicando forças com as mesmas intensidades que anteriormente, conseguiram fazer com que a rede se movesse, pois o resultado da soma das mesmas forças da situação inicial foi diferente devido á mudança na direção e sentido entre elas.

Nas questões 7 e 8 chamamos a atenção dos alunos para os conceitos de direção e sentido.

- 9) No primeiro o momento da cena, quando o guindaste estava conseguindo puxar a rede, qual força era maior, a força do guindaste ou a força resultante dos peixinhos na rede? Desenhe a situação representando com setas a direção e o sentido dessas forças, fazendo setas maiorores para forças maiores.

No primeiro momento a força do guindaste era maior do que a força resultante dos peixinhos na rede. (figura 5)

<!-- image -->

10) Faça o mesmo para o segundo momento, quando o guindaste não estava conseguindo puxar a rede.

No segundo momemento a força resultante dos peixinhos era maior que a força do guindaste. (figura 6)

<!-- image -->

Nas questões 9 e 10 deixamos os alunos a um passo de elaborar uma reresposta cientificamente correta para a questão central da cena, pois chamamos a atenção dos alunos para a soma da força do guindaste do barco com a força resultante dos peixes na rede, antes e depois do alinhamento dos peixes.

11) Qual resposta você daria agora para a questão central: o que ocorre na cena para que num determinado instante o guindaste estivesse puxando os peixes e num outro instante isso já não fosse possível?

Espera-se nesse momento que o aluno analise a cena do filme utilizando as idéias de força resultante e de soma vetorial. Uma possível resposta seria:

Os peixinhos conseguiram vencer a força do guindaste, pois a foforça resultante da soma das forças dos peixinhos ficou maior quando eles nadaram todos na mesma direção e sentido.

Na questão 11, esperamos que ue o aluno dê uma resposta para o problema utilizando os conceitos que foram trabalhados no decorrer da atividade.

12) Compare essa resposta com a que você deu na primeira questão?

Na questão 12 pedimos aos alunos que comparem suas respostas da décima primeira questão (contendo as idéias trabalhadas no roteiro) com a da questão central da cena (elaborada a partir de seus conceitos prévios), procurando semelhanças e diferenças entre elas.

## Questões contextualizadas

Estas questões servem para o professor analisar o quanto dos conceitos trabalhados no roteiro é utilizado corretamente pelos alunos em m suas respostas para questões em diferentes contextos.

1) Um garoto está parado na calçada comprando vários balões de hélio. Depois de uma certa quantidade de balões comprados o garoto começou a subir. Explique, utilizando o conceito de vetores, por quê o garoto começou a subir.

Quando a quantidade de balões é pequena o garoto não sobe, pois o resultado da soma das forças para cima não é suficiente para vencer a força do menino para baixo (peso). Conforme o número de balões aumenta a força resultante vai ficando cada vez maior, pois os balões exercem força na mesma direção e sentido, até ser capaz de vencer o peso do garoto.

- 2) Um barco estava parado no meio de um lago. Quatro pessoas com o mesmo porte físico foram ao lago com uma corda cada uma e tentaram puxar o barco conforme a configuração ao lado. Você acha que elas conseguiram? Explique. Como essas pessoas devem se posicionar para puxar o barco e resgatá -lo com maior facilidade? Explique.

Devem puxar todas na mesma direção e sentido para que a força resultante seja máxima.

## Questões do cotidiano

- 1) Júlio se esforça puxando a corrente de seu cachorro, Yupi, para não deixar que ele alcance o gatinho.

<!-- image -->

- a) Escolha dentre as opções abaixo o vetor que representa a força que Júlio faz em Yupi e o vetor que representa a força que Yupi faz em Júlio.

<!-- image -->

As alternativas corretas são II) e V), pois ambas atuam através da corda, portando na direção definida por ela e ilustrada na figura.

É possível que seu aluno assinale a alternativa III) como a força que Júlio aplica em Yupi, podendo indicar que ele entende que essa força está na direção indicada pelo braço de Júlio na figura. e IV). Isso indica que ele

- b) Você consegue identificar outras forças que agagem no cachorro? Se sim, quais das alternativas abaixo poderiam representá -las. Para cada força assinalada justifique quem a está exercendo.

I) II) III) IV)

V)

- 2) Sandra foi ao shopping assistir a um filme. Como a escada rolante que dava acesso ao andar de cima, onde se localizava o cinema, estava lotada, enquanto que a escada que descia estava vazia, ela resolveu subir por esta últimima, procurando chegar mais rápido ao cinema. As velocidades das duas escadas são, em módulo, iguais a 2 degraus por segundo. Supondo que Sandra suba 2 degraus a cada segundo e que as pessoas na escada lotada não estejam subindo nem descendo degraus, responda:
- a) Ilustre a situação.
- b) Sandra conseguirá chegar ao andar do cinema subindo por essa escada e com essa velocidade? Justifique.
- c) Qual será a velocidade de Sandra para uma pessoa que está parada e fora da escada?
- d) Qual será a velocidade de Sandra para uma pessoa que se encontra na escada ao lado.

<!-- image -->

- e) Qual deverá der a velocidade de Sandra para que ela chegue ao andar do cinema ao mesmo tempo em que uma pessoa que iniciou a subida junto com ela, porém na escala lotada.

DESAFIO: Onde precisa estar localizada uma pessoa para que veja Sandra subindo a escada com uma velocidade de 2 degraus por segundo?

## Parte experimental:

Nesse item são abordados experimentos sobre soma de vetores em várias direções e sentidos.

- -Materiais: isopor (10mm), bexigas nº 6,5, linha de costura, canudos e fita crepe.

Fig b Fig c

<!-- image -->

Fig a

- -Construção dos peixinhos:
- 1) Recorte o isopor num formato retangular de 10cm ' 20cm
- 2) Prenda um canudinho à bexiga, utilizando fita crepe, conforme a figura (a). Prenda da todo o pescoço da bexiga ao canudinho.
- 3) Prenda o canudinho ao isopor, utilizando fita crepe, deixando uns 2 cm do canudinho para fora da placa. (figura b)
- 4) Teste seu aparato (que chamaremos de peixinho): encha a bexiga, tape a extremidade do canudinho com o dedo, coloque o peixinho no chão e solte-o. Para realizar os experimentos abaixo é necessário que os peixinhos realizem um movimento retilíneo até percorrer aproximadamente um metro.
- 5) Monte mais dois peixinhos como este.
- 6) Corte dois pedaços da linha de costura de um metro de comprimento. Amarre a extremidade de uma delas a um peixinho de isopor e a outra a um pedacinho de isopor de 3 ' 3cm. Faça o mesmo com o outro peixinho utilizando a outra extremidade da linha. (figura c)

Sugestão: Realize os experimentos abaixo numa superfície mais lisa possível, para minimizar o atrito.

## Procedimento experimental

É importante ressaltar a influência do atrito dos "peixes" com o chão na realização dos experimentos.

<!-- image -->

<!-- image -->

- 1) Encha as bexigas (com a mesma quantidade de ar) e prenda o ar dentro delas tapando o canudinho. Coloque o conjunto no chão de acordo com a configuraçãção mostrada na figura abaixo. Para onde você acha que irá o bloquinho? Solte o canudinho e observe o que acontece.

<!-- image -->

- O bloquinho não sai do lugar se a força que os dois "peixinhos" aplicam no bloquinho for aproximadamente igual. Se o bloquinho se mover no mesmo sentido que um dos "peixinhos" significa que este peixinho tem uma força maior.

Nesta situação fica claro que forças de igual intensidade podem ter resultado nulo quando somadas, desde que estejam na mesma direção, mas em sentidos opostos. As forças envolvidas neste problema estão na mesma direção, mas em sentidos contrárários.

- 2) Faça o mesmo que no item 1, mas com a configuração ilustrada abaixo.

<!-- image -->

Se o ângulo for de 90°, espera -se que o bloquinho se mova numa direção que forma 45° com a direção do movimento dos "peixinhos". Se o ângulo da direção entre o movimento do bloquinho e uma das forças for menor que 45° significa que este "peixinho" (do menor ângulo) é mais forte que o outro.

## Neste caso as forças envolvidas estão em direções diferentes.

- 3) Faça o mesmo, que nas situações 1 e 2, com essas configurações:

<!-- image -->

<!-- image -->

<!-- image -->

- a) O bloquinho chega mais longe quando o ângulo entre os peixinhos é grande ou quando ele é pequeno?
- b) A partir do observado no experimento com os "peixinhos", você acha que o ângulo entre as forças é importante para calcula r a força resultante?

A intenção em se realizar o experimento 3 é mostrar que a força resultante, que neste caso está na mesma direção do movimento do bloquinho de isopor, depende do ângulo entre as forças que estão sendo somadas.

- 4) Descubra qual deve ser o ângulo entre os "peixinhos" para que o bloquinho chegue mais longe.

Nos experimentos abaixo abordaremos somas de vetores envolvendo 3 forças.

<!-- image -->

- 5) Repita o experimento que você realizou na situação 1, mas agora coloque 2 peixes para um lado e 1 para o outro, conforme ilustra a

Espera-a-se que a resultante das forças dos dois peixinhos quque estão no mesmo sentido será maior que a do peixinho que se move no sentido contrário. Se o movimento do bloquinho não for na direção do par de peixinhos, é provável que os peixinhos construídos não sejam iguais ou o atrito da superfície onde eles se encontram seja muito grande.

6) Coloque dois peixinhos para cima e um para frente. Antes de realizar o experimento, desenhe como

você espera que seja a direção do bloquinho e especifique se ela fica mais

figura abaixo. Para onde você espera que o bloquinho se mova? Realize o experimento e verifique sua hipótese.

<!-- image -->

próxima da direção dos dois peixinhos ou se fica mais próxima da direção

do peixinho solitário. Agora realize o experimento e confira sua resposta.

Espera-se que a direção do movimento do bloquinho fique mais próxima da

dirireção do par de peixinhos, uma vez que a resultante das forças nessa direção é maior.

O DESAFIO proposto abaixo exige uma análise quantitativa de soma de vetores.

DESAFIO: A partir do esquema apresentado na questão 4 podemos perceber que, se o ângulo entre as direções do par de peixinhos for aumentado, a força resultante entre eles irá diminuir até ficar igual a do peixinho solitário. Ache matematicamente esse ângulo, para o qual o bloquinho não sai do lugar, e verifique-o na prática.

Para que o bloquinho não saia do lugar, a resultante das forças que atuam nele deve ser nula (o que pode ser avaliado através da decomposição das 3 forças em dois eixos perpendiculares entre si). Isto só irá ocorrer se o ângulo entre as forças for o mesmo, ou seja: 360º ¸ ¸ 3 = 120º. Fig. Ao fazer a verificação experimental, pode-e-se perceber que o ângulo entre os peixinhos não precisa ser necessariamente 120º, pois existem fatores (atrito e diferença nos materiais) que tornam nosso experimento distante da situação ideal.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nossa expectativa é de que mais pesquisas e desenvolvimento o de materiais sejam feitos sobre este tema. A enorme quantidade de filmes disponíveis e que a indústria cinematográfica lança anualmente é um "prato cheio" para quem quer fazer um trabalho deste tipo.

Esperamos que as reflexões e sugestões aqui apresentadadas possam servir como motivadoras para que este tipo de atividade seja testada nos diversos níveis de ensino e que seja cada vez mais aprimorada .

## BIBLIOGRAFIA

FISCH S, M., YOTIVE, W., MCCANN, S.K., SCOTT, M. &amp; CHEN, L. Science in Saturday morning: Children's perceptions of science in educational and non-n-educational cartoons. J. Educ. Media 23, 1997. 157- 7- 67.

FLANNERY, M. C. Making science a laughing matter: Lightening up in the science class. Journal of College Science Teaching, 22, 1993. 239-241.

GONZÁLEZ -ESPADA, W.J. Integrating physical science and the graphic arts with scientifically accurate comic strips: Rationale, description, and implementation. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias Vol. 2 Nº 1 (2003)

KEOGH, B. &amp; NAYLOR, S. Teaching and learning in science using concept cartoons. Primary Sci. Rev . 51,1998. 14-4-6.

MATTHEW, J.A.D. Cartoons in science. Physics Education 26, 1991. 110-0-4.

PERALES -PALACIOS, F. J. &amp; VÍLCHEZ -GONZÁLEZ, J.M. Teaching physics by means of cartoons: a qualitative study y in secondary education. Physics Education 37(5), 2002. 400-406.

PERKINS, S. What's Wrong with This Picture? Educating via analyses of science in movies and TV. Science News Online, 166(16), 2004;

PROCURANDO NEMO. Direção: Andrew Stanton. Gênero: Animação. Origem: EUA. Estúdio: Pixar Animation Studios/Walt Disney Pictures, 2003. Distribuição: Buena Vista International / Walt Disney Pictures. Duração: 101 min.

ROBÔS. Direção: Carlos Saldanha, Chris Wedge. Gênero: Animação. Origem: EUA. Estúdio: 20th Century Fox, 2005. Distribuição: 20th Century Fox Film Corp. Duração: 90 min.

WHITTLE, C. Teaching science by television: the audience education history and the future. ERIC Report ED417079. 1997

WORNER C H &amp; ROMERO A Una manera diferente de enseñar física: física a y humor Enseñanza de las Ciencias, 16, 1998. 187-92.

X -MEN. Direção: Bryan Singer. Gênero: Ação. Origem: EUA. Estúdio: 20th Century Fox / Marvel Films,2000. Distribuição: 20th Century Fox. Tempo de Duração: 105 min.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.