Conquistando estudantes de Física através de uma Educaçao Afetiva
George Hirata
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 01/02/2007
- Linha de pesquisa
- Alfabetizaçao Científica E Tecnológica E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Conquistando estudantes de Física através de uma Educação Afetiva
George H. Hirata [ghirata@terra.com.br]
Colégio I. L. Peretz, IF – USP
## Resumo:
Este trabalho descreve um projeto pedagógico desenvolvido no Colégio I. L. Peretz, uma escola particular da cidade de São Paulo, graças ao incentivo e idealismo de sua diretora, doutora em Física, Gita Guinsburg. No início, o curso havia sido planejado para preparar estudantes, entre 14 e 17 anos, para participarem de olimpíadas e torneios de Física.
Entretanto, em virtude das características dos alunos inscritos, tivemos que mudar totalmente o foco do curso, com o intuito de criar um ambiente em que os estudantes ficassem satisfeitos com as estratégias de aprendizagem e também com o conhecimento físico.
## Palavras Chaves:
Alfabetização Científica, Divulgação Científica, Ensino de Física
## Abstract:
This work describes a pedagogical project developed at I.L. Peretz High School, a private school in São Paulo, supported by its principal, doctor in Physics, Gita Guinsburg. At the beginning, we designed a course to prepare students, aged 14 to 17, to face Physics matches and tournaments.
However, due to the characteristics of the enrolled students, we totally changed the focus of the course, aiming to create an an environment that the students were satisfied with the learning strategies and also with the physic knowledge.
## Introdução:
Os alunos deste colégio estudam todas as manhãs, mais duas tardes. Em geral, muitos freqüentam um curso de inglês em outras duas tardes. Desse modo, restou apenas a tarde de sexta -feira para realizarmos nosso curso. Infelizmente, outras atividades extras (curso de dança israelita, teatro e projeto "aprendendo com o cinema") oferecidas aos estudantes são realizadas nesse dia, e no mesmo horário, logo após o almoço. Desse modo, iniciamos o curso com apenas onze estudantes.
Curiosamente, alguns estudantes que não apresentavam um bom desempenho em Física, em termos de notas, começaram a participar do projeto, alguns por imposição familiar, outros por considerar que era uma chance para tentar aumentar suas notas.
Um curso que poderia beneficiar apenas os estudantes melhores adaptados ao sistema de avaliação tradicional através de notas numéricas, recebia a oportunidade de envolver também alunos com menor rendimento, mas com interesse e preocupação com seu desenvolvimento.
Após um semestre de curso, outros alunos começaram a participar do projeto, incentivados pelos próprios colegas participantes. Os alunos que iniciaram o curso por imposição dos pais, passaram a participar por vontade própria. Observamos uma melhoria no desempenho de alguns alunos que não tinham um desempenho tão bom. No início de outubro, contávamos com um grupo de 15 alunos.
## Qual foi o segredo do sucesso?
Acreditar r e confiar na curiosidade natural dos estudantes. Tentar surpreendê-los o tempo todo com temas relacionados com o seu dia a dia, que realmente fizessem sentido para eles, através de um ensino com ênfase na prática, iniciando com um formalismo matemático mais simples. Mas, os principais elementos foram, sem dúvida, ter autonomia para escolher o conteúdo e as estratégias a serem aplicadas no projeto e convidar os alunos a participarem das decisões dos rumos do curso, escolhendo temas e atividades a serem realizadas pelo grupo.
## As estratégias utilizadas:
Simplesmente aplicamos algumas das estratégias familiares aos professores de Física, porém da forma mais diversificada possível. Algumas funcionaram bem, atingindo seus objetivos, outras nem tanto. O importantnte é tentar e refletir após a aplicação. Começamos discutindo qual o significado da Física para cada estudante e a importância do conhecimento físico na vida de cada um e para a sociedade como um todo. Em seguida, debatemos sobre suas expectativas e sobre como deveria ser o curso.
Com o intuito de criar uma motivação permanente nos estudantes, utilizamos estratégias que acreditamos ter a possibilidade de criar laços afetivos entre o conhecimento físico e os estudantes.
## 1. Visitas a Institutos de Ciências, em especial aqueles que mantém um setor de divulgação do conhecimento Físico.
Uma das atividades mais esperadas pelo grupo são as visitas aos institutos de Ciências, onde os estudantes podem vivenciar o mundo científico, conhecer jovens que trabalham de alguma forma com a ciência, aprender a Física de uma maneira mais prática e autônoma, além de terem uma ótima oportunidade para estabelecer melhores relações com os colegas e o próprio professor. Durante o primeiro semestre, participamos do show da Física no Instituto de Física da Universidade de São Paulo e visitamos a Estação Ciência. Programamos um retorno à Estação Ciência, especificamente ao setor de experimentos de Física, no segundo semestre, além de uma atividade no Planetário.
## 2. Resolução de diferentes tipos de problemas.
Parte das aulas foi dedicada à resolução de diversos tipos de problemas, que demandam raciocínio lógico e conhecimentos e habilidades em Matemática e Física. A experiência mostrou um melhor aproveitamento quando trabalhamos uma quantidade menor de problemas, mas com uma análise mais aprofundada, discutindo diferentes possibilidades de resolução e tentando encontrar o melhor caminho. Quando colocamos os problemas como desafios a serem superados ocorreu uma mobilização dos alunos na tentativa de solucioná -los.
- 3. Procuramos trabalhar experimentos simples que poderiam ser repetidos em casa. Estamos organizando o nosso próprio Show de Física, que será apresentado em novembro para alunos do Ensino Fundamental e para a comunidade que compõe a escola, durante um evento anual de divulgação dos trabalhos realizados ao longo do ano.
Escolhemos experimentos que foram considerados motivadores para que os estudantes do Ensino Fundamental e outros integrantes da comunidade escolar pudessem adquirir uma melhor compreensão de fenômenos do cotidiano, entendendo a importância do conhecimento físico em nossas vidas. Os próprios alunos estão encarregados de elaborar o roteiro de apresentações do show, bem como de preparar os experimentos a serem demonstrados com a participação do público. A maior parte dos experimentos podem ser encontrados detalhados na própria internet.
## 4. Análise de textos, páginas da internet e filmes de divulgação científica ou qualquer outra fonte de informação que contribua para a conscientização da importância do conhecimento Físico.
Organizamos discussões e análises sobre diferentes temas, escolhidos pelos alunos ou sugeridos pelo professor, baseadas em textos, imagens, figuras de revistas, jornais ou páginas da internet. Também analisamos filmes de aventura ou drama sob o olhar científico de um Físico. Exemplos de filmes: "O Óleo de Lorenzo", "Impacto Profundo" e "O Céu de Outubro".
- 5. Desenvolvimento de projetos: construção de uma página na internet para divulgação dos trabalhos do grupo, elaboração de vídeos com conteúdos de Física, construção de artefatos em que os conteúdos da Física são facilmente observados.
Tirando vantagem da familiaridade, interesse e conhecimento dos próprios estudantes em trabalhar com a internet, câmeras digitais, filmadoras, programas de manipulação de
dados e imagens etc, criamos grupos de trabalho para desenvolver projetos de pesquisa e disseminação do conhecimento Físico. Construímos vídeos sobre as Leis de Newton e sobre Instrumentos Ópticos que serão disponibilizados como domínio público na página da internet que está sendo construída. Até o final do ano, pretendemos encerrar o projeto de estudo das catapultas com a construção de catapultas e um torneio entre elas.
## 6. História e Filosofia da Ciência.
Procuramos analisar o desenvolvimento do conhecimento científico através da História da Física, baseada na discussão e análise de temas polêmicos como o desenvolvimento tecnológico em épocas de guerras, a alternância de paradigmas ao longo do tempo, a substituição do trabalho humano pela tecnologia, a importância do conhecimento Físico para promover uma melhora na qualidade de vida da sociedade, a análise dos impactos causados pela criação de novas tecnologias etc.
## 7. Pesquisa e estudos de temas atuais da Física (Física moderna e contemporânea) através de entrevistas e palestras com Físicos das Universidades.
Conversando com Físicos pesquisadores ou mesmo convidando especialistas para palestras, mesas de discussões ou mini-i-cursos, procuramos apresentar ao grupo de alunos temas que não são usualmente trabalhados no Ensino Médio, mas que se encontram presentes no dia a dia dos estudantes, como os diversos aspectos da radiação, desde o uso do celular, lasers, detectores de radioatividade, utilização de tecnologias na medicina até uma discussão mais aprofundada sobre o Projeto Manhattan.
## Resultados e Avaliação do Projeto:
Após o primeiro semestre do projeto, fizemos um levantamento sobre o nível de satisfação, tanto dos alunos, como dos pais dos alunos, em relação às estratégias que estavam sendo desenvolvidas. Abaixo, apresentamos partes de algumas das avaliações dos alunos, que consideramos relevantes e que contribuem para manter a motivação do projeto. É importante ressaltar que cada aluno escreveu sua avaliação de forma independente, sem trocar idéias com os colegas e não ficaram sabendo do conteúdo das avaliações dos colegas.
## Aluna: Amanda Zveibil (1 a . Série do EM)
No começo do ano, eu vim porque minha mãe me obrigou. Depois, quando eu já estava adorando participar, minha mãe me disse que não daria mais para eu continuar pois não tinha como ela vir me buscar na sexta -feira à tarde.
Eu acabei brigando com ela, mas a convenci que era importante para mim continuar no Jovens Físicos. Hoje ela me apóia totalmente e ficou muito feliz quando assistiu o Show de Física que montamos e viu que eu estava feliz e aprendendo muitas coisas. Ela me disse que sempre odiou a Física, mas que depois do show começou a entender algumas coisisas.
## Aluno: Alan Chusid (1 a . Série do EM)
Comecei a participar do Jovens Físicos somente em agosto, mas estou gostando muito. Acho que finalmente estou aprendendo Física. Quero continuar participando do projeto no ano que vem para conhecer outros lugares onde a Física é importante. Gosto de me sentir bem quando estou no Jovens Físicos. Os Jovens Físicos são muito respeitados.
## Aluno: Allan Pio (1 a . Série do EM)
Eu queria que em todas as aulas fizéssemos experimentos. O show de Física que montamos na escola foi muito elogiado pelas famílias, pois muitos adultos aprenderam muito conosco.
Todos nós aprendemos muito com o Show de Física e os conteúdos que foram abordados jamais serão esquecidos.
## Aluno: André Bain (1 a . Série do EM)
(Medalha de ouro na Olimpíaíada Tecnisa de Matemática em 2005 e 2006)
Sempre gostei de matemática e tive facilidade. Acho que também tenho facilidade para entender a Física.
Gostei muito do mini -curso de Física Moderna, apesar de ter considerado bem difícil para alunos do primeiro anano. É muito bom entender os fenômenos e ver que eles têm tudo a ver com o nosso dia a dia. É bom perceber que o conhecimento físico é muito útil para tomarmos decisões, principalmente em relação à saúde.
## Aluno: Ariel Pesso (1 a . Série do EM)
(Medalha de prata na Olimpíada Internacional em Israel sobre os Livros Sagrados do Judaísmo, medalha de bronze na Olimpíada Tecnisa de Matemática 2006)
Eu gosto muito de experimentos e de desafios e acho que é isso que me faz gostar tanto do Projeto Jovens Físicos. FoFoi muito bom sair para as visitas à Universidade de São Paulo (Show de Física) e para a Estação Ciência. Também aprendi muito no Hopi Hari e na elaboração do nosso Show de Física.
## Aluno: Bruno Cebukin (1 a . Série do EM)
Não pude participar muito dos Jovens Físicos, mas estou gostando muito das aulas de Física Moderna.
Foi uma pena não poder participar da apresentação do Show de Física, pois eu estava apresentando um Show Musical no mesmo horário.
Acho que vou participar mais do Jovens Físicos no ano que vevem.
## Aluno: Daniel Bezborodco (2 a . Série do EM)
(Medalha de prata na Olimpíada Tecnisa de Física em 2006)
Eu gosto de Física e acho importante pensarmos em soluções para os problemas da humanidade como conservar a água, gerar energia, proteger o meio-ambiente, evitar as poluições, desenvolver produtos tecnológicos que tragam benefícios na área de saúde, no trabalho e no lazer. Acho que foi muito bom criar o projeto Jovens Físicos, onde não precisamos ficar pensando somente nos vestibulares, mas podemos pensar em coisas bem mais importantes. Estou aprendendo bastante e isso me deixa muito satisfeito.
## Aluno: Danny Jozsef (1 a . Série do EM)
(Medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Informática de 2005)
Gostei muito da idéia de criarmos uma página educacional para participarmos de um concurso internacional. Acho que podemos e devemos tentar contribuir para a divulgação dos conhecimentos físicos, mostrando a importância deles para a melhoria das condições sociais e das relações humanas.
## Aluno: David Nissimoff (2 a . série EM)
(Medalha de prata nas olimpíadas paulista e brasileira de Física em 2005, representou o Brasil na Olimpíada Internacional de Física de 2006, realizada em Julho, no Canadá, medalha de ouro na Olimpíada Tecnisa de Física 2005 e 2006, medalha de prata na Olimpíada Paulista de Matemática 2006).
Eu na verdade esperava muito mais do Jovens Físicos. Achava que ia aprender a resolver exercícios bem difíceis e que ia estudar conteúdos mais avançados. Achava que ficaríamos resolvendo exercícios em todas as aulas. Muitas coisas que aprendemos, eu
já tinha estudado para ir ao Canadá. Também aprendi muita Física Moderna no Canadá.
Mas, acho que vale a intenção pois a maior parte dos participantes está gostando muito.
## Aluna: Fernanda Markus (1 a . Série do EM)
A coisa que eu mais gosto no Jovens Físicos é poder trabalhar em equipe e ter a orientação de um professor como se ele fosse um pai querendo ensinar coisas boas aos filhos.
Também é muito bom estar com pessoas de quem gostamos e fazer coisas agrgradáveis, que nos fazem sentir valorizadas.
## Aluna: Isabela Rotstein (1 a . Série do EM)
Eu gosto muito do ambiente do Jovens Físicos, pois dele participam apenas pessoas que realmente estão interessadas em aprender. Mesmo as pessoas que têm dificuldade para entender, estão se esforçando muito para acompanhar o ritmo da turma.
Mesmo não entendendo direito o mini -curso de Física Moderna, a maioria esteve presente em todas as aulas. Isso mostra que a vontade de aprender é muito grande.
## Aluno: Joseph Largman (1 a . Série do EM)
É muito difícil para mim ficar na escola na sexta -feira depois da aula porque tenho compromissos particulares. Mas eu gostaria muito de ser um Jovem Físico. As poucas aulas que pude ficar foram muito importantes para mim. Mesmo não podendo ficar, eu gostaria muito de participar dos passeios e também queria fazer alguma apresentação no próximo Show de Física.
## Aluna: Júlia Steinbruch(2 a . Série do EM)
É uma pena que eu tenha o teatro também no mesmo horário do Jovens Físicos e tenha que chegar atrasada. Mas, mesmo assim, acho que aprendi muitas coisas. Vou tentar
participar mais no ano que vem. Pelo menos dos passeios eu tenho certeza que vou participar.
## Aluna: Raquel Bezborodco (1 a . Série do EM)
É uma pena que vou fazer intercâmbio no segundo semestre e não vou poder continuar participando do Jovens Físicos.
Gostei muito dos passeios e dos desafios que resolvemos. Os experimentos também foram muito emocionantes.
## Aluno: Renato Zitron(1 a . Série do EM)
Todas as vezes que eu consegui paparticipar do Jovens Físicos, aprendi muitas coisas. Mesmo quando faltei, tentei resolver os desafios que foram passados e tentei repetir
alguns dos experimentos.
Até a minha irmã, que não participa do projeto, está aprendendo muitas coisas de Física em casa comigo.
## Aluna: Sarah Iszbick (3 a . Série do EM)
Por causa do vestibular, não pude participar do Jovens Físicos o tempo todo. Mas, acho que aprendi muita coisa no mini-i-curso de Física Moderna.
As coisas que vimos serão úteis pois na Faculdade de Medicinina precisamos saber de raio X, ultrassom, tomografia e todas as conseqüências da aplicação dessas radiações.
## Aluno: Sérgio Tempel (2 a . Série do EM)
Eu fui ao Show de Física na USP, mas não pude ir à Estação Ciência. Estou arrependido porque meus amigos disseram que foi muito legal e que vale a pena. Vou tentar ir com a minha família. Acho que todos vão gostar.
Eu quero ir ao Planetário, ao Tecnorama, ao Observatório Astronômico, todos os lugares que os Jovens Físicos irão. O pessoal está aprendendo muitas coisas interessantes e acho que não posso perder essas oportunidades.
## Aluna: Simone Keiner (1 a . Série do EM)
Eu comecei a participar do Jovens Físicos somente no segundo semestre, mas já aprendi muitas coisas. Achei muito difícil o miniicurso de Física Moderna, mas não faltei em nenhuma das aulas.
Gostei muito de ajudar a organizar e apresentar o Show de Física. Acho que agora entendi muito bem muitas das explicações que tinha estudado nas aulas normais da escola.
## Professor: George Hirata (coordenador do projeto)
Recebemos diversos elogios, tanto de pais como de alunos que não fazem parte do projeto e dos professores das outras áreas da escola após a apresentação do Show de Física em um dia em que todos os alunos apresentam os resultados de seus trabalhlhos em projetos desenvolvidos ao longo do ano.
Nossa diretora também recebeu muitos elogios pela iniciativa e está muito feliz com o nosso projeto. Ela espera que possamos nos aperfeiçoar ainda mais, sofisticando os experimentos, prometendo que no ano que ue vem faremos o show em um local bem mais amplo, para que mais alunos e familiares possam conhecer a Física.
Ela gostou muito da iniciativa de montarmos o show, de termos realizado passeios que realmente contribuíram para o crescimento do conhecimento dos alunos e de termos trazido colegas do Instituto de Física para aplicar um mini-curso de Física Moderna para os alunos participantes do Projeto.
Já agendamos para o ano que vem uma palestra com uma professora do Instituto de Física sobre energia nuclear, especialmente sobre o Projeto Manhattan. Para isso, já estamos planejando assistir filmes e documentários sobre o projeto, fazer pesquisas
sobre o tema, entrevistar especialistas e organizar debates sobre os temas relacionados com a energia nuclear.
Também daremos ênfase ao estudo da Astronomia, tendo planejado uma visita ao Planetário e uma noite de observação do céu noturno.
Estamos lidando com os sentimentos dos alunos. O deslumbramento por conhecer novos assuntos, temas considerados difíceis de serem compreendidos por pessoas comuns, tem se mostrado um fator de motivação importante para manter o interesse dos alunos pela participação no projeto.
Saber ouvir a opinião de cada participante, consultando-os sobre todas as decisões, solicitando avaliações sobre tudo que fazemos, preocupando-se com o bem-m-estar de cada um, tem surtido um efeito muito positivo, o que considero como sendo uma educação afetiva.
Existe hoje uma relação afetiva entre os membros do projeto. Existe o sentimento de pertencer a uma eqequipe respeitada por todos na escola. E, o principal é que existe uma relação de profunda confiança entre os alunos e o professor, a tal ponto de muitos considerarem que realmente o conhecimento físico é fundamental para a vida de cada um.
Por tudo que foi exposto considero que o projeto está sendo bem sucedido.
## Conclusão:
Este é um projeto que se encontra em pleno desenvolvimento. Há muito ainda a ser testado e desenvolvido.
O que ficou evidente pela experiência do primeiro semestre é que, ququando ocorre um investimento na qualidade das relações humanas, quando o respeito entre as pessoas é valorizado, quando a opinião de cada um é levada em conta na hora de decidir os rumos do projeto, percebemos que os estudantes mantêm o interesse em permanenecer no grupo. Para conseguir esse intento é fundamental utilizarmos estratégias que proporcionem oportunidades de se trabalhar em grupos com grande autonomia, realizando discussões conscientes, voltadas para um objetivo comum. Também foram bastante eficientes as visitas aos centros de divulgação científica.
Nós, professores, precisamos acreditar no potencial dos estudantes. Aqueles alunos que apresentam desempenho inferior em termos de notas, mas que demonstram interesse em participar e se esforçam para enentender, precisam ser constantemente estimulados para vencerem suas dificuldades. Já observamos muitos casos de estudantes repetentes que se tornaram excelentes alunos quando estimulados de forma adequada. Estudantes que não apresentam grande desempenho nanas provas, torneios e olimpíadas podem apresentar um excelente desempenho em pesquisas, atividades práticas e competições que exigem outras habilidades cognitivas e intelectuais.
O sucesso deste projeto está diretamente relacionado com a possibilidade de participar do processo de decisão, tanto por parte dos alunos, como pelo professor que os conduz. A escolha dos conteúdos e das estratégias deve ser feita com a participação de todo o grupo. As escolas que promovem projetos que valorizam a autonomia dos participantes têm maiores chances de serem bem sucedidas.
Depois de um semestre de trabalho, concordo com diversos autores (Snyders, 1988; Piassi, 1995; Menezes, 2000) que defendem a idéia da necessidade de trabalharmos um currículo mais moderno nas escolalas, onde a alegria dos estudantes seja um dos objetivos
a serem conquistados através do desenvolvimento de habilidades e competências que tornem o estudante capaz de atuar sobre a sua realidade.
Eu estou convicto de que este tipo de projeto possa ser adotatado por outras escolas como uma alternativa para conquistar mais estudantes que contribuam efetivamente para o desenvolvimento da Física. Resta ainda a necessidade de refletirmos de que maneira podemos aplicar as idéias deste projeto de forma bem sucedida nas aulas regulares, enfrentando as limitações impostas pelo atual sistema educacional tradicional.
## Agradecimentos:
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos os estudantes que contribuíram para o sucesso deste trabalho, participando efetivamente dos nossos encontros, enviando sugestões, ou mesmo, participando eventualmente de algumas atividades.
Sou muito grato ao professor Maurício Pietrocola da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, orientador da minha monografia de final de curso, que tem sido a minha fonte primordial de inspiração.
Também preciso agradecer a professora Gita Guinsburg, diretora geral do colégio I. L. Peretz, local onde estou trabalhando e desenvolvendo este projeto, por acreditar e "apostar" no meu trabalho.
Agradeço também aos professores Eraldo Rizzo de Oliveira e Maria Regina Kawamura, ambos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, pelo apoio e incentivo à minha dedicação ao Ensino de Física.
Finalmente, agradeço à minha família e a meus amigos, que pacientemente aceitaram a minha decisão de "abandoná -los" temporariamente para me dedicar ao aprimoramento deste trabalho.
## Referência Bibliográfica:
Freire, P. (1995) "A Pedagogia do Oprimido". 23. ed. Ed. Paz e Terra.
Feynman, R. P. (2005) "Física em 12 Lições". Trad. Ivo Korytowski, 1a. reimpressão, Ediouro, RJ.
Gaspar, A. (1993) "Museus e centros de ciências: conceituação e proposta de um referencial teórico" Tese de doutorado, Faculdade de Educação da USP.
GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino no de Física) (1991) "Física", Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.
Menezes, L. C. (2000) "Projeto pedagógico: mudar o quê, mudar porque?" Acesso Revista de Educação e Informática, São Paulo, v. 14, p. 29-34.
Piassi, L. P. C. (1995) "Que fífísica ensinar no segundo grau: elementos para uma reelaboração do conteúdo". Dissertação de mestrado, Instituto de Física e Faculdade de Educação da USP.
Pietrocola, M. (2005) "Ensino de Física: Conteúdo, metodologia e epistemologia em uma concepção integradora", organizado por Maurício Pietrocola, 2a. ed. rev. - Florianópolis: Ed. da UFSC.
Pozo, J. I. et al. (1998) "A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender". Tradução: Beatriz Affonso Neves - - Porto Alegre: ArtMed.
Snyders , G. (1988) "A "A Alegria na Escola", ", São Paulo, Ed. Manole Ltda.
Zanetic, J. (1989) "Física também é Cultura", tese de doutoramento, Faculdade de Educação da USP.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.