Uma Discussao sobre Lançamento de Projéteis nos Livros de Física do Ensino Médio
Robson De Sousa Nascimento, Rodrigo Ronelli Duarte De Andrade
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 01/02/2007
- Linha de pesquisa
- Formaçao Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UMUMA D DISCUSSÃO SOBRE LANÇAMENTO DE P PROJÉTEIS NOS LIVROS DE F FÍSICA DO ENSINO M MÉDIO
Robson de Sousa Nascimento a (robnascimento2003@yahoo.com.br) Rodrigo Ronelli Duarte de Andrade b (rodrigo\_ronelli@yahoo.com.br)
a Universidade Federal do Piauí - UFPI b Escola Agrotécnica Federal de Araguatins - EAFA - TO
## RESUMO
O livro didático é um instrumento de auxílio do professor em aulas de qualquer nível. Comumente utilizados pelos professores do Ensino Médio, estes instrumentos didáticos facilitam a maneira com que os conteúdos programáticos são transmitidos, possibilitando uma forma mais clara e, acima de tudo, ilustrativa. Mas para tanto, é preciso que estes tenham seus conteúdos abordados de forma clara, objetiva e, acima de tudo, correta. Entretanto a relação professor-aluno-livro didático vem sofrendo algumas alterações no decorrer dos anos devido o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Esse programa que abrange o ensino fundamental e que, agora, está começando de forma bastante discreta a ser implantado no ensino médio exige alguns critérios . Entre esses critérios podemos citar aqueles que exigem m que os livros obedeçam aos parâmetros curriculares nacionais. Contudo, sabe-se que alguns livros trazem alguns erros quanto às abordagens históricas, seqüência de contnteúdos e, o mais grave, conceituais. Essa preocupação aumenta diante da constatação de que, ainda, muitos dos professores que atuam no ensino médio na disciplina de física, não são graduados, e a outra porcentagem pertence a áreas diversas, restando um pequeno grupo de professores realmente formados em física. Isto, de certa forma, reflete o cenário nacional, onde a parceria livro didático-professor atravessa um momento de encontros e desencontros, uma vez que ambos estão em fase de transição, buscando uma identidade que revele as transformações teóricas e políticas ocorridas no panorama nacional. Nesse a rtigo é feita uma abordagem sobre o lançamento de projéteis nos livros de Física do Ensino Médio, em particular, o lançamento horizontal de projéteis; visto que os livros de ensino médio abordam, separadamente, lançamento horizontal e lançamento oblíquo. É dada uma ênfase no cálculo da altura y, onde serão discutidas as diferentes abordagens dos livros estudados. Também são mostradas as possíveis problemáticas que equações utilizadas sem os devidos conceitos podem acarretar aos alunos.
PAPALAVRAS -CHAVES: lançamento de projéteis, livro didático.
## 1. ININTRODUÇÃO
O livro didático é um instrumento de auxílio do professor no preparo e execução de suas aulas, comumente utilizados pelos professores do Ensino Médio, para que, dessa forma, possam transmitir os conteúdos programáticos de forma mais clara e, acima de tudo, estarem aptos aos questionamentos de seus alunos. Entretanto a relação professor-r-aluno-livro didático vem sofrendo algumas alterações no decorrer dos anos devido o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Esse programa, que abrange o ensino fundamental e que, agora, está começando de forma bastante discreta a ser implantado no ensino médio exige alguns critérios, entre esses critérios podemos citar o de exigir que os livros obedeçam aos parâmetros curriculares nacionais. Contudo, sabe-se que
alguns livros trazem alguns erros quanto às abordagens históricas, seqüência de conteúdos e o mais grave, conceituais.
Sabe -se que não é apenas o livro didático o responsável pela motivação e aprendizado do aluno em uma sala de aula. Moreira e Borges (2006) apresentaram os resultados de uma investigação etnometodológica sobre uma sala de aula de física, desenvolvendo uma ma abordagem descritiva desse ambiente de aprendizagem. Atividades com simulações, exercícios com lápis e papel e experimentação foram combinadas para proporcionar aos alunos ambientes de aprendizagem diferenciados. As interações de alguns grupos de alunos foram gravadas, em áudio e vídeo, e analisadas. Ao compará-las, destacaram e analisaram situações nas quais as interações vivenciadas nos diferentes ambientes contribuíam para a descrição de aspectos característicos da prática de alunos e professor. Eles totomaram a produção de narrativas como o principal instrumento de descrição. Identificaram o etnométodo de direcionar as interações para a obtenção da resposta correta. Mostraram como esse procedimento, compartilhado por alunos e professor, interfere nas perguntas dirigidas ao professor e na forma de este exercitar sua escuta no diálogo com os alunos. A sala de aula foi caracterizada como um local de ações simultâneas, que ocorrem para além do controle docente. Chamaram a atenção para a diversidade de estilos de conduta dos alunos e analisaram suas implicações.
Eles ainda observaram que a interação com o livro e a realimentação da atividade numa progressão contínua que se pretende ensinar, em termos de compreensão dos conteúdos, é uma possibilidade. Porém, esse mesmo acervo de informações corretas, 'completas' e estruturadas, especialmente as respostas dos exercícios, colocadas ao final dos capítulos, proporciona um outro tipo de realimentação, que se conecta a um procedimento característico das salas de aula pesquisadas. E observou-u-se que é um procedimento também recorrente na interação entre orientador da atividade e alunos, tanto na atividade experimental quanto na atividade com simulações: transcrever a resposta certa para o roteiro ou para o relatório de atatividades. Os alunos podem estar engajados na atividade, mas movidos pelo objetivo de responder aquilo que julgam ser o que o professor espera: a resposta certa.
O objetivo deste trabalho é mostrar a maneira que alguns livros do ensino médio abordam o tema "lançamento de projeteis", em particular, o lançamento horizontal de projéteis; visto que os livros de ensino médio abordam, separadamente, lançamento horizontal e lançamento oblíquo. Nosso foco principal é a forma como os livros didáticos abordam o cálcululo da componente y y e, assim, discutiremos as possíveis implicações que podem ocorrer no aprendizado dos alunos.
## 2. O PAPEL DO LIVRO DIDÁTICO
A parceria livro didático-p-professor atravessa um momento de encontros e desencontros, uma vez que ambos estão em fafase de transição, buscando uma identidade que revele as transformações teóricas e políticas ocorridas no panorama nacional (Dionísio et al., 2001). Mas o livro didático exerce uma influência na vida de alunos e professores, sendo, neste último, variada de acordo com cada grupo de professor.
Essa influência variada em cada classe de professor é demonstrada no trabalho de Neto e Fracalanza (2003), que, quanto ao uso do livro didático, formou-u-se três grupos. No primeiro grupo, os professores indicaram uso simultâneo de várias coleções didáticas, de editoras ou autores distintos, para elaborar o planejamento anual de suas aulas e para a preparação das mesmas ao longo do período letivo. Num segundo grupo, comentaram que o livro didático é utilizado como apoio às atividades de ensino-aprendizagem, seja no magistério em sala de aula, seja em atividades
extra -escolares, visando especialmente a leitura de textos, a realização de exercícios e de outras atividades ou, ainda, como fonte de imagens para os estudos escola res, aproveitando fotos, desenhos, mapas e gráficos existentes nos livros. Por fim, no terceiro grupo, os professores salientam que o livro didático é utilizado como fonte bibliográfica, tanto para complementar seus próprios conhecimentos, quanto para a aprendizagem dos alunos, em especial na realização das chamadas "pesquisas" bibliográficas escolares.
Mas o livro didático tem um papel muito mais importante do que esses apresentados e, de acordo com Moreira e Axt (1986), adquire importância crescente em um sistema de ensino massificado para o qual é preciso assegurar o mínimo de qualidade. No entanto, alguns livros didáticos trazem erros, quanto aos conceitos e exemplos, outros omitem a explicação de determinados fenômenos em conteúdos por eles apresentados. É importante notar que os livros didáticos utilizam quase exclusivamente o presente do indicativo para veicular seu material, apresentando-se, desse modo, como verdades que, uma vez estabelecidas, serão sempre verdades (Amaral e Neto, 1997 Apud Neto e Fracalanza, 2003).
A escolha do livro didático não deve ser feita em cima de pontos direcionados às necessidades do professor, e, sim, aluno e professor conjuntamente, observando os conteúdos, suas formas de expressão e que significados podem ter ao aprendiziz; verificar se o que é tratado e a maneira como é tratado e desenvolvido o conteúdo, permite, ou não, que as dificuldades mostradas pelos alunos sobrevivam ou sejam colocadas em questão ou, ainda, sejam reforçadas (Caldas e Saltiel, 1999).
Sabe -se que o lilivro didático no ensino médio ainda não é realidade para a maioria dos alunos da rede pública e a transmissão de conteúdo é feita mediante a utilização de apostilas, escrevendo -a no quadro e ditando para que os alunos copiem. Em seu trabalho de conclusão do do curso de especialização Coelho observou que o livro didático ou apostila é bem aceito pela grande maioria dos alunos de um poder aquisitivo maior, o que não reflete ser o que mais gosta de física. Os estudos mostraram que os alunos da escola particular pesquisada têm menos interesse em Física que os demais.
Isso nos mostra que necessariamente não é o livro didático o agente responsável pela motivação do aluno pela Física, e é isso que os professores devem entender que eles não são apenas um transmissor de de conteúdos e sim um agente responsável pelo crescimento crítico e intelectual de seus alunos, e que na relação com o livro didático, o professor deverá sempre ser superior a ele em conhecimento e em desempenho metodológico (Dionisio et al., 2006). Temos quque tornar a Física menos complicada para nossos alunos, de forma que devemos procurar envolve-los. Para nosso alívio, ou "agonia", o trabalho de Coelho mostrou que a grande maioria dos estudantes não concorda que a Física não tem nada de interesse, pelo contrário, mostrou que eles se interessam pela disciplina e gostam de participar ativamente das aulas. Por isso nos referimos como "agonia", pois alguns professores têm ficado escondidos por trás de várias desculpas para não ensinar a Física de forma clara e e descontraída, porque o trabalho de Coelho mostrou que se há algum problema de desinteresse por parte do aluno, não deve ser atribuído à Física.
Entretanto, qualquer recurso bibliográfico apresenta seus pontos positivos e negativos. Cabe ao professor ser crcrítico no seu uso para que consiga ser estrategista para que estes recursos não se tornem uma única fonte de pesquisa, podendo, assim, recorrer aos livros paradidáticos, que é um dos recursos onde podemos encontrar temas com abordagens textualizadas, motivavando desta forma o aluno para o hábito da leitura e o professor participando como um mediador no processo da aprendizagem (De Toni e Ficagna, 2005).
## 3. ABABORDAGEM DO TEMA NOS LIVROS DO ENSINO MÉDIO
O problema na abordagem do Lançamento Horizontal de Projéteis se encontra, em particular, no cálculo da posição y num dado instante em que o projétil foi lançado. Os livros de Gaspar (2002) e Paraná (1998) dão a equação para o cálculo da posição y para um dado instante em que o projétil foi lançado da seguinte forma:
<!-- formula-not-decoded -->
onde g é a aceleração da gravidade.
Entretanto, Carron e Guimarães (2001) e Bonjorno et al. (1999) mostram a equação para o cálculo de y num dado instante em que o projétil foi lançado como:
<!-- formula-not-decoded -->
onde g é a aceleração da grgravidade.
O exemplo a seguir consta no livro de Gaspar (2001), e será utilizado para mostrar a diferença entre os métodos para calcular y através das equações (1) e (2).
Um projétil é lançado horizontalmente da altura de 80 m com velocidade de 30 m/s. Desprezando a resistência do ar e admitindo g = 10 m/s 2 , determine: (b) a posição do projétil 3,0 s depois do seu lançamento.
A posição y y y pela equação (1) será:
<!-- formula-not-decoded -->
Pela equação (2) esse valor será:
<!-- formula-not-decoded -->
O aluno ao responder os problemas dos livros de Gaspar (2002) e Paraná (1998) utilizando a equação (2), fornecida pelos livros de Carron e Guimarães (2001) e Bonjorno et al. (1999), ou respondendo os problemas dos livros de Carron e Guimarães (2001) e Bonjorno et al. (1999) utilizando a equação (1), fornecida pelos livros de Gaspar (2002) e Paraná (1998) terá suas respostas incompatíveis à dos respectivos livros, dificultando, assim, o aprendizado do aluno, que dificilmente perceberá o que aconteceu; apenas ele irá achar quque o problema é difícil e que não consegue responder as questões.
Por outro lado, se o professor não estiver atento ao que realmente aconteceu ele irá adotar uma das equações e desprezar a outra, considerando uma delas como incorreta. É preciso deixar claro que nós não estamos colocando em dúvida a capacidade e o preparo dos professores de física em identificar o que realmente aconteceu, o problema nas escolas quanto à disciplina de física é que os professores não são formados em física. No último Curso de A Aperfeiçoamento de Professores do Ensino Médio (PROCIÊNCIAS/UEPB), cerca de 80% dos professores que estavam no curso não eram formados em física, mas em cursos como Geografia, Português, Economia, Agronomia, entre outros. Por isso o porquê em dizer "se o prprofessor não estiver atento". É de suma importância uma análise cuidadosa sobre a forma como os livros didáticos passam informações aos alunos.
## 4. O QUE REALMENTE ACONTECEU?
É obvio que as duas equações estão corretas, o que aconteceu foi que a altura na ququal se encontrava o projétil inicialmente foi subtraída do valor da altura que se encontrava a partícula em 3,0 s na Equação (2). A Equação (2) não leva em conta a altura em que se encontra o projétil antes de ser lançado. Vejamos a Fig. 1 para verificar o que aconteceu:
Figura 1. Esquema do lançamento do projétil indicando a altura e sua posição de final.
<!-- image -->
Com base na figura observamos que as duas equações estão corretas. O problema é que os livros de Gaspar (2002) e Paraná (1998) não afirmam que 35 m é a altura que falta para o projétil chegar ao solo. E os livros de Carron e Guimarães (2001) e Bonjorno et al. (1999) não fazem menção que 45 m é o percurso de queda do projétil.
## 5. CONCLUSÃO
Procuramos apresentar as dificuldades que são encontradas em alguns livros didáticos de Física do Ensino Médio analisados, com relação ao lançamento horizontal de projéteis. É dada uma ênfase no cálculo da altura y, onde foram discutidas as diferentes abordagens dos livros estudados. Procuramos mostrar as possíveis problemáticas que as equações referentes ao lançamento de projéteis podem causar sem o devido cuidado de explicar o que realmente aconteceu.
Embora pareça óbvio para nós que os dois resultados estejam corretos, para muitos alunos pode não parecer. Contudo, é preciso deixar bem claro ao aluno o tratamento dessas duas equações, pois quando o aluno se deparar com essas situações não venha a ficar confuso.
## REFERÊNCIAS
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