OFICINAS PARA O ENSINO DE FISICA: O LUDICO APLICADO A FORMAÇAO DE PROFESSORES
Frederico Augusto Ramos, Eugenio Maria De França Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 01/02/2007
- Linha de pesquisa
- Formaçao Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2007
Texto completo
## OFICINAS PARA O ENSINO NO DE FÍSICA: O LÚDICO APLICADO A A FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Frederico Augusto Ramos a, b b [faramos@rc.unesp.br] b Eugenio Maria de França Ramos [ a,b b [eugenior@rc.unesp.br]
## RESUMO
As oficinas de construção de materiais didáticos experimentais são ações de formação continuada utilizadas para a sensibilização de professores de Educação Básica quanto a utilização de conhecimento de Física. Em nossas atividades, as oficinas possuem como características seu caráter lúdico, a curta duração (no máximo 4 horas), enfoque em atividades práticas, seja o manuseio ou a construção de protótipos experimentais. Neste trabalho apresentamos a análise preliminar do trabalho com oficinas baseado em registros fotográficos, protótipos experimentais e o funcionamento de um dos experimentos (looping). Os registros fotográficos são de duas oficinas realizadas, uma na cidade de Suzano (SP), no dia 31/10/2005 no âmbito das ações do Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - CECEMCA - UNESP, e a outra como um mini -c -curso na XXVI Semana de Estudos da Física, na UNESP, Campus de Rio Claro, do qual participaram 30 graduandos do curso de Física deste campus. Nos registros fotográficos, pode-se perceber que os participantes das oficinas se envolveram com as construções propopostas, evidência de seu não alheamento da proposta de trabalho, percebemos uma grande semelhança entre a participação de alunos de graduação e de professores da Rede Pública de Ensino. Os experimentos são construídos utilizando-o-se materiais de baixo custo, o que facilita a realização das oficinas. Esses experimentos, bem como os temas em que estão agrupados são os seguintes: 1. Brincando com o Ar - Looping, Bumerangue, Helicóptero, Ploft; 2. Brincando com Cores - - Disco de Cores, Caleidoscópio; 3. Brincando o com Equilíbrio - Balança de Arame, ET, Joaninha; 4. Brincando com Eletrostática -Pêndulo Simples e Duplo, Vetor Eletrostático, Gaiola de Faraday, Eletroscópio, Igrejinha Eletrostática.
## OFICINAS PARA O ENSINO NO DE FÍSICA: O LÚDICO APLICADO A FORMAÇÃO DE PROFOFESSORES
As oficinas de construção de materiais experimentais têm como objetivo dar suporte aos professores em suas aulas, aumentando o repertório de recursos didáticos para o ensino. A utilização de experimentos em sala de aula, seja como construção, manunuseio ou até mesmo como demonstração, é uma forma de tornar a aula mais interessante, não só para o aluno, mas também mais prazerosa para o professor, pois este percebe o envolvimento do aluno na realização dessas atividades. Nossas oficinas possuem um caráráter lúdico, onde tentamos provocar a surpresa dos participantes e o interesse pelo acontecimento dos fenômenos físicos nos materiais experimentais.
Os experimentos utilizados em nossas oficinas são construídos utilizando-se materiais de baixo custo, como por exemplo, cartolina, fita crepe, canudinhos e copinhos plásticos, etc; e ferramentas simples, como régua, tesoura, estilete, etc.
Os experimentos que utilizamos nas oficinas, bem como os temas abordados estão listados abaixo:
- 1. Brincando com o Ar
- · Looping
- · Bumerangue
- · Helicóptero
- · Ploft
- 2. Brincando com Cores
- · Disco de Cores
- · Caleidoscópio
- 3. Brincando com Equilíbrio
- · Balança de Arame
- · ET
- · Joaninha
- 4. Brincando com Eletrostática
- · Pêndulo Simples e Duplo
- · Vetor Eletrostático
- · Gaiola de Faraday
- · Eletroscópio
- · Igrejinha Eletrostática
O looping, por exemplo, é um brinquedo construído com apenas dois copinhos plásticos descartáveis de café e fita adesiva para uni-i-los, conforme figura 1. Com o auxílio de um elástico, que deve ser enrolado em torno do looping, fazemos o lançamento (na na figura 2 temos o esboço de como realizar esse lançamento). O lançamento de um objeto no ar, que tratamos em Física como Lançamento Oblíquo, realiza uma trajetória parabólica, já quando lançamos um objeto, imprimindo uma rotação característica sobre seu próprio eixo, obtemos um outro tipo de curva, no nosso caso, como sugere o nome do brinquedo, um looping, essas trajetórias estão representadas na figura 3.
Figura 1. Esboço do modelo do looping.
<!-- image -->
Figura 2. Esquema de como lançar o looping.
<!-- image -->
Figura 3. Esboço da trajetória realizada pelo brinquedo comparada com a trajetória em um lançamento oblíquo.
<!-- image -->
Este fenômeno decorre do chamado Efeito Magnus e depende da velocidade de rotação e da quantidade de ar que o objeto arrasta quando gira. Quando a rotação o e o ar arrastado pelo movimento do brinquedo estão no mesmo sentido, a velocidade de "circulação do ar" é maior, portanto a pressão é menor - isso ocorre na parte de cima. Na parte de baixo, a rotação e o ar arrastado estão em sentidos opostos, logo, a ve locidade é menor, portanto maior pressão. É essa diferença de pressão que faz com que o brinquedo seja projetado para cima. Essa discussão teórica pode ou não ser levantada após a construção do experimento, isso varia conforme o tempo determinado para a realização da oficina, ou de acordo com o público, pode ter maior ou menor aprofundamento na análise dos fenômenos físicos envolvidos. Um de nossos objetivos futuros é realizar uma análise quantitativa dessa trajetória realizada pelo looping.
A participação o das pessoas nas oficinas é um dado muito interessante. Elas envolvemmse com a construção de maneira que seria possível sairmos da sala sem que elas percebessem nossa ausência. Esses dados podem ser observados nas fotos de duas oficinas
que retratamos aqui. Uma realizada na cidade de Suzano, SP, no dia 31/10/2005, que fez parte das atividades de comemoração do Ano Mundial da Física, com a participação de professores da Rede Municipal de Ensino e técnicos da Secretaria Municipal de Educação. E outra realizada da no Campus da UNESP na cidade de Rio Claro, como um mini-curso, intitulado, Brinquedos e Jogos no Ensino de Física, com seis horas de duração dentro das atividades da XXVI Semana de Estudos da Física, do qual participaram graduandos do curso de Física deste campus. Observamos que, tanto os professores em Suzano quanto os alunos de Física, se dedicaram completamente a realização das atividades. Percebe-se também, que os vários níveis de complexidade no processo de aprendizagem são observados, como o manuseioio, questionamento, construção, adaptação até a invenção (RAMOS, 1991).
Quando apresentamos determinado brinquedo funcionando, a pergunta que mais freqüentemente recebemos é "Mas como isso funciona?", e é esse o objetivo que queremos alcançar, provocar uma ma desestabilização no senso comum daquele indivíduo, isso é chamado de desafio lúdico (RAMOS, 1991).
As figuras 4, 5, 6, 7 e 8 são fotos da oficina realizada na cidade de Suzano com professores da Rede Municipal de Ensino. Nessa imagens fica claro, que a dedicação está presente, tanto no brincar com o experimento (figuras 4 e 5) quanto em sua construção (figuras 6, 7 e 8). Um fato interessante ocorreu com um desses professores, que durante uma pequena apresentação inicial sobre o uso de brinquedos e jogos no ensino, "tirou alguns cochilos" sentado na cadeira, e depois na "hora de brincar", seu comportamento foi totalmente diferente, revelando o envolvimento lúdico com os materiais experimentais, esse professor aparece trabalhando nas figuras 7 e 8.
Figura 4. Professoras lançando o looping.
<!-- image -->
Figura 5. Professora girando o disco de cores.
<!-- image -->
Figura 6. Professora construindo um disco de cores.
<!-- image -->
Figura 7. Professores construindo eletroscópio.
<!-- image -->
Figura 8. Professor construindo experimentos.
<!-- image -->
Nas figuras de 9 a 16 temos as fotos da oficina realizada com os alunos do curso de Física da Universidade Estadual Paulista -- UNESP -Campus de Rio Claro. A sala foi dividida em cinco setores. No centro da sala colocamos os materiais a disposição sobre uma mesa (figura 9), também utilizamos esse espaço para mostrar o funcionamento dos experimentos e depois deixá-los expostos como modelo. Nos quatro cantos da sala ficaram os grupos de trabalho (pode-se ter uma idéia observando a figura 10).
Figura 9. Mesa no centro da sala com a distribuição dos materiais.
<!-- image -->
Figura 10. Visão geral da oficina com alunos de Física.
<!-- image -->
Nas figuras 11 a 14 observamos os alunos desprendendo grande atenção na construção dos experimentos. Além da construção dos experimentos, eles permitem algumas utilidades interessantes. Por exemplo, a balança nos permite calcular com certa precisão a massa de uma folha de papel (figuras 11 e 12). Essa confirmação pode ser feita, pois na embalagem temos essa informação para comparação, e isso provoca uma sensação de realização nas pessoas quando vêem que um material construído por si próprio tem utilidade.
Figura 11. Aluno construindo balança de arame.
<!-- image -->
Figura 12. Alunos medindo a massa de grãos de arroz e folhas de papel com a balança que acabara de ser r construída.
<!-- image -->
Figura 13. Alunos construindo discos de cores.
<!-- image -->
Figura 14. Alunos construindo pêndulos simples e duplo.
<!-- image -->
Outro fato interessante foi um aluno do primeiro ano do curso de Física levar, no segundo dia de atividades, um experimento construídído por ele mesmo para mostrar para os colegas, isso mostra a capacidade de criação e preocupação em dividir com outros o conhecimento. Esse experimento consiste num globo de plasma construído com alguns circuitos eletrônicos, bobina de automóvel e uma lâmpada, onde visualizamos os arcos do plasma quando tocamos a mão (figuras 15 e 16).
Figura 15. Experimento levado por um dos alunos participantes da oficina - um globo de plasma.
<!-- image -->
Figura 16. Aluno mostrando seu experimento.
<!-- image -->
## CONSIDERAÇÕES FIFINAIS
- O esestudo exploratório das Oficinas como metodologia de trabalho didático mostra importantes características lúdicas, que em nosso trabalho com materiais didáticos de baixo custo, normalmente atribuímos aos materiais. Como destaca Chateau, essa ludicidade adultlta se aproxima da infantil:
- "... resta uma espécie de atividade adulta que é idêntica ao jogo infantil. É a que empreendemos por puro prazer, em vista de um simples sucesso, sem nenhuma preocupação nem da obra de arte, nem de descobertas científicas, nem de de treinamento. Nesse sentido, a maior parte das atividades novas pode ser como jogos para nós. Começando a desempenhá-las, sentimos um crescimento do nosso ser, nos afirmamos de uma nova maneira. Quer se trate de cultivar flores, de pescar, de aprender datilografia, ou de dirigir um automóvel, diante de tais atividades nós nos encontramos no estado da criança que começa a empilhar seus cubos para construir uma torre. Sentimos brotar em nós a frescura e o vigor das plantas novas, parece-nos que sobe ainda uma ma seiva rica, e que nosso ser cresce em força e em mérito" (Chateau, 1987: 33).
De nossas observações essa ludicidade parece ser traço importante e fundamental para o trabalho didático para a Formação de Professores e o Ensino de Física.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHATEAU, J. O jogo e a criança. Trad. G. de Almeida, São Paulo: Summus, 1987.
RAMOS, E. M. de F. Brinquedos e jogos no ensino de física. São Paulo, 1990. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências: modalidade Física) - Instituto de Física e Facululdade de Educação, Universidade de São Paulo.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.