O LABORATORIO DE DIVULGAÇAO CIENTIFICA (LDC) ILHA CIENCIA E O FOMENTO DA CIENCIA NO MARANHAO E NO BRASIL.
Antônio José Silva Oliveira, Vanda Maria Gomes, Glacy Ferreira Da Silva, Mara Cristina Freitas,
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 30/01/2007
- Linha de pesquisa
- Física Moderna E Contemporânea E A Atualizaçao Curricular
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O LABORATÓRIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA (LDC) ILHA CIÊNCIA E O FOMENTO DA CIÊNCIA NO MARANHÃO E NO BRASIL
Antônio José Silva Oliveira a [oliva@ufma.br] Glacy Ferreira Silva b [glac\_s@yahoo.com.br] Mara Cristina Freitas c [mara\_freitas@bol.com.br] Vanda Maria Gomes d
[vandamariagomes@bol.com.br]
- a Universidade Federal do Maranhão -UFMA
- b Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA
- c Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão - - CEFET-MA
- d Universidade Federal do Maranhão -UFMA
## RESUMO
O presente trabalho aborda a historicidade da criação dos museus e centros de ciência e a importância dos meios de comunicação para a divulgação da ciência. Sabe -se que hoje a evolução da ciência é inseparável de sua aplicação no mundo desenvolvido. A prova disso é que as grandes potências mundiais sempre fizeram grandes investimentos nessa área.
É neste contexto que algumas instituições importantes no país como o CNPq, têm envidado esforços no sentido de desenvolver um programa de popularização da ciência, não como forma a de banalizar o saber científico, mas com o objetivo de colocar ao alcance de todos as principais descobertas e inovações tecnológicas, de forma a fazer com que o cidadão comum se aproprie desses conhecimentos e possa utilizá-los nas suas atividades cotidiaianas, assim como, fazer com que a ciência se torne tão comum que isso venha a despertar um grande número de novos entusiastas e o despertar de grandes potenciais adormecidos capazes de alavancar o desenvolvimento nesse campo de atividades em nosso país.
Posteriormente, o trabalho focaliza -se nos fundamentos metodológicos para o ensino de física , já que a a prática pedagógica para o ensino da física tem sido desenvolvida de acordo com diferentes propostas educacionais, assim como diferentes concepções do significado de aprender e ensinar, r, onde a a mais utilizada tradicionalmente baseia -se na transmissão de informações do professor para o aluno. Outras mais recentes, já incorporam o aluno como construtor do seu próprio conhecimento.
Esses fundamentos metodológicos estão inseridos na proposta pedagógica do Laboratório de Divulgação Científica (LDC) Ilha Ciência da Universidade Federal do Maranhão, focalizando o uso das experiências como forma de fomentar o pensamento criativo de forma a despertar habilidades em técécnicas de investigação experimental. Este artifício, quando combinado às aulas tradicionais, de cunho expositivo, torna-se um recurso didático valioso para o desenvolvimento de temas fundamentais da física, proporcionando ao aluno um ensino estimulante e uma aprendizagem significativa. Ao final, é apresentado o Laboratório de Divulgação Científica (LDC) Ilha Ciência, sua história, contribuições e perspectivas futuras para a divulgação da ciência.
PALAVRAS -CHAVE: Museus de ciências; divulgação da ciência; experimentos de física.
## 1 INTRODUÇÃO
O conhecimento científico não surge de uma hora para outra. Trata-se de um processo lento que envolve reformulações de conceitos antes concebidos como verdadeiros e requer para isso, reflexões e mudanças de posturas, além do estabelecimento de novos conceitos. Transpor estas dificuldades iniciais nem sempre é tarefa fácil. É preciso está atento às mudanças. E muitas são as mudanças que vivenciamos, momentos de pura efervescência científica. Nos deparamos com questões como clonagem, melhoramentos genéticos, transgênicos, células-tronco e tantos outros temas invadindo nossos lares e incorporando-se ao nosso cotidiano. Esta verdadeira avalanche de informações nos chega quase simultaneamente através dos meios de comunicação (jornais, revistas, televisão, rádio, internet) cujo poder de popularização do conhecimento é inegável, tornando-os importantes aliados no processo de divulgação das várias descobertas que permeiam o mundo científico e como tal, tomam lugar de destaque, vencendo barreiras antes instransponíveis, levando a ciência para os locais os mais longínquos.
Todavia, apesar da crescente preocupação dos cientistas em compartilhar seus conhecimentos com a sociedade, a contribuição do Brasil ainda é pequena, comparada às outras nações. Os incentivos à pesquisa e à educação são bastante deficitários, concorrendo para que a ciência permaneça como algo inatingível e restrita a uma minoria "privilegiada". Isto, felizmente, não invalida os esforços daqueles que buscam informar e conscientizar o cidadão das inúmeras descobertas que ocorrem no mundo.
Contudo, é preciso cautela quanto à forma como são realizadas estas divulgações e/ou informações, pois a própria superexposição da ciência pelos meios de comunicação poderá produzuzir uma vertente negativa, a da banalidade. E sabemos que a ciência não é algo banal, sendo assim, não deve ser tratada como um mero agrupamento de informações, postas aleatoriamente, pois conhecimento científico necessita de uma sistematização, uma metodologia (NARDI, 1998, p.2). Sendo assim, é importante a divulgação da ciência, tanto quanto sua indução, desde que com responsabilidade. Mas para isso, antes precisamos despertar a população para o pensar ciência (principalmente na classe mais jovem), provocar nas pessoas o senso crítico, o olhar observador e oferecer a oportunidade do acesso ao conhecimento.
Neste contexto, o surgimento de um espaço capaz de atender e facilitar à sociedade a aquisição deste conhecimento, permitindo aos cidadãos acompanhar as as inovações tecnológicas, tornando-os mais próximos dos pesquisadores, ganha força como Centros e Museus de Ciências, locais cujas características maior é levar a ciência à população de maneira informal, sem a obrigatoriedade dos estudos e limitações próprias dos currículos escolares, abrangendo tanto àqueles inseridos no ambiente escolar, como os que estão fora dele.
Dentro deste ambiente, espera-se que o conhecimento flua com mais leveza, de forma lúdica e interativa, pois longe das pressões comuns à maioioria das escolas, as pessoas parecem imprimir maior criatividade, formulando questões instigantes e dando vazão a acaloradas discussões à medida que se vêem frente a frente com a ciência.
Percebe -se assim, a importância do conhecimento científico na vida das pessoas, daí a necessidade urgente de construir novos espaços onde as massas possam usufruir desta nova modalidade de educação que é a educação científica. Deste modo, este trabalho chama a atenção para a divulgação da ciência no Maranhão através do Laboratório de Divulgação Científica Ilha da Ciência (LDC), do departamento de Física
da Universidade Federal do Maranhão, cujo histórico tem demonstrado um avanço significativo na divulgação da ciência e em particular, dos conceitos físicos.
## 2 OS MUSEUS E CENTROS DE CIÊNCIA NO BRASIL E NO MUNDO
Da necessidade de divulgar e difundir o conhecimento científico, de forma a buscar sua popularização para que todo e qualquer cidadão tivesse acesso, surgiu a idéia de se criar locais reservados e específicos para essa finalidade, onde a sociedade pudesse participar e ter acesso à informação desses conhecimentos.
Os primeiros museus públicos começaram a aparecer na Europa, por volta do século XVII e XVIII. A princípio, o objetivo era apenas a divulgação das invenções e de seus inventores.
Então, já no século XIX é criado o Instituto Smithsoniano, nos Estados Unidos, pioneiro em sua forma de divulgação, cujo objetivo principal era a apresentação de tecnologias contemporâneas, sem se prender a retrospectivas históricas, influenciando museus e centros de ciência no mundo inteiro, tendo um papel fundamental na popularização da ciência.
Nestas últimas décadas, percebemos o surgimento e crescimento de Centros e Museus de Ciência e Programas de Divulgação Científica no Brasil il e no mundo. No Brasil, observamos o surgimento de várias Instituições com o propósito de tornar popular a ciência e tecnologia, principalmente na Universidade Pública. A primeira delas foi o Centro de Ciências Interativo, o Espaço Ciência Viva, seguido mamais tarde por outras iniciativas vinculadas a Universidades ou Instituições Públicas, como a Estação Ciência/USP, o Museu da Vida/Fiocruz, o CDCC/USP/São Carlos, a Casa da Ciência/UFRJ e o Núcleo de Ciências/UFES. Estes espaços têm por objetivo transmitir os avanços da ciência para o público escolar, com atividades interativas, lúdicas e interdisciplinares.
A criação e fundação de novos museus, das mais diversas modalidades, e o número crescente de visitantes, é um fato reconhecido internacionalmente. O concnceito popular de museu associado a um depósito de coisas do passado é agora complementado por um conceito de museu dinâmico, aonde se vai não só para apreciar, mas para exercer a crítica e a criatividade. Os museus de ciências, com uma longa história são hohoje dinâmicos e muitas vezes complementados por parques temáticos. E a grande novidade dos museus virtuais começa a se definir. O número de museus se multiplica, nas suas várias modalidades, e os reflexos de sua presença na sociedade são estudados com crescente intensidade, despertando o interesse de acadêmicos de várias áreas.
Sabe -se que hoje um dos maiores fins pretendidos pelos centros e museus de ciências no Brasil e no mundo é, sobretudo, o educacional. Sabendo -se que o Brasil tem um grande déficit nessa área, os museus e centros de ciência, vêm dar uma enorme contribuição na educação científica da comunidade, de forma a promover uma melhoria na qualidade de vida, com impacto em todas as demais áreas como a saúde, educação, formação política, entre outros, permitindo ao cidadão acompanhar todo o progresso científico, vivenciando suas problemáticas, maravilhas, perigos e/ou limitações.
No entanto, de acordo com PERSECHINI & CAVALCANTI (2004) a rápida evolução tecnológica e a constante mutação do conhecimimento científico costumam deixar desatualizado até mesmo quem tem constantes contatos com esse conhecimento, é aí que os centros e museus desempenham um papel fundamental no acompanhamento do progresso científico e tecnológico.
Entretanto, embora haja um grgrande número de iniciativas objetivando a popularização da ciência, os investimentos nessa área ainda são insuficientes. Para se ter uma idéia nos Estados Unidos, o Governo Federal destinou 24 milhões de dólares somente para o Museu de Ciências em São Francncisco, na Califórnia, e a Prefeitura Local, outros 118 milhões de dólares para a construção de um mega-projeto arquitetônico, que inclui um museu de história natural, um aquário e um planetário, ao passo que no Brasil, o Governo do Presidente Lula, destinou no final de 2003, através do CNPq, somente 4 milhões de reais, a serem disputados por mais de 100 instituições ligadas a popularização da ciência no Brasil (PERSECHINI & CAVALCANTI, 2004).
Assim, apesar da importância histórica que têm desempenhado os centros e museus de ciência, para administrá-los, desenvolver projetos educacionais, expor e manter esses centros se requer, sobretudo, idealismo e dedicação das pessoas envolvidas, já que a falta de recursos e apoio do governo causa sérios transtornos não só à divulgação da ciência como ao seu desenvolvimento e progresso.
## 2.1 O desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil e a popularização da ciência através de museus e centros de ciências
Sabe -se que hoje a evolução da ciência é inseparável de sua apaplicação no mundo desenvolvido. A prova disso é que as grandes potências mundiais sempre fizeram grandes investimentos nessa área.
Em 1956, com o lançamento do primeiro satélite artificial pela União Soviética, o Sputnik, os Estados Unidos sentiram-m-se ameaçados e passaram a investir maciçamente em ciência e tecnologia, investimento esse que se estendeu desde as escolas secundárias até os centros de pesquisa, e das Universidades até as empresas, o que determinou sua supremacia na produção de conhecimento, tetecnologias e produtos já na década seguinte até os dias atuais.
No Brasil, a forma como vem se desenvolvendo a ciência e tecnologia, ocorreu de modo diferenciado do resto do mundo e por isso, há uma grande necessidade de se rever os parâmetros adotados de maneira que se possa definir prioridades nesse setor, já que os investimentos nessa área ainda são escassos e irrisórios se comparados com países mais desenvolvidos.
Vistos serem fatores interligados e dependentes, não há como dissociar ciência e tecnologigia de desenvolvimento, pois se sabe hoje que há uma correlação entre o poder de compra do Estado e o crescimento científico-tecnológico de um país. Sendo assim, o Brasil vem descobrindo a necessidade de assumir essa relação como fator determinante no futuro da ciência e tecnologia e, conseqüentemente, do seu próprio desenvolvimento.
A infraaestrutura formada nas últimas cinco décadas como resultado das ações governamentais não fomentou a geração de inovação tecnológica, mas formaram-m-se, sobretudo, engenhe iros e pesquisadores capazes de absorver, adaptar e aperfeiçoar tecnologias transferidas para o Brasil, produzindo-se muito pouco no campo da inovação. Na realidade, a produção da ciência organizada no Brasil é muito recente, pois na época do Brasil-l-Colônia algumas descobertas foram feitas, principalmente por institutos públicos de pesquisa, mais antigos que as universidades, porém contendo picos de criação acompanhados de períodos de crise. Entretanto, não havia como organizar e articular a ciência já que a coroa portuguesa evitou a todo custo a organização de universidades no Brasil (CRESTANA, 2001).
Atualmente, apesar de todo o revigoramento do debate acerca da importância da ciência e tecnologia no Brasil, são ainda muito tímidas as iniciativas para buscar um
reavivamento nessa área, visando principalmente estruturar a ciência na busca por inovações.
No último governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, procurou-u-se implantar uma nova forma de gerir a ciência e tecnologia no Brasil, por meio da criação de Fundos Setoriais de investimentos em pesquisa científica e tecnológica, onde toda a cadeia do conhecimento seria beneficiada por esse sistema, com o intuito de consolidar definitivamente no país uma estrutura estável de financiamento à pesquisa, à ciência e à tecnologia (CRESTANA, 2001).
É neste contexto que algumas instituições importantes no país como o CNPq, têm envidado esforços no sentido de desenvolver um programa de popularização da ciência, não como forma de banalizar o saber científico, mas cocom o objetivo de colocar ao alcance de todos as principais descobertas e inovações tecnológicas, de forma a fazer com que o cidadão comum se aproprie desses conhecimentos e possa utilizá-los nas suas atividades cotidianas, assim como, fazer com que a ciênc ia se torne tão comum que isso venha a despertar um grande número de novos entusiastas e o despertar de grandes potenciais adormecidos capazes de alavancar o desenvolvimento nesse campo de atividades em nosso país.
Essa idéia de divulgar a ciência no Brasil surgiu no século XIX com a criação as primeiras instituições científicas, como o Museu Nacional, o Jardim Botânico, o Museu Paraense, entre outros e tem se desenvolvido procurando acompanhar as tendências mundiais.
Dada a importância com que a ciência e sua divulgação vêm assumindo ao longo das últimas décadas, foram criados vários centros de ciência e divulgação científica tais como o Espaço Ciência Viva-RJ, a Estação Ciência-SP, a Casa da Ciência - - RJ, o Museu da Ciência e Tecnologia da PUC/RS, entre ououtros, além do desenvolvimento do jornalismo científico com diversos jornais e revistas científicas em amplo crescimento.
Entretanto, hoje ainda há um crescente desequilíbrio entre o desenvolvimento científico e tecnológico e a educação científica do brasilileiro, o que dificulta a inserção do cidadão no novo paradigma produtivo formado ao longo do último dez anos, decorrente de um grande número de inovações introduzidas nas sociedades, que requer o mínimo de conhecimentos de qualquer cidadão para melhor interagir com o mundo que o cerca.
Apesar do crescente aumento nas formas de divulgação científica e tecnológica, a cultura científica em nosso país ainda é deficitária e anda bem longe daquela necessária e suficiente para deixá-lo estruturalmente forte e capaz de competir nessa área.
Assim, é que a popularização da ciência vem crescendo e ampliando-se cada vez mais em suas vias de divulgação com a utilização de diferentes tipos de mídias, sendo a televisão no Brasil uma das mais populares.
Outros meios que ainda são muito recentes, mas que constituem um importante forma de afirmação são os museus e centros de ciências. Ainda considerados poucos e relativamente recentes são em geral, pequenos e pouco visitados. A maior parte deles foram fundados na última década, sendo o primeiro deles fundado por iniciativa do rei de Portugal, em 1808, quando da sua vinda para o Brasil.
É mister lembrar que as escolas brasileiras são um importante meio de divulgação da ciência e de formação de cientistas. Observa-se também que a a evolução da ciência possui uma história recente e uma das fortes críticas feitas por pedagogos desde a época anterior a 2ª guerra mundial é na ênfase dada pelos professores na repetição de palavras, muitas vezes sem a compreensão necessária do sentido daquilo que estava sendo ensinado, só após 1945 os educadores começaram a apontar essa
deficiência com mais veemência, surgindo assim, um movimento para enfatizar o raciocínio, as atividades de experimentação, as ciências como produto de pesquisa, sempre em um um processo evolutivo (CRESTANA, 2001).
Assim, quando os Estados Unidos investiram maciçamente em projetos para o desenvolvimento de novos currículos com foco na ciência e tecnologia, e desta forma pudesse progredir e assim desbancar a União Soviética, verificou-u-se quão importante era este investimento, sendo assim, vários desses projetos foram trazidos para o Brasil nos anos 60, não demonstrando, contudo, adequação à realidade brasileira.
Então nesse período, tentou-u-se divulgar a ciência no Brasil por meio de projetos a fim de alavancar a tecnologia, como o Projeto piloto de Ensino de Física, patrocinado pela Unesco, em São Paulo-1963-1964, que por sua vez, levou a fundação de vários centros de ciências no país.
Como resultado das tentativas realizadas nessa fase, já na década de 1980 se observa uma série de novos Centros de Ciências sendo fundados em todo o Brasil (como mostra o quadro II). Seu inicio dar-r-se a partir de 1982, em São Paulo, São Carlos e no Rio de Janeiro e através de alguns programas como o SPEC/PADCT - - específico para financiar o desenvolvimento em ensino das ciências - muitas atividades nessa área são estimuladas em todo país (CRESTANA, 2001).
Assim, conforme dados da Associação Brasileiras de Museus e Centros de Ciências -ABMCC, há em todo país, 113 Centros e Museus de Ciências, a maioria deles pertencentes às Universidades, com maior distribuição no centro sul do país. Sendo que um ou dois são de grande porte, cerca de dois são médios e os restantes considerados pequenos (CRESTANA, 2001).
## 3 FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS - PEDAGÓGICOS E O ENSINO DE FÍSICA
A prática pedagógica para o ensino da física tem sido desenvolvida de acordo com diferentes propostas educacionais, assim como diferentes concepções do significado de aprender e ensinar. A ma is utilizada tradicionalmente baseia-se na transmissão de informações do professor para o aluno. Outras mais recentes, já incorporam o aluno como construtor do seu próprio conhecimento.
No modelo tradicional o professor tem como função transmitir o conhecimimento aos alunos e estes deverão memorizá -lo passivamente, em um processo mecânico, desprovido de interação com o meio em que vivem e/ou com os seus pré-conceitos. Porém, neste modelo as informações são muito facilmente esquecidas e não são apreendidas.
Já á a construção do conhecimento serve como fundamento para o modelo de mudança conceitual (MMC). Este modelo confere uma grande importância aos conhecimentos prévios adquiridos pelos alunos em sua interação cotidiana com o mundo. Nele, o aluno não aprende por cópia ou internalização de algum significado externo, mas, através de um processo próprio, resultante da associação de novas idéias com as já existentes em sua estrutura cognitiva.
Segundo PIETROCOLA (2001), os modelos resultam de um processo de construçução e a modelização seria a apropriação de um modelo já construído. Entretanto, no ensino de física, uma grande maioria dos estudantes do ensino fundamental e médio encontra dificuldades em compreender um modelo devido à linguagem formal utilizada. Assim, p para que os alunos tenham uma aprendizagem significativa dos conceitos físicos é necessário que disponham dos elementos básicos à construção desses conceitos.
Desta forma, o aluno só realiza uma aprendizagem significativa quando ele é capaz de relacionar o novo conhecimento com as idéias pré-existentes. Estes pressupostos, conforme Resnick apud Nardi, permite inferir a construção do conhecimento em três princípios básicos:
- a) aprender é construir significados; a realidade não pode ser lida da forma como se apreresenta;
- b) a compreensão de algo significa construir significados, já que os fragmentos isolados são facilmente esquecidos;
- c) a aprendizagem depende de conhecimentos prévios.
Assim, o conhecimento físico requer a existência de concepções predefinidas, pois fenômenos naturais como o arco-íris, a chuva, os raios, as fases lunares, entre outros, estão presentes como objeto de estudo da física (PIETROCOLA, 2001).
Esses fundamentos metodológicos estão inseridos na proposta pedagógica do Laboratório de Divulgação Científica (LDC) Ilha Ciência da Universidade Federal do Maranhão, visto que o mesmo focaliza o uso das experiências como forma de fomentar o pensamento criativo, despertando habilidades em técnicas de investigação experimental. Este artifício, quando combinado às aulas tradicionais, de cunho expositivo, torna-se um recurso didático valioso para o desenvolvimento de temas fundamentais da física, proporcionando ao aluno um ensino estimulante e uma aprendizagem significativa.
## 4 O LABORATÓRIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA (LDC) - - ILHA DA CIÊNCIA
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), através do seu Departamento de Física, iniciou em 1992 um projeto intitulado "Cientista do Amanhã" cuja proposta inicial era a criação de um curso mirim de Física voltado para alunos do ensino fundamental. Este projeto tinha como objetivo principal desenvolver a aprendizagem e a compreensão de conceitos físicos nestes alunos. Além disso, buscava divulgar, popularizar e desmistificar a ciência entre o público leigo e entre a própria comunidade acadêmica. A programação incluía desde palestras de cunho científico até confecção de experimentos (informação verbal).
No ano de 1993 o projeto foi interrompido, pois os seus coordenadores tiveram de se ausentar por motivo de qualificação docente em curso de doutorado, fora do Estado do Maranhão.
Com o reinício do projeto em 1998, a UFMA disponibilizou um espaço de 300m² constituído de uma sala com bancadas para a exposição dos experimentos, computador e uma oficina de eletromecânica, sendo este espaço inaugurado no início de 1999 com o nome "Experimentoteca da Física".
Durante a execução do projeto "Cientista do Amanhã", foram confeccionados vários experimentos pelos bolsistas e alunos participantes. Também foram adquiridos equipamentos diversos como, osciloscópio, voltímetro, laser de HeNe, aparelho de Van der Graff, máquinas fotográficas e filmes sobre ciências. Experimentos e materiais estes que serviriam como recursos didáticos para professores e alunos.
Atualmente, o projeto inicial "Cientista do Amanhã" tornou-u-se um Laboratório de Divulgação Científica - - Ilha da Ciência, que tem em suas bancadas dezenas de experimentos montados dos mais diversos conteúdos da Física, contando com bolsistas que trabalham no projeto diariamente, dando assistência a professores e alunos que buscam entender a ciência, relacionando a teoria com a prática, através dos experimentos.
O professor Dr. Antonio José Silva Oliveira, coordenador do projeto, o submeteu ao Curso de Treinamento em Centros de Museus de Ciência, realizado na Estação Ciência em São Paulo, tendo sua primeira publicação intitulada "Experimentoteca de Física", impressa no livro "Educação para a Ciência", editada pela EDUSP em 2001.
Em 1999 foi realizada a primeira exposição de experimentos do projeto nas dependências do Palácio Cristo Rei, em São Luís (MA), durante os meses de junho do mesmo ano, que contou com a visita de mais de 800 pessoas. No período de 2001 a 2002, o LDC participou do projeto da Prefeitura "Conversando com a Cidade", realizado mensnsalmente aos sábados, atingindo um público bastante expressivo nas 15 edições as quais participou. Durante sua trajetória, o LDC alçou vôos mais longos, expondo seus trabalhos em outras capitais brasileiras apresentados nas 51ª e 52ª Reunião Anual da SBPC. A partir daí, o LDC - Ilha Ciência tem feito exposições de seus experimentos em vários eventos científicos. Listamos abaixo os mais recentes:
- ÿ Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado no CEFET - Rio de Janeiro, em janeiro de 2005;
- ÿ Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no CEFET - - São Luís (MA), em outubro de 2004;
- ÿ Circuito Cultural Banco do Brasil, em São Luís (MA), Aterro do Bacanga, em novembro de 2004;
- ÿ 56ª Reunião Anual da SBPC, no circo da Ciência, em Cuiabá (MT), em julho de 2004;
- ÿ Reunião Regigional da SBPC, em São Luís(MA), na Escola de Arquitetura da UEMA, em março de 2004;
- ÿ Congresso de Trabalhadores de Educação, em São Luís (MA), no Convento das Mercês, em novembro de 2004;
É interessante frisar o evento intitulado "Maranhão, olhe para o céu", inserido na programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, ocorrido no dia 27 de outubro de 2004, na Praça Maria Aragão e promovido pela Secretaria Regional da SBPC - - MA, tendo como parceira a Associação de Astrônomos Amadores do Maranhão (SAMA) e cujo objetivo foi a visualização do eclipse lunar previsto para esta data. No local foram disponibilizados binóculos e telescópios cedidos pelo LDC - - Ilha Ciência, sendo que as imagens capturadas foram projetadas por telões através de data-show e uma TV de 29 polegadas (informação verbal).
O evento atraiu cerca de duas mil pessoas, conforme relatos da Polícia Militar, sendo satisfatoriamente divulgado pela imprensa local (rádio, televisão e escrita), inclusive com repercussão nacional. Isto demonstra a impmportância de conscientizar a população sobre ciência de forma a desmistificar fenômenos naturais como um eclipse. Neste caso, os meios de comunicação surgem como aliados capazes de estabelecer um elo entre as atividades de pesquisa e o cidadão comum.
## 4.1 O LDC e a divulgação da ciência no Maranhão
O LDC possui várias parcerias com outras áreas do conhecimento além da física (agronomia, filosofia, mestrado em educação, química), cujas contribuições são bastante relevantes para a divulgação da ciência no no Maranhão. Dentre elas podemos citar o grupo de História da Ciência da Universidade Federal do Maranhão, veiculado ao LDC Ilha Ciência e coordenado pelo professor Antônio José Oliveira, cujo funcionamento data de
1999. Seus principais componentes são profefessores e alunos de iniciação científica cujos trabalhos científicos só demonstram a preocupação crescente com a divulgação da ciência no Maranhão. Dentre esses trabalhos podemos citar:
- -A Evolução da Física no Maranhão: de 1969 a 1998. Revista CEUMA Perspectivas (artigo);
- -Ciência e Ensino Superior no Brasil e no Maranhão: de 1850 a 1950. Revista CEUMA Perspectivas (artigo);
- -Formação das Instituições Científicas no Brasil e no Maranhão. Revista em Foco (UEMA). Artigo;
- -Contribuições da Revista Maranhense para o Desenvolvimento da Ciência e da Educação no Maranhão (Maria Eliana Alves Lima, trabalho monográfico do curso de Pedagogia e orientação feita pelo coordenador do LDC);
- -O Ensino de Ciências para a Divulgação Científica nas Escolas de Ensino Fundamental em São Luís: o caso do reconhecimento de leishmaniose visceral. (Maria Eliana Alves Lima, dissertação de mestrado em Saúde e Meio Ambiente e orientação feita pelo coordenador do LDC);
- -Confecção de Experimentos Visando à Divulgação Científica, sua Caracterização e Aplicações (Paulo Rogério Dias Pinheiro, trabalho de iniciação científica e orientação feita pelo coordenador do LDC);
- -História e Memória da Ciência no Maranhão (Carlos Eduardo da Hora Santos, trabalho de iniciação científica e orientação feita pelo coordenador do LDC).
Este interesse crescente em fomentar a ciência nos meios acadêmicos e fora dele, fez com que no início de 2004 o Projeto História e Divulgação da Ciência no Maranhão, tendo como parceiros o LDC e o Núcleo de Pesquisa e Documentação Histórica Professor Mário Meirelles e coordenado pela professora Drª. Elizabeth Maria Bezerra Coelho fosse submetido ao CNPq. Ao LDC ficaria a incumbência de produzir experimentos destinados à ciência básica, recuperar instrumentos do laboratório Ilha Ciência, produzir e divulgar a história da ciência no Maranhão, fomentar trabalhos de pesquisa em história da ciência.
Percebe -se assim, o comprometimento do LDC na divulgação, popularização e desmistificação da ciência não só entre os maranhenses, mas também no Brasil. No entanto, para isso, é necessário um espaço onde possam ser concentrados os experimentos e demais trabalhos científicos que compõem o LDC. Desta forma, a coordenação do LDC solicitou ao Governo do Estado, através da Universidade Estadual do Maranhão, a doação de um casarão situado no Centro Histórico de São Luís (MA), sendo o pedido aceito pelo então governador José Reinaldo em 11 de outubro de 2004. O objetivo da coordenação do LDC é a criação de um Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), vinculado à reitoria da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Para conseguir esta meta, o LDC Ilha Ciência busca junto aos órgãos de fomento de ensino e pesquisa subsídios para a viabilização do CDCC. É de se esperar, pelo histórico do LDC, que estste objetivo será brevemente alcançado.
## 5 CONCLUSÃO
O coordenador e idealizador do Projeto Laboratório de Divulgação Científica - - Ilha da Ciência, não pensa em parar por aqui. Segundo ele, já está sendo articulada para o próximo ano a implantação de um Centro Integrado de Pesquisas e Observações Científicas (CIPOC). Este centro constará de laboratórios de experimentações, cursos técnicos profissionalizantes, ambiente de exposição e um planetário que permitirá aos visitantes a observação do espaço e a movimentação dos astros, por meio de simulações,
com projeções de imagens no interior de uma cúpula (O Estado do Maranhão, 2005). Iniciativa como esta, supera os obstáculos que geralmente permeiam projetos desta envergadura e estimula a novas iniciativas, assim pode-se perceber, o quão importante está sendo a divulgação da ciência no Maranhão pelo LDC.
Diante de todo esse panorama científico, de um modo geral, quem sai ganhando é a sociedade, pois a ciência que antes era vista apenas nos laboratórios das universidades poderá ser desmistificada por pessoas comuns. Dessa forma o homem, com o poder do conhecimento, poderá também desfrutar de sua cidadania com mais dignidade.
## REFERÊNCIAS
BRANCO, Bruna Castelo. São Luís terá planetário em 2006. O Estado do Maranhão , São Luís, 21 agos. 2005. O país, p.7.
CENTROS E MUSEUS DE CIÊNCIA DO BRASIL. Rio de Janeiro: ABCMC: UFRJ, Casa da Ciência: FIOCRUZ, Museu da Vida, 2005. 140 p.,il., 10,5 cm x 29,7 cm.
CRESTANA, Silvério (Org.). Educação para a ciência: curso para treinamento em centros e museus de ciência. São Paulo: Livraria da Física, 2001.
MENEZES, L. C. (Org.). Formação continuada de professores de ciências. São Paulo: NUPES, 1996. (Coleção formação de professores).
NARDI, Roberto (Org.). Questões atuais no ensino de ciências. São Paulo: Escrituras, 1998.
PERSECHINI, Pedro; CAVALCANTI, Cecília. Popularização da ciência no Brasil. Jornal da Ciência -SBPC, Rio de Janeiro, n. 535, agos. 2004.
PIETROCOLA, Maurício (Org.). Ensino de física: conteúdo, metodologia e epistemolologia numa concepção integradora. Florianópolis: Ed. UFSC, 2001.
ROCHA FILHO, João Bernardes da. Física e psicologia: as fronteiras do conhecimento científico... Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.
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