O USO DA INFORMATICA PARA O ESTUDO DA ASTRONOMIA
Neiva Godoi, Felipe Castilho, Yvonne Primerano Mascarenhas, Débora Coimbra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 02/02/2007
- Linha de pesquisa
- Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## OUSO DA INFORMÁTICAPARA O ESTUDO DA ASTRONOMIA
Neiva Godoi1,2 (neivagodoi@yahoo.com.br) Felipe Castilho 2 ( felipe.castilho1@gmail.com om ) Yvonne Primerano Mascarenhas 2 (yvonne@if.sc.usp.br ) Débora Coimbra 3 (deboracoimbra@terra.com.br) 1
E. E. Sebastião de Oliveira Rocha, São Carlos, SP
2 Instituto de Estudos Avançados – Universidade de São Paulo, São Carlos, SP 3 Departamento de Física – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP
## RESUMO
No contexto brasileiro, não é novidade que o ensino de Ciências Naturais continua ocorrendo no cenário do enensino tradicional, causando grande desinteresse, principalmente no ensino de Física. A necessidade de novas metodologias para o ensino de Ciências sugere um planejamento de estratégias de ensino diversificadas. Devido o aos avanços tecnológicos e à à necessidade de utilizar a informática com fins didáticos, realizamos um estudo com uma turma de sexta série do ensino fundamental de uma Escola Pública de São Carlos, interior de São Paulo. Nosso estudo foi realizado na Oficina de Informática Educacional, ocorrendo regularmente por duas horas-aula semanais, no projojeto Escola de Tempo Integral. Astronomia é um tema muito interessante, despertando a atenção de crianças e jovens, mas, especialmente na disciplina de Ciências em nível fundamental, é pouco trabalhado. Esse foi o foco principal desta investigação. Com a oportunidade de ministrar a Oficina de Informática Educacional, levamos o educando a pesquisar e utilizando o aplicativo PowerPoPoint, aprender um pouco de Astronomia. Com a discussão sobre os sistetemas Geocêntrtrico e Heliocêntrico, os educandos puderam refletir e dar sua opinião sobre o que a CiCiência lhes ensina, uma boa oportunidade de utilizar a estratégia de cotejar duas hipóteses referentes a um mesmo fato e decidir popor aquela a que o descreve mais adequadamentnte. Além disso, o, fizemos uma retomada de assuntos como o ciclo da água e fotossíntese. De modo geral, os trabalhos em PowerPoint t foram ricos em imagens e conteúdo, pois os estudantes pesquisaram e descobriram mais do que foi solicitado, como nomes de outras s galáxias, luas de outras planetas, o questionamento acerca da existência de vida ou não em outros planetas, o que é necessário para haver vida, etc. Durante a apresentação , , houve muita discussão e muitas dúvidas, as quauais s foram sanadas nos trabalhos seguinintes, que funcionaram como complemento. -
PALAVRAS CHAVE: : Informática na EdEducação; Ensino Fundamental.
## INTRODUÇÃO
Os atuais avanços tecnológicos de âmbito mundial na microeletrônica e nas telecomunicações, ao gerarem profundas transformações técnicas, organizacionais e administrativas nas bases da Sociedade Industrial, têm anunciado a emergência da Sociedade da Informação, em razão do papel que a informação e o conhecimento desempenham m no vértice das transformações das instituições, impactando em todas as áreas.
A partir da vinculação do crescimento econômico ao desenvolvimento tecnológico, a produção de conhecimento e a manipulação da informação passaram a constituir elementos essenciais da produção. Do âmago do sistema capitalista advêm propostas sobre o fefenômeno da globalização, conduzidas por uma crescente intensificação das rerelações entre as sociedades e por novas demandas no mundo do trabalho. Às preocupações no campo educacional, desta forma, somammse novas interrogações, para além da sofisticação técninico-o-metodológica.
No contexto brasileiro, não é novidade que o ensino de Ciências Naturais continua ocorrendo no cenário do ensino tradicional, causando grande desinteresse, principalmente no ensino de Física. A Ciência que interessa ao cidadão não atende aos dois aspectos complementares, o de visão geral de mundo e o preparo científico-o-tecnológico básico (MENEZES, 2000). A necessidade de novas metodologias para o ensino de ciências sugere um planejamento de estratégias de ensino diversificadas, como aprendndizagem por projeto, interdisciplinaridade, relações com o cotidiano, até roteiros com atividades como subsídio para o trabalho do professor. A aplicabilidade de novas tecnologias ao fazer pedagógico é anunciada como uma inovação promissora na busca da melhoria da qualidade na superação de antigas dificuldades. Apesar da não-o-neutralidade das tecnologias, dada sua estreita vinculação com o motor econômico, e das tendências que têm impulsionado as implicações de seu desenvolvimento, há um potencial educativo que, se devidamente explorado, pode representar contribuição efetiva na superação das situações de exclusão e de desigualdades sociais.
Os materiais didáticos, além dos livros didáticos, incluem desde textos paradidáticos, jogos, kits de experimentos, vídeos, até recursos mais sofisticados como CD's interativos (PERDIGÃO, 2001) , que a maioria das escolas não possuem, ou, quando possuem , , há a falta de manutenção. As atividades que sustentam o trabalho com os programas e livros didáticos baseados em saberes escolares relativos às matérias ensinadas são insuficientes em nossos dias. Apesar da diversidade de nossos estudantes e das políticas públicas, nossos recursos são sempre poucos. Os estudantes da rede pública são oriundos, em sua maioria, de classes sociais menos favorecidas, não tendo acesso ao computador e à internet .
Por outro lado, com sua grande capacidade de ativar e cativar a curiosidade de crianças e jovens , a astronomia 1 pode servir de introdução à à Física propriamente dita . Quase sempre reservado à ementa de Geografia, raramente esse tema é tratado com foco no formalismo matemático que descreve os fenômenos ou na teoria física que os sustenta. No Ensino Médio, o formalismo matemático, na maioria das vezes, está muito além das habilidades desenvolvidas pelos estudantes, denunciando a necessidade de uma adequação do tratamento no nível fundamental da Educação Básica. É função do professor , , como com um parceiro mais capaz, orientar a aprendizagem e selecionar meios adequados para evolução do conhecimentnto, transformando esse de uma simples narração do cotidiano (repleleta de concepções espontâneas) a um pensar científico. O ensino dos sistemas Heliocêntrico e Geocêntrico suscita uma boa oportunidade de utilizar a estratégia de cotejar duas hipóteses referentes a um mesmo fato e decidir pela que o descreve mais adequadamente.
Neste contexto, realizamos um estudo exploratório em uma turma de sexta série do Ensino Fundamental de uma escola pública da cidade de São Carlos - SP. Essa escola é piloto no projeto Escola de Tempo Integral do governo daquele estado, concebendo o a grade no formato de nove aulas diárias, seis aulas no período matutino e três aulas no vespertino, sendo as últimas exclusivamente oficinas (devem ser aulas experimentais). O presente trabalho foi realizado na Oficina de Informática Educacional. l. A motivação inicial foi a Olimpíada Brasileira de Astronomia, ocorrida em maio de 2006. Uma das propostas da Oficina de Informática Educacional era o estudante aprender a pesquisar na Internet 2 e a utilizar o aplicativo PowerPoint. t. As atividades r realizadas s são detalhadas na seqüência.
## ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM SALA DE AULA E ALGUNS RESULTADOS OBTIDOS
Nosso estudo foi realizado na Oficina de Informática Educacional, ocorrendo regularmente por duas horas -aula semanais, no projeto Escola de Tempo Integral. Nossos estudantes, de ambos os
gêneros e faixa etária entre 11 e 13 anos, são oriundos da classe média baixa, totalizando 30 participantes. No Quadro I sintetizamos as atividades desenvolvidas e seus objetivos, no período de maio a setembro de 2006.
Quadro I: Distribuição das atividades por aula e seus principais objetivos.
Nosso primeiro trabalho foi dividido em três encontros de aulas duplas. No primeiro, os estudantes pesquisaram na internet t o que são estrelas, planetas, galáxias, asteróides, etc. Devido à pequena quantidade de computadores, a pesquisa foi realizada em grupos de três estudantes. No segundo encontro, slslides s foram montados no PowerPoint, utilizando inclusive figuras. Uma das alunas criou a seguinte música:
Nossa Galáxia é a Via Láctea Nosso Sol é o mais belo Nosso Planeta é a Terra Moramos no Brasil Que tem o céu Cor de anil Nosso Estado é São Paulo Cidade de São Carlos
No terceiro encontro, cada grupo de três estudantes fez a apresentação do seu trabalho para a classe toda. Alguns slides ficaram parecidos, mas sempre havia uma diferença ou outra, quanto à escolha das imagens, cada qual defendendo que a imagem escolhida era a mais condizente .
Nosso segundo trabalho foi dividido em dois encontros de duas aulas duplas. No primeiro deles , cada grupo de três estudantes escolheu um planeta para fazer a pesquisa e apresentação, na qual deveriam constar as características do planeta, como número de satélites, se possuíam ou não atmosfera, tamanho, período de translação e rotação, periélio e afélio. Os estudantes apresentaram os trabalhos oralmente no segundo encontro. o. A discussão mais rica foi a de haver ou não vida naqueles referidos planetas.
Nosso terceiro trabalho também foi dividido em dois encontros de duas aulas duplas. No primeiro, realizamos um debate, cujas questões eram: Quais os movimentos que a Terra realiliza? Como podemos provar que a Terra está em movimento? O que aconteceria se a Terra parasse?
Em seguida, ouvimos a música de Raul Seixas "O dia que a Terra parou" para discutir o que aconteceria se a Terra parasse . UtUtilizamos , , também, m, um trecho da Bíblia, segundo o qual Deus ordenaria ao Sol e à Lua que parassem. Por último, foram apresentados os dois modelos, o de Ptolomeu e o de Copérnico, para que se pudesse comparar e constatar sua equivalência do ponto de vista da Cinemática dos movimentos. Usamos o Sistema Heliocêntrico pela facilidade de representação matemática dos movimentos dos planetas, por sua simplicidade e elegância.
No encontro seguinte, houve a introdução das leis de Kepler. Utilizando o aplicativo EXEXCEL . Os estudantes fizeram o gráfico do período ao quadrado em função da distância ao cubo, reproduzindo a terceira lei. Inicialmente, pesquisou-u-se na Internet a distância de cada planeta ao Sol e seus respectivos períodos de translação, conforme apresentado no Quadro II. Não houve problemas em relação aos dados coletados para as distâncias, mas s para os valores dodos períodos, alguns encontraram em dias e outros em anos, , suscitam atividades de conversão. Fizemos o o cálculo da constante K = T2 T2 /D 3 para o conjunto de dados e foi constatado o que o valor obtido realmente era constante, conforme apresentado na Tabela I .
Quadro II: Dados coletados para a obtenção da Terceira Lei de Kepler.
Tabela I: Exemplo de cálculo no Excel, com o período em dias.
De modo geral, os trabalhos em Power PoPoint t foram ricos em imagens e conteúdos, pois os estudantes pesquisaram e descobriram mais do que o solicitado, como nomes de outras galáxias, luas
de outras planetas, se há vida ou não em outros planetas, o que é necessário para haver vida, etc. Durante a a apresentação houve discussão e muitas dúvidas, que foram sanadas nos trabalhos seguintes, que funcionaram como complemento. No terceiro trabalho promovemos um debate, no qual os estudantes puderam m manifestar suas concepções e reflexões sobre Gêocentrismo e HeHeliocentrismo . Alguns trechos recortados desse encontro, o qual foi registrado em vídeo, o, são transcritos os e analisados na próxima seção. o.
## RESULTADOS VIVENCIADOS: ALGUNS EPISÓDIOS DE ENSINO
No primeiro encontro relativo ao segundo trabalho, realizamos um um debate sobre Heliocentrismo e Geocentrismo. Recortamos trechos desse debate a fim de esboçar como ocorreu essa atividade em sala de aula e também, como os estudantes manifestavam suas opiniões e argumentavam em defesa das mesmas. No Episódio 1, transcrito na seqüência, alguns deles defendem que é o Sol quem gira, enquanto outros confundem translação e rotação.
Episódio 1 – Geocentrismo × × Heliocentrismo
Legenda: P – professora
An - estudantes
- P: Como a gente pode provar que a Terra está em movimento?
- P: Fala A7 .
- A7: A gente sabe que ela gira porque de manhã é sol e a tarde é escuro.
- P: Gente por favor ta muito barulho, nos não estamos conseguindo ouvir o colega.
- P: Fala A8
- A8: Dá pra saber, porque tem o dia e a noite.
- P: Gente para de brincar.
- P: Oh! Tem o dia e a a noite, de manhã a gente vê o Sol de um lado, à noite o Sol tá do outro lado?
- A9: De tardezinha.
- P: Quem garante que é a Terra que está girando e não o Sol?
- A10: Os cientistas
- P: Cientistas garantem? m? e vovocês , o que acham?
- A7: Na minha opinião, eu acho que é a Terra que gira, porque ela é menor que o Sol, a gravidade dela é menor.
- A11: Ô Dona é assim (o estudante faz movimentos com as mãos para mostrar)
- P: Fala A9 .
- *Todos falam ao mesmo tempo.
- A12 a graravidade da Terra é menor... vira uma bagunça.
- P: Pessoal aí í atrás, silêncio, sei que todo mundo quer falar... deixa ele primeiro
- A9: (mostrando com as mãos) A Terra gira em torno do Sol
- A7: Professora deixa eu falar uma coisa!
- P: Peraí gente, A13, o quque você está á falando baixinho?
- A13: O que eu tava falando Dona é que o Sol é o centro do universo e a Terra fica rodando em volta dela, e a Lua roda em volta da Terra (mostrando os movimentos com a mão).A gente ta no Brasil de dia, conforme vai girando vai ficando de noite.
- A11: A Terra gira só assim Dona (mostrando com as mãos) e gira em torno do Sol (tentando compor os dois movimentos com as mãos).
- P: Deixa o A14 falar!
- P: Explica A14
- A14: É só pegar um telescópio e começar a olhar.
- P: Então se eu pepegar um telescópio e começar a olhar o que eu vou ver?
- A14: As coisas do céu se mover, posso saber que a Terra gira em torno do Sol pelo dia e a noite.
- P: Mas o movimento em torno do sol nos dá o dia e noite?
- Vários: Não!
- A7: Não nos da as estações do ano.
- A12 Eu acho mais fácil a Terra girar porque ela é menor que o Sol .
A afirmação de A10 de que a posição dos cientistas tem força de verdade (no caso particular, equivocada), sem maiores reflexões sobre as mesmas, exemplifica a percepção de que a complplexidade do assunto é um impeditivo para que ele reflita sobre o mesmo. A argumentação dos estudantes para o movimento da Terra, visivelmente, está associada à escolarização prévia e denuncia a precariedade do trabalho nessa escolarização, pela confusão de conceitos e pelo não diferenciação dos movimentos de translação e de rotação. No Episódio 2, apresentamos as manifestações dos estudantes em relação à possibilidade de ausência de movimento terrestre.
Episódio 2 – Geocentrismo: e se a Terra parasse.
Legenda: P – professora
- An - estudantes
- P: O que aconteceria se a Terra parasse?
- A16: A gente ia morrer
- *Vários levantaram o braço
- P: Um de c cada vez!
- A17: Só iria ter dia ou noite
- A1: A gente ia parar no tempo
- A11: A gente ia morrer Dona , porque um lado ficaria noite e do outro o Sol, como ia crescer as plantas? Nos íamos morrer asfixiados .
- P: Alguém mais quer falar?
- [...] Música do Raul Seixas... Leitura da primeira estrofe
- P: Todo mundo resolveu que não ia fazer nada, é isso que vocês leram aqui?
[...]
- A19: Ninguém saia porque a Terra estava parada
- P: A18: o que você acha?
- A18: Todo mundo resolveu que não ia sair nem fazer nada.
- P: Por que?
- [...]
- A19: : Tava de noite ou de dia?
- P: Boa pergunta, de dia ou de noite que a Terra parou?
- A4A4: Foi de dia se não a mulher não ia comprar pão.
- A18: Depende pode ser de dia ou de noite.
- A7: Todo mundo tava dormindo então era de noite.
Vários: De dia ... de noite
... D
Discussão, confusão.
- P: Bem vamos supor que a Terra parou do lado da noite, aqui ui onde nós estamos hoje...
- A7: Professora olha aqui todo mundo dormiu e não acordou.
- A7: Nós vamos morrer congelados.
- P: Um de cada vez, fala A5: .
- A5: Se é de noite não tem trabalho nem estudo.
- A4: A noite e o dia sustentam tudo praticamente, por causa que as plantas precisam de Sol e descanso, precisam de respirar, as pessoas também não tem como, assim elas vão ficar com muito frio, e outra, ficar tudo praticamente parado.
- A5: A gente precisa do dia e da noite.
Esse episódio relata a concepção empirista do tempo. Para esses estudantes, só existe dia e noite (e o tempo, por conseqüência) se houver um observador e uma forma de medir. Esse tipo de concepção é bastante comum nessa faixa etária, embora não seja exclusividade da mesma. No terceiro episódio selecionado, comentários formulados pelos estudantes fomentaram a retomada e sistematização do conhecimento do ciclo da água e da fotossíntese.
## Episódio 3 - Lado iluminado da Terra parada
- Legenda: P - professora
- An -estudantes
- P: Pessoal, l, espera só um pouquinho, fala A20
- A20: Porque tipo, no Sol a água vai fica quente.
- P: Vai ter água quente?
- A20: Vai, as plantas vão morrer, porque só vai ter Sol, Sol, Sol....
- A9: A água vai evaporar rapidamente.
- P: Espera aí, a água que vai evaporar r vai subir e depois que vai acontecer?
- A4: Vai virar chuva.
- P: Pra virar chuva o que é preciso?
- A5: De vapor.
- P: Evapora e volta?
- A21: Tem uma nuvem que fica dentro e cai
- P: Deixa o A22 falar.
- A22: Oh, a água do mar, dos lagos, das lagoas com o Sol evavapora, sobe para as nuvens, as nuvens fica densa e chove.
- P: E pra... Como é que faz pra nuvem fica densa?
- A20: Aquele vapor que subiu, aquele vapor resfria e vira chuva
- A7: O vapor sobe e acontece a condensação.
- P: O que é condensação?
- A7: É a passagem do estado gasoso para o estado líquido e depois ela cai.
- P: Quando eu pergunto para vocês gente... Do lado que tá o Sol vai acontecer, a água vai evaporar, vai condensar, vai virar chuva.
- A5: Se tivesse Sol a gente já teria morrido faz tempo
- P: Tem o lado da noite o que vai acontecer?
- A4: É frio professora.
- P: Geralmente não tendo Sol, o que aconteceria?
- A5: Fica frio por causa das á rvores.
- P: É só por causa das árárvores?
- A7: Não, mesmo a noite fica quente.
- P: O que causa esse aquecimento?
- A8: Poluição, usinas
- A4: Fumaça de ônibus.
- A7: Queimada da cana.
- P: Agora deixa eu fazer uma pergunta. Lá no nordeste quase não chove e é muito quente...
- A11: Eu morava lá Dona!
[...]
- A7: Assim oh, se a Terra parasse, se fosse de noite, as plantas não iriam m fazer fotossíntese.
- P: O que vocês acham do que o A7 A7 falou? Por que precisa tanto da luz?
- A20: Não tem geladeira, não tem gás, não tem nada.
- A10: Sem luz a gente não tem tecnologia.
- P: Então a gente não tem tecnologia. Se a gente ficar sem a luz solar r a gente não tem o que?
- A11: Não tem calor, não tem alimento
- P: A gente não tem alimento por que?
- A16: Porque a plantas tem que fazer a fotossíntese, e precisam de luz e água.
- P: O que é a fotossíntese? Por que é importante a fotossíntese?
- A5: Pra faze r a respiração.
- P: O que a planta faz quando ela faz fotossíntese?
- A16: A planta fabrica seu próprio alimento.
- P: O alimento e o que mais?
- A21: E energia, a água do lugar com o Sol ia evaporar e ia para o lado sem o Sole virava gelo, então ia acabar a águgua.
- A7: Na parte que não fosse noite, é o Sol que faz a água evaporar, não ia poder evaporar, a água ia ficar liquida, parada e as águas que movem as usinas hidroelétricas, que faz a força e ai depois nos não íamos poder ver nada, não ia poder toma r água .
[...]
- P: Por que a fotossíntese é importante?
- A4: Eu sei, porque nos necessitamos da planta para nos alimentar e outros animais também. P: O que é fotossíntese?
- A8: A planta pega o gás carbônico e transforma em gás oxigênio.
- P: o que a planta tem de importante que ela faz a fotossíntese?
- A22: Clorofila
- P: O que mais ela faz de importante porque a gente precisa da planta?
- A20: A gente come, faz remédio, ela libera o oxigênio.
Novamente, uma confusão de concepções espontâneas e previamente aprendidas s destaca-se nas falas dos estudantes. Adestrados ao comportamento considerado adequado na perspectiva do ensino tradicional, esses estudantes demonstram habilidade em estabelecer relações, inclusive de natureza interdisciplinar e, a confusão ocorrida, se dedeve à ausência de negociação das idéias na sala de aula. No último trecho recortado, transcrito no quarto episódio, no momento em que o debate levava ao confronto entre o científico e o religioso, a professora optou por distribuir o material paradidático. Novamente, salienta -se a abdicação da argumentação em favor da supremacia do conhecimento sistematizado, entendido enquanto verdade irrefutável.
## Episódio 4 – Equivalência entre Geocentrismo e Heliocentrismo
Legenda: P – professora An - estudantes
- P: Vocês não querem que a Terra esteja parada, mas esta escrito na Bíblia que quem girava é o Sol. Leitura do trecho da Bíblia.
- P: Na Bíblia dizia que quem girava era o Sol e a Terra ficava parada, isso é verdadeiro? Vários: Não.
- A24: É o contrario.
- P: Por que o contrario A24: ? Mas essa é uma outra teoria? Temos duas teorias
- A8: Eu acho que é verdade, a que a Terra gira em torno do Sol.
- P: Por que não e verdade a que o Sol gira em torno da Terra? A gente vê todo os dias o Sol de um lado, o o Sol de outro.
- A2A24: Existe dois porém, o homem acredita na Bíblia ou o homem acredita na Ciência.
- P: E agora quem tem razão?
- A2A24: Acho que os dois têm m razão.
- P: A gente tem duas teorias, uma onde o Sol é o centro do universo, outra teoria que a Terra é o o centro do Universo. Se a Terra é o centro do Universo, a Terra tá á bonitinha parada, o Sol gira em torno da Terra?
- A8: Dona , então porque a Terra é o centro do universo, ela vai ser o planeta mais quente? P: Pra ser o centro do universo tem que ser quente?
- A8: Não é lógico, qual o planeta mais quente? Marte?
- P: Qual o planeta mais quente?
Vários: Marte.
- P: Agora vou entregar um xerox onde temos as duas teorias, elas são equivalentes. Uma tem o Sol como centro do Universo, modelo de Copérnico. Outra a Terra como centro do Universo, modelo de Ptolomeu.
- A12 Eu não disse que valia as duas.
- P: Então é o seguinte, presta atenção
- Todos olham com interesse.
- P: Todo mundo gira em torno do Sol e no outro todo mundo gira em torno da Terra.
Vários estudantes fificaram procurando se nos dois modelos estavam presentes todos os planetas.
- P: Os dois sistemas são equivalentes, mas matematicamente é mais fácil você explicar a Terra girar em torno do Sol, do que o Sol girar em torno da Terra. Todo mundo entendeu?
De e modo geral, os episódios descrevem a manifestação dodos educandos em diversos momentos , assim como a reflexão, expressando sua opinião sobre o que a ciência lhes ensina. Esse último episódio nos leva a constatação de que a estratégia de cotejar duas hipóteseses referentes a um mesmo fato e decidir pela que o descreve mais adequadamente, é bastante profícua, mesmo numa turma de préadolescentes. A medida que essas atividades forem incorporadas ao cotidiano escolar, a tendência é de melhora no nível de argumentaçação, concorrendo para a formação de uma postura crítica, fomentada desde a mais tenra idade.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
No contexto brasileiro, não é novidade que o ensino de Ciências Naturais continua ocorrendo no cenário do ensino tradicional, causando grande de desinteresse, principalmente no ensino de Física. A necessidade de novas metodologias para o ensino de Ciências sugere um planejamento de estratégias de ensino diversificadas. O espaço possibilitado pela Oficina de Informática Educacional, ocorrendo regularmente por duas horas-aula semanais, no projeto Escola de Tempo Integral oportunizou à utilização da informática com fins didáticos, com uma turma de sexta série do ensino fundamental de uma Escola Pública de São Carlos, interior de São Paulo.
Responsáveveis pela Oficina de Informática Educacional, levamos o educando a pesquisar e utilizando o aplicativo PowerPoint, aprendendo o um pouco de Astronomia. Com a discussão sobre os sistemas Geocêntrico e Heliocêntrico, os educandos puderam refletir e dar sua opinião sobre o que a Ciência lhes ensina, uma boa oportunidade de utilizar a estratégia de cotejar duas hipóteses referentes a um mesmo fato e decidir por aquela que o descreve mais adequadamente. Nessa atividade, uma falha perceptível foi a ausência da análise dos efeitos da gravidade com a ausência do movimento. Essa preocupação deve ser contemplada num estudo futuro. Uma outra perspectiva consiste na utilização de softwares gratuitos para a ilustração interativa desses e de outros fenômenos de interesse físico.
De modo geral, os trabalhos em PowerPoint t foram ricos em imagens e conteúdo, pois os estudantes pesquisaram e descobriram mais do que foi solicitado, como nomes de outras galáxias, luas de outras planetas, o questionamento acerca da existência de vida a ou não em outros planetas, o que é necessário para haver vida, etc. Durante a apresentação, houve muita discussão e muitas dúvidas, as quais foram sanadas nos trabalhos seguintes, que funcionaram como complemento .
## REFERÊNCIAS
PERDIGÃO, A. L. R. V. Concepções Pessoais de Futuros Professores sobre o Processo de Aprendizagem e de Ensino. In: REALI, A. M. M. R.; MIZUKAMI, M. G. N. (org.) Formação de Professores - práticas pedagógicas e escola . São Carlos: EdUFSCar, 2002.
MENEZES, Luis Carlos de. O desafio de de ensinar ciências no século XXI. São Paulo: Edusp, 2000.
http://pt.wikipedia.org/ http://astro.if.ufrgs.br/ http://www.zenite.nu/ http://www2.uerj.br/oba/
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