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PERFIL DOS LICENCIANDOS EM FISICA DA UFRJ, SEGUNDO O USO DE COMPUTADORES

Renato Santos Araújo, Deise Miranda Vianna

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
02/02/2007
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PERFIL DOS LICENCIANDOS EM F FÍSICA DA UFRJ, SEGUNDO O USO DE COMPUTADORES

Renato Santos Araújo b a [raraujo@ufrj.br] Deise Miranda Vianna b [deisemv@if.ufrj.br]

a Discente do programa de pós b-graduação em Ensino em Biociências e Saúde do IOC-FIOCRUZ b IF -UFRJ; Programa de pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde do IOC-FIOCRUZ

## RESUMO

Os dados do Pnad/IBGE E (2005) ) mostram um crescimento da parcela da população que acessa a Internet. O índice de acesso por parte do público em idade escolar é significativo e isisso remete a discussão para a sala de aula em geral e o professor em particular. Dados coletados no penúltimo SNEF (2003) mostram que a relação entre os computadores e a Internet é ainda tumultuada e que na Universidade havia uma importante lacuna relacionanada à formação de professores preparados para usarem computadores como uma tecnologia educacional. Este trabalho tem como problema a inserção da informática na formação inicial de professores de Física no curso de Licenciatura em Física da UFRJ. O objetivo deste trabalho é realizar uma pesquisa quantitativa com a finalidade de se traçar perfis de utilização de computadores e Internet e avaliar as expectativas dos licenciandos sobre o papel da Universidade em sua capacitação. Esses resultados serão comparados com os dados obtidos em Araújo e Vianna (2003) sobre os alunos da UFRJ para avaliar a hipótese de que nesses últimos 5 anos houve uma modificação no perfil de utilização de computadores pelos licenciandos desse curso, no sentido de uma apropriação crítica dessa ferramenta . Concluiu-u-se que essa lacuna não apenas foi preenchida como também gerou resultados ainda piores daqueles obtidos há 5 anos atrás, visto que nenhum aluno estudado na amostra afirmou que a universidade contribuiu em seu aprendizado de informática. Além disso, percebeu-u-se uma redução significativa das expectativas de capacitação na temática estudada quando se foram comparados os resultados dos alunos recém-m-chegados no curso com aqueles que estavam concluindo-o.

## INTRODUÇÃO

A informática e a a Internet são ferramentas que hoje ocupam importantes espaços na sociedade. Com relação ao acesso à Internet, o jornal Folha de São Paulo (COSTA, 2006) publicou os dados do Pnad/IBGE com informações relevantes sobre a população brasileira. Essa reportagem apontou que apesar do percentual da população que acessa a rede de computadores estar crescendo anualmente, esse crescimento é acompanhado de uma clara desigualdade social. As Figuras 1 e 2, que apresentam o percentual de acesso em função do rendimento mensnsal per capita e por escolaridade, respectivamente, mostram que os índices de acesso é proporcional a esses fatores, tal que aproximadamente 10% das classes menos favorecidas acessam a Internet.

Figura 1: Percentagem das pessoas que usaram a Internet nos três meses anteriores ao período de referência, em %, por classes de rendimento mensal per capita (COSTA, 2006)

Figura 2: Percentagem das pessoas que usaram a Internet nos três meses anteriores ao período de referência, em %, por anos de estudo (COSTA, 2006)

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Inserida nesse contexto de transformação e desigualdade social encontra-se a escola. Uma forma de se compreender parcialmente como a Internet afeta essa instituição é o estudo do acesso à Internet em função da idade, como apresentado pela Figura 3. Apesar de uma parcela significativa da população em idade escolar não estar dentro da escola no Brasil, ainda sim é possível estimar que a Internet e a cultura associada à ela (de blogs, chats, Orkut, muita comunicação e troca de informação) começa a permear o ambiente escolar, visto que o maior percentual de pessoas que acessaram a rede se concentra na idade escolar.

Figura 3: Percentagem das pessoas que usaram a Internet nos três meses anteriores ao período de referência, em %, por idade e sexo (COSTA, 2006)

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Esses dados revelam que o acesso à Internet tende a se tornar uma atividade freqüente na sociedade e, para a escola, essa nova tecnologia parece ter perdido seu status de novidade. E para o professor de Física, ela já integra o seu cotidiano? Essa tecnologia já se apresenta como uma ferramenta pedagógica?

Essas questões foram discutidas por Vianna e Araújo (2003) que apontaram 1/3 dos professores Física de nível médio do grupo estudado no Rio de Janeiro não tiveram acesso à computadores; metade sem Internet e, aproximadamente 70% dos que usavam o computador, digitavam textos e elaboravam provas. Esse quadro é preocupante, pois diminuem-m-se as possibilidades dessa ferramenta de contribuir para a melhoria do ensino de Física.

Esse aspecto direciona as reflexões feitas nesse trabalho para a formação continuada e inicial de professores de Física, pois é necessário contemplar a capacitação dos professores para a utilização dos computadores com outros fins além de máquina de escrever. No âmbito da formação inicial, Araújo e Vianna (2003) se questionam se os futuros professores da UFF, UFRJ e UERJ saberão utilizar as novas tecnologias. Seus resultados sugerem que, se uma proposta não fosse realizada nesse sentido, os cursos dessas Universidades continuariam formando professores sem a devida capacitação para o uso de computadores em suas práticas.

Este trabalho tem como problema a inserção da informática na formação inicial de professores de Física no curso da UFRJ. O objetivo deste trabalho é realizar uma pesquisisa quantitativa com a finalidade de se traçar perfis de utilização de computadores e Internet e avaliar as expectativas dos licenciandos sobre o papel da Universidade em sua capacitação. Esses resultados serão comparados com os dados obtidos em Araújo e Viaianna (2003) sobre os alunos da UFRJ para avaliar a hipótese de que nesses últimos 5 anos houve uma modificação no perfil de utilização de computadores pelos licenciandos desse curso no sentido de que uma apropriação crítica dessa ferramenta se confirma.

## COMPUTADORES NO ENSINO DE FÍSICA: UMA RÁPIDA REVISÃO

Com o sentido de discutir a presença e a utilização do computador e da Internet no ensino de Física, foram estudados alguns trabalhos que fazem uma revisão dessa temática.

Rosa (1995), ao estudar 182 trabalhos no período de 1979 e 1992, buscando verificar as potencialidades e o uso real dos computadores no ensino de Física, aponta a coleta e análise de dados em tempo real, l, a simulação estática e dinâmica, a instrução assistida por computador, a administração escolar e o estudo de processos cognitivos como os objetivos principais dos trabalhos analisados. Desta lista, as linhas que concentram maior número de trabalho são as de simulação, coleta de dados e instrução assistida por computador. A partir do estudo desses trabalhos, o autor conclui que há pouca analise das vantagens, sob ponto de vista educacional, do uso dos computadores no ensino de Física e que não existe uma preocupação efetiva com o embasamento teórico em teorias de aprendizagem nessas pesquisas.

A revisão de 109 artigos publicados em 15 periódicos nacionais e internacionais reconhecidos a partir de 1990 permitiu à Araújo e Veit (2004) sintetizarem as modalidades pedagógicas do uso do computador. Os autores identificaram como modalidades de uso do computador a: instrução e avaliação mediada por computador, onde encontram-m-se os tutoriais; modelagem e a simulação computacional, l, onde estão incluídos as simulações e softwares construtores de simulações e modelagens; coleta e análise de dados em tempo o real, l, por meio de gráficos, tabelas e cálculos estatísticos; recursos multimídias , apresentando conteúdos em textos, imagens e vídeos por meio de inter-relações comumente veiculados em hipermídias; comunicação à distância, que inclui trabalhos onde o compuputador é usado como intercâmbio de informações; resoluções algébricas, que contém trabalhos com propostas pedagógicas envolvendo a resolução matemática ou algébrica de problemas da Física e representações gráficas dessas soluções; e estudos dos processos cocognitivos, onde estão os estudos sobre a interação aluno-computador, classecomputador e professor-computador. A análise realizada pelos autores aponta para resultados similares aos obtidos por Rosa quando afirmam que a maioria dos trabalhos está concentrados na modelagem e simulação.

Contudo, vão além ao identificar a Mecânica Newtoniana como conteúdo abordado majoritariamente em Ó detrimento a outros, particularmente a Óptica e a Física Moderna.

A partir da Teoria da Ação Mediada de Wertsch (apoiado em pensadores como Burke, Bakhtin, Zinchenko e outros), Giordan (2005) analisa as contribuições das seis formas/situações mais representativas de utilização do computador na sala de aula de Ciências para indicar perspectivas de pesquisa na área. São discutidas as linguagens de programação a partir do trabalho de Papert com o Logo e os sistemas tutoriais , discutindo o desejo de uma parcela dos especialistas em substituir o professor pelo computador por meio da interatividade, associado aos conhecimentos sobre as cononcepções alternativas. Posteriormente, é discutida a questão da concepção do computador como uma caixa-de-f-ferramenta, destacando-se as tabelas para tratamentos estatísticos e gráficos, abandonada pela pesquisa . Apesar de focar a discussão sobre as simulações e animações de moléculas, os autores apresentam como a combinação de características iconográficas e multimídias, associada à possibilidade de se vincular variáveis de natureza teóricas a formas de representação de natureza imagética, podem se apresentar de forma atrativa para a pesquisa em Educação em Ciências. No âmbito da comunicação mediada pelo computador, é feita uma apresentação histórica do desenvolvimento da Internet, a partir de 1950, e em seguida faz-z-se um recorte que focaliza a interação alunoaluno mediada pelo computador. Como perspectivas, apontam a necessidade de se pesquisar como alunos e professores interagem diante do computador em situações de sala de aula. Além disso, colocam o fato de que, ao contrário de outros setores do mundo do trtrabalho, os computadores não substituíram o professor na sala de aula e que a demanda por esse profissional aumentou, mas " a pressão pela demanda desses profissionais não é apenas quantitativa; exige-s-se cada vez mais de suas competências em lidar com o mundo governado por redes, sejam elas de informação, de produção, ou mesmo de poder" r" (p.296).

A partir desses trabalhos de revisão de literatura, parte-se para a discussão da Tecnologia no ensino da Física. Sobre esse tema, Toniato et. al (2006), ao traçarem um recorte do Estado da Arte atual da utilização de Tecnologias no Ensino de Física e de Ciências a partir dos trabalhos publicados no XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, classificam as tecnologias em função dos objetivos de cada trabalho como apresentado na Figura 4. Recortando a discussão ao tópico "Tecnologias da Informática", os autores constataram que a categoria de simulação e animação computacional foi o procedimento mais privilegiado nesse simpósio, sendo seguido pela Internet como estratégia para dinamizar os trabalhos em sala de aula. Os autores também alertam a superficialidade dos resultados e conclusões obtidos nesses trabalhos.O alerta é justificado pela falta de apresentação da metodologia utilizada e da carência de articulação de referenciais teóricos claros e objetivos às práticas de pesquisa que investigam as reais possibilidades de integração das Tecnologias da Informática ao contexto do ensino de Física.

Figura 4: Categorias delineadas para a revisão realizada por Toniato (2006)

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Esses resultados apresentam classificações comuns de possíveis caminhos para a utilização dos computadores na melhoria do ensino de Física no Brasil, delineando um perfil de produção acadêmica que privilegia as simulações e as animações desde 1979, e caminha no desenvolvimento de uma postura crítica

com relação às competências dos professores e dos próprios resultados, visto que "a "a utilização da tecnologia pelo simples fato de utilizá-la no contexto educacional não se caracteriza necessariamente como investigação de cunho acadêmico, sendo necessário o cuidado com os aspectos metodológicos abordados" (TONIATO, 2006).

## METODOLOGIA

## Instrumentos de coleta de dados

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário com 26 questões fechadas com o intuito de colher informações sobre o perfil do público, da utilização de computadores e da Internet em suas residências, na escola onde estudou e na Universidade, a participação da Universidade no processo de apropriação da informática, a presença de disciplinas de de informática educativa e a sua avaliação para a formação de um professor Física preparado para o uso do computador como ferramenta pedagógica.

## Público -alvo

Foram estudados os estudantes de três turmas do curso de licenciatura em Física da UFRJ, uma do início e duas do último ano do curso. Ao todo, 32 licenciandos responderam o questionário. Além deste público, farão parte desse trabalho os resultados obtidos por Araújo e Vianna (2003) com 12 alunos de final de curso da UFRJ de 2001. Este grupo será denomininado UFRJ - 2001.

## Análise de dados

As questões fechadas dos questionários respondidos foram analisadas estatisticamente. Dois grupos foram criados, Calouros e Veteranos, nos quais foram colocados os alunos que ingressaram na UFRJ há menos de 1 ano e com ma is de 2 anos, respectivamente. Essa divisão parte do pressuposto de que o percurso universitário poderá trazer modificações nas respostas. Três alunos encontravam-m-se fora do sistema de classificação dos grupos e foram excluídos da análise.

Os dados dos grupupos foram analisados com o objetivo de traçar os seus perfis e compará-los com o grupo estudado em 2001. Para isto, os dados serão apresentados em forma de gráficos e médias com o estudo de dispersão estatístic a (desvio padrão da amostra - - s).

## RESULTADOS

## Perfil do Público Estudado

Onze alunos compõem o grupo dos Calouros. Eles ingressaram no curso de licenciatura há menos de 1 ano e têm em média 22,8 anos (s (s = 4,0). Todos entraram no curso pelo vestibular, nãnão possuem outra graduação e apenas um aluno lecionou, no nível fundamental, aulas de informática. Eles começaram a usar computadores, em média, no ano de 1998 (s = 2) e do total, 63% afirma ter aprendido a usar computadores em cursos de informática e 37% de forma autodidata.

Dezoito alunos compõem o grupo dos Veteranos. Esse grupo ingressou no curso há aproximadamente 2,5 anos (s = 1,3) e têm 26,2 anos (s = 4,6) em mémédia de idade. Dois alunos ingressaram no curso por transferência de Universidade e um por tranansferência de curso. Um estudante já havia concluído um curso de engenharia e 44,4% já lecionaram Física, Matemática, Química ou Desenho Geométrico no nível médio e fundamental. Esse grupo começou a usar computadores em 1996 (s (s = 4), sendo que 55% do total l aprenderam de forma autodidata e 45% em cursos de informática.

O grupo UFRJ-2001 foi construído a partir dos resultados publicados por Araújo e Vianna (2003). Esse grupo é composto por doze alunos que, em 2001, estavam entre o 7º e o 9º período do curso. As idades estão distribuídas entre as faixas de 19 a 22 anos (33%), 23 a 26 anos e 27 a 32 anos (25% ambas). Um estudante entrou no curso por edital de vagas e dois por mudança de curso. Três alunos já tinham outra graduação e 83% já lecionou disciplinas de de Física, Química, Matemática ou Desenho no nível médio e fundamental. Esse grupo começou a usar computadores no período entre 1999 e 1998 (39%) e 69% aprenderam de forma autodidata, 15% com apoio da Universidade e 8% com a ajuda de cursos a usar os computadores .

## Perfil de Utilização do Computador Domiciliar

Há computadores nos lares de 72% dos Calouros, 77% dos Veteranos e 92% do grupo UFRJ-2001. A média do tempo médio de uso do computador domiciliar é apresentada na Figura 5. Os valores 1, 2, 3 e 4 correspondem a faixas de tempos (0-0-2h, 3-5h, 6-6-10h e mais de 10h). A partir da análise dos resultados e do desvio -padrão, percebe-se que as médias de tempo de uso semanal dos computadores domiciliares são idênticas entre os calouros e os veteranos. Já o grupo UFRFRJ-2001 apresenta uma média de tempo de uso que é aproximadamente a metade dos valores obtidos com os grupos de 2006.

O perfil das atividades mais comuns nos computadores domiciliares não apresentou diferença significativa entre os grupos, sendo possível perceber a digitação de textos e o uso da Internet como as principais atividades nos computadores pessoais (FIGURA 6)

Figura 5: Média e desvio-padrão do Tempo Médio de Uso do PC Domiciliar por SemanaFigura 6: Percentual de de alunos em função das atividades mais comuns realizadas no PC domiciliar

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Figura 7: Percentual de alunos m função das atatividades mais comuns na Internet domiciliar

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A presença da Internet nos lares dos Calouros corresponde a 64%, sendo 55% discada e 9% a cabo. Já 73% dos Veteranos têm Internet em casa, sendo 34% discada, 28% à cabo e 5% à rádio (um aluno não respondeu).

Quauando questionados sobre o uso mais comum da Internet domiciliar aos que a possuem (FIGURA 7, nesssa figura, no eixo X, B. universidade representa busca de materiais para as aulas na universidade e B. na escola tem o mesmo signiicado, mas para a escola ), observou-se uma diversidade de atividades no grupo dos calouros, destacando -se o acesso a Jornais e Revistas, Orkut e a busca de materiais para aulas na Universidade. Os Veteranos, apesar de terem acesso à Internet em maior quantidade e velocidade, apresentam menor diversidade de atividades na Internet. As atividades mais comuns para esse grupo são a busca de materiais para as aulas na Universidade, os e-e-mails e o acesso à jornais. O grupo UFRJ-2001 apresenta o mesmo perfil de utilização dos Veteranos.

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## Perfil de Utilização do Computador Universitário

Quando questionados sobre os computadores nas Universidades, aproximadamente 10% dos Calouros e Veteranos e 25% do grupo UFRJ-2001 negaram que suas instituições de ensino lhes ofereciam acesso a computadores. Esse é um dado interessante, visto que o Instituto de Física da UFRJ dispõe de um Laboratório de Informática para a Graduação (LIG) com apoio de instrututores das 8h às 22h há quase uma década.

A Figura 8 apresenta a média do Tempo Médio de uso do computador da Universidade. Todos os grupos possuem um perfil de uso praticamente nulo dos computadores na Universidade. Os três grupos citaram a navegação na InInternet e, em menor escala, a digitação como sendo as atividades mais comuns realizadas no computador da Universidade (FIGURA 9).

Figura 8: Média e desvio padrão do Tempo Médio de Uso do PC universitário por semanaFigura 9: Percentual de de alunos em função das atividades mais comuns realizadas no computador da Universidade

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A utilização da Internet pelos três grupos apresenta dois perfis (FIGURA 10): a busca de informação para as aulas nas escolas e na Universidade e a troca de E-E-mails foram priorizados pelos Veteranos e pelo grupo UFRJ-2001; os Calouros, por sua vez, se concentraram na busca de materiais para as aulas na Universidade, no Orkut e na troca de E -mails.

A Figura 11 apresenta os principais usos de computador que as disciplinas univeitárias levam os licenciandos a fazererem . As respostas dos Calouros, que indicaram a digitação de textos, E-E-mails, Cálculo e Internet em geral, l, além de do lazer, da música e do do Orkut , como usos indicados pelas disciplinas, não são coerentes com a pergunta feita no questionário. Os Veteranos, por sua vez, apontaram a digitação de textos, a

busca de material na Internet para as aulas e os e-mails como os usos mais comuns. O grupo UFRJ-2001 apontou um perfil semelhante, com o uso de Internet em geral e a digitação de tetextos.

Figura 10: Percentual de de alunos em função das atividades mais comuns na Internet universitáriaFigura 11: Percentual de alunos e em função dos usos de computador que suas disciplinas os levam a fazer

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Quando questionados se a a Universidade contribuiu com o aprendizado de informática, o grupo UFRJ -2001 respondeu positivamente em 92% dos casos. Tal situação inverte-se com os grupos Veteranos e Calouros, pois 27% afirmaram que a Universidade colaborou com o seu aprendizado de inforormática.

Quando questionados sobre a existência de disciplinas de informática educativa, quase todos responderam positivamente. A Figura 12 aponta a avaliação da importância dessa disciplina em função dos valores de 1 à 4 (correspondentes à não acrescentou, insuficiente, importante e essencial). Nela é opssível observar uma redução na média da avaliação quando os dados dos Calouros são comparados com o dos Veteranos, passando oara uma avaliação intermediária entre os valolores insuficiente e importante.

A expectativa sobre a fé de que a universidades lhes capacitarão o à utilizar o computador em sua profissão é o dado apresentado na Figigura 13, que mostra uma redução percentual de 31% dos Calouros para os Veteranos.

Figura 12: Média da avaliação da disciplina de Informática Educativa, % com desvio-padrãoFigura 13: Quantidade de alunos que acreditam que a Universidade lhes capacitará a usar o computador como instrumento na sua profissão

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Perfil de Utilização do Computador na Escola enquanto alunos do ensino médio

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A utilização de computadores na escola pelos integrantes dos grupos estudados, enquanto alunos do ensino básico, apresentou resultados contraditórios ao que se esperava. Cronologicamente, o grupo UFRJ2001 tem mais idade que os VeVeteranos e estes são mais velhos que os Calouros. Assim, ao analisar os resultados, esperava-se um crescimento do índice de licenciandos que relatassem o uso de computadores na escola e com finalidades pedagógicas. Somado à esse dado está a quantidade de tetempo que cada grupo tem de uso de computadores: o grupo UFRJ-2001 tinha 4 anos de contato quando a pesquisa foi feita; os Veteranos têm dez anos (em média, s = 4) de contato com computadores; e os calouros fazem uso de computadores há 8 anos (em média, s = 2). Assim, o grupo UFRJ-2001 teve contato com computadores no momento em que entrava no ensino superior, enqnquanto que os Veteranos e Calouros tiveram contato com essa tecnologia antes de ingressarem na UFRJ, principalmente os Calouros. Portanto, esperava-se uma curva ascendente do Grupo UFRJ-2001 para os Calouros, o que não é obtido na Figura 14.

Figura 14: Percrcentagem de de alunos que usaram computadores na escola com finalidade pedagógica

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## CONCLUSÕES

Esse estudo, realizado cerca de cinco anos após o trabalho de Araújo e Vianna (2003) possibilita uma análise comparada e um acompanhamento da apropriação da informámática na formação inicial dos professores de Física formados na UFRJ. O pior resultado desse trabalho encontra-se na questão da contribuição da Universidade no aprendizado de informática. Se, por um lado, os alunos ingressaram no curso já tendo anos de contato com essa ferramenta, por outro é papel da Universidade ampliar o espectro de funções que ela pode ter, em particular em sua futura profissão. Mas os resultados mostram que, na avaliação dos alunos, a Universidade não contribuiu para nenhum aluno da amomostra.

A lacuna nesse aspecto em suas formações é percebida nos perfis de utilização da Internet domiciliar. Apesar dos Veteranos terem acesso à Internet em casa e uma parte significativa fazê-lo em Internet de Banda larga, os Calouros é que usam de forma mais diversificada, e mesmo dedicando mais tempo ao lazer, jogos, música e Orkut, também acessam jornais e revistas (70%) e fazem buscas de materiais para aulas da Universidade (80%), enquanto que a maioria absoluta dos Veteranos não acessam Jornais e revistas e menos da metade fazem buscas de materiais para seus estudos universitários.

Quando questionados sobre o uso de computadores na Universidade, os três grupos estudados afirmam um uso quase nulo do laboratório de informática. Esse resultado provavelmente reflete o caráter noturno do curso e a distribuições de disciplinas que, em geral, preenchem todo o tempo do aluno ao longo da semana, uma preocupação positiva do curso, pois viabiliza que esses alunos, trabalhadores (e muitos deles professores) a cursarem uma Universidade. Contudo, é um resultado interessante perceber que os Calouros fazem um uso maior da Internet para a pesquisa do que os veteranos de 2001 e de 2006.

Sobre a responsabilidade do curso de capacitar seus alunos para o uso da informática para o ensino de Física, os Calouros têm grandes expectativas, avaliando a disciplina de informática educativa como essencial ou muito importante e e acreditando, em 80% dos casos, que a Universidade lhes dará embasamento

para o domínio dessa tecnologia em susua futura profissão. Os Veteranos, contudo, deram avaliações mais tímidas nesses aspectos, julgando a disciplina entre os valores importante e insuficiente e tendo menos fé que a Universidade lhes capacitará no uso de computadores em suas práticas pedagógicicas.

O perfil do acesso à computadores nas escolas apresentou resultados inesperados e que necessitam de informações adicionais para uma melhor compreensão. O quadro de resultados obtido estimula a continuação da pesquisa com a coleta de dados na UFF e na UERJ para um estudo comparativo entre os resultados obtidos nesses três cursos no momento atual com àqueles obtidos há 5 anos atrás. Espera-se, assim, tornar os resultados construídos com essa pesquisa mais abrangentes e sólidos.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TONIATO, Júnior; FERREIRA, Leandro; FERRACIOLI. Tecnologia no Ensino de Física: uma revisão do XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. In: XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, Rio de Janeiro, 2005.

VIANNA, Deise; ARAÚJO, Renato. O uso didático do computador por professores de Fisica -conhecendo uma realidade. In: XV Simpósio Nacional de Ensino de Física, Paraná, 2003, p.2459.

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