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TECNOLOGIA NO ENSINO DE FÍSICA: UMA REVISAO DO XVI SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA

Júnior Diniz Toniato, Leandro Batista Ferreira, Laércio Ferracioli

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
X
Ano
2006
Data
18/08/2006
Linha de pesquisa
Pôster - Resultados Parciais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Tecnologia no Ensino de Física:

## Uma Revisão do XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física

Júnior Diniz Toniato (juniortoniato@gmail.com) Leandro Batista Ferreira (leandrobferreira@yahoo.com.br) * Laércio Ferracioli (laercio@modelab.ufes.br)

Laboratório de e Tecnologias Interativas Aplicadas à Modelagem Cognitiva Departamento de Física Universidade Federal do Espírito Santo

## Resumo

O objetivo deste artigo é traçar um recorte do estado da arte atual da utilização de tecnologias no Ensino de Física e Ciências a partir da revisão de artigos apresentados no XVI SNEF - Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado em Janeiro de 2005 no Rio de Janeiro. A meta é delinear possíveis caminhos desta área a partir da análise de artigos relacionados ao tema e apresentados neste evento de grande relevância na área de Ensino de Física: além da participação da comunidade acadêmica, este evento é voltado para professores de ensino fundamental, médio e de acordo com a Ata da Assembléia do XVI SNEF, dos 2007 inscritos online, 1400 compareceram ao evento, um recorde de participação. A revisão revela que os resultados relatados ainda carecem de um referencial teórico claro e objetivo que seja articulado com experimentos que investiguem as reais possibilidades da integração das chamadas tecnologias de informação e comunicação no contexto do ensino de Física. Não é suficiente o levantamento de opinião de alunos após a utilização de quaisquer dessas È ppçqq tecnologias. È necessário que a comunidade acadêmica envide esforços para a discussãsão e estabelecimento de diretrizes que venham nortear esse tópico de estudo cada vez mais crescente na área de Ensino de Física e Educação em Ciências.

Palavras- s- Chaves: Tecnologia da Informação e Comunicação, Ensino de Física, SNEF

## 1. Introdução

O objetivo deste artigo é traçar um recorte do estado da arte atual da utilização de tecnologias no Ensino de Física e Ciências a partir da revisão de artigos apresentados no XVI SNEF - Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado em Janeiro de 2005 no Rio de Janeiro. A meta é delinear possíveis caminhos desta área a partir da análise de artigos relacionados ao tema e apresentados neste evento de grande relevância na área de Ensino de Física: além da participação da comunidade acadêmica, este evento é voltado para professores de ensino fundamental e médio, e de acordo com a Ata da Assembléia do XVI SNEF, dos 2007 inscritos on-line, 1400 compareceram ao evento considerado um recorde de participação.

## 2. Metodologia

A seleção dos trabalhos foi baseada na categorização de artigos separando-os em tópicos a partir dos objetivos de cada um. Dessa forma, foram selecionados todos os artigos relacionados ao uso de tecnologias no Ensino de Física e, a partir desta seleção foi possível delinear duas grandes áreas: Alfabetização Tecnológica a que reúne artigos sobre cursos de formação de docentes, prioritariamente de Ensino Fundamental, para a divulgação da tecnologia; e Tecnologias em Geral que foi subdividida em Tecnologias da Informática a e Vídeos. Neste último tópico são encontrados os trabalhos que relatam o uso de vídeo em sala de aula.

Para o tópico de Tecnologias da Informática a houve a necessidade de subdividi-lo dependendo das diferentes maneiras de uso do computador em sala de aula. Os sub-b-tópicos foram: Programação e Computação Algébrica, onde se utiliza a programação com linguagem simbólica para resolução de problemas; Internet, que envolve o uso de diferentes ambientes virtuais; Modelagem Computacional, tanto para curso de formação de docentes como para aplicação em sala de aula; Simulações e Animações, onde se simulam fenômenos reais para estudo em sala de aula; e Aplicações Gerais, , que ficou reservado aos artigos que não se enquadravam em nenhuma das categorias descritas. A Figura 01 apresenta o quadro esquemático desta categorização.

Figura 01: Categorias Delineadas para a Revisão

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Foram selecionados 34 artigos e, devido a limitação de páginas, a revisão relatou a idéia principal de cada um mostrando os principais resultados para que se possa ter uma visão desta área no contexto do Ensino de Física e de Ciências. Todos os artigos podem ser baixados do site do XVI SNEF, www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvi/programa, e suas identificações são apresentadas na seção de Referências.

## 3. Alfabetização Tecnológica

A Alfabetização Tecnológica é um tema de extrema importância no contexto educacional e a preparação de docentes através de cursos de formação que incluem a utilização de tecnologias em sala de aula vem crescendo nos últimos anos. Souza et al (2005) divulgaram um curso voltado para professores do interior de Mato Grosso do Sul que não haviam tido contato com instrumentos utilizados na disciplina de Física Experimental I, oferecida no curso de graduação em Física, para incentivar o uso dos mesmos equipamentos em salas de aula. Freitas e Santos (2005) também tratam da formação de docentes a fim de que possam desenvolver e introduzir temas de tecnologia nas s séries iniciais do Ensino Fundamental.

Veraszto et al (2005) abordando concepções de tecnologia com docentes de ensino fundamental em uma região do estado de São Paulo, puderam observar inicialmente uma grande confusão, por parte dos professores, entre tecnologia e artefato tecnológico, mas concluem apontando que o contato diário com atividades relacionadas a tecnologias levaram a desmistificação desses termos cedendo espaço para uma alfabetização tecnológica no cotidiano escolar.

Os mesmos autores relatam em SILVA et al, (2005) uma aplicação de estratégias de elaboração de situações problemas (V(VERASTO et al, 2003a, 2003b, apud SILVA et al, 2005) baseadas nos PCN's de ensino de Ciências e levando em conta dois pontos tidos como fundamentais: a concepção espontânea dos alunos e competências de cada um. Foi feito um

Mapeamento de quais habilidades e competências foram mobilizadas no projeto, como: utilizar o diálogo para mediar conflitos e tomar decisões coletivas, produzir textos escritos coesos e coerentes, entre outras. Os autores concluem que a Educação Tecnológica é capaz de abranger, em uma única atividade, vários aspectos que o currículo tradicional demanda, afirmando que "["[...]conontribuições significativas podem ser introduzidas do Ensino Fundamental se conseguirmos utilizar a Tecnologia como elemento integrante e integrador do currículo desde as séries iniciais do processo de escolarização" o" (VERASZTO et al, 2005).

Concluindo, esses autores revelam uma preocupação quanto ao ensino tecnológico nas séries iniciais, enfatizando que o contato com as tecnologias e suas aplicações desde as séries iniciais é de fundamental importância para a formação da base de um cidadão perante a sociedade atual.

## 4. Tecnologias em Geral

Para esta área foram selecionados os artigos que tratam das aplicações da tecnologia em salas de aula.

## 4.1 Vídeos

Souza e Moreira (2005) afirmam que a proposta de utilização de vídeos como método auxiliar no Ensino de Física é viável, permitindo explorar ao máximo a discussão dos conceitos físicos envolvidos e motivando o aluno para a sua compreensão. O trabalho utilizou trechos de um filme de "007" para discussão de temas físicos como lançamento oblíquo e Leis de Newton, em turmas de Ensino Médio. Utilizaram também uma animação de computador para um estudo mais completo dos conceitos envolvidos.

Pereira, et al. (2005) utilizaram demonstrações controladas e apresentadas em vídeo contendo pequenas experiências para a o ensino de física térmica. As atividades eram acompanhadas de material impresso para o estudante contendo resumo conceitual e perguntas sobre o tópico. Os autores afirmam que o tempo gasto na produção desses materiais é compensado por uma série de vantagens, tais como a possibilidade de "ir e voltar" a fita levando os alunos a refletirem sobre mesmos conceitos em diferentes níveis de complexidade.

No ultimo artigo desta seção foram exploradas situações do cotidiano dos estudantes como estímulo para o estudo de conceitos de Física, como a física da cozinha, do futebol, entre outros. Cozezendey et al (2005) desenvolveram um projeto de produção de vídeos didáticos organizados em etapas e utilizaram inicialmente para testes em escolas públicas de Ensino Médio. Os vídeos ainda não tinham sido aplicados e avaliados, mas os autores concluem que com o acompanhamento do rendimento dos estudantes envolvidos diretamente no projeto, temse um bom indicativo para os resultados que esperam obter com a continuidade do projeto.

O que se pôde notar em comum entre esses artigos é o fato de que os autores apresentam resultados otimistas em relação ao uso deste recurso tecnológico em sala de aula, muitas vezes carecendo de um suporte empírico mais efetivo. Os resultados são vistos explicitamente nos estudantes que, passam a "apresentar uma significativa melhora ra do rendimento escolar" (COZENDEY et al, 2005) e se envolvem "pessoalmente com as questões e não apenas preocupa -se em encontrar respostas prontas ou decorar problemas e fórmulas." " (SOUZA E MOREIRA, 2005). Pereira, et al. (2005) ) observaram que nem sempre todas as informações contidas na demonstração são utilizadas. Segundo os autores isto é uma evidência da dificuldade do processo de "observação" que não pode ser imposto, mas deve ser construído.

Mesmo assim, ressaltam que a utilização de vídeos em sala de aula tem se mostrado um recurso promissor para o Ensino de Física.

## 4.2 Tecnologias da Informática

Os artigos classificados como tecnologia da informática são todos aqueles que fazem uso de qualquer tipo de tecnologia por intermédio do computador. Portanto, separou-se cada artigo de acordo com sua área de trabalho.

## 4.2.1 Programação e Computação Algébrica

" Denomina -s -se computação algébrica (CA) à manipulação de símbolos matemáticos feita no computador - de acordo com as regras abstratas da matemática simbólólica. Entre os mais conhecidos softwares que permitem este tipo de manipulação estão Maple (www.maplesoft.com) e o Mathematica (www.wolfram.com). Nestes sistemas de CA encontram -s -se implementadas, por exemplo, regras de álgebra, trigonometria e cálculo. Além dos comandos usuais, estes sistemas de CA permitem um fácil e rápido desenvolvimento de programas matemáticos, através de um repertório vasto de funções e operações " (ALVES et al, 2005).

Filho et al (2005) implementaram um ambiente informatizado de aprendizagem utilizando o software Mathematica equipado com animações, gráficos, simulações e tabelas. O programa fornece através de seus links a possibilidade de um processo de aprendizado autônomo e personalizado. Segundo os autores, a computação simbólica constitui um recurso de programação de altíssimo nível, que alia paradigmas de programação procedural, programação funcional e programação baseada em regras, podendo simplificar a tarefa de operações repetitivas e enfadonhas, caso o usuário tente executá-las manualmente.

- O trabalho de Rego et al (2005) mostra que o uso da computação algébrica altera um ciclo normal de aprendizagem que definem como "u"uma série de etapas na qual o estudante assimila os conceitos necessários no entendimento do assunto abordado"o", resumindo-as em três novas etapas: organização de conceitos em forma de uma seqüência lógica de programação; formulação de novos problemas e alterações no programa para uma solução mais geral; e exploração de várias possibilidades de combinações.
- Lima e Alvlves (2005) trabalharam com o Maple e visando a elaboração de programas via computação algébrica como ferramenta de aprendizagem em teoria de grupos. E afirmam que a representação de conceitos segundo programas de computador apura o entendimento, sendo que a programação num ambiente de CA beneficia-se de vasta biblioteca de comandos já implementados, permitindo concentração nos conceitos teóricos e na estrutura lógica dos problemas.
- O uso de computação algébrica tem mostrado impacto positivo no ciclo de aprendizagem dos estudantes. Com pouco investimento de tempo é possível que uma turma, sem qualquer contato prévio com CA, domine a sintaxe e comandos básicos dos sistemas de CA e aprenda a formular rotinas elementares (ALVES et al, 2005).

## 4.2.2 Internet

A internet pode representar um recurso vantajoso quando utilizada em sala de aula por permitir diferentes alternativas, tais como, a comunicação entre os estudantes, seus professores e a enorme quantidade de informações disponibilizada. As ferramentas comunicacionais

disponibilizadas pelos ambientes virtuais de aprendizagem podem dinamizar a comunicação e, consequentemente, a resolução de problemas.

Essas vantagens foram exploradas por Moresco e Behar (2005) ) na proposta de um site como um ambiente de Educação à Distância na Web que disponibiliza inúmeras funcionalidades em um só sistema, tais como, fórum de discussões, chat, perfil de usuário, biblioteca e laboratório virtual, entre outras, buscando um cooperativismo entre os estudantes na hora de solucionar problemas propostos. O site baseia-a-se na metáfora de sala de aula, com ambiente de convívio no dia a dia, links que leva o estudante a um desafio. "A "A proposta possibilita situações de desequilíbrio e vivência cooperativa e os desafios levam o estudante a ultrapassar o seu estado cognitivo atual e procurar novas perspectivas" afirmam os autores.

Freire et al (2005) desenvolveram um ambiente virtual onde disponibilizaram dois modelos didáticos para aprendizagem do funcionamento de equipamentos de medidas: uma para o paquímetro e outro para o micrômetro. Trabalharam com vídeos, visualização tridimensional e textos informativos. "A "A navegabilidade na rede são pontos positivos que colaboram com as estratégias propostas no ambiente colaborativo, permitindo que os grupos possam ter a informação para construção de seu conhecimento do assunto tratado no ambienteí" í" (Freire et al, 2005).

Silva e Ferracioli (2005) abordam aspectos técnicos da Engenharia de Requisitos de Software que auxiliariam a construção de um Website como ambiente de suporte para o Ensino de Física. Utilizaram uma técnica tradicional para a Elicitação de Requisitos aplicando questionários, investigando o assunto e fazendo entrevistas. Também fornecem informações básicas sobre a Internet, sua base de funcionamento e importância no cotidiano. Os autores levantam os requisitos importantes e, a partir de análises, é definida toda a estrutura, linguagem utilizada e design que o site deveria ter.

Nakamoto et al (2005) propuseram a criação de um sistema que simule um ambiente virtual para experimentos de Física a baixo custo computacional e que permita que os estudantes criem, analisem e simulem circuitos elétricos reais. Utilizaram técnicas de Realidade Virtual, disponibilizam hipertextos através de HTML e o mundo virtual é construído com as linguagens VRML. Os autores concluem que o uso dessas tecnologias mostrou a capacidade de simular fielmente a criação e análise de circuitos elétricos. "A "Além disso, ao explorar tais técnicas garante-e-se que o laboratório desenvolvido poderá ser acessado via Internet, sem custo de aquisição de softwares e hardwares adicionais" (NAKAMOTO et al, 2005).

O que se nota nesses artigos são as diferentes possibilidades de se trabalhar a internet: diferentes ambientes com diferentes formas de criação para definir a estrutura do seus ambientes de trabalho. Além disso, a internet permite a implementação de metodologias alternativas em sala de aula sem elevado custo adicional. Pode se atingir assim "um processo ativo de aprendizagem, onde o indidivíduo constitui-se por sua própria ação, através de suas interações com os objetos" (MORESCO e BEHAR, 2005).

## 4.2.3 Modelagem Computacional

A modelagem computacional aliada ao recurso da simulação vem se tornando um tema de relevância na área de Ensino de Física: sua utilização em sala de aula é cada vez mais freqüente e os resultados revelam-se promissores desde sua utilização em cursos preparatórios para docentes até aplicações diretas desse recurso com estudantes. Do total de seis artigos analisados, cinco utilizaram o software Modelllus e um o ambiente de modelagem STELLA .

Vasconcelos, et al. (2005) realizaram um curso de Ensino de Física assistido por computador com 12 professores do Colégio Militar de Fortaleza. Foram abordados conceitos sobre

modelagem e simulação, informática educativa e o uso de novas tecnologias no ensino. Foi utilizado o software Modellus para a realização de atividades com conteúdos de Física relados à mecânica clássica. Os autores afirmam que, com base nas atividades propostas durante esta experiência, foi possível observar que o processo de modelagem e simulação matemática através do uso do computador pode tornar-se uma alternativa de grande potencialidade para o ensino de ciência e para a construção do conhecimento no âmbito escolar.

Vasconcelos et al (2005) realizaram um estudo para analisar a contribuição do uso do computador através da modelagem matemática e da simulação computacional no estudo do Movimento Harmônico Simples com o uso do software Modellus. Foi realizado um curso onde, entre outras atividades, foi proposto aos estudantes, a construção do gráfico da equação do fenômeno abordado utilizando o software proposto e o estudo deste gráfico também com a utilização do software Modellus s para posteriormente realizar animações a partir deste modelo matemático. Os autores relatam que os estudantes puderam realizar as atividades de modelagem e revelaram compreensão sobre o fenômenos e os conceitos envolvidos.

Ribeiro, et al. (2005) ) realizaram um trabalho utilizando a modelagem através do programa Modellus para auxiliar no ensino do movimento harmônico simples a uma turma de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana. Neste estudo os conceitos das variáveis envolvidas foram trabalhados através da manipulação dos parâmetros e dos gráficos do modelo. Constatam interesse dos estudantes na construção do modelo físico e atenção à passagem ao modelo matemático.

Santos, et al. (2005) usaram animações interativas como ferramentas cognitivas para aperfeiçoar o processo de ensino-o-aprendizagem da Mecânica Newtoniana para alunos de Educação Superior. Foram utilizados os programas Modellus e JAVA para a criação das animações interativas que foram empregadas para discussão conceitual, resolução de problemas e como uma forma de entrevista. Após análise quantitativa relatam resultados significativos.

Balen e Netz (2005) utilizaram o software Modellus como ferramenta de modelagem e simulação juntamente com um guia para o funcionamento do programa feito, baseado na metodologia P.O.E. (Predict, Observe, Explain) (White &amp; Gunstone, 1992), para verificar se a modelagem e simulação computacional auxiliam o estudante na compreensão de conceitos de gases ideais e na sua comparação com os gases reais. Estes recursos foram utilizados como ferramentas para explorar conceitos fundamentais tais como as leis que descrevem o estado dos gases, atração e repulsão das moléculas e identificação da forma dos gráficos que relaciona as variáveis de estado do sistema gasoso. A análise dos dados obtidos através de avaliações dos estudantes indica uma diferença na compreensão dos conceitos após o uso da modelagem e simulação em relação a outro grupo onde a atividade não foi empregada.

Souza et al (2005), relatam o processo de estruturação, desenvolvimento o e avaliação de um Módulo Educacional construído no ambiente de modelagem computacional STELLA abordando oc conceitos de temperatura, calor e energia interna. Este trabalho buscou na modelagem computacional quantitativa uma alternativa para explorar estes conceitos, visto que estes são de difícil entendimento por parte de estudantes e professores. No módulo há uma interface que contém um menu que leva o estudante a diferentes páginas com informações sobre conceitos abordados, a criação do modelo passo a passo e sua simulação. Os autores concluem que há necessidade de uma adequada articulação de novos conceitos como os conceitos abordados no modelo e com a modelagem computacional para que o módulo não se torne uma simples ferramenta de navegação como no caso d da internet.

## 4.2.4 Simulação e Animação Computacional

O ensino de conteúdos associados à Física esbarra, entre outras coisas, na ausência de experimentos simples para discussão dos conceitos envolvidos. Para Felipe et al. (2005), a investigação das possibilidades de aprendizagem com a utilização de animações e simulações interativas em computador é um campo bastante atrativo para se avaliar as reais possibilidades deste recurso em salas de aulas. As simulações e animações permitem a visualização de fenômenos tanto em situações onde há a falta de equipamentos quanto na realização de experimentos difícil reprodução.

Schuhmacher et al (2005) ) relatam a implementação de um Laboratório Virtual, um Laboratório de Simulações e um Laboratório de Experimentação Remota em um ambiente virtual para o Ensino a Distância via Internet que em uma universidade no sul do país. A utilização do Laboratório Virtual, segundo os autores, propicia uma forma de ensino mais dinâmica na promoção da aprendizagem significativa, desenvolvendo a motivação pelo estudo, embora o trabalho não apresenta resultados que sustentem essa afirmativa.

Atividades utilizando simulações e animações com o aplicativo Macromédia Flash h foram abordadas em dois artigos para investigar as suas possibilidades didáticas analisando suas utilidades no ensino presencial e à distância. Neumann e Barroso (2005) trabalham com oscilações para alunos universitários e Felipe, et al. (2005) com simulações na Relatividade Restrita para cursos de formação continuada de profefessores. Os mecanismos de avaliação não foram divulgados, mas os autores afirmam ser promissora esta investigação, pois a linguagem Flash permite uma ampla gama de recursos visuais que, associados aos conceitos sendo trabalhados na forma de experimentos, discussão de textos e vídeos, permite uma integração entre gráficos, imagens em movimento, medidas, e outros.

Ferreira (2005) relata que utilizou simulações computacionais de materiais lúdicos, tais como, estilingue, gangorra, joão teimoso, entre outros, abordando temas como movimento, repouso, aceleração, atrito e energia. Segundo o autor, foi possível constatar nas representações dos alunos que as atividades pedagógicas levam os estudantes a estabelecerem relações entre o conteúdo escolar a ser trabalhado e seu cotidiano, onde permitem identificar a ligação entre os novos conhecimentos a serem aprendidos e os que já possui.

Sobre a utilização de métodos alternativos com auxílio de simulações em sala aula, Severino (2005) relata a utilização de imagens e modelagem visando a complementação de aulas presencias do Ensino Médio em tópicos de Física que, segundo o autor, não são facilmente concretizados através de experimentos nos laboratórios. Siqueira et al. (2005) ) trabalham com uma proposta de levar alguns tópicos de Física de Partículas para o Ensino Médio e para isso fazem uso de simulações computacionais mescladas com outras atividades como o uso de textos, jogos de RPG, metáforas, entre outras.

De uma forma geral, pode-se notar que as simulações e animações computacionais estão sendo muito explorado na busca de alternativas para complementação de atividades de aulas teóricas e/ou experimentais.

## 4.2.5 Aplicações Gerais

Esta categoria inclui artigos que não se enquadraram na categorização proposta e que abordaram a utilização de diferentes formas de tecnologia sem, no entanto, mostrar resultados conclusivos sobre sua eficácia, embora todos se mostrarem otimistas em relação a sua utilização.

Em um levantamento sobre como professores e estudantes de Ensino Médio o de escolas da região do Norte Fluminense estão usando as chamadas novas tecnologias no processo de ensinooaprendizagem para os estudantes em disciplinas de Física Silva et al (2005) relatam que a maioria dos professores não faz uso das novas tecnologias e e os recursos colocados pela escola à disposição dos estudantes são insuficientes e o Ensino de Física tem sido realizado de forma tradicional.

Sem explicitar claramente o tipo de ferramenta utilizada, Nero e Fagan (2005) relatam o uso do computador através de ferramentas, tais como, internet e modelagem (s(sic), no ensino de Termodinâmica a alunos do Ensino Médio, na busca do aprimoramento do aprendizado. Os autores relatam que uso do computador como fonte de busca de conhecimento é uma proposta que visa aproximar o aluno da sua vivência diária e estimular sua independência e curiosidade na busca por conhecimento de fenômenos físicos.

Telles e Sartori (2005) desenvolveram um programa computacional para análise de resultados experimentais com programação orientada a objetos para uma análise estatística de dados experimentais. O desempenho do programa foi avaliado em dois experimentos distintos: o primeiro foi realizado em aulas práticas de Física Básica de cursos de graduação e o segundo no laboratório de pesquisa do National Institute of Standards and Tecnology - NIST/Boulder/USA. Os autores afirmam que o desempenho do programa foi verificado com sucesso através da análise dos resultados obtidos nos dois experimentos e que o mesmo oferece recursos para análise esestatística de resultados experimentais coletados em laboratórios de disciplinas práticas, em laboratórios de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento e na indústria.

Alves, et al. (2005) ) desenvolveram um protótipo de um software interativo utilizando a linguagem Maplets do sistema M Maple de computação para o ensino de Matemática e Física com o objetivo de criar uma ferramenta educacional complementar para promover um ensino mais ativo, onde os alunos pudessem explorar os conceitos por eles próprios. Outro ro objetivo deste tipo de interface, segundo os autores, é proporcionar uma análise mais rápida de um grande número de resultados, para fortalecer a intuição e tornar aparente a estrutura lógica por trás de um problema mais rapidamente. Segundo os autores, a computação algébrica e as interfaces gráficas podem ser usadas para este fim e são importantes ferramentas educacionais.

Moraes e Teixeira (2005) apresentam uma proposta de utilização de um conjunto de metodologias e recursos que compreendem trabalhos individuais e em grupos, realização de experiências reais, realização de experimentos virtuais usando o aplicativo Edison, interação entre os alunos e entre alunos e professora através do ambiente virtual de aprendizagem TelEduc, para o ensino de eletrodinâmica em uma escola pública estadual de nível médio. O projeto ainda estava em andamento quando o artigo foi publicado, mas os autores se mostraram entusiasmados com a observação da atuação dos alunos nas atividades e dos comentários feitos pelos mesmos, avaliando a proposta.

Groch , et al. (2005) relatam sobre a criação de um software educativo, interativo e interdisciplinar, com o objetivo de reduzir a fragmentação dos conteúdos em partes dispersas e desconectadas e, oportunizar ao aluno a verificação da impoportância do uso dos meios tecnológicos na sociedade contemporânea. O software é denominado EDUCEP - - Software Educacional Interdisciplinar/Colégio Estadual do Paraná á e aborda o tema energia. Os autores afirmaram que o software vem sendo utilizado com sucesso nos últimos cinco anos pelos professores do Colégio Estadual do Paraná, pois permite que o usuário explore de forma global os diferentes tipos de energia, obtenção e aplicação.

Bergold e Ruiz (2005) apresentam o FISEXTOR - - Tutor de Física Experimental - que é uma coleção de programas que deve ser utilizada antes do estudante ir ao laboratório de Física,

para ele se familiarizar com os conceitos que serão estudados na aula praticando a experiência no seu próprio ritmo e sendo avaliado. Os autores afirmam que a preparação do aluno antes da aula experimental é de fundamental importância para o desenvolvimento das experiências e com o FISEXTOR ela se torna mais eficiente para o aluno, permitindo mais tempo para o professor trabalhar os conceitos físicos envolvividos na atividade.

## 5. Considerações Finais

A partir dessa revisão dos artigos apresentados no XVI SNEF - - Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado em Janeiro de 2005, foi possível observar que a simulação e animação computacional representa o procededimento mais explorado pelos autores dos artigos na perspectiva de serem utilizados como complementação das aulas teóricas. A internet também aparece em quase todas as outras categorias como forma de comunicação entre os estudantes, sendo enfatizado sua utilização como estratégia para dinamizar os trabalhos em sala de aula.

No entanto, uma análise cuidadosa dos resultados revela que a maioria dos relatos analisados ainda carece da integração de referencial teórico claro e objetivo que seja articulado com expxperimentos que investiguem as reais possibilidades da integração das chamadas tecnologias de informação e comunicação no contexto do ensino de Física. É também possível observar que uma considerável parcela dos relatos sobre a aplicação de uma determinada tecnologia em salas de aula não apresenta de forma clara a metodologia utilizada. A conjugação deste dois elementos fundamentais para qualquer investigação implica em resultados e conclusões superficiais, sem a devida sustentação empírica e sem qualquer articulação teórica. Neste contexto, o simples levantamento de opinião de alunos após a utilização de quaisquer dessas tecnologias não é suficiente para a validação de uma proposta como uma nova saída para a exploração dessas tecnologias na prática pedagógica.

É importante ressaltar que deve haver a plena liberdade de criação da comunidade acadêmica para explorar as mais variadas alternativas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação. No entanto, para que qualquer iniciativa neste campo tenha o cunho acadêmico é necessário que seja pautada pelos passos de uma investigação científica, que inclui a explicitação de uma reflexão teórica sobre o tema e um claro delineamento do estudo, especificando os instrumentos de coleta de dados, amostragem e e técnicas de análise de dados. Esse procedimento naturalmente conduzirá à obtenção de dados relevantes e, consequentemente, a discussões e conclusão que venham a contribuir adequadamente para a área de Ensino de Física.

Para finalizar, os resultados relatadados neste artigo apontam para a necessidade de que a comunidade acadêmica deve envidar esforços para a discussão e estabelecimento de diretrizes que venham nortear esse tópico de estudo cada vez mais crescente na área de Ensino de Física e Educação em Ciências: é necessário esclarecer que a utilização da tecnologia pelo simples fato de utiliza-la no contexto educacional não se caracteriza necessariamente como investigação de cunho acadêmico, sendo necessário o cuidado com os aspectos metodológicos abordados .

## 6. Referências

Todos os artigos revisados foram acessados em 10 dezembro 2005 e estão disponíveis no endereço: &lt;w&lt;www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvi/programa/&gt;.

- 1 ALVES, D. T.; BÜLOW, K. von; CHEB -TERRAB, E. S. Software para a Aprendizagem Ativa em Matemática e Física. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Comunicações Orais, CO.A07-04.
- 2 ALVES, D. T.; CHEB-B-TERRAB, E. S.; MEDEIROS NETO, J. F. . de, AMARAL, J. V. de. Programação como Ferramenta de Aprendizagem. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Comunicações Orais, CO.A07-04.
- 3 BALEN, O.; NETZ, P. A. Utilizando a Modelagem e a Simulação Computacional no Estudo dos Gases. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-3 .
- 4 BERGOLD, A. W. de B.; RUIZ, V. E. V. FISEXTOR - - Tutor de Física Experimental. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-2.
- 5 CARMO FILHO, G. P.; RIBEIRO, J. W., FREIRE,P. de T. C.; SOUSA, J. N. de. Conceitos de Condução de Calor e Métodos Numéricos Trabalhados via Programação Simbólica. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis . P.A07 -2.
- 6 COZENDEY, S. G.; ARAÚJO, C. P.; SOUZA, M. de O.; GOMES, A. F. Uma experiência de Desenvolvimento de Vídeos Didáticos para a Apresentação de Conceitos Básicos de Física em Escolas Secundárias da Região Norte-Fluminense. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-1.
- 7 FELIPE, G.; BARROSO, M. F.; PORTO, C. M. Simulações Computacionais no Ensino de Relatividade Restrita. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. C Comunicações Orais, CO.A07-01.
- 8 FERREIRA, V. da P. O Lúdico e o Virtual: Uma Proposta para o Ensino Fundamental. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-1.
- 9 FREIRE, J.; SOUZA, G. R. de; ANDRADE, A. A. M. Ambiente Virtual de Aprendiza gem Colaborativo - Metrologia Virtual. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A01-7.
- 10 FREITAS, F. H. de A.; SANTOS, F. M. Alfabetização Tecnológica nas Séries Iniciais: Pressupostos e Notas Sobre um Curso de Formação. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A05-1.
- 11 GROCH, T. M.; SUKOV, V.; MUCHENSKI, J. C. EDUCEP-ENERGIA. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-2.
- 12 LIMA, M. G.; ALVES, D. T. Aprendizagem de Teoria de Grupos via Programação e Computação Algébrica. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Comunicações Orais, CO.A07-04.
- 13 MORAES, M. B. dos S. A.; TEIXEIRA, R. M. R. Uma Proposta para o Ensino de Eletrodinâmica no Nível Médio. In: SNEF, 16., 2005, Rio de Janeiro. Painéis, P.A07-1.
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