ESTUDO SOBRE O USO DE ANALOGIAS EM REVISTA DE DIVULGAÇAO CIENTIFICA
Luciana Bagolin Zambon, Eduardo A. Terrazzan
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 02/02/2007
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliaçao
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTUDO SOBRE O USO DE ANALOGIAS EM REVISTADE DIVULGAÇÃOCIENTÍFICA
Luciana Bagolin Zambon a [e-mail (lbzambon@yahoo.com.br)] Eduardo A. Terrazzanb nb [e-mail (eduterra@yahoo.com.br)]
a Aluna do Curso de Física -Licenciatura Plena da UFSM, bolsista PIBIC/CNPq/UFSM b Dr. em Educação pela USP e Prof. Adjunto do Centro de Educação da UFSM (Núcleo de Educaçõa em Ciências e Programa de Pós-Graduação em Educação), bolsista Pq/CNPq
## RESUMO
Muitas pesquisas desenvolvidas na área de ensino em ciências procuram encontrar ar novas alternativas para o ensino. Uma destas alternativas é o uso de analogias como recurso didático. Muitos pesquisadores consideram que as analogias possuem um grande potencial didático, pois auxiliam os estudantes a compreender/entender conceitos/fenômenos/assuntos que são desconhecidos mediante relações de semelhança ou de diferença estabelecidas com conceitos/fenômenos/assuntos que ele já conhece.
Nesse sentido, nos propomos a estudar neste trabalho a forma como os autores de artigos de Revistas de Divulgação Científica utilizam as analogias para tratar de assuntos de física. Para isso, analisamos artigos sobre assuntos de física encontrados nas edições da Revista Superinteressante da Editora Abril, no período de 1987 a 2006. Estabelecemos, portanto, uma seqüência de passos para o desenvolvimento deste trabalho. Inicialmente fizemos uma leitura cuidadosa de todos os artigos das revistas selecionadas. A seguir, catalogamos as Apresentações Analógicas em Quadro-o-síntese. Estas apresentações foram analisadas segundo o grau de concordância com o modelo utilizado por nossa equipe, intitulado Teaching with Analogies (TWA). Por último classificamos as apresentações segundo alguns critérios extraídos da literatura da área.
Do trabalho realizado obtivemos um total de 63 Apresentações Analógicas identificadas, sendo que algumas já estão organizadas em Quadro-síntese. A maior parte destas Apresentações Analógicas apresenta apenas o alvo e o análogo, sendo que poucas estabelecem as relações analógicas pretendidas, cabendo ao leitor estabelecer estas relações. Além disso, poucas apresentações indicam os limites das analogias. Da classificação realizada, citamos alguns resultados: 85% são estruturais, 9% funcionais e 6% estruturais -funcionais; 77% são verbais e 23% PiPictóricooverbais; 45% apresentam o análogo juntamente com o alvo, 27% depois e 24% das apresentações apresentam o análogo antes do alvo.
## I. INTRODUÇÃO
Muitas pesquisas desenvolvidas na área de ensino em ciências procuram encontrar novas alternativas para susuperar as dificuldades de aprendizagem vivenciadas pelos estudantes. Uma destas alternativas é o uso de analogias como recurso didático. Muitos pesquisadores consideram que as analogias possuem um grande potencial didático, pois auxiliam os estudantes a comompreender/entender conceitos/fenômenos/assuntos que são desconhecidos mediante relações de semelhança ou de diferença estabelecidas com conceitos/fenômenos/assuntos que ele já conhece.
Entre os trabalhos realizados por nossa equipe, estudamos o uso de analologias para o tratamento de assuntos de física e, mais especificamente, em materiais para o ensino de física. Assim, estudamos a incidência de Apresentações Analógicas em diversos tipos de materiais, a saber: Apresentações Analógicas em Coleções Didáticas papara o Ensino Médio, Apresentações Analógicas em Vídeos de Divulgação Científica, Apresentações Analógicas em Revistas de Divulgação Científica (RDC).
Consideramos os textos de Revistas de Divulgação Científica materiais importantes para uso como recurso didático em sala de aula, na medida em que a linguagem por eles utilizada se aproxima, em geral, da linguagem coloquial/cotidiana utilizada pelos estudantes. No entanto, cuidados devem ser tomados, em particular, pela maneira como as analogias são utilizadas s neste tipo de texto.
Em geral, as analogias são utilizadas tanto por autores de artigos de Revista ou de Livros Didáticos, como por professores em geral, quando o conceito é teórico, segundo a classificação de LAWSON (1993). Ou seja, quando o conceito a seser citado ou estudado não possui exemplares perceptíveis no ambiente, como por exemplo, os conceitos de átomo, gene, quark, e gráviton .
Assim, nos propomos a estudar a forma como os autores de artigos de Revistas de Divulgação Científica utilizam as analogias para tratar de assuntos de física.
## II. OBJETIVO DO TRABALHO
Neste trabalho, estudamos a incidência de analogias em artigos de Revistas de Divulgação Científica, analisando, em particular, artigos sobre assuntos de física encontrados nas edições da Revista Superinteressante da Editora Abril.
## III. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
- O trabalho foi desenvolvido seguindo a seguinte seqüência de trabalho:
- a. Escolha da Revista de Divulgação Científica a ser analisada. Retomamos um trabalho anterior da equipe que investstigava o uso de analogias nas publicações da Revista Superinteressante da Editora Abril. Assim, revisamos a catalogação destas revistas, no período de 1987 a 1996, e estabelecemos como meta para este trabalho, a análise das publicações desta revista, no pe ríodo de 1997 a 2006.
- b. Leitura cuidadosa de todas os artigos com assuntos relacionados à física das edições da Revista Superinteressante do período selecionado, buscando identificar as Apresentações Analógicas utilizadas pelos autores desses artigos.
- c. Catalogação das Apresentações Analógicas identificadas. Em seguida, estas apresentações foram organizadas em Quadro-o-síntese. Este quadro foi criado por nossa equipe e apresenta algumas informações da localização da Apresentação Analógica, o conceito envolvido, a a situação alvo e a situação análoga, além das relações entre alvo e análogo, que são estabelecidas por nós, já que muitas vezes os autores dos artigos não apresentam estas relações
- d. Análise destas apresentações segundo o grau de concordância com o modelo Te aching with Analogies (TWA). Este modelo foi proposto por Shawn Glynn (1991), modificado por Harrison e Treagust (1994) e consiste nos seguintes passos:
- 1. Introduzir a 'situação alvo' a ser aprendida;
- 2. Introduzir a 'situação análoga' a ser utilizada;
- 3. Identificar as características relevantes do 'análogo';
- 4. Mapear as semelhanças entre o 'análogo' e o 'alvo';
- 5. Identificar os limites de validade da analogia;
- 6. Extrair conclusões sobre a 'situação alvo'.
Também usamos este modelo, em trabalhos anteriores realizadodos pela equipe, para a estruturação de Atividades Didáticas baseadas em Analogias (ADA).
- e. Na literatura da área encontramos várias tipologias para classificação de analogias em textos. Para este estudo, selecionamos os critérios propostos por CURTIS; REIGELUTH (1984), os quais estão caracterizados na tabela abaixo.
## IV. RESULTADOS PRELIMINARES
Do trabalho realizado, obtivemos um total de 63 Apresentações Analógicas identificadas, sendo que, até o momento (Nov/2006), 40 já estão catalogadas e orgaganizadas em Quadro-o-Síntese próprio, conforme modelo abaixo adotado por nossa equipe.
A seguir, temos um extrato deste Quadro-o-Síntese, contendo algumas destas apresentações catalogadas.
## Extrato de Quadro-Síntese das Apresentações Analógicas identificadas na Revista Superinteressante [SUPERINTERESSANTE. E. a.1, n.1, 1987- . São Paulo/BRA: Editora Abril. Mensal). ISSN 0104-1789]
Todas as 40 Apresentações Analógicas catalogadas foram analisadas segundo o grau de concordância com os passos do modelo TWA. Abaixo, temos um extrato da tabela indicativa do grau de concordância com o modelo, contendo algumas das apresentações analisadas.
Extrato de Tabela Indicativa do Grau de Concordância das Apresentações Analógicas com o Modelo TWA
## Legenda:
- · (C) Concorda com o passo do modelo
- · (P) C Concororda parcialmente com o passo do modelo
- · (NC) N Não Concorda com o passo do modelo
Para uma visão global do resultado desta análise, construímos um gráfico (abaixo) que mostra a distribuição das Apresentações Analógicas relativamente ao grau de concordância com cada passo do modelo TWA.
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Deste gráfico é importante ressaltar que quase todas as apresentações analisadas concordam com os passos 1 e 2 do modelo TWA. Do total, 30% concorda com o passo 3 e 23% com o passo 6. Porém, menos de 15% delas concordam com os os passos 4 e 5.
Por fim, realizamos a classificação destas apresentações segundo os critérios já referidos acima. Segue um extrato da tabela de classificação.
Extrato da Tabela de Classificação das Apresentações Analógicas segundo os 5 critérios adotados
É importante lembrar que dos critérios utilizados, os ítens "Formato da Apresentação Analógica", "Posição do análogo em relação ao alvo" e "Nível de enriquecimento" referem-m-se ao conjunto da Apresentação Analógica, ou seja, à maneira como os autores dos artigos expressam a analogia utilizada. Por outro lado, os critérios "Tipo de relação analógica" e "Condição ou natureza da analogia" referem-m-se a analogia propriamente dita.
Para uma visão geral da classificação, apresentamos, abaixo, uma análise gráfica para cada critério adotado.
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Destas distribuições vale ressaltar que os maiores índices recairam sobre as apresentações analógicas: estruturais (92%), verbais (80%), concretas-abstratas (75%), apresentação do análogo juntamente com o alvo (43%), simples (85%).
## V. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma das atividades desenvolvidas em nosso Projeto refere-se à estruturação de Atividades Didáticas baseadas em Analogias (ADA) para a implementação em sala de aula. Uma das fontes para a elaboração dessas atividades são os Quadros-Sínteses de Apresentações Analógicas identificadas em diversos materiais, tais como: Coleções Didáticas para o Ensino Fundamental e Médio, Revistas de Divulgação Científica e Vídeos de Divulgação Científica.
Para proceder à seleção, nos baseamos na idéia de potencial didático das analogias, sendo que um dos indicadores desse potencial é a possibilidade de estruturar uma apresentação em concordância com o modelo TWA. Porém, nos chama a atenção que os resultados do presente trabalho de análise da revista Superinteressante nos moststra que, em geral, apenas os passos 1 e 2 do modelo são mais fortemente contemplados nas Apresentações Analógicas identificadas (90%), enquanto os passos 4 e 5, essenciais para uma boa compreensão do uso didático de analogias, raramente são contemplados (memenos de 15%). Por isso, para uso em sala de aula torna-se necessário modificar tais apresentações. Assim, no nosso caso, a produção de uma ADA, procura seguir a orientação do modelo TWA, ou seja, estruturamos uma ADA planejando todos os passos desse modelo, para posterior implementação em sala de aula. Nesse sentido, até o momento contamos com um acervo de 25 ADA - Atividades Didáticas baseadas em Analogias, sendo que várias já foram implementadas pelo menos uma vez em sala de aula e reformuladas em função dos resultados das correspondentes implementações.
Os autores de materiais didáticos, paradidáticos ou de divulgação científica não tem nenhuma obrigatoriedade de seguir qualquer modelo explicitamente. No entanto, consideramos recomendável que tais autores tenham conhecimento de modelos didáticos de apresentações analógicas, bem como de tipologias de analogias para realmente aproveitar melhor o uso de tais recursos e propiciar uma maior compreensão do texto aos seus leitores.
Portanto, não há necessidade de que uma analogia utilizada num Texto de Divulgação Científica seja estrutural ou funcional, verbal ou pictórico-o-verbal, ou ainda que o análogo seja concreto em vez de abstrato, uma vez que, neste a intenção é divulgar os conhecimentos e não explicitamentnte ensinar conceitos/fenômenos/assuntos. No entanto, como estas Apresentações Analógicas poderão ser utilizadas didaticamente, seria interessante que alguns cuidados fossem seguidos.
Neste sentido, do ponto de vista didático, é preferível que a analogia seja apresentada não só por meio de palavras, mas também com figuras representativas do análogo, ou ainda, que seja levado para uma sala de aula, quando possível, um modelo físico para o análogo, pois dessa forma é possível visualizar explicitamente suas cararacterísticas. Além disso, para "alvos abstratos", ou seja para aqueles que não possuem exemplares perceptíveis/palpáveis no ambiente, é favorável o uso de "análogos concretos", de modo que os alunos possam observar ou ter contato diretamente com o análogo , mapeando suas principais características (atributos) e fazendo correspondências às características do alvo. Por isso, consideramos positivo o fato de que, entre as apresentações analógicas catalogadas e analisadas no presente trabalho, prevalece o uso de análogos concretos para alvos abstratos (70%).
Com referência à "posição do análogo em relação ao alvo" não reconhecemos uma necessidade em apresentar o análogo antes, depois ou juntamente com o alvo. Apenas lembramos que o modelo TWA recomenda falar primimeiramente sobre o alvo, apresentando algumas idéias básicas que o caracterize, e em seguida, sugerir um análogo, ou seja, uma situação, um fenômeno, um conceito, um modelo com características/atributos mais familiares ao aluno/leitor.
Este trabalho está em andamento, sendo que ainda há algumas apresentações a serem organizadas em Quadro-o-Síntese, classificadas segundo os critérios selecionados e analisadas segundo o grau de concordância com o modelo TWA.
## VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARRUDA, Sérgio M.: (1993). 'Metáforas na física'. In: Caderno Catarinense de Ensino de Física . Santa Catarina/ BRA: Imprensa universitária da UFSC, v.10, n.1, (p. 25-5-37).
CURTIS, Ruth V.; REIGELUTH, Charles M.: (1984). 'The Use of Analogies in Written Text'. In: Instructional Science, v.13, p.99-117.
GLYNN, Shawn M.: (1991). 'Explaining Science Concepts: A Teaching-With-h-Analogies Model'. In: S. M. Glynn, R.H. Yeany and B.K. Britton (eds.), The Psychology of Learning Science , p.219-240. Hilsdalle/NJ/USA: Lawrence Erlbaum.
HARRISON, Alan G.; TREAGUST, David F.: (1993). 'Teaching with Analogies: A case Study in Grade-10 Optics'. In: J Journal of Research in Science Teaching, v.30, n.10, p.1291-1307.
LAWSON, Anton E.: (1993). 'The importance of analogy: a prelude to the special issue'. In: Journal of Research in Science Teaching , v.30, n.10.
OTERO, Maria Rita: (1997). ¿'Cómo usar analogías en clases de física?'. In Caderno Catarinense de Ensino de Física. V.14, n.2, (p.179-187). Santa Catarina/ BRA: Imprensa universitária da UFSC.
TERRARAZZAN, E. A.; AMORIM, M. A. L.; PIMENTEL, N. L.; FELTRIN, C.; DIAS, D. S.; FERRAZ, D. F.; SILVA, L. L.; POZZER, L. L.; GIRALDI, P. M.: (2000). 'Analogias no ensino de ciências: resultados e perspectivas'. In: Anais do III Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul , Porto Alegre/RS, Brasil.
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