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Uma Análise do uso e desenvolvimento de vídeos educativos mono- conceituais de Física em escolas públicas do Ensino Médio do município de Campos dos Goytacazes.

Sabrina Gomes Cozendey, Marcelo De Oliveira Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
31/01/2007
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Uma Análise do uso e desenvolvimento de vídeos educativos mono -conceituais de Física em escolas públicas do Ensino Médio do município de Campos dos Goytacazes.

Sabrina Gomes Cozendey1 1 (sgcfisica@yahoo.com.br)r) Marcelo de Oliveira Souza 1 (mm@uenf.br)r)

1 Laboratório de Ciências Físicas -Universidade Estadual do Norte Fluminense

## RESUMO

NESTE TRABALHO APRESENTAREMOS UMA ANÁLISE PRELIMINAR DA EFICIÊNCIA DO USO DE MICRO -VÍDEOS EDUCATIVOS COMO FACILITADOR DO ENSINO DE FÍSICA PARA UM GRUPO DE 40 ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DA CIDADE DE CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ), A ESCOLA ESTADUAL JOSÉ FRANCISCO SALLES E A ESCOLA ESTADUAL GENERAL DUTRA.

COM A COLABORAÇÃO DOS ALUNOS FOI ELABORADO UM DOSSIÊ QUE CONTINHA AS EXPECTATIVAS DESTES EM RELAÇÃO AO USO DE VÍDEOS EDUCATIVOS E A OPINIÃO DOS MESMOS, SOBRE A MELHOR FORMA DE UTILIZAR UM VÍDEO PARA MOTIVAR E EXPLICAR DE FORMA MAIS CONVINCENTE E EFICAZ A FÍSICA. APÓS ALGUMAS DISCUSSÕES COM OS ESTUDANTES DESENVOLVERAM -SE ALGUNS ROTEIROS QUE BUSCAVAM TRABALHAR A FÍSICA COMO UMA CIÊNCIA PRESENTE NA VIDA DOS ALUNOS. EM SEGUIDA FORAM PRODUZIDOS ALGUNS VÍDEOS MONO -CONCEITUAIS QUE TINHAM COMO ATORES OS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO.

OS MICRO -VÍDEOS PRODUZIDOS UTILIZARAM UMA LINGUAGEM ÁUDIO VISUAL QUE SE APROXIMA DO COTIDIANO DO GRUPO DE ALUNOS. FOI REALIZADO UM ACOMPANHAMENTO DO RENDIMENTO DOS ESTUDANTES NA DISCIPLINA FÍSICA, ANTES E DEPOIS DA UTILIZAÇÃO DOS MICRO -VÍDEOS E JUNTAMENTE COM ESTE, FORAM ORGANIZADOS QUESTIONÁRIOS PARA AVALIAR A EFICIÊNCIA DOS VÍDEOS PRODUZIDOS COMO FACILITADORES DA APRENDIZAGEM DE CONCEITOS BÁSICOS DE FÍSICA.

A AVALIAÇÃO DA PROPOSTA FOI REALIZADA NAS DUAS ESCOLAS EM QUE O PROJETO FOI DESENVOLVIDO. A AVALIAÇÃO FOI FEITA PELOS ALUNOS, PROFESSORES, DIRETORES, PESSOAL DE APOIO E PAIS DOS ALUNOS. FOI ORGANIZADO UM AMBIENTE ONDE OS VÍDEOS FORAM APRESENTADOS À COMUNIDADE ESCOLAR, E POSTERIORMENTE FOI AVALIADA A EFICÁCIA DESTE RECURSO EDUCATIVO POR MEIO DE DISCUSSÕES E ANÁLISE DE QUESTIONÁRIOS.

ANALISANDO OS DEPOIMENTOS DOS ALUNOS, É POSSÍVEL PERCEBER QUE ELES SE SENTIRAM MAIS MOTIVADOS COM A UTILIZAÇÃO DOS VÍDEOS DURANTE AS AULAS. SEGUNDO OS ALUNOS, A AULA FICOU MAIS DESCONTRAÍDA, DINÂMICA, DIFERENTE E INTERATIVA.

## Palavras chave

Ensino médio, ensino de física, novas tecnologias, vídeos mono-conceituais.

## INTRODUÇÃO

Apresentar ao aluno, uma atividade escolar com um apreciável componente de natureza lúdica pode, sem dúvida, levá-lo a se interessar pelo tema curricular que se quer abordar.

Segundo a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB,1996) a aprendizagem na área de ciências da Natureza deve ter pretensões formativas e não simplesmente o acúmulo de conhecimento. E isto se alcança quando o ponto de partida para o aprendizado é um elemento vivencial do aluno, dando significado à aprendizagem e garantindo um melhor contato professoraluno. Os PCN descrevem, como competência a ser desenvolvida na área das Ciências da Natureza, a contextualização sócio-cultural:

''... compreender e utilizar a ciência como elemento de interpretação e interven ção, e a tecnologia como conhecimento sistemático de sentido prático...''.(PCN+)

Dentro desse quadro, faz-z-se necessário criar alternativas e ferramentas que auxiliem o professor, promovendo ao máximo o crescimento cognitivo do aluno. O uso inteligente de fifilmes educativos, que podem ser produzidos pelos próprios alunos, pode ser um grande elemento motivador, já que os alunos vivem numa cultura onde a habilidade visual e a de processar informações são constantemente exercitadas. Isto pode significar um grande avanço no sentido de se conseguir captar a atenção do aluno, bem como despertar a sua curiosidade com relação à Física.

A familiaridade que os alunos têm com cores, sons e imagens, pode ser resultado da popularização da televisão e dos jogos de computadodores nos últimos anos. O fato é do conhecimento de editores de livros, que têm investido na qualidade gráfica e nas cores dos livros impressos, embora se questione o uso de imagens em substituição ao texto(Peduzzi,1999) Foi com este panorama em mente que surgiu a proposta de realizar esse trabalho de produção de vídeos que possam ser utilizados como facilitadores do ensino da Física na escola.

Os recursos em vídeo começam a aparecer especificamente no ensino de física na década de 50. Em 1961, o famoso psicólogo Jerome Bruner concluiu uma discussão acerca de materiais inovadores para o ensino desenvolvidos no final da década de 50, afirmando: ''O uso inteligente de recursos audiovisuais dependerá de como podemos integrar a técnica do produtor de programas com a técnica e

o conhecimento de um hábil professor''(Brunner,1961). Em 1963, foi traduzido para o português o texto do PSSC (Physical Sciences Study Committee) que incluía a primeira experiência na produção de uma seqüência de vídeos educativos de Física .

É preciso enfatizar que o uso de materiais e recursos audiovisuais no ensino de Física, deve ter uma função definida no plano de trabalho elaborado pelo professor, não pode ser uma estratégia desvinculada com a prática da sala de aula. Além disso, deve -se considerar o aspecto cultural no sentido de que as idéias apresentadas devem estar de acordo com o grupo que será atingido. Neste sentido se utilizou na elaboração do trabalho a idéia de que os alunos envolvidos na produção dos vídeos não aprendessem ape nas com o resultado final, mas sim com todo o processo de desenvolvimento. De modo que as atividades propostas deveriam, então, desafiar o aluno a raciocinar, usando o que ele já sabia e ao mesmo tempo exigindo um nível de abstração maior(Moreira,1999). A utilização e discussão de filmes didáticos que enfoquem o conteúdo analisado podem levar o professor a fazer um diagnóstico das concepções dos alunos sobre o assunto em estudo, servindo este como intermediário para o desenvolvimento cognitivo dos educandos. Dessa forma, o professor desempenha seu papel de mediador entre o conhecimento historicamente acumulado e o aluno (Ausubel, Novak, Hanesian,1980).

A aprendizagem significativa acontece quando o aluno está predisposto a aprender e o material da aprendizagem é potencialmente significativo, objetivo este que se pretende alcançar com a utilização de vídeos didáticos que trabalhem a Física do cotidiano dos alunos. Assim, foi planejada uma abordagem na qual, a partir da motivação originada pela análise de filmemes didáticos que apresentem a Física do cotidiano dos alunos, a discussão e o debate dentro do grupo favoreçam o aprendizado de conceitos básicos do tema proposto.

Sabe -se que a televisão e a escola fazem parte do universo sócio-histórico e cultural do homomem contemporâneo, e que os estudantes geralmente se colocam expostos há muitas horas diárias em frente à TV, o que fazem com satisfação e prazer. Logo é uma necessidade de nosso tempo a busca pela utilização das novas tecnologias disponíveis para o ensino, e de modo mais particular neste trabalho, no ensino de Física, como uma ferramenta de auxílio à apresentação de conteúdos para os estudantes.

Por oferecer recursos vantajosos para o trabalho pedagógico, pode se considerar o vídeo como o principal instrumento de trabalho com a linguagem audiovisual. Nesse sentido, é necessário reafirmar e ressaltar sua importância no processo de ensino e aprendizagem. Vídeos têm a capacidade de mostrar fatos que falam por si mesmos, mas necessitam do professor para dinamizar a leitura do que se vê. Gadotti afirma que:

"A educação sendo essencialmente a transmissão de valores, necessita do testemunho de valores em presença. Por isso, os meios de comunicação e a tecnologia não podem substituir o professor".

## ELABORAÇÃO E ESTRUTURA DOS MICRO -VÍDEOS

Em busca de dados para o início do desenvolvimento dos vídeos educativos, foram realizados debates com alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio. Durante as entrevistas foram discutidas questões como:

- -O vídeo favorece o s seu aprendizado do conteúdo de física? Por quê?
- -Seu professor questiona o que foi passado no filme ou apenas o passa e não trabalha nada em cima deste?
- -Que tipo de filme chama a sua atenção?
- -Você aprende mais quando o vídeo é utilizado para introduzir um conceito novo ou quando este é utilizado para reforçar um conceito já conhecido?
- -O vídeo pode ser considerado um motivador das aulas de física?
- -A -A partir das respostas que os alunos deram para estas questões foi possível interpretar a melhor forma de produzir um vídeo educativo.

Algumas respostas se encontram listadas a seguir:

Para a primeira pergunta, destacam-m-se as seguintes respostas:

- "Sim, o vídeo favorece meu aprendizado de física, isto porque este transmite a física como algo presente na minha vivida e possível de ser observado".
- "Sim, porque física só falada em aula às vezes nos deixa com dúvidas, já com vídeo você ver os exemplos melhor."
- "Sim, porque a física deve ser dada através de experiências, os alunos se interessam mais".

Com as respostas da segunda pergunta foi possível perceber que o vídeo educativo não está sendo utilizado de maneira correta. Perceba a situação através da declaração dos alunos:

- "O professor coloca o filme para passar e sai da sala, ele costuma ficar na sala dos professores; no final do filme ele aparece tira a fita e vai embora".
- "Quase sempre a professora passa o vídeo que ocupa a aula toda, no outro dia ela começa com matéria nova".
- "Para falar a verdade eu nem sei se a professora questiona o filme ou não, eu sempre durmo enquanto o filme está passando; os filmes que ela passa são chatos e demoram muito tempo para terminar, dá para tirar um soninho legal".
- "Às vezes a professora questiona, passa trabalho e discute o que foi trabalhado no vídeo".

No debate correspondente a terceira pergunta, foi proposta uma modificação para esta, em vez de discutir: "Que tipo de filme chama sua atenção?" Procurou-u-se questionar "Como deveria ser um filme educativo? Como este poderia chamar a atenção dos alunos? E como transformar esse e instante em um momento de descoberta e aprendizagem da física como parte visível da atividade cotidiana?". Com relação a essas novas perguntas destacam-m-se as seguintes respostas:

- "Um filme educativo deveria ser curto, trabalhar uma questão problema e no dedecorrer do filme explicar de forma simples e criativa a solução da questão".
- "O vídeo deveria ser interativo, pessoas discutindo com outras pessoas, cada grupo defendendo seu ponto de vista".
- "O vídeo chamaria minha atenção, quando este fala a minha língua e trabalha com a realidade na qual vivo".
- "Para eu o vídeo deveria ser realista, sabe como? Se vai trabalhar o conceito de força, que mostre uma situação onde a forca esteja presente, e que está situação seja entendível".

Para a quarta questão também foram obtidas respostas altamente relevantes e reveladoras, dentre estas estão:

- "Eu aprendo mais, quando o vídeo introduz um conceito novo, pois quando é assim, consigo interpretar o conteúdo de forma diferente parece que fica mais fácil o aprendizado".
- "O vídídeo como introdutor abre o caminho para o debate, logo para uma aprendizagem mais significativa".
- "Quando a professora fala que vai passar um filme sobre a matéria anterior, na próxima aula, eu não apareço na aula".

Para terminar o debate foi apresentada a a quinta pergunta. Algumas das respostas relevantes são:

- "O vídeo é um bom recurso didático, aprendo muito com ele, ele é nota 10".
- "Uma aula de física com vídeo é muito motivante, gosto muito, no entanto quando o vídeo é sobre um conteúdo já trabalhado nem sempre é legal".
- "Para mim filmes são sempre motivantes, principalmente quando os atores são bonitos".
- "Vídeos são motivantes aprendo mais com eles do que com minha professora".

De acordo com as questões e suas respectivas respostas aqui apresentadas, foi oi organizado, um dossiê com as expectativas dos alunos com relação à utilização do vídeo como recurso didático e mais do que isso,com a opinião destes sobre a melhor forma de utilizar um vídeo para motivar e explicar de forma mais convincente e eficaz a Física.

Depois de ter analisado as entrevistas com os alunos, foi possível perceber a maneira mais eficaz de produzir um vídeo; que de fato pudesse chamar a atenção desses alunos, e apresentar a Física como uma ciência simples e presente em suas vidas. Com essa discussão já realizada pôde se ter um indício de que a produção dos vídeos possibilitará um aprendizado significativo da Física por parte dos alunos. Como os próprios alunos disseram, a melhor forma de produzir um vídeo experimental como o que se pretende produzir, é trabalhando com uma situação problema e procurando resolvê-la no decorrer deste.

Formou -se um grupo de discussão sobre que assunto e que situação problema deveria ser enfatizada. Logo no início da discussão ficou claro que a situação analisada no vídeo deveria estar de acordo com a realidade dos alunos. Foi estabelecido que o assunto geral a ser enfatizado nos vídeos seria: a Física do cotidiano. Após uma longa discussão ficou prevista a produção de dois grupos de filmes; um grupo deveria desenvolver material didático sobre a Física na cozinha, e o outro grupo deveria se deter no "Minuto da Física". Com todos alunos engajados em uma parte do projeto, a produção teve início.

Cada aluno apresentou a sua contribuição para o projeto. Um grupo de alunos ficou responsável pela parte estrutural, produção e escolha de roteiro e efeitos de filmagem, os outros foram os atores e contribuíram nas gravações. Nem todos os alunos da turma participaram da produção dos vídeos, contudo todos participaram das discussões e avaliações destes.

- O grupo responsável pela elaboração de vídeos sobre o tema Física na cozinha, considerou basicamente os conceitos de: dilatação e pressão. As gravações foram realizadas em uma cozinha e demonstraram situações corriqueiras do didia-a-dia dos alunos.
- O grupo responsável pelos vídeos que compunham o minuto da Física procurou enfatizar conceitos como: torque, dilatação, pressão e densidade. As gravações do texto foram realizadas em salas de aula e em seqüência foram realizadas a inserção de gravações externas demonstrando na prática as questões antes debatidas.

Resumos de alguns dos vídeos produzidos encontram-m-se descritos abaixo:

Por que usamos panela de pressão para o cozimento de alguns alimentos?

- R: Ao cozinharmos alimentos em uma panela aberta a uma pressão atmosférica próxima de 1atm, a água entra em ebulição a uma temperatura perto de 100°C.

Ao utilizarmos a panela de pressão, os vapores formados e impedidos de escapar ajudam a pressionar a superfície da água, podendo a pressão total atingir cerca de 2atm, e assim a água entra em ebulição a uma temperatura próxima de 120°C. Com o aumento da temperatura de ebulição da água, os alimentos em uma panela de pressão são cozidos mais rapidamente. Esse aumento da temperatura de ebulição ocorre porque o aumento da pressão sobre o líquido tende a dificultar sua vaporização. Como se sabe, um líquido só entra em ebulição quando sua pressão de vapor saturado atinge a pressão exercida sobre ele.

No nosso dia -adia, executamos tarefas sem pensasar por que o fazemos da forma tradicional. Uma dessas tarefas é a de abrir uma porta. Qual seria a razão de a maçaneta localizarrse sempre na posição mais afastada da dobradiça?

- R: A razão é simples. Essa posição é escolhida porque é nessas condições que c onseguiremos abrir a porta fazendo a menor força.
- A equação T = F x d nos dá o torque T, fornecido pela força F, atuando a uma distância d do eixo de rotação em torno do qual se deseja girar um objeto. Então, para obtermos certo torque (necessário, no casoso, para abrir a porta), quanto maior for d menor será a força F.

Evidentemente, com a maçaneta no lugar costumeiro, teremos o maior valor possível para d e, portanto, a força que faremos será a menor possível.

Esses vídeos foram filmados com uma câmera digital e com auxilio de uma placa de captura ieee394 as cenas dos filmes foram capturadas para o computador, editadas e posteriormente, gravadas em CD. A edição dos filmes foi um pouco trabalhosa, visto que nossos alunos não são atores formados e que a equipe é experimental. A edição foi feita no software de edição de vídeos: Studio Version 9.

A gravação em CD-ROM é uma boa alternativa, tendo em vista que a qualidade do filme é mantida por todo o período da vida útil do disco, ao contrário da fita VHS que, com om o decorrer do tempo, pode desmagnetizar. Outra vantagem é a praticidade. Coloca-se o CD no computador e seleciona -se o arquivo (filme) que será utilizado na aula, evitando o desconforto de uma fita VHS quando se quer trabalhar com um trecho de um filme.

Apesar da placa de captura funcionar somente no sistema operacional Windows, o CD pode ser utilizado tanto no sistema Windows como no sistema Linux. O formato utilizado, MPEG, é um formato universal para vídeos, compatível com os dois ambientes. O que muda de um sistema para outro é o programa utilizado como player. Na plataforma Windows pode ser utilizado o Windows Media Player e na plataforma Linux pode ser utilizado o Mplayer, aplicativo próprio para o Linux.

Os vídeos produzidos têm um formato experimental e procuram demonstrar a física presente no cotidiano dos estudantes do nível médio de ensino. Com o objetivo de facilitar o aprendizado dos alunos e motivá -los a participar das aulas de física, os vídeos tem um caráter introdutório. Logo este deve ser utilizado no início das aulas promovendo assim a discussão e o desfecho da explicação da matéria.

## ANÁLISE DA UTILIZAÇÃO DOS MICRO -VÍDEOS NA ESCOLA

A primeira análise da eficiência do vídeo didático produzido pelos alunos como facilitador do ensino de fífísica, foi realizado no dia 18 de novembro de 2005 na Escola Estadual José Francisco Salles na cidade de Campos dos Goytacazes, neste evento foi apresentado a toda comunidade escolar os

vídeos produzidos nesse trabalho. Nesta data os alunos que participaram da produção dos vídeos, apresentaram suas contribuições e apresentaram para os presentes os conceitos de física apresentados nos vídeos e que estavam associados a situações comuns do cotidiano. Foi considerada pela maioria das pessoas presentes a opinião o de que os vídeos deveriam ser utilizados como introdutores de um conceito novo, visto que dessa forma proporcionarão uma discussão sobre o tema em questão, gerando a aprendizagem do conteúdo por parte dos alunos e dos demais participantes.A proposta também foi aceita pelos professores, já que o professor poderia começar a aula apresentando o vídeo na sala de vídeo, e em seqüência poderia continuar com a sua aula. No entanto, este fato destaca outra questão: se não houver quadro na sala de vídeo como fazer para continuar a aula? Mudar de sala a todo momento torna inviável a realização da experiência. Esse problema foi solucionado com a disponibilidade de um computador na escola, assim o professor pôde levar o computador para a sala de aula.

Uma segunda análilise da eficiência destes recursos didáticos ocorreu no dia 26 de agosto de 2006 no Colégio Estadual General Dutra na cidade de Campos dos Goytacazes. Nesta data alunos do segundo ano de formação geral desta escola assistiram aos vídeos e responderam a algununs questionários que visavam avaliar a qualidade dos vídeos e seu potencial como facilitador e motivador da aprendizagem dos conceitos de Física.

## Esses questionários continham questões como:

- -E agora, você considera o vídeo um bom recurso didático favorecendo este para sua aprendizagem dos conceitos físicos?
- -Você aprendeu que o calor está presente em situações do seu dia-a-d-dia ?
- -O vídeo ajudou a reforçar o conceito de propagação de calor e suas diferentes formas?

Questões estas que visavam compreender a visão do aluno em relação à atualização do vídeo como um recurso didático. No entanto, o questionário também continha questões que visam analisar o grau de retenção de conhecimento por parte dos alunos, com a utilização dos vídeos.

- -Porque o vidro comum quebra quando vai ao forno e o vidro marinex não quebra?
- -Porque para abrir um vidro de azeitonas costuma-se aquecer o vidro no fogo?
- -Porque ao fazer apenas um furo na lata de óleo, o óleo escoa muito pouco, e se fizer mais de um furo o líquido escoa fafacilmente?

Com a análise destes questionários foi possível averiguar o grau de retenção dos conceitos pelos alunos; visto que estes conceitos não tinham sido antes apresentados a estes alunos.

## RESULTADOS

Os resultados desse trabalho superaram as nossas expectativas, foi possível organizar um grupo satisfatório de vídeos. Foram produzidos 17 micro-vídeos. Deve -se destacar que alguns vídeos ficaram melhores do que outros, pois à medida que o projeto evoluiu, as perspectivas de produção e a postura durantnte as gravações melhoraram.

Os alunos que participaram do projeto, um total de 40 alunos, compreenderam um pouco mais sobre Física e descobriram que ela está presente na vida deles. Foi possível montar um dossiê com as expectativas dos alunos com relação ao vídeo educativo. A avaliação da proposta foi feita por um grupo escolar formado por: professores, diretores, alunos, funcionários e pais de alunos. A aceitação por parte do grupo foi grande, visto que os vídeos apresentam a Física do cotidiano, mesmo queuem não entendia os conceitos de Física compreendeu o contexto do micro-o-vídeo.

Os alunos melhoraram muito o seu aproveitamento na disciplina Física. Um fato que chamou a atenção foi que os alunos que antes tinham notas médias altas, como 8,9, não mudaram seseu grau de aproveitamento, no entanto estes alunos consideraram o projeto importante pois possibilitou um melhor entendimento da Física. Os alunos com notas médias baixas, como 6,0, aumentaram suas notas médias para 8,0; alguns alunos com médias 5 conseguiriram uma melhoria de 100 % adquirindo notas 10. Estes alunos gostaram tanto do projeto que pretendem prestar vestibular para Física.

- O número de alunos envolvidos no projeto é pequeno para uma análise estatística detalhada sobre o resultado significativo da utilização dos vídeos produzidos. Contudo são elementos que servem de estímulo para a continuidade do projeto e apresentam indicativos de que a técnica utilizada pode levar a obtenção de bons resultados com um grupo maior de estudantes.

## CONCLUSÃO

A utitilização do vídeo como um estímulo às aulas de Física, pode produzir um ambiente construtivista de aprendizagem, em que o conhecimento dos alunos sobre o tema é valorizado, no qual se promove a interatividade em busca de soluções para problemas reais do cototidiano.

Pode -se concluir que as turmas foram conquistadas para o estudo da Física. No caso dos alunos do Colégio Estadual Francisco Salles o projeto teve bastante receptividade.Como essa turma era de terceiro ano; no final dos trabalhos muitos alunos disseram que iram prestar vestibular para Física.

É importante destacar que quando os vídeos foram utilizados como introdução às aulas, os alunos se sentiram mais motivados do que quando este foi utilizado como revisão de um conteúdo já trabalhado.

Os microov ídeos produzidos enfatizam o conceito de termodinâmica relacionado-os a situações do cotidiano dos alunos, pretende -se com a continuação do projeto desenvolver micro-vídeos que enfoquem as demais áreas da física.

## AGRADECIMENTOS

Os autores desse trabalho o agradecem o apoio financeiro da UENF e do CNPq.

## REFERÊNCIAS

Ausubel P. David; Novak.D. Joseph and Hanesian Helen, Psicologia Educacional (Interamericana, Rio de Janeiro, 1980).

Brasil. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, MEC, 1996.

Bruner Jerome, The Process of Education (Harvard University Press, Cambridge, 1961).

COLL, César. O construtivismo em sala se aula. São Paulo: Ática, 2001.

Gadotti Moacir, Educação e compromisso (Editora Papirus, 4ª Ed.São Paulo - 1992)

Goodstein David, et al. (eds.) The Mechanical Universe (Cambridge University Press, Cambridge, 1989).

Moreira M.Andre., Ensino de Física no Brasil: Retrospectiva e Perspectivas. Rev. Bras. Ens. Fis. 22, 94 (2000).

Moreira M.Andre, Teorias de Aprendizagem (Editora Pedagógica e Universitária, São Paulo, 1999).

Novak D. Joseph, Uma Teoria de Educação (Pioneira, São Paulo, 1981).

PCN+ Ensino Médio, Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Disponível em: http://www.mec.gov.br/seb/pdf/CienciasNatureza.pdf. Acesso em: 14 de setembro de 2006

Peduzzi O.Q. Luiz, Rev. Bras. Ens. Fis. 21, 136 (1999).

Physical Science Study Committee. Física. (Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1964).

Projeto Físic a (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1980).

Vygotsky.S. Lev, A Formação Social da Mente (Martins Fontes, São Paulo, 1994) 5a ed.

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