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SOBRE AULAS DE FISICA E AMBIENTES DE APRENDIZAGEM

Ernesto Macedo Reis, Marília Paixao Linhares

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
31/01/2007
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SOBRE AULAS DE FÍSICA E AMBIENTES DE APRENDIZAGEM

* Ernesto Macedo Reis a a [éreis@cefetcampos.Br] Marília Paixão Linharesb sb [paixaoli@uenf.Br]

aCentro Federal de Educação Tecnológica de Campos bUniversidade Estadual do Norte Fluminense

Resumo: Os primeiros resultados de uma experiência didática utilizando um ambiente de aprendizagem, denominado Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA) em apoio a atividades presenciais, realizada no CEFET-Campos/RJ apontam que o fórum deste ambiente teve alto nível de aceitação e contribuiu para melhorar a qualidade das aulas de Física no Ensino Médio. Para que essa primeira avaliação tenha sido confirmada foi considerada a motivação crescente dos estudantes e participações no estudo de caso proposto, utilizou-se método de análise baseado na avaliação do conteúdo para identificar nas falas on line dos estudantes aspectos relacionados a possíveis avanços conceituais. Com o objetivo de identificar fatores que identifiquem a aprendizagem dos estudantes sugere-se associar a ferramenta de análise de conteúdo utilizada outras tecnologias dessa mesma área. O comportamento dos estudantes no ensin médio quanto ao uso do EVA sugere que a utilização dessa tecnologia educacional pode ajudar o professor de Física a repensar seus próprios métodos de ensino. Este artigo está direcionado à avaliação do fórum enquanto ferramenta de trabalho cooperativo e sua capacidade de ampliar a motivação e a participação nas aulas de Física. O estudo faz parte de uma pesquisa que tem por objetivo geral identificar limites e possibilidades da utilização de um Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA) na formação de professores de Física. No sentido de consubstanciar a formação de professores de Física e apontar para novas propostas de ensino que valorizem a construção de conhecimentos em Física e uma aprendizagem significativa, a experiência didática implementada foi apresentada a estudantes da Licenciatura em Física.

Palavras -chave: cooperação, fórum, ambiente de aprendizagem.

## 1. Introdução

A antiga Informática Educativa versava sobre aquilo que os computadores podiam fazer na educação, a nova Informática Educativa (InfoEduc) trata daquilo que os educandos e professores podem fazer com sistemas computacionais na educação. Tecnologias educacionais de sucesso são àquelas que se harmonizam com as necessidades e processos educativos e, oferecem sustentabilidade aos relacionamentos e as atividades que enriquecem as experiências didáticas e a aprendizagem.

A revolução tecnológica tem possibilitado cada vez mais o uso do computador no dia-adia das pessoas. Nossos jovens estudantes são cada vez mais influenciados pelo mundo digital e a interatividade que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) propiciam. Por outro lado, é possível verificar que o número de pessoas ininsatisfeitas com as tecnologias aumenta, na medida que estas fazem com que se sintam incompetentes ou mesmo fracassadas. Outras não conseguem se beneficiar das tecnologias, que têm altos preços, complexidade excessiva e falta de relevância para suas necessidades, enfim não lhes trazem um contexto de aprendizagem.

Para Moreira (2000) que defende uma aprendizagem significativa crítica de Ciências e o uso crítico das tecnologias:

"o ensino de conceitos científicos deve ser promovido por uma educação que objetive um novo tipo de pessoa, com personalidade inquisitiva, flexível, criativa, inovadora, tolerante e liberal que possa enfrentar incertezas e ambigüidades sem

se perder, sem se sentir fracassada e que construa novos e viáveis significados para encarar as ameaçadoras mudanças globais".

O uso da informática é crescente na sociedade, porém na escola, o caminho é lento. Apesar de inúmeras tentativas e dos esforços de diversas comunidades de pesquisadores, ainda é insipiente, se comparada a outras áreas, o núnúmero de experiências didáticas relatadas no Ensino Médio, onde a informática e as TIC sejam alvo de propostas pedagógicas engajadas em disciplinas curriculares. Esta falta de relatos, inibe de uma certa forma, o aprofundamento de discussões junto a formação de p professores.

Quando tratamos de diferentes níveis de ensino, verificamos que a maior parte das ações de pesquisa e desenvolvimentos tecnológicos em educação concentra-se nas diversas graduações e pós-graduações, o que nos faz pensar nos estudantes do do Ensino Médio (EM), exatamente o público mais jovem e que mais tem se mostrado atraído pela utilização do veículo computacional fora da escola. Pelo que presenciamos, do contato desses jovens com as TIC, este público está apto a utilizar estas tecnologias com eficiência durante a aprendizagem, desde que a inserção seja significativamente coerente e inserida em propostas pedagógicas inovadoras. Nesse sentido, é necessário preparar os futuros e atuais professores que atuam no EM para lidarem com este novo contexto educativo fornecendo -lhes informações provenientes de pesquisas.

Neste artigo iremos apresentar algumas informações desse tipo, provenientes de uma pesquisa que tem como objetivo principal avaliar limites e possibilidades de um Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA) na formação de professores de Física. Uma das fases da pesquisa consiste em testar o EVA junto ao público do Ensino Médio (EM) e verificar as reações dos estudantes quanto ao uso do sistema, como tecnologia educacional e como elemento potencializador de aprendizagem significativa crítica.

É preciso levantar informações e adquirir conhecimentos sobre como os futuros professores poderão utilizar um sistema como este com seus alunos. Com essa finalidade, implementou-se a experiência didática com os estudantes do EM, onde a participação no f fórum do EVA foi avaliada segundo uma metodologia de análise de conteúdo, denominada Análise de Avaliação (Bardin, 1994), que sofreu atualizações e adaptações para poder ser adotada nesta fase do projeto.

Na experiência temos como principal questão à investigação sobre o papel que o f fórum do EVA exerce na manutenção da cooperação, coesão do grupo e aprendizagem. Queremos saber, até que ponto é preciso avaliar as falas?

## 2. O Modelo Conceitual do EVA, o Fórum e a Experiência Didática

O EVA é um ambiente de aprendizagem baseado em uma abordagem de g growpware sustentada por um modelo conceitual de Aprendizagem Baseada em Casos (ABC), destinado a aprendizagem de Ciências Naturais. Está sendo utilizado regularmente no Curso de Licenciatura em Física na disciplina curricular de Estratégia de Ensino (carga horária de 102h) e nesta experiência no Ensino Médio (1 bimestre = 25 h-aula) na disciplina de Física.

- O modelo conceitual do ambiente tem como objetivo colocar os participantes (aprendizes) em m contato com questões reais de seus interesses. No caso dos licenciandos, com questões afetas as salas de aula de Física (Reis e Linhares, 2005a) e, no EM com situaçõesproblemas que despertem a curiosidade, mantenham a motivação e aproxime o dia-a-dia da Ciência e da Tecnologia dos estudantes.

Quando trabalham num Estudo de Caso os estudantes no EM seguem três passos, que constituem a metodologia de ABC: i) no passo 1, o estudante lê o Caso e aponta uma solução ou encaminhamento preliminar sem executar qualquer pesquisa escolar ou estudo adicional, expondo suas concepções prévias sobre o tema do estudo, ii) a seguir fazem as leituras básicas,

pesquisas escolares e atividades presenciais, a leitura principal precisa ser resenhada 1 e apresentada no EVA, devendo ser aprovada pelo orientador/tutor, iii) em uma fase já de conclusão, passo 3, o estudante encaminha sua proposta de solução que pode assumir diferentes formatos, como apresentação de painéis, exposições orais e apresentações de trabalhos quando é avaliada a capacidade do(s) estudante(s) defender idéias.

Nossa primeira experiência didática no EM contou um público de 59 estudantes, 31 da primeira série e 28 da segunda, que produziram em 5 semanas letivas um total de 400 m ensagens e 210.486 caracteres. Um professor de Física com especialização em Informática Educativa foi responsável pela orientação dos Estudos de Caso que, complementaram ações presenciais curriculares. Como princípio para as intervenções do professor e dos bolsistas de iniciação científica responsáveis pela manutenção do EVA decidiu-se intervir o mínimo possível no f fórum, até porque foi intenso o contato entre professor e estudantes na seqüência dos passos ABC, além das aulas presenciais e troca de e-mail .

Os dois Estudos de Caso que deram origem a experiência didáticas nas duas séries são apresentados na figura 1. Outros textos podem ser encontrados no endereço eletrônico do Espaço Virtual de Aprendizagem <http://www.uenf.t5.com.br>.

## 1a. Série: O TremmBala

## 2a. Série: Os Heróis desse Verão

Já está sendo iniciado o processo de licitação do tremmbala brasileiro pelo Ministério dos Transportes que ligará as cidades do Rio de Janeiro a São Paulo. O empreendimento será totalmente privado e deverá estar concluído em 2015.

A extensão de 410 km entre as estações da Central do Brasil (RJ) e da Luz (SP) deverá ser coberta em 88 minutos, uma velocidade média de 290 km/h. O custo unitário de uma passagem está previsto para U$ 39,00.

Com mais esta tecnologia em funcionamento o Brasil passará a fazer parte de um grupo seleto de países que utilizam este meio de transporte.

O bólido será composto por uma máquina e seis vagões incluindo um vagão restaurante. Analisando fisicamente esse sistema mecânico, que forças podem ser identificadas, considerando-se o trem como um conjunto de blocos ligados? Pesquise sobre o formato do trem e a influência dessa componente sobre o movimento.

Em um segundo momento, façamos o seguinte exercício: quanto tempo levará o trerem para ultrapassar totalmente um túnel de 5 km, considerando -se que cada carro tem 12m de comprimento? Quanto tempo dois trens trafegando em sentidos opostos levarão para completarem a ultrapassagem? Sob que circunstâncias os movimentos podem ser considerarados retilíneos uniformes?

Que tipos de efeitos sociais um empreendimento deste porte pode representar para o país, em especial para nossos jovens estudantes?

A partir desse relato estudaremos a Física deste Estudo de Caso. Inicialmente escreva sobre as seguintes questões: como cada passageiro percebe

No Brasil, um país continental, situado no equador e com uma orla marítima enorme, não é de estranhar que a população, na grande maioria aprecie os esportes ao ar livre além de freqüentar as inúmeras praias, principalmente no verão.

Há alguns verões propagandas da mídia impressa e telelevisiva vêem chamando atenção para os perigos de exposições prolongadas e em horários inadequados às radiações solares. O câncer de pele é um dos males mais citados.

Recomenda -se o uso de bonés, óculos de sol e protetores solares. Particularmente, os filtros solares visam proteger a pele, mas não fica claro até que ponto isso funciona a contento e quais são as diferenças entre marcas e fatores de proteção.

Se quisermos nos proteger realmente do UVA, UVB e UVC temos que entender melhor como as radiações ulultravioletas agem na pele humana, sobre a Terra e o que são de fato. Começaremos por investigar o que são radiações ultravioletas.

Existem dois tipos de filtros solares, os físicos e os químicos. Como cada um deles funcionam? Como são calculados os fatores numéricos indicadores da proteção? Faça uma pesquisa sobre este tema no comércio especializado local.

Com base nesta grande preocupação muitos mitos e algumas verdades são criados. O que você acha desta: "as pessoas de pele escura estão menos propensas ao câncer de pele por exposição aos raios solares, devido a proteção natural de melanina". Neste momento responda sobre a veracidade desta questão, justificando sua resposta. Diga o que significa para você a palavra radiação.

a inércia de movimento e de repouso? Descreva como vai ocorrer, a seu ver, o movimento do trem desde o instante em que sai da Central do Brasil até sua chegada à estação da Luz.

Figura 1: Textos dos Estudos de Caso

Na figura 2 apresentamos duas questões do fórum, que foram discutidas, uma na primeira série e outra na segunda. Estas questões foram propostas em número de três em cada uma das séries. Cada tema funciona como organizador prévio da aprendizagem (Ausubel, 1980), no formato de perguntas que compõe o f fórum de cada Estudo de Caso.

Figura 2: Exemplo de inicialização de temas no f fórum

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## 3. O EVA: Uma Proposta para Análise da Avaliação no Fórum

Para implementação do EVA (Reis e Linhares, 2005b) optamos por utilizar um sistema gerenciador de conteúdo open source, denominado XOOPS (acrônimo de eXeXtended Object Oriented Portal System), com a finalidade de criar ambientes virtuais dinâmicos. A linguagem do XOOPS e as tecnologias disponíveis são integralmente compatíveis com as definidas no início do nosso projeto, quando se decidiu operar com programas open source e com um servidor Web (APACHE), tomando-se como mecanismo de persistência o banco de dados MySQL, plataforma para execução de aplicações Web - - PHP e mecanismo de templates para auxiliar na autoria e publicação dos módulos instrucionais.

Consideramos o sistema gerenciador de conteúdo bem estruturado e documentado, o XOOPS associado à linguagem script t PHP e ao banco de dados MySQL configurou-se como a nossa melhor alternativa para implementação do EVA.

A portabilidade desta interface é assegurada por um conjunto de acessos ao banco de dados que permite que a qualquer momento se faça alterações ou busque informações. Toda operação que exija conexão com servidor do BD deve solicitar a interface de conexão, o que favorece uma menor carga de trabalho quando implementamos um Estudo de Caso, ou associamos um kit pedagógico a um estudo.

Na figura 3 apresentamos a arquitetura do EVA, que é composta de três camadas, sendo a primeira de apresentação, relacionada com a interface do EVA.

Figura 3: Arquitetura do EVA

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Considerando a experiência didática empreendida e a idéia de utilizar o f fórum cada vez mais e melhor, optamos por associar à experiência uma metodologia de análise de conteúdo (Bardin, 1994) que se mostrou passível de adaptações e convergente aos interesses do projeto, como; revelar um quadro de ampliação do conhecimento sobre o aprendiz e da influência dos debates, da apropriação de idéias e opiniões sobre a aprendizagem, ficando a avaliação do avanço conceitual específico na disciplina direcionada ao módulo cognitivo de ABC.

A adaptação metodológica, denominada Análise de Avaliação consiste num conjunto de quatro regras básicas: i) todo documento (f(fórum) a ser avaliado deve estar na análise; ii) a análise pode ser realizada numa parte do documento; iii) os documentos devem ser homogêneos (ligados a um mesmo contexto temático), e iv) os documentos devem ser fonte para responder os objetivos da avaliação.

Assumimos como princípio metodológico de utilização das ferramentas de comunicação no EVA que cada fórum se inicia com uma pergunta (questão aberta), que é a base para o debate, sendo, portanto, considerada o índice para a análise de todo o restante do texto, isto é, debates gerados a partir desta pergunta são considerados um documento completo. Entretanto, é possível que uma questão tenha desmembramentos desde que não fuja do tema proposto.

A adaptação ao método consiste em condensar todos os questionamentos em perguntas básicas para se ter um índice de acordo com a técnica escolhida. Por exemplo, para as perguntas descritas no quadro 1 elaborou-se uma síntese (Objeto de Atitude): será necessário modelar as questões utilizadas para inicialização do fórum , sendo este um conhecimento que os orientadores/tutores devem adquirir, pois é preciso contar com o caráter opinativo e especulativo das falas dos estudantes se queremos ver o encaminhamento do Estudo de Caso influenciado pelo que é debatido no f fórum .

Quadro 1: Registros de Objetos de Atitude

Na seqüência apresentamos na tabela 1, codificações do método: os Termos Avaliativos são palavras ou conjuntos de palavras usadas pelos alunos, segundo a combinação de um conector verbal (C) e de um qualificador, designado como termo de signifificação comum

[evalutive common-meaning] (CM). Similarmente a uma síntese da língua portuguesa, seria o verbo com seu predicado, qualificando de modo positivo ou negativo o texto. Identificando-se nas falas os elementos C (conector verbal) e CM (significação comum), os Objetos de Atitude passam a receber valores positivos ou negativos, medidos, por um padrão, numa faixa de - - 3 a + 3.

Tabela 1: Identificação dos elementos que compõem as falas

Para se calcular o atributo do Objeto de Atitude de cada participante do fórum , multiplicamos cada valor atribuído aos itens de caracterização e reconhecimento, somando os resultados. Em seguida, se obtém m o grau de interesse despertado em cada f fórum com a soma de todos os produtos obtidos da multiplicação do conector verbal e do termo comum, para em seguida dividi-lo por 3N, onde 3 é a amplitude da escala e N, o número total de textos avaliados em cada fórurum. A figura 3 traduz o interesse manifestado nos temas propostos (f(fórum da 2a. série - - tema Pesquisa de Campos) 2 . O diagrama evidencia que os estudantes apresentaram interesse elevado no tema. O grau de interesse dos alunos (favorável) nos f fóruns A, B e C. O fórum A foi subdivido em dois para ser melhor avaliado.

Figura 3: Gráfico de linha externa grau de interesse no tema Pesquisa de Campo

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A obtenção do grau de interesse é feita atribuindo valores ao Objeto de Atitude e os Termos Avaliativos (BARDIN, 1994), isto é, identificando o verbo e o predicado que melhor expressa cada fala dos alunos no f fórum. São atribuídos valores entre + 3 e - 3 a cada verbo e predicado.

## 4. Resultados e Análise

Considerando que uma experiência didática como a planejada e implementada requer acesso facilitado a computadores, os estudantes foram inquiridos no início do estudo sobre as condições para usarem o EVA. Dos estudantes que participaram, 80% (47 alunos) declararam ter acesso a Internet nas residências, os demais indicaram os laboratórios do CEFET -Campos como local a ser utilizado. Nesse sentido, é relevante o fato da instituição ter boas condições de oferecer esse serviço a todos os alunos.

Ao término da etapa de utilização do EVA os estudantes responderam um questionário sobre a vivência na experiência, que constou de três questões objetivas, assim respondidas: 1 - Todos aprovaram o uso do ambiente de aprendizagem, 2 - - Todos gostariam de continuar usando o ambiente na série seguinte, 3 - - Oitenta e nove por cento (52 alunos) consideraram que o ambiente favoreceu suas aprendizagens disciplinares, onze por cento (7 alunos) declararam que não houve influência.

Outros instrumentos de avaliação foram às mensagens no f fórum e e-mail l recebidos pelo professor pesquisador e pelos bolsistas que se relacionaram com os estudantes. O professor e os bolsistas fizeram anotações sobre observações mais gerais e procuraram conversar com todos os estudantes, buscando suas impressões sobre o estudo.

- O f fórum foi a ferramenta de comunicação mais efetiva, dado seu formato que permite trocas de idéias em torno do termo proposto com facilidades, como a flexibilidade de local e tempo. Ao abrir um tema para debate o orientador/tutor está favorecendo o diálogo, a pesquisa escolar, o trabalho cooperativo e a tomada de decisão dos estudantes quanto ao passo da metodologia de ABC que devem dar ao longo do estudo. É possível abrir e fechar um f fórum a qualquer momento do estudo.

No sentido de consubstanciar a avaliação do significado do ambiente de aprendizagem na prática escolar dos estudantes, relatamos de forma susucinta, um dos diversos episódios de ensino e de pesquisa. Este episódio foi denominado caso KAT e nos ajudou a comprovar a utilidade do f fórum. Cabe esclarecer que por precaução desativamos a ferramenta de chat, dado que ainda não temos nenhuma proposta concreta de utilização desta ferramenta com este público.

KAT relatou em suas mensagens no fórum da 2a. série, nos três temas levantados, severas críticas a postura de colegas que, de acordo com sua visão sobre participação on line , "não pensavam bem antes de responder". Fez recortes dos trechos de mensagens que achou inadequadas e colou nas suas "falas" para ilustrar a crítica. Suas colocações foram desde erros de escrita até questões relacionadas aos princípios físicos em questão. Evocou a leitura feita (Okuno e Vilela, 2005) para corrigir alguns colegas e quando foi procurada pelo professor para falar sobre o estudo, disse estar satisfeita por poder influir na "aula", não fazendo nenhuma distinção entre as aulas presenciais e o trabalho no EVA com apoio da Internet. Revelou ser usuária experiente de listas de discussões, orkut t e blogs .

KAT mostrou alta motivação, aprendizagem dos conceitos e da física estudada, participou ativamente do trabalho e portou-se de uma forma não habitual à sala de aula. Ao fofornecer seu depoimento, já relatado em síntese no parágrafo anterior; declarou se sentir mais a vontade no ambiente de aprendizagem. Disse que não sentia o mesmo interesse nas aulas, já que nestas não tem possibilidade de manifestar-se livremente. Questionou sobre as aulas que não permitem aos alunos opinar e mostrou-se interessada nos trabalhos experimentais.

Quando pensamos numa aprendizagem significativa crítica (Moreira, 2000) podemos ver que os estudantes também manifestam interesse por se posicionarem como críticos de suas situações de aprendizagem. KAT revela este lado, que na maior parte das aulas tradicionais permanece oculta.

Como vemos, as funções de comunicação são relevantes quando tratamos da avaliação do EVA e da aprendizagem, pois os estudantes quando trabalham num f fórum aprendem com o que lêem, com as interações e podem ajudar os colegas a aprenderem. Este é um tipo de cooperação que precisa ser conquistada e orientada, dependendo da modelagem do ambiente de aprendizagem, que pode influir r positivamente ou não.

Uma resposta possível a nossa questão de referência, quando analisamos a experiência didática com os estudantes do EM, indica que o f fórum foi um elemento positivo na manutenção do interesse dos estudantes, ajudou a revelar questões que são encaradas como problemas quando as aulas são exclusivamente presenciais e funcionou como uma fonte de inspiração para os estudantes de um modo geral. A análise do conteúdo das falas é importante para o professor, que pode verificar a forma como cada estudante caminha quanto à aprendizagem.

Para que o orientador/tutor tenha informações mais eficazes sobre a aprendizagem dos estudantes durante o estudo é preciso avaliar as participações no fórum. Logo, é preciso criar mecanismos para esse tipo de ação, considerando que: i) não temos intenção de atribuir nota a participação dos estudantes no f fórum, ii) é preciso avaliar o nível de aprofundamento conceitual nos debates e, iii) é necessário ampliar o conhecimento sobre a forma de pensar do estudante.

O método Análise de Avaliação (Bardin, 1994) utilizado para verificar o interesse dos alunos no f fórum, pode ser aplicado em conjunto com outras técnicas, como as apresentadas por Gerosa et al (2003) para se obter o grau de qualidade das mensagens, ou seja, em que local da escala de - 3 (Baixa) a + 3 (Alta) estariam as mensagens situadas em relação ao fórum? Reunindo estes resultados geramos mais informações sobre o fórum, o que pode possibilitar uma avaliação da cooperação e da aprendizagem.

As avaliações seseriam compostas de 3 variáveis: i) o nível de aprofundamento da discussão, ii) o nível de evolução da elaboração das mensagens dos alunos no decorrer do fórum e iii) a qualidade das mensagens postadas. Por exemplo, se um aluno participa com apenas uma ou u duas mensagens e as mesmas atingem o ponto +2 da escala, a avaliação apontaria para o fato de que o "aluno participou pouco, mas de forma satisfatória", porém se ele envia 5 mensagens e atinge o ponto +0,5 da escala, a avaliação poderia ser "participou ativamente, mas de forma praticamente nula". Podemos ainda obter respostas do tipo "a discussão aprofundou-se com alta qualidade no tópico relacionado a um assunto X", neste caso, houve, por exemplo, grande número de mensagens com respostas na folha correspondente ao tópico "X" [visível por uma estruturação em árvore, Pimentel et al (2004)], e essas mensagens atingiram o ponto +2,5 na escala de qualidade.

Ainda podemos obter como resposta "as mensagens dos alunos foram bem elaboradas, mas não atingiram o objbjetivo do f fórum para este estudo", através da ponderação da quantidade de mensagens, que ficaram dentro da escala pretendida para o fórum em questão e atingiu o ponto - 2,8, apontando para uma qualidade ruim. Caso esta mesma pergunta necessite ser feita, relacionada a um aluno em particular, pode-se ponderar a quantidade de palavras que foram constituindo suas participações no f fórum .

## 5. Considerações Finais e Algumas Lições de Aprendizagem

Este estudo sobre possibilidades do fórum no EVA trouxe muito mais perguntas que respostas. Diversos questionamentos surgem, tanto sobre as questões mais latentes da aprendizagem apoiada por ambientes de aprendizagem com as mesmas características, quanto sobre questões técnicas da implementação de ferramentas para análise de conteúdo.

O EVA está relativamente estabilizado, sendo utilizado regularmente por estudantes da Licenciatura em Física e já somos capazes de dizer que também foi bem aceito pelos estudantes do Ensino Médio. Assim, formulamos algumas perguntas: que professores podem utilizar com destreza e criatividade um sistema como este? Quais são os conhecimentos técnicos e educativos que o professor precisa construir? Como a formação do professor, principalmente nas Ciências Naturais, tão pródiga em exigir abstração e raciocínios matemáticos irá atentar para questões que se relacionam a utilização das comunicações? Quais os saberes didáticos e informáticos a serem desenvolvidos?

Avaliando a contribuição do sistema quanto à aprendizagem encontramos um campo promissor, que é a avaliação das atitudes dos alunos quanto ao uso desta tecnologia e da Internet. No episódio KAT observa-se uma dificuldade, que diversos alunos apresentam, um fato difícil de identificar e solucionar em sistemas tradicionais de ensino. Quando determinados

questionamentos e dúvidas dos estudantes não são levados para sala de aula e, é difícil a comunicação com o professor, cria-se uma barreira que prejudica o processo de ensino e a aprendizagem. As Tecnologias de Informação e Comunicação podem favorecer a aproximação entre professores e alunos?

Quanto à comunicação e a utilização da Internet: quão importante é saber como os estudantes se comunicam e de que forma a comunicação favorece a aprendizagem? Como avaliar bem o conteúdo do fórum? Além das lições, que nos mostram que é necessário uma preparação adequada dos professores para atuar neste modo de ensino, é possível considerar que as questões levantadas são relevantes, quanto a identificação de limites e possibilidades do uso de ambientes de aprendizagem com as mesmas características do EVA.

## Referências Bibliográficas

Ausubel. D. (1980). "Psicologia Educacional". Rio de Janeiro, Interamericana, 625p. Bardin, L. (1994). "Análise de Conteúdo" . Edições 70. Lisboa.

Gerosa, M.A., Pimentel, M.G., Fuks, H. e Lucena, C.J.P. (2003), Coordenação de Fóruns Educacionais: Encadeamento e Categorização de Mensagens, "Atas do XIV Simpósio Brasileiro de Informática na Educação" - SBIE 2003, 12 a 14 de Novembro de 2003, Rio de Janeiro - RJ.

Moreira, M.A. (2000). Aprendizagem Significativa Crítica. Atas do III Encontro Internacional sobre Aprendizagem Significativa. Lisboa. p. 33-45.

Okuno. E. e Vilela, M. A. C. (2005). Radiação Ultravioleta: Características e Efeitos. Série: Temas Atuais de Física. Editora e Livrararia da Física. Sociedade Brasileira de Física. São Paulo, 78p.

Pimentel, M.G., Fuks, H., Lucena, C.J.P. (2004) "Avaliação da Participação em Conferências Textuais Assíncronas", Atas do X Workshop de Informática na Escola a (WIE/SBC), jul. 31 - ago. 6, Salvador, BA, p. 112.

Reis, E. M. e Linhares, M. P. (2005a). "Discutindo a Ortodoxia do Currículo de Física em um Ambiente Virtual para Estudos de Ciências". XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. In: Anais do XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. Rio de Janeiro, 24 a 28/janeiro.

Reis, E. M. e Linhares, M. P. (2005b). "Convergências Tecnológicas: Fronteiras da Formação de Professores de Ciências". In: Atas do IV Encontro de Pesquisa em Educação em Ciências . 28/nov a 02/dez. Bauru.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.