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ARTICULAÇAO ENTRE ESPAÇOS FORMAIS E NAO FORMAIS DE APRENDIZAGEM VISANDO O ENSINO DE CONCEITOS DE ASTRONOMIA

Daniele Cristina Nardo Elias, Mauro Sérigio T. Araujo, Luiz Henrique Amaral

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
31/01/2007
Linha de pesquisa
Alfabetizaçao Científica E Tecnológica E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ARARTICULAÇÃO ENTRE E ESPAÇOS F FORMAIS E N NÃO F FORMAIS DE APAPRENDIZAGEM VIVISANDO O ENSINO DE CONCEITOS DE A ASTRONOMIA

Daniele Cristina Nardo Elias 1 (dcnardo@ajato.com.br) Mauro Sérgio T. Araújo 1 (mstaraujo@uol.com.br)r) Luiz Henrique Amaral1 l1 (luiz.amaral@unicsul.br)

1 Universidade Cruzeiro do Sul

## RESUMO

Este trabalho tem como objetivo apresentar um estudo sobre as concepções espontâneas de 50 alunos da primeira série do Ensino Médio em uma escola pública da rede estadual de ensino na cidade de São Paulo acerca de diferentes conceitos de Astronomia. O estudo das concepções espontâneas sobre Astronomia foi realizado partindo das noções apresentadas pelos alunos em desenhos nos quais mostravam suas formas de imaginar o Universo, o planeta Terra e o Sol. A analise e discussão dos desenhos realizada a entre alunos e professor, proporcionou u uma reformulação dos conceitos errôneos apresentados pelos estudantes. A A crescente evolução e utilização de novas tecnologias vêvêm caususandndo profundas mudanças no meio ambiente, nas relações e no modo de vida da sociedade. Apesar r disso, estudos relacionados à questões científicas ainda continuam inacessíveis cotidianamente à grande parte da população.Mesmo com todo avanço científico e tecnológico que repercutem na sociedade ocasionando diferentes impactos, a escola ainda continua sendo a principal instituição encarregada tanto pela formação e constituição do sujeito e da sociedade moderna quanto pela divulgação do conhecimento e da cultura. Embora uma das funções da escola seja preparar o aluno para viver socialmente, observa-se que ue muitas escolas parecem estar alheias a toda evolução que ocorre no cotidiano da sociedade, pois continuam trabalhando no modelo tradicional de ensino, em que os conteúdos são considerados prontos e acabados, e os alunos meros receptores de informações.

Nesse contexto, este trabalho aborda também as dificuldades encontradas para ensinar Astronomia nos diversos níveis de ensino e a importância dos espaços não-formais para a ocorrência de uma aprendizagem significativa dos conceitos abordados nas exposições e no ambiente escolar, valorizando -se a aproximação e a interação do público com o espaço não-formal de educação. Além disso, propõe-se um trabalho conjunto que visa articular as ações entre espaços não -formais de educação e as escolas, a fim de auxiliar nos processos de ensino e de aprendizagem, promovendo dessa maneira a popularização de conteúdos relacionados à Astronomia.

Palavras -chave: Astronomia, Planetário, Espaço não-formal de educação.

## INTRODUÇÃO

A crescente evolução e utilização de novas tecnologias vêm causando profundas mudanças no meio ambiente, nas relações e no modo de vida da sociedade. Apesar disso, estudos relacionados à à questões científicas ainda continuam inacessíveis cotidianamente à grande parte da população. Um dos principais motivos desse desconhecimento é o fato de os saberes relacionados ao mundo científico serem pouco divulgados em uma linguagem simples e existirem poucos locais de divulgação científica disponíveis ao público em geral (MASSARANI, 2000; SOUZA, 2000).

Mesmo com todo avanço científico e tecnológico que repercutem na sociedade e ocasionando diferentes impactos, a escola aiainda continua a sendo a principal instituição encarregada tanto pela formação e constituição do sujeito e da sociedade moderna quanto pela divulgação do conhecimento e da cultura. Embora uma das funções da escola seja preparar o aluno para viver socialmente, observa -se que muitas escolas parecem estar alheias a toda evolução que ocorre no

cotidiano da sociedade, pois continuam trabalhando no modelo tradicional de ensino, em que os conteúdos são considerados prontos e acabados, e os alunos meros receptores de informações.

Um exemplo do conhecimento escasso sobre os assuntos relacionados à C Ciência é o fato da Astronomia, uma das ciências mais antigas da história da humanidade, ser pouco conhecida e compreendida pelo público em geral, incluindo desde crianças até té professores de todos os níveis de ensino (FALCÃO, 1997; MEDEIROS, 2001; JAFELICE, 2002).

- É importante salientar que, embora o tema de Astronomia esteja presente nos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), trabalhos recentes indicam que não está ocorrendo a esperada inclusão dos conceitos de Astronomia na maioria dos currículos escolares (ELIAS et al., 2005).

Percebendo esta fragilidade na divulgação de conhecimentos relacionados à Astronomia, este trabalho busca analisar os resultados de um levantamento de concepções apresentadas por estudantes de primeira série do Ensino Médio de uma escola estadual acerca de diferentes conceitos de astronomia. As idéias de universo dos estudantes serão apresentas por meio de desenhos feitos pelos alunos, seguida das explicações destes desenhos segundo os próprios alunos. A partir do estudo das concepções dos estudantes é sugerida neste trabalho uma proposta pedagógica a ser utilizada pelas escolas de todos os níveis de ensino, visando articular ações educativas com os espaços não-formais de ensino como os planetários, entendendo que tais espaços, por atuarem com diferentes metodologias, promovem uma interação social capaz de favorecer melhores condições de ensino e aprendizagem, uma vez que despertam curiosidade e prazer aos visitantes (GOUVEA, 2003; SENICIATO, 2004).

## OS PCN E AS CONCEPÇÕES PRÉVIAS DOS ESTUDANTES SOBRE ASASTRONOMIA

Um estudo dos PCN (1997) realizado com o objetivo de avaliar como a Astronomia deve ser abordada nos currículos escolares mostrou que essa ciência ia deve ser ensinada desde as séries iniciais, preferencialmente sendo relacionada com os fenômenos presentes no dia-a-dia dos estudantes, facilitando deste modo a contextualização dos temas abordados .

Embora esse tema esteja presente nos PCN (1997), observava-se que ele geralmente não é incluído no currículo escolar (Elias , 2005) . Pesquisas recentes realizadas as com quase três centenas de estudantes do ensino médio de duas escolas públicas e uma escola particular r permitiu constatar que muitas concepções que os estudantes apresentavam sobre alguns tópicos de Astronomia diferem das que são cientificamente aceitas (E(Elias , et al., 2005; Araújo et al., 2005) . Observovouuse nessas pesquisas que apenas 20 % dos alunos foram capazes de relacionar a sucessão das semanas com as fases da Lua, apesar de ser esse um fenômeno freqüentemente observado pelos estudantes, uma vez que a observação da Lua é bastante fácil mesmo em São Paulo, cujas condições atmosféricas dificultam m a observação dos objetos celestes. Por outro lado, apapenas 28 % deles associaram as estações do ano à inclinação do eixo de rotação da Terra, sendo que 29 % responderam estar esse fenômeno relacionado ao fato de a Terra estar mais próxima ou mais afastada do Sol. Somente 23% dos alunos possueuem noções adequadas das distâncias existentes entre os objetos celestes próximos da Terra a e 56 % conseguiram relacionar o Big-g-Bang à origem do Universo. Apenas 37% dos alunos reconheceram o ano-luz como sendo uma unidade de distância, enquanto que apenas 60 % deles foram capazes de reconhecer o Sol como sendo uma estrela.

Neste trabalho procurou-u-se veverificar durante o desenvolvimento de um projeto de Astronomia quais são as concepções de Universo que os estudantes têm, enfocando a sua localização no Universo, as dimensões dos astros celestes, bem como outros aspectos relevantes, utilizando -se desenhos como estratégia de levantamento de informações . O projeto foi realizado com 50 alunos da primeira série do ensino médio de uma escola estadual l no estado de São Paulo . Inicialmentnte foi pedido aos alunos que fizessem desenhos de como imaginavam ser r a Terra vista em algum ponto do espaço, desenhos de como achavam m que era a o Sol, desenhos de como imaginavam que era o Universo, devendo conter neste desenho os objetos que fazem parte do do

Universo segundo cada estudante . Após a realização dos desenhos, cada estudante apresentou seusus desenhos para o grupo de alunos descrevendo o que significava cada um deles, e em seguida a professora intervinha fazendo comentários sobre os desenhos e os ererros conceituais apresentados fazendo uma correção dos mesmos. A partir da discussão dos desenhos, foi realizado um estudo dirigido de alguns tópicos de Astronomia relacionados aos desenhos objetivando a mudança dos conceitos Astronômicos errôneos apresentados pelos alunos.

A seguir serão apresentados alguns desenhos feitos e descritos por estudantes da primeira série do Ensino Médio da escola onde a pesquisa foi desenvolvida .

Figura 1 - Desenho da Terra, Lua, Sol e Galáxia .

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O aluno responsável pela figura 1 afirmou que a Terra, o Sol, l, a Lua e a Via Láctea que é nossa galáxia, são praticamente do mesmo tamanho, demonstrando não ter conhecimento de que estes corpos celestes apresentam dimensões muito diferentes. AlAlém disso, o aluno desenhou estrelas no meio dos quatro desenhos e quando o professor perguntou a ele o que era o Sol , ele não soube responder, o qual l demonstra que este aluno não sabe que o Sol é uma estrela como as outras que ele desenhou u entre os desenhos acima .

Na figura 2 mostrada a seguir , o aluno afirmou que existem quatro Luas que podem ser vistas da Terra: minguante, cheia, nova e crescente. Ainda segundo este mesmo aluno , se uma das quatro luas deixar de existir ainda restam m outras três, uma justificativa para esta concepção apresentada por este aluno é a falta de informação sobre os movimentos de rotação e de translação realizados pela la Terra e pela Lua e , com isso, o aluno acredita que existem quatro luas totalmente diferentes e independentes circulando ao redor do planeta Terra .

Figura 2 - - Desenho de quatro Luas .

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Figura 3 - Desenho de localização das estrelas

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Curiosamente na na figura 3 verificou-u-se que o aluno afirmou que existem estrelas somente na parte de cima da Terra , onde todos os seres humanos vivem, m, indicando ainda que há estrelas dentro do planeta. a. Esta figura mostra que o aluno se baseia apenas em suas percepções sensoriais, desenhando o que vê, pois para ele as estrelas sempre aparecem à à noite, sendo possível interpretar que segundo seu entendimento a impressão é que durante o dia não existem estrelas s no céu.

Figura 4 - - Desenho das órbitas e distâncias dos planetas

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Finalmente na na justificativa da figura 4 foi constatado que o aluno afirmou que todos os planetas estão a uma mesma distância um do outro, que o Sistema Solar r não faz z parte da Via Láctea , estando separados na figura. AlAlém dedesses aspectos, o desenho de um microscópio o mostra que o aluno não conhece a finalidade deste instrumento , uma vez que o aluno afirmou ser este instrumento utilizado para olhar para o céu e enxergar tudo maior.

Analisando as figuras mostradas acima, destacadas entre diversas outras elaboradas pelos alunos e que também apresentam diferentes erros conceituais, é possível verificar que os estudantes apresentam noções elementares de Astronomia bastantnte equivocadas, alguns inclusive acreditando

ser a Terra maior que o Sol, e a Lua e o Sol do mesmo tamanho. Acreditam na existência de quatro tipos de Luas que giram ao redor da Terra, além de acharem que todos os planetas estão a uma mesma distância um do outro e que não fazem parte da Via Láctea. As concepções apresentadas nas figuras mostram que os alunos desenharam o que conseguem ver olhando para o céu, u, independente de qualquer conceito Astronômico, pois baseiam sua análise apoiados exclusivamente em suas percepções de natureza sensorial. l.

Assim, a a partir dos resultados apresentados em m estudos anteriores s de Elias 2005; Araújo et al. 2005, torna -se evidente a necessidade de aprimoramento da abordagem de conteúdos relacionados à à Astronomia, pois apesar de popular, a Astronomia é veiculada de maneira pouco esclarecedora e com imprecisões até mesmo em livros didáticos .

A fim de superar as dificuldades apresentadas por estudantes, a partir dos estudos dos PCN (1997) e do levantamento de concepções prévias dos estudantes desenvolvido nesta investigação , buscouuse neste trabalho elaborar uma proposta de trabalho conjunto entre espaços não formais e escolas a fim de facilitar a aprendizagem e contemplar os PCN.

## O PAPEL DA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFIFICA

Em um mundo cada vez mais dominado pela informação, absorver conhecimentos relativos ao mundo da Ciência tornouuse um requisito fundamental para o exercício da da cidadania. Nesse contexto, a educação não-formal ocupa um lugar muito importante na divulgação dos conhecimentos científicos, pois diferentemente da educação formal possui ui i uma metodologia voltada para a aprendizagem interativa, propiciada tanto pelas exposições e atividades desenvolvidas em grupo, quanto pela troca de informações entre indivíduos, o que de acordo com a teoria de Vigotsky (1998a) é essencial para o desenvolvimento do indivíduo. A educação nãoformal permite uma aprendizagem ativa, além de fornecer importantes saberes capazes de ampliar o universo cultural da população , permitindo , assim, a divulgação e popularização do conhecimento científico (CORRÊA, 2000). Segundo Gouvêa a et al. (2003), a educação não -formal permite ricas experiências afetivas, culturais e cognitivas. Nesse sentido, mais do que acesso à informação relacionada às temáticas da Ciência, as pessoas que freqüentam atividades extra-classes são incentivadas a questionar, a solucionar dúvidas e a aprimorar conhecimentos.

As tendências do ensino em Ciências e das propostas pedagógicas presentes na educação não -formal enfatizam, portanto, o papel da ação do sujeito na aprendizagem (CAZELLI et al., 2001) e, portanto, o ensino torna-se muito mais produtivo e efetivo, pois desperta o interesse do aluno pela pesquisa e observação (TREVISAN, 1997). A interação entre os alunos nas atividades extra -classes contribui para a a aprendizagem m na escola, pois estas atividades servem para desequilibrar o senso comum. Uma exposição científica pode explicar mais facilmente situações do dia -adia sob a ótica de modelos científicos e, sendo assim, deve fazer parte do currículo escolar como um complemento do ensino formal (STUCHI, 2003), por permitir que abordagens relacionadas à Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) sejam desenvolvidas mais facilmente (GOUVEA, 2001). A visita a ambientes não formais de aprendizagem tende a estimular r a imaginação e a criatividade dos alunos, permitindo-lhes analisar a previsibilidade das teorias, a além de promovever r discussões em que é posto à prova o próprio valor heurístico das teorias, aspecto imprescindível para desenvolver uma aprendizagem significativa em Ciências.

Neste contexto, as atividades extra -classes devem ser cada vez mais fundamentais para o desenvolvimento da educação em Ciências, pois estas atividades apresentam diferentes naturezas. Assim, a educação nãnão-formal parece estar cada vez melhor preparada para a tarefa de alfabetizar cientificamente a sociedade com uma dimensão cívica, constituída de elementos de relevância social, l, tornando o cidadão apto a participar de forma mais informada e, portanto, mais consciente nos debates político-sociais (LATTARI et al., 2003) .

## DIFICULDADES PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA E AS POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL

A Astronomia é uma ciência relacionada à construção histórica e cultural l humana e explica vários fenômenos que ocorrem em nosso dia-a-dia. No entanto, conforme já mencionado antes, embora faça parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) tanto em nível fundamental como médio, trabalhos recentes têm apontado para a não-inclusão dos conceitos de Astronomia na maioria dos currículos escolares, o que em grande parte decorre da falta de embasamento do professor na abordagem de conteúdos pertinentes sobre vários temas astronômicos tão presente no nosso cotidiano (ELIAS et al., 2005).

Um outro problema que pode ser apontado são os livros didáticos que, segundo Selles (2004), apresentam inúmeros erros conceituais explicativos sobre vários fenômenos como, por exemplo, as estações do ano. Adicionalmente, constata-se que os livros apresentam precariedade de informações textuais, e as ilustrações não estabelecem vínculos com a realidade brasileira , uma vez que a produção dos livros didáticos é feita a partir de informações contidas em livros ingleses, de modo que as ilustrações nada têm a ver com o nosso cotidiaiano, fato que torna ainda mais difícil a compreensão desta Ciência tanto por professores quanto por alunos (Selles, 2004) .

É possível também detectar distorções nos livros didáticos quanto às fases da Lua, eclipses solares, além de limitações à teoria copernicana (MEDEIROS, 2001), que é pouco compreendida pelos alunos de cursos de Física e pelas crianças das séries iniciais, o que pode ser comprovado pela falta de entendimento de situações observadas no dia-a-dia, que de tão proferidas parecem tornar -se um consenso (FALCÃO et al., 1997). Assim, segundo Medeiros (2001), se a maioria das pessoas escolarizadas for questionada sobre a Astronomia, com perguntas como: a Terra é redonda? Por que a Lua apresenta fases? Certamente seria constatada uma falta de compreeeensão desses fenômenos, conforme mostram os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos (ELIAS , 2005; GOUVÊA, 2001).

Temas gravitacionais também apresentam inconsistências a estudantes e professores, e, mesmo quando esse assunto é trabalhado no ensnsino de Física, em geral a a abordagem limita-se apenas ao contexto da gravitação salientando a análise das forças. Adicionalmente, não se deve esquecer que as imagens apresentadas nos livros didáticos sobre o Sistema Solar não correspondem às relações de dimimensões que prevalecem no Universo e os professores não informam seus alunos deste fato, o que faz com que estes tenham uma compreensão errônea das dimensões dos corpos que compõem o Sistema Solar (SEVERINO et al., 2003). Observa-se em Gouvêvêa (2001), que as as crianças do ensino fundamental desconhecem o Sistema Solar e apresentam dificuldades em compreender o modelo heliocêntrico, uma vez que só conhecem o modelo geocêntrico, provavelmente pelo fato de o Sistema Solar ser invisível a olho nu em sua totalidade .

De acordo com Trevisan et al. (2003), é possível observar a falta de compreensão que a maioria dos professores do Ensino Fundamental tem a respeito de noções fundamentais de Astronomia. De acordo com pesquisa realizada pelos autores, 45% do professores acreditam que a Terra está no centro do Universo, vindo em seguida os 30% que pensam ser o Sol o centro do Universo, 15% têm uma vaga idéia do que é o Universo e, por fim, 10% acreditam que o Universo está em evolução. A noção de Universo apresentada pelos professores é extremamente limitada e aparecem idéias como:

- -Não sabem que vivem na superfície da Terra;
- -Não aceitam a esfericidade da Terra;
- -As estações do ano decorrem da maior ou menor proximidade da Terra em relação ao Sol;
- -O eixo da Terra não é inclinado;
- -O Sol é a maior estrela do Universo e ele é imóvel;
- -O Sol e a Lua são mais ou menos do mesmo tamanho;
- -A Lua fica iluminada pelo Sol de diferentes maneiras, daí as fases da Lua" (TREVISAN, et al., 2003, p. 1880)0) .

Mais recentemente, outros trabalhos (Elias , 2005; Araújo et al., 2006) constataram que os alunos apresentam inúmeros erros conceituais sobre os fenômenos astronômicos , desconhecendo , por exemplo, que o Sol é uma estrela e que as estações do ano estão relacionadas ao eixo de inclinação da Terra, e não à distância da Terra até o Sol.

Na educação básica, tem sido observado que o procedimento de ensinar Astronomia se restringe a repetir conteúdos de livros ou textos de G Geografia e Ciências que, na maioria das vezes, apresentam erros conceituais e memesmo no ensino superior os cursos de licenciatura quase não oferecem conhecimentos relacionados à Astronomia (STEFFANI et al., 2003). Dessa forma, é possível perceber que a aparente facilidade atribuída a conceitos fundamentais de Astronomia é enganosa e sua ua compreensão é bastante problemática, uma vez que os próprios livros didáticos apresentam distorções e, com certa freqüência, fazem uso de termos de forma não esclarecedora.

De acordo com Jafelice (2002), para superar tantas dificuldades na compreensão de temas ligados à Astronomia, um possível caminho seria proporcionar situações nas quais o processo de ensino se desse por meio de uma contextualização do assunto a partir das experiências prévias dos alunos, evitando -se abordagens que tratem os conteúdos cocomo verdades absolutas, pois assim tornammse mal aproveitadas, uma vez que as experiências e curiosidades dos alunos são ignoradas.

Nesse sentido, acredita -se que as atividades extra-classes parecem ser as melhores para que ocorram a contextualização e a vavalorização dos conhecimentos prévios dos alunos, já que nelas a aprendizagem ocorre por meio de interação tanto entre os estudantes, professores e monitores, como por meio da interação com os experimentos existentes nestas atividades , além de ser possível trabalhar a interdisciplinaridade, pois tais atividades podem envolver conteúdos de Física, Química, Matemática e Geografia (LATTARI et al., 2001).

- O aprendizado obtido dinamicamente na educação não-formal pode, portanto, contribuir para a apropriação de umuma nova consciência sobre questões científicas e tecnológicas (LATTARI et al., 2003), auxiliando na correção de conceitos errôneos, tanto por parte dos alunos como dos professores , além de proporcionar aprendizagem sobre novos fenômenos, principalmente aos professores portadores de idéias pré-estabelecidas que os limitam na sua função de ensinar. Assim, após a participação em atividades extra-classes, como em oficinas de Astronomia, os professores tendem a sentir maior motivação para o seu ensino (TREVISAN, 2003). Além disso, durante uma visita ao Planetário , professores e alunos podem juntos visualizar os diversos assuntos de astronomia que a olho nu não conseguiriam m e os quais numa aula tradicional , sem uso de tecnologias , seriam muito abstratos para serem m ensinados e compreendidos.

Por meio de atividades extra -classes como a visita a um Planetário é possível permitir que a sociedade tenha mais contato com a Ciência e a Tecnologia, vislumbrando com maior clareza seus reflexos em seu dia -a-dia e, a partir didisso, compreenda melhor o mundo em que vive, podendo atuar de maneira mais consciente e crítica .

## PROPOSTA DE ARTICULAÇÃO PEDAGOGIA ENTRE ESPAÇOS NÃO-FORMAIS DE EDUCAÇÃO E AS ESCOLAS VISANDO O ENSINO DE ASASTRONOMIA

Uma vez identificadas algumas dificuldades no ensino de Astronomia e analisadas algumas possíveis contribuições dos espaços não-formais de ensino, está sendo proposto neste trabalho que seja utilizada uma nova forma de atuação pedagógica a voltada ao ensino no de Astronomia , de forma que os espaços não-formais e as escolas de níveis fundamental e médio trabalhem em conjunto , buscando facilitar a compreensão de assuntos relacionados à Astronomia .

As visitas aos espaços de educação não-formal mostram que existe uma grande interação entre os visitantes, quque gera discussões e troca de informações sobre os experimentos. Partindo dessa observação e baseando-se na teoria sócio-interacionista de Vigotsky (1998a, 1998b), propõese neste trabalho que a escolas elaborem m visitas a espaços s não-formais de educação destinadas ao ensino de Astronomia , buscando propiciar a interação entre os visitantes, processo essencial para que ocorra o desenvnvolvimento do indivíduo segundo Vigotsky (1998a). Além disso , a escola deve levar em consideração os conhecimentos prévios dos estudantes antes de levá-los para uma visita , pois de acordo com Ausubel (1986), a aprendizagem para ser significativa deve ocorrer em cooperação entre alunos e professores, partindo do conhecimento prévio dos alunos e estabelecendo ligações com os conteúdos trabalhados ou que se pretende trabalhar .

Por outro lado, deve existir uma preocupação das pessoas que participam dos espaços nãoformais quanto à à realização de reuniões que orientem os professores antes de realizarem a visita com seus alunos, para que haja uma sintonia entre os objetivos dedestes espaços e os objetivos escolares, verificando -se que a importância da prévia preparação dos professores já foi salientada por pesquisadores recentemente (Lozada, 2006) . Por sua vez, Barrio (2001) ressalta que para o Planetário adquirir valor educativo deve-se determinar a que tipo de público está dirigido cada um de seus programas, além de existir uma interação entre os objetivos deste e os objetivos escolares , propiciada pela relação entre professores s do Planetário e professores das escolas que o visitam. Com isso, os espaços não-formais como o Planetário promoveriam uma alfabetização científica que atenda a um maior número de pessoas por meio das várias atividades que serão propostas .

## CONCLUSÕES

Embora o ensino de astronomia esteja previsto nos PCN, os resultados obtidos na pesquisa aqui relatada indicaram claramente que há grande deficiência na abordagem desses conhecimentos nos ambientes escolares, em grande parte decorrente da não inclusão dos temas relacionados com a Astronomia na estrutura curricular das escolas (Elias et al., 2005). Verificou-u-se a falta de compreensão de assuntos básicos relacionados a concepções astronômicas relacionadas com diversos fenômenos presentes no dia a dia dos alunos, que afirmaram: que a Terra, o Sol, a Lua e a Via Láctea que é nossa galáxia, são praticamente do mesmo tamanho, demonstrando assim não ter conhecimento de que estes corpos celestes apresentam dimensões muito diferentes; existir r quatro Luas que podem ser vistas da Terra; que existem estrelas somente na parte de cima da Terra , onde todos os seres humanos vivem, m, indicando ainda segundo desenhos feitos que há estrelas dentro do planeta; a; que todos os planetas estão a uma mesma distância um do outro, que o Sistema Solar não faz parte da Via Láctea e, além disso, um determinado aluno afirmou que um microscópio o serve para ampliar objetos que estão no céu, demonstrado não saber a utilidade de tal instrumento.

Portanto, em um mundo em que novas descobertas científicas são realizadas constantemente e que a maioria desse novo conhecimento continua desconhecida por falta de adequada e ampla divulgação, torna-se essencial a criação de atividades para divulgação de conhecimentos referentes à diferentes áreas de conhecimento, com destaque para a A Astronomia por permitir que as pessoas possam se situar em relação ao Universo, possibilitando ainda a compreensão de vários fenômenos que interferem em nosso dia-a-dia . Neste sentido, sesegundo Barrio (2001), uma visita ao Planetário tende a facilitar r a compreensão de fenômenos astronômicos por utilizar ar r tecnologias que possibilitam a visualização dos fenômenos estudados e, com isso , os visitantes p podem reformular r mais facilmente suas pré-concepções de Universo.

Por meio de atividades extra -classes como a visita a um Planetário são oferecidas oportunidades para que a sociedade tenha mais contato com a Ciência e a Tecnologia e, a partir disso, compreenda melhor o mundo em que vive. Dentro desse contexto, torna-se cada vez mais necessário io o desenvolvimento de atividades que permitam uma adequada articulação de ações entre as escolas e os mais variados espaços não-formais de educação, entre os quais pode-se destacar os Planetários, tendo em vista a abordagem dos tópicos de Astronomia ali trabalhados em

apresentações, palestras e oficinas, devendo-se tomar os devidos cuidados para que haja sintonia entre os objetivos dos espaços não-formais e aqueles defendidos pelalas escolas , favorecendo desse modo a aprendizagem dos alunos.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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