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A Formaçao do professor de Física na UFAL: As Intençoes e Preocupaçoes dos Egressos

Barbosa, J. I. De L, Serra, K. C, Fireman, E. C.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
31/01/2007
Linha de pesquisa
Educaçao Científica E Formaçao Profissional
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A Formação do professor de Física na UFAL: As Intenções e Preocupações

## dos Egressos.

Barbosa, J. I. de L a (ibarbosa@oi.com.br)r)

Serra, K. C b (kcserra@hotmail.com)

Fireman, E. C. c (elton.casado@fapeal.br)

a Escola Agrotécnica Federal de Satuba-AL.

b Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas.

c Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas.

## RESUMO

A necessidade da realização deste trabalho surgiu a partir das reformas propostas pelo parecer 09/2001 do CNE, E, onde se questionava sobre quais teriam sido as principais contribuições da licenciatura em Física da UFAL na atuação profissional dos licenciados do curso. Com este objetivo, partimos para um levantamento da história da licenciatura em Física da UFAL desde sua primeira proposta de licenciatura em Ciências com habilitação em Física até as mudanças que estão em curso no momento atual. O seguimento natural da investigação se deu com a análise de documentos como projetos pedagógicos, resoluções e livros de colação de grau. O segundo ponto da investigação foi à à aplicação de questionários aos licenciados do curso buscando analisar r a situação profissional e as contribuições profissionais da licenciatura em Física da UFAL, do total de 55 egressos formados obtivemos retorno de 28 professores, sendo do estes que compõem nossa amostra. Levantamos aspectos profissionais gerais destes egressos. Por último, apresentamos algumas discussões e mamapeamos pela visão do egresso a formação inicial de professores de Física da UFAL, considerando três fases diferenteses . Como resultado a maioria dos entrevistados observam am no curso características de um bacharelado , identificam no curso a ausência de uma relação direta com as metodologias específicas para o Ensino de Física, marcadas pela não integralização dos conteúdos físicos com os pedagógicos. Muitos deles se acharam preparados para a sala de aula, apesar de sentirem a ausência de uma maior experiência com a sala de aula, se sentindo inseguros, inicialmente, para atuarem em sala de aula. A maioria dos egressos de cursrso consideraram que o curso lhes preparou melhor para a transmissão de conhecimentos e pesquisas em áreas específicas da Física.

Palavras -Chaves: Formação de Professores, Prática Docente, Ensino Superior. r.

## INTRODUÇÃO:

A partir do parecer 09/2001 do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2001) que estabelece diretrizes para a formação de professores da Educação Básica, a formação de professores que já era um fator estudado e discutido por pesquisadores, tornou-u-se foco de preocupações e discussões em todas as universidades brasileiras, uma vez que o parecer concedia um novo formato para as licenciaturas em geral. Embora suas propostas ressaltassem muitos pontos desejados já algum tempo por vários setores relacionados a Educação Básica,

tais mudanças representaram e ainda representam rupturas bruscas com as concepções de formação anteriormente adotadas por muitas instituições ensino.

Na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) os processos de reforma nas licenciaturas ganharam maior dimensão, somente, em 2005. O estudo e as discussões realizadas durantes a construção de um novo projeto pedagógico para licenciatura em Física da UFAL levantaram vários questionamentos: Como vem ocorrendo à formação de professores de Física na UFAL ao longo dos anos? Que contribuições e ênfases foram dadas em cada fase de existência do curso? ... Estes questionamentos desencadearam numa investigação sobre aspectos históricos e formativos da licenciatura em Física da UFAL.

Neste trabalho apresentaremos aspectos dos egressos da licenciatura em Física da UFAL desde seu início de atividades em 1974.

## O CURSO DE FÍSICA NA UFAL: SUA HISTÓRIA

A Licenciatura em Física da UFAL foi instituída através da resolução nº. 15/75 do Conselho Coordenador de Ensino e Pesquisa (CCEP), de 24 de setembro de 1974. Esta resolução, além de criar o curso, estabelecia a sua estrutura curricular inicial, a qual era baseada na legislação federal vigente, a polêmica resolução 30/74 do Conselho Federal de Educação (CFE), que estabeleceu as licenciaturas de curta d duração. Assim, na resolução 15/75 do CCEP da UFAL, verifica -se:

Art. 1º -O curso de Licenciatura Plena em Física, de que resultará o diploma de licenciado, destina -se à formação de professores para o ensino de Física e outras atividades, áreas e disciplininas, previstas na legislação em vigor, no 1º e 2º graus.

Art. 2º -O curso será ministrado no mínimo de 2.800 horas -aula, com integralização de três a sete anos letivos.

Art. 3º -O curso abrangerá o 1º Ciclo e o Ciclo Profissional.

Art. 4º -A estrutura curricular será constituída das disciplinas, atividades e estágios.

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O início de suas atividades se deu no no primeiro semestre de 1975, e tem funcionando ininterruptamente até os dias atuais . O curso de Física da UFAL formou um total de 80 Físicos entre as habilitações de Licenciatura e Bacharelado, sendo mais precisamente 55 Licenciados e 25 Bacharéis.

Durante esse período de atividades, o curso passou por várias reformas em seu currículo, com o objetivo de se adequar às exigências, ora dos estudantes que queriam uma melhor qualificação no campo específico da Física, ora para se adequar à legislação vigente.

Neste trabalho vamos destacar três períodos distintos, pelos quais passou o curso de física da UFAL, com m relação a sua grade curricular:

O 1º período vai desde sua criação em 1974 até 1983, durante essa fase o curso passou por dois currículos, que obedeciam a resolução 30/74 do CFE, e eram caracterizados por dois ciclos; o 1º ciclo comum a todas licenciaturas de ciências, o 2º ciclo correspondia à parte te obrigatória da habilitação em Física, juntamente com as disciplinas pedagógicas num total de oito. Apesar da da a existêtência de dois currículos nesse período a diferença entre eles é é mínima, e esta mudança ocorreu para se adequar a postura dos professores que ue estavam retornando ao departamento depois de fazer mestrado ou doutorado. Outra característica desse período é que: "A "Ainda de acordo com a resolução 30/74, o estudante poderia cursar o 1º Ciclo (os quatro períodos iniciais), e mais as disciplinas pedagógigicas e obter o diploma de Licenciatura em Ciências de curta duração, e ficar habilitado, portanto para ensinar no 1º grau" (BARBOSA , 2005, p.36).

O 2º período que destacamos tem início no 1º semestre de 1984, e se estende até o segundo semestre de 1989. Dururante o período anterior (1974 até 1983) os alunos cobravam reformas mais abrangentes no curso de Licenciatura em Física, destacavam que o currículo

inicial não atendia uma formação generalista adequada as ciências, assim como comprometia a formação diversificada em Física, vale destacar que não existia uma preocupação maior com as disciplinas pedagógicas, tidas por muitos apenas como uma complementação da grade curricular obrigatória.

Assim promoveu-u-se uma reformulação curricular que ainda seguia os ditamemes da resolução 30/74, mas esse novo currículo que começou a vigorar no 1º semestre de 1984 minimizava bastante o ciclo comum a todas as licenciaturas em ciências, e cedia mais espaço a parte diversificada que envolvia as disciplinas específicas de Física, ou seja, a licenciatura passa a ter suas c características próximas de um bacharelado, o que era uma aspiração tanto de docentes quanto de discentes (na sua maioria) do curso.

O 3º período tem início em 1990 e se estende até 2005, durante essa fase o curso de Física passa por três mudanças, já em 1987, o curso de Física passou por uma avaliação do Ministério da Educação, num programa chamado de: Programa de Avaliação Curricular MEC -BID -III, esta avaliação foi desenvolvida com a aplicação de questionários para ra os corpos docente e discente do curso, com o objetivo de buscar informações sobre o mesmo, e dessa forma destacar as "variáveis básicas do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, seus objetivos, conteúdos, estratégias e avaliações" (PROGRAMA MEC-BID-III, 1987, p. 11).

Tendo como ponto de partida os resultados obtidos nessa avaliação, e as discussões internas sobre a criação do bacharelado, o Departamento de Física promoveu u uma nova reformulação do currículo no curso de Física. "A nova estrutura curriculalar, rompe definitivamente com a resolução 30/74, o curso passa a ser denominado de Licenciatura Plena em Física, e nesta oportunidade também é criado o curso de Bacharelado em Física" (BARBOSA , 2005, p.40). Ainda durante esse período mais duas pequenas refoformas foram efetuadas, apenas para se adequar a legislação vigente, uma em 1994, quando a universidade passa para o regime seriado anual nos cursos de graduação, e outra em 2000 com o advento da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a qual estabelecia um total de duzentos dias letivos no ano.

## JUSTIFICATIVA

Buscamos verificar o quanto o curso de licenciatura em Física contribuiu para a formação do conhecimento científico dos professores formados, e mais importante, na consolidação do conhecimento subjetivo destes professores. Por fim, procuramos identificar, nas respostas dos questionários, até que ponto estes profissionais foram conduzidos a adquirir o conjunto de conhecimentos científico-pedagógicos necessários a sua atividade, ou seja, a, um saber subjetivo, pois , como afirma V Villani; Pacca; Freitas (2000, p.1)

Apesar da competência profissional de um docente ser fruto da interação entre seu conhecimento e saber, este último parece guiar prioritariamente a ação docente e as correspondentes escolhas didáticas ... Por isso o resultado final visado pela formação do professor é a promoção de saberes docentes, apesar de não ser possível atingi-i-los diretamente com a instrução. Entretanto, a instrução é o ponto de partida da modificação do conhecimento subjetivo e do saber individual"

Nas últimas décadas o debate sobre a formação de professores de ciências, e em particular professores de física se intensificaram, um dos motivos para o acaloramento dessa altercação é o crescimento das pesquisas educacionais na área de ensino de Física. Segundo Moreira a (2000, p.95). O debate:

... começou a emergir com mais clareza nos anos setenta, com o estudo das chamadas concepções alternativas, consolidou-se na década de oitenta, com as pesquisas sobre a mudançnça conceitual, e encontra-se em plena "ciência normal", neste fim de século, com

investigações bastante diversificadas, incluindo, por exemplo, resolução de problemas, representações mentais dos alunos, concepções epistemológicas dos professores e formação inic ial e permanente de professores.

Entretanto, mesmo com toda essa discussão, em nosso país, e em particular em Alagoas continuamos vivendo um paradoxo, enquanto pesquisadores fazem trabalhos relevantes em Física, o ensino de Física no nível médio é um um grande ' 'problema ' . Por outro lado, é significativa e intensa a participação da ciência Física na evolução e produção de tecnologia no mundo de hoje, entretanto os projetos de ensino dessa disciplina nas escolas secundárias brasileiras e alagoanas em particular, não acompanham essas novas tecnologias.

## OS EGRESSOS:

A amostra de interesse da presente pesquisa é composta pela representação de todos os Licenciados em Física na UFAL, desde a criação do curso, o qual começou a funcionar no primeiro semestre de 1975 até o ano de 2006. Iniciamos nosso trabalho consultando os arquivos do DAA (Departamento de Assuntos Acadêmicos) da UFAL, para construir a listagem nominal de todos os formados. Nesta etapa, sentimos falta de um registro dessas informações no Departamento de Física, e até mesmo os arquivos do DAA, se mostraram bastante incompletos. Para fechar a listagem pretendida, recorremos a informações de professores mais antigos, e até nas raras placas de formatura, dispostas s no hall do departamento . De posse da listagem com todos os nomes dos egressos, buscamos os contatos, para enviarmos os questionários que elaboramos com o objetivo de verificar o perfil profissional desses Licenciados, tais contatos ocorreram por telefone, e-mail, carta, e também contatos pepessoais, nesta fase tivemos um trabalho árduo para localizar esses professores, por isso recorremos até a lista telefônica disponível na internet, e principalmente informações de professores e egressos, indicandndo o local onde outros estavam trabalhando.

A listagem oficial dos concluintes em Licenciatura em Física, desde sua criação até 2006, representa um quantitativo vo de 55 formados, este universo foi dividido em três grupos, a saber:

Grupo I - - Formados com os currículos vigentes de 1975 até 1983, neste grupupo tem-m-se 24 formados, fizemos contato com onze deles, os quais responderam o questionário proposto;

Grupo II - - - Formados com o currículo vigente de 1984 até 1989, este grupo é composto por 10 concluintes, conseguimos respostas do questionário com seis deles;

Grupo III - - Egressos dos currículos vigentes de 1990 até 2005, tem-m-se neste grupo 21 formados, com onze questionários respondidos.

Assim, do total de formados (55), foram contatados 28 professores, os quais responderam o questionário, isto repreresenta 50,9% do universo pesquisado.

## Quanto aos dados profissionais:

Quanto à à formação posterior a Licenciatura, verificamos que existe uma preocupação desses professores em prosseguir seus estudos, como verificamos no gráfico I, dos oito professores que têm especialização quatro pretendem fazer mestrado imediatamente, enquanto dos onze que só têm a graduação dez z pretendem fazer uma pós-graduação.

Gráfico I - Mostra o quadro de formação acadêmica dos professores pesquisados.

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## Quanto à caracterização do cursrso de licenciatura em Física:

Questionamos aos professores lilicenciados, o que o incentivou a entrar no curso de Física da UFAL, como não há uma uniformidade nas respostas, agrupamos as replicações semelhantes em um mesmo item, e as tratamos assim em ordem decrescente de incidência. Dessa forma iremos proceder nas questões seguintes que constituem nossa pesquisa. Verificamos então, que para d dezesseis (59%) dos licenciados, o incentivo para entrar no curso de Física foi por gostar da disciplina, e que queriaiam entender melhor os fenômenos da natureza, como afirma um dos entrevistados: "O "O gosto por questões científicas, à à vontade de conhecer o funcionamento da natureza, a admiração pela matemática e a vontade de passar os conhecimentos para outros, a arte de ensinar". (Professor A)A). Cinco (19%) atribuem o incentivo para entrar no curso ao antigo 2º grau, como coloca um respondente: "O simples fato de ter me identificado com a disciplina Física do antigo 2º grau". (Professor B)B). Três (11%) responderam que o o incentivo advém de uma necessidade, "a perspectiva de emprego imediato", como afirma o (Professor r C) , dois (7%) destacaram o seu interesse por astronomia, e um (4%) não respondeu. Assim, mais uma vez notamos que é fundamental o primeiro contato do futuro físicico com essa ciência (nos níveis fundamental l e médio), o que torna ainda mais relevante o trabalho desses professores, e, por conseguinte, se faz necessária uma formação em que "...o aluno, futuro professor, possa se preparar para fazer a transposição entre o saber específico de Física e aquele saber escolar que ele deve desenvolver junto aos seus futuros alunos, usualmente adolescentes que estão cursando o Ensino Fundamental e Médio." (Garcia, 2005, p.5) .

Na mesma linha, questionamos aos professores. Porque você escolheu Licenciatura em Física? Dezesseis (56%), (de acordo com as respostas da questão anterior) afirmaram que foi por gostar de Física e sempre ter se identificado com a atividade docente; Dez (34%) afirmaram que foi por gostar de Física, porém, nenem tinha consciência ser um curso de licenciatura; Dois (7%) afirmaram que foi por falta de outra opção com a qual memelhor identificarrse; Enquanto um m (3%) afirmou que dentre os cursos da área de exatas, com a qual se identifica, optou pelo menos concorrido, de conseqüente mais fácil acesso.

Em outra questão indagamos, que tipo de atividade acadêmica o curso de licenciatura em Física mais lhe oportunizou desenvolver. Destacamos nas respostas desta questão que doze ze (37%) desenvolveram atividades de iniciação científica, oito (24%) afirmam que desenvolveram atividades de monitoria em disciplinas de conteúdo físico. Somente dois (6%) licenciados responderam que o curso oportunizou desenvolver atividades em projetos de pesquisa voltados a formação docente, o que é um fato extremamente preocupante, já que

trata -se de um curso de lilicenciatura, nessa mesma linha, nove (27%) afirmam que nenhuma atividade significativa a formação docente foi desenvolvida pelo curso, o que concorre com os estudos realizados por vários pepesquisadoras, "trata-se de uma licenciatura inspirada em um curso de bacharelado, em que o ensino do conteúdo específico prevalece sobre o pedagógico e a formação prática assume, por sua vez, um papel secundário" (PEREIRA, 1999, p.113).

Quando questionados sobre que técnicas de ensino a maioria dos professores das disciplinas pedagógógicas utilizavam com ênfase, doze (37%) responderam que eram auaulas expositivas (monólogo, preleção); onze (33%) responderam que eram aulas expositivas com diálogos entre professor e aluno; cinco (15%) responderam que eram auaulas expositivas com aplicabilidade dos conteúdos específicos (Físicos) fundamentando à ação proposta; e cinco (15%) responderam que eram aulas onde nenenhuma atividade que contemplasse a integração entre os conteúdos Físicos e os Pedagógicos, era proporcionada . Nas respostas das duas últimas questões evidencia-se a falta de integração entre os conhecimentos Físicos (a ser ensinado) e os conhecimentos pedagógicos necessários para um bom desempenho do professor, r, ou u seja, mostra-se a falta de uma didática específica das ciências onde a formação docente seja constituída de um corpo teórico global, proporcionando assim a integração entre os saberes necessários a essa formação . Assim, (CARVALHO; PÉREZ, 2000, p.79 -80), afirmam que:

Este modelo somatório de saberes acadêmicos como base da formação dos professores de Ciências tem como principal obstáculo a falta de integração dos princípios teóricos estudados nos cursos de Educação com a prática docente, ... reiteramos a nenecessidade de que a didática específica se configure como um corpo teórico, capaz de integrar corretamente os resultados das pesquisas em torno dos problemas concretos que se apresentam ao ensinar a disciplina .

Em se tratando de um curso de Licenciatura, como você avalia o compromisso dos professores das disciplinas específicas (físicas) com esta formação? Para essa questãtão, verificamos no gráfico II que nos três grupos que destacamos a maioria responde que havia pouca sintonia entre as disciplinas específificas da Física e a formação docente, ou seja, a carência de uma didática específica para a formação do professor de ciências . Segundo o professor (CARRASCOSA, 2001, p.9-10), somente essa didática proverá a fundamentação teórica necessária à à formação docente, e deve apresentar os seguintes requisitos:

- a) Seja apresentada e percebida como um corpo teórico global e coerente, em que sejam contemplados os resultados das linhas de pesquisa existentes que, por sua vez, devem ser relacionados diretamente aos problemas concretos que surgem no ensino de cada disciplina (existência de concepções prévias, formas de avaliação, resolução de problemas de lápis e papel, trabalhos práticos, atitudes dos alunos, planejamento e valorização de temas concretos em cada disciplina, etc.);
- b) Propicie a vivência das propostas inovadoras que venham a a se apresentar e não se limitem somente ao relato de tais experiências;
- c) Seja concebida em íntima conexão com as práticas docentes, estas entendidas como espaço de experimentação e avaliação das propostas e orientações teóricas sobre o processo de ensino e aprendizagem de uma disciplina específica;
- d) Seja planejada de forma de forma que os professores possam se incorporar ao processo de investigação e inovação didática da disciplina a ser ensinada .

Gráfico II - Destaca os níveis de compromisso das disciplinas específicas (físicas) com a licenciatura.

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Como Físico Licenciado, para qual competência o curso lhe preparou melhor? Dez (31%) acham que papara bem transmitir informações aos alunos; Oito o (25%) acham que para realizar pesquisas num campo específico da Física; Seis (19%) para fazer interagir os conteúdos físicos com os didático -pedagógicos; Enquanto Oito (25%) acham que nãnão foi dado ênfase a nenhuma competência específica.

Perguntamos também: Em qual (ais) disciplina (s) do curso você sentiu maior contribuição a sua formação docente? As disciplinas mais cititadas foram as de laboratório, oito professores, na seqüência têm-m-se prática de ensino com cinco indicações, física quântica a (vale ressaltar que em nenhum currículo do curso de Física, ao longo de sua história aparece uma disciplina com esse nome) ) foi citada cinco vezes e didática foi citada quatro vezes, para três concluintes todas contribuíram, e para outros t três s apenas as disciplinas básicas como física I e II, dois professores mencionaram m instrumentação para o ensino de física, enquanto Mecânica, Filosofia da Educação, Psicologia, Fundamentos da Física, e nenhuma foram citadas uma a vez.

Quanto à questão sobre as principais dificululdades encontradas durante a a formação inicial, l, e os motivos para essa dificuldade, destacamos que: Seis concluintes atribuíram suas dificuldades a fatores externos como falta de base, a qual deveria ser adquirida no ensino médio, e também a problemas financeiros, como resume um respondente: "Baixa qualidade no ensino médio, principalmente nas disciplinas de ciências exatas, contribuíram para um início de adaptação muito difícil". É importante destacar que essas dificuldades mencionadas (falta de base) aparecem no segugundo grupo com duas s respostas, e no terceiro grupo com quatro respostas, apesar da carência de uma maior investigação, podemos destacar que este fato acompanha a degradação do ensino médio no Estado de Alagoas, nos últimos anos, fazendo com que a maioria dos estudantes que chegam a Universidade (principalmente aqueles oriundos das escolas públicas) tenham m essa carência acadêmica. Cinco professores colocam como dificuldade, o ritmo intenso do curso, com grande ênfase na resolução de problemas que envolvem cálculos matemáticos em detrimento dos conceitos físicos, como afirma um dos professores: "F"Falta de hábito com resolução de problemas de Física com mais rigor matemático e com a leitura de livros em outras línguas. Grande tempo de dedicação extra sala de aula exigida pelo curso". . Três concluintes atribuem suas dificuldades a falta de didática dos professores, dois mencionaram que falta informações esclarecedoras sobre as diferenças entre a licenciatura e o bacharelado, dois atribuem suas dificuldades ao fato de trabalhar durante o curso, dois sentiram dificuldades por falta de atividades práticas (laboratório), e um m sentiu dificuldade nas disciplinas didáticas, sete não responderam.

Quais qualidades você atribui ao curso de Física na sua formação inicial? Para nove (31%) dos licenciados a melhor qualidade do curso são os professores, como afirma o Professor A, "O curso possui os melhores professores que já vi, no entanto estão muito

preocupados com suas pesquisas", e o Professor B, "O estímulo de alguns professores para sermos investigadores independente de termos bacharelado ou licenciatura, incentivo a participar de seminários, congressos"; Transmitir conhecimentos é uma qualidade do curso para oito (29%) professores, "Fortalecimento dos conteúdos de física", (Professor C); Quatro (14%) apontam que o curso tem deficiências, como pouco incentivo dos docentes, e até que as qualidades são escassas; Para três (11%), licenciados a maior qualidade do curso e o compromisso com os estudantes, dois deles não responderam, m, um atribui ao currículo do curso a melhor qualidade e outro aos bons laboratórios.

Quais defeitos você atribui ao curso de Física da UFAL, na sua formação inicial? Para dez (36%) professores, o maior defeito é que os professores das disciplinas específicas da Física, não tocam em questões educacionais nas suas aulas, como afirmam os pesquisados: "Não houve interação entre o pedagógico e o científico", (Professor A); "A falta de discussão dos conceitos e fenômenos da Física a luz dos recursos didático -pedagógicos para apresentação em aulas do ensino médio e até mesmo do ensino universitário", (Professor B); "A falta de projetos de pesquisa voltados à formação docente", (Professor C); Já para seis (21%) professores o curso tem como defeito o fato de muitos professores de departamento se colocarem sempre distanciados dos alunos, como afirma os entrevistados: "A maioria dos docentes não valorizam os alunos do curso de Física", (Professor D); "A falta de maior interação na relação professor x aluno", (Professor r E); Quatro (14%) apontaram como defeito o fato de se ter como prioridade no departamento o bacharelado, e outros quatro (14%) apontam a falta de estrutura do departamento de Física, dois apontam o currículo do curso como defeito, enquanto um m destaca o descrédito dado a licenciatura, e outro aborda a falta de nivelamento.

## Quanto à atividade profissional:

Contatamos que vinte e quatro respondentes estão atualmente trabalhando como docentes, destes dez z em escolas públicas federais, seis em escolas públicas estaduais, e oito escolas privadas, e quatro deles não atuam como professores.

Perguntamos se ao concluir o curso de licenciatura em Física, como o professor se sentia diante do mercado trabalho, quanto a sua preparação: quatorze (50%) afirmaram que estavam bem preparados, para desempenhar suas atividades docentes, "Bem preparado na parte teórico científica, na prática regular e bem na pedagogia", "considerei-i-me preparado para exercer a profissão docente, faltava apenas adquirir a prática de sala de aula". Já oito (29%) respondentes afirmaram m que estavam inseguros, "Era insegura, mas com determinação consegui superar as dificuldades", "Me sentia preparada teoricamente e segura pois já tinha uma boa base dos conteúdos que iria trabalhar, no entanto não é apenanas a teoria que o profissional deve ter, mais também maturidade de se trabalhar com uma determinada classe de alunos". Quatro (14%) afirmam que estavam mediamente preparados, e dizem que aprenderam mais na prática da sala de aula, dois (7%) não responderam .

De que mais você sentiu falta no exercício da docência, que você acredita ter deixado de ser trabalhado durante sua formação inicial? Sete e respondentes (25%) afirmam que nada lhe faltou, ou seja , tudo foi trabalhado na sua formação inicial; Já outros sete (25%) concordam que faltou a integração entre os conteúdos específicos e a didática, como afirma Professor A, "Aulas práticas, e trabalhar mais a questão da metodologia de ensino, enfocando mais as teorias de aprendizagem", e o Professor B, "O curso de física desenvolve muitas atividades de iniciação científica seria interessante se desenvolvesse atividades em projetos de pesquisa voltados a formação docente"; Seis (21%) licenciados reclamam da falta de experimentos em laboratórios, "Acredito que as atividades experimentais são fundamentais e faltaram um pouco", (Professor C); Cinco (18%), colocam como falta na sua formação inicial,

a prática da docência, e três (11%), destacam outras situações, como o Professor D, "A"Acredito que as discussões sobre a Físicica do cotidiano; entender, explicar, foi pouco explorado, estávamomos sempre estudando sem fazer correlações com o dia-a-dia. Por exemplo , estamos sempre ouvindo de alunos no início do ensino médio: para que estudar física? Não serve para nada, não preciso de de física para viver, vou ser médico, advogado, psicólogo etc. Acredito que deve haver mudanças na didática, no modo como "expor" a física. Esta mudança tem tido mais estímulo nos professores de ensino médio, do que nos professores de ensino superior. Percebemos isto com nossos colegas que estão saindo atualmente da universidade".

Como você avalia hoje, diante do fato consumumado, o ser professor de Física? Nesta questão onze (39%) professores afirmaram que estão satisfeitos com a profissão que escolheram, " ReRealizada, pois apesar das dificuldades superei e atingi meus objetivos", (Professor A); Quatro (14%), dizem que apesar de se identificar com a profissão não estão satisfeitos com os salários, "F"Fiz o curso, e faria de novo, apesar da questão salarial e da fafalta de recursos e desinteresse do governo estadual"l", (Professor B); Outros quatro (14%) professores responderam que se sentem frustrados com a profissão, "F "Frustração com a realidade não consegui modelar o sistema de ensino, pobre, falho, enganoso. Por isso existem professores que só se preocupam com o dinheiro, não vale a a pena se preocupar com o aluno", (Professor C); Cinco (18%) professores consideram ensinar Física um desafio constante, o qual deve ser superado a cada dia, "É "É uma tarefa difícil, ingrata, não valorizada, mas quando você começa a discutir os conceitos e as idéias da física, e discute com ela (a (a Física) aquilo que você ainda não entendeu e ao descobrir maravilha-se. É também gratificante ver a juventude passar por nós e em algum momento perceber o discurso da ciência. Ser professor é estar no meio de um conflito de idéias, sonhos e realizações", (P(Professor D)D); Três deles não estão dando aula, e um m não respondeu.

Já participou de algum programa de formação continuada? Contatamos uma situação que merece ser melhor investigada, pois dezesseis (57%) professores afirmam que não participaram de programas de formação continuada, e nesse grupo, a maioria são professores das Escolas Técnicas Federais. Enquanto doze (43%) afirmam que passaram por programas de formação continuada, e o maior contingente desses são professores de escolas estaduais, os programas mais citados foram: O Pró-Ciência, e o SEMPRE. Observamos também que (70%) dos professores questionados, acham importante participar de programas de de formação continuada, "C"Considero extremamente importante, uma vez que torna o professor motivado. Estimula -o a melhorar suas aulas", (Professor A); "T"Toda atividade que vise aperfeiçoar o conhecimento de um profissional deve ser bem vista, no entanto as atividades promovidas muitas vezes são vazias de objetivos caindo num discurso inaplicável na escola contemporânea"; (19%) deles não tem conhecimento do que se trata, "N "Não sei opinar. No entanto se for atualização do profissioional, acho completamente viável", (Professor B); Já para os outros 11% os programas de formação continuada são inúteis, e portanto não merecem crédito, "N"Na teoria tudo bem, na prática dá tudo errado", (Professor C).

Nas suas aulas você procura usar recursos didáticos que possam envolver os alunos no processo de aprendizagem? Dos vinte e cinco que estão em sala de aula, apenas um afirmou que não usa esses recursos didáticos, os recursos mais citados foram: multimídia, experimentos em laboratório, retro projetores, revistas. E mais, (79%) dos professores questionados afirmam que na na instituiç ão de ensino onde trabalha, tem acacesso a laboratórios, onde podem m fazer aulas práticas com os alunos, (81%) ) deles respondem também que na na instituição de ensino onde trabalha, tem acesso a computadores, enq uanto (86%) responderam que costuma navegar na internet, e ainda (6(65%) afirmam que visitam sites ligados ao ensino de Física, enquanto (35%) não têm essa preocupação, os sites mais citados foram: SBF, Física.Net, Feira de Ciências, e sites de revistas variaiadas. Quanto as leituras que costuma fazer, constamos que oito (29%) lêem revistas e jornais variados, sete (25%) só lêem os livros

didáticos necessários na preparação de suas aulas, seis (21%) afirmaram que sua leitura é variada, quatro (14%) responderam que preferem livros sobre astronomia, dois deles (7%) informaram que lêem artigos científicos com freqüência, e apenas um m (4%) destacou que costuma ler livros que versem sobre educação.

## CONCLUSÃO:

Essa pesquisa dedemonstra que o o maior número dos docentes ququestionados optou por fazer o curso de Física, por gostar da disciplina, e atribuem esse sentimento de simpatia ao incentivo que desfrutaram na escola secundária, hoje ensino médio, e a predileção pela licenciatura advém do fato de se identificar com a ativividade docente, ou seja, a maioria realmente pretendia ser professor de Física.

Quanto à à caracterização do curso, e destacando que se trata de um curso de licenciatura, verificaase que a a maioria dos respondentes atribui ao curso qualificações próprias de um um bacharelado, pois afirmam que o este não lhes oportunizou desenvolver atividades voltadas a formação docente, e sim atividades de iniciação científica e de monitoria em disciplinas de conteúdo físico, sendo que tais ações não possuíam nenhuma conotação didático -pedagógica .

Outro dado relevante, ainda quanto à à caracterização do curso, é que a maioria dos formados consideram os professores das disciplinas específicas (físicas) descompromissados com a formação de professores que irão atuar no ensino médio, dessa forma a suas disciplilinas são pouco sintonizadas com as metodologias inovadoras, prevalecendo, portanto a transmissão dos conhecimentos na forma mais tradicional. Já as disciplinas pedagógicas não contemplam a integração necessária entre os conteúdos físicos e pedagógicos, ou seja, não existe interação entre os saberes essenciais a formação dos futuros docentes. Assim a maioria declara que o curso lhe preparou melhor para transmitir informações aos alunos, ou realizar pesquisas em campos específicos da Físísica, que não é o ensino de Física certamente. A maior parte dos licenciados declara a que uma qualidade importante do curso são os professores, mas ressaltam que suas preocupações estão voltadas para suas pesquisas, e não com questões educacionais inerentes a formação do licenciando.

Quanto à à atividade profissional, observamos que a maioria afirma que estava bem preparado para exercer a profissão, ao término do curso, mas com algumas ressalvas, pois uma parte destes consideravam-m-se inseguros quanto a prática em sala de aula, ou seja, saber fazer a integração entre os conteúdos específicos e a didática, o que deveria ter sido trabalhado com mais aulas práticas, e com o devido enfoque as teorias de aprendizagem.

Ainda quanto a atividade profissional, a maior parte dos professores destaca que estão satisfeitos com a profissão escolhida, apesar de questões importantes como salários e valorização da profissão. Uma questão preocupante é que a grande maioria dos professores afirma a que nunca participaram de programas de formação continuada, principalmente os docentes das Escolas Técnicas Federais, e que não obstante a isso procuram usar recursos didáticos em suas aulas, mas sem uma mudança significativa na metodologia de ensino, isto é, continua -se a ter o ensino tradicicional, entretanto com alguns recursos didáticos mais atuais.

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