A Dinâmica de um Grupo Virtual de Discussao Física
Luciana Faustino Guimaraes, Glauco S. F. Silva, Francisco Amâncio Cardoso Mendes, Cristiano Mattos, Alberto Villani
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 31/01/2007
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliaçao
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A DINÂMICA DE UM GRGRUPO VIVIRTUAL DE DISCUSSÃO F FÍSICA
Luciana Faustino Guimarães a
[luciana@if.usp.br] Glauco S. F. Silvab ab [glaucosfs@gmail.com] Francisco Amâncio Cardoso Mendes c [frmendes@usp.br] Cristiano Rodrigues de Mattos d [mattos@if.usp.br] Alberto Villanie ie [avillani@if.usp.br]
a,b Programa de Pós Graduação Interunidades em Ensino de Ciências- Modalidade Física - USP c Programa de Doutorado em Educação d- USP d,e -
Instituto de Física
USP
## RESUMO
Uma alternativa para a promoção de trabalhos nos quais os alunos sejam mais participativos no processo de ensino-aprendizagem é a utilização de grupos de aprendizagem. Os grupos de alunos podem ser formados em sala de aula para a resolução de alguma tarefa ou mesmo fora dela na forma de um grupo de estudos, por exexemplo. Para esse trabalho, alunos de primeiro ano de Ensino Médio foram convidados a participar de um debate sobre um assunto pertinente a Física em um ambiente virtual, por meio de um ambiente síncrono de internet t chamado "chat". Cinco alunos que aceitaram participar se "encontraram" virtualmente com um moderador da discussão, que era também o professor da disciplina de Física, para debater sobre como funciona uma máquina de lavar. Os diálogos do debate foram registrados na íntegra e além desses registros também foi pedido que todos os alunos e o moderador fizessem relatos póschat, sendo que todos esses registros constituem dados para essa pesquisa. A discussão foi encerrada após três sessões de uma hora de duração e os acontecimentos desses debates foram analisados sob a perspectiva dos Grupos Operativos de Enrique Pichon-nRivière, de forma que podemos ter um panorama geral de como se deu a dinâmica desse grupo virtual. Podemos, através desses dados, perceber que papel o moderador teve nesse processo analisando se ele contribuiu ou não para uma evolução grupal durante o trabalho, ou se sua preocupação era apenas com o conteúdo proposto para o debate sem se preocupar em fazer intervenções que promovessem a cooperação e a comunicação entre os componentes do grupo.
## INTRODUÇÃO
No Brasil, há alguns anos, a discussão sobre as competências e habilidades que se pretende desenvolver na escola se materializou com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Nesse documento há uma discussão sobre as condições de ensino e e os desafios para sua modificação. Um importante aspecto salientado pelos PCN's é a necessidade de que haja mudanças na própria escola, que ela passe a desenvolver atitudes e valores, através de atividades dos educandos como discussões, leituras, observações, experimentações e projetos, e não apenas desenvolver competências como o domínio de conceitos e a capacidade de utilizar fórmulas.
Várias estratégias de ensino podem ser pensadas dentro da perspectiva sugerida pelos PCN's e dentre essas a promoção de trtrabalhos em grupo se mostra uma importante ferramenta para o professor na tentativa de tornar o aluno mais participativo no processo de ensino-aprendizagem. Os trabalhos em grupo além de proporcionar o desenvolvimento do conteúdo a ser trabalhado, também
contribuem para o desenvolvimento de outras habilidades, como por exemplo o aprender a ouvir e a respeitar diferentes pontos de vista. A promoção de trabalhos grupais, além de se constituir em uma possibilidade de estratégia para o professor dentro de sala de aula, pode ser também um meio de estimular estudos extra -classe, através do incentivo e organização de grupos de estudo para o debate de algum tema relacionado à disciplina.
Assim sendo, não podemos ignorar o fato de que os nossos alunos estão cada vez mais ligados nas novidades tecnológicas que surgem. Em particular, é notável o fascínio provocado pelos computadores e seus recursos nos adolescentes. O aumento do número de pessoas com acesso à internet por sistemas universais sugere que a infra-estrutura para o uso deste meio com propósitos educacionais possa ser desenvolvida com sucesso, tanto que algumas universidades têm investido em pesquisas sobre o meio eletrônico de comunicação como ferramenta pedagógica.
Diante disso nos perguntamos sobre a possibilidade de proporcionar um debate em grupo através de um ambiente virtual, como uma forma de estimular um pequeno grupo de estudos extra-aclalasse por meio de ferramentas tecnológicas bem conhecidas por nossos alunos. É nesta perspectiva que se encontra o objetivo deste trabalho: analisar a dinâmica de um grupo de alunos em um ambiente virtual. Sendo assim, foi promovido um debate, sobre um conteúdo físico específico, entre alunos do Ensino Médio do sistema privado de ensino, através de um ambiente síncrono de internet, chamado "chat". Para analisar os dados obtidos nos utilizaremos do referencial teórico de grupos operativos de Enrique Pichon-n-Rivière.
## INVESTIGAÇÃO
## O Grupo Virtual
O professor de Física de uma escola privada da cidade de São Paulo convida aleatoriamente cinco de seus alunos para participarem de um grupo de discussão de Física que se daria através da internet. O grupo teria um horário fixo, acordado entre eles, para iniciar o encontro virtual, um tempo de discussão previamente estabelecido (60 minutos), e todos os integrantes fariam relatos pós-sessões e trocariam m informações por memeio de e-mails.
- O grupo esteve sob a coordenação de um moderador, que nesse caso era o professor da disciplina e um dos pesquisadores desse trabalho, cuja função era propor o problema a ser discutido e permitir uma discussão livre, só interferindo de forma que pudesse contribuir para resolver eventuais conflitos e problemas entre os componentes do grupo de discussão, ou para manter o debate sob os limites do conceito a ser trabalhado. Entretanto, os alunos viam o moderador como professor e muitas vezes ele mesmo sentiu dificuldade de agir segundo essa separação de papéis, tendo também atitudes de professor durante o debate.
É importante salientar que o moderador não pretendia que os alunos chegassem a uma resposta "fisicamente correta", mas sim que eles conseguissem uma explicação para o problema proposto que fosse consenso entre eles. Essa pretensão é explicada pelo fato de que não se tratava de Ensino à Distância! O que se pretendia era promover um debate entre alguns alunos da turma que mais tarde auxiliariam o professor quando esse assunto fosse abordado na aula formal e presencial.
## A Atividade Proposta
Cinco alunos do primeiro ano do ensino médio aceitaram o convite e jununtamente com o professor combinaram o melhor dia e horário para que ocorresse o primeiro "encontro" do grupo, no qual seria apresentado aos participantes o tema de discussão.
No dia e hora marcados para a primeira sessão, todos os participantes estavam virtrtualmente presentes no ambiente previamente combinado. O ambiente utilizado foi público , o que ue facilita a implementação da atividade. Os alunos "encontraram" virtualmente o moderador que apresentou a pergunta geradora do debate: " Como funciona uma máquina de lavar?". Eles deveriam m tentar responder essa questão usando seus próprios meios, podendo consultar qualquer tipo de material que quisessem m (Mendes, 2005) .
O número de sessões de chat seria o necessário até que o grupo chegasse a uma resposta que o moderador considerasse satisfatória. Nesse caso ocorreram 3 sessões de chat até que o moderador desse a discussão por encerrada.
## Os Dados da Pesquisa
Todas as sessões de chat foram registradas pelo moderador. Além da transcrição das sessões, também foram coletados o relato pós-chat dos alunos participantes e do moderador. Para esse trabalho utilizaremos como dados os relatos pós-chat do moderador, e as transcrições do que foi dito pelos alunos e moderador , extraídas do próprio ambiente virtual. l.
## REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico de análise utilizado é o de grupos operativos, modelo desenvolvido por Enrique Pichon-n-Rivière. O grupo operativo pode ser definido como um conjunto de pessoas que têm um objetivo em comum e que procuram abordá-lo trabalhando em equiuipe à medida que operam (BLEGER, 2001). O fator principal de se considerar que há um objetivo comum para o grupo é perceber que há uma tarefa comum. Assim, "a tarefa é um organizador dos processos de pensamento, de comunicação e de ação que ocorrem na situauação de grupo" (FERNANDES, 2003).
As relações entre os sujeitos são marcadas pela formação de vínculos entre eles. Todo vínculo é uma estrutura complexa que tem um caráter social e que envolve uma inter-r-relação entre sujeitos e objetos através dos processos de comunicação e aprendizagem. m. "O vínculo (...) inclui um sistema transmissor -receptor, uma mensagem, um canal, sinais, símbolos e ruídos" (PICHONRIVIÈRE, 2005, p11). Essas relações são estabelecidas a cada momento, em cada situação, a partir de como os indivíduos se relacionam uns com os outros.
Todos estes elementos estão em jogo quando se estabelece a comunicação entre os sujeitos. No processo grupal a estrutura vincular se configura com a assunção e adjudicação de papéis que são assumidos pelos membros do grupo de acordo com o contexto segundo uma trajetória dialética. Para PichonnRivière os papéis de significado mais representativo em termos de funcionalidade e mobilização do grupo são: Porta-a-voz - - é o membro que sinaliza os pensamentos e sentimentos
latentes no grupo; Bode expiatório - depositário (de forma velada) de toda a parte má do grupo; Sabotadodor -zela pela não mudança, ainda que seu discurso seja favorável, faz da tarefa seu alvo de ataque; L Líder - atua como facilitador na realização da tarefa.
A realização das atividades em grupo é marcada por fases que são uma estrutura de linhas de ação do sujeito. Estas fases, para Pichon, são três: pré-tarefa, tarefa, projeto. O estabelecimento destas fases está relacionado com os momentos situacionais de um sujeito no grupo, sendo possível uma avaliação. Cada fase nos mostra uma configuração do pensar, sentir e agir do sujeito, cuja integração é necessária no processo de aprendizagem da realidade. Na a prétarefa, o grupo tenderá a apresentar uma resistênc ia à mudança e uma estereotipia dos papéis; na tarefa a o sujeito modifica sua atitude em relação às mudanças propostas, ocorre quebra de estereótipos e o grupo enquanto uma unidade reúne seus esforços, tanto individuais quanto grupais, no sentido da mobilização. Finalmente, no projeto o grupo pode propor objetivos para além do "aqui e agora" e planejar o futuro, funcionando de maneira original e como um grupo operativo .
A partir da observação de determinados comportamentos grupais, Pichon-n-Rivière propôs uma escala de avaliação dessa dinâmica relacional. Ele descreveu esta dinâmica indicando os vetores de avaliação que são os sete a seguir: Afiliação: momento em que os membros do grupo estão se conhecendo e estabelecendo os primeiros contatos com a tarefa. Há um envolvimento distanciado. Pertença: há uma maior identificação com a tarefa e os membros passam se sentir como integrantes do grupo. É o momento em que o grupo elabora um planejamento da tarefa Cooperação: Consiste em uma fase em que há uma contribuição interpessoal na direção da tarefa, mas é ainda feita de forma silenciosa. É neste momento que os membros começam a assumir os diferentes papéis e de forma complementar. Isto significa que a rotação de papéis leva da heterogeneidade dos membros à homogeneididade da tarefa. Pertinência: indica o colocar-se direcionalmente sobre a tarefa prescrita. Este momento é uma fase intermediária em direção à tarefa e ao projeto. Instala-se neste momento um "como se" estivesse na tarefa. Porém, o grupo não se encontra totalmente na pré-tarefa, pois há uma integração entre o p pensar, sentir e agir .
Na seqüência, Comunicação: é um vetor fundamental de integração grupal. Há um apontamento não somente para o conteúdo da mensagem, mas também para como se veicula a sua transmissão, quais os sinais e ainda como vai se constituindo a vinculação entre o emissor de uma mensagem e o seu receptor. A comunicação em um grupo operativo mostra o grau de dificuldade do grupo revelando as estereotipias que dificultam a aprendizagem e formação de novas condutas. Aprendizagem: esta se desenvolve através de um processo dialético quando o grupo consegue dar saltos qualitativos, indicando assim que houve uma adaptação ativa da realidade deste sujeito. Telê: refere -se ao clima e à disposição grupal. Reflete-se a transferência tanto positiva quanto negativa que se dá entre os membros do grupo e entre estes e o professor, que é o coordenador do grupo.
## AS AS SESSÕES DE CHAT
Partindo dos dados obtidos , serão relatadas as três sessões de chat, seguidas da ananálise segundo o referencial de Grupos Operativos.
## Sessão 1
O início da primeira sessão ocorreu de modo conturbado porque duas das alunas não conseguiam acessar o ambiente da internet no qual a discussão se daria. Porém os outros alunos
foram muito prestatativos tentando ajudá-las fornecendo dicas, gerando tutoriais e indicando o que fazer até mesmo por telefone .
É importante considerar que no momento inicial os alunos já se constituem como um grupo segundo uma concepção pichoneana, pois há uma tarefa que prpromoveu a sua fundação, e que neste caso era resolver o problema das duas alunas. Tudo isto se desenvolve sem um pedido do moderador (p(professor). ApApós cerca de trinta minutos tentando resolver o problema, a solução foi realizar o debate em um ambiente abertrto de internet, o que significa que os participantes poderiam receber mensagens de outras pessoas, tirando sua atenção do debate.
Assim que o problema foi solucionado o moderador inicia a discussão propondo a questão: " Como funciona uma máquina de lavar? " . No início os alunos respondem qualquer coisa, sem muita reflexão, aparentemente apenas para mostrar participação e não necessariamente resolver o problema proposto.
Quando é proposto aos alunos a "tarefa" a ser resolvida em grupo, aquela prontidão anterioior deixa de existir. É importante salientar que no primeiro momento o tipo de problema que os alunos tinham para resolver era algo de seu interesse e que, além disto, lhes era familiar, enquanto que para responder como funciona uma máquina de lavar seria nenecessário entrar em um mundo não tão familiar para eles.
Desta maneira, os alunos atuam em cooperação no momento inicial, pois há uma mobilização de todos em resolver o problema das colegas em acessar o ambiente de Internet escolhido. Nessa situação localizamos o grupo na fase da tarefa, pois eles estão engajados em resolver a tarefa objetiva em conjunto.
A postura do grupo muda a partir do momento em que o professor coloca a pergunta sobre a máquina de lavar para o grupo. Os alunos então vivenciaiam não mais is uma cooperação, mas um momento de afiliação, sendo perceptível o envolvimento distanciado por parte dos alunos, pois eles arriscam respostas não refletidas apenas para constar que estão participando, mas não há uma mobilização em torno da tarefa objetiva colocada pelo moderador. A A transcrição de um trecho da sessão nos permite verificar isso 1
Após um período inicial, dois dos alunos chamam m a atenção do moderador por sua postura bastante participativa e por exporem o que pensam de forma freqüente e aparentemente sem medo. Dessa forma, outros alunos foram estimulados a participar também. Esses dois alunos (P(Pedro e Maria) assumem a liderança de forma funcional e complementar, e também acabam estimulando outros alunos a se envolverem na discussão, caracterizando a entrada na pertença, pois os alunos começam a se envolver mais com a tarefa e a se sentirem como integrantes do grupo. Esses alunos
estão ainda trazendo para a discussão elementos retirados de algumas fontes às quais têm acesso, por exemplo, perguntando à mãe, procurando em livros, em sites na internet, etc. Este movimento é um indício da pertença no grupo.
## MARIA diz:
A CENTRIFUGACAO EH UTILIZADA DA PARA SEPARAR SOLIDOS DE LIKIDOS E UTILIZA A FORCA CENTRIPETA GERADA PELA ROTACAO RAPIDA.. AGORA DAH PRA INTENDE NEH GALERINHA??? AHHH.. O OBJETO EM ROTACAO EH PUXADO PARA FORA DO CENTRO DE ROTACAO MODER diz: E....? PEDRO diz: ... LETÍCIA diz: hum.... qm bom.......?????! MARIA diz: ASSIM A ROPA SAI DO CENTRO INDO PARA AS BEIRADAS, DEVIDO A FORCA CENTRIPETA PEDRO diz: eh tipo aquele aparelho d quimica, q a
MARIA diz: EH PEDRO..TPO ESSE APARELHO PEDRO diz: poe na tomada q ela funciona sozinha PEDRO diz: n eh entaum, disculpa PEDRO diz: psor, tem a v com o negocio d quimica q eu flei? MARIA diz: PELA LEI DE NEWTON, TODO O OBJETO C MOVERA EM UMA LINHA RETA A MENOS Q UMA FORCA EXTERNA AJAJA SOBRE ELE, ASSIM PRA FAZE Q C MOVA EM CIRCULOS, UMA FORCA TEM Q AGIR SOBRE ELE ESSA EH A CENTRIPETA MODER diz:
Pensa a respeito Pedro e coloca na proxima....
gente viu no laboratorio, q sao dois tubos, vc roda, e separa as sunbstancia
Por fim a sessão foi satisfatória a para o moderador, r, pois os alunos já chegaram a uma definição da palavra "centrífuga", embora o conceito esperado de "força centrífuga" ainda não tivesse sido apresentado. Contudo, não se observa uma cooperação entre os alunos, ainda que eles já tivessem m uma estratégia para abordar o problema que os ajudava a definir r a palavra "centrífuga". Dessa forma, nessa primeira sessão o grupo permaneceu na pré-tarefa, porém já se observa um movimento de saída dessa fase da dinâmica grupal, caminhando para a entrada na tarefa .
É possível também inferir sobre o que moveu os alunonos a participarem da experiência. Durante a sessão, os alunos fazem muitas referências ao professor, o que sugere que eles queriam agradá-lo e serem por ele reconhecidos como alunos interessados. Além disso , parece evidente, pelo esforço em solucionar o proroblema das alunas que não conseguiam entrar no chat, que a participação por eles vislumbrada era grupal. Podemos supor, em se tratando de adolescentes, que a participação grupal ajudaria a responder o professor e também proporcionaria uma satisfação específica. A primeira sessão aponta para essas duas vertentes: satisfazer o professor e trabalhar r em conjuntnto.
## Sessão 2
O moderador inicia o seu relato pós-chat dizendo que não gostou dessa segunda sessão, pois nela os alunos não estavam muito dispostos a trabalhar e as "gracinhas" e "piadinhas" eram constantes.
Pedro e João trazem para o grupo definições colhidas previamente em fontes não especificadas, fazendo parecer que a discussão renderia bastante. Porém, isso acabou não acontecendo. Contudo, esses alunos assumem um papel de liderança, pois tentam trabalhar em torno do objetivo de responder à questão proposta pelo moderador e dessa forma tentam estabelecer um
caminho a se seguir para a resolução objetiva. Neste momento percebemos um envolvimento maior entre os alunos caracterizando a pertença, pois há uma maior identificação com a tarefa.
MODER diz:
E ai....sabem como funciona...
PEDRO diz:
paramos na mola
JOÃO diz:
Uma carga elétrica negativa atua simultaneamente sobre as fibras dos tecidos e sobre as partículas de sujeira; essa carga á ativada pelos detergentes. Como duas cargas iguais se repelem, as partículas tendem a afastarrse dos tecidos. As máquinas de lavar atuais são muito sofisticadas, podendo lavar grande quantidade de roupa em pouco tempo, sem danificar os tecidos.
As máquinas de lavar mais aperf
PEDRO diz:
A tarefa de lavar a roupa à mão fez parte da vida diária de todo o mundo até a metade do século XIX. Nessa época, os inventores começaram a criar lavadoras de roupas primitivas, em que as roupas eram agitadas quando o usuário girava uma manivela à mão. As lavadoras de roupas modernas funcionam com um motor e têm cronômetros eletrônicos que controlam a lavagem, o enxágüe e os ciclos de secagem
MARIA diz:
HAUAHUAHAUHAUHAUH
LETÍCIA diz:
hahahahahahahahahahaha.....
Em seguida, a discussão do grupo acabou ganhando uma outra direção, pois os alunos começaram uma discussão em torno das definições das palavras "centrípeta" e "centrífuga" que não contribuiu para a solução do problema.
PEDRO diz:
q q tem?
ANA diz:
eh centrifuga pq centripeta eh a q tente se aproxima do centro.....são palavras antonimas
MARIA diz:
AH TAHHHHHHHHHHHHH
MODER diz:
Como assim ANA...?
LETÍCIA diz:
vlw!!!
PEDRO diz:
centri=centro fuga=fugir, gfoge do centro indo pras laterais, entendeu?
A única aluna que realmente parecia engajada no trabalho durante essa sessão era a Ana, que apesar de não ter participado ativamente da discussão no primeiro debate, dessa vez estava sempre colocando sua opinião e tentando resolver a tarefa. Mas suas intervenções são mal vistas pelos colegas que acabam por dirigir alguns ataques pessoais a essa aluna. Os ataques à Ana revelam que os membros do grupo atribuíram a ela o papel de bode-expiatório, pois suas ansiedades os impediam de trabalhar cooperativamente e eles acabam por atacá-la quando ela tenta quebrar o clima de desânimo propondo soluções para o problema .
As ansiedades fazem com o que o grupo, na tentativa de se manter estável, se ocupe em manter -se em uma situação não-desestruturante, não trabalhando objetivamente em torno da tarefa proposta, mas sim trabalhando para não se desestabilizar. Quando a Ana intervém acaba por quebrar essa regra tácita no grupo e por isso se torna alvo de ataques.
Pode -se perceber que durante essa sessão o grupupo permaneceu na fase da pré-tarefa, pois não cooperou em torno do objetivo comum, ficando apenas "patinando" sobre alguns conceitos. O fato de a sessão ser permeada por muitos momentos dispersivos nos indica que o grupo é marcado ainda pela afiliação. Por r fim, a sessão termina sem que se tenha avançado muito em relação à
sessão anterior no que diz respeito a resolver o problema proposto. Neste sentido chama atenção o comportamento do moderador, que deixou o grgrupo atacar livremente a Ana e não interveio para ra retomar a discussão sobre o processo de descolamento entre os tecidos e a sujeira, processo favorecido pelo movimento oscilatório do tambor da máquina. Por que o moderador não interveio? Duas hipóteses parecem plausíveis, sem serem contraditórias: de um lado, não percebeu a importância da contribuição inicial dos dois alunos para a solução do problema de como funciona uma máquina de lavar porque estava pensando somente no papel da máquina como centrífuga. Por outro lado, não quis entrar no meio da "briga", ", para não abalar sua posição de referência dos alunos.
## Sessão 3
O interessante dessa sessão é que mesmo antes de o moderador entrar no chat os alunos já estavam discutindo a solução para o problema. Quando o moderador entra, ele percebe que os alunos estão ansiosos pelo fim da discussão e decide estabelecer um tempo limite para essa sessão: 30 minutos. Este momento inicial já nos dá indícios de que grupo superou os momentos de afiliação e pertença, caracterizando-se assim um estágio de pertinência.
Por outro lado, a ansiedade por não encontrar a resposta do problema desmotivou o grupo e então o moderador achou que seria mais interessante se ele agisse mais como professor nesse momento, direcionando melhor o debate e valorizando os conceitos chave para que os alunos chegassem à solução do problema. Lembrando que o objetivo do moderador era que os alunos chegassem a uma resposta consensual para o problema, e não necessariamente correta sob o ponto de vista da Física, ele passa a valorizar algumas respostas e direcionar o debate de forma mais rígida do que vinha fazendo anteriormente.
As intervenções davam o ritmo da discussão e direcionavam o grupo de forma que nessa sessão os alunos chegaram m a uma resposta que o moderador considerou u satisfatória sobre como as gotas de água saem da máquina, o que para ele foi i suficiente para responder como funciona uma máquina de lavar .
Nesse momento o moderador resolveu encerrar a discussão, pois já havia atingido o objetivo pretendido: que os alunos produzissem uma explicação consensual l para o funcionamento da máquina de lavar.
## MODER diz:
aa medida que eu for chamando faca um resumo de como a maquina de lavar funciona...
PEDRO diz:
a maquina de lava eh ligada na tomada, e a eletricidade liga um motor, q faz com q uma força centrifuga ocorra devido ao movimento da bacia, dai qndo a agua nao tem um apoio, eh q ela esta no furinho, fazendo com que ela caia por ele e deixando a roupa mais seca MODER diz:
Maria ...
(...)
## MARIA diz:
bom, a makina como jah foi dito eh ligada na tomada ativando o motor que exerce uma forca que faz com que a makina gire em um movimento circular, com certa velocidas, as gotas de água presentes em contado tanto da roda qto da ropa possuem uma forca noprmal, diferente dakelas que entram direto nos burakinhjos, a makina se move parra todas as gotas entrarem no burakinho proporcionandu uma "secagem"d
(...)
## MARIA diz:
fazendu com que a agua que fora 'excluid" com a sujeira, saia pelos furinhus, deixando apenas as ropas, sem o excesso de agua
a makina de lavar funciona a partir de eletrecidade juntamente cum forças.... a eletrecidade liga o motor... a agua cum o sabaum em po... lava a roupa juntamente cumuma força... a agua q eh usada pra limpeza escapa pelos furinhus da roda q faz um movimentu redondo.. atraves de otra força... reação, atrito
MODER diz: Ok!....Letícia...?! LETÍCIA diz: (...) PEDRO diz:
ela (ANA) flo issu:a maq tem mecanismo de centrifugação(foge do centro e vai pras bordas) e um tanque onde a agua e o sabão sao agitados para lavar, limpar as roupas....ai as gotas de agua saem pelos buraquinhos e a roupa naum sai enxarcada.......
No final dessa sessão podemos perceber o interesse do moderador em que cada aluno individualmente tenha chegado a uma conclusão (que seja consenso no grupo) sobre o funcionamento da máquina de lavar. As suas intervenções ao longo dessa sessão foram no sentido de finalizar a discussão e não de promover uma participação e interação grupal entre os estudantes. Por outro lado podemos perceber pelas falas finais dos alunonos que eles se engajaram na tarefa enquanto grupo e inclusive pedem um novo problema para ser resolvido em conjunto no Chat. Portanto, embora as intervenções do moderador não tenham favorecido a evolução grupal dos participantes, parece que os alunos ficaram satisfeitos e inclusive querem manter o trabalho grupal para uma próxima atividade, pois quando o professor encerra esse debate eles perguntam se haverá um próximo e qual será o tema . Este sentimento de "morte" do grupo indica que o grupo atingiu a fase do projeto, pois há há aí uma projeção dos objetivos do grupo para o alélém do aqui agora do grupal (PICHON-RIVIÈRE, 2005; p 181) .
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pudemos observar que há uma constante oscilação no comportamento do grupo ao longo das três sessões. É intereressante notar que este é um grupo que se reúne várias vezes para tentar resolver um mesmo problema, portanto os encontros sempre acabam sem uma resposta final (com exceção do último). Esse prolongamento da discussão ao longo de várias reuniões pode favorecer o grupo no sentido de proporcionar um desafio constante aos seus membros, ou pode também acabar gerando uma certa ansiedade que acaba se refletindo diretamente no desenrolar da dinâmica grupal fazendo com que os membros do grupo se ocupem em resolver a ansiedade e não o problema objetivo.
Nesse caso percebemos que nas duas primeiras sessões o grupo permaneceu na fase de prétarefa. Embora na primeira tenha havido um movimento favorável a uma mudança para a fase de tarefa, essa mudança acabou não se concretizando na segunda sessão.
As intervenções do professor podem ter r um papel importante na dinâmica do grupo, pois são capazes de controla r r a ansiedade dos alunos pela falta da resposta e favorecer r a sua mudança, abrindo a comunicação entre seus integrantes. Porém nesse caso percebemos que inicialmente o moderador se mantém na função inicialmente pretendida de não interferir no debate, a não ser para mantê -lo sob os limites da questão trabalhada. Devido a essa postura pré-estabelecida por ele , sua intenção não é contribuir para a promoção de um desenvolvimento grupal, l, mas sim de deixar que os alunos entrem em acordo livremente.
Para que o grupo se torne operativo é importante que os papéis circulem e não fiquem estereotipados em uma só pessoa. Muitas vezes o grupo experimenta sentimentos negativos, como
ansiedades , por exemplo, e passa a trabalhar em torno de controlar r esses sentimentos e assim os papéis podem ficar estereotipados. Nesse sentido uma intervenção do coordenador de grupo pode contribuir para a comunicação do grupo e a circulação desses papéis. Nesse trabalho percebemos que não há intervenções do moderador no sentido de ajudar o grupo a resolver problemas, como por exemplo , quando o grupo atribui a Ana o papel de bode expiatório, situação na qual l o moderador não interferiu no sentido de contribuir para que o grupo retomasse a discussão sobre o problema objetivo proposto. Da mesma forma, ele não se preocupou em intervir de forma a promover uma circulação de papéis, de modo que a liderança parece ter er ficado estereotipada em Pedro e Maria.
A pesquisa a se encontra em uma fase inicial, mas o que apontamos como mote deste trabalho é a contradição que existe nas intervenções do moderador- professor . E a nossa perspectiva futura é investigar este fato: que embora o professor r estivesse interessado em promover um debate entre os alunos com a finalidade de uma resposta consensual l deles , sem se preocupar com a formação grupal, os alunos parecem vivenciar uma situação em que o debate em grupo lhes pareceu satisfafatório.
## REFERÊNCIAS
Bleger, Jose. Temas de Psicologia: entrevista e grupos. 2º Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2001 .
Ciampone, Maria Helena T. Grupo Operativo: construindo as bases para o ensino e a prática da enfermagem. Tese de Livre Docência. USP, 1998.
Fernandes, W. J et al. Grupos e Configurações Vinculares, Porto Alegre: Artes Médicas, 2003 .
Guimarães, L. F., Silva, G .S. F, Villani, A. Grupos de Aprendizagem: O papel da intervenção do professor. Atas do V Encontro de Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, ABRAPEC, Bauru- u- SP, 2005.
Guimarães, L. F. & Villani, A. As Suposições Básicas em um Grupo de Monitoria Discente de Física. Atas do X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2006.
Mendes, F.A.C. & Mattos, C.R. de. A A análise do discurso no uso do chat como meio dialógico para discussões sobre problemas físicos. - Paper preparado para apresentação oral no II EIBEC -- Burgos/Espanha: 21 a 24, Setembro, 2004a;
Mendes, F.A.C. & Mattos, C.R. de. Internet Chat As An Instrument To Produce "More Capapable Learners" -Paper preparado para apresentação oral no XI IOSTE Symposium - Lublin/Polônia: 25 a 30, Julho, 2004b;
Mendes, F.A.C. Ambientes Virtual e Presencial de Aprendizagem: uma interação dialógica mediada pelo chat . - Dissertação de Mestrado . Baururu: FC/UNESP, 2005.
PichonnRivière, Enrique. O Processo Grupal. 7 º edição. São Paulo: Martins Fontes , 2005
Silva, G. S. F. & Villani, A., A construção de intersubjetividades nas aulas de Física: como e por que um grupo funciona?, Atas do X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2006.
Villani, Alberto; et al. Contribuições da Psicanálise para uma Metodologia de Pesquisa em Educação em Ciências. A ATAS II EIBIEC- Burgos, 2004.
Zimerman, David. F Fundamentos Básicos das Grupoterapias. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.