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Simpósios Nacionais de Ensino de Física: uma sistematizaçao

Sonia Salem, Maria Regina Dubeux Kawamura

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
29/01/2007
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SIMPÓSIOS NACIONAIS DE ENSINODE FÍSICA: UMASISTEMATIZAÇÃO

## Sonia Salema ma (sosalem@if.usp.br) Maria Regina Dubeux Kawamura b

(mrkawamura@if.usp.br)

a Instituto de Física

-

USP

b

b
Instituto de Física - USP

## RESUMO

Apresentamos uma breve sistematização dos Simpósios Nacionais de Ensino de Física (SNEF), com especial ênfase aos seus focos temáticos nos últimos dez anos. Inicialmente, apresentamos um panorama geral dos dezessete simpósios realizados ao longo das mais de três décadas desde sua origem (trinta e sete te anos). Dados relativos ao ano, local, número de trabalhos apresentados e de outras atividades desenvolvidas, permitem identificar algumas de suas características e evolução que, ao longo desse percurso, foram consolidando e configurando uma identidade a este evento. Posteriormente, focalizamos nossa atenção à evolução das áreas temáticas dos SNEFs nos últimos anos a partir de dois quadros de referência: o primeiro, dado pelas definições propostas pelas próprias comissões de organização dos eventos (que se alteram ao longo dos anos), e o segundo pela construção de um conjunto de categorias temáticas. Utilizando essa segunda abordagem, classificamos um total de 223 comunicações orais apresentadas no XI SNEF (1995) e no XVI SNEF (2005). Os resultados dessa anánálise permitem esboçar contornos importantes que caracterizam a área de Ensino de Física nesse período, sinalizando ou confirmando tendências significativas, especialmente no que se refere às delimitações desse fórum. Neste particular espaço, antes que aprofundar a análise dos resultados obtidos, é nossa maior intenção agregar uma contribuição ao conjunto de trabalhos e investigações que vêm sendo desenvolvidos com o intuito de resgatar, registrar e analisar a trajetória da área de Ensino de Física, de modo a apontar caminhos e tendências, além de sugerir possíveis formas e instrumentos para a reconstrução de sua história.

## APAPRESENTAÇÃO

Nas últimas décadas, vem se afirmando cada vez mais a percepção da complexidade da ação educativa e dos processos de ensino aprendizagem. Com isso, a área de Ensino de Física vem também ganhando uma identidade própria e se consolidando, tanto em pesquisas de diferentes naturezas como em propostas de atividades e intervenções, essas últimas pautadas e planejadas segundo o conhecimento produzido na área.

Acompanhar a evolução dessa trajetória é fundamental, não só como uma questão de demarcação de identidade, a ser investigada, mas, sobretudo, para construir uma consciência coletiva e abrir a discussão sobre as perspectivas fututuras.

A área de Ensino de Física surgiu, no Brasil, na década de 70, e, portanto, há pouco mais de trinta anos, sendo que um dos principais eventos a demarcar seu surgimento foi justamente o I Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado em São Paulolo, em 1970, com o objetivo de reunir físicos e professores preocupados com as questões de ensino.

De lá para cá, seu crescimento foi acompanhado pela implementação de Programas de PósGraduação em Ensino de Física, pelo surgimento de revistas específicas e pela consolidação de encontros, simpósios e seminários para discussão dos temas da área. Os Simpósios Nacionais de Ensino de Física são expressão dessa evolução.

Em relação à Área de Ensino de Física, essa preocupação não é nova, tendo sido já desenvolvidos vários trabalhos de pesquisa nessa perspectiva: NARDI e ALMEIDA (2003) reuniram aspectos relacionados à memória dos pesquisadores da área; SALÉM e KAWAMURA (1993a e 1997), além de MEGID (1990 e 1999), acompanharem a evolução das teses e dissertações da área; SALÉM e KAWAMURA (1993b, 1994b e 2005) analisaram tendências da área, a partir de um conjunto abrangente de produções.

No entanto, uma outra forma de acompanhar essa evolução consiste em analisar o panorama que pode ser reconstruído a partir dos Simpósios de Ensino. Um trabalho nessa direção foi já realizado por SALÉM e KAWAMURA (1994b) para os simpósios realizados entre 1970 e 1993.

No presente trabalho, nos propomos a sistematizar as informações relacionadas à evolução dos Simpósios Nacionais de de Ensino de Física, com especial atenção aos eventos relacionadas nos dez últimos anos, buscando identificar mudanças e tendências. Nosso objetivo é fornecer elementos para uma melhor compreensão dos rumos que estão se delineando para a Área de Ensino de Física, a partir da perspectiva desses encontros.

## OS 'S 'SNEFS ' EM NÚMEROS: QUANDO , ONDE, E, QUANTO

O primeiro Simpósio Nacional de Ensino de Física foi realizado em 1970. Isso aconteceu, portanto, há trinta e sete anos atrás, sendo que nesse período foram realilizados dezessete outros simpósios, com periodicidade inicialmente de três anos.

A partir do VI SNEF (1985), os simpósios de ensino passaram a ocorrer a cada dois anos, uma vez que foi proposto outro fórum de debates e aprofundamento sobre a pesquisa em ensino de física - - o EPEF - - Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, que teve início no ano seguinte, em 1986, também com periodicidade bienal, em anos alternados com o SNEF.

Desde então, enquanto os EPEFs se ocuparam com o aprofundamento sobre a pesquisa na área, tendo como protagonistas os seus especialistas e pesquisadores, os SNEFs passaram a adquirir uma identidade própria, voltada para a discussão, proposição e troca de experiências de trabalhos predominantemente relacionados às práticas de sala de aula, com uma participação mais significativa de professores do ensino médio e estudantes de graduação.

O quadro abaixo apresenta uma sistematização de alguns dados relativos aos SNEFs, tais como local, ano, número de trabalhos apresentados (entre painéis e cocomunicações orais) e, nos casos em que foi possível resgatar, o número de inscritos e/ou participantes.

Uma primeira observação permite constatar que há muitos dados incompletos, assim como também algumas incertezas, especialmente porque aparecem diferenças entre informações (dependendo da fonte consultada ser o caderno de programa, as atas ou,, em alguns casos, levantamentos feitos em outros trabalhos), sendo necessário vir a localizar dados e/ou pesquisadores que possam complementar a tabela acima. No caso do VIII SNEF, por exemplo, realizado em 1989, não foi possível localizar qualquer informação, uma vez que não teve atas publicadas.

Nessa tabela estão também assinalados doissimpósios realizadodos nos últimos dez anos, 1995 e 2005, os quais, como trataremos mais adiante, serão objeto de uma análise mais detalhada.

Um dos possíveis parâmetros para analisar a evolução global desses eventos é o número de trabalhos aceitos para apresentação, após suas respectivas inscrições. Interessa, sobretudo, o número total de trabalhos, já que a divisão entre painéis e comunicações orais nem sempre esteve presente, dependendo do formato de organização desenhado pela comissão responsável por cada um desses eventos.

O gráfico abaixo sistematiza esses dados, com o número total de trabalhos apresentados ao longo dos 16 SNEFs. No conjunto, somam cerca de 2400 trabalhos.

Gráfico 1 - - Evolução do Número de trabalhos apresentados

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É possível observar que, a partir da década de 90 (IX SNEF), há uma clara consolidação desses eventos, com o número de trabalhos passando a ter um crescimento bastante expressivo nos últimos quatro simpósios, ainda que realizados em diferentes regiões do país.

O crescimento e construção da identidade dos SNEFs também podem ser observados através do tipo e do número de atividades promovidas e realizadas ao longo desses diversos encontros, informações reunidas na tabela abaixo.

A observação desses dados mostra, em primeiro lugar, a ausência de uma estrutura rígida, por parte das diferentes comissões organizadoras, que procuram adequar a programação dos eventos às condições de realização e à realidade local.

Assim, uma análise mais detalhada deveria requerer atenção aos temas abordados e não tanto ao número de atividades promovidas. No entanto, é clara a tendência que vem se afirmando nos últimos anos para uma sempre maior interlocução e de espaços diversrsificados de discussão, com o aumento do número de atividades.

Em particular, é possível constatar, no que se refere à oferta de cursos e oficinas, uma crescente ênfase a esse tipo de atividade, que se consolidou a partir da década de 1990 e aumentou significativamente nos últimos anos, ocupando importante espaço nos simpósios e acentuando seu direcionamento a professores do ensino médio e a estudantes de graduação, público predominante nessas atividades.

## ÁRÁREAS E TENDÊNCIAS TEMÁTICAS

Na medida em que os Simpósios de Ensino reúnem e apresentam as iniciativas de diferentes protagonistas, tanto alunos de graduação como professores e pesquisadores da área, uma análise dos trabalhos apresentados pode fornecer indícios importantes sobre a evolução das preocupações e apontar tendências da área de Ensino de Física. Essa, no entanto, é uma análise complexa, na medida em que são muito diversificados os elementos a serem considerados.

Um primeiro elemento para essa análise, ainda que, de certa forma, distanciado, é é a análise das áreas temáticas definidas pelas respectivas comissões organizadoras. Essas áreas em alguns dos eventos são apresentadas aos participantes no ato da inscrição de seus trabalhos, exigindo deles a escolha daquela que melhor corresponde ao trabalho desenvolvido. Nem sempre, no entanto, os trabalhos inscritos seguem as características gerais de cada sub-área e nem sempre as sub-áreas esgotam as possibilidades. No entanto, a definição dessas áreas reflete, de forma geral, as tendências pressentididas pelos organizadores através da vivência na área e do acúmulo de experiência de eventos anteriores

Uma segunda abordagem para essa questão consiste em definir um conjunto único de categorias como áreas temáticas e procurar classificar os trabalhos apreresentados segundo esse conjunto, independente das escolhas de seus autores ou da forma como foram enquadrados nas sessões definidas pela organização do evento. Nesse caso, será necessário estabelecer convenientemente uma amostragem, dado o volume de trabalhlhos envolvidos.

Apresentamos, a seguir, o resultado das análises segundo essas duas abordagens.

## ÁREAS TEMÁTICAS PROPOSTAS PELOS SIMPÓSIOS

É possível perceber que, de algum modo, desde o primeiro SNEF, houve por parte das comissões organizadoras algum tipipo de estruturação dos trabalhos e atividades em focos ou áreas temáticas, seja do evento como um todo, seja na classificação dos trabalhos apresentados já na sua inscrição ou a posteriori. As escolhas de temas e os critérios de classificação adotados podem

fornecer informações significativas sobre as principais tendências e "paradigmas" da área de ensino de Física ao longo dessas mais de três décadas.

Se nos detivermos aos últimos dez anos, de 1995 a 2005, podemos verificar algumas dessas tendências.

Nos últimos dois SNEFs, considerando o presente (XVII), as áreas temáticas pré-definidas não sofreram alterações. São elas:

1.DIDÁTICA DA FÍSICA: MATERIAIS , MÉTODOS , ESTRATÉGIAS E AVALIAÇÃO; 2. FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA; 3. EDEDUCAÇÃO CIENTÍFICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL; 4. O ENSINO DE FÍSICA PARA A GRADUAÇÃO; 5. ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA E ENSINO DE FÍSICA; 6. FILOSOFIA , HISTÓRIA E SOCIOLOGIGIA DA CIÊNCIA E ENSININO DE FÍSICA; 7. TECNOLOGIAS (LABORATÓRIO , VÍDEO E INFORMÁTICA) NO ENSINO DE FÍSICA; 8. ININTERDISCIPLINARIDADE E ENSINO DE FÍSICA; 9. POLÍTICAS PARA O ENSININO DE CIÊNCIA E DE TECNOLOGIA; 10. ARARTE, E, CULTURA E EDUCAÇÃO CIENTÍFICA; 11. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E COMUNICAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA; 12. FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA E A ATUALIZAÇÃO CURRICULAR; R; 13. ENENSINO DE FÍSICA E ESTRATÉGIAS PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAISIS .

Da comparação com os Simpósios imediatamente anteriores, constata-se que as mudanças são poucas, sendo mais significativo o acréscimo dos temas "FMC e a Atualização Curricular" e "Estratégias para Portadores de necessidades Especiais" (inseridos no XVI SNEF, 2005) e a saída da área denominada "Pressupostos Teóricos" (presente no XIII SNEF, 1999). Quanto ao primeiro, podemos concluir que o crescimento de trabalhos que ue tratam da inserção da Física Moderna e Contemporânea no ensino médio, ganhou espaço considerado expressivo para compor uma área temática, ao lado de outros em linha semelhante, que abordam propostas de ênfases ou mudanças curriculares. A retirada do últimimo, por outro lado, acreditamos dever-se não propriamente à inexpressividade desse tipo de investigação - - Pressupostos Teóricos - mas ao seu deslocamento para o EPEF, cujo principal foco é a Pesquisa em Ensino. Nesse particular aspecto, acreditamos que aindnda que não estejam sob a marca dos SNEFs, tal enfoque pode trazer contribuições no sentido de informar, situar e orientar seus participantes sobre o "Estado da Arte" na área, resgatando aspectos relevantes de sua trajetória, que é exatamente o caso do presente trabalho.

Já a estrutura do XI SNEF (1995), há pouco mais de dez anos, teve por critério a organização do evento em torno de quatro focos principais: A.ENENFOQUES CURRICULARES; B.ENSINO -APAPRENDIZAGEM; C.FORMAÇÃO DO PROFESSOR E DO PESQUISADOR E D. DIVUVULGAÇÃO. O maior problema que pudemos perceber no caso desta estrutura foi a forma como os trabalhos foram classificados nesses focos, possivelmente pela sua abrangência.

O quadro desses últimos dez anos contrasta claramente com as áreas dos primeiros eveventos. Na década de 70, as áreas temáticas organizavam-m-se principalmente em função dos níveis de ensino e natureza dos cursos. Já na década de 80, começam a ser introduzidas explicitamente, além ainda da organização por função do curso, aspectos comuns a diferentes níveis, especialmente a linha de pesquisa que passou a ser predominante na área naquele período, com enfoque na formação de conceitos e concepções espontâneas. Finalmente, a década de 90 é acompanhada por uma grande diversificação de temas, convnvergindo finalmente para aqueles mencionados acima, detacando-se, sobretudo, ênfases curriculares como CTS, cotidiano, interdisciplinaridade, ensino de Física Moderna e Contemporânea, o uso das novas tecnologias de informação, de materiais de divulgação científica e, ainda, as interelações entre educação científica e cultura. Certamente, tendências que têm um significado que extrapola a área de ensino de física e que mercem e vêm sendo objeto de estudo de pesquisadores na área.

Essa breve descrição aponta formas de organização dinâmicas, e sinalizam outras características importantes para uma análise mais pormenorizada e aprofundada, o que não fazemos no presente trabalho, mas indicamos como um importante instrumento de análise para a reconstrução da história de nossa área.

Ainda que tais definições de áreas temáticas muitas vezes tenham sido feitas empiricamente, sem a clara intenção de constituir um meio, uma ferramenta para investigações dessa natureza,

acreditamos que mereça uma atenção especial nas organizações desses e de outros eventos, não apenas com essa finalidade de pesquisa, mas também para melhor orientar e situar os seus participantes no "conjunto da obra".

## ÁRÁREAS TEMÁTICAS SEGUNDO CATEGORIAS COMUNS

No sentido de buscar uma perspectiva de análise da produção da área de ensino apresentada nos últimos simpósios, optamos por aprofundar a questão tendo como foco os Simpósios de 2005 (Rio de Janeiro) e 1995 (Niterói). Esses eventos estão separados por um intervalo de dez anos, mas, sobretudo, distanciados por uma clara evolução e amadurecimento da área de Ensino de Física, algo que pode ser constatado através da consolidação de diversos Programas de Pós Graduação e de outros espaços para discussão de pesquisas nesse mesmo período. Assim, parece-nos que os SNEFs, nesses dez anos passam a assumir funções mais específicas, relacionadas à ação e intervenção em atividades de ensino, sendo, portanto, ainda mais relevante uma análise aprofundada de sua evolução.

Para a análise das temáticas dostrabalhos apapresentados nesses eventos, foi necessário construir um conjunto próprio de temas que pudessem servir como categorias de classificação. Para isso, , utilizamos por base não apenas as próprias áreas definidas nos últimos SNEFs, EPEFs e ENPECs, mas também alalguns dos diferentes trabalhos e pesquisas que vêm sendo desenvolvidos com a preocupação de investigar e refletir sobre a evolução da área de ensino de física, suas características em diferentes épocas, em particular, trabalho apresentado no último ENPEC, em que foi construído um quadro de referência para esse tipo de análise SALEM &amp; KAWAMURA, 2005. Da análise desse conjunto de critérios, resultou a estruturação das áreas temáticas apresentadas abaixo, cujas definições encontram-m-se no Anexo.

## DEFINIÇÃO DE ÁREAS TEMÁTICAS

- 1. PROCESSOS DE ENSINO -APRENDIZAGEM : COGNIÇÃO
- 2. MATERIAIS , MÉTODOS E ESTRATÉGIAS DE ENSINO
- 3. CURRÍCULO: DIRETRIZES , SELEÇÃO E ORGANIZAÇÃÇÃO DO CONHECIMENTO
- 4. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES
- 5. HISTÓRIA , FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA
- 6. CIÊNCIA , TECNOLOGIA , SOCIEDADE E AMBIENTE
- 7. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS
- 8. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NO ENSINO
- 9. FÍSICA E CULTURA
- 10. PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA
- 11. QUESTÕES INSTITUCIONAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS
- 12. TEMAS DIVERSIFICADOS

Com base nessa definição classificamos os trabalhos apresentados nos XI SNEF (1995) e XVI SNEF (2005) restringindo nossa amostra apenas às comunicações orais, na medida em que podem ser considerados como referências mais consistentes e com maior capacididade para caracterizar as principais tendências e transformações transcorridas nesse período, no que se refere aos focos temáticos predominantes. Essa amostra contempla um conjunto de 48 trabalhos, para o XI SNEF, e 175 trabalhos para o XVI SNEF, totalizandndo 223 unidades de análise. A cada trabalho foi atribuída uma área temática, segundo os critérios estabelecidos acima, independentemente das classificações das comissões organizadoras dos eventos.

Os resultados dessa classificação, para cada um dos eventos, podem ser melhor analisados sob forma de valores percentuais e encontram-m-se resumidos nos gráficos a seguir.

GRÁFICO 2. Distribuições temáticas de Comunicações Orais: 2A -XVI SNEF; 2B. XI SNEF

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De um modo geral, a comparação entre esses grgráficos permite observar que:

- · Cai significativamente a parcela de comunicações classificadas no Tema 1, que agrupa os trabalhos relativos aos p processos cognitivos de ensino-aprendizagem. A maior parte deles trata, sobretudo, de levantamentos e discussões sobre concepções espontâneas ou mudanças conceituais. A tendência de redução dessa linha de investigação na pesquisa na área já vem sendo demarcada e certamente manifesta -se nos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos e apresentados nos SNEFs.
- · Mantémmse uma predominância de trabalhos agrupados no Tema 2, 2, que tratam de questões metodológicas, estratégias e materiais de ensino. Possivelmente esta é uma marca de identidade do SNEF, em que são incentivados e destacam-m-se os relatos de experiências, reflexões ou proposições de atividades didáticas. Dentre esses trabalhos, predominam aqueles que abordam o laboratório didático e as atividades experimentais, especialmente no XVI SNEF, onde 12 dentre as 37 comunicações, cerca de um terço, agrupadas nesse tema referem-m-se a atividades experimentais. No XI SNEF, nota-se um número significativo de comunicações nesse grupo sobre atividades relativas ao ensino de Astronomia.
- · Trabalhos cujo foco de atenção são as questões curriculares, classificados no Tema 3, estão presentes, em termos percentuais, de forma semelhante nos dois eventos: 13% e 14%. Essa categoria poderia, contudo, ser subdividida em dois grupos , um primeiro que aglutina questões de fundo relacionadas a ênfases e diretrizes curriculares, onde se discute de modo mais abrangente propostas de seleção e organização do conhecimento em diferentes níveis de ensino, e um segundo, onde se trata de relatar, propor ou analisar de modo mais local algum particular conhecimento ou tópico de Física. Se compararmos esses dois eveventos quanto a esse aspecto, percebemos que no primeiro evento (1995) cerca de 80% dos trabalhos classificados nesse tema enquadram-m-se no primeiro grupo e no último evento (2005), cerca de 55%. Apesar disso, seria precipitado concluir qualquer tendência ne sse sentido, ou seja, de um crescimento na linha de tratamento curricular mais local em detrimento da discussão global. Também poderíamos supor que essa parcela significativa dos trabalhos catalogáveis no primeiro grupo, em 1995, poderiam ser um prenúncio dos debates e críticas relativos aos currículos da escola básica que pouco

depois consolidaram-m-se nas diretrizes e parâmetros curriculares nacionais. Entretanto, o número absoluto de trabalhos aqui classificados é reduzido e se dispersa em enfoques distintos, como a inserção da Física Moderna e Contemporânea no ensino médio, a proposição de conceitos/temas unificadores, o currículo da licenciatura ou o vestibular. Para uma conclusão mais assertiva, seria interessante acompanhar essa linha de trabalhos ao longo de todos os eventos e não apenas os SNEFs. Um trabalho nesse sentido foi desenvolvido por Carvalho e Vannucchi, reltivamente á década de 1990 (CARVALHO &amp; VANNUCCHI, 1996).

- · Há uma redução bastante expressiva de trabalhos com foco na f formação de professores, aqui classificados no Tema 4, 4, de 20% para 10%, o que, a princípio, parece surpreender. Em se tratando de um evento da natureza do SNEF, em um e outro Simpósio, essa parcela já nos parece reduzida e, além disso, apresenta tal queda. Ainda que considerássemos alguns trabalhos cujo foco principal se classifica em outro tema, mas cujo contexto, ou segundo foco seja a formação inicial ou continuada de professores, essa parcela não atinge 15% do total. São instigantes que merecem atenção e análise mais pormemenorizada, considerando-se outros elementos, tais como os trabalhos apresentados em painéis ou a presença desse tema em eventos intermediários entre esses dois.
- · Os trabalhos na linha da História, Filosofia e Sociologia da Ciência mantêm-m-se em percentagens iguais nos dois eventos e, em ambos, concentram-m-se quase que totalmente nos aspectos históricos do conhecimento físico e sua importância no ensino. Já pudemos observar tal tendência em outros levantamentos e classificações de trabalhos, em SNEFs, ENPECs e EPEFs, a partir da década de 1990, quando esse foco temático na área parece ter se estabilizado sempre em torno dos 10 a 15% dos trabalhos.
- · Crescem m os trabalhos que tratam das questões relacionadas às relações entre ciência, tecnologia, sociedade ou meio ambiente, principalmente às proposições de ensino com o enfoque nessas relações. Certamente não se trata de fato isolado: inúmeras investigações têm mostrado o crescimento dessa preocupação no ensino, reflexo de movimentos sociais e propostas educacionais mais abrangentes. No XI SNEF temos apenas 2% de trabalhos classificados neste Tema 6, 6, enquanto no XVI SNEF, passam a ser 6%. Em número absoluto esse crescimento parece, de fato significativo, passando de um único trabalho no primeiro evento para dez, no último.
- · No que se refere ao Tema 8, agrupando os trabalhos relativos às Tecnologias de Informação e Comunicação, não se trata apenas de crescimento, mas do "aparecimento" dessa linha de investigação, ora em evidência: nenhum trabalho no XI SNEF e vinte e três no XVI. O uso de meios tecnológico no ensino, tal qual os enfoques de ensino relacionados à ciência e tecnologia, é reflexo de aspectos mais gerais do mundo contemporâneo e do intenso crescimento da presença nestedas novas tecnologias de informação e comumunicação, o que se manifesta a claramente nos mais variados fóruns de discussões sobre educação. Interessante destacar, também, que assim como os trabalhos classificados no Tema 2, estes também poderiam ser identificados na linha de estratégias, abordagens ou metodologias de ensino, o que engrossaria ainda mais este "caldo" já massivo nos SNEFs. O destaque dado à parte a este tema está justamente no fato de ter se configurado nesse início do século como linha de pesquisa com identidade prória.
- · Mais uma vez, z, passamos do zero para um número significativo de comunicações (sete) na temática identificada como F Física e Cultura, definida pelo Tema 9. Aqui classificamos tanto os trabalhos que discutem de modo mais genérico a relação entre ensino de física e aspectos culturais (literatura, arte etc), como aqueles que procuram trazer para a sala de aula algum tipo de objeto ou manifestação cultural mais específico, como a RPG, a dramatização, o uso de filmes (não didáticos), entre outros.
- · Quanto ao Tema 10, relativo à Pesquisa em Ensino de Física (ou Ciências), ainda que pudéssemos verificar que nem em um evento nem em outro houvesse qualquer trabalho nessa linha, optamos por mantê-ol exatamente para evidenciar a sua ausência nesses particulares eventos e, possivelmentnte, sua participação reduzida nos demais. O que é de certa forma

coerente com a proposta deste fórum e com o deslocamento para o EPEF dos trabalhos propriamente de pesquisa ou, neste caso, de "metapesquisa". A própria abertura de áreas pelas comissões de ororganização dos SNEFs para a escolha dos autores nas submissões de trabalhos não tem contemplado esta temática nos últimos simpósios, desde o XIII, realizado em 1999

- · Finalmente, podemos notar a ausência e a participação muito reduzida de trabalhos que tratam de aspectos institucionais ou de políticas públicas para a educação (T(Tema 11). São temas às vezes de fundo em alguns trabalhos, mas não seus focos de estudo.

## CLASSIFICAÇÃO POR NÍVEL DE ENSINO

Além das tendências temáticas, foi também realizada uma classificação das comunicações apresentadas no último SNEF segundo o nível de ensino preferencialmente focalizado. O resultado obtido, apresentado no gráfico abaixo, confirma a predominância de trabalhos voltados ao ensino médio, que correspondem quase à metade do total de trabalhos, seguido pelo ensino superior, com cerca de um terço.

Gráfico 3. Distribuição das comunicações segundo nível de ensino focalizado

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## CONSIDERAÇÕES FINAIS

A imagem principal que resulta do panorama proporcionado por esse conjunto de dados é bastante afirmativa. Podemos identificar uma área que está em crescimento, com uma expansão significativa, ao mesmo tempo que vai sendo delimitada sua identidade, especialmente no que diz respeito aos temas tratados. Cada vez mais as preocupações e interesses vão ganhando contornos mais nítidos, perdendo a generalidade de ser apenas "ensino de física".

No entanto, é possível perceber que os SNEFs vão também ganhando um espaço próprio na área, na medida em que se distiningue dos outros eventos. Nesse sentido, as tendências indicam que eles vêm se afirmando como foruns de divulgação e troca de experiências, de trabalhos concretos de intervenção, de propostas e ações desenvolvidas, refletidas e analisadas, enfim, com maior proximidade com os objetivos e finalidades da área. Além disso, vieram consolidar um espaço em que as idéias são apresentadas com maior liberdade, permitindo expressão mais criativa, além de muitas vezes constituirem canal de discussão para professores do ensino médio da região onde o evento é realizado e seu intercâmbio de idéias e experiências com professores de outras regiões.

Assim, a partir dessa análise, não podem ser extraídos resultados de grande profundidade, ou mesmo tendências muito bem definidas, mas apenas os contornos de um retrato, onde alguns perfis e movimentos podem ser situados.

Podemos perceber também, claramente, a necessidade de uma maior atenção com a memória desses eventos, que não se esgotam na época de sua realização. O material produzido e neles apresentado é de enorme significado e precisa encontrar canais de divulgação, sendo para isso indispensável que as formas de disponibilização sejam programadas e efetivadas.

Finalmente, e na medida em que os contornos desse retrato podem ir se tornando mais nítidos, esperamos ter também contribuído para apontar a necessidade de uma maior preocupação

em resgatar e investigar a evolução da área de Ensino de Física, criando canais de interlocução e aprofundamento de trabalhos e pesquisas nenessa direção, para que à luz de nossas experiências, de nossas reflexões e nossos percursos, possamos de diferentes modos contribuir cada vez mais efetivamente para a educação em nosso país.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, A. M. P. ; VANNUCCHI, A. I . . O currículo de física: inovações e tendências nos anos noventa. Revista Investigações Em Ensino de Ciências, IF-UFRGS, v. 1, n. 1, p. 3-19, 1996.

DELIZOICOV, Demétrio. Pesquisa em ensino de ciências como ciências humanas aplicadas. Cad. Bras. Ens. Fís., v. 21: p. 145-175, ago. 2004.

NARDI, Roberto; ALMEIDA, Maria José P. M. de. Critérios para definição de entrevistas na pesquisa "Formação da área de ensino de ciências: memórias de pesquisadores no Brasil". IV ENPEC, Bauru, SP, 2003.

PENA, Fábio Luís Alvlves; FREIRE JR., Olival. Sobre a modernização do ensino de física no Brasil (1960-1979). IV ENPEC, Bauru, SP, 2003.

SALÉM, Sonia; KAWAMURA, M.Regina. Caminhos e Tendências do Ensino de Física. IV Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Florianópolis. In: Resumos, p.96, 1994a.

SALÉM, Sonia; KAWAMURA, M.Regina. Simpósios Nacionais de Ensino de Física. IV Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Florianópolis. In Resumos, p.94, 1994b.

SALÉM, Sonia; KAWAMURA, M.Regina. Ensino de Ciências: algumas características e tendências da pesquisa. V ENPEC, Bauru, 2005.

SOUZA FILHO, Moacir Pereira et al. Tendências da Pesquisa em Ensino de Física em publicações e eventos recentes. V ENPEC, Bauru, 2005.

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## ANEXO 1 -ÁRÁREAS TEMÁTICAS

## 1. PROCESSOS DE ENSINO -A -APRENDIZAGEM: COGNIÇÃO

Trabalhos que abordam aspectos do processo de ensino-aprendizagem relativos à construção do conhecimento e à formação conceitual. Tratam de modelos, propostas e diagnósticos de de aprendizagem na construção do conhecimento.

## 2. MATERIAIS, MÉTODOS e ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Trabalhos que têm como foco principal métodos, estratégias ou abordagens de ensino, ou ainda materiais e recursos didáticos. Inclui propostas didáticas ou metodológicas, relatos e resultados de atividades e vivências em sala de aula, além de aspectos relativos a estratégias de avaliação.

## 3. CURRÍCULO: DIRETRIZES, SELEÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Propostas, reflexões e relatos de pesquisas sobre formas de estrututuração do conhecimento: seleção e organização de conteúdos e temas para o ensino de física, tais como discussões sobre currículos e programas de cursos ou disciplinas, assim tendências curriculares, como interdisciplinaridade ou contextualização.

## 4. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES

Propostas, análises ou relatos de vivências na formação inicial ou continuada de professores de ciências, para os diferentes níveis de ensino, incluindo programas e projetos de aperfeiçoamento, avaliação (ou autoavaliação) de práticas pedagógicas em processos de formação em serviço ou inicial. Incluem-m-se, ainda, diagnósticos das condições de trabalho de professores, perfil sócio-econômico ou concepção de professores sobre assuntos diversos.

## 5. HISTÓRIA, FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA

Investigações, discussões ou propostas relativas a aspectos históricos, filosóficos ou sociológicos da ciência, suas implicações e aplicações no ensino em diferentes níveis ou abordagens. Incluem-m-se aqui, as concepções de ciência presentes em textos didáticos, discursos de alunos e professores ou em outros materiais e discursos.

## 6. CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE

Trabalhos que tratam de propostas ou reflexões de ensino de física com foco nas suas relações com tecnologia, , sociedade ou maio ambiente. O ensino com enfoque explicitamente "CTS" (interações entre Ciência - Tecnologia - Sociedade), é uma das categorias incluídas nessa área, mas não a única.

## 7. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS

Trabalhos quque discutem propostas de educação científica a serem produzidas e veiculadas em espaços nãoformais, como museus e centros de ciências, bem como produções de natureza de divulgação científica - livros, periódicos, artigos de jornal, filmes e outros - e seus usos quer no ensino das ciências não-formal, quer formal. Incluímos aqui alguns trabalhos qur tratam da alfabetização científica e tecnológica, quando desenvolvidos com enfoque na educação não formal.

## 8. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NO ENSINO

Ainda que, em m alguns casos, as tecnologias de informação constituam-m-se recursos didático-pedagógicos (agrupados no tema 2), esse tema está sendo destacado à parte, uma vez que vem compondo um campo de investigações e propostas específicas, que envolvem investigações acerca do papel de diferentes recursos tecnológicos de informação e difusão no ensino presencial ou a distância, tais como a Internet t , o uso de materiais multimídia, de simulações computacionais, applets, softwares educacionais etc.

## 9. FÍSICA E CULTURA

Agrupam-m-se aqui, trabalhos que enfocam as relações entre ciência (e física) e diferentes manifestações culturais, como artes e literatura, e seu papel na educação científica.

## 10. PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA

Trabalhos que tem como principal enfoque o tratamento de aspectos teórico-metodológicos das pesquisas na área de Ensino de Física, analisam sua evolução e tendências, de um modo geral, ou em relação a um particular campo ou linha de pesquisa, ou, ainda, que tratam da formação de pesquisadores na área e de seus cursos de pós-graduação.

## 11. QUESTÕES INSTITUCIONAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS

Trabalhos que têm como objeto de investigação questões relacionadas a políticas públicas ou aspectos institucionais em diferentes níveis de ensino, como caracterização de instituições de ensino ou pesquisa (geográficas, econômicas, culturais), caracterização sócio-econômica de estudantes ou professores, relações inter/intra -instituições, relação aluno ou professor/instituição, problemáticas da escola pública, formas de ingresso o no ensino superior, verbas para educação etc.

## 12. OUTROS

Algumas temáticas mais abrangentes, relacionadas quer ao conhecimento científico, quer à educação de forma geral, ou que não se constituem especificamente como um campo de pesquisa consolidado na área de ensino de física, mas que são tratadas em alguns trabalhos foram aqui classificadas. Entre elas, destacam-m-se: HISTÓRIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO; EDUCAÇÃO ESPECIAL; EDUCAÇÃO A DISTÂNCIAIA; EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS; EDUCAÇÃO E TRABALHO; CIÊNCIA E SOCIEDADE .

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