ALFABETIZAÇAO CIENTIFICA E TECNOLOGICA NA NANOAVENTURA: UMA VIAGEM DIVERTIDA PELO MUNDO DA NANOTECNOLOGIA
Cláudia De Oliveira Lozada, Mauro Sérgio Teixeira De Araújo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2007
- Data
- 29/01/2007
- Linha de pesquisa
- Alfabetizaçao Científica E Tecnológica E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA NA NANOAVENTURA: UMA VIAGEM DIVERTIDA PELO MUNDO DA NANOTECNOLOGIA
*Cláudia de Oliveira Lozada a [clalloz@yahoo.com.br] Mauro Sérgio Teixeira de Araújo b [mstaraujo@uol.com.br]
a,b Universidade Cruzeiro do Sul, São Paululo
## Resumo
Neste artigo aborda-se a importância dos museus de ciências para a alfabetização científica e tecnológica. Além de constituir-se um espaço para divulgação científica, os museus de ciências destacammse por atuarem como coadjuvantes do processo ensino - aprendizagem em Física, pois podem propiciar um trabalho colaborativo entre a educação escolar e a educação museal. Para tanto, foi planejado e desenvolvido um projeto de visita com alunos do Ensino Médio ao espaço Nanoaventura, uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências de Campinas e que de fevereiro à março de 2006 esteve temporariamente situado na cidade de São Paulo, visando avaliar algumas características do processo educativo que se realiza nesse espaço, cujos resultados devem conduzir a a uma prática reflexiva sobre ensinar Física.
Apresentou-u-se um projeto de visitação a duas instituições de ensino, uma pública e outra particular, baseado nas concepções de Pedro Demo sobre o educar pela pesquisa, a, no contexto dos espaços não formais de ensinino de Ciências, destacando-se a importância do planejamento de um trabalho que vise articular os conhecimentos escolares aos conhecimentos presentes nestes espaços, propondo um projeto de visita e de atividades baseados na aprendizagem significativa. Buscou-u-se verificar a ocorrência de aquisição de valores de natureza conceitual, procedimental e atitudinal, com a adoção de novas posturas não só pelos alunos como também pelos professores em relação ao ensino de Física. Além da observação dos grupos escolares durante a visita, a metodologia de pesquisa contemplou uma análise documental e o uso de questionários, apontando que os alunos em sua maioria conseguiram assimilar os conceitos presentes na exposição. Evidenciou-u-se que os alunos conseguiram relacionar os s conhecimentos científicos e seus reflexos tecnológicos, por meio das aplicações da Nanotecnologia, demonstrando que o trabalho articulado entre a educação escolar e a educação museal pode contribuir significativamente para a alfabetização científica e tecnológica.
## Palavras -chave: Alfabetização Científica em Museus de Ciências, Ensino de Física, Nanoaventura
## Introdução
Os espaços não formais de ensino e aprendizagem de Ciências, quando adequadamente explorados, tendem a permitir o desenvolvimento de valores, competências e habilidades, além de promover a aproximação do público com conhecimentos científicos, capazes de auxiliá-los a compreender diversos aspectos do mundo que os cerca. Estes espaços são propícios para a alfabetização científica, o letramento científico e o educar pela pesquisa, possibilitando na maioria das vezes uma grande interação entre os visitantes e as equipes de monitores, interação com os equipamentos que compõem as mostras científicas, bem como a realização de diferentes atividades lúdúdicas que tendem a despertar a curiosidade e o interesse do público em geral.
Constituemmse também um espaço para a inclusão social, possibilitando o acesso de todos aos conhecimentos científicos, o que pode desencadear um processo de alfabetização científifica não apenas para grupos escolares, mas para o público em geral. Isto evidencia o grande potencial pedagógico dos museus de ciências, permitindo o desenvolvimento cognitivo e social dos visitantes. Gohn (2001: 104) inclusive afirma que:
"A educação não foformal tem sempre um caráter coletivo, passa por um processo de ação grupal, é vivida como práxis concreta de um grupo, ainda que o resultado do que se aprende seja absorvido individualmente."
Dessa maneira, o presente trabalho analisa os resultados de um esestudo comparativo entre grupos de alunos escolares cuja visitação à Nanoaventura, um projeto do Museu Exploratório de Ciências de Campinas (SP), precedera ou não de um planejamento, tendo como objetivo identificar os efeitos produzidos por um trabalho articiculado entre a educação escolar e a educação museal, baseado na concepção de Pedro Demo 1 sobre educar pela pesquisa, visando propagar a educação científica nas escolas e melhorar o ensino de Física.
## 1. Museus de ciências e educação
Ao longo da história da humanidade, os museus desempenharam relevante papel ao aproximar a sociedade do conhecimento científico. De uma maneira não sistematizada, contribuíram para a educação científica, muitas vezes complementando o trabalho das escolas. Nestes espaços, as exposições frequentemente são apresentadas de maneira interativa, experimental e lúdica (Sabbatini, 2003).
Os museus de ciência e tecnologia tal qual são apresentados atualmente foram inspirados no Deutsches Museum fundado em 1903, em Munique na Alemanha, no qual os visitantes interagiam com os objetos da exposição. Nesse sentido, os propósitos do Deutsches Museum eram o entretenimento, a preservação de artefatos marcantes da História da Ciência e da técnica e a difusão do ensino de princípios científicos. Pode-se afirmar que a preocupação dominante era o aspecto educativo e divulgador (Cazelli et al, 1999a: 3). Delineava-se a partir de então os contornos pedagógicos que comporiam também o perfil de muitos museus ao redor do mundo, intensificandose com o passar do tempo o desenvolvimento de pesquisas sobre os processos de aprendizagem ocorridos nestes espaços e qual o papel educacional que desempenham (Zimmermann, 2005). A esse respeito, Marandino (2001: 2) afirma:
"Os anos de 1960 foram marcantes para os museus de ciências já que estes passam a ser fortemente influenciados pelas teorias educacionais, as quais nesse momento enfatizam processos de aprendizagem inspirados no aprender fazendo. (...) Nos anos de 1980 surgem vários museus de ciências de natureza interativa no Brasil, no bojo do desenvolvimento dos movimentos de alfabetização científica e de preocupação com o ensino de ciências no país."
Deve -se então se questionar o que significa interação 1 na perspectiva da educação museal? Segundo Cazelli et al, 1996 (apud Sousa, 1999: 2):
"Interação entende -se não só manipular módulos, acionar botões, acender lâmpadas, (...) mas também fazer associações e comentários, reagir com expressões verbais ou não, trocar impressões entre pares. Estudar os padrões de interação é compreender como se dá a apreensão dos conteúdos expostos e investigar o modo pelo qual se estabelece o processo comunicativo no Museu com sua clientela".
Assim, concebe -se o processo de interação nos museus de ciências de três formas: interação entre sujeitos por meio da linguagem, entre sujeitos e objetos e entre sujeitos e contextos. Marandino (2005) destaca a transposição museológica, que permite identificar as marcas de intencionalidade relevantes que devem estar presentes na exposição e ainda compreender o contexto no qual ela se desenvolve (o saber, a instituição, os idealizadores, os equipamentos e os visitantes). É nesta intencionalidade que se insere a discussão sobre os museus de ciências serem espaços não formais de ensino ou informais, como mo se vê adiante.
## 2. Museus de ciências: educação formal ou educação informal?
Acredita -se que a educação não é exclusiva do ambiente escolar. Segundo Libâneo (1999), a educação deve ser considerada sob duas modalidades: a educação informal e a educação formal. O que as diferencia é o caráter de intencionalidade, sendo que essa intencionalidade abrange a educação formal e não formal, não constituindo, entretanto, uma característica da educação informal. Apesar disso, Libâneo afirma que isso não significa, absolutamente, que sejam negados seus efeitos educativos, mesmo porque é muito em virtude desses fatores e influências não intencionais que se dá o processo de socialização .
A importância desses espaços para a aprendizagem assume destaque na medida em que ue a própria LDB estabelece em seu artigo art. 3º, X, que as experiências extra-escolares devem ser valorizadas. Assim, a educação formal para Libâneo é estruturada, organizada, planejada intencionalmente, sistemática, afirmando ainda o mesmo que onde haja ensino (escolar ou não) há educação formal. Nessa concepção, o autor define educação não formal como aquelas atividades com caráter de intencionalidade, porém com baixo grau de estruturação e sistematização, implicando certamente relações pedagógicas, mas não formalizadas. Esta idéia é corroborada por Afonso (apud Simon, Park & Fernandez, 2001: 9):
"P "Por educação formal, entende-se o tipo de educação organizada com uma determinada seqüência e proporcionada pelas escolas enquanto que a designação educação infoformal abrange todas as possibilidades educativas no decurso da vida do indivíduo, constituindo um processo permanente e não organizado. Por último, a educação não-f-formal, embora obedeça também a uma estrutura e a uma organização (distintas, porém, das escolas) e possa levar a uma certificação (mesmo que não seja essa a finalidade), diverge ainda da educação formal no que respeita à não fixação de tempos e locais e à flexibilidade na adaptação dos conteúdos de aprendizagem a cada grupo concreto."
Por sua vez, Gohn (apud Vieira, 2000: 1), define educação não formal como a que proporciona a aprendizagem de conteúdos da escolarização formal em espaços como museus, centros de ciências, ou qualquer outro em que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo definido. Concepção semelhante a essa também é seguida por Sabattini (ibid).
Por sua vez, Gadotti (2005: 3) acrescenta que "a educação não formal é também uma atividade organizada e sistemática, mas levada a efeito fora do sistema foformal. Daí também alguns a chamarem impropriamente de educação informal" (2005: 2).
Diferentemente dos autores anteriormente citados, Gaspar e Hamburger (2004) definem os museus de ciências como espaços informais de ensino, por considerarem diversas variáveveis, tais como a diversidade de público, o que pode implicar na necessidade de se utilizar mais de uma linha pedagógica, e a liberdade de abordagem de conteúdos sem compromisso com currículos préestabelecidos. Observam esses autores que inúmeras pesquisas sobre a abordagem e a ocorrência de alguma forma de aprendizagem nos museus e centros de ciências têm sido realizadas, sendo ainda pouco conclusivas. Nessa concepção pode ser inserido Barros (1998), que também entende que os museus de ciências estão inseridos na educação informal.
O Relatório Jacques Delors para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, assevera que diante de uma educação pluridimensional, desenvolvida ao longo da vida, as instituições assumem novos papéis: "Por r um lado, as instituições culturais como os museus ou as bibliotecas tendem a reforçar as suas funções educativas, já não se limitando apenas a tarefas científicas ou de conservação do patrimônio. Por outro lado, o sistema escolar tende a cooperar mais com essas instituições"(Delors, 1999: 115). Isto evidencia que há uma "complementaridade das formas e dos espaços educativos correspondentes" (ibid, 116).
Consta -se, portanto, que o debate não foi exaurido, possibilitando fortalecer os estudos para a formulação teórica da identidade dos museus. Contudo, acredita-se que não se pode negar a influência dos museus no processo educacional, seja com maior ou menor intensidade.
## 3. Alfabetização científica, o educar pela pesquisa e os museus de ciências.
Sabbatini (2(2004: 1) define a alfabetização científica "c"como o nível mínimo de compreensão em ciência e tecnologia que as pessoas devem ter para operar nível básico como cidadãos e consumidores na sociedade tecnológica". Miller (2000), apud Sabbatini (op. cit) coloca que o conceito de alfabetização científica implica em três dimensões:
"A primeira consiste de um vocabulário básico de conceitos científicos, suficiente para que possa ser percebida a existência de visões contrapostas em um uma notícia de jornal ou artigo em revista. Trataria -se de um "vocabulário científico mínimo", incluindo termos básicos como "átomo", "molécula", "célula", "gene", "gravidade", "radiação". Em segundo lugar, uma compreensão da natureza do método científico, permitindo a distinção entre ciência e pseudociência e o acompanhamento de controvérsias científicas. E por último, uma compreensão sobre o impacto da ciência e a tecnologia sobre os indivíduos e sobre a sociedade".
Os museus de ciências englobam estas 3 dimensões permitindo ao público um contato maior com o saber sábio que apresentam. Krasilchick & Marandino (2004: 27), inclusive afirmam que:
"A escola possui papel fundamental para instrumentalizar os indivíduos sobre os conhecimentos científicos básicos. No entanto, ela não tem condições de proporcionar todas as informações científicas necessárias para a compreensão do mundo. É necessária, então, a ação conjunta de diferentes atores sociais e instituições no sentido de promover a alfabetização científica na sociedade."
Dessa forma, um trtrabalho articulado entre a educação escolar e a educação museal pode produzir efeitos significativos, aproximando os diferentes contextos educacionais e promovendo a alfabetização científica. Para tanto, sugere-se que a escola incentive o hábito da pesquisa, como defende Pedro Demo (2005), propondo-se atividades que aprofundem os temas presentes nas exposições dos museus ou que conduzam a outros temas relacionados ou ainda constituam fator gerador de pesquisa em outros temas de ciências. Com o educar pela p pesquisa, os alunos tendem a ganhar autonomia, tornam-m-se responsáveis pelo processo de aprendizagem e cultivam o hábito do auto conhecimento, desenvolvendo ainda a capacidade de saber pensar e cultivar o aprender a aprender. Além do mais, o educar pela pesquisa reforça o processo de alfabetização científica que ocorre nos museus de ciências, pois promove a aprendizagem de conteúdos e da linguagem científica.
## 4. Nanoaventura: um estudo de caso envolvendo o educar pela pesquisa promovendo a alfabetização científica
A Nanoaventura foi desenvolvida por professores e pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em parceria com
a Prefeitura Municipal de Campinas e o Instituto Sangari, e apoio da Fundação Vitae e Fapesp.
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Fig. 1 - Logotipo da Nanoaventura. Fig 2 - Plataforma da Nanoaventura.
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A Nanoaventura é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências da cidade de Campinas -São Paulo, que objetiva despertar a curiosidade para o mundo das ciências, possibilitar o contato com a Nanociência e a Nanotecnologia, empregando quatro jogos que simulam situações reais, ou seja: Laboratório virtual (fig. 3), Nanocircuito (fig. 4), Nanomedicamento (fig. 5) e Preparação de
amostra (fig. 6). Trata-se de uma exposição itinerante, interativa, lúdica, educativa e que trabalha sob o enfoque CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), numa perspectiva de "museologia da idéia"2 "2 ( Valente, 2005: 198).
O espaço Nanoaventura comporta 48 visitantes, divididos em 4 equipes de 12 componentes
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Fig.3- Laboratório virtual. Fig.4- Nanocircuito. Fig.5- Nanomedicamento. Fig.6- Preparação de amostra.
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para participar dos jogos. Cada equipe é coordenada por um monitor que explica as regras dos jogos para os alunos. As equipes são representadas por coletes de cores azul, verde, amarela e vermelha. No início da visita os alunos assistem a um vídeo sobre Nanociência e Nanotecnologia e interagem com um ator responsável pela apresentação do espaço aos visitantes. Ao final, os alunos assistem a um outro vídeo cujo objetivo é enfatizar os conhecimentos ali transmitidos.
A Nanociência é a área do conhecimento que estuda as estruturas que têm ao menos uma de suas dimensões físicas da ordem de dezenas de nanômetros. Por sua vez, a Nanotecnologia caracteriza -se pela capacidade de observar, medir e mexer nos átomos, bem como criar novos materiais a partir deles, sendo uma área que teve início com os estudos de Richard Feynman em 1959. Nesse ano, Feynman proferiu uma palestra intitulada "There's plenty of room at the bottom" ("Há mais espaços lá embaixo"), na reunião anual da American Physical Society, realizada no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), ocasião em que abordou as possibilidades, vantagens e inovações que o desenvolvimento da tecnologia na escala nanométrica poderia proporcionar (Schulz, 2005). Em 1981, o desenvolvimento do microscópio de varredura por tunelamento eletrônico, por Gerd Binning e Heinrich Roher, no laboratório da IBM em Zurique originou uma família de instrumentos de visualização e manipulação em escala atômica, contribuindo para o desenvolvimento da Nanotecnologia. Aliás, os temas Nanociência e Nanotecnologia podem constituir-se em temas geradores e conectores (Delizoicov, 1992) de outros temas de Física que estão relacionados, consagrando o caráter intradisciplinar, tais como modelos atômicos e Física de Partículas Elementares.
## 5. Metodologia de trabalho
A pesquisa realizada na Nanoaventura foi de natureza qualilativa sendo baseada em entrevista estruturada e questionário. Além disso, um relatório fornecido pelo Museu Exploratório de Ciências sobre avaliações realizadas no espaço, permitiu constatar que os alunos confundem os conceitos de átomo mo e molécula e não os relacionam à Nanociência e à Nanotecnologia. A Unicamp realizou em dezembro de 2004, uma avaliação preliminar com alunos de 3 a à 8 a série de escolas públicas de Campinas e São Paulo. O questionário contemplava questões visando levantar dados sobre o tamanho das coisas e o reconhecimento de termos ligados à temática da exposição. Os resultados foram os seguintes (2005: 7-8):
A palavra átomo aparece menos conhecida (menos de 20%) que os termos molécula, célula e DNA (40 a 50%). DNA é o mamais familiar em todas as séries sendo associado ao exame de filiação, provavelmente devido à difusão desse termo na mídia ("efeito Ratinho").
Em menos de 20% dos questionários os alunos arriscam uma definição dos termos átomo, molécula e célula que são associadas a partes/ componentes/ pedaços pequenos, no entanto DNA é definido em 25% dos questionários e identificado apenas como um exame sem menção a sua estrutura. Nanociência e nanotecnologia aparecem citados como termos conhecidos em menos de 20% dos questionários apenas de 5 a à 8 a séries, e ninguém os define.
Apesar desses conceitos base para a Nanoaventura aparecerem como termos conhecidos, há uma grande dificuldade para explicar seu significado. Átomo, molécula e célula aparecem - ainda que em contados casos -- como constituintes de algo maior e associados à idéia de pequeno, parte, pedaço independentemente de seus tamanhos. Não aparecem idéias associadas aos termos nanociência e nanotecnologia, o que indicaria que apesar dessas palavras serem reconhecidas, elas carecem de significado. Diante dessas informações, mostra-se necessário enfatizar os conceitos mais básicos, como átomo e molécula, indispensáveis para compreender os conceitos de nanociência e nanotecnologia que resultariam novidade para o públicico alvo" .
Este resultado evidencia a necessidade de os professores trabalharem tais conceitos de modo que os alunos consigam compreender tais conceitos e diferenciá-los.
## 5.1. Constatações iniciais
A pesquisa observacional, realizada nos meses de feverereiro e março de 2006 com grupos escolares, permitiu identificar a ausência de um planejamento para a visitação ao espaço, justificável pelo fato de que:
- 1) As escolas técnicas justificavam a visita como uma oportunidade de "entrar em contato com uma nova tetecnologia". Em geral, os professores dessas escolas se limitavam a fazer um breve comentário sobre o local antes da visita, sem se aprofundar ou desenvolver um trabalho de pesquisa sobre o tema da exposição.
- 2) Muitas escolas particulares justificaram que não realizaram um trabalho anterior com os alunos sobre o tema da exposição, pois utilizam sistemas próprios de ensino e possuem prazos para cumprir os conteúdos, limitando-se a fazer breves comentários.
- 3) Constatou-u-se também que em geral os professores não costumam fazer uma visita prévia para conhecer o local.
- 4) O índice de visitação das instituições públicas de ensino é baixo.
## 6. O projeto de visitação
Assim, considerando esses aspectos, e visando contribuir para a alfabetização científica de alunos do Ensino Médio, iniciouuse a elaboração de um projeto de visitação, "O educar pela pesquisa no contexto dos museus de ciências" cuja concretização ocorreu levando-se em consideração as concepções de Pedro Demo sobre educar pela pesquisa, utilizando-se de uma metodologia de visita orientada adaptada do trabalho de Freitas & Martins (2005: 3). O Projeto de visitação "O educar pela pesquisa no contexto dos museus de ciências" " em síntese propõe que os alunos visitantes da Nanoaventura executem previamente ativividades de pesquisa sobre o tema Nanotecnologia e Nanociência. Dessa forma, além de promover o interesse pela pesquisa, aos alunos entram em contato com novos conceitos da Ciência, ampliando os seus conhecimentos.
Após a elaboração do projeto de visitação à Nanoaventura, entrou-u-se em contato com duas instituições de ensino, uma particular e outra pública, que haviam agendado previamente a visita. Apresentou-u-se o projeto de visitação às duas instituições, que gentilmente aceitaram participar desta pesquisa. As instituições de ensino adaptaram o projeto de visitação visando atender as suas peculiaridades. Assim, os professores puderam ter maior autonomia em sua prática pedagógica.
## 6.1. 1º Estudo de caso: Instituição particular
A coordenação da execução do projeto ficou a cargo da professora de Química, que previamente visitou o espaço da Nanoaventura e efetuou a adaptação do projeto à realidade de sua escola e de sua turma do 1º ano do Ensino Médio, composta de 35 alunos. Procurou-u-se viabilizar um trabalho interdisciplinar com Biologia, tendo em vista as implicações na Nanotecnologia na Medicina, na Farmácia e na Microscopia, bem como com a Matemática, por meio do uso de escalas. Na fase final foi ministrada uma aula sobre o tema, sendo fornecidas orientações aos alunos sobre pesquisar tendo uma atitude crítica e reflexiva sobre o material pesquisado, visando aprofundar o tema e promover as discussões desejadas.
Após as discussões, os alunos elaboraram questões para serem esclarecidas na Nanoaventura. Durante a visita ao espaço da Nanoaventura foram identificados indícios de mudança de postura por parte dos alunos em decorrência do trabalhado realizado na pré-visita, havendo interesse maior em interagir com os jogos e com os demais alunos, pois puderam aplicar ar muitos conceitos que haviam desenvolvidos na pesquisa. Ao final, levantaram questões que haviam elaborado, recebendo o adequado esclarecimento.
Com vistas a verificar se o trabalho desenvolvido através do projeto de visitação foi significativo, escolheu-u-se aleatoriamente dois alunos para uma entrevista estruturada ao final da visita. A entrevista estruturada possuía as seguintes perguntas:
## Roteiro de entrevista
Dados pessoais:
- -Idade:
-Série:
-Sexo:
- -Com quem visitou a Nanoaventura:
- -Procedência:
- 1.O que mais gostou na Nanoaventura? Por quê?
Se nomear, um jogo, perguntar:
1.a Do que se trata esse jogo?
Se não destacar um jogo perguntar:
- 1.b. Qual o jogo que mais gostou? Do que se trata esse jogo?
- 2.Conheceu alguma coisa nova durante a Nanoaventura? O quê?
- 3.Qual é o tema central da exposição?
- 4.Como definiria o que é nanotecnologia?
- 5.Para que é utilizada?
- 6.Qual é a menor coisa que você sabe que existe? Quanto mede (aproximadamente)?
- 7.O que é um nanômetro?
Como exemplo, destaca-a-se as respostas dos dois alunos às principais questões relacionadas ao
tema da exposição:
A1 ( aluno 1) : Qual o jogo que mais gostou? Do que se trata esse jogo?
## Nanomedicamento. Curando as células.
- O que é um nanômetro?
## É a bilionésima parte do metro.
A2 ( aluno 2): Qual é o tema central da exposição?
Nanotecnologia.
Como definiria o que é nanotecnologia?
## É a manipulação dos átomos.
Embora a amostra da entrevista não seja representativa, pode-se constatar que a articulação entre a educação museal e a educação escolar pode produzir uma aprendizagem significativa tendo em vista as respostas dadas pelos alunos às questões formuladas, o que contribui para a alfabetização científica.
Ressalta -se que a visita foi acompanhada pela professora responsável por viabilizar a aplicação do projeto e pela coordenadora pedagógica do colégio. O acompanhamento desse trabalho continua sendo realizado, pois os alunos estão elaborando painéis, maquetes e outras pesquisas complementares visando à realização de uma feira cultural a ser promovida pela escola. Após essa fase, serão distribuídos questionários para finalizar a avaliação processual e, assim, serem obtidos os resultados finais dessa pesquisa.
## 6.2. 2º Estudo de caso: Instituição pública
Um segundo estudo de caso envolvendo uma instituição pública foi desenvolvido, sendo o grupo escolar composto por 11 alunos, 3 alunos da 1ª série do Ensino Médio e 8 da 2ª série do Ensino Médio da rede pública estadual. O baixo número de alunos desta escola que visitou a Nanoaventura deveuuse ao fato de de que neste caso os alunos tiveram que custear a visita e o transporte até o local e muitos deles não possuíam condições para tanto.
Nessa nova situação, o projeto sofreu uma adaptação mais substancial visando articular os conteúdos desenvolvidos em sala de aula relativos à estrutura atômica com a Nanotecnologia.
Constatouuse para os alunos da 1ª série do Ensino Médio que o trabalho propiciou uma resignificação dos conceitos que foram apresentados na série anterior (8ª série) e que seriam aprofundados na didisciplina de Química no Ensino Médio, pois dessa vez estavam devidamente contextualizados. Um questionário com dez questões foi respondido pelos alunos anteriormente à realização da visita para identificar suas concepções acerca de conceitos físicos como o o átomo e a molécula, além da Nanociência e da Nanotecnologia, verificando-se que os alunos apresentam deficiências na compreensão de escala e de notação científica. Segue-se o questionário que fora aplicado para os alunos:
Sessenta por cento dos alunos afirmaram não fazer idéia do tamanho do átomo e 90% afirmou não ser capaz de representar o tamanho do átomo por notação científifica. Setenta por cento afirmou que não há nada no interior do próton, o que demonstra que desconhecem a existência de uma estrutura fina dos átomos. Outros resultados obtidos permitiram constatar que havia apreensão prévia de alguns conceitos: 90% afirmaram ter estudado sobre átomo na série anterior; 90% informaram existir diferença entre átomo, molécula e partícula; 100% dos alunos respondeu que o átomo é composto por prótons, nêutrons e elétrons; 70% afirmou ser possível manipular moléculas, embora 90% tenha afirmado não saber o que era Nanociência e 60% desconhecia o que era Nanoctecnologia.
Analisando -se as respostas, oportunizou-u-se a realização de uma pesquisa em diversas fontes pelos alunos (livros, internet e outros) sendo pedida a apresentação de um um trabalho sobre o tema e sub -temas propostos, para somente em seguida poderem visitar a exposição.
Durante a visita, observouuse que o vídeo apresentado na exposição conseguiu explicitar dúvidas sobre escala e esclarecer os conceitos de Nanociência e Nanotecnologia. Os alunos conseguiram visualizar as aplicações da Nanotecnologia que haviam pesquisado, sendo capazes de relacionar vários ramos da ciência. Verificouuse que os alunos atuaram de maneira concentrada na execução dos jogos propostos, procurando coconciliar a teoria com a prática, devendo -se ressaltar que houve uma visita prévia da professora de Física ao local.
Acredita -se que as mudanças atitudinais ocorrerão a longo prazo, o que poderá ser verificado na medida em que o grupo será acompanhado e envovolvido em um projeto relacionado ao ensino de Física, proposto para melhorar o ensino de Física na rede pública. O acompanhamento deste grupo mostrou a deficiência do ensino de Física na rede pública, que apresenta características reprodutivas de conhecimento e passividade dos alunos, indicando, entretanto, meios para que essas deficiências possam ser ao menos minimizadas.
## 7. Conclusões
O trabalho desenvolvido baseado nas atividades relacionadas ao espaço da Nanoaventura apontou a necessidade dos museus de de ciências 3 intensificarem a realização de um trabalho de orientação aos professores. Além disso, os aspectos levantados permitem acentuar a idéia de valorização e preservação dos museus de ciências sob uma perspectiva histórico-social de divulgação da consnstrução de conhecimentos científicos pela humanidade, pois permite aos visitantes perceber importantes aspectos relacionados à produção do conhecimento científico e suas aplicações. Evidenciou-u-se deste modo que os museus de ciências são espaços de
alfabetizização científica e o trabalho integrado, articulado entre a educação escolar e a educação museal podem propiciar uma alfabetização científica e tecnológica mais efetiva. Além do mais, os PCNs ( 1999: 237) apontam que se deve "r"reconhecer o papel da Física no sistema produtivo, compreendendo a evolução dos meios tecnológicos e sua relação dinâmica com a evolução do conhecimento científico."
Considera -se conveniente que as escolas insiram em seus planos de ensino visitas aos museus de ciências e concretize essas atividades, incorporando essas ações ao perfil escolar, avançando no sentido de propor uma mudança curricular. Tais medidas se mostram necessárias e podem ser discutidas no período de seu planejamento anual, pois nota-se que a ausência de um planejamento de visita e de atividades elaboradas pelos professores conduz ao pouco aproveitamento do espaço durante a visita.
Embora se saiba que os museus de ciências não têm como escopo substituir a escola na formação dos conhecimentos científicos, fica bastante evidenciado que também possuem uma ação educativa como foi possível constatar ao longo do desenvolvimento desse trabalho. Assim, considera -se oportuno e urgente a necessidade de se buscar uma articulação entre a educação escolar em Física e a educação museal, bem como repensar a prática docente em Física e as características do aluno que se quer formar nessa área. É preciso disseminar a educação pela pesquisa como prática cotidiana em nossas escolas desde as séries iniciais da educação escolar, para que faça parte da vivência e constitua elemento formador do perfil do aluno.
Outro ponto a destacar é a necessidade de orientar professores e alunos quanto à finalidade dos museus para que desfaçam a idéia de visita como atividade que se limite ao lazer, encarada apenas como um passeio, desvinculada da aprendizagem que pode propiciar, tendo apenas o caráter de diversão.
Deve -se fomentar a formação continuada dos professores, para que possuam subsídios para incrementar sua prática pedagógica e constituir o ideal de educador pesquisador. Além do mais é preciso concretizar uma das ações pretendidas pela Secretaria da Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS - Ministério da Ciência e Tecnologia), que prevê apoio às unidades de ensino de ciências em escolas púbúblicas e em espaços não formais de educação, objetivando aproximar os alunos da rede pública, crianças e jovens carentes do conhecimento presentes nos museus, possibilitando propagar a cultura científica.
As considerações colocadas aqui não visam esgotar as discussões acerca do uso dos espaços não formais de aprendizagem e sua contribuição para a alfabetização científica e tecnológica, mas sim poder contribuir minimamente para que ocorram reflexões e tomadas de decisões com relação ao ensino de Física. A pepesquisa iniciada na Nanoaventura deverá prosseguir visando o estudo de outros aspectos da educação museal. Finalizando, agradecemos ao Prof. Dr. Marcelo Knobel, Coordenador da Nanoaventura, e a Sandra Murrielo (UNICAMP/SP), por permitirem o desenvolvimento deste trabalho no espaço Nanoaventura e às escolas por viabilizarem a aplicação do projeto.
Notas: Créditos das imagens: Site www. nanoaventura.org.br
## 8. Referências bibliográficas
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