Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

LIVRO DIDATICO X DIVULGAÇAO CIENTIFICA: LINGUAGENS COMPLEMENTARES NO ENSINO DE FISICA

Cláudia Adriana De Souza Silva, Edmundo Rodrigues Juniora, Glênon Dutra, Maria Inês Martins, Vanderlei Vilaça De Moura

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVII
Ano
2007
Data
29/01/2007
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliaçao
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2007

Texto completo

## LIVRO DIDÁTICO X DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA:LINGUAGENS COMPLEMENTARES NO ENSINODE FÍSICA

Cláudia Adriana de Souza Silva a (p(professoraclaudinha@ibest.com.br) Edmundo Rodrigues Junior a (erj02@uol.com.br)r) Glênon Dutraa aa (glenon.bh@terra.com.br) * Maria Inês Martins a (ines@pucminas.br)r) Vanderlei Vilaça de Moura a (p(professorvanderlei@hotmail.com)m)

a PUC Minas — Programa de Mestrado em Ensino

## RESUMO

A aquisição da linguagem científica pode ser mediada pela utilização de textos de divulgação em sala de aula, já que este tipo de texto, de fácil leitura, com imagens abundantes e linguagem mais amena costuma despertar muito interesse nos alunos. Este trabalho busca descrever e analisar a interação do texto de divulgação científica com o texto do livro didático através de testes aplicados aos alunos antes e depois da leitura dos mesmos. A leitura foi realizada pelo aluno sem o auxílio do professor , pois nosso objetivo compreendia a verificaçação da aprendizagem promovida apenas pelos textos. Estamos interessados em perceber r se os alunos modifificaram suas respostas ao lererem os textos e se esta modificação melhora ou piora a qualidade das respostas. Não estamos, portanto, verificando o número de respostas corretas ou incorretas, mas sim focados no valor agregado que a leitura dos textos pode vir a p produzir . A proposta foi aplicada no mês de maio de 2006 em duas turmas de 1° ano do ensino médio noturno de uma escola da Rede Pública Municipal, da periferia de Belo Horizonte, para alunos, em sua grande maioria, trabalhadores e fora da faixa etária da a série que cursam. Utilizamos um texto de divulgação científica para desenvolver alguns conceitos relacionados ao tópico 'Gravitação Universal' b bem m como mo em relação à vida e obra de Isaac Newton. Também utilizamos um capítulo de livro didático que desenvolve os mesmos conceitos. Verificamos que , se por um lado, a simples leitura de qualquer um dos textos não trouxe mudanças significativas nas concepções prévias dos alunos, por outro lado foi possível observar que, a utilização de diferentes abordagens no processo ensino-aprendizagem, desperta maior interesse pela matéria, parecendo ser adequada e e recomendada, sobretudo os textos de divulgação científica a na introdução de novos conteúdos.

Palavras -chave: Divulgação científica, a, Livro didático, Linguagens complementares .

## INTRODUÇÃO

A presença de textos científicos na sala de aula dos cursos de Física para o ensino médio normalmente está relacionada ao livro didático. De modo geral, estes textos são adaptações feitas pelos seus autores visando resumir determinados conteúdos, esquematizar conceitos ou apresentar um formalismo matemático que, posteriormente passa a ser r aplicado em determinado tipo de exercício. De ordinário, todo curso ministrado gira em torno do livro texto. Deste modo, o livro didático atua como um guia para professores e alunos, definindo tópicos, seqüências, exercícios. Segundo Pimentel (1998):

"... em conseqüência da realidade das condições existentes em muitas das nossas escolas, o livro didático tem sido praticamente o único instrumento auxiliar da

atividade do ensino. Para o aluno constitui -se numa valiosa fonte de estudo e pesquisa, ajudando-o a complementar as anotações de seu caderno. Para o professor é o principal roteiro empregado na programação e desenvolvimento das atividades em sala de aula ou extra -classe." (PIMENTEL, 1998, p. 310)0)

Consideramos o livro didático como uma boa fonte de informações e consulta para os alunos, no entanto, acreditamos ser necessário buscar outros recursos capazes de auxiliar e complementar o seu uso. Destacamos como possibilidades o uso de laboratórios, vídeos, modelagem computacional, reportagens, paradidáticos e, em particular, os textos de divulgação científica.

Vimos na divulgação científica uma possibilidade de enriquecer nossas aulas preparando o aluno para lidar com linguagens diferentes na ciência que poderão lhe ser úteis por toda sua vida. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1999), as orientações didáticas descrevem a importância da utilização pelo professor desta forma de linguagem:

"Lidar com o arsenal de informações atualmente disponíveis depende de habilidades para obter, sistematizar, produzir e mesmo difundir informações, aprendendo a acompanhar o ritmo de transformação do mundo em que vivemos. Isso inclui ser um leitor crítico e atento o das notícias científicas divulgadas de diferentes formas: vídeos, programas de televisão, sites da Internet ou notícias de jornais. .. Assim, o aprendizado de Física deve estimular os jovens a acompanhar as notícias científicas , orientando -os para a identifificação sobre o assunto que está sendo tratado e promovendo meios para a interpretação de seus significados". (BRASIL, 1999, p. 235)

Em nosso trabalho pretendemos definir texto de divulgação científica e justificar o seu uso em sala de aula. Além disto, apapresentamos uma análise da aplicação deste tipo de texto, em duas turmas do ensino médio de uma escola da Rede Municipal de Belo Horizonte, comparada à leitura do livro didático, com o objetivo de verificar qual a influência de cada tipo de leitura na mudança de concepções prévias dos alunos a respeito do tema Gravitação Universal.

## O Texto de Divulgação Científica:

A divulgação científica pode ser entendida como "o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral" (ALBAGLI, 1996). Nesse sentido, segundo a autora, a divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga, visando a atingir um público mais amplo. De fato, Ferreira (2005) considera que:

"Além da linguagem acessível, os textos de divulgação científica trazem muitas ilustrações que ajudam na visualização do fenômeno descrito, tornando as discussões apresentadas um pouco mais concretas para leitores leigos. Os temas tratados nestes artigos são sempre temas da atualidade, e, o que desperta muito o o interesse dos alunos. Leva para perto deles o conhecimento, que deixa de ser alguma coisa inventada, não se sabe muito bem par que, e passa a ser algo que tem uma aplicação direta e que os afeta em sua vida cotidiana." (FERREIRIRA, 2005, p. 18)

Assim, o texto de divulgação surge como uma dentre as diversas mídias utilizáveis para se fazer a transposição de uma linguagem científica específica dos artigos científicos e, utilizada nos centros de pesquisa para uma linguagem coloquial, l, comum. O objetivo deste tipo de texto é o de levar o conhecimento produzido e discutido pelos pesquisadores ao público em m geral. Existem

outras mídias que podem ser utilizadas com este propósito como os museus de ciência e os documentários produzidos para ra a televisão.

Ainda Albagli (1996), afirma que a intensa atividade científica contemporânea levanta questões que passam a integrar a esfera do domínio público. A inserção sócio-econômica da ciência deve então pressupor uma aceitação do caráter benéfico da atividade científica e, conseqüentemente, uma busca da sociedade pelo conhecer e controlar o que se faz em ciência. O modo como a sociedade toma conhecimento desta atividade passa então a ocupar um lugar de destaque para justificar e canalizar as verbas gogovernamentais e privadas destinadas aos centros de pesquisa. Segundo a mesma autora, são três os principais aspectos do papel da divulgação científica: Educacional: Divulgação dos resultados da ciência ou a apresentação da ciência como uma construção humanana, nosso legado cultural; Cívico: Desenvolvimento da opinião pública sobre os impactos do desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade e Mobilização Popular: Transmissão de informação científica que permita ao cidadão uma melhor intervenção nos processos político-decisórios.

Outro recorte que aparece em trabalhos sobre divulgação científica, diz respeito à sua relevância na construção da cidadania. Acreditando em uma educação para a cidadania, Silva (2001) aborda a cidadania e a divulgação cientntífica no ensino de Física, fazendo uma análise entre as principais propostas de ensino e o tipo de cidadão que cada uma delas pretende formar.

## Problemas da Divulgação Científica:

Na transposição do conhecimento científico produzido nos centros de pesquisa para a linguagem do público leigo alguns problemas podem aparecer. Albagli (1996) destaca a possibilidade de fortalecimento de algumas ideologias dominantes como o mito da neutralidade científica, da ciência como poder supremo ou o "endeusamento" das ciêncncias naturais em detrimento das ciências humanas. Por outro lado , Silva (2003) indica a possibilidade de simplificação e empobrecimento do conhecimento científico e cita autores que defendem que este empobrecimento é menor quando o texto de divulgação é proroduzido pelo próprio cientista (que tem um melhor domínio de conteúdo) do que quando é produzido por jornalistas.

Silva, na mesma obra, também observa a influência do "caráter empresarial dos meios de comunicação" na qualidade dos textos de divulgação cientntífica que aparecem em jornais e revistas. Este caráter tende a transformar notícias em espetáculo e dar maior ênfase a textos interessantes mesmo que a qualidade da pesquisa científica a eles relacionados seja duvidosa. Ela continua:

"Assim, a mídia deixa a de ser um instrumento a serviço do público, comprometida com sua função informativa, educativa, social, cultural, econômica, política e ideológica e passa a assumir um papel empresarial, capitalista, na medida em que se dispõe veicular a notícia dando ênfafase ao aspecto mercadológico e minimizando o respectivo impacto social e científico." (SILVA, 2003, p. 93)

Por que usar textos de divulgação científica em sala de aula?

Diante das discussões apresentadas anteriormente, porque então defender o uso deste tipo de texto em sala de aula? Algumas vantagens dos textos de divulgação científica são apresentadas por Pery (2005) e Lança (2005), ambas citando Kawamura e Salém 1 :

- -O texto de divulgação científica espera do leitor algo mais ligado ao prazer do que ao devever;
- -O texto traz novas questões referentes ao desenvolvimento atual da ciência;
- -O texto amplia a visão de ciência e de mundo do aluno e do professor, possibilitando a criação de novas metodologias e estratégias de ensino, aprofundando e contextualizando o conteúdo abordado .

Silva (2003) também defende o uso da divulgação científica em sala de aula sob uma perspectiva vygotskiana 2 , acreditando que o desenvolvimento do aluno se dá a partir de suas interações no meio social em que vive. Nesse sentido, o texto de divulgação permite uma interação dentro de um contexto social mais amplo do que simplesmente o seu grupo de colegas.

## DESCRIÇÃO DO TRTRABALHO DESENVOLVIDO

A atividade proposta foi realizada no mês de maio de 2006, com duas turmas (A e B) de 1° ano do ensino médio de uma escola da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, no turno da noite. Utilizamos um texto de divulgação científica para desenvolver alguns conceitos relacionados ao tópico 'Gravitação Universal' e com relação à vida e obra a de Isaac Newton3 n3 . . Também utilizamos um capítulo de um livro didático que desenvolve os mesmos conceitos 4 . Nosso objetivo aqui era o de promover a leitura destes textos em sala de aula e comparar , as mudanças nas concepções prévias dos alunos provocadas pelos mesmos, através da aplicação de um pré-teste e de um pós-teste.

A escola onde foi desenvolvido o trabalho localiza -se no bairro Céu Azul, periferia de Belo Horizonte. Boa parte de seus alunos mora em vilas existentes na região, estão fora da faixa etária correspondente à à série que cursam e muitos trabalham durante o dia. Eles estão inseridos no contexto da escola plural e têm sérios problemas em sua alfabetização. A escola tem desenvolvido um projeto de leitura que procura melhorar a qualidade das interprpretações de textos por parte dos alunos além da sua produção textual. A carga horária da escola é limitada a três horas aula por noite (para acolher os alunos que trabalham e chegam mais tarde) e é complementada por projetos extra-aclasse. Nesse contexto, a execução de nossa proposta de atividades foi a seguinte: levantamento e análise de textos de pesquisa que relatam experiências escolares de utilização de textos de divulgação científica na sala de aula; escolha do texto de divulgação científica, do livro didático e do capítulo correspondente ao texto de divulgação científica; elaboração de pré-teste e pós-teste; aplicação dos textos escolhidos e dos testes; elaboração do plano de aula e o desenvolvimento do plano de aula com aplicação dos testes; que passaremos a descrever:

Levantamento e análise de textos de pesquisa que relatam experiências escolares de utilização de textos de divulgação científica na sala de aula:

- O levantamento de textos foi feito utilizando textos da disciplina Produção de Conhecimentnto do curso de Mestrado em Ensino de Física da PUC/MG e através da busca nas revistas e bancos de teses através das bases de dados.

Escolha do texto de divulgação científica, do livro didático e do capítulo correspondente ao texto de divulgação científica:

- A pesquisa de textos de divulgação científica foi feita basicamente em revistas de divulgação científica como Superinteressante, Galileu, Ciência Hoje das Crianças, National Geographic e nos respectivos sites destas revistas.

Procuramos textos simples, quque não apresentassem dificuldades à leitura do aluno sem a ajuda do professor e que estivessem em sintonia com o conteúdo normalmente dado às turmas do primeiro ano. Por fim, selecionamos um pequeno artigo da Revista Ciência Hoje das Crianças, de dezembro de 2001, sobre a vida de Isaac Newton e a Lei da Gravitação Universal. O livro didático utilizado foi o disponível na biblioteca da escola para uso dos alunos: Física no Mundo do Trabalho, volume único, de Beatriz Alvarenga e Antônio Máximo.

Elaboração de p pré-teste e pós-teste:

Elaboramos algumas questões dos testes na tentativa de identificar concepções prévias dos estudantes. Nessa perspectiva, indagamos a respeito do movimento da Lua em torno da Terra, da natureza da força gravitacional, da noção de "p "para cima " " e "p "para baixo " , da natureza da força de atração gravitacional dirigida para o centro da Terra e sobre a força gravitacional entre nós e a Terra e entre os corpos celestes. Outras questões foram retiradas de uma apostila de Astronomia utilizada no curso de Especialização em Ensino de Física do CECIMIG/UFMG 5 em 2001. Inserimos também questões a respeito da vida e obra de Isaac Newton.

Aplicação dos textos escolhidos e dos testes:

Em cada turma aplicamos inicialmente um pré-teste para verificarmos qua l o estágio inicial de cada aluno. Após o pré-teste, adotamos uma estratégia diferente para cada turma que é apresentada no quadro seguinte:

Quadro 1: Comparação entre as estratégias utilizadas nas Turmas A e B após a aplicação do pré -teste

Procuramos deixar claro aos alunos que os questionários aplicados não faziam parte de "um jogo de respostas certas e erradas" e que o seu objetivo seria verificar a evolução do seu aprendizado, a partir das leituras dos textos de divulgação científica e do livro didático. Procuramos assumir o papel de observador participante explicando detalhadamente o objetivo e o procedimento da pesquisa sem, porém fazer nenhum esclarecimento com relação às questões dos testes aplicados a fim de de não comprometer a análise dos resultados. Cada etapa da realização da pesquisa ocorreu apenas em uma aula.

## RESULTADOS OBTIDOS

Esclarecemos que nesta análise de resultados estamos interessados em verificar quais alunos modificaram suas respostas quando leleram os textos e se esta modificação melhorou ou piorou a qualidade das respostas. Reiteramos que não foi, portanto, nosso propósito detectar simplesmente o número de respostas corretas ou incorretas.

Perfil dos alunos da escola:

Devido a problemas de freqüência às aulas, parte dos alunos que veveio ao primeiro dia, não compareceu u no segundo ou no terceiro, de modo que poucos alunos participaram de todas as etapas da pesquisa. Por essa razão, selecionamos apenas 9 testes da turma A e 11 testes da turma B, o quque representa cerca de um terço dos alunos matriculados ou metade dos alunos freqüentes. A idade desses alunos varia muito: de 15 até 24 anos na turma A e de 15 a 39 anos na turma B.

Fazia parte ainda do pré-teste uma questão sobre a freqüência de leitura dos alunos. A maioria esmagadora (15 alunos) não lê as revistas de divulgação científica e não utiliza o livro didático.

Questões sobre Isaac Newton:

As questões um e dois do pré-teste e a questão seis do pós-teste estão relacionadas à vida e à obra de Isaac Newton. Os resultados dessas questões são apresentados no quadro 2.

Quadro 2: Comparação entre os resultados obtidos pelas Turmas A e B, nas questões sobre Isaac Newton dos pré e pós-testes.

Questões que exploram a noção de força de atração gravitacional para o centro da Terra:

As questões três e quatro do pré-teste e as questões um e dois do pós-teste abordam a noção de "para cima" e "para baixo", ou seja, trabalham m com a noção de força de atração gravitacional para o centro da Terra. Os resultados dessas questões são apresentados no próximo quadro .

Quadro 3: Comparação entre os resultados obtidos pelas Turmas A e B, nas questões do préteste e do pós-teste que exploram a noção de força de atração gravitacional para o centro da Terra .

Questões que exploram a noção de força gravitacional entre nós e a Terra ou entre os corpos celestes:

A questão cinco do pré-teste diz respeito à atração gravitacional entre nós e a Terra a enquanto que a questão seis é relativa à atração gravitacional entre a Terra e a Lua ou entre a Terra e o Sol. A questão três do pós-teste se refere ao movimento da Lua em torno da Terra a e a questão quatro, ao movimento de satélites. Esses resultados estão discriminados em seguida:

Quadro 4: Comparação entre os resultados obtidos pelas Turmas A e B, nas questões, dos pré e póstestes, que exploram a noção de força gravitacional entre nós e a Terra ou entre os corpos celestes.

Campo gravitacional l e ação da gravidade entre dois corpos quaisquer:

No próximo quadro, apresentamos a ananálise das respostatas dadas às questões que passam a idéia de um campo gravitacional em torno da Terra ou da Lua (questão sete do pré-teste), da relação deste campo gravitacional com a massa do astro (questão oito do pré-teste) e da ação da gravidade entre dois corpos quaisquer (questão cinco do pós-teste) .

Quadro 5: Comparação entre os resultados obtidos pelas Turmas A e B, nas questões dos pré e pós testes, que passam a idéia de um campo gravitacional em torno da Terra ou da Lua, da relação deste campo gravitacional com a massa do astro e da ação da gravidade entre dois corpos quaisquer.

## CONCLUSÕES

Iniciamos o nosso trabalho defendendo o uso dos textos de divulgação científica como parte das estratégias de ensino do professor de Física ou de qualquer outra disciplina científica. A seguir, aplicamos um conjunto de testes em duas turmas diferentes tentando verificar a influência deste tipo de leitura nas mudanças de concepções por parte dos alunos se cocomparado com a leitura do livro didático.

Surpreendentemente (para nós) não encontramos um resultado satisfatório que pudesse nos orientar sobre o melhor tipo de leitura a ser aplicado aos nossos alunos. A partir dos nossos resultados, podemos inferir que, por meio de uma simples leitura, seja do livro didático, seja do texto de divulgação científica, poucas mudanças podem ser provocadas nas concepções espontâneas do aluno. Os alunos que não têm conhecimento sobre um determinado assunto sofrem pouca influêncncia da leitura imediata de um texto no que diz respeito ao melhoramento do que eles sabem sobre este assunto. Torna -se talvez necessária a intervenção do professor durante a leitura para a obtenção de melhores resultados.

No entanto, alguns resultados obtididos são bastante interessantes. Observamos que em alguns casos o texto de divulgação científica pode realmente passar uma idéia incorreta a sobre o desenvolvimento científico. Isto ficou bem exemplificado quando três alunos relacionaram a elaboração da Teoria ia da Gravitação Universal por Newton com a queda de uma maçã sobre sua cabeça.

Outro resultado interessante, e que não foi descrito acima, ocorreu após a aplicação dos testes, durante as aulas de Física que se seguiram. Muitos alunos se identificaram com a a infância difícil de Newton (de fato, quase todos se lembraram disto nas questões que perguntavam sobre a vida dele) e fizeram muitas perguntas ao professor a respeito de suas descobertas.

Além disso, houve um forte interesse das turmas após a leitura dos textos e aplicação dos testes em aprender algo mais sobre a Teoria da Gravitação Universal, de tal modo que o professor se viu obrigado a interromper o que estava ensinando para dar uma introdução a este assunto. A participação da turma na forma de intervenções e de questionamentos foi acima da média e, o professor pôde perceber um maior prazer por parte dos alunos em aprender sobre estes conteúdos (um prazer que não esteve presente no ensino de outros tópicos da física).

De certa forma, o uso das questões do pré-teste e do pós-teste, aliadas a um texto simples e de fácil entendimento, serviram como motivadores para despertar o interesse da turma. Talvez esteja aí o caminho da utilização do texto de divulgação científica em sala de aula. Mas esta discussão nãnão cabe mais neste artigo e a deixaremos para uma próxima oportunidade.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBAGLI, S. Divulgação científica: informação científica para a cidadania. Ciência da Infoformação, Brasília, v. 25, n.3, p.396-404, set./dez. 1996.

BRASIL. Mininistério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Ministério Brasília: MEC/SEMTEC, 1999.

CORRÊA, A. L. L. A linguagem da Física: escrever para aprender. 2002. Dissertação (Mestrado em Educação). UFMG, Belo Horizonte, 2002.

FERREIRA , A . A. Ensino de Física das Radiações na Modalidade EJA: uma proposta . 2005. Dissertação (Mestrado em EnEnsino de Ciências). USUSP , São Paulo, 2005.

LANÇA, T. Newton numa Leitura de Divulgação Científica: produção de sentidos no Ensino Médio. 2005. Dissertação (Mestrado em Educação). UNICAMP, Campinas, 2005.

PERY, L. C. Uso de textos de divulgação científica no conteúdo "corpo humano". 2005. Trabalho apresentado como requisito para aprovação da disciplina A pesquisa no ensino de ciências e a sala de aula, UFRJ, Rio de Janeiro, 2005.

PIMENTEL, J. R. Livros didáticos de ciências: a física e alguns problemas. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v. 3, n.15, p. 308-318, 1998.

SILVA, H. S. C. Artigos de Divulgação Científica e Ensino de Ciências: concepções de Ciência, Tecnologia, Sociedade. 2003. Dissertação (Mestrado em Educação). UNICAMP, Campinas, 2003.

SILVA , J . A. Cidadania e divulgação científica no Ensino de Física. 2001. Dissertação (Mestrado em EnEnsino de Ciências). USUSP , São Paulo, 2001 .

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. m. São Paulo: Martins Fontntes, 1987.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.