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O Parque do Conhecimento da Universidade Estadual de Santa Cruz

Adriano Marcus Stuchi, Nestor Santos Correia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## O PARQUE DO CONHECIMENTO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

Adriano Marcus Stuchi [stuchi@uesc.br] a

Nestor Santos Correia [nestorcorreia@uesc.br] a

a Universidade Estadual de Santa Cruz - Ilhéus - Bahia

## RESUMO

O Parque do conhecimento da UESC se encaixa no mesmo perfil dos Museus e Centros de Ciências. Em nosso projeto montamos um espaço que viabiliza a realização de experimentos, jogos, demonstrações, brincadeiras envolvendo aspectos diversos do conhecimento cientifico. O Parque será utilizado para exposições abertas ao publico em geral, visitas agendadas pelas escolas, treinamento de professores, pesquisas em formação de atitudes cientificas e construção de conceitos, pesquisa para elaboração de novos experimentos e como espaço para experiências pedagógicas e iniciação científica para estudantes das licenciaturas da UESC.

A exposição inaugural do Parque, apesar de bastante simples, motivou bastante os professores de Física e os alunos de nossa região em ensinar e aprender Física utilizando experimentos. Descrevemos aqui estratégias para a capacitação de professores para utilizarem exposições como recurso didático em sala de aula, bem como elaborar e usar experimentos de baixo custo em sala de aula.

PALAVRAS-CHAVE : Museu de ciências, divulgação cientifica, educação em ciências, ensino de ciências .

## INTRODUÇÃO

Parque do conhecimento é um projeto de extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). A UESC está situada entre os pólos urbanos de Ilhéus e Itabuna, no município de Ilhéus, região sul da Bahia.

Nosso objetivo com a criação do Parque do Conhecimento foi gerar um espaço onde seja viabilizado a realização de experimentos, jogos, demonstrações, brincadeiras envolvendo aspectos diversos do conhecimento cientifico. O Parque é utilizado para exposições abertas ao publico em geral, visitas agendadas pelas escolas, treinamento de professores, pesquisas em formação de atitudes cientificas e construção de conceitos, pesquisa para elaboração de novos experimentos e como espaço para experiências pedagógicas e iniciação científica para estudantes das licenciaturas da UESC.

- O Parque do Conhecimento da UESC pode ser caracterizado como um Centro de Ciências. Os Centros e Museus de Ciência vêm despertando o interesse de educadores, cientistas, administradores públicos, empresários da área de parques temáticos e fundações beneficentes em todo o mundo. Na qualidade de centros interativos de ciência, por meio de formas diferenciadas, lúdicas e ativas de aprendizagem, nas quais são integrados o ensino formal e o n ão formal, o lazer e a curiosidade científica, podem se converter em espaços de aprendizagem do grande público, adultos e crianças, escolares e não escolares.

O contato com experimentos científicos pode contribuir para uma educação científica mais efetiva. Essa tarefa, que era realizada tradicionalmente pelo ensino formal, vem contando com o apoio de instituições que se dedicam a mostrar como a ciência se faz, de uma forma lúdica, divertida e informal. Os centros de ciência cumprem essa finalidade.

Os centros de ciência têm como objetivos principais facilitar a compreensão dos processos que envolvem as ciências, incentivar a popularização do conhecimento científico, além de tornar a ciência e a tecnologia mais próximas da realidade das pessoas. Como recurso pedagógico das aulas, esses locais podem ser utilizados como instrumentos importantes no ensino de ciências, por transformarem tudo o que é transmitido pelos professores em algo visível, palpável e atrativo, além de incentivarem o interesse pela descoberta e análise do universo científico.

Outro grande benefício dos centros de ciência é conseguir reunir diversas áreas do conhecimento em um mesmo lugar, contribuindo para a interdisciplinaridade do ensino. Colaboram, assim, para integrar os conteúdos das diversas áreas do saber de forma inter-relacionada, possibilitando uma visão global dos processos relacionados às ciências. Esse procedimento contrasta, em muito, com os tradicionais e ultrapassados currículos escolares divididos em disciplinas estanques.

Pela integração das diversas disciplinas acadêmicas, os museus e centros de ciência estabelecem um diálogo entre o que se aprende na escola e a prática que pode ser incorporada à vida dos alunos. Desse modo, a divulgação científica através dos museus e centros de ciência pode contribuir para diminuir a distância entre o pesquisador, a ciência, o desenvolvimento tecnológico e a vida das pessoas.

A educação em ciências nos dias de hoje não pode mais se ater ao contexto estritamente escolar. Esta afirmação, cada vez mais presente entre educadores em ciências, enfatiza o papel de espaços de educação informal, como museus de ciência e tecnologia, para a alfabetização científica dos indivíduos.

A teoria sociointeracionista de Vigotski, traz instrumentos e subsídios p ara a compreensão e análise do processo ensino-aprendizagem que se desenvolve em museus e centros de ciências. Nesta teoria, enfatizam-se as interações sociais em relação à ocorrência do processo ensino-aprendizagem e um centro de ciências possui essas interações como principal característica. Nota-se isso quando os monitores dialogam sobre determinado experimento com os visitantes, um professor explica um fenômeno ao seu aluno ou o pai troca conhecimentos com o filho. Outra condição para que haja aprendizado num Museu de Ciência, segundo a teoria de Vigotski, é que o conteúdo temático das exposições possa atingir o nível cognitivo dos visitantes(Gaspar, 1993).

Uma outra indicação da teoria de Vigotski de como se dá o desenvolvimento cognitivo se refere à m aneira como se desenvolvem os conceitos espontâneos ou científicos na criança. Em sua teoria, Vigotski afirma que esses conceitos se desenvolvem em sentidos opostos, dos níveis de maior complexidade para os de menor complexidade e vice-versa. 'É possível, assim, admitir-se que as ampliações do universo de conceitos de uma criança, sejam espontâneos ou científicos, proporciona uma intensificação desse processo de desenvolvimento' (Gaspar, 1993).

As visitas a museus de ciências poderiam fazer parte do currículo escolar como um complemento ao ensino formal, já que as exposições científicas não são levadas ás escolas. Os museus de ciências são ambientes de enriquecimento cultural de grande potencial a ser aproveitado

pelos professores. O artigo de Janette Griffin e David Symington (Griffin e Symington, 1997) discute a importância de se vincular as visitas aos museus de ciência aos programas escolares. Esse trabalho nos mostra que pouco se faz nesse sentido, e que isso está diretamente relacionado à aprendizagem e ao interesse dos alunos pelo conteúdo das exposições. Os autores de outro artigo vão mais além, ao dizer que a aprendizagem dos conceitos abordados pelas exposições só se consolida fora dos museus (Anderson, Lucas, Ginns e Dierking, 2000).

## EXPOSIÇÕES REALIZADAS E PLANEJADAS

Realizamos uma exposição do Parque do Conhecimento da UESC na cidade de Ilhéus, no período de 20/09 a 15/12 de 2003. Na ocasião expusemos 20 experimentos de Física e 3 de Química, construídos com material de baixo custo. Recebemos então cerca de mil visitantes, entre alunos e professores em sua maioria e público em geral. As visitas no Parque do Conhecimento são monitoradas por alunos de graduação da UESC.

Apresentamos os experimentos de Física que integraram na exposição de Ilhéus: Anel de s'Gravezande, Termoscópio de Galileu, Termoscípio do Duque de Médici, Modelo cinético dos gases, Convecção em líquidos, Termelétrica, Dilatação do ar, Cama de pregos, Sistema de roldanas, Vórtice, Ondas mecânicas, Ressonância, Roda de bicicleta, Balança de corrente, Motor elementar, Transformador, Anel saltante, Forno de indução, Indução eletromagnética, Visualização do campo magnético de imãs, Circuito eletrônico, Polarização da luz, Luz e cores

Durante a realização da exposição, alunos do curso de licenciatura da UESC foram instruídos a realizar uma pesquisa junto aos professores de física visitantes. Dentre os resultados desta enquete podemos ressaltar os seguintes: (1) Para muitos professores de física, a exposição foi uma oportunidade de oferecer um momento diferenciado de aprendizagem para seus alunos. Até então a maioria dos estudantes não tinha idéia do que seria um experimento de física ou química. (2) Todos os professores comentavam sobre a exposição em suas aulas de física. Boa parte deles usou o que foi observado para ajudar em alguma aula. (3) A motivação dos alunos em aprender mais sobre física depois de exposição aumentou consideravelmente. Muitos alunos se interessaram em construir experimentos e outros tantos começaram a cobrar que os professores usassem experimentos em suas aulas.

Apesar do interesse dos professores em usar experimentos nas aulas, mais de 90% deles não têm condições de fazê-lo. O 'fazê-lo' inclui a construção do experimento, as estratégias para sua utilização e as ferramentas para avaliação da aprendizagem.

Tendo em vista os resultados acima mencionados, elaboramos estratégias para o apoio ao trabalho dos professores nas escolas. Propomos atividades para que o professor se habilite a utilizar os experimentos da forma mais eficiente possível. Criamos um sitio na rede (http://www.parcon.pro.br/index.htm) onde disponibilizou-se agendamento de visitas por escolas, explicações sobre os experimentos da exposição, algumas simulações em Flash e textos de apoio para realização de projetos nas escolas.

A partir da experiência da exposição em Ilhéus, estamos inaugurando uma exposição temática no Centro Cultural Adonias Filho em Itabuna no período de outubro a dezembro de 2004. Para esta exposição escolhemos trabalhar com o tema energia. Já contamos também com a colaboração de um professor de paleontologia que montou um stand sobre a formação do petróleo e de técnicas de prospecção a partir de fosseis. Para esta exposição, que chamamos EXPOENERGIA,

contamos com apoio financeiro do CNPq para aquisição de material de consumo e de alguns kits experimentais. Alem dos experimentos mostrados em Ilhéus, acrescentamos os seguintes experimentos de física: Célula solar, Bobina de Tesla, Chispa ascendente, Hidrelétrica, Máquina eletrostática de Winshurst, Looping, Gerador à manivela, Pêndulo de Newton, Locomotiva de inércia e Gerador à vapor.

- O contato com os professores do ensino médio está sendo feito através da Diretoria de Ensino de Itabuna. Estamos agendando visitas com os docentes antes dos alunos, para que eles possam utilizar o conteúdo da exposição nas salas de aulas. Além da visitação, os professores poderão contar com o material de apoio na internet para preparar as aulas, participar de fóruns de discussão e tirar dúvidas.

Nossa intenção é criar uma cultura de utilização de experimentos nas escolas. Vamos aproveitar a motivação de alunos e professores com as visitas, conforme detectamos em Ilhéus, para despertar a todos sobre a importância do trabalho com experimentos nas escolas. Além da exposição, elaboraremos material experimental de baixo custo para empréstimo, na forma de uma experimentoteca, de acordo com as necessidades dos professores.

## REFERÊNCIAS :

Carvalho, A. M. P., Santos, E . I., Santos M. C. P. S., Date, M. P. S., Fujii, S. R. S., Nascimento, V. B. 'Termodinâmica - Um Ensino por Investigação' . Editora da Faculdade de Educação da USP, São Paulo, 1999.

Coelho, S. M., Kohl, E., Di Bernardo, S., Wiehe, L. C. N. 'Conceitos, Atitudes de Investigação e Metodologia Experimental como Subsídio ao Planejamento de Objetivos e Estratégias de Ensino' . Cad. Cat. Ens. Fis., v.17, n.2, p. 122-149, 2000.

Ferreira, N. C., Gaspar, A. 'Projeto RIPE - Relato de uma Experiência de Difusão do Ensino Experimental' . In Caderno de Resumos do V EPEF, p. 20, Águas de Lindóia - SP, 1996.

Gaspar, A. 'Experiências de Ciências para o Ensino Fundamental' . Ed. Ática, São Paulo, 2003.

Gaspar, A.Museus e Centros de Ciências - Conceituação e Proposta de um Referencial Teórico , São Paulo, tese de doutorado, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 1993.

Griffin, J.; Symington, D.Moving from Task-Oriented to Learning-Oriented Strategies on School Excursions to Museums, Science Education, 1997, vol.?, 763 - 779.

Anderson, D.; Lucas, K. B.; Ginns, I. S.; Dierking, L. D. Development of Knowledge about Electricity and Magnetism during a Visit to a Science Museum and Related Post-Visit Activities, Science Education, 2000, vol.?, 658 - 679

Laburú, C. E., Arruda, S. M. 'Considerações Sobre a Função do Experimento no Ensino de Ciências' . In Nardi, R. (org.) 'Questões Atuais no Ensino de Ciências' . Ed. Escrituras, São Paulo, 2001.

Kawamura, M. R., Schmidt, I. P., Terrazan, E. A. 'As Atividades Experimentais na Formação Continuada de Professores' . In CD-ROM VI EFEF, Pôsteres - Resumos, Florianópolis SC, 1998.

Marandino, M. 'A Prática de Ensino nas Licenciaturas e Pesquisa em Ensino de Ciências: Questões Atuais' . Cad. Cat. Ens. Fis., v.20, n.2, p. 168-193, 2003.

Stuchi, A.M., Ferreira, N.C. 'Análise de uma Exposição Científica e Proposta de Intervenção'. Revista Brasileira de Ensino de Física, v.25, n.2, p.207-217, 2003.

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