ENFIS E FISBIT: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Maria Regina D. Kawamura, Sonia Salém, Renata Ribeiro, Rafael Fonseca Correa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 26/01/2005
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENFIS E FISBIT: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Sonia Salém (sosalem@if.usp.br) a Rafael Fonseca b Renata Ribeiro (rribeiro@if.usp.br) c Maria Regina D. Kawamura (mrkawamura@if.usp.br) d
a,b,c,d Instituto de Física da USP
## Introdução
Como resultado de um extenso trabalho desenvolvido desde o início dos anos 90 e, atualmente, conduzido pelo espaço ProFís 1 , no Instituto de Física da USP, temos estruturado e implementado dois Bancos de Referências Bibliográficas destinados a apoiar pesquisadores, professores e estudantes de Física e Ciências.
Esse trabalho visa apresentar as novas versões desses bancos, em novas mídias e com novos recursos, além de discutir questões relacionadas com sua implantação e utilização.
- O primeiro deles, ENFIS (Banco de Referências de Ensino de Física), foi criado com o objetivo de localizar, sistematizar e difundir a produção da área de ensino de Física no Brasil e torná-la acessível, de forma organizada, a professores e pesquisadores. Reúne grande parte dos trabalhos produzidos na área nas últimas décadas, como teses, artigos, projetos e trabalhos apresentados em simpósios ou encontros.
- O segundo, FISBIT (Banco de Referências de Divulgação Científica) propicia o acesso a materiais atualmente existentes, em língua portuguesa, referentes a temas científicos, mais especificamente relacionados à Física e suas fronteiras. O material catalogado consiste essencialmente de publicações de divulgação científica selecionadas para apoiar o trabalho de professores em sala de aula, tratando de temas contemporâneos ou associados ao cotidiano, geralmente não abordados nos livros didáticos.
Ainda que atendendo a diferentes interesses, esses dois programas foram desenvolvidos procurando preencher lacunas existentes no "mercado" de bancos de dados, referências bibliográficas ou índices de periódicos e, atualmente, também de sites de busca na Internet , que especialmente na época em que foram criados, ou não respondiam aos interesses de nosso público, pesquisadores da área, professores e estudantes de Física e de Ciências ou eram (e, na maior parte dos casos ainda são) estruturados segundo uma lógica limitada em relação aos objetivos pretendidos.
No caso do ENFIS, a principal lacuna que procurou suprir era a necessidade de uma sistematização da grande quantidade de experiências acumuladas na área de Ensino de Física, sob as mais diferentes formas - artigos, teses, trabalhos apresentados em encontros e simpósios, livros e materiais instrucionais - dispersas em diferentes locais e muitas vezes com pouca visibilidade ou disponibilidade. Tanto pesquisadores da área como professores ou estudantes de licenciatura, na falta d e acesso a esses materiais e de uma tal sistematização, perdiam enorme tempo ou acabavam por "reinventar a roda"
refazendo trabalhos anteriormente elaborados ou, ainda, não podiam incorporar, aperfeiçoar e ampliar em suas produções reflexões e experiências em andamento ou já desenvolvidas.
- O programa desenvolvido para fazer essa sistematização em um banco de referências visou dar respostas a essa demanda, criando uma estrutura que orienta e auxilia a pesquisa e recuperação de informações.
Já no caso do FISBIT, a motivação principal veio da demanda por materiais que pudessem contribuir para apoiar o trabalho de professores em sala de aula, em um momento em que a escola brasileira, particularmente em nível médio, está em transformação, visando superar seus currículos tradicionais, com conteúdos, métodos e materiais pouco relacionados ao mundo contemporâneo. Os professores têm dificuldades em dar conta de sua própria atualização, responder as dúvidas e inquitações dos alunos vivenciadas fora da escola e incorporar em seu trabalho, temáticas e conhecimentos científicos e tecnológicos atuais. Os livros didáticos, por sua vez, dada sua própria natureza, não suprem tais necessidades e cada vez mais os professores necessitam utilizar recursos e textos complementares, como notícias e artigos de jornais, revistas e periódicos, livros de divulgação ou paradidáticos. O FISBIT foi criado com essa preocupação, selecionando, catalogando e organizando um sistema de recuperação de referências de publicações dessa natureza.
## Estrutura dos Bancos e Fontes de Refrências
Tanto o ENFIS como o FISBIT foram estruturados com a preocupação não apenas de possibilitar a recuperação das referências das publicações para eles selecionadas e catalogadas, como para orientar e apontar caminhos e respostas diversas para as buscas feitas.
Muitos dos bancos de dados bibliográficos existentes, assim como os sites de busca na Internet são estruturados segundo uma lógica que procura cercar todas as possibilidades pelas quais um usuário possa ser l evado a responder uma questão. Assim, para cada palavra ou assunto pesquisado, localiza-se um enorme conjunto de possibilidades onde aquela palavra pode ser encontrada. Tal estrutura, além de geralmente levar o indivíduo a um número enorme de respostas ou, no caso de referências bibliográficas a um grande número de publicações, sem critérios de seleção, pressupõe que ele saiba exatamente qual o seu interesse ou tenha uma pergunta bem definida, reduzindo-se, assim, o seu problema, a localizar uma informação específica dentro do sistema de catalogação utilizado.
No nosso caso, contudo, há um objetivo diferente. Além de uma seleção criteriosa dentro de uma área de interesse, ao invés de possibilitar apenas um "afunilamento" sucessivo de forma a que se chegue o mais próximo da informação desejada, procura-se também ampliar a pesquisa original, ou seja, levar o usuário a assuntos correlatos e situá-lo dentro de um campo mais abrangente.
Assim, o ENFIS e o FISBIT não se propõem apenas a responder questões previamente definidas, mas também abrir novas possibilidades, apresentar novos temas, caminhos e abordagens. Para isso, são estruturados com base em temas e palavras-chave a eles associadas, cada qual com características específicas, associadas à natureza do conteúdo catalogado, como descrevemos a seguir.
O programa que constitui a base de dados ENFIS, para cada publicação catalogada, contém além das referências bibliográficas gerais (nome do autor, título, editora, local e data da publicação) e específicas do tipo de publicação (orientador, instituição e grau acadêmico para as teses, por exemplo), informações sobre o conteúdo da publicação (palavras-chave, grau de ensino e, em alguns casos, resumos e comentários) e permite a busca por qualquer uma dessas entradas: autor, título, palavrachave e pesquisa livre (qualquer dos campos) ou diferentes combinações dessas entradas.
Além disso, foi criado um "Vocabulário Controlado" da área, com um índice dos termos utilizados como palavras-chave, organizado hierarquicamente por temas, quer de educação, de ensino de física propriamente ou da estrutura conceitual da física. De modo que, em conjunto, esses temas compõem e possibilitam a visualização de um mapeamento da área de ensino de física, orientando a pesquisa e situando-a em um campo de interesses.
São publicações catalogadas no ENFIS: artigos de periódicos da área de Ensino de Física, Ensino de Ciências ou Educação, dissertações e teses produzidas na área em todo o Brasil, desde a década de 70, livros que abrangem temas de Educação e Ciências ou específicos de Ensino de Física, algumas antigas apostilas didáticas de Física e artigos de circulação restrita. Conta, atualmente com cerca de 2.500 registros.
## FISBIT
No caso do FISBIT, além dos mesmos tipos de campo para catalogação bibliográfica que constituem a base de dados do ENFIS, foi também criado um sistema de busca que associa grandes temas ou assuntos a palavras-chave. Ao escolher um dado tema são apresentadas as diversas palavras-chave a ele associadas ou, ao selecionar uma palavra-chave, são apresentados os temas a que está relacionada. Tal estrutura permite ampliar os horizontes de quem faz a pesquisa, abrindo possibilidades e fornecendo alternativas diversificadas relacionadas ao seu interesse inicial.
Os temas selecionados procuram situar as questões tratadas dentro de contextos mais amplos e não são definidos por uma lógica de classificação única, mas diversificada, contemplando tanto áreas da física ou interdisciplinares, enfoques e abordagens (como história e filosofia da ciência, ciência e sociedade, educação científica) temáticas do mundo contemporâneo (como meio ambiente e tecnologia) ou objetos de estudo e utilizações no ensino (como aparelhos e instrumentos ou objetos e fenômenos).
São publicações catalogadas nesse banco: artigos, notícias e perguntas de leitores de revistas de divulgação científica ou educacionais (Ciência Hoje, Ciência Hoje das Crianças, Superinteressante, Globo Ciência e Galileu, Nova Escola), livros de divulgação científica e paradidáticos, artigos de jornal). Conta, atualmente, com cerca de 3.700 registros.
## Disseminação e Atualização
A disseminação dos programas ENFIS e FISBIT, feita até recentemente através de disquetes, está hoje, sendo disponibilizada para consulta na Internet 2 . Ao mesmo tempo, esses bancos estão sendo reestruturados de forma que sua utilização torne-se mais "amigável" aos usuários. Ao lado disso, também está sendo feita uma revisão do
vocabulário de termos utilizados para busca visando a atualização da linguagem e das temáticas da educação e do ensino de física ao longo dos últimos anos.
Paralelamente a isso, está se buscando a parceria com instituições e projetos de desenvolvimento ou aperfeiçoamento de bancos de dados, acervos e outros programas semelhantes, que possibilite uma combinação e racionalização dos esforços nessa direção, ao mesmo tempo que facilite à comunidade da área de ensino de Física e de Ciências em geral, um acesso aos materiais disponíveis de um modo mais sistematizado e ágil.
## Conclusão
A experiência ao longo desses anos em que os bancos de referências ENFIS e FISBIT foram atualizados e utilizados mostra, por um lado, que de fato vêm suprindo as demandas apontadas e têm grande potencial de utilização, cada qual respondendo públicos e interesses diversificados.
O FISBIT, especialmente, tem se mostrado um rico material de referências para professores no atual momento em que a educação em geral, e o ensino de Ciências e de Física em particular, buscam novas respostas para uma escola que não vinha atendendo às necessidades de formação básica para a vida e cidadania, especialmente por contemplar temas e materiais contemporâneos.
De outro lado, também existem grandes limitações. Uma delas é o fato de que até o momento esses bancos são apenas de referências bibliográficas e, com poucas exceções (como respostas a perguntas de leitores, alguns resumos de teses e trabalhos), não contêm os respectivos textos, especialmente artigos e notícias de jornais e revistas. Essa é uma das perspectivas do Projeto, para a qual se pretende reproduzir, nos casos em que for possível, o conteúdo de publicações catalogadas ou remeter o usuário aos textos já disponíveis na Internet , além da elaboração de resumos e comentários.
Outra dificuldade que se coloca é a permanente atualização desses bancos, que requer, não apenas recursos humanos e materiais da equipe que ora o conduz, mas a contribuição sistemática de pessoas e instituições de todo o país com envio de materiais, referências e sugestões.
Verificamos, com essa experiência, que para responder a demanda existente por materiais e recursos que contribuam para o aperfeiçoamento do ensino, é necessário incentivar e institucionalizar sistemas, programas e acervos que visam orientar a pesquisa e recuperação de informações, propostas, trabalhos e publicações. E para isso, torna-se cada vez mais essencial a troca de experiências, a colaboração mútua entre pessoas e instituições que já desenvolvem ou pretendem desenvolver iniciativas como essa.
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