OFICINA DE ÓPTICA: O ENSINO DE FÍSICA VISTO SOB OUTRA PERSPECTIVA.
Leonardo Henrique Gouvêa, Eugenio Maria França Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 26/01/2005
- Linha de pesquisa
- Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
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## OFICINA DE ÓPTICA: O ENSINO DE FÍSICA VISTO SOB OUTRA PERSPECTIVA 1
Leonardo Henrique Gouvêa [leo@fisico.zzn.com] a Eugenio Maria de França Ramos [eugenior@rc.unesp.br b ]
b
a Licenciatura em Física - IGCE - UNESP Campus de Rio Claro
Departamento de Educação - Instituto de Biociências - UNESP - Campus de Rio Claro
## RESUMO
Descrevemos o trabalho desenvolvido no âmbito do Projeto Oficina e Experimentoteca para o Ensino de Física e compreende a seleção e construção de experimentos de baixo custo, para o Ensino de Física, por meio da realização de oficinas de construção de material didático experimental. Neste trabalho apresentaremos particularmente instrumentos didáticos que enfocam o tema Óptica. As oficinas mencionadas ocorreram na EE Profº João Baptista Leme, uma escola da Rede Estadual de Ensino Público da cidade de Rio Claro/SP e visaram aproximar o conhecimento da Física dos alunos do Ensino Médio.
## INTRODUÇÃO
Este trabalho é parcialmente baseado no Projeto de implementação de uma Oficina de Construção de material didático experimental e na organização de uma Biblioteca de Experimentos, em uma Escola da Rede Pública Estadual, da cidade de Rio Claro / SP (Projeto Oficina e Experimentoteca para o Ensino de Física - Núcleo de Ensino - PROGRAD)
As atividades aqui enfocada (Oficina de Construção de Experimentos com alunos) foram desenvolvidas com o trabalho do bolsista do projeto (Leonardo Henrique Gouvêa), que acompanhou e orientou os trabalhos de um grupo de alunos de 2º e 3º ano do Ensino Médio
Este grupo era formado no início do projeto (março) quinze alunos mas, durante o ano, se estabilizou com dez alunos
Foram realizados encontros semanais que ocorreram às 4ºfeiras, das 15 às 17 horas, durante os meses de março à outubro, exceto no período de recesso de julho. Este horário foi proposto para não prejudicar o horário de aulas, ou seja, os alunos freqüentavam aulas no período da manhã e a Oficina no período da tarde.
As atividades foram compostas por: (a) Construção e uso de experimentos didáticos; (b) Elaboração de roteiros para montagem desses experimentos; (c) Com essas atividades os alunos foram solicitado a formular hipóteses e discutir a respeito da Física envolvida nos experimentos.
Neste trabalho apresentamos alguns dos trabalhos desenvolvidos com o tema Óptica, que foram focalizados no primeiro bimestre da execução do projeto.
## OFICINA
A maior parte das atividades foi desenvolvida na forma de oficinas de construção de material experimental. Uma importante característica da Oficina, é a possibilidade de manuseio dos experimentos pelo aluno, tornando o equipamento experimental familiar. Com isso elimina-se possíveis intimidações que um equipamento convencional poderia causar, no que diz respeito à danificar ou desregular o mesmo
Para construção do experimento não havia um roteiro rígido com passos pré-determinados, partiu-se de alguns protótipos e sua reprodução. Entretanto a idéia não é apenas reproduzir, pois os alunos tinham liberdade de fazer modificações que poderiam eventualmente levar a situações problemas diversas. Dessa forma era possível enriquecer as discussões e aprendizado da Física no experimento, formulando hipóteses quanto a variações e suas implicações.
Outro ponto essencial é a despreocupação quanto a memorização de fórmulas e resolução de exercícios, a Física aparece como parte da vida real e não apenas como teoria distante.
## EXPERIMENTOS NO ENSINO DE FÍSICA
Por meio da construção de experimentos os alunos enfrentam desafios, tanto no processo de construção em si, como no entendimento do porque o experimento funciona ou, até mesmo, porque não funciona como esperado e o que deve ser modificado. Com essa interação cria-se uma relação lúdica frente ao conhecimento (Ramos, 1990), oportunidade em que o aluno poderá apreender o conhecimento teórico sobre os materiais construídos
Em pesquisa anterior (Ramos, 1997) foi possível identificar que o uso de atividades experimentais pode envolver diferentes barreiras como:
- √ a quantidade de alunos
- √ a falta de preparação e o medo de alguma coisa não dar certo
- √ a falta de material
- √ a falta de tempo para preparação dos experimentos
- √ a disciplina dos alunos
Percebe-se que a simples valorização das atividades experimentais no ensino não significa automaticamente no enfrentamento destas barreiras.
Estas barreiras são enfrentadas de maneira diferenciada (são consideradas intransponíveis ou não) quando o professor acredita que o experimento possa beneficiar o trabalho didático com o Ensino de Ciências
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
- O conjunto de experimentos montados na Oficina estão reunidos, junto com outros protótipos elaborados no Projeto, em uma Biblioteca de Experimentos no Laboratório Didático de Física da própria escola
Foram coletados depoimentos espontâneos durante o ano de 2003, quando das realizações das oficinas. Estas observações e depoimentos permitiram analisar a influência da construção e uso de experimentos no ensino de Física e constatar que:
- · Nem todas os professores utilizam atividades didáticas experimentais
- · As aulas teóricas são descritas como chatas
- · Observou-se que os alunos que participaram da Oficina:
- · apresentaram um melhor envolvimento no trabalho com a Física
- · passaram a ter um desempenho mais destacado em sala de aula
- · (alguns dos alunos) passaram a auxiliar colegas e professores em atividades didáticas em sala de aula
- · tiveram participação ativa em outras atividades como o uso da Biblioteca de Experimentos por professores e a organização da outras atividades curriculares - tais como a Física na Praça (durante a Semana de Geociências) e a atividade cultural aberta da própria escola (Casa Aberta)
## BIBLIOGRAFIA
Gaspar, A. Experiências de ciências para o 1o grau. 3a ed. São Paulo: Ática, 1995.
Grupo de Reelaboração do Ensino de Física. Física 3: Eletromagnestimo/GREF. São Paulo: EDUSP, 1995. 438 p.
Okuno, Emico et all. Física para ciências biológicas e biomédicas. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1982. 490 p.
Ramos, E. M. de F. A circunstância e a imaginação: o ensino de ciências, a experimentação e o lúdico - estudo de crenças, idéias e perspectivas de professoras de 1a a 4a série de 1o grau. São Paulo, 1997. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
Ramos, E. M. de F. Brinquedos e jogos no ensino de física. São Paulo, 1990. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências: modalidade Física) - Instituto de Física e Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
São Paulo (Estado), SE, CENP, Proposta Curricular para o Ensino de Ciências e Programas de Saúde, 1º Grau, São Paulo: CENP, 1988.
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