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A Importância do Intercâmbio de Estudantes de Graduação Estrangeiros e Brasileiros no ensino da Física - Experiência no IF/UERJ

Raul José Da Silva Câmara Maurício Da Fonseca

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação (Física, Engenharias, Química, Biologia, Arquitetura, Arte, Etc.)
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A IMPORTÂNCIA DO INTERCÂMBIO DE ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO ESTRANGEIROS E BRASILEIROS NO ENSINO DA FÍSICA - EXPERIÊNCIA DO DEQ/UERJ

## R. J. M. da Fonseca [rauljose@uerj.br] a

a Departamento de Eletrônica Quântica - Instituto de Física - UERJ - Rua São Francisco Xavier, 524 - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ

## RESUMO

Fato extremamente comum entre as universidades dos países desenvolvidos, e mesmo em certos países em desenvolvimento, o intercâmbio de estudantes estrangeiros com alunos brasileiros durante o curso de Física ainda é extremamente incipiente. Apresentamos aqui a experiência recentemente desenvolvida pelo Departamento de Eletrônica Quântica (DEQ) do Instituto de Física da UERJ. A colaboração com as instituições estrangeiras não envolveu nenhum custo para a instituição que recebe os estudantes. Mostramos que, apesar de ainda estar em uma fase inicial, tal processo traz benefícios extremamente interessantes para ambos os lados, tanto do ponto de vista científico como educacional. Verificamos que o trabalho desenvolvido por estes estudantes estrangeiros que realizaram o estágio em nosso departamento estimula os alunos do curso de graduação que interagiram com eles.

## INTRODUÇÃO

O intercâmbio de estudantes de diferentes países durante o curso de graduação é um fato extremamente comum nas universidades européias e americanas. Entretanto, este tipo de experiência, ou seja, a vinda de alunos estrangeiros para realizarem estágios em universidades brasileiras e vice-versa, ainda é extremamente incipiente. Em geral, ela fica restrita ao nível de pósgraduação, principalmente no doutorado, assim mesmo dentro de um projeto de troca de pesquisadores de grupos de pesquisa específicos. O quadro piora ainda mais, quando analisamos, a ida de estudantes brasileiros dos cursos de graduação em Física nas universidades públicas para realizar um estágio de curta duração no exterior, o que é praticamente inexistente. Nos últimos dois anos, o Departamento de Eletrônica Quântica (DEQ) do Instituto de Física da UERJ tem estimulado este tipo de iniciativa acreditando que pode trazer vantagens tanto do ponto de vista científico como educacional dos cursos de bacharelado e licenciatura. Ao longo deste trabalho, descreveremos, resumidamente, as pesquisas desenvolvidas pelos estudantes recebidos nos últimos semestres, o tipo de colaboração, custos envolvidos para a vinda destes estudantes e as vantagens e motivações para os alunos do curso de Física.

## OS CONVÊNIOS REALIZADOS

No início do ano de 2003 foram realizados diversos contatos com a Universidade Montpellier II (UMII) pelo autor deste trabalho visando estabelecer uma convenção de estágio entre o Instituto de Física e a universidade francesa, mais especificamente com o Institut Universitaire de Technologie de Montpellier (IUT). As conversações com a universidade estrangeira foram feitas com o serviço de relações internacionais da mesma. Da parte francesa este tipo de convenção é bem

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comum pois, em geral ela é estabelecida com os outros países, principalmente europeus, países francófanos, Estados Unidos e Canadá (vide site do programa ERASMUS 1 , por exemplo). Com a América Latina tal tipo de colaboração praticamente não existe, sendo apenas difundida um pouco mais no México. Embora tenhamos contatado uma universidade francesa, o mesmo tipo de intercâmbio se aplicaria para a maioria das universidades sediadas em outros países da Europa.

O texto do convênio 2 é bem simples (não ultrapassa duas folhas), prevendo as responsabilidades de ambas as instituições, sendo que o 'acordo' é dado pelos chefes de departamentos das instituições envolvidas, ou seja, neste caso o chefe do DEQ e o Diretor da IUT. No geral o estágio tem uma duração entre dois e cinco meses e faz parte dos estudos envolvidos para a obtenção do Diploma pelo estudante estrangeiro. Uma ênfase importante é dada aos objetivos principais do estágio os quais são permitir ao estudante estar em contato com um mundo de trabalho diferente daquele que ele conhece no seu país de origem e assegurar a aplicação do ensino seguido pelo estudante em sua instituição de origem. Tais objetivos mostram ao mesmo tempo a importância de abrir os horizontes do estagiário para as realidades sociais e humanas do país que o acolhe e a necessidade de se aperfeiçoar fora da universidade de origem, por mais eficiente que sejam o quadro profissional e técnico e as condições laboratoriais. Do ponto de vista financeiro, o custo para a instituição que recebe o estudante é nulo. O convênio francês afirma que o estudante não poderá receber salários, sendo que a instituição acolhedora, se quiser, poderá tomar iniciativas para facilitar o alojamento e a vida do estudante durante o estágio (prever salas, equipamento, micro-computador, etc. para o estagiário). Por sua vez, a instituição de origem providencia os seguros necessários, ou seja, saúde, repatriamento, seguro trabalho e de responsabilidade civil que terá a duração pelo período previsto no estágio. Finalmente, quando retorna a instituição de origem o estudante deverá apresentar um relatório de estágio que terá o acordo do responsável pelo estudante no país acolhedor. Dentro do escopo deste convênio recebemos dois estudantes franceses, um no primeiro semestre de 2003 e outro no primeiro semestre de 2004. Na verdade o sucesso da primeira experiência motivou a continuidade do processo. O primeiro aluno veio para um período de 4 meses e o segundo por três meses.

Uma outra experiência foi iniciada no primeiro semestre de 2004, onde contatamos o IAESTE Brasil , um órgão voltado para a troca de estudantes entre a Alemanha e o Brasil. O 3 sistema é similar ao descrito acima, sendo que, o contato é feito inicialmente pelo IAESTE com o estudante que mais se enquadra no projeto de trabalho proposto e nas condições exigidas, tais como, fluência na língua, curso seguido na universidade de origem, treinamento anterior no tipo de trabalho, etc. A instituição acolhedora pode ou não, neste caso, fornecer uma bolsa no período do estágio. Por sua vez, o IAESTE é responsável pelo alojamento do estudante. Por sua vez, o estudante estrangeiro pode receber uma ajuda de custo para pagar a passagem da sua universidade de origem. Através desta instituição recebemos uma estagiária da Universidade de Heidelberg que faz Bacharelado em Física.

## TRABALHOS DESENVOLVIDOS E INTERAÇÃO UNIVERSITÁRIA

O primeiro estudante francês desenvolveu um trabalho de pesquisa voltado para a área de detetores ópticos na faixa do visível usados em medidas de fluorescência, excitação de fluorescência e absorção. Durante o desenvolvimento do seu trabalho, ele interagiu com os outros alunos de iniciação científica, técnicos das oficinas, professores e pessoal administrativo. A simples presença do estudante representava um estímulo para o trabalho dos outros alunos. As trocas de experiências pessoais, pois o curso do estudante estrangeiro era mais voltado para área da Engenharia permitiu uma interface maior com os alunos de Física realizando trabalhos na área

experimental. Embora este aluno tivesse pouquíssimo conhecimento da língua portuguesa, tal fato não foi uma barreira para o desenvolvimento da pesquisa. Além do trabalho de caráter científico, naturalmente ocorreu uma interação social, permitindo o bom andamento do grupo de pesquisa. As diferenças entre as realidades sócio-culturais dos dois países foram fatores de aglutinamento, pois procurou-se estimular a curiosidade entre os colegas. Os dois outros estudantes tiveram o mesmo sucesso na empreitada deles. O segundo estudante francês desenvolveu um trabalho voltado para o estudo da influência das bolhas de ar sobre a propagação da o nda acústica na água 4 . Seu trabalho foi tão proveitoso que permitiu, inclusive, estabelecer uma linha de pesquisa para futuros estudantes do curso de graduação em Física da UERJ. Finalmente, a estudante alemã realizou um trabalho teórico, voltado para a influência do campo cristalino sobre os espectros ópticos de redes óxidas e de fluoretos dopadas com metais de transição. Esta estudante apresentou uma vantagem em relação aos dois primeiros, pois era fluente na língua portuguesa. Nestes dois casos, a interação com o grupo de pesquisa também foi forte, permitindo tirar resultados proveitosos para ambos os lados.

## VANTAGENS E DIFICULDADES DO PROCESSO DE INTERCÂMBIO

Embora o processo aberto pelo DEQ para a vinda de estudantes estrangeiros ainda esteja em uma fase inicial, já podemos averiguar certas vantagens e dificuldades observadas, como seguem na tabela abaixo:

As quatro primeiras vantagens já foram mencionadas acima. Por sua vez, a última das apresentadas na tabela se refere ao fato destes convênios fazerem parte da formação acadêmica dos alunos de graduação, sendo mesmo previstos na grade curricular. O convênio poderia ser desenvolvido de modo a parte das notas ou do trabalho realizado no exterior ser aproveitado para as disciplinas existentes na universidade brasileira. Isto daria aos alunos brasileiros uma maior experiência quando eles necessitarem ir a uma universidade no exterior para desenvolver parte do seu projeto de pós-graduação. Do ponto de vista da Licenciatura em Física, seria de extrema importância pois daria uma oportunidade única do estudante conviver com metodologias diferentes de Ensino.

As dificuldades apresentadas podem ser divididas em duas partes: aquelas relativas a universidade brasileira e, em geral, as limitações sócio-econômicas dos alunos brasileiros,

principalmente do curso de Física, para realizarem tais viagens. Todas as dificuldades apresentadas podem ser contornadas. No caso da UERJ, existem cursos gratuitos de diversas línguas para os alunos dos cursos de Graduação. Este problema se reflete, principalmente, quando o aluno brasileiro vai para um país onde a língua oficial não seja o inglês. Em relação aos estudantes estrangeiros, em geral, estes tem mais familiaridades com duas ou mais línguas, mesmo que não seja o português, o que facilita a comunicação deles. Quanto ao calendário acadêmico, o estágio fica restrito, principalmente ao período entre março e julho, ou seja, o primeiro semestre letivo aqui. A não ser que seja estabelecido um convênio de equivalência de diplomas, permitindo assim a vinda do estudante por um período de um ano (dois semestres). Isto seria importante para o estudante brasileiro, que cursaria o ano universitário no hemisfério norte, sem ter problemas de atraso acadêmico. A diferença entre os sistemas universitários brasileiros e estrangeiros podem dificultar a existência de bolsas oficiais. Por exemplo, a França que tinha um sistema extremamente diferente do sistema brasileiro, fez uma reforma educacional (vide site ) que o tornou bem próximo do nosso. 5 Claro que ambos os sistemas necessitam de adequação, ou via reforma, o que é mais difícil, ou via um convênio prevendo equivalência de disciplinas cursadas e estágios prático-teóricos realizados, o que é bem mais fácil. Estes convênios poderiam prever a existência de bolsas parciais que cubram os custos de viagem do estudante diminuindo assim as despesas pessoais dos estudantes brasileiros. Do mesmo modo, a utilização de órgãos de intercâmbio, como o IAESTE, facilita a ida de um estudante brasileiro para o exterior, encontrando alojamento a baixo custo e bolsa para o estudante brasileiro. As dificuldades financeiras por parte das instituições, poderiam ser resolvidas se as instituições de fomento brasileiras ao menos pagassem integralmente ou parcialmente os seguros e passagem para o período de estágio dos estudantes brasileiros no exterior.

## CONCLUSÕES

Da experiência iniciada no DEQ/IF/UERJ, fica claro o grande proveito que os alunos conseguem ter pela convivência com os estudantes estrangeiros. O principal resultado é o ânimo e motivação que eles tem por vislumbrarem a possibilidade de participarem de um intercâmbio. Mesmo que numa etapa inicial isto venha a se realizar durante a pós-graduação, os benefícios obtidos são extremamente importantes, melhorando seu desempenho nas disciplinas da grade curricular e inclusive estimulando os alunos a estudarem outras disciplinas fora da grade. O procedimento para elaborar um convênio não é muito difícil e permite o acolhimento dos estrangeiros rapidamente. A contrapartida brasileira requer um pouco mais de tempo, visto as limitações financeiras e o fato de não termos ainda estes estágios previstos na nossa grade curricular, de modo a não prejudicar o aluno brasileiro.

## Referências

- 1 'Programme ERASMUS MUNDUS'. Este site fornece informações sobre intercâmbio de estudantes e bolsas de estudo na Comunidade Européia Disponível em http://europa.eu.int/comm/education/programmes/mundus/call\_en.html. Acesso em 25/10/2004
- 2 'Convention de stage entre un établissement d'enseignement étranger et l'Institut Universitaire de Technologie de Montpellier (IUT)' -Estágios com estudantes da Université Montpellier II. Disponível em http://www.iutmontp.univ-montp2.fr/. Acesso em 20/10/2004
- 3 IAESTE Brasil - Disponível em http://www.ci.com.br . Oferece estágios em mais de 70 países. Acesso em 04/11/2004
- 4 D. Martin, 'Etude de l'influence des bulles d'air sur la propagation d'onde acoustique dans l'eau' - relatório de estágio - IF/UERJ - IUT/Montpellier II, 2004.
- 5 Site do Ministério da Educação da França -Disponível em http://www.education.gouv.fr/index.php . Acesso em 04/11/2004

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.