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IMPORTÂNCIA E UTILIZAÇÃO DO LABORATÓRIO DIDÁTICO NA VISÃO DE ALUNOS INGRESSANTES DA UNESP/BAURU

Nádia Alves Grandini, Carlos Roberto Grandini

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação (Física, Engenharias, Química, Biologia, Arquitetura, Arte, Etc.)
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## IMPORTÂNCIA E UTILIZAÇÃO DO LABORATÓRIO DIDÁTICO NA VISÃO DE ALUNOS INGRESSANTES DA UNESP/BAURU

a

Nádia Alves Grandini [nadiag@uol.com.br] Carlos Roberto Grandini [betog@fc.unesp.br] b

a Universidade do Sagrado Coração, 17.011-160, Bauru, SP

Universidade Estadual Paulista, Departamento de Física, UNESP, 17.033-360, Bauru, SP

b

## RESUMO

Pode-se perceber ao longo da história que o Ensino de Ciências no Brasil não alcançou a devida importância como em alguns países europeus, que sempre investiram neste tipo de e nsino. Ainda hoje, sente-se a necessidade de mudanças para o Ensino de Ciências, especificamente com relação ao Ensino de Física no Ensino Médio e para tanto, faz-se necessário rever currículos e buscar ações mais localizadas e orientadas de acordo com o avanço crescente de conhecimentos das concepções alternativas de vários tópicos da Física por parte dos alunos, levando-se em conta as dificuldades específicas enfrentadas por eles no processo ensino-aprendizagem. Entretanto, pesquisas realizadas recentemente mostram que ainda há um elevado índice de professores do Ensino Médio, que não utilizam atividades práticas no processo ensino-aprendizagem, apesar de reconhecerem o importante papel do Laboratório, bem como sua imprescindível utilização no processo ensino-aprendizagem. Mediante esse quadro, foi realizado um estudo com 160 alunos dos cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica e Licenciatura em Física, recém chegados do Ensino Médio, que estão vivenciando atividades práticas em Laboratório no Ensino Superior. Os resultados mostram que apesar da maioria dos alunos não terem vivenciado atividades práticas no Ensino Médio, possuem uma certa noção do que é um Laboratório Didático e da sua importância e objetivo para o processo ensino-aprendizagem.

## INTRODUÇÃO

No decorrer da história, percebe-se que no Brasil o Ensino de Ciência não alcançou a devida importância e valor como aconteceu com a Itália, Inglaterra, Alemanha e França, que sempre investiram nesse tipo de ensino (DELIZOICOY, ANGOTTI, 1990). Aqui, diferente dos países europeus, preocupou-se apenas com o conhecimento para a utilização das tecnologias, visando o desenvolvimento do projeto econômico do país, com interesse político de ordem desenvolvimentista e não no sentido de despertar a curiosidade, criatividade, apreensão de conhecimentos e o desenvolvimento da reflexão crítica do educando, bem como de exercer sua cidadania, que é o que vemos como proposta nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1997), para o Ensino de Ciências.

Diante desse fato, sente-se a necessidade de mudanças para o Ensino de Ciências, especificamente com relação ao Ensino de Física, que é o nosso foco de estudo. Para tanto, faz-se necessário rever currículos, buscando ações mais localizadas e orientadas de acordo com o avanço crescente de conhecimentos das concepções alternativas de vários tópicos da Física por parte dos alunos, levando-se em conta as dificuldades específicas enfrentadas por eles no processo ensinoaprendizagem (BORGES, 2002). Visando a elaboração de bons currículos e um ensino efetivo, os professores deveriam ter claros os objetivos que derivam dos gerais, na perspectiva de elaborar

atividades adequadas para abordar temas específicos. Também se espera que o professor possua habilidades específicas para o ensino desses temas, diferente das aulas teóricas (HODSON, 1996).

Nas Universidades Brasileiras constata-se que alguns educadores ainda dedicam-se mais às teorias, contudo o laboratório já possui seu espaço dentro das Ciências, mais especificamente na Física, que tem dado ênfase significativa a este tipo de ensino, o que não ocorre no Ensino Médio. Segundo estudos realizados por Hernandes et al. (2000), os professores do Ensino Médio reconhecem o importante papel do laboratório, dizendo ser imprescindível sua utilização no processo ensino-aprendizagem, porém o índice de professores que não realizam nenhuma atividade experimental em sua prática é elevado. Diante deste quadro, sentiu-se a necessidade de realizar um estudo junto aos alunos recém chegados do Ensino Médio e que estão vivenciando experiências em laboratório no Ensino Superior, visando obter informações a respeito do nível de entendimento destes alunos com relação ao Laboratório Didático.

## O LABORATÓRIO DIDÁTICO

Segundo Ferreira (1978), os principais tipos de Laboratório Didático são: o Laboratório de Demonstração , onde o aluno praticamente não se envolve com o processo e com os equipamentos, apenas observa e acompanha todas as etapas de raciocínio lógico no decorrer da apresentação efetuada somente pelo professor; o Laboratório Tradicional, onde o aluno tem a possibilidade de desenvolver habilidades específicas no manuseio de equipamentos, bem como a obtenção e análises de dados, podendo também verificar leis ou fenômenos, etc.; o Laboratório Divergente, onde um cronograma é estabelecido pelo professor para ser desenvolvido pelo aluno, que deverá já ter adquirido determinadas habilidades experimentais e conhecimentos, podendo assim, ter condições de escolher um assunto do seu interesse para estudar; o Laboratório Aberto ou Laboratório de Projetos, que são semelhantes ao Laboratório Divergente e deverão ter um cronograma préestabelecido, onde o aluno é quem decidirá mediante sua disponibilidade como será o cumprimento dos objetivos pré-estabelecidos pelo professor e para tanto, se faz necessária a disponibilização dos equipamentos, bem como a orientação especifica de um monitor ou do professor. No Laboratório de Projetos, o aluno além de elaborar o cronograma de tarefas, escolherá o assunto de seu interesse, bem como as estratégias a serem utilizadas na abordagem do tema escolhido.

## METODOLOGIA

A presente pesquisa foi realizada no ano de 2004, com 160 alunos ingressantes nos cursos de Licenciatura em Física, Engenharia Mecânica, Engenharia Civil e Engenharia Elétrica da UNESP-Campus de Bauru, recém chegados do Ensino Médio. Os dados foram obtidos através da aplicação de um questionário, onde se buscou traçar um perfil desses alunos, sua formação no Ensino Médio e o nível de entendimento dos mesmos em relação ao Ensino de Laboratório. Foi solicitado aos alunos o preenchimento voluntário do questionário e dos 180 alunos no total de 9 turmas, 160 alunos aceitaram responder. No questionário aplicado, foram consideradas questões abertas, com múltipla escolha e questões fechadas com somente uma resposta, além de questões associando o ensino de laboratório aos tipos de Laboratório Didático propostos por Ferreira (1978).

## RESULTADOS E ANÁLISES

Do total de 160 alunos que responderam o questionário, 23,8% são alunos do Curso de Engenharia Elétrica; 33,1% do Curso de Engenharia Civil: 20% são do Curso de Mecânica e 23,1% do Curso de Licenciatura em Física. Desses alunos, 39,4% cursaram o Ensino Médio em Bauru e

Região; 16,9% na Grande São Paulo; 41,9% em outra região do Estado de São Paulo; 1,3% fora do Estado de São Paulo e 0,5% não responderam esta questão. Com relação ao Ensino Médio, 71,3% cursaram em escola particular e 28,7% em escola pública. Com relação à aulas práticas, 65,6% só tiveram aulas teóricas no Ensino Médio e 34,4% tiveram aulas teóricas e práticas. Para aqueles que não tiveram aulas práticas, 2,7% responderam que isto ocorreu por falta de qualificação do professor; 17,9% por falta de espaço adequado; 28,4 por falta de equipamentos e 11,4% porque a escola possuía local com equipamentos, mas não era utilizado. Foi perguntado aos alunos, considerando suas aulas práticas, se saberiam dizer o que é um Laboratório Didático, 12% disseram que são atividades diferentes da teórica, que não necessitam da existência de um local específico, mas da natureza dessas atividades; 84,6% que é um local onde se desenvolvem atividades para ilustrar o conteúdo ministrado em aulas teóricas; 9,3% que é um conjunto de atividades práticas incorporadas ao Ensino de Ciências e 4,9% não responderam esta questão. Mediante as definições dos quatro tipos de Laboratório Didático mais utilizados segundo Ferreira (1978), solicitou-se assinalar o que mais se aproximasse ao tipo de laboratório onde desenvolveu suas atividades práticas no Ensino Médio. Assim, dos alunos que responderam esta questão, 15,6% responderam Laboratório de Demonstração: 10% Laboratório Aberto; 31,9 % Laboratório Tradicional e 39,4% nenhum dos tipos. Solicitou-se aos alunos que assinalassem dentre as alternativas, que segundo seu entendimento determina(m) que as atividades práticas devem fazer parte do Ensino de Física no Ensino Médio: a) incentivam o aluno a conhecer, entender e aplicar a teoria na prática; b) ensinam conteúdo teórico não incluído nas aulas teóricas; c) treinam os alunos na interpretação dos dados experimentais; d) ensinam princípios e atitudes no trabalho experimental e e) treinam os alunos no preparo de relatórios escritos. De acordo com estas alternativas, 51,8% concordaram com todas; 29,4% somente com a e d; 13,8% com a, b, c e d; 0,6% com nenhuma das alternativas e 4,4% não responderam. Foi solicitado aos alunos, que assinalassem o(s) objetivo(s) que acreditassem nortear o Ensino de Laboratório. Assim, 14,6% assinalaram educação; 13,7% espírito de iniciativa; 42,1% aprendizagem; 28,3% ciência e 1,3% não responderam.

Diante destes resultados, percebe-se que poucos são os alunos que tiveram aulas práticas no Ensino Médio, pois 65,5% dos alunos consultados tiveram somente aulas teóricas e segundo a visão destes alunos, foi porque na escola não havia espaço adequado para o laboratório ou que na escola não haviam equipamentos e ainda, que a escola possuía local com equipamentos, mas não era utilizado. Outra questão que nos chama a atenção é que na visão de 84,6% dos alunos o Laboratório Didático é apenas um local para ilustrar o conteúdo ministrado em aulas teóricas, pois sabe-se que o Ensino de Laboratório não é só isto. Na visão dos alunos, o tipo de laboratório mais utilizados no Ensino Médio, foi Laboratório Tradicional, onde o aluno não tem conhecimento de todas as fases de um experimento, nem mesmo autonomia; seguido do Laboratório de Demonstração, onde na verdade o professor é o centro das atrações e o aluno somente um espectador e somente 10% dos alunos tiveram contato com o Laboratório Aberto, onde o aluno tem mais autonomia, bem como o professor, que passa a ser um orientador dos trabalhos. Nota-se que a maioria dos alunos reconhecem a importância das atividades práticas na aulas de Física, pois mais de 50% dos alunos responderam que o Laboratório Didático incentiva o aluno a conhecer, entender e aplicar a teoria na prática, ensinando conteúdo teórico não incluído nas aulas teóricas, bem como treinam os alunos na interpretação dos dados experimentais e no preparo de relatórios escritos, também ensinam princípios e atitudes no trabalho experimental. Nota-se também, que uma parcela significativa dos alunos tem noção da função do Laboratório Didático para o processo ensino - aprendizagem.

## CONCLUSÃO

Podemos concluir que apesar da maioria dos alunos não ter tido contato com atividades práticas em Laboratório, possuem uma boa noção do que é um Laboratório Didático, bem como da sua importância e objetivo no processo ensino -aprendizagem. Lamentavelmente o que

percebemos é que tanto escolas particulares e na maioria as públicas, bem como os professores, já que sabemos não necessitar de um local específico para o Ensino de Laboratório, não dão a devida importância e valor a este tipo de ensino, como podemos ver na literatura utilizada e agora comprovar.

## AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à UNESP/Bauru pela cessão de suas instalações para o desenvolvimento de trabalho e à FAPESP, pelo suporte financeiro.

## REFERÊNCIAS

BORGES, A.T. Novos Rumos para o Laboratório Escolar de Ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v 19, nº. 3: p 291-313, dez. 2002.

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J.A. Metodologia do Ensino de Ciências. São Paulo. Cortez, 1990, 207 p.

FERREIRA, N.C. Proposta de Laboratório para a Escola Brasileira: um ensaio sobre a instrumentalização no ensino médio de Física. São Paulo, 1978. 138 p. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Física - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo USP.

HERNANDES, C.L.; CLEMENT, L.; TERRAZAN, E.A. Concepções de Professores em Formação e em Exercício Sobre as Práticas Experimentais. In: 52ª Reunião Anual da SBPC - UNB, Brasília, DF, de 9 a 14 de jul. 2000.

HODSON, D. Pratical Work in Schools Science: Exploring some Directions for Change. International Journal of Science Education, v. 18, n°. 7: p 755-760, 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências. Brasília: MEC/SEF, 1997.

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