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30 anos de Fisica no Piaui - a consolidação de um modelo

Paulo Rômulo De Oliveira Frota, Miguel Arcanjo Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Pôster

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Texto completo

## 30 ANOS DE FISICA NO PIAUI - A CONSOLIDAÇÃO DE UM MODELO

Paulo Rômulo de Oliveira Frota [prf@unesc-rct-sc.br] a Miguel Arcanjo Costa [arcanjo@ufpi.br] b

a Universidade Do Extremo Sul Catarinense/ Universidade Federal do Piaui b Universidade Federal do Piaui

O Curso de Física da Universidade Federal do Piauí advém de um curso emergencial patrocinado pela Superintendência do desenvolvimento do Nordeste -SUDENE, na década de 70, como única forma de trazer para o Estado, mão de obra qualificada em Ciências Básica, mormente a Física e a Matemática, até então ensinada em nível secundário por leigos e formados em outras habilitações. Sofrendo duas modificações significativas durante todo este tempo, ao completar três décadas de existência, o curso consolida-se com uma licenciatura, um bacharelado e um projeto de Mestrado com inicio previsto para o ano que vem. Alem de formar e manter em qualificação 95% do seu pessoal docente, de colocar no mercado de trabalho quase duas centenas de professores, vem suprindo com pessoal qualificado em nível de mestrado e doutorado as Universidades Estaduais e CEFETS da região que abrange os Estado do Piauí, Maranhão e Ceará. O trabalho apresenta parte da epopéia da Física em um Estado marginal.

Palavras chaves: Licenciatura, Ensino, Física

## FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA

Introdução. O Curso de Física ( e matemática ) foi implantado com o objetivo precípuo de formar mão de obra qualificada para o ensino de ciências básicas em nível de segundo e terceiro graus (1), prevendo uma preparação para a abertura dos curso de engenharia que deveriam vir a seguir, passos qualificados para um desenvolvimento tecnológico que se queria implementar na década de setenta, no Estado do Piauí, até então de vocação agropastoril extensiva. Todos os professores foram requisitados fora, inclusive o único piauiense - Carlos Burlamaque -engenheiro, que ainda permanece na ativa, juntamente Antonio Macedo de Santana - Físico -, remanescentes dos fundadores advindos do Ceará.

Durante muito tempo o curso permaneceu como uma entidade engessada, misto de bacharelado com licenciatura, sem definição de uma linha a seguir. O departamento polariza os professores em dois grupos, um de conservadores, constituído por professores e que detem o poder da chefia e das comissões e outro grupo, formado por ex-alunos, agora professores, que desejam dar ao curso as feições de uma Licenciatura.

De inicio pensou-se traçar rumos para o desenvolvimento do Departamento e conseqüentemente do curso. A vocação natural seria a pós-graduação em Energia Solar, por motivos óbvios, resvalando depois para Física Isotópica, uma vez que o Estado é rico em águas subterrâneas. Sem uma política definida - pois desde aquela época até bem pouco tempo - muitos professores adotavam a imagem do funcionário público, estável, sem produtividade e avaliações de seus rendimentos enquanto docentes, agindo quase sempre por conta própria, apegados a um código de ética arcaico e protecionista, foram se qualificando de acordo com suas vontades e aptidões, esquecendo o filão da própria educação. Esta, sem dúvida, poderia ter sido a grande porta de saída para o desenvolvimento da Física no Piauí, principalmente para a Licenciatura em Física - apostar na educação tecnológica e de qualidade em um dos estados mais pobres da Federação.A Mecânica Estatística e o Estado Sólido , por se tratar de áreas que exigem poucos recurso vem definindo, hoje, a formação dos pesquisadores e constituindo-se, por agregação, os grupos de pesquisa.

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Até meados dos anos 80 tudo era imutável - o currículo, a grade curricular, as disciplinas e até mesmo o livro do Resnick, cujos manuais de solução, verdadeiros capas pretas eram guardados nas salas de docentes á sete chaves. A política de formação bacharelesca que era imposta ao aluno da licenciatura por parte do corpo docente, em que o conteúdo e apenas ele, era importante foi exaurindo seus objetivos, passando a Física a ser ministrada de forma totalmente teórica, pois os laboratórios sucatados fecharam as portas e os docentes alegavam falta de tempo para a montagem de novos - velhos - experimentos.

Condições históricas para a Reforma. Após assumirmos a chefia do departamento de Física e logo a seguir a Coordenação do Curso, por duas vezes, após promover e realizar grandes encontros mobilizadores da área, como o III Encontro sobre Ensino de Ciências do Piauí, o IV Simpósio de Ensino de Física do Nordeste, O IV Congresso Norte-Nordeste de Ensino de Ciências e Matemática - CENECIM, e de publicarmos vários trabalhos acerca das condições de trabalho, rendimento, evasão e repetência do curso (1) (2) (3), estávamos pronto para propor reformulações profundas no curso de Física, todavia aprovamos uma reforma tímida, o que discorda do projeto discutido durante o IX SNEF, de São Carlos em 1991(4).

Em 2000, retomamos a questão da reforma curricular e em 2001 aprovamos uma reforma radical.

Em primeiro lugar, os professores, conscientes de que uma reforma era urgentemente necessária, em função dos baixos indicadores alcançados pelo curso - notas do Provão, a lta evasão, grande repetência, vagas ociosas, quase ausência de alunos -, alinharam-se a um dos cursos Bacharelado ou Licenciatura - e assim constituímos dois grupos de professores, cada um dedicado a um segmento, com objetivos próprios e bem definidos. Os laboratórios foram divididos e criados os novos laboratórios da Licenciatura em função das novas disciplinas como Instrumentação para o Ensino de Física I, II e III, Eletrônica, Informática aplicada.

A licenciatura antes da reforma tinha como pontos de estrangulamento no início do curso as disciplina Calculo I e Álgebra Linear com altos índices de reprovação e conseqüente abandono destes alunos no semestre seguinte. No final do curso as disciplinas Funções Especiais da Física I, Eletromagnetismo I, Mecânica Clássica I..

Para sanar tais problemas criamos as disciplinas de Pré-Cálculo e Introdução ao Estudo da Física, disciplinas que visam recuperar os conteúdos de base para os estudos universitários e retiramos do currículo aquelas últimas, exclusivas do bacharelado, não impedindo os alunos de as cursarem como opcionais.

.Os professores que se dedicam á formação dos licenciados são amistosos e compreensíveis, hoje, com os alunos nas disciplinas iniciais como Introdução ao Estudo da Física e Pré-calculo, fazendo esforços redobrados para evitar a reprovação em massa e a conseqüente desistência dos alunos no segundo semestre letivo, fenômeno responsável pelos grandes índices de desistência no curso, antes da Reforma e da criação, portanto destas disciplinas. Um outro aspecto onde se pronuncia a melhoria das relações professor-aluno fica por conta das orientações, geralmente metodológicas, que são fornecidas os alunos visando um bom desempenho no Provão do MEC.

;Os laboratórios de Informática para o Ensino de Física e de Eletrônica, dentre outros, vieram trazer novo ânimo ao aluno da licenciatura, pela oportunidade de criar instrumental atualizado para utilização imediata em sala de aula do ensino Fundamental e Médio..

A Introdução do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, na Licenciatura, veio oportunizar momentos de reflexão na busca de soluções para as questões da práxis docente, do dia a dia da escola, da escolha mais efetiva do livro didático, da avaliação e relação entre professores e alunos, melhorando o grau de informação, política e destrezas na escrita e no discurso oral, dos que defendem o TCC..

Os alunos eram escassos, não havia um clima de universidade, uma ligação dos alunos com o espaço universitário, com o curso. Após a abertura da biblioteca setorial, da abertura dos laboratórios, os alunos começaram a freqüentar os espaços universitários destinados ao curso. Percebe-se um aumento significativo de matriculas por disciplinas a cada período. Muitos alunos

matriculam-se em até 30 créditos por semestre, 450 horas de aula, passando a 'viver' literalmente no curso..

Este contato diuturno aproxima professores e alunos e alunos-alunos, pois o convívio nos espaço -restaurante, cantina, biblioteca, salas de estudo, laboratórios, acaba facilitando um intercâmbio diário de informações que culmina com o conhecimento recíproco, o respeito e amizades definitivas.

- O contato estreito com os professores do Centro de Ciências da Educação contribuiu para que as disciplinas pedagógicas, da formação do licenciado, passassem a ter um novo significado na vida acadêmica e na formação dos licenciados. Os objetivos são claros e aqueles que fazem a licenciatura sabem da necessidade de cursarem as disciplinas pedagógicas e do real papel que elas cumprem como parte integrante de suas formações, deixando de vê-las como um apêndice, obrigatório e sem serventia, ao final do curso de Física.

Disciplinas como Informática aplicada ao Ensino de Física, Instrumentação para o Ensino I e II e III, Evolução Histórica da Física e o Trabalho de Conclusão de Curso, sempre abordando questões voltadas para o ensino de Física, acabam fornecendo uma nova identidade ao aluno, possibilitando-lhes momentos de reunião/reflexão para discutir os assuntos pertinentes á práxis escolar.

- A ampliação de bolsas de estudo/trabalho remuneradas, de Iniciação Cientifica do CNPq e de Monitoria, da própria Instituição tem sido outro fator relevante na manutenção dos índices de freqüência que se observa crescente no curso, hoje.
- Os ganhos .O curso conta hoje com 456 alunos, sendo 310 da licenciatura e 136 do bacharelado. Para atender a esta clientela, 23 professores, sendo 6 deles substitutos e apenas graduados. O corpo docente efetivo conta com 10 doutores, 5 mestres, 1 especialista e 1 graduado
- O fluxo de formandos era muito baixo, uma vez que os alunos da licenciatura faziam quase todo o bacharelado. Se antes, quando muito, formava-se 10 alunos por ano, este número subiu para 26 formandos/ano. É evidente que o bacharelado continua com a média antiga de 2, 3 alunos p or semestre.

Após a reforma em 2001, formamos 43 licenciados que estão no mercado de trabalho e 7 bacharelados, que como sempre, saíram para cursos de mestrado na Universidades federais do Ceara, Pernambuco e Alagoas. Este ano, em função da greve, está prevista a formação de um contingente de 24 licenciados.

Dos egressos, 11 são doutores, 19 são mestres, 5 fazem doutorado e 5 fazem mestrado atualmente. Este contingente está empregado em universidade e nas Escolas Técnicas, estaduais e federais.

- O TCC tem ajudado substancialmente na formação final dos estudantes, fornecendo momento para reflexão acerca de pequenos/grades problemas que envolvem a prática escolar, o dia a dia do profissional do ensino Fundamental e Médio, as questões que envolvem a avaliação do ensino, as relações entre professor e alunos... a Licenciatura tem ganho com a melhoria na linguagem de seus alunos, na desenvoltura nas discussões internas, no posicionamento nas salas de aula, com o fato de propiciar momento de análise científica a partir de uma ação planejada, na instrumentação das questões pontuais que dizem respeito direto ao futuro profissional - que se quer crítico e capaz de modificar, para melhor, o meio ambiente em que vive.

Foram apresentados 38 TCCs, dentre eles os temas escolhidos abordavam ' O Ensino de Física no contexto dos PCNs nas Escolas de Teresina; Uso do Computador no Ensino de Física das Escolas do Ensino Médio de Teresina; Simulações no Ensino de Física; Construção de imagens animadas em Mecânica; Utilização do Software Labview para resolução de problemas de Física -Mecânica; Uso da Biblioteca setorial do CCN pelos discentes do Curso de Física , dentre outros.

- O que se pode notar, e é visível - é o clima efervescente que existe hoje no Departamento, por parte dos alunos e professores. Atualmente vive-se o curso de Física mais intensamente, no sentido de existe uma conscientização do aluno e do professor, de seus papéis no curso e na sociedade.

- O curso, a partir dos professores tem saído dos muros da universidade e ido aos colégios, participado de feiras escolares, de mostras em praças publicas, em contato com a comunidade.Projetos como a Olimpíada de Piauiense de Física , que criamos como preparatória da Olimpíada Nacional, com premiações dos alunos melhores colocados, de seus professore e dos estabelecimentos escolares, tem tido papel importante na divulgação do curso junto ás escolas de Ensino Médio e a participação de alunos piauiense nas Olimpíadas Internacionais , tem propiciado um clima instigante e propício ao crescimento da clientela dos cursos de Licenciatura e Bacharelado, via vestibular.

## Referências.

- (1).FROTA, P.R. DE O. O Jubilamento e a licenciatura em ciências - o caso da UFPI . Quid. UFPI: , v.8, n.1/2, p.33 - 38 , 1989.
- (2).FROTA, P.R. DE O.Reforma curricular - Caminhos para uma licenciatura em crise.In:Carvalho, A. M.P (Org.) Atas do IX SNEF. São Carlos: SBF/USP, p.379/82, 1991.
- (3).FROTA, P.R. de O. & M SOBRINHO, J. A. C.A questão dos obstáculos no ensino de física - da identificação á superação. In: Anais da 49a Reunião Anual da SBPC/UFMG , v.II, p.690. 1997.
- (4)FROTA, P. R. O.O professor e o ensino de Física de 2o grau, do estado do Piaui In: Atas do VII SNEF/SBF, São Paulo, 1987
- (5)FROTA, P. R. O.Avaliação do Professor de Física da rede de 2º grau, a partir de comportamentos evidenciados em sala de aula. Revista Alcance. Univali, , v.VI, n.2, p.44 - 51 , 1999.
- (6)FROTA, P.R. DE O. Em busca de um novo paradigma para a formação de licenciados.em ciências. Revista Alcance/Univali, .(5)p.14 - 23 , 1998
- (7)FROTA, P. R. O., & M. JUNIOR, E. F.Avaliação do egresso da licenciatura em Física Atas do Encontro de Pesquisa em educação - 2000. Teresina-Pi., 2000..

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