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Capacitação de professores e o ensino de ótica na rede pública

Adilson Cardoso, Vitor A. Cappuccelli, Antônio S.M. Castro, Sueli L. Chiarle, Gláucia Grüninger Gomes Costa, Antonio F. Gonçalves, Benedito A.Corteze, Venera G. Guidotto, Doris Kohatsu, Kyoko Kubo, Sérgio Orsini, Emanuel Pacello, Roberto Scurachio, Wilson Roberto Gonçalves, M. Muramatsu, Tomaz Catunda

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES E O ENSINO DE ÓTICA NA REDE PÚBLICA

Adilson Cardoso a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Vitor A. Cappuccelli a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Antônio S.M. Castro a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Sueli L. Chiarle a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Gláucia Grüninger Gomes Costa b [gggc@terra.com.br]

Antonio F. Gonçalves a [ensino\_publico@yahoogroups.com]

Benedito A.Cortezea [ensino\_publico@yahoogroups.com] a

Venera G. Guidotto a [ensino\_publico@yahoogroups.com]

Doris Kohatsu c [ensino\_publico@yahoogroups.com]

Kyoko Kubo a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Sérgio Orsini a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Emanuel Pacello [ensino\_publico@yahoogroups.com ] a

Roberto Scurachio [ensino\_publico@yahoogroups.com ] a

Wilson Roberto Gonçalves a [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

M. Muramatsu d [ensino\_publico@yahoogroups.com ]

Tomaz Catunda [tomaz@if.sc.usp.br] b

a

Rede Estadual de Ensino de São Paulo

b IFSC - USP c Rede Particular de Ensino de São Paulo d

IF - USP

## RESUMO

Este projeto visa o desenvolvimento, em parceria com professores de escolas da rede pública de SP, de material didático para o ensino de ótica e noções de física moderna. Inicialmente, pretendíamos investigar as seguintes questões: quais os equipamentos básicos (de baixo custo) necessários para o ensino de ótica? Qual o impacto do uso de material experimental, através de demonstrações e experimento, no rendimento escolar? O que é mais importante ensinar dentro da ótica? A participação dos professores na elaboração do material melhora seu desempenho em sala de aula? Este projeto iniciouse em 1997 e continua em andamento com apoio da FAPESP, na modalidade Ensino Público, onde os p rofessores da rede recebem uma bolsa (de valor similar a uma bolsa de iniciação científica) para participar da equipe do projeto. Atualmente contamos com 12 bolsistas de várias cidades da grande S.Paulo e interior do Estado. Vários materiais didáticos experimentais foram desenvolvidos: trilho ótico, lousa ótica, caixa de cores, cuba de ondas, textos, etc. O material tem sido aplicado nas escolas e continuamente melhorado a partir dos resultados obtidos, que são discutidos por toda a equipe. Os resultados obtidos nas escolas onde os professores da equipe atuam têm sido excelentes. O projeto tem tido um grande impacto nestas escolas, alterando a visão dos professores da equipe e sua atuação. Esta mudança não fica restrita a ótica, ou aos conteúdos especificamente abordados no projeto, mas influencia todas suas atividades. Atualmente os equipamentos desenvolvidos estão disponíveis, por exemplo, na Estação Ciência em S.Paulo, a qualquer professor interessado através de empréstimo. Estamos melhorando o material de apoio, com preparação de manuais, roteiros, vídeos e um site projeto (http://www.ensino-optica.if.sc.usp.br). Além disso, a equipe tem usando o material desenvolvido em cursos de atualização para professores, não apenas de Física (ensino médio), mas também de ciências (ensino fundamental).

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## CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES E O ENSINO DE ÓTICA NA REDE PÚBLICA

Com o objetivo de desenvolver, em parceria com professores de escolas da rede pública de SP, material didático para o ensino de ótica e noções de fisica moderna, inicialmente, pretendíamos investigar as seguintes questões: quais os equipamentos básicos (de baixo custo) necessários para o ensino de ótica? Qual o impacto do uso de material experimental, através de demonstrações e experimento, no rendimento escolar?[3],[4],[5],[6],[7] O que é mais importante ensinar dentro da ótica?[1],[2] A participação dos professores na elaboração do material melhora seu desempenho em sala de aula?

Este projeto iniciou-se em 1997 e continua em andamento com apoio da FAPESP, na modalidade Ensino Público, onde os professores da rede recebem uma bolsa (de valor similar a uma bolsa de iniciação científica) para participar da equipe do projeto. Atualmente contamos com 12 bolsistas de várias cidades da grande S.Paulo e interior do Estado.

Vários materiais didáticos experimentais foram desenvolvidos: trilho ótico, lousa ótica, caixa de cores, cuba de ondas, textos, etc, e tem sido aplicado nas escolas e continuamente melhorado a partir dos resultados obtidos, que são discutidos por t oda a equipe, sempre levando em consideração a reformulação preconizada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que propõe um aprendizado útil à vida e ao trabalho através do desenvolvimento de habilidades básicas e competências específicas, de forma a levar a um conhecimento prático e contextualizado e que responda às necessidades da vida contemporânea.

Os resultados obtidos nas escolas onde os professores da equipe atuam têm sido excelentes. O projeto tem tido um grande impacto nestas escolas, alterando a visão dos professores da equipe[8] e sua atuação. Esta mudança não fica restrita a ótica, ou aos conteúdos específicamente abordados no projeto, mas influencia todas as suas atividades.

A melhor maneira de verificar a influência do projeto nos professores é ler alguns depoimentos, que reproduzimos a seguir:

"a mudança é brutal, o aluno participa, trabalha com os materiais e kits..." (Prof.1)

"Não sou mais aquele professor que apenas ministra o conceito para os alunos ...Mudei minha maneira de encarar o curso" (Prof.2).

"O trabalho conjunto realizado pela Universidade e os professores da Rede Pública é o caminho para uma melhoria real do ensino, onde os verdadeiros problemas são abordados e uma solução é pesquisada" (Prof.3).

Desta maneira, os resultados do projeto transcendem o conteúdo restrito da ótica, influenciando a atuação dos professores em todas as disciplinas. Por exemplo, o prof. 4 comenta que o projeto o inspirou a desenvolver atividades experimentais também para o ensino de Matemática, com excelentes resultados

O relato mais completo sobre a opinião dos alunos de ensino médio foi feito pelos professores 2 e 4 (que atuaram em conjunto), que transcreveram o depoimento de 34 alunos. Em geral eles ressaltam a alteração da didática em relação a tradicional, ressaltando o papel dos experimentos, da dinâmica de discussão em grupo e até mesmo do retroprojetar. Ou seja, apesar de ser uma ferramenta tradicional, o fato de dos alunos mencionarem o retroprojetor como uma novidade, indica que ele normalmente não é usado. (pelo menos na escola em questão). Os relatos não contêm só elogios, mas também algumas críticas ( "o senhor deveria ter mais paciência na hora de explicar, porque não nascemos sabendo" ) e são interessantes por serem bastante espontâneos, por exemplo:

"Física é uma matéria complicada, por isso acho que aprendemos melhor na prática, em experiências, do que na teoria" (Aluno 1);

- "...eu gostei também das perguntas que tínhamos que responder, pois com isso fazia nós termos nossa própria idéia primeiro, mesmo se ela tivesse errada" (Aluno 2); "Foi legal trabalhar com materiais diferentes e com tecnologia nova. Isso mostra que as aulas de antes já não são mais a mesmas de hoje ... o mundo evoluiu" (Aluno 3).

Os relatos revelam também que o aluno toma consciência da sua dificuldade de expressão

- "às vezes sabemos as respostas para as perguntas, mas ficamos confusos e na hora não conseguimos nos expressar"; ou "as respostas curtas não vinham"(Aluno 4).

Abaixo está reproduzida uma declaração de um aluno do Prof. 5, que demonstra que com os experimentos a facilidade de entendimento do conteúdo se torna maior:

- '...no espelho côncavo uma imagem real é invertida, quando a imagem estiver perto ela é menor e quando estiver longe é maior, essa foi a conclusão do experimento do professor. Essa aula foi uma aula interessante onde todos se interessam e onde que os objetos usados ajudaram muito nós a entender a matéria e ajudando também a introdução.'
- O Prof. 3 fez um interessante sumário sobre o efeito do projeto na sala de aula, que reproduzo a seguir:

## 'COMO OS ALUNOS VÊEM O ENSINO DE ÓPTICA'

- O trabalho com alunos do ensino médio da rede pública desde 1997, no desenvolvimento do estudo de óptica, propiciou o levantamento das seguintes questões:

## 1 - Dificuldades iniciais dos alunos

- a) encaram a física como uma disciplina difícil, distanciada da realidade e que exige a memorização de uma infinidade de fórmulas.
- b) não dominam as habilidades de cálculo: frações, operações com números decimais, geometria plana, razão e proporção.
- c) não conseguem entender os enunciados dos exercícios, principalmente quando os dados não são fornecidos de uma forma direta, e sim, através de contextualização de fatos e fenômenos.
- d) detestam leitura de gráficos.
- e) não tem habilidade de desenho geométrico, utilização de régua, medida de ângulos com o transferidor, etc.
- f) suas idéias sobre a luz são muito primitivas chegando a admitir que um raio de luz parte do olho do observador e atingem o objeto ( visão de raio X da televisão ).

## 2 - O que acontece durante o curso

- a) a vivência de laboratório precisa ser bem trabalhada. É necessário um aprendizado do que ver, prestar atenção nos detalhes, anotar os fatos, descrever o que está observando.

- b) detestam escrever relatórios.
- c) na maioria das vezes estão entrando em um laboratório pela primeira vez na vida.
- d) precisam ser treinados na utilização da régua, transferidor.
- e) os alunos ficam mais interessados nas aulas, comportam-se de forma melhor. Chegam a chamar a atenção em relação às aulas das demais disciplinas.
- f) mudam de comportamento em relação à física e à matemática. É uma boa hora para se planejar atividades envolvendo física e matemática.
- 3 - Ao final do curso:
- a) verificamos uma mudança de postura na observação das coisas e dos fatos.
- b) sua curiosidade está mais aguçada. Gostam dos detalhes.
- c) continuam detestando relatórios.
- d) adquirem uma certa intimidade com os cálculos.
- e) estranham muito esta conversa de "ciência exata", se nem sempre os cálculos estão precisamente corretos. Devagar, assimilam a idéia de medidas e erro.
- f) aprendem a utilizar régua e transferidor. O traço de seus desenhos melhora muito.
- g) Gostam de entender o funcionamento dos óculos, instrumentos ópticos em geral. Raios laser, luz negra, formação de cores.
- h) Passam a ver com outros olhos os fenômenos da natureza: arco-íris, céu, sol, lua, estrelas, nascer do sol, miragem.
- i) mudam de postura em relação aos estudos de modo geral."
- Os diretores de escola, também, têm recebido bem o projeto, uma diretora declarou, em carta:
- "...constatamos que o interesse dos alunos pelo assunto aumentou consideravelmente, promovendo até mesmo uma postura em sala de aula"... "aulas práticas e demonstrativas favorecem a aprendizagem dos alunos, constatada através das avaliações".

## A diretora conclui afirmando que

- "...o sucesso deste projeto pôde ser constatado não só pelo entusiasmo dos alunos, mas também pela manifestação dos pais, atentos às atividades desenvolvidas na escola".
- O Prof. desta escola relatou o porquê da diretora ter se interessado pelo projeto:
- "Esta carta ela escreveu depois que entrou na sala do 3° A (terceira série do ensino médio), a classe que ninguém conseguia lecionar ou realizar trabalho algum, era

terrível. Ela entrando na classe estranhou o silêncio e o empenho dos alunos nas tarefas sobre óptica que realizavam. Perguntando que sala era aquela ficou satisfeita e feliz ao ver que aquele era o famoso 3°A trabalhando em ordem e compenetrado no assunto da aula".

Atualmente os equipamentos desenvolvidos estão disponíveis, por exemplo na Estação Ciência em S.Paulo, a qualquer professor interessado através de empréstimo. Estamos melhorando o material de apoio, com preparação de manuais, roteiros, vídeos e um site projeto (http://www.ensino-optica.if.sc.usp.br). Além disso, a equipe tem usando o material desenvolvido em cursos de atualização para professores, não apenas de Física (ensino médio), mas também de ciências (ensino fundamental).

## Referências.

- [1] "L.C. McDermott, P.S. Shaffer and M.L. Rosenquist, 'Physics by Inquiry - Ab introduction to physics and the physical sciences', John Wiley & Sons, Inc., New Yourk, 1996 .
- [2] I. Vencato e A.V.A. Pinto, "Física Experimental II - eletromagnetismo e ótica", editora da UFSC, 1992.
- [3] D.P. dos Santos, "Física, dos experimentos a teoria", Ibrasa, São Paulo, 1977.
- [4] A.B. Arons, 'A guide to introductory physics teaching', John Wiley&Sons, Inc., New York, 1990.
- [5] W. Roth, C.J. McRobbie, K.B. Lucas and S. Boutonné, 'Why may students fail to learn from demonstrations ? A social practice prerspective on learning in physics', J. Res. in Science Teaching, 34 (1997) 509.
- [6] D.R. Sokoloff and R.K. Thornton, "Using Interactive Lecture Demonstrations to Creacte an Active Learning Enviroment", The Physics Teacher, vol. 35, Set. 1997, pp. 340-347.
- [7] P.W. Laws, "Whorkshop Physics", Johon Wiley&Sons, inc, New York.
- [8] Adilson Cardoso, D. Kohatsu, R.R. Rodrigues de Souza, M. Muramatsu, "O perfil do professor de Física", trabalho apresentado no Simpósio sobre Ciência e Ética: Novas Perspectivas da Educação, X reunião anual da Sociedade Brasileira de Pesquisadores Niquei (S.Paulo, SP, agosto de 2002)

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