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A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

Carlos Alberto De Oliveira Magalhães Júnior, Maurício Pietrocola Pinto De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

Carlos Alberto de Oliveira Magalhães Júnior (juniormagalhaes@hotmail.com) 1 Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira (mpietro@usp.br) 2

1 Aluno de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo e Professor da Universidade

Paranaense 2 Professor da Universidade de São Paulo

## INTRODUÇÃO

A história do ensino de ciências no ensino fundamental no país é muito recente, e o que se percebe é que a formação de professores desse nível de ensino, hoje, se apresenta pouco assumida pelas universidades brasileiras. Assim, vivemos num momento histórico que leva a educação brasileira a desempenhar baixíssimos resultados frente às outras nações. Em especial, podemos notar que o ensino de ciências passa, ainda, por situação bem pior, como indica Araripe (2003), quando revela que o ensino deficiente de ciências leva o país a última posição no PISA.

De acordo Krasilchik (1987), a disciplina de ciências passou a ser obrigatória no país só a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº. 4.024/61. No entanto a formação inicial de professores para esse nível de ensino só passou a ser discutida e realizada na década seguinte (de 70). Segundo Wortmann (2003), nessa década, o Conselho Federal de Educação (CFE) criticava as licenciaturas por suas especificidades, não sendo adequadas à formação de professores de ciências, sugerindo um modelo para uma ciência integrada. O modelo de currículo adotado para a formação de professores de ciências foi o de curta duração. No entanto, esse modelo foi posteriormente modificado, as licenciaturas científicas tornando-se plenas em uma das áreas das ciências. Ainda segundo Krasilchik, isso não proporcionou uma boa formação nem para o ensino fundamental e nem tão pouco para o ensino médio (Op. cit.).

Na década de 90, é promulgada mais uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de Nº. 9.394/96 que, dentro de vários avanços e objetivos, torna-se obrigatória a formação em nível superior de cursos plenos para profissionais da educação ( BRASIL, 1998). O fim dos cursos de licenciatura curta não resultou numa formação específica para os professores de ciências que atuam no Ensino Fundamental, sendo que a maior parte das universidades brasileiras preferiram continuar a formar professores em áreas específicas. Entretanto, Wortmann (2003, p. 142) relata que 'poucas análises feitas sobre o ensino em ciências no Brasil as têm considerado satisfatoriamente'.

Dessa forma, podemos perceber dentre esse processo histórico que o ensino de ciências no país é recente, e que passou e continua passando por diversas alterações. Entretanto, ainda hoje apresenta resultados insuficientes, levando-nos a considerar que um dos problemas está ligado ao modelo de formação dos professores, que oscila entre a especifidade disciplinar e a generalidade. Dessa maneira, questionamos qual é então a formação para o educador de ciências.

O Ensino de Ciências no nível fundamental é também conhecido como Ciências Naturais ou ainda designada como Ciências Físicas e Biológicas. As Ciências Físicas compreendem a Física, a Química, a Geologia e Astronomia. Já as Ciências Biológicas abrangem a Biologia Geral (Fisiologia e Anatomia), Botânica e Zoologia (ALMEIDA; OLIVEIRA, 1971; BRASIL, 1998a).

Além dos conteúdos específicos das áreas das ciências, em 1998, a Secretaria de Educação Fundamental através dos Parâmetros Curriculares Nacionais - Ciências Naturais, apresenta quatro eixos temáticos que norteiam o Ensino de Ciências: Terra e Universo, Vida e Ambiente, Ser Humano e Saúde, Tecnologia e Sociedade. No mesmo período, é lançado o PCN - Temas Transversais, que objetiva a educação para a cidadania dentro de uma realidade social, propondo dessa forma seis Temas Transversais a serem incluídos no currículo: Ética, Pluralidade Cultural, Meio Ambiente, Saúde, Orientação Sexual e, Trabalho e Consumo (BRASIL, 1998a; 1998b).

Neste aspecto, entendemos que a disciplina de ciências deva ser uma disciplina a 'reunir os conceitos oriundos das diferentes ciências de referência em uma nova e única disciplina', antes estudada em diferentes disciplinas (WORTMANN, 2003, p. 137).

Podemos perceber então, que o profissional que atua no ensino de ciências, está incumbido de trabalhar conteúdos específicos, que como vimos, abrange várias áreas das ciências, tendo que orientar-se pelos eixos norteadores, com também, trabalhar em seu currículo com os temas transversais.

Levando em questão o perfil generalista do ensino de ciências, nosso questionamento é se o professor formado, no curso de qualquer uma das áreas das ciências, está apto a lecionar Ciências do Ensino Fundamental? Hoje, sabe-se que para atuar em qualquer disciplina é exigida a formação específica na área, no entanto, para a disciplina de ciências é exigido ser portador de licenciatura plena em Ciências Biológicas ou História Natural, ou ser portador de licenciatura em Ciências, com habilitação em Física, ou em Química, ou em Biologia, ou em Matemática. No entanto, a partir da LDB de 1996, quando acabou-se com os cursos de Licenciaturas Curtas, percebemos que passaram a existir poucos cursos de Licenciatura Plena em Ciências e que por sua maioria os professores formados para essa disciplina provem dos cursos de Licenciatura Plena em Biologia.

No entanto, segundo Chassot (1990) apud Argüelo e Gimenes (1991),

As Licenciaturas Plenas em Biologia deixam a desejar, pois não se pode ensinar Ciências no primeiro grau centrando-se exclusivamente em fatos biológicos. As Plenas de Física ou de Química, habilitam para o segundo grau e não preparam para a docência do primeiro grau.

[...] É mais difícil lecionar Ciências no 1º Grau do que Química no 3º Grau. Nesta direção defendo uma melhor preparação de professores de Ciências para o 1º Grau.

Na 55ª reunião da SBPC, discutiu-se os principais problemas que envolvem o ensino de ciências no Brasil. Destacaram como um dos vetores dos atuais problemas, os tipos de formação aplicados aos educadores desta área, ressaltando que falta uma identidade na formação em Ciências, o qual identificam que em nosso país, os profissionais que são formados em outras áreas, acabam preparando-se automaticamente para ensinar ciência, o que é falso na visão do grupo (SBPC - Jornal da Ciência, 2003).

Em Parecer 81/85 do Conselho Federal de Educação - CFE, seu relator destaca que 'o Ensino de Iniciação às Ciências, exige um tipo de professor com formação global, e não de um especialista'.

Nesse sentido, ao pensar num currículo para formação de professores do ensino de ciências, logo temos que pensar na necessidade de mapear os conteúdos dessa disciplina, de tal maneira a formar um currículo com disciplinas relevantes e que propicie a integração entre os conteúdos e áreas específicas da ciência que está dentro da disciplina de ciências. É importante pensarmos num currículo interdisciplinar de formação de professores para esse ensino, levando o educando a construir um conhecimento global, não permitindo uma organização curricular fragmentada e compartimentalizada, pois de acordo com Fracalanza,

Amaral e Gouveia (1986, p. 120), 'o raciocínio sincrético da criança caracteriza-se pela percepção da totalidade do objeto, pela dificuldade em decompô-lo nas suas partes constituintes e em reconhecer as relações entre essas partes'.

Assim, acreditamos que devemos dar uma melhor atenção nos modelos de currículo para a formação desses professores, e também, analisar qual seria um modelo de currículo que contemple a formação de um professor que seja apto a trabalhar interdisciplinarmente com os conteúdos das diversas ciências no ensino fundamental.

## CONCLUSÃO

As considerações acerca do ensino de ciências, destacadas anteriormente apontam importantes aspectos que indicam a necessidade de pesquisa na formação de professores de ciências no contexto atual. Indicam também, a falta de qualidade em razão, dentre outros fatores, da formação do profissional dessa disciplina. Um dos fatores que influenciam negativamente no ensino de ciências é a falta de cursos de licenciatura que preparem os docentes para ministrarem boas aulas (KRASILCHIK, 1987). Neste contexto, o desafio que se coloca é repensar, com base nas característica generalista da disciplina ciências físicas e biológicas, a necessidade de gerar mais cursos com currículos especialmente adaptados à docências das ciências em nível fundamental (entendido de acordo com Krasilchik (2004) como uma proposta educacional feita por uma instituição que se responsabiliza por sua fundamentação e implementação). Existem apenas três cursos de Licenciatura em Ciências para o ensino fundamental, todos no Estado do Paraná, e um em implementação no Estado de São Paulo. Dessa forma, a melhoria da qualidade do ensino de ciências do ensino fundamental está intrinsecamente ligada à discussão da formação de professores em favor de uma comprometida alfabetização científica, que efetivamente permita o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para o desenvolvimento da cidadania.

Acompanhar através de pesquisas o processo de formação e a atuação dos profissionais oriundos desses cursos passa a ser importante para orientar o s debates envolvendo o ensino de ciências no país.

## REFERÊNCIAS

ALMEIDA, F.; OLIVEIRA, M. L. Ciências naturais na escola normal . Belo Horizonte: Vem. 1971.

ARARIPE, F. Ensino deficiente de ciência leva Brasil à última posição em pesquisa com 32 países . Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=11291. Acessado em: 19/07/2003

ARGÜELO, C. A; GIMENES, M. J. G. Licenciatura Plena em Ciências - Goioerê/PR . In: Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura Plena em Ciências/UEM. Maringá,1991.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Lei nº 9394, 20 de dezembro de 1996.

\_\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1998a.

\_\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental; Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998b.

FRACALANZA, H. et al. O ensino de ciências no 1º grau. São Paulo: Atual, 1986.

KRASILCHIK, M. O professor e o currículo das ciências. São Paulo: EPU/EDUSP, 1987.

\_\_\_\_\_\_\_.

Prática de Ensino de Biologia . 4. ed. São Paulo: Edusp, 2004.

SBPC. Os 20 maiores problemas a enfrentar para melhorar o ensino de ciências no Brasil . Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=11292. Acessado em: 19/07/2003.

WORTMANN, M. L. Currículo e Ciências: as especificidades pedagógicas do ensino de ciências. In: COSTA, M. V. (org.). O currículo nos liminares do contemporâneo . 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

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